Márcio Malta: sobre ser ou não ser um vira-lata  

Por Márcio Malta*

Durante a copa do mundo a presidenta Dilma Roussef afirmou por várias vezes que quem criticava o evento sofreria de complexo de vira-latas.Até aí nada de novo, afinal o ex- presidente Lula já pronunciara a frase do dramaturgo Nelson Rodrigues por diversas vezes. Só que agora foi instalada uma dicotomia que, segundo os repetidores governistas , quem criticasse a copa seria um coxinha ou estaria afinado com a direita. Como bem asseverou o jornalista esportivo Juca Kfouri, com quem faço coro, é melhor ser vira-lata do que um puxa-saco.Aliás, escrevo esse texto também mobilizado em ressignificar o caráter pejorativo que tem se dado aos pobres vira-latas.

Como defensor dos animais, consciente que sou, amo esses bichos e se fosse escolher um bicho, seguiria tranquilamente a orientaçao dos protetores de que é melhor adotar do que comprar animais.Ou melhor, trabalhando o simbolismo: é melhor ser um vira-lata, afinal estes não são vendidos.Vergonha maior é o silêncio diante de tantos desmandos, como as prisões politicas que rasgam nossa constituição.

*Marcio Malta (Nico) é cientista político, professor da Universidade Federal Fluminense e cartunista. Autor de diversos livros, dentre eles “Henfil: o humor subversivo” (Ed.Expressão Popular,2008) e “Diretas jaz” (Muiraquita,2012).Vencedor do troféu Hqmix 2008, na categoria “Melhor livro teórico”.

FONTE: http://marciomalta.blogspot.com.br/2014/07/sobre-ser-ou-nao-ser-um-vira-lata.html

Chora a nossa pátria mãe gentil

Por: Mônica Raouf El Bayeh

Chora a nossa pátria mãe gentil. Não por mais uma vergonha da seleção. Nem pelo jogo de com camisa X sem camisa de fundo de quintal que foi a partida contra a Holanda.

A pátria chora porque uma nuvem preta vêm cobrindo, mais uma vez a todos nós. E assustando nossos irmãos. Tirando inocentes de casa, ameaçando, botando fuzil na cara até de menores, deixando recados para os que não são encontrados.

A ditadura voltou ou nunca foi embora? Se o presidente fosse militar, não dizia nada. Mas justo uma presidenta ex- guerrilheira? Que ironia do destino.

Dia 12 de julho de 2014, guarde essa data. No objetivo claro de constranger e intimidar cidadãos que participam de manifestações, a polícia prendeu 38 pessoas. Em uns casos com mandado, em outros nem isso.

Um típico caso de faxina para o final da copa. Numa atitude inconstitucional, aleatória e mal explicada. Pior, a mesma atitude já foi tomada pela polícia no início da copa e a gente nem ficou sabendo.

Para o presidente de Comissão de Direitos Humanos da OAB do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Chalreo, as prisões são inconstitucionais. “As prisões têm caráter intimidatório, sem fundamento legal, e têm nítido viés político, de tom fascista bastante presente. O objetivo é claramente afastar as pessoas dos atos públicos”

O primeiro boletim que eu li sobre o assunto dizia que os manifestantes tiveram suas casas vasculhadas e foram encontrados: celulares, computadores, máscaras de gás, jornais e joelheiras.

Eu pensei, estou ferrada! Tirando a máscara de gás, tenho tudo. Sou a próxima. Deixo, inclusive a dica aqui: minha sogra tem isso tudo na casa dela. Entendeu a deixa? Endereço inbox.

Falando sério, agora. Máscara de gás não é ataque, é defesa. Ataque são as bombas que os manifestantes têm levado na cara. Se levam máscaras de gás é por uma questão de sobrevivência. Aliás, todos deveriam ter uma máscara de gás, já que as bombas têm a capacidade de ir bem longe, até o oitavo andar dos prédios da cidade pessoas passavam mal com o efeito que elas causavam. É crime se proteger?

Provavelmente viram o absurdo da acusação e resolveram incrementar. Acharam um revolver velho, do pai de um dos acusados com porte de arma vencido. E aumentaram para: armas. Duvido que lendo essa matéria tenha uma só pessoa que não conheça uma criatura completamente inocente que possua arma em casa, a pretexto de se defender de ladrão.

Acharam maconha na casa de um outro. Acrescentaram: drogas. Olha a lista crescendo e ficando perigosa!

Amigos presos, amigos sumindo aqui pra nunca mais. Foi assim que me senti ontem ao ser procurada por várias pessoas pedindo ajuda. E pensei, quantos Amarildos ainda vão sumir com essa história? Até quando tanto desmando? Do fundo de um passado sombrio tenho visto, janela por janela, as paisagens se repetirem. E é com muita angústia por tudo que escrevo aqui agora.

Uma das presas foi a advogada Eloísa Samy, conhecida por trabalhar na defesa das pessoas presas em manifestações. É crime ser advogada? O professor que foi barbaramente arrastado pela polícia nas ruas do RJ também estava na lista e foi preso. Seu crime? Ser arrastado? Ele levou os policiais a lhe arrastarem pelas ruas? É isso?

Fui procurada ontem por educadores ameaçados de prisão. Seu crime? No geral, o crime de um professor é ensinar para que o futuro seja melhor. Ensinar a lutar por uma vida mais digna. Provocar a indignação pelo que não presta. E mostrar que não se acostuma com o que é ruim. Isso agora dá cadeia? Parece que sim.

No jornal da televisão anunciavam a prisão de Black-blocks. A notícia tinha uma função tranquilizadora implícita: a população ficasse tranquila. A cidade já estava limpa para o final da copa. Os malfeitores estavam presos. Nem tudo é o que parece ser. Nem tudo é o que querem que pareça ser.

Luíza Dreyer, a cantora linda de voz esplendorosa que participou do The Voice, está na lista também. Eu torcia por ela, no The Voice. Torço ainda mais agora, para que ganhe mais essa disputa, dessa vez contra o abuso de poder. O crime da Luíza? Protestar. É crime?

As pessoas que entraram em contato comigo não eram malfeitores. Eram professores. Agora sendo caçados, sem mandados. Ou com mandados, tendo seus nomes expostos num PROCURA-SE moderno que antigamente era pregado em árvores. E hoje em dia é rapidamente espalhado em redes sociais.

Está no Facebook, eu li, não sei se é verdade. Mas eu li os presos tentando se defender, falando de terem tido objetos plantados nas investigações. Armas, bombas, coisas que não lhes pertenciam. É praticamente um lenda urbana essa história de que a polícia, a pretexto de inspecionar plantava drogas para acusar as pessoas. Nunca aconteceu comigo, nem com ninguém conhecido. Eu aqui não posso afirmar nada. Mas onde há fumaça…

Fico aqui pensando com meus botões: os black blocks que quebravam tudo nas passeatas eram sempre longamente filmados pela imprensa. Porque a imprensa sempre sabia onde eles estavam e a polícia não? Por que não prenderam logo enquanto eles promoviam a quebradeira? Onde ficava a polícia enquanto eles quebravam? Não viam? Não ouviam?

Enquanto educadores são presos, a pretexto de serem bandidos, o bandido que fez a maior roubalheira com os ingressos da FIFA foi solto e já sumiu pela porta de trás. E corruptos são liberados das prisões.

A qualquer pretexto invadem hoje a casa de uma pessoa, sem mandado ou com um mandado sem justificativa, levam preso sei lá até quando. Já se imaginou sendo invadido, caçado, impunemente e sem direito a defesa? Já se imaginou com medo sem nem saber de que ou de quem direito? Imagine! Quem garante que o próximo não será você?

Às vésperas da comemoração da queda da Bastilha, ainda se vê o poder repetindo o mesmo velho esquema de calar quem incomoda. A Bastilha era um depósito de loucos onde os pensadores iam sendo jogados. Porque soltos, eram perigosos.

O jornal acusa os cidadãos presos de plantar o caos. Pensar, questionar é plantar o caos? Pensar é muito perigoso mesmo. O bom pensar de um povo faz cabeças rolarem. Bastilha neles para que tudo fique como está! Voltamos aos tempos dos presos políticos.

Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente. A esperança dança na corda bamba de sombrinha e em cada passo dessa linha pode se machucar. Azar! A esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar (Aldir Blanc e João Bosco).

Foto de Cristina Froment

FONTE: http://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/chora-nossa-patria-mae-gentil-13240147.html#ixzz37Y3dE9Ql

Justiça condena Claudeci das Ambulâncias por fraude tributária

MPF consegue condenação de ex-deputado estadual por crime contra ordem tributária
 Claudiocis Francisco da Silva utilizou funcionária fantasma para receber valores da Alerj

 

Após denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal em Campos dos Goytacazes (RJ) condenou o ex-deputado estadual Claudiocis Francisco da Silva a cinco anos e quatro meses de reclusão por crime contra a ordem tributária. O acusado, atualmente aposentado pela Alerj, deve cumprir a pena no regime semi-aberto, podendo apelar da sentença em liberdade. (Processo nº 00009233120124025103)

De acordo com a denúncia do MPF, a Receita Federal apurou que Claudiocis omitiu receitas nos anos-calendários 2001, 2002 e 2003, inseriu elementos inexatos nas declarações de imposto de renda e utilizou documentos contendo informações falsas, com o objetivo de fraudar a fiscalização tributária. Durante a investigação, ficou comprovado que o ex-deputado nomeou a vendedora de doces Maria de Fátima Soares da Silva como sua assessora parlamentar e passou a receber os valores depositados pela Alerj na conta-corrente dela. Em depoimento em juízo, a própria Maria de Fátima afirmou que nunca trabalhou na Alerj, nunca recebeu nenhum valor e que assinou vários cheques para o então deputado. De acordo com a Receita, o crédito tributário constituído é de cerca de R$ 214 mil, em valores atualizados até agosto de 2011.

Na sentença, o juiz da 2ª Vara Federal de Campos destaca que “o acusado, na condição de agente político, aproveitava-se da fragilidade e desconhecimento de pessoas de baixa instrução e necessitadas que o procuravam, a fim de obter ajuda para suprir suas necessidades básicas, nomeando-as para o exercício de função pública, que jamais chegavam a exercer de fato, e se apropriando indevidamente dos valores dos pagamentos que lhes eram destinados, enriquecendo ilicitamente e omitindo do fisco esse acréscimo patrimonial.”

“É mais um capítulo na luta contra a corrupção no serviço público. Esperamos que o Tribunal confirme a sentença e que o réu pague na cadeia pelos seus crimes” – disse o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, responsável pelo processo.

Além da pena de reclusão, Claudiocis também foi condenado a pagar multa equivalente a 300 dias-multa, sendo o dia-multa fixado em um décimo do salário mínimo vigente na data da constituição definitiva dos créditos tributários, a ser atualizado até o pagamento pelo IPCA-E mensal.

 FONTE:  Assessoria de Comunicação Social, Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro

Matéria de “O DIÁRIO” confirma informação sobre grave crise financeira na UENF

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Abaixo matéria publicada no jornal O DIÁRIO para tratar da grave crise financeira que assola a UENF.
A boa notícia é que os telefones deverão ser religados ao longo desta semana, conforme informa na matéria o prefeito do campus. Agora, eu não entendi uma coisa. Na matéria o prefeito informa que a principal linha telefônica já foi religada. Que linha será essa?

Telefones na Uenf desligados há 15 dias

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) está há 15 dias com os telefones cortados e o motivo seria falta de pagamento. Em seu blog, o professor Marcos Pedlowski, que também é conselheiro da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf), chama a atenção para o fato e ressalta que a universidade enfrenta uma crise financeira. 

Segundo o professor Pedlowski, a Universidade não estaria conseguindo honrar seus compromissos e devendo a várias empresas que prestam serviços para a universidade porque o Governo do Estado não estaria liberando recursos como deveria. “Sérgio Cabral (ex-governador) e Luis Fernando Pezão adotaram uma forma diferente para liberar as verbas orçamentárias e, por isso, os valores não são repassados em sua totalidade. Para se ter uma ideia, até o mês passado, apenas 27% do orçamento da universidade havia sido executado”, afirmou Pedlowski, destacando que a falta de recursos estaria afetando não só o serviço de telefonia, mas limpeza, água e energia elétrica. “A nossa situação é realmente muito séria”, acrescentou.

O prefeito da Uenf, Gustavo Xavier, disse ontem que a principal linha telefônica da universidade já havia sido restabelecida e as demais seriam liberadas no decorrer desta semana. “Entrei em contato com a Secretaria Estadual de Fazenda que me informou que o repasse para a empresa de telefonia foi feito na quinta-feira passada”, acrescentou.

Gustavo Xavier confirmou ainda que a não liberação das verbas orçamentárias em sua totalidade tem causado dificuldade no pagamento dos serviços pela universidade. “Até o dia 30 de junho deveríamos ter recebido 40% das verbas, mas recebemos apenas 27%”.

MST lança nota política sobre situação no Rio de Janeiro

Carta de repúdio ao Estado de Sítio vivido no Rio de Janeiro

 

Manifesante ferida é impedida de sair da Saens Peña. Foto: Camila Nóbrega/Canal IbaseManifestante ferida é impedida de sair da praça Saens Peña. Foto: Camila Nobrega/Canal Ibase

Rio de Janeiro, 14 de julho de 2014

O último final de semana no Rio de Janeiro vivenciou o estabelecimento de um verdadeiro Estado de Sítio implementado para garantia do megaevento Copa do Mundo. A ação repressiva e violenta, entretanto, já se fazia perceptível desde o ano passado com uma brutal criminalização dos movimentos reivindicatórios que ocuparam os espaços públicos como forma de defender mais saúde, educação e mobilidade, entre outros direitos sociais resguardados na Constituição desde 1988.

O que se assistiu nesse final de semana foi um espetáculo lamentável de ruptura com qualquer noção de democracia.

No sábado, dia 12 de julho, o juiz da 27ª vara criminal do Poder Judiciário do Rio de Janeiro autorizou o cumprimento de ilegais 26 mandados de prisão temporária, sob argumento central de que “verifica-se, também, que há sérios indícios de que está sendo planejada a realização de atos de extrema violência para os próximos dias, a fim de aproveitar a visibilidade decorrente da cobertura da Copa do Mundo de futebol, sendo necessária a atuação policial para impedir a consumação desse objetivo e também para identificar os demais integrantes da associação”.

Trata-se de verdadeira prisão política que demonstra a relação subserviente do Poder Judiciário aos interesses econômicos, sejam eles de organismos internacionais ou de poderes públicos estatais. Os Executivos Estadual e Federal vergonhosamente silenciaram diante dos abusos cometidos por suas forças de segurança em atuação no Rio de Janeiro.

É vergonhosa a atuação do Judiciário do Rio de Janeiro que vem se envergando ao Executivo Estadual, demonstrando a falácia da independência entre os poderes e a mediocridade interpretativa dos seus integrantes em defesa de um rebaixado processo de controle social.

Como se não bastasse a ordem prisional decretada no apagar das luzes, prática comum no período inquisitorial e que se perpetuou nos regimes de exceção, vide ditadura civil-militar no Brasil, neste domingo tivemos um verdadeiro estado de sítio estabelecido na praça Saens Pena, Tijuca. O espaço público foi escolhido por uma série de movimentos sociais e partidos políticos para a realização de atos em defesa de mais democracia e politicas públicas, e menos remoções, repressão e criminalização.

O que se seguiu foi um verdadeiro campo de guerra onde as forças de segurança com bombas cercaram os manifestantes, obrigando-os a ficarem presos na praça e impedidos de sair. Ninguém entrava após o estabelecimento do cerco que durou até o final do jogo. Advogados que foram acionados para apoio diante do alto grau de arbitrariedades foram barrados e somente após um longo período é que conseguiram adentrar ao cerco.

Dentro do cerco, os policiais militares (identificados pela sigla alfa-numérica) espancaram manifestantes e quem mais estivesse ali, como um midiativista que teve seu antebraço quebrado pelos golpes de cassetete, dentre várias vítimas. Uma jornalista com a cabeça sangrando e uma estudante com o braço ferido foram impedidas de sair do cerco. Não havia razão para essa brutal repressão, apenas justificada pela certeza de que as autoridades superiores (sejam elas estaduais ou federais) concederam tacitamente carta-branca para o massacre dos militantes.

O legado da Fifa para o Brasil será a sedimentação de um estado de exceção, legitimado pelo sistema judicial, onde cidadãos podem acordar com policiais na sua porta para a decretação de suas prisões como garantia da paz e da ordem do Estado. A paz e a ordem são criadas através da supressão dos direitos de livre manifestação e participação política, e pela prisão dos que defendem a democracia. Mas como nos lembra Marcelo Yuka, “Paz sem voz não é paz é medo!”.

Queremos aqui reiterar que nos recusamos a silenciar. Nossa história e nossas conquistas foram forjadas na luta, e na luta seguiremos.

Lutar, Construir Reforma Agrária Popular

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola

Damasceno: No Rio, polícia “Mãe Dinah” antevê crime; equivale a Estado de Sítio

damasceno

Damasceno: “A polícia fluminense se converteu na ‘polícia Mãe Dinah’, que investiga o futuro”

Por Conceição Lemes

Nessa sexta-feira 11, a 27ª Vara Criminal da cidade do Rio de Janeiro expediu 26 mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão de menores de idade.

A maioria foi detida ontem.  Acusação: formação de quadrilha armada, com pena prevista de até três anos de reclusão.

Em entrevista coletiva nesse sábado, o chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Fernando Veloso, justificou: “Estamos monitorando a ação desse grupo de pessoas desde setembro do ano passado. A prisão delas vai impedir que outros atos de violência ocorram neste domingo”.

Veloso disse que a polícia fluminense tem provas “robustas” e consistentes” de que “essa quadrilha pretendia praticar atos violentos se não hoje, amanhã [domingo]”.

Na mesma coletiva , a delegada Renata Araújo, adjunta da Delegacia de Repressão à Crimes de Informática (DRCI), alegou: “Eles planejavam ataques e se aproveitavam de problemas reais para fazer manifestações onde usavam artefatos para incendiar ônibus, depredar agências bancárias, entre outros”.

“Do ponto de vista substancial, não há como defender a legalidade de tais prisões”, denuncia o juiz João Batista Damasceno, membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD). “Violou-se o direito constitucional de liberdade de manifestação do pensamento e direito de reunião.”

“Na prática, implementaram-se medidas típicas de um Estado de Sítio, sem que ele tivesse sido decretado. Isso é crime de responsabilidade”, alerta.  “Num Estado de Direito efetivo, as autoridades envolvidas numa situação como essa seriam chamadas a se explicar e poderiam, eventualmente, ser responsabilizadas.”

“A polícia fluminense se converteu na ‘polícia Mãe Dinah’ que investiga o futuro”, critica Damasceno. “Seria cômico não fosse trágico ao Estado de Direito e não representasse um perigo de volta ao tempo sombrio da ditadura militar, notadamente quando vigente o AI-5, que suprimira o habeas corpus.”

A propósito. Entre as coisas apreendidas pela polícia do Rio de Janeiro na residência dos presos, há máscaras contra gás lacrimogêneo, viseiras, máscaras de carnaval, computadores, livros de capa vermelha e um revólver.

“O revólver foi apreendido na casa de um adolescente que milita politicamente. Só que é do pai do ativista, que tem porte legal de arma. A mídia tradicional tem a informação, mas não publica”, acusa Damasceno.

“A prisão de máscaras de carnaval, bandeiras vermelhas e até livros de literatura — pelo simples fato de terem a capa vermelha — é a prova do retorno da estupidez às práticas policiais dos tempos de ditadura”, vai mais fundo. “Mudou-se o nome, mas a política é a mesma.”

Clique Aqui! para ter acesso à íntegra da nossa entrevista com João Batista Damasceno, que é juiz no Rio de Janeiro, doutor em Ciência Política e membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD).

FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/juiz-damasceno.html

A copa dos crentes, os crentes da copa

Por Alex Antunes

O escritor e jornalista carioca Sérgio Porto (1923-1968), sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, cunhou a sigla FEBEAPÁ – Festival de Besteiras que Assola o País. Porto (que também inventou a expressão “samba do crioulo doido”, referindo-se ao non sense usual dos sambas-enredo), notou que no início da ditadura militar, entre 64 e 68, houve um drástico aumento das declarações públicas imbecis.

Certamente o clima de solenidade e patriotada também estava por trás do besteirol. Porto morreu em 68, portanto não teve tempo de ver a criação, no final do ano de 1969, da sinistra matéria obrigatória Educação Moral e Cívica nas escolas. Sinistra não porque tratava de educação, de moral ou de civismo, mas porque fazia parte de um “pacote” ideológico que transformava em inimigos todos os dissidentes do regime militar, incrementado após 1968 e o decreto do AI-5. A seriedade excessiva sempre anda perto do ridículo.

O inimigo dos milicos era tratado como “inimigo do país”. É interessante como a realização desta copa do mundo em 2014 tenha disparado comportamentos tão similares aos da época da ditadura. Por um lado, nunca se falou tanta asneira, particularmente após a derrota para a Alemanha por 7 a 1. Foi um bombardeio de termos descabidos como “humilhação” e “vexame”. Eu vi gente reclamar deste artigo do Adam Gopnik na New Yorker (leia aqui), mas para mim ele faz todo o sentido.

“Sabemos, embora essa seja uma verdade esquecida entre os brasileiros, que foi apenas uma derrota em um jogo. Não deveria ser – e de fato não foi – uma ‘humilhação nacional’ ou algo parecido. Foram só onze caras tendo um dia ruim, a maioria deles milionários que trabalham e moram no exterior”, escreveu Gopnik. Porque os onze milionários encarnariam o “espírito nacional” é uma coisa que também me escapa.

O que incomodou alguns leitores brasileiros foi a comparação com a guerra. Gopnik explica que o início da primeira Grande Guerra foi impulsionado pelo medo irracional de “humilhação nacional”. E que “honra nacional” e “humilhação” são termos-chave nessa linguagem bélica perversa. Para quem achou o paralelo com o horror da guerra indevido, o nosso paspalho-mór, Luciano Huck (que tentou capitalizar em jogadas marketeiras como a do #SomosTodosMacacos), encarreegou-se de confirmá-lo no sábado.

Conversando em seu programa com Galvão Bueno, Huck comparou o 7 a 1 contra o Brasil com o 11 de setembro e a destruição das Torres Gêmeas de Nova York, quando morreram quase três mil pessoas. O próprio Galvão – que não é nenhum mestre da sobriedade – teve que dizer que Huck estava exagerando. É a volta do Febeapá. Imagine Galvão Bueno mandando você baixar a bola. 🙂

Como sugeriu Gopnik, há uma chave aí: a de que sob ideologias autoritárias a discordância atrai sempre um componente de “humilhação”. Como nas religiões monoteístas, há uma moral única, anterior e exterior às pessoas, que não pode ser desafiada. É engraçado como em nosso país psiquicamente colonizado a idéia de “humilhação” está sempre presente. É só digitar o termo “humilha” no google ou no youtube para acessar centenas de conteúdos em que alguém é supostamente “humilhado”. Vá lá e veja que em quase nenhum há “humilhação” – só discordância.

Não há ridículo na discordância. Há ridículo, isso sim, na concordância forçada, na crença sagrada da autoridade. Como acontece na Coréia do Norte, onde os ditadores de plantão usam títulos como “Querido Líder Que É Uma Encarnação Perfeita da Aparência Que Um Líder Deve Ter”, “Estrela Brilhante da Montanha Paektu”, Glorioso General que Desceu do Céu” e “Maior Encarnação do Amor Revolucionário Entre Camaradas” – como se fossem fantasias de luxo de Clóvis Bornay.

Um exemplo mais próximo é o do presidente venezuelano Maduro, que disse que Hugo Chávez apareceu para ele na forma de um passarinho, ou que o rosto do finado surgiu numa escavação do metrô em Caracas. A semelhança bizarra com a aparição de Cristo num fiofó de cachorro não é acidental. Como se vê, a crença na autoridade sagrada e na “humilhação” da discordância é que é sempre ridícula, seja à direita ou à esquerda, na política ou na religião.

O governo da presidente Dilma começa a demonstrar sérios sintomas dessa doença dúplice. Logo depois de Dilma declarar à repórter Renata Lo Prete (aos 6′ do segundo bloco) que “O Brasil conseguiu construir uma política federativa de segurança (…) Todos contribuíram para garantir um padrão de segurança, nós planejamos juntos, nós executamos juntos”, uma megaoperação no Rio de Janeiro prendeu 19 ativistas envolvidas com manifestações políticas. As prisões, “preventivas” e sem fundamento legal, lembram os tempos da ditadura. Nove outros ativistas foram considerados “foragidos”. Quanto mais besteira faz o governo, mais repressivo se torna. Seria ridículo, se não fosse sinistro.

Melhores eram os tempos em que, observou alguém, os jogadores não sabiam nem cantar o hino nacional, como Garrincha (esse não sabia às vezes nem qual era o país adversário), mas sabiam jogar. Não havia uma crença no “direito divino brasileiro à vitória no futebol”, esse amigo do ridículo, mas intuia-se como chegar a ela. Sem Cristo nem uma pátria autoritária na cabeça, mas com o Exu nas pernas. Aí sim o melhor “espírito nacional” estava encarnado.

Torturada pela ditadura em 1970, a ativista Dilma, ao fim de tanto tempo, virou ela mesma uma pró-ruralista, refém das chantagens políticas das organizações religiosas mais moralistas, adepta do populismo futebolístico e da repressão violenta ao direito de manifestação. Ou seja, na prática muito parecida com os milicos que a encarceraram – mesmo que ela se diga o contrário deles. A pergunta que não quer calar é: a tortura não funcionou, ou funcionou muito bem? O Febeapá nunca acaba.

FONTE: https://br.noticias.yahoo.com/blogs/alex-antunes/copa-dos-crentes-os-crentes-da-copa-013408830.html

Pelotão de Choque ataca trabalhadores do estaleiro EISA na Ilha do Governador

Trabalhadores em greve do Estaleiro da Ilha S/A (EISA), que estão mobilizados por causa da falta do pagamento de salários e de outros direitos trabalhistas, foram atacados hoje pela Polícia Militar na Ilha do Governador. Essa ação da PM revela um padrão mais amplo de repressão social do que alguns analistas estavam cinicamente relacionando à prevenção de atos violentos contra a Copa do Mundo da FIFA.

O que transparece é que o (des) governo Pezão está decidido a manter uma aparência de calma que possibilite a sua máquina eleitoral passar por cima da realidade social estabelecido no nosso estado.

O problema para Pezão e seus parceiros eleitorais é que a realidade está sendo maior que a máquina de propaganda. Dai que a PM está sendo então colocada para reprimir a tudo e a todos. Vamos ver até onde vai essa escala de violência, pois todas as evidências apontam para o fato de que nem toda essa repressão está conseguindo arrefecer os ânimos da juventude e dos trabalhadores.

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BBC faz o que mídia do Brasil não quis fazer: mostrou a violência da PM no Rio de Janeiro

Polícia usa violência em protesto e fere ao menos 10 jornalistas no Rio

Polícia reprime protesto no Rio | Crédito: AP

Polícia usa violência para reprimir protesto no Rio de Janeiro

Ao menos dez jornalistas ficaram feridos por estilhaços de bombas de gás lacrimogênio e golpes de cassetete durante uma manifestação no Rio de Janeiro marcada para coincidir com a final da Copa do Mundo. O protesto, que reuniu cerca de 300 pessoas neste domingo na Zona Norte da cidade, foi duramente reprimido pela Polícia Militar.

Criticada por entidades, a operação da PM contou ainda com tropas de choque e cavalaria.

A estratégia dos policiais, conhecida no exterior como “kettling”, foi a de cercar totalmente os manifestantes e impedir que saíssem da Praça Saens Peña, na Tijuca, a menos de dois quilômetros do estádio do Maracanã, para onde queriam marchar.

Desde o início dos jogos da Copa do Mundo, autoridades estaduais têm autorizado o uso de violência para evitar que manifestantes se aproximassem de estádios ou instalações da Fifa.

A Polícia Militar afirmou à BBC Brasil que encaminhará à Corregedoria denúncias de abusos de policiais.

“Foi necessário usar bombas de gás também para dispersar, inclusive alguns manifestantes que arrombaram as portas do Metrô”, afirmou a instituição em nota.

Questionado sobre o objetivo da operação, o coronel Cristiano Luiz Gaspar, comandante do Regimento de Polícia Montada, disse ainda no local da manifestação que a operação “servia para garantir a segurança das próprias pessoas”.

Para André Mendes, advogado ativista que acompanhava o protesto ao lado de enviados da OAB do Estado do Rio de Janeiro, no entanto, a interpretação do que ocorreu na praça é outra.

“Traçaram um perímetro urbano e fizeram cárcere privado. Quando alguém tenta sair, eles (policiais militares) forçam a situação e há confronto. E se a pessoa insiste, levam para a delegacia e detêm alegando desacato ou desobediência. É totalmente inconstitucional, estão violando muitos direitos de uma vez só”, diz.

Jornalistas e violência

Polícia reprime protesto no Rio | Crédito: AFP

Reportagem da BBC Brasil testemunhou cenas de violência da polícia contra ativistas e jornalistas

A BBC Brasil e o restante da imprensa nacional e internacional presentes à manifestação testemunharam cenas de violência contra ativistas e jornalistas.

Mauro Pimentel, fotógrafo do site de notícias Terra, teve a lente da câmera quebrada e levou um soco no rosto. “Eu estava de máscara de gás, que foi quebrada com o soco. Foi isso que me salvou, senão teria ficado muito mais ferido”, disse.

“Na confusão das bombas de gás eu caí e a tropa de choque começou a passar por cima de mim. Aí veio um policial e se abaixou; eu achei que ele ia me ajudar mas ele abriu a minha máscara de gás e jogou spray de pimenta no meu olho”, disse Ana Carolina Fernandes, freelancer de agências de notícias.

Outros nove jornalistas foram alvos da polícia, que num dado momento focou em profissionais com câmeras.

Entre eles o documentarista canadense Jason O’Hara, que teria sido hospitalizado após ser agredido por policiais. “Show de horror nas ruas do Rio. Amigo e cineasta Jason O’Hara brutalizado pela polícia, levou chutes na cabeça”, disse em sua conta no Twitter o geógrafo americano Christopher Gaffney, professor-visitante da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Confrontos

Os confrontos entre policiais e manifestantes começaram quando os participantes do protesto tentaram passar à força pelas barreiras policiais que cercavam a praça.

A BBC Brasil ouviu os policiais gritando “360, 360!” e logo depois disso foi possível ouvir explosões de bombas de efeito moral. E de fato, nas horas que se seguiram, os 360 graus em torno do local ficaram totalmente isolados, e nem mesmo moradores ou jornalistas puderam entrar ou sair dali.

Protesto no Rio | Crédito: AFP

Manifestação reuniu cerca de 500 pessoas na Tijuca, zona norte do Rio.

O protesto seguiu a estratégia que vinha sendo adotada por autoridades estaduais desde o início dos jogos do mundial – de impedir com violência o acesso de manifestantes a estádios e instalações da Fifa

Para afastar os policiais das barreiras, as forças de segurança então lançaram bombas de gás lacrimogênio e fumaça, grandes quantidades de gás pimenta e alguns disparos de balas de borracha.

Estavam presentes centenas de policiais de choque e forças especiais da PM. Nas proximidades da praça, policiais da Força Nacional formavam uma segunda linha de contenção para impedir a passagem de manifestantes.

Como os confrontos não cessaram, os policiais passaram a usar cassetetes em larga escala e determinaram até uma carga de cavalaria contra os manifestantes. Diversos participantes foram detidos.

No final do protesto, a polícia, que vinha permitindo aos manifestantes deixar o local apenas individualmente (nunca em grandes grupos), decidiu isolar a praça completamente, impedindo a entrada ou saída até de profissionais de imprensa e socorristas.

Ana Carolina Fernandes | Crédito: BBC Brasil

Fotógrafa Ana Carolina Fernandes ficou ferida durante ação da PM para reprimir protesto no Rio

Os ânimos começaram a se acalmar apenas no início da noite, depois que boa parte dos manifestantes resolveu sair da praça, desistindo do protesto.

Porém os manifestantes voltaram a se concentrar dessa vez em Copacabana, onde fizeram novo ato em frente ao hotel onde se hospedam autoridades da Fifa. A polícia foi ao local e mais pessoas foram detidas.

Segundo um balanço da PM, seis pessoas foram detidas durante todo o protesto. A corporação disse que o objetivo da operação era “garantir a segurança de quem quer ir e vir pela cidade, inclusive à final da Copa do Mundo”.

“Também tem como meta garantir o direito à manifestação, sem contudo permitir excesso como vandalismo, violência e desacato”.

Prisões

Um dia antes do protesto, a polícia civil deteve 37 pessoas – em uma ação considerada por ativistas como uma tentativa de dificultar a realização do ato do domingo.

Segundo a Polícia Civil, dos 37 detidos inicialmente, 16 foram liberados após prestar depoimento.

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140713_wc2014_protesto_feridos_lk_lgb.shtml