Ano: 2014
Praia do Açu: cadê aquela areia que estava ali em 2007?
Em mais uma contribuição que visa mostrar a gravidade do processo erosivo em curso na Praia do Açu, recebi hoje o vídeo que segue abaixo e que mostra a situação no ano de 2007, onde ainda havia uma ampla faixa de areia, hoje inexistente como mostra a foto acima.
E o que não existia em 2007? Por coincidência, o Porto do Açu!
Lagoa do Açu: outra vítima do desiquilíbrio ambiental no entorno do porto de Eike Batista
Uma leitora deste blog, que é bióloga e cuja família habita a localidade de Barra do Açu, me enviou uma série de imagens para ilustrar sua preocupação com o assoreamento da Lagoa do Açu por sedimentos marinhos que estão chegando em maior quantidade à sua barra.
Eu que já tive a oportunidade de visitar a entrada da Lagoa do Açu também compartilho da preocupação desta leitora, e entendo que este processo está diretamente ligado ao processo de desiquilíbrio que já foi detectado na porção central da Praia do Açu, e que segundo o Dr. Eduardo Bulhões da UFF/Campos pode estar sim ligado à construção dos quebra-mares no Porto do Açu.
E não adiante nem a Prumo Logística ou o INEA virem a público dizer que este processo é natural, pois é preciso mais do que negativas para negar o que para a maioria é apenas o óbvio, qual seja, a influência do Porto do Açu no desiquilíbrio ambiental em curso no entorno de sua área de influência.
Abaixo as imagens que me foram enviadas, e que mostra indícios do “afogamento” da Lagoa do Açu por areias marinhas.
Institutos de pesquisa? Empresas de formação de opinião, isso sim!

Se tem algo que me irrita nas eleições desde 1989 são os tais institutos de pesquisa eleitoral que se multiplicaram tal como cogumelos no pasto. Há instituto de pesquisa para todo gosto e poder aquisitivo, dos candidatos é claro! O mais curioso é que jamais, eu disse jamais, fui monitorado por qualquer pesquisa eleitoral, e jamais vi um pesquisador desses institutos em ação. São como duendes nos jardins.
Mas os furos que ocorreram no Rio de Janeiro e São Paulo não são pontuais, mas expressão do que essas empresas realmente são: organismos de formação de opinião que buscam embaralhar e dificultar a já difícil tomada de decisão por parte da maioria da população.
Há que se regular esses grupos, como há de se regular a ação da imprensa. Simples assim!
Sistema eleitoral corrupto e seus filhotes macabros
Há muita gente hoje olhando para alguns dos nomes eleitos com votação expressiva e deixando o queixo cair de perplexidade. É que ver figuras como Jair Bolsonaro, Celso Russomano, Tiririca e Marco Feliciano como campeões de voto é realmente de deixar qualquer um perplexo. Mas não há como explicar determinadas votações sem olhar para o sistema eleitoral que permite a multiplicação destes casos. Do pouco que me envolvi nesta eleição pude notar que o atual sistema eleitoral é feito para produzir exatamente este tipo de resultado, já que aliena a maioria do eleitorado a partir de uma boa dose de desigualdade de recursos financeiras combinada com uma ação diligente das classes dominantes para aprofundar o processo de despolitização. É essa despolitização que gera essas vitórias macabras, e não simplesmente o gosto do povo por sofrer.
Assim, culpar a população por eleger este ou aquele político que irá contribuir para a formulação de políticas anti-trabalhadores sem questionar o sistema eleitoral é culpar a vítima, e não o culpado. Além disso, não há como culpar a juventude por ter abandonado as ruas, quando a própria presidente Dilma não moveu uma palha em prol da reforma política e, em vez disso, se gabou publicamente da boa colaboração que obteve na repressão às manifestações. E aqui a opção foi clara: deixar o sistema político intacto para continuar aplicando uma política de inserção dependente no sistema econômico global.
Para mim, que já antevia este tipo de votação que deixa muitos perplexos, há que se olhar para os bons exemplos que tivemos no Rio de Janeiro, pois estes foram produzidos a partir de um profundo diálogo com a juventude e setores da classe trabalhadora. Esse diálogo que os partidos de esquerda precisam agora aprofundar entre si para que estes exemplos se tornem a principal referência para embates futuros. É que apesar de toda a gritaria que ouviremos nas próximas semanas entre neopetistas e tucanos, a política que eles têm a nos oferecer é justamente aquele que produz filhotes macabros como os que vimos saindo das urnas no Rio e em São Paulo. Já a esquerda precisa reapreender a ter metas estratégicas e visões utópicas, em vez de insistir em ações micro-orientadas para determinar quem fica com o cacife eleitoral do descontentamento informado.
Finalmente, uma pequena referência à derrota de Anthony Garotinho no plano fluminense. Quem quiser descartá-lo precocemente da política brasileira que se cuide, pois avalio que Garotinho sempre soube que tinha chances reduzidas de ir ao segundo turno, mas estabeleceu metas não declaradas que foram cumpridas. Um exemplo disto foi a votação expressiva de Clarissa Garotinho que se firma agora como a estrela mais brilhante da companhia. E tenho certeza que ele olhará com critério os resultados em Campos dos Goytacazes para fazer uma limpeza em seu grupo político, já que muitos se mostram completas inutilidades na hora de brigar por votos que acabaram fazendo uma falta fatal. A ver!
Porque Pezão rima com traição
Acabo de voltar do campus da UENF onde fui votar e dei de cara com material de propaganda, pouco é verdade, jogado no gramado. E o material predominante era o que vai abaixo, com uma chapa do chamado movimento “Aezão”.
Além de evidenciar a estratégia de sujar as áreas de votação como símbolo de fazer política, o que panfleto revela é que as juras de amor de Pezão à presidente Dilma Rousseff são tão verdadeiras quanto as promessas que fez aos servidores e estudantes da UENF que atenderia as reivindicações que embalavam a justa greve que foi realizada por mais de três contra os desmandos do (des) governo do PMDB.
E pensar que Dilma Rousseff literalmente rifou a candidatura de Lindbergh Farias em nome de sua “amizade” com Pezão. Está ai a paga de Pezão! E eu só posso dizer: bem feito!
E eu que não tenha nada a ver com isso, votei em Luciana Genro e Tarcísio Motta!
Vendo cabelo crescer em ovo, Eike Batista nomiea sócio de empresa de tratamento capilar para diretoria do grupo EBX
Força na peruca
Sabe quem Eike Batista acaba de nomear para a diretoria de sua holding EBX? Alessandro Corona. E quem é Corona?
O italiano é sócio da franquia brasileira da Tricosalus, a empresa de tratamento capilar à qual Eike recorreu anos atrás em sua luta contra a calvície.
Por Lauro Jardim
FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/diversos/eike-nomeia-socio-de-empresa-de-tratamento-capilar-para-a-diretoria-da-ebx/
Para resistir às chantagens, é preciso lembrar que voto útil é sempre inútil!

Estamos na véspera de mais uma eleição onde os partidos da ordem se engalfinham para saber quem pode agradar as forças de mercado. A disputa por quem pode ser o melhor gerente do Estado brasileiro em nível federal tem várias peculiaridades, mas no final não há como diferenciar no plano estratégico nenhuma diferença maior, pois o receituário neoliberal apenas varia de grau. Como alguém já bem definiu, o que tenta menos neoliberal, o PT, ruge como leão nesses dias de eleição, mas depois mia como um gatinho na hora de enfrentar banqueiros, latifundiários e corporações multinacionais.
Mas há que se reconhecer que a estratégia de se fazer parecer de esquerda e cobrar votar o chamado voto útil tem seu apelo. Afinal, as figuras de Aécio Neves e Marina Silva são uma mais expressão mais evidente de toda a política que a maioria do povo detesta e rejeita. Assim, nos últimos dias tenho visto pessoas que considero genuinamente preocupadas com mudanças estruturais no Brasil apelando para o surrado argumento do voto útil em Dilma Rousseff.
Eu rejeito sumariamente estas pressões, pois tenho visto de perto os resultados das opções que Dilma Rousseff e seu governo têm feito em prol de setores capitalistas retrógrados e anti-classe trabalhadora cujas expressões são Eike Batista e a dublê de latifundiária e senador, Kátia Abreu.
No caso de políticas estruturais que foram sumariamente engavetadas em nome de alianças em prol de uma suposta governabilidade está a reforma agrária. Dilma Rousseff conseguiu no seu primeiro mandato produzir números tão magros quanto os de Fernando Collor, cujo mandato foi encurtado por um impeachment. Nada mais revelador do que o fato de que hoje Fernando Collor é um dos sustentáculos de Dilma Rousseff no senado federal.
Diante disso, rejeito o voto útil que, para mim, é a coisa mais inútil que se pode fazer. E como já disse antes, as tarefas da esquerda terão que começar a ser definidas depois de amanhã. É que vencendo o candidato da ordem que vencer, o ano de 2015 deverá ser o palco de profundos ataques aos direitos dos trabalhadores e da juventude brasileira.
E, sim, meu voto é para Luciano Genro. Mas quem quiser votar em Mauro Iasi do PCB ou Zé do Maria do PSTU também votará bem. São estes os candidatos que possuem utilidade para ajudar na construção da resistência que teremos de oferecer no futuro.
Procurador da República liga construção do Porto do Açu à risco de desaparecimento da Praia do Açu
Praia do Açu corre o risco de desaparecer com avanço do mar
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Fernanda Moraes
O procurador da República em Campos, Eduardo Santos de Oliveira, afirmou, em entrevista ao programa “Debate Diário”, da TV Diário, na última quinta-feira (2/10), que a praia do Açu, em São João da Barra (SJB), corre o risco de desaparecer devido ao processo de erosão e avanço do mar.
No mês passado o mar avançou novamente sobre a Barra do Açu, atingindo a Avenida Atlântica, as ruas do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) e da Escola Municipal Chrisanto Henrique de Souza. Na ocasião, uma equipe do Ministério Público Federal (MPF) realizou uma inspeção no local.
Na opinião do procurador, além de causas naturais, o problema estaria sendo causado pelo impacto das obras do Porto do Açu. “Como vão trabalhar com navios transatlânticos, eles tiveram que abrir um buraco no meio do Oceano Atlântico para retirar a areia e o mar pudesse avançar (aumento de calado). Esse avanço causou a salinização na foz (onde rio e mar se encontram)”.
Ele explicou que a preocupação do MPF quanto aos possíveis danos que a obra do Porto poderia causar levou a abertura de vários procedimentos pelo órgão. “Não somos contra o desenvolvimento econômico da região, mas nos preocupava a forma como o projeto iria acontecer e defendíamos que esse desenvolvimento fosse sustentável”.
Além da questão ambiental, Eduardo disse que o MPF tem outras duas preocupações, que são a saúde pública, pois a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) já tem encontrado dificuldades para captar água, devido à salinização no rio, e o prejuízo moral, já a obra criou uma grande expectativa de progresso na região.
Competências não são respeitadas
Ainda segundo Oliveira, a responsabilidade pelo que está ocorrendo no Açu seria do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que foi quem concedeu licença ambiental para a obra do Porto. “As licenças ambientais deveriam ser tratadas com mais seriedade no Brasil”, disse ele, destacando que, em todos os Relatórios de Impacto Ambiental (RIMAs), as empresas já confessavam o que poderia acontecer.
Ele criticou também o que classifica como superposição de competências, que seria outro problema sério no país. “Todo mundo é competente para tudo e não é competente para nada. Temos órgãos federais, estaduais e municipais, mas não sabemos o que compete a cada um. Muitas vezes, no caso das licenças ambientais, não sabemos se o órgão licenciador deveria ser o Inea ou Ibama. No Porto, por exemplo, seria o Ibama, mas foi o Inea”.
O superintendente do Inea em Campos, Renê Justen, explicou que o estudo de impacto ambiental, que antecedeu a concessão da licença, foi feito por uma empresa sem nenhum vínculo com o Inea e com o empreendedor. “Um estudo recente na Barra do Açu, feito por outra empresa, também idônea, aponta que a causa da erosão e do avanço do mar não seria proveniente da obra do Porto, mas fruto de um processo natural, como o que ocorreu na praia de Atafona e em outros estados, como Bahia e Espírito Santo”, afirmou Justen, destacando que os diagnósticos são feitos por profissionais de empresas diferentes e especializados em oceanografia.
FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/praia-do-acu-corre-o-risco-de-desaparecer-com-avanco-do-mar-15453.html
Segundo a FAO, o Brasil saiu do “Mapa da fome” das Nações Unidas – o que isso quer dizer?
Por Eliane S. Pedlowski*

Segundo o Relatório SOFI/FAO 2014, o Brasil foi um dos países que cumpriu tanto a meta de reduzir pela metade a proporção de pessoas que sofrem com a fome quanto a meta de reduzir pela metade o número absoluto de pessoas com fome, medidos pelo chamado “Indicador de prevalência de subalimentação”; no período base (1990-1992), 14,8% das pessoas sofriam de fome. Para o período de 2012-2014, o Brasil reduziu a níveis inferiores a 5%. Sim, são números incontestáveis.
Porém, sabemos que em se tratando de dados estatísticos, há de ser ter cautela em sua interpretação. Neste caso, há itens a se esclarecer antes da comemoração; gostaria de salientar alguns. Em primeiro lugar, o termo “subalimentação” diz respeito à alimentação insuficiente tanto em quantidade quanto em qualidade, isto é, carente de diversos elementos nutricionais indispensáveis (vitaminas, proteínas de origem animal, sais minerais). Mas, é isso que é medido pelo indicador de prevalência de subalimentação da FAO? Em verdade, não. O indicador da FAO de prevalência de subalimentação (Prevalence of Undernourishment – POU) se refere somente à estimativa do consumo energético insuficiente na população, não à melhoria da qualidade nutricional das dietas praticadas). Sabemos que com recursos limitados para o gasto em alimentação, fazem-se escolhas nem sempre saudáveis para manter ao estômago saciado: aumenta-se o consumo de alimentos de baixo custo com alta densidade calórica, e se exclui/reduz o consumo de frutas-legumes-verduras (que contém mais nutrientes), devido ao seu mais alto custo. É fato conhecido hoje que as chamadas doenças crônicas não transmissíveis apresentam em comum seus principais fatores biológicos e comportamentais de risco, dentre os quais se destacam as variáveis nutricionais, representadas pela alimentação hipercalórica e seus desvios específicos: consumo excessivo de açúcares simples, de gorduras animais, de ácidos graxos saturados, de gorduras trans, ao lado do sedentarismo crescente, tabagismo, uso imoderado de bebidas alcoólicas e outras práticas de vida não saudáveis.
Em segundo lugar, há de se colocar a diferença entre alimentação e nutrição: a primeira, diz respeito ao ato voluntário de comer alimentos; a segunda, ao aproveitamento involuntário que o organismo faz dos nutrientes existentes (ou não) nos alimentos consumidos. Assim, nem sempre que nos alimentamos estamos nos nutrindo, pois isso depende da qualidade nutricional do que comemos. Em terceiro lugar, há tempos vimos convivendo com a chamada ‘transição nutricional’, que no Brasil apresenta uma singularidade notável: o agravamento simultâneo de duas situações opostas por definição: uma carência nutricional (a anemia) e uma condição típica dos excessos alimentares, a obesidade.
Por último, o Relatório SOFI/FAO 2014 chama bastante a atenção para o fato do monitoramento no Brasil ter melhorado, o que é fato. A título de ilustração, no caso dos dados de saúde, sabemos que no Brasil a aferição sistemática do crescimento e desenvolvimento pelos dados antropométricos ainda não é prática recorrente; mas, com os programas sociais atuais exigindo tal aferição como contrapartida ao incentivo financeiro, mais pessoas estão sendo avaliadas, o que diminui percentualmente o número de desnutridos, já que o critério de ingresso nos programas não é de saúde, mas social, diferentemente do que ocorria até então.
Assim, o aumento do consumo energético não está diretamente relacionado à segurança alimentar, ao contrário do que comemora a Ministra Tereza Campelo, pois ela acredita que o fato de ter melhorado o acesso aos alimentos nos faz um país com segurança alimentar. Infelizmente, ainda não, já que a segurança alimentar e nutricional, por definição, diz respeito à realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.
Eliane S. Pedlowski é Mestre em Políticas Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense e é servidora pública concursada da Prefeitura Municipal de Telêmaco Borba (PR), onde atua como Nutricionista.









