Noam Chomsky: Barbárie em Gaza

 

Noam Chomsky: Barbárie em Gaza

“Tudo isso vai continuar, enquanto for apoiado por Washington e tolerado pelo Ocidente – para nossa vergonha infinita”

Por Noam Chomsky, traduzido por Antonio Martins no Outras Palavras

Às três da madrugada (horário de Gaza), de 9 de julho, em meio ao último exercício de selvageria de Israel, recebi um telefonema de um jovem jornalista palestino em Gaza. Ao fundo, podia ouvir o lamúrio de seu filho pequeno, entre sons de explosões de de jatos, atirando sobre qualquer civil que se mova e sobre casas. Ele acabava de ver um amigo, num carro claramente identificado como “imprensa”, voar pelos ares. E ouvia gritos ao lado de sua casa, após uma explosão — mas não podia sair, ou seria um alvo provável. É um bairro calma, sem alvos militares – exceto palestinos, que são presa fácil para a máquina militar de alta tecnologia de Israel, abastecida pelos Estados Unidos. Ele contou que 70% das ambulâncias haviam sido destruídas e, até aquele momento, mais de 70 pessoas [o número subiu para 120 na sexta, 11/7, segundo o Guardian] haviam sido mortas e 300 feridas – cerca de 2/3, mulheres e crianças. Poucos ativistas do Hamas, ou instalações para lançamento de foguetes, haviam sido atingidas. Apenas as vítimas de sempre.

É importante entender como se vive em Gaza, mesmo quando o comportamento de Israel é “moderado”, no intervalo entre crises fabricadas, como esta. Um bom retrato está disponível num relatório da UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos) preparado por Mads Gilbert, o corajoso médico norueguês que trabalhou extensivamente em Gaza, mesmo durante os ataques mortíferos de Israel. A situação é desastrosa, por todos os ângulos. Gilbert narra: “As crianças palestinas em Gaza sofrem imensamente. Uma vasta proporção é afetada pelo regime de desnutrição imposto pelo bloqueio israelense. A prevalência de anemia entre menores de dois anos é de 72,8%; os índices registrados de síndrome consuptiva, nanismo e subpeso são de 34,3%, 31,4% e 31,45%, respectivamente”. E estão piorando.

Quando Israel está em fase de “bom comportamento”, mais de duas crianças palestinas são mortas por semana – um padrão que se repete há 14 anos. As causas de fundo são a ocupação criminosa e os programas para reduzir a vida palestina a mera sobrevivência em Gaza. Enquanto isso, na Cisjordânia os palestinos são confinados em regiões inviáveis e Israel tomas as terras que quer, em completa violação do direito internacional e de resoluções explícitas do Conselho de Segurança da ONU – para não falar de decência.

E tudo isso vai continuar, enquanto for apoiado por Washington e tolerado pela Europa – para nossa vergonha infinita.

FONTE: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/noam-chomsky-barbarie-em-gaza/

Professora da UERJ é uma das presas políticas da COPA FIFA

PORQUE PRENDERAM CAMILA?

CAMILA

Camila Jourdan formou-se em Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2002. Fez seu mestrado na PUC do Rio, em 2005, e também na PUC concluiu em 2009 seu Doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2009). Depois, foi bolsista CAPES-PRODOC na Universidade Federal do Paraná, entre 2009 e 2010. Nos dias de hoje é professora adjunta do Departamento de Filosofia da UERJ e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia.

Camila Jourdan está presa, hoje, no Rio de Janeiro, em Bangu. Foi submetida a exames de corpo de delito e permanecerá, junto a dezoito outras pessoas, na prisão por cinco dias. Todos são acusados de formação de quadrilha, pelo que se lê na imprensa. Nos termos do jornal El Pais, de hoje, são “19 ativistas anti-Copa do Mundo “suspeitos de participar em atos violentos”, informaram fontes oficiais. Os militantes (…) respondem por crimes de formação de quadrilha armada, com pena prevista de até três anos de reclusão.”

A prisão da Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UERJ é uma clara ameaça à liberdade do pensamento e da experimentação social de todos nós que atuamos sobre a realidade do Brasil.

Liberdade imediata aos #PresosDaCopa

FONTE: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10204066630488692&set=a.3383314264286.159083.1312359023&type=1&theater

A Copa FIFA finalmente acabou. E o seu legado? Vai depender de quem responde

pm

A copa promovida pela multinacional que controla o futebol no mundo finalmente terminou com a vitória da Alemanha. E graças ao gol do Mario Goetze, o (des) prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, não terá que passar novamente por mentiroso porque não teve de se confrontar com a sua promessa de se suicidar caso a Argentina vencesse (e olha que o risco andou alto ao longo do jogo!).

E agora, como fica o tal do legado da Copa? A resposta vai depender diretamente para quem se perguntar. Se for para algum tucano, a resposta será um misto de tristeza e alegria, pois apesar do terremoto prometido pela mídia corporativa não ter se confirmado, o Brasil de Felipe Scolari (aliás, um time horrível) não se sagrou campeão. Se for para os petistas, virá logo a resposta óbvia de que teve copa, e que a economia recebeu tantos bilhões a mais, sem se importar com quanto disso a FIFA vai levar para os seus cofres na Suíça. 

Agora, se olharmos para as centenas de famílias removidas nas diversas cidades-sede, para os elefantes brancos que agora ficarão relegados ao baixo nível de uso, ás obras que caíram sem terem sido concluídas, e mais importante ainda, para as centenas de prisões realizadas ao longo da duração do megaevento, especialmente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, o legado é terrível. É uma combinação de consolidação da segregação sócio-espacial, enriquecimento ainda maior de empreiteiros, e o aumento em nível sem precedentes pós-ditadura militar do nível de repressão aos movimentos sociais.

Para mim, o mais preocupante é que saímos desse megaevento sem a devida organização política para organizarmos as lutas dispersas contra o modelo neoliberal/desenvovimentista que hoje afoga o Brasil em uma crise social que ainda permanece latente, mas cedo ou tarde poderá explodir em grave convulsão social. É que neste nível de atomização das lutas, o mais provável é que se repitam as cenas de “estado de sítio” que se viu hoje na cidade do Rio de Janeiro.

pm

Da coluna do Ancelmo Gois: Estado de sítio na Praça Saens Pena    

 

Em ver de morteiros para se comemorar gols, tiros de bombas de gás lacrimogêneo, de pimenta e de efeito moral. Para conter cerca de 600 manifestantes que pretendiam protestar contra Copa, no Maracanã, cerca de dois mil policiais militares de várias unidades fizeram hoje à tarde um cerco inédito à Praça Saens Pena, no coração da Tijuca, tradicional bairro de classe média na Zona Norte do Rio. Houve dois presos — André Constantini, do movimento Favela não se Cala e outro manifestante conhecido como Renato da Uerj. Houve também feridos por estilhaços de bombas de gás de pimenta.

Foi implantado pela PM uma espécie de estado de sítio na Praça Saens Pena, com barreiras em pelo menos sete pontos (um deles na foto, na Rua Pinto de Figueiredo) ao redor da praça, onde há uma grande estação do metrô, que ficou pelo menos duas horas fechada. Ninguém entrava nem saía do perímetro de segurança imposto pela PM. Fosse ou não morador. Estivesse ou não a trabalho. Luiz Rodolfo Viveiros de Castro, assessor da Comissão de Direitos Humanos da OAB, disse que a entidade estuda a possibilidade de entrar na Justiça contra o comando da PM, pela suspensão do direitor de ir e vir.

— Na ditadura isso aconteceu em estádios de futebol. Agora a PM transformou a Praça Saens Pena numa imensa cadeia, de onde ninguém pôde sair. Isso é cárcere privado em espaço público — disse Luiz Rodolfo.

O repórter que vos escreve só conseguiu sair da praça volta das 17h, após tentar passagem por quatro barreiras. Só num ponto, o repórter foi liberado, assim como alguns moradores, pela major Fabiana, uma das chefes da operação. O comandante das tropas foi o coronel Henrique, do 5º BPM (Praça da Harmonia), que se uniu ao 6º BPM (Tijuca). Participaram do cerco também policiais do Batalhão de Choque, do Bope, do Regimento de Cavalaria da PM, do Grupo Especial Tático em Motopatrulhamento (GETEM). Além de cavalos, os PMs contavam com armas não-letais, como lançadores de bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e spray de pimenta. Esse equipamento foi usado várias vezes para dispersar grupos de manifestantes que debochavam dos policiais.

O primeiro confronto teve início por volta das 15h, quando os manifestantes tentaram furar um bloqueio na Rua das Flores, que sai na Praça Saens Pena. Nesse momento, os policiais partiram enfurecidos para cima dos manifestantes. Um deles foi pego e espancado por um grupo de PMs. Outros ficaram feridos por estilhaços de bombas de gás de pimenta. O primeiro tiro de bomba de gás foi dado às 15h. Houve correria. Em seguida, houve uma sequência de mais quatro disparos. Imediatamente a Rua Conde de Bonfim — interditada num trecho de 800 metros — foi tomada pela fumaça do gás. Os olhos ardiam. Socorristas voluntários, dos manifestantes, orientavam a não se esfregar os olhos. Os mais preparados levavam solução de leite de magnésia com água.

— Nunca vi uma coisa dessas. Estou aqui isolado na praça e minha mulher está me esperando do outro lado. Eu a trouxe do interior do Ceará. Ela nunca imaginou estar numa confusão dessas aqui no Rio — contou Luciano Teixeira, chefe de cozinha.

Organizada pela Frente Independente Popular (FIP), que reúne os principais grupos de esquerda, e pelo Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, a manifestação começou com uma marcha da Praça Afonso Pena até a Saens Pena, no início da tarde. Os manifestantes então se concentraram ali com faixas e cartazes, e palavras de ordem contra a Copa e a Fifa. Um dos cartazes dizia “Fora Pezão; vá com Paes, Dilma vez”. Os militantes de várias organizações de esquerda e de pelo menos dois partidos (PSol e PSTU) tomaram a praça que principalmente, aos domingos, é um recanto da terceira idade. Desde cedo, havia policiais distribuídos estrategicamente ao redor da Praça Saens Pena, prevendo a tática de cercar o local e impedir que a manifestação partisse para o Maracanã, onde era realizada a final Alemanha x Argentina.

Quando um grupo decidiu marchar pela Rua Conde de Bonfim, os PMs começaram a tentar fazer bloqueios já no início, sem êxito. A marcha prosseguiu até as proximidades da Rua Pinto de Figueiredo, onde havia duas barreiras de PMs, uma delas formada pela cavalaria. Em frente ao Tijuca Tênis Clube foi formado um paredão por policiais militares munidos de cassetetes. Alguns, os oficiais superiores, estavam armados de pistola. Policiais da Força Nacional também portavam armas pesadas.

Após mais escaramuças, a situação se tranquilizou por volta das 17h. Os manifestantes voltaram ao Centro da Praça, gritando palavras de ordem contra a Copa e contra a polícia. O cerco pela PM na Praça já estava montado e ninguém conseguia entrar ou sair. 

A diretora do Grupo Tortura Nunca Mais, Joana D’Arc Ferraz, contou que foi impedida até mesmo de sair do prédio onde mora, na praça. “A Saens Pena hoje viveu seu dia de ditadura”, comentou Luiz Rodolfo Viveiros de Castro, ex-preso político do regime militar.

Um manifestante, com cabelo punk, é detido pela PM

FONTE: http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/posts/2014/07/13/estado-de-sitio-na-praca-saens-pena-542528.asp

“Prisões preventivas” da Copa, armação no Rio para evitar protestos

 

debate criminalização 1

NOTA DE REPÚDIO ÀS PRISÕES ARBITRÁRIAS

via Lúcia Rodrigues, no Facebook

Na véspera da final da Copa do Mundo, o principal debate não é sobre quem será o possível campeão, mas sim sobre se temos ou não democracia em nosso país. A Justiça expediu 26 mandados de prisão contra professores, jornalistas, radialistas, midiativistas e outros cidadãos, além de mandados de apreensão de dois adolescentes, por conta da participação destes em manifestações e da articulação de novos protestos para os próximos dias. O ato repete prisões que ocorreram também na abertura da Copa.

Tal atitude nos afasta cada vez mais de um Estado Democrático onde o direito à liberdade de expressão e manifestação deve ser garantido amplamente. Por conta disso, as entidades e militantes abaixo assinados repudiam a ação policial e fazem questão de frisar algumas questões relevantes:

1 — O advogado criminalista Lucas Sada, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, cuida do caso da radialista Joseane de Freitas, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), presa neste sábado (12/07) sob a alegação de formação de quadrilha armada, assim como todos os outros presos. O advogado relatou que Joseane apenas participou de duas manifestações, a mais recente realizada em Copacabana por ocasião da abertura da Copa do Mundo. Ela e os outros presos no Rio serão encaminhados ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Este fato reforça características típicas de Estado de exceção que estamos enfrentando nos últimos dias.

2 — A Polícia permitiu acesso exclusivo para os jornalistas a serviço da mídia corporativa empresarial, impedindo jornalistas e comunicadores independentes de fazerem a cobertura da ação. Esse fato revela uma atitude antidemocrática e fere a liberdade de expressão e de imprensa, caracterizando uma violação aos direitos humanos.

3 — Outra violação de Direitos quase se concretizou com a autorização para que os jornalistas que tiveram acesso às dependências da Cidade da Polícia filmassem e fotografassem os presos políticos, mesmo sem haver nenhuma condenação aos suspeitos. Sem maiores explicações, a polícia desistiu de apresentar os detidos. Repudiamos a imposição desse tipo de tarefa pelas empresas aos jornalistas, que viola o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Tal repúdio se dá porque a atitude da polícia e também das empresas que em outros casos já publicaram imagens se impõe como uma violação aos Direitos Humanos dos presos políticos, e um ataque à Cláusula de Consciência do mesmo Código, que garante o direito de os profissionais se negarem a tarefas antiéticas.

4 — Ao chegar à Cidade da Polícia para verificar denuncia de cerceamento ao trabalho dos jornalistas, a diretora do sindicato Gizele Martins foi impedida de ter acesso às dependências da delegacia. Do lado de fora, ela comprovou que jornalistas independentes e comunicadores foram de fato proibidos de entrar na unidade.
Diante desse cenário, é necessário restabelecermos o Estado Democrático de Direito com garantia da liberdade de expressão, manifestação e imprensa. Não podemos admitir, a pretexto da garantia da ordem, o cerceamento de direitos e a prisão daqueles que participam de protestos e lutam por suas causas, ideais e sonhos de uma sociedade mais justa, livre e democrática.

Assinam:

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

Sindicato dos Radialistas do Estado do Rio de Janeiro

Associação Mundial de Rádios Comunitárias

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Enquanto os brasileiros sofrem com a derrota da seleção, um resultado muito mais grave está sendo engendrado: a derrota da democracia e da Constituição.

No Rio de Janeiro, por razões políticas, 17 pessoas foram presas, com base em mandados de prisão temporária, e dois menores foram apreendidos.

Um representante do poder judiciário viabilizou a ação policial, evidenciando mobilização orquestrada com participação governamental. A operação foi justificada para prevenir ações que pudessem perturbar a ordem pública no dia da decisão da Copa do Mundo. Por esse motivo os advogados têm tido dificuldade em conhecer a substância de cada acusação: tudo foi feito para impedir que os presos se beneficiassem de Habeas Corpus antes de domingo.

O chefe da polícia civil tem deixado claro, em seus pronunciamentos, que as prisões visam prevenir possíveis ações. Estamos diante de uma arbitrariedade inaceitável, que agride o Estado democrático de direito.

As prisões constituem ato eminentemente político e criam perigoso precedente: a privação da liberdade individual passa a ser objeto de decisão fundada em previsões e no cálculo relativo ao interesse dos poderes do Estado.

Foram golpeados direitos elementares individuais e de livre manifestação. Conclamamos todos os cidadãos comprometidos com os princípios democráticos, independentemente de ideologias ou filiações partidárias, a unirem-se contra o arbítrio e a violência do Estado, perpetrada, ironicamente, sob a falsa justificativa de evitar a violência.

Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Lindberg Farias, Tarcísio Motta, Chico Alencar, Luiz Eduardo Soares

FONTE: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/prisoes-preventivas-da-copa-armacao-para-evitar-protestos.html

A UENF afundada no caos financeiro. Sem surpresa, a reitoria é 15!

Em tempos de eleições para o governo do Rio de Janeiro, que ocorrem num momento em que a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) passa uma situação financeira alarmante, há que se lembrar que o atual reitor da instituição, Silvério Freitas, e seu vice, Edson Correa, escolheram o número 15 para sua chapa nas eleições de 2011.

Coincidência? Não! A adoção do “15” foi uma sinalização clara de alinhamento e submissão ao (des) governo comandado por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. Essa dobradinha foi aprofundada pela indicação do ex-reitor Almy Junior para presidir a Fundação Estadual do Norte Fluminense (FENORTE), fato que foi visto como uma vitória dessa unidade UENF-PMDB.

Agora que o (des) governo Pezão prende ativistas e a UENF afunda em grave crise financeira, me parece justo lembrar que a reitoria da UENF é “15”!

silverio e almy

Leonardo Sakamoto destrincha a prisões ordenadas pelo (des) governo Pezão por crimes que ainda não foram cometidos

Minority Report – Paranormais ajudam a polícia carioca a prever crimes

Por Leonardo Sakamoto

A polícia do Rio de Janeiro prendeu, neste sábado (12), ao menos 17 pessoas, além de apreender dois jovens, por supostas conexões com manifestações marcadas para acontecer na final da Copa, neste domingo, informou a BBC Brasil. Outras prisões temporárias – com duração máxima de cinco dias – ainda podem ocorrer.

Daí você me pergunta: mas que crime eles cometeram para irem presos? Resposta: nenhum.

Mas o governo do Estado do Rio de Janeiro tem outra resposta: nenhum ainda.

Sim, a principal razão da prisão foi o risco de causar problemas no jogo entre a Alemanha e a Argentina. Risco na opinião da polícia, é claro.

Mas se alguém é preso antes de cometer um crime essa pessoa pode ser acusada por este crime uma vez que o motivo que levou à sua prisão nunca ocorreu e muito provavelmente não ocorra? Pouco importa. Em nome de manter as aparências para o mundo, a lógica foi assassinada há tempos.

Fiquei quebrando a cabeça para entender como a inteligência (sic) da polícia carioca tem tanta certeza que os ativistas vão cometer crimes para terem seus direitos fundamentais enterrados.

Foi então que um amigo do setor de TI do governo do Estado do Rio de Janeiro me revelou a resposta. Sim, a vida imitou a arte.

Encantado com o filme Minority Report – A Nova Lei (estrelado por Tom Cruise e dirigido por Steven Spielberg – que dupla, que dupla!), o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, criou a Divisão de Pré-Crime.

Nesse setor, o futuro é visualizado antecipadamente por paranormais, os precogs. Dessa forma, o culpado é punido antes que o crime seja cometido. Três precogs trabalham juntos e flutuam conectados num tanque de fluido nutriente. Quando eles têm uma visão, o nome das vítimas aparecem escritos em pequenas esferas vermelhas. Em esferas azuis estão os nomes dos culpados. Também surgem imagens do crime e a hora exata em que acontecerá. Estas informações são fornecidas a uma elite de policiais, que realizam as prisões para bloquear a ocorrência (agradeço à Wikipedia por este parágrafo lindo).

Precog utilizado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para poder punir crimes antes que eles aconteçam

Precog utilizado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para poder punir crimes antes que eles aconteçam

Incrível, né? Quem diria que o Rio de Janeiro conseguiria copiar Hollywood…

Vocês que estão tristes porque isso parece mais o comportamento de uma ditadura do que de uma democracia, alegrem-se. Percebam o potencial disso. Se aplicarmos a tecnologia dos precogs para as eleições de outubro no Rio de Janeiro, talvez tenhamos que cancelá-las.

Pois vai faltar bolinha com o nome de gente que teria que ser presa preventivamente por crimes futuros contra a administração pública, corrupção passiva e prevaricações mil. Isso sem contar a descoberta antecipada de quais políticos que, quando chegam ao poder, são incapazes de garantir os direitos mais fundamentais de seus cidadãos. Como o direito de não ser preso por um crime que não cometeu.

Assim, fica fácil saber quem não deve ser eleito.

Em tempo: a Divisão Pré-Crime passou a ser usada contra manifestações, mas já é testada, há anos, para moradores de favelas.

FONTE: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/07/12/minority-report-paranormais-ajudam-a-policia-carioca-a-prever-crimes/

BBC: Prisões na véspera da final da Copa despertam críticas

Jefferson Puff e Ricardo Senra, da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Material apreendido pela polícia do Rio de Janeiro (BBC Brasil)

Polícia do Rio exibe material apreendido em prisões realizadas às vésperas da final da Copa do Mundo

A polícia do Rio de Janeiro prendeu neste sábado ao menos 37 pessoas por supostas conexões com manifestações marcadas para coincidir com a final da Copa do Mundo, entre Argentina e Alemanha, neste domingo no Maracanã. Consultadas pela BBC Brasil, a OAB e a Anistia Internacional avaliaram as prisões como “inconstitucionais e intimidatórias”. O grupo também deve ser acusado de “formação de quadrilha armada”.

Mais nove pessoas poderão ser presas nas próximas horas pela operação batizada de Firewall 2, que mobiliza 25 delegados, 80 policiais e até uma aeronave.

Para o presidente de Comissão de Direitos Humanos da OAB do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Chalreo, as prisões são inconstitucionais. “As prisões têm caráter intimidatório, sem fundamento legal, e têm nítido viés político, de tom fascista bastante presente. O objetivo é claramente afastar as pessoas dos atos públicos”.

Ao lado de representantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e de coletivos de advogados, Chalreo disse à BBC Brasil que os presos terão pedidos de habeas corpus protocolados ainda hoje, e que “ninguém ficará sem assistência judiciária”.

Ao todo, o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal da Capital, emitiu 26 mandados de prisão temporária, que permitem até cinco dias de detenção, dos quais 17 já foram cumpridos. Mais duas pessoas foram presas em flagrante e dois menores foram apreendidos através de mandados de busca e apreensão.

Outras 16 pessoas foram presas sem mandado, apenas para “averiguação”, porque estavam nas casas dos suspeitos detidos, informa a assessoria de imprensa da Polícia Civil.

Porte de arma vencido e maconha

Segundo a polícia, um dos presos em flagrante seria o pai de um dos jovens sobre os quais pesa um mandado de prisão. Ao entrar na residência para deter o suspeito, os policiais teriam encontrado uma arma, supostamente um revólver calibre 38.

De acordo com as informações iniciais, o documento de porte de arma vencido do pai do suspeito levaram os policiais a prendê-lo em flagrante, e o revólver em questão teria sido a base da acusação de formação de quadrilha armada, que teria como chefe a ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, de 28 anos. Conhecida como Sininho, a jovem, que reside no Rio de Janeiro, foi presa em Porto Alegre.

O grupo será acusado por formação de quadrilha armada, conforme tipifica o artigo 288 do Código Penal Brasileiro. Segundo a polícia, embora nem todos tenham sido encontrados com armas em casa, os suspeitos teriam praticados atos monitorados durante a investigação que permitiram a delegado, promotor e juiz concluírem que participaram de atos de violência, mesmo que não diretamente.

A outra prisão em flagrante teria sido a de um jovem que foi encontrado com maconha na casa de um suspeitos e foi então acusado de “porte de drogas”.

Chalreo, da OAB, diz que é preciso atenção nos termos utilizados nas acusações. “Dizer armas e drogas, quando na verdade se trata da pistola do pai e de maconha, é criar uma falsa ilusão de perigo”, avalia.

Também foram encontradas joelheiras, máscaras de gás, jornais e bandeiras de movimentos sociais, que na visão da polícia são indícios do envolvimento dos jovens com os protestos.

“Apreendemos jornais, bandeiras, e outros materiais ditos inofensivos porque ajudam a fortalecer a vinculação entre as pessoas que foram presas. Alguém que tem um mero jornal em casa pode ter participado de outra ação violenta e isso será deixado mais claro em cinco dias”, disse o chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso.

Ele diz que a ação da manhã deste sábado é fruto de uma investigação iniciada em setembro. “Hoje nós começamos a desmantelar uma quadrilha organizada. A investigação começou em setembro”, explica.

“Essas pessoas querem fazer guerra, querem provocar o caos e a polícia não pode permitir isso”, complementou.

Anistia Internacional

A organização de direitos humanos Anistia Internacional chamou a atenção para o fato de prisões semelhantes já ocorridas sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo antes de manifestações.

Para a ONG, a ação é “preocupante, por parecer repetir um padrão de intimidação que já havia sido identificado pela organização antes do início do Mundial”.

A Anistia disse ainda que “a liberdade de expressão e manifestação pacífica são um direito humano e devem ser respeitados e garantidos pelas autoridades em todas as situações, inclusive durante a Copa do Mundo. Ninguém deve ser detido ou preso apenas por participar de uma manifestação e exercer tal direito”.

Colaboração Júlia Dias Carneiro, da BBC News, no Rio de Janeiro

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140712_wc2014_prisoes_rio_jp.shtml