Infeliz aniversário: reunião do CONSUNI que quebrou na UENF vai fazer um ano

Estamos às vésperas de completar um ano da fatídica reunião do Conselho Universitário da UENF que decidiu quebra o regime de Dedicação Exclusiva (DE)  dos professores (Aqui!). Numa decisão imposta pelo rolo compressor montado pela reitoria, 31 conselheiros (27 professores e 4 servidores técnicos) formaram uma maioria qualificada para alterar drasticamente o modelo acadêmico idealizado por Darcy Ribeiro.

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Muitos podem não lembrar, mas essa ação truculenta foi apresentada pela reitoria como uma imposição do (des) governo Cabral para pagar a remuneração devida pelo regime de DE dos professores. Além disso, essa aprovação seria a única forma de garantir um pagamento rápido da DE, de forma a garantir o funcionamento normal da UENF, e mais a sua expansão para outros municípios.

Isso tudo se deu em julho de 2013, e se mostrou uma completa inutilidade. Afinal, após quebrar o modelo acadêmico de Darcy Ribeiro, a reitoria da UENF não teve o que queria ou pensava que conseguiria.  

E o resto da história agora já sabemos e foi dito por membros do alto escalão do (des) governo do Rio de Janeiro. Em rápidas palavras, a ideia de quebrar a DE partiu da própria reitoria da UENF, e a implementação da proposta aprovada no dia 26 de Julho de 2013 nem chegou a ser levada a sério no processo de negociação que ocorreu ao longo da greve que começou no dia 12 de março de 2014!

Agora, para completar o seu trabalho, a reitoria da UENF usou o mesmo método fatídico para aprovar a militarização do policiamento do campus Leonel Brizola, usando a mesma tática que mistura falta de discussão democrática e uso de argumentos apocalípticos´E nunca é demais lembrar que essa tática apenas tenta esconder um autoritarismo inato e uma inépcia completa para garantir o funcionamento cotidiano da universidade idealizada por Darcy Ribeiro.

Intelectuais denunciam prisões antecipadas no Rio de Janeiro como neofascismo

Notas sobre o Neofascismo 

por Ricardo Antunes, Jorge Souto Maior, Maria Lucia Cacciola, Lincoln Secco e Luiz Renato Martins, via e-mail

As prisões “antecipadas” de pessoas que supostamente fariam parte de um protesto (aliás, legítimo) na final da copa do mundo são o ataque mais sério e preocupante à democracia nos últimos 20 anos.

O fascismo já foi uma forma de cesarismo regressivo de base policial. Mas ele pode assumir muitas formas e até mesmo prescindir de uma liderança carismática e do partido único. No caso brasileiro, vivemos numa democracia racionada, o que implica aceitar um teor de fascismo, de entulho ditatorial e de práticas policialescas que só se integram ao sistema legal mediante o malabarismo retórico das “autoridades”.

A violação da língua e a mentira sem o rubor nas  faces são a primeira manifestação fascista. A ela segue-se o “humor negro” que rejeita os miseráveis e os oprimidos. É indigno ler nas redes sociais os comentários contra manifestantes: “Quem mandou ir à manifestação?”. “Mas ele não carregava uma bomba?”. “O sujeito estava até vestido de mulher”. A expressão “humor negro” não deve nos confundir. Ela é o que diz: humor contra os negros.

Uma das pessoas presas recentemente é a professora Camila Jourdan.  Foi presa pela polícia sem nenhum fato que a apontasse como membro de associação criminosa. Sua prisão é apenas um acinte às leis, à Democracia ou apenas à ideia de civilidade. É óbvio que alguns mais atentos dirão que milhares de pessoas são presas injustamente e que são pobres etc. Nada disso nos deve confundir. Os fascistas também usam argumentos de esquerda. Camila foi presa porque representa mais do que ela mesma. Ela luta por todos nós.

Que não se queira concordar com o teor dos protestos que animam os novos movimentos sociais desde junho de 2013 até se pode compreender. Mas que se aceite que haja prisões políticas é plenamente inadmissível.

Comentários sobre “provas”, legalidade e ofensas anônimas em sítios progressistas ou não, apenas revelam o quanto a Ditadura Militar destruiu a cultura política e distorceu as mentes de muitas pessoas de esquerda ou de direita. Mas elas também serão vítimas do Estado Policial e se mantida a conivência no futuro não haverá ninguém para defendê-las.

Diante do fascismo, travestido ou não, inexiste transigência. Os que apoiam a prisão de Fábio, Celso, Camila, Sininho e muitos mais só merecem o repúdio.

Ricardo Antunes, Professor Titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp 

Jorge Souto Maior, Professor Livre Docente da Faculdade de Direito da USP

Maria Lucia Cacciola, Professora da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP

Lincoln Secco, Professor Livre Docente da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da  USP

Luiz Renato Martins, Professor da Escola de Comunicações e Artes da USP

FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=9832&Itemid=218

Equador chama para “consultas” seu embaixador em Israel. E o Brasil, vai fazer o que?

O governo equatoriano chamou de volta o seu embaixador em Israel como uma forma de protesto contra a guerra contra a Faixa de Gaza (Aqui!). Segundo o ministro de relações exteriores equatoriano, Ricardo Patiño, o seu governo decidiu chamar de volta o seu embaixador por causa “da violência desatada e as mortes produzidas na Faixa de Gaza.

Enquanto isso, o governo de Dilma Rousseff mantém-se basicamente numa condenação retórica dos atos cometidos pelo governo israelense sobre quase 2 milhões de palestinos, onde as baixas se concentram em idosos e crianças, mantendo-se na prática apático em relação à crise humanitária causada pelo governo de Benjamin Netanyahu.

 

MST emite nota sobre guerra em Gaza

 O POVO PALESTINO TEM O DIREITO DE RESISTIR E LUTAR CONTRA A OCUPAÇÃO ISRAELENSE

São Paulo, Brasil, 14 de julho de 2014.      

Uma nova ofensiva militar israelense já resulta em centenas de prisões e mortes na Palestina ocupada. Seja na Cisjordânia, em Gaza, em Jerusalém ou nos territórios palestinos ocupados em 1948, o que vemos é mais violência e violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário por parte do governo de Israel. Milhares de civis são assassinados, feridos e presos durante as operações militares israelenses. Agora Israel ameaça invadir novamente Gaza. Toda invasão de Gaza resultou em bombardeios de casas, escolas, hospitais, sedes de organizações políticas e sociais palestinas e de apoio humanitário, uso de bombas de fósforo branco, armas com munição feita de urânio empobrecido e bombas incendiárias que se assemelham ao napalm usado pelos EUA na Guerra do Vietnã.

Diante de mais essa agressão sionista-colonialista o que resta ao povo palestino é continuar a luta e a resistência popular por Paz, Justiça e Libertação Nacional. A origem do conflito é a ocupação das terras palestinas pelo colonialismo israelense. O fim da ocupação israelense é a única solução para assegurar uma paz justa e duradoura na região. Enquanto esse dia não chega o povo palestino conta com a coragem e a rebeldia de quem vive sob a ocupação israelense, e com a solidariedade internacional de pessoas, organizações e governos que, juntos, formam um poderoso movimento de denúncia contra as injustiças praticadas por Israel.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST está e estará sempre ao lado dos que lutam por justiça e dignidade. E neste conflito estamos juntos com o povo palestino e com suas legítimas organizações, que através da resistência diante do opressor, mostram o caminho que irá resultar na liberdade do povo e da terra. O MST estará com várias organizações do povo brasileiro na luta por uma Palestina Livre, Soberana e Independente. Também conclamamos nossas organizações-irmãs que fazem parte da Via Campesina a participarem ativamente da luta em solidariedade a este povo heroico que é para nós um exemplo de dignidade, ousadia e coragem.

O povo brasileiro está na luta junto com o povo palestino.

 PALESTINA LIVRE JÁ!!!

PELO FIM DA OCUPAÇÃO ISRAELENSE!!!

PÁTRIA PALESTINA LIVRE, VENCEREMOS!!!

 

DIREÇÃO NACIONAL DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST BRASIL

Brasil 247 – Nada mudou com Obama: apoio total a Israel

Governo francês vai pedir ajuda ao Rio de Janeiro?

paris 2 paris

As cenas acima não são da Cinelândia no centro do Rio de Janeiro, mas de Paris onde milhares de pessoas desafiaram a proibição de reunião pública e decidiram mostrar sua repulsa ao massacre em curso na Faixa de Gaza. Mas do jeito que os paralelos se cruzam em termos das táticas repressivas do Estado já que em Paris além de se proibir o uso de máscaras, se proibiu simplesmente o direito de reunião pública, não será de se admirar se o governo francês solicitar a ajuda da polícia e da justiça do Rio de Janeiro para conter a escalada de protestos.

Uma coisa é certa: a crise sistêmica do capitalismo gera reações de parte a parte que mostram que podemos até ser diferentes e vivermos em países com condições bastante diferentes, mas as táticas repressivas que visam sufocar o clamor por mudanças, essas são sim muito parecidas e estão recebendo em troca reações bastante semelhantes.

Um último detalhe: não vou me surpreender se aparecer algum delegado ou juiz dizendo que a ativista Sininho que insuflou a manifestações em Paris! Afinal, a moça é a encarnação total do Mal, não é?

Goleiro recusa grande clube para estudar

Por Tiago Lima Domingos

scuffet

Recusar um grande clube europeu aos 17 anos de idade para concluir os estudos: você faria isso? Foi a escolha de Simone Scuffet, o jovem e promissor goleiro de 17 anos da Udinese, que disse não ao Atlético de Madrid, atual campeão espanhol, para continuar na Itália e conseguir o tão sonhado diploma. O jovem atleta é comparado a ninguém menos que Gianluigi Buffon – ambos estrearam na Serie A com 17 anos de idade e impressionaram pela segurança e tranquilidade com tão pouca experiência como profissional.

A recusa de Simone Scuffet ao Atletico de Madrid aconteceu nesta semana. Estava tudo encaminhado para o acerto entres os clubes: a Udinese receberia 9 milhões de euros, mais €2 milhões de bônus e um contrato de 900 mil euros por ano. Quando tudo parecia acertado, veio o não. O goleiro, com o apoio do pai Fabrizio e da mãe Donatella, além do procurador Claudio Vagheggi, anunciou que permaneceria em Udine. Diga-se: Scuffet renovou com o clube recentemente até 2019, com um salário de 300 mil euros/ano. Se aceitasse a mudança para a Espanha, ganharia o triplo.

Uma atitude nobre e louvável nos dias de hoje, mas que não foi novidade na vida do goleiro. No início de janeiro de 2014, antes de explodir na Serie A, Adriano Galliani e Pippo Inzaghi já tinham quase tudo certo para a ida de Scufett ao time Primavera do Milan (€ 1 milhão pela copropriedade). Como aconteceu agora, a família do jogador interveio. À época, sua mãe declarou: “melhor que termine a escola aqui. Scuffet tem algumas lacunas em economia”. O Milan, então, acertou com Stefano Gori, do Brescia.

Scuffet não quis dar um passo muito à frente. Preferiu, ao lado da família, ficar em seu país, terminar os estudos e amadurecer como homem.

Para encerrar, nada melhor que suas palavras após o episódio da transferência para a Espanha.

Eu recusei o Atletico porque devo conseguir meu diploma. Dinheiro e glória? Ainda há muito tempo. Há coisas mais importantes na vida.

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http://www.doentesporfutebol.com.br/2014/07/o-goleiro-que-recusou-um-grande-clube-para-terminar-os-estudos/

Sociedade civil faz alerta sobre Banco dos BRICS

Mesmo tendo tantos desafios comuns, o principal foco da primeira instituição criada pelo grupo de cinco países, o banco, será o financiamento de grandes projetos

Camila Nobrega, do Canal Ibase 

Enquanto a presidente Dilma Rousseff se reunia com chefes de Estado da Rússia, China, Índia e África do Sul para a VI Cúpula dos BRICS, em Fortaleza, no Ceará, um evento reunia representantes sociedade civil dos cinco países e de pelo menos outras dez nações convidadas muito próximo dali. Se, no encontro oficial, o grande anúncio esperado era a criação do Banco dos BRICS, que foi oficializado na tarde de desta terça-feira, 16/7, com presidência da Índia e sede em Xangai, na China,  na reunião paralela o objetivo é formar uma agenda comum, confrontando o modelo que está sendo delineado pelo novo banco. Na Cúpula paralela, o potencial que se ressalta desse grupo de cinco países é para o enfrentamento de problemas econômicos, sociais e ambientais, também calcados na dimensão política.

São muitos os relatos de violações de direitos humanos que aparecem nas falas dos representantes das entidades. Entre essas violações pode-se destacar o processo antidemocrático da Copa do Mundo no Brasil, o Programa Pró-Savana, que conta com investimento brasileiro em Moçambique, o avanço da mineração e a violação dos direitos das mulheres em vários países, como nas fábricas chinesas.

A grande pergunta que norteia o evento é “Brics para quem?” Mesmo tendo tantos desafios comuns, o principal foco da primeira instituição criada pelo grupo de cinco países, o banco, será o financiamento de grandes projetos. Entidades da sociedade civil fazem um alerta de que o banco pode se tornar, além de uma influência forte da China no mundo, um novo rolo compressor dos direitos humanos e civis nos países envolvidos.

“Os BRICS estão reproduzindo o que chamamos de uma captura corporativa da política. Quem será beneficiado pelo banco que será anunciado não é a população, são as grandes empresas desses países.”, disse Graciela Rodriguez, do Instituto Equit e da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), uma das organizadoras do evento.

O novo banco funcionará por meio da aprovação de projetos, o que ratifica a afirmação de Rodriguez. O maior objetivo é financiar projetos de infraestrutura. Entram nessa conta empreendimentos como hidrelétricas e expansão do setor de mineração.  Mas não há até o momento parâmetros definidos em termos sociais ou ambientais para a autorização desses empreendimentos, a não ser os que já existem em cada país, e que atualmente são bastante questionados. Em abril deste ano, o governo brasileiro ratificou esta informação.   O capital inicial do banco será de US$ 50 bilhões, sendo US$ 40 bilhões vindos da China, que sediará a instituição, muito provavelmente na cidade de Xangai.

No âmbito dos governos, os BRICS emergem como um bloco que tem como finalidade incidir mais sobre a arquitetura financeira internacional. No entanto, na prática, de acordo com o que foi anunciado até este momento, a estrutura da instituição em nada vai alterar o modelo de desenvolvimento, que subjuga as economias dos países do hemisfério Sul às necessidades de corporações trasnacionais, como reforça a ativista moçambicana Graça Mosa, do Secretariado Internacional da Marcha Mundial de Mulheres e também membro de movimentos contra a mineração:

“Não é que o governo não saiba as necessidades da população. Ocorre que os governos estão mais preocupados em cumprir suas promessas a multinacionais. O povo tem que resistir, pois os impactos desse modelo econômico são inaceitáveis para o ambiente e para a vida da maioria das pessoas. Uma minoria é beneficiada. Essas informações só não são difundidas, pois a comunicação também está nas mãos de grandes corporações.”

Para Graça Mosa, um dos principais desafios das entidades da sociedade civil é buscar meios próprios de fazer a comunicação em rede. A diretora do Ibase Moema Miranda também ressaltou que, em nível global, os parâmetros adotados pelo bloco dos BRICS, refletidos no novo banco, mantêm os países do Sul como exportadores de commodities e recursos minerais:

“A continuidade do modelo extrativista é algo que nos conecta e, logo, muitos impactos também nos são comuns. No Brasil, tivemos um boom da mineração nos últimos anos. Creio que, neste momento, é importante ultrapassarmos fragmentações dentro dos movimentos, para lutarmos por pontos comuns. A extração de recursos naturais é feita numa lógica internacional que também será apoiada pelo banco dos BRICS, a nossa resistência também precisa se fortalecer globalmente.”

Para a representante da Assembleia das Mulheres Rurais, da África, Mercia Adams, é necessário que os movimentos se unam para apontar os principais responsáveis por impactos devastadores na sociedade. “Hora de darmos nomes aos bois.” Ela apontou a Copa do Mundo como algo que une a África do Sul e o Brasil. Segundo Adams, ambos os países enfrentaram o paradoxo de assistir à construção de estádios e infraestrutura voltada diretamente para o evento, e não de acordo com as prioridades da população.

“Se o governo constrói para a Fifa, por que não faz o mesmo pela população? Cadê hospitais? Na África do Sul, por exemplo, os sistemas de transporte são muito pequenos. Para chegarmos ao Malawí, levamos sete, oito dias. Por que a gente tem que ver essa contradição e se calar? O dinheiro é público, vem do mesmo lugar, é claro. A lógica que os chefes de Estado estão construindo para os BRICS é a mesma.”

Ainda na tarde desta terça-feira, as entidades farão um ato de crítica à Cúpula dos BRICS. O trajeto será pela Arena Castelão, onde foram realizados os jogos da Copa do Mundo.

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/29201

TJ manda soltar últimos cinco ativistas presos

O desembargador Siro Darlan emitiu cinco habeas corpus para os ativistas que ainda se encontravam presos como parte da operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro um dia antes do final da Copa FIFA 2014.

Com essa decisão de Siro Darlan ganharam a liberdade, entre outros, a professora Camila Jourdan que coordena o Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UERJ e a ativista Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho.

Agora fica a ameaça no ar de que todos os que acabam de ser libertados possam voltar para a cadeia, já que o delegado Alessandre Thiers (que interessantemente é da Divisão de Repressão a Crimes de Informática) já pediu a prisão preventiva dos mesmos.

Em função de um quadro que aponta no sentido da continua repressão às manifestações, há que se continuar a mobilização em prol da livre manifestação e da repressão policial, esta sim fonte de graves violações dos direitos políticos e constitucionais.