Reitoria da UENF suposta onda de violência para justificar convênio com a polícia militar

Anda cada vez mais enrolada a história envolvendo o convênio assinado pela reitoria da UENF com a Secretaria de Segurança, e que versa sobre a intensificação do policiamento no entorno do campus Leonel Brizola. É que informações extra-oficiais dadas por membros do Conselho Universitário (CONSUNI) e do Colegiado Acadêmico (COLAC) dão conta que a reitoria alegou que o campus da UENF estaria sofrendo uma espiral de violência, com a ocorrência de diversos crimes, incluindo os de natureza sexual.

Como nunca fui informado, oficial ou oficiosamente, destes crimes, fico me perguntando se tanta urgência em assinar um convênio sem passar pelo crivo em tempo devido dos colegiados está mesmo ancorado nas preocupações dos gestores com a segurança dentro do campus Leonel Brizola.

É que andar pelos corredores do Centro de Ciências do Homem de noite é quase como passear pelas catacumbas de Roma, de tão escuros que são.  Essa escuridão se estende também aos banheiros. Assim, se há tanta preocupação com a segurança, por que não se faz algo básico como trocar lâmpadas queimadas?

Mas agora que a questão dessa onda de violência foi apresentada nos colegiados superiores, a reitoria está devendo uma manifestação pública e oficial sobre essa questão. E quanto antes a explicação for dada, melhor. Do contrário, a notícia vai se espalhar e naturalmente aumentar a preocupação dos que vivem o cotidiano da UENF, especialmente os que fazem isto de noite.

08/07: Estado norte-americano de Washington inicia venda legal de maconha para fins recreativos

As primeiras rodadas de vendas de maconha para uso recreativo no estado de Washington, EUA

‘Weegalization’

Na segunda-feira 7 de julho no estado de Washington foram distribuídas licenças para a venda legal de maconha. Ontem, terça- feira (08/07),  começaram a funcionar os primeiros estabelecimentos que vendem maconha, depois de vinte meses após a aprovação da legalização em novembro de 2012 (como já ocorrera no Colorado).

Um comprador paga ao adquirir maconha na ‘TOP SHELF CANNABIS’, em Bellingham nesta terça-feira  (FOTO: TED S. WARREN/AP)

Segudo Marijuana, o estado de Washington superou ao  Colorado nas ventas de maconha desde o primeiro dia da legalização. As estimativas apontam para vendas de mais de 30.000 dólares.

CALE HOLDSWORTH mostra a sua bola contendo maconha na loja ‘TOP SHELF CANNABIS’.  Ele ficou na fila desde as quatro da manhã e foi o primeiro a comprar na loja (FOTO: TED S. WARREN/AP)

As regras adotadas pelo governo local permitem a abertura de até 334 lojas para vender maconha no estado de Washington. A cidade de Seattle, com cerca de 652.000 habitantes é a maior do estado, e terá uma única loja, por agora, enquanto Vancouver, menos de um quarto dos habitantes pode ter até três, segundo a EFE.

TERRY MARTIN mostra uma camiseta de celebração da legalização da maconha. Ele também espera na fila para adquirir  sua onça de maconha normatizada. (FOTO: ELAINE THOMPSON/AP)

Veja a lista de lojas que estão autorizadas a vender maconha para fins recreativos no estado Washington en este enlace.

Cigarros de maconha enrolados à venda na loja ‘ SEA OF GREEN FARMS’ EN SEATTLE, WASHINGTON, 30 DE JUNIO (FOTO: JASON REDMOND/REUTERS)

O Dono da Top Shelf Cannabis, John Evich, afirma que 1.200 compradores passaram pelas sua loja entre as 08:00 e as 22:00 horas

O ativista KEVIN NELSON segura um cartaz que diz “A Guerra contra as drogas termina aqui”,  do lado de fora da loja TOP SHELF CANNABIS (FOTO: TED S. WARREN/AP)

 

Os funcionários KRISTI TOBIAS e  BRUCE CUMMING preparam pacotes de uma variedade de maconha chamada de Agulha do espaço.

Fonte: https://redaccion.lamula.pe/2014/07/09/primeras-jornadas-de-venta-de-marihuana-recreativa-en-washington/danielavila/

Pesquisadores demonstram que uso de agrotóxicos neonicotinóides está diminuindo populações de pássaros na Holanda

Barn Swallow  adult, in flight, hunting over flowering Oilseed Rape (

Pesquisadores holandeses acabam de publicar um artigo científico na conceituada revista científica “Nature” demonstrando a ligação entre o uso de agrotóxicos neonicotinóides e a diminuição do tamanho de populações de pássaros insetívoros (Aqui!). O agrotóxico em questão é o imidacloprid, um produto considerado altamente tóxico para os seres humanos.

Um dado que explica o efeito letal que o imidacloprid está tendo em populações animais, e não apenas de pássaros como é o presente caso, é que 95% do que é aplicado acaba extrapolando as culturas que teoricamente estão sendo protegidas do ataque de insetos, causando não apenas a morte de insetos-alvo, mas de uma quantidade de espécie mais ampla, incluindo aquelas das quais os pássaros se alimentam. Outro efeito adicional é a contaminação das fontes de água, fato que acaba agravando os efeitos diretos e indiretos sobre os pássaros.

O imidacloprid no Brasil é fabricado por diversas empresas, incluindo a SERVATIS, aquela empresa que em 2008 causou um enorme desastre ecológico no Rio Paraíba do Sul quando deixou escapar outro agrotóxico, o Endosulfan, no município de Resende.

Além disso, o imidacloprid é usado em diversas culturas agrícolas tais como arroz, cana de açúcar, milho e soja, o que aumenta bastante a sua capacidade de causar por aqui os mesmos problemas ecológicos que acabam de ser comprovados na Holanda.

 

Comunidade da Linha: convite para audiência pública

Como já informado aqui neste blog, a Associação de Moradores da Comunidade da Linha decidiu se lançar num processo pró-ativo para resistir à tentativa de remoção de seus moradores e está organizando uma primeira audiência pública para discutir essa situação.

A audiência será realizada na próxima 4a. feira (16/07) no campus centro do IFF. O convite vai logo abaixo, e todos aqueles que se preocupam com a construção de uma cidade mais democrática e socialmente justa deveriam comparecer. A hora de apoiar a Comunidade da Linha é agora!

convite

Plínio, presente  

Partiu, nessa terça-feira (08/07), Plínio de Arruda Sampaio, símbolo histórico da esquerda brasileira.

 Por Rob Batista para Guerrilha GRR

Plínio de Arruda durante os protestos de junho de 2013. Foto: Mídia NINJA
Plínio de Arruda durante os protestos de junho de 2013. Foto: Mídia NINJA

Nascido em 1930, o militante político viu a II Guerra Mundial, a ascensão e queda de figuras importantes da história brasileira, teve seus direitos políticos cassados pelo Golpe Militar e viveu no exílio por 12 anos, nunca abandonando a luta contra a desigualdade e por justiça social. Um socialista incansável de 83 anos, e que nunca deixou de ser jovem.

Plínio, promotor público aposentado e mestre em desenvolvimento econômico internacional pela Universidade de Cornell (EUA), foi, nos anos 60, o relator do projeto de Reforma Agrária do ex-presidente João Goulart e, por esse motivo, foi um dos primeiros parlamentares a ter seu mandato cassado pelo regime militar em abril de 1964, partindo para o exílio no Chile, onde desenvolveu projetos de reforma agrária para a FAO/ONU (Organização para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas), em 1970, sendo enviado para os Estados Unidos posteriormente.

Volta ao Brasil em 1976, participando da fundação do PT, e se torna deputado federal pelo mesmo partido em 1985, tornando-se, três anos mais tarde, membro da Constituinte e responsável pela redação de emenda ao regimento interno da Assembleia, que permitia a apresentação de emendas populares e incluia, na Constituição, a participação popular através de referendos e plebiscitos.

O ex-deputado federal deixa o PT em 2005, por uma série de discordâncias internas, e se filia ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), pelo qual disputou a Presidência da República em 2010. Incansável, nos debates eleitorais, Plínio chamava a atenção por seu jeito espontâneo, tocando o dedo na ferida de temas dos quais os outros candidatos (Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva), faziam de tudo para fugir. Suas provocações, piadas e ironias nos debates fizeram seu nome ser um dos assuntos mais comentados do mundo no Twitter. Encarnava da melhor forma  o que é ser um verdadeiro fanfarrão.

Apesar da idade avançada, Plínio era muito ativo nas redes sociais, sempre chamando as pessoas a discutirem com ele os temas que achassem interessantes, principalmente através de sua conta no Twitter. O fato de ter militado na política durante toda sua vida não tirava dele a capacidade de fazer piadas e rir, inclusive de si mesmo (por exemplo, em sua participação hilária no quadro “O Povo Quer Saber”, do CQC, e em entrevista à repórter Mônica Iozzi, no mesmo programa).

Ter 83 anos também não lhe impediu de comparecer às manifestações de Junho de 2013, que ele considerava as maiores da história brasileira (já que viu, com os próprios olhos, levantes em massa desde a época de Getúlio Vargas). Assista aqui sua mensagem histórica encerrando a campanha de 2010, na qual levantou temas que, segundo ele, apenas os jovens podiam compreender.

O ex-deputado federal estava internado desde maio, fazendo tratamento de um câncer ósseo, mas não resistiu à doença. Deixa esposa, filhos e uma militância de esquerda que sempre encontrou nele inspiração para aprender a superar os obstáculos que se impõem e nunca deixar de seguir em frente.

Deixa para nós um legado de lutas incontestável. Continuaremos a aprender muito com sua bela história. Grande e sempre querido Plínio, muito obrigado.

Plínio, presente!

FONTE: https://ninja.oximity.com/article/Pl%C3%ADnio-presente-1

Ainda sobre convênio firmado pela reitoria para a PM policiar o campus da UENF

Ontem perguntaram a um jogador da seleção brasileira, acho que foi o Júlio César, sobre qual seria a explicação para o massacre. Ai ele respondeu que para coisas inexplicáveis, não haveria explicação.  É óbvio que ele estava sob forte emoção, mas é claro que o massacre têm muitas explicações.
Agora vejamos a situação do convênio que os gestores da UENF assinaram no dia 26/06 com a secretaria de segurança para utilizar policiais para policiar o entorno do campus da UENF (por favor leiam o extrato do DO que eu já coloquei no ar ontem!). 
Talvez para nos distrair de mais essa ação desastrada e autoritária dessa reitoria, estamos agora recebendo mensagens na lista privada que os professores da UENF utilizam para dialogar entre si que falam sobre insegurança, pela primeira vez o tema é abordado por essas pessoas!, e apontando para, entre outras coisas, supostos crimes, tais como: uso de entorpecentes ilegais, tentativas de crimes sexuais, perigo de assalto aos caixas automáticos existentes no campus e pessoas que andam armadas.
Pois bem, o que se esperaria de quem está tentando justificar o injustificável é que nos apresentasse DADOS! Eu estou trabalhando nesse campus desde janeiro de 1998 e não estou inocente quanto aos riscos de segurança que enfrentamos dentro e fora do campus. Mas vejamos quanto ao que se falou na lista dos professores:
1. Uso de drogas ilegais: ao longo desses quase 17 anos senti pouquíssimas vezes aquele aroma característico da CANABIS SATIVA sendo queimada. E isso sempre me intrigou, pois sendo egresso da UFRJ, o cheirinho característico sempre percorreu os corredores do alojamento, e dos blocos que eu frequentei nas minhas aulas. E olha que isso aconteceu durante a vigência do regime militar. Assim, sempre tive a impressão que aqui é uma universidade para lá de careta. Mas qual é mesmo o problema de se fumar maconha? Que é ilegal? Ora, eu esperaria mais de professores universitários do que nos dizer que não estamos no Uruguai!
2. Tentativas de crimes sexuais: A ocorrência de estupros lamentavelmente é um fato na história da UENF, e tive notícia há uns 10 anos de que duas de nossas estudantes foram levadas para a frente do campus que antes era um terreno baldio e estupradas. Esse fato deveria ter gerado uma ampla campanha de educação e proteção de nossas estudantes, mas não foi. Agora, se o problema persiste por que não fomos informados antes disso? E por que não se apresenta isso por canais formais da instituição. É que se o problema está ocorrendo e ele é verdadeiramente grave, por que fomos mantidos na escuridão?
3. Perigos de assaltos aos ATMS: Em quase 17 anos só tivemos um mísero assalto ao posto bancário do Itaú por um grupo de assaltantes altamente profissionais que entraram e saíram tranquilamente fardados como policiais militares. Isso não quer dizer que a chance de novo assalto inexiste, mas a probabilidade é significativamente baixa. E como já disse antes, esse é um problema que as duas empresas bancárias que são donas dos equipamentos têm a obrigação de tratar, e a reitoria da UENF a obrigação de cobrar delas as devidas medidas de segurança.
4. Pessoas que andam armadas no campus. Essa é uma grande novidade para mim. Aliás, como já fui ameaçado de morte por múltiplas vezes, esse é um dado que me interessa diretamente. Afinal, alguns dos que me ameaçaram mandar para a “terra dos pés juntos” com a ajuda de armas de fogo continuam dentro do campus. Então se temos DADOS, que se disponibilize, até para que eu possa tomar medidas adicionais de segurança pessoal.
Agora, tendo escrito o que eu escrevi acima, creio que qualquer justificativa para a militarização de um campus universitário como o nosso não poderá se dar de forma açodada e com justificativas tão rasteiras quanto inconsistentes. A vinda do ambiente de policiamento militar para o interior de uma instituição universitário significa, entre outras coisas, a falência completa de projetos alternativos para o estabelecimento de uma cultura de segurança que seja eficiente e democrática. E o caso é que temos dentro da UENF pesquisadores que participam até de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) cujo foco é justamente a questão da segurança pública. Por que esses pesquisadores não foram ainda chamados para trazer a sua expertise para um debate tão central para o nosso futuro? Essa desconsideração por conhecimento científico me deixa a sensação de que não se quer abrir efetivamente o debate. E ainda por cima, em se tratando de uma instituição universitário tal desprezo seria simplesmente o fim da picada.
Finalmente, ainda estou esperando uma explicação oficial para o fato de que se assinou um convênio para aderir ao PROEIS no dia 26/06/2014 e a primeira discussão no CONSUNI só ocorreu no dia 03/07/2014. Esse tipo de manobra não é apenas anti-democrática, mas viola o Estatuto da UENF! 

Jovem, negro e pobre são alvos da violência no Brasil

Walmyr Junior *

O Brasil carrega a triste 7ª posição no ranking de países mais violentos do mundo. Os dados apontam que 56.337 pessoas perderam a vida assassinadas no país no ano de 2012, 7% a mais do que em 2011. O crescimento de 13,4% de registros desse tipo de morte, comparados ao ano de 2002, equivalem a um pouco mais que o crescimento da população total do país, que foi de 11,1%.

Com uma perspectiva de elucidar a identificação das causas da violência nas cidades, temos um instrumento que fala da triste constatação do genocídio da população negra no país. O Mapa da violência deste ano anuncia uma tragédia que atinge toda a população brasileira, mas os casos de homicídios relatados no documento só mostra o que temos anunciado há muito tempo.

Não somos números, estamos falando de um retrato cruel das diferenças raciais no Brasil e os problemas enfrentados por cada família negra brasileira. Estou me referindo ao assassinato de jovens negros entre 15 a 29 anos, que consolidam 30.072 mortos. O número representa 53,4% do total de homicídios do país.

Mas por que este índice de mortalidade só aumenta?

A sociedade brasileira está acostumada a naturalizar a violência e junto com essa lógica o racismo institucional é utilizado como ferramenta de manutenção dessa sociedade que não só mata, mas deseja banir a juventude negra dos espaços de sociabilidade. 

A política de segurança do Estado brasileiro corrobora com o sistema racista e faz da militarização da sociedade uma maneira de analisar o cidadão pela sua renda, por sua cor e por suas características físicas, interpretando assim quem é bandido ou não. 

Por isso é tão importante debater a desmilitarização da Polícia Militar (PM). Quem não se lembra dos 111 presos assassinados em 1992 durante o Massacre do Carandiru? E o desaparecimento do Amarildo? E o assassinato da Claudia, do Douglas (o DG) e tantos outros que sucumbiram por causa da violência e despreparo policial? Esses casos, somados aos inúmeros flagrantes de abusos durante as manifestações de junho/2013, nos faz pensar sobre a urgência da desmilitarização ou mesmo o fim da PM como uma das alternativas para acabar de vez com essa indústria da morte. 

Outra alternativa para conter o extermínio da juventude negra é a aprovação da Lei que implica no fim dos autos de resistência. Por conta do auto de resistência, que é uma forma de manter impune os policiais que reagem de forma violenta contra a população, o Estado mantem um aparelho policial que tem como método o fim de quem sofre a maior violência. O negro da favela, por possuir ‘o estereotipo subversivo’, é o maior perseguido pelos policiais que se beneficiam do esquema fraudulento dos autos de resistências. É através dessa proteção do Estado que o PM mata e não é julgado como criminoso. 

O projeto democrático e popular tem conseguido conquistas importantes no ultimo período, como o aumento da presença de jovens negros na universidade e ampliação da renda dos postos de trabalho formal e da renda media do trabalhador. As Leis de Cotas, o JUVENTUDE VIVA, o PRONATEC, o REUNE e o PROUNI, o BOLSA FAMÍLIA são algumas soluções temporárias que o governo tem pensado para incluir o jovem negro na dinâmica da ocupação do espaço social. Mas precisamos ir além, precisamos dar espaço para jovem negro buscar sua emancipação.

Quando o jovem negro é impedido de ocupar os mais variados espaços,quando não consegue um emprego ou um salário descente, quando não tem acesso a educação, saúde, moradia, lazer e tantas outras necessidades básicas,ele vai optar por assumir o discurso violento que a sociedade naturaliza e reproduz. Essa catarse de violência faz do oprimido o seu próprio opressor, ou seja, o jovem, pobre e negro acaba virando o vilão da sua própria gente, alimentando o Mapa da Violência e relatando que o fim do povo negro do Brasil pode estar próximo. 

* Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro, assim como a equipe da Pastoral Universitária Anchieta da PUC-Rio. É membro do Coletivo de Juventude Negra – Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ

Um pitaco sobre o massacre da Alemanha no Mineirão

Não vou me estender sobre um assunto que tantos analistas que ganham rios de dinheiro para escrever já nos brindaram com os mais variados textos após os 7 a 1 impostos pela Alemanha sobre a seleção do Brasil. Mas preciso dizer que como palmeirense que sou, desconfiei sempre do Luis Felipe Scolari à frente da seleção brasileira. É que no último rebaixamento do meu time de coração, a Sociedade Esportiva Palmeiras, eu o vi com os mesmos gestos impotentes, mãos à cadeira, ver o time ficar sem padrão de jogo e ser lentamente cozido em direção ao rebaixamento, como se ele Scolari não tivesse nada a ver com o problema. Aliás, só chegamos até aqui porque uma bola do Chile beijou o travessão do Júlio César caprichosamente ao final do segundo tempo da prorrogação.

Agora, eu tendo a desconfiar que quem manda no futebol brasileiro não vai aprender muito com o massacre de hoje. É que para algo mudar na CBF e,, por extensão, no futebol brasileiro, teríamos que ter uma verdadeira mudança na estrutura social e política do Brasil. E essa, olhando o panorama eleitoral de 2014, anda tão difícil quanto foi ver um bando de caras vestindo a camisa da seleção brasileira correndo atrás do time da Alemanha no dia de hoje.

Mas como alguém já sabiamente escreveu hoje, ao menos teremos o consolo de não mais ter de ver o Scolari, o Murtosa e o Parreira vestindo o uniforme da seleção. Pode não ser um consolo, mas já é um excelente começo.

 

Valeu, Plínio!

plinio

No mesmo dia em que a Alemanha destroçou a seleção verde-amarelo no Mineirão, o Brasil perdeu um dos seus grandes pensadores e lutadores das boas causas, Plínio de Arruda Sampaio. Tive a oportunidade de vê-lo falar apenas uma vez, mas acompanhei de longe, e com admiração, a sua trajetória de luta pela reforma agrária e pela construção de um país mais justo e fraterno.

Desse dia levarei mais a perda de Plínio, pois essa é uma daquelas que são verdadeiramente significativas para a construção de uma Nação que não seja tão marcada por disparidades e onde os velhos padrões de dominação são perpetuados em nome da acumulação da riqueza apenas por uma fração minoritária do nosso povo.

Obrigado por tudo, Plínio!