Pezão vem a São João inaugurar uma ETA, enquanto sua base na ALERJ ameaça jogar a UENF na privada

A jornalista Suzy Monteiro informa em seu blog que em menos de 20 dias, a cidade de São João da Barra será visitada pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão (Aqui!). Se não visita anterior, o motivo foi a inauguração de um placa fundamental, o motivo de hoje seria a inauguração da Estação de Tratamento de água de Pipeiras. Pois bem, essa visita ocorre no mesmo dia em que a base (des) governista na ALERJ ameaça votar o Projeto de Lei 3050/2014 conforme enviado por Pezão. 

Se confirmado essa posição da base (des) governista na ALERJ, teremos uma interesse confluência de gestos: a base joga a UENF na privada lá, e Pezão inaugura uma ETA em São João da Barra. Se considerarmos que a UENF fica localizada ao norte de São João da Barra, o que teremos é uma esterilização, só que dos salários de professores e servidores, da universidade criada por Darcy Ribeiro.  

Parece insólito não, é!

Palco na ALERJ está montado. Vamos ver como se comportam os atores (deputados) de Campos

As informações que me chegam do Rio de Janeiro é que a base do (des) governo Pezão/Cabral irá votar hoje ou amanhã o Projeto 3050/2014 da forma em que o mesmo chegou na ALERJ, o que implicará num duro golpe às necessidades de recomposição salarial de professores e servidores da UENF.

Essas previsões são apenas previsões, pois não se sabe ainda como os deputados efetivamente votarão. Agora, uma coisa é certa, os deputados que têm sua base na cidade de Campos dos Goytacazes terão seu voto acompanhados e documentados. Afinal de contas, se sabe que um voto contrário à UENF será também um voto contrário aos interesses da nossa cidade.

E quem são os deputados “campistas”?  Vejam abaixo e depois que o pano descer, podem ficar certos que informarei aqui como votou cada um deles.

Roberto Henriques (PSD),  da base governista

João Peixoto (PSDC ), da base governista

Geraldo Pudim (PR), da oposição ao governo Pezão/Cabral

Clarissa Garotinho (PR), da oposição ao governo Pezão/Cabral

Do blog da Aduenf: Presidente da ADUENF explica na ALERJ a situação salarial dos professores da UENF

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O presidente da ADUENF, Prof. Luís Passoni, está participando dentro do plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro as negociações que estão sendo realizadas para melhorar o conteúdo do Projeto de Lei 3050/2014 que corrige de forma precária os salários de professores e servidores da UENF.

Ao clicar no link abaixo é possível assistir o depoimento dado pelo Prof. Passoni onde ele explica a grave situação por que passa a UENF por causa da corrosão salarial a que os professores da instituição estão sendo submetidos pelo governo do Rio de Janeiro.

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2014/06/presidente-da-aduenf-explica-na-alerj.html

Na reunião do Colégio de Líderes da ALERJ, reitor da UENF é apontado como “apequenador” da instituição

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Na reunião do Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), o reitor da UENF, Silvério Freitas, teve acesso ao uso da palavra na reunião que discutia um total de 39 emendas ao Projeto de Lei 3050/2014 que corrige os salários de servidores e professores da instituição criada por Darcy Ribeiro.

Pois bem, ao tomar a palavra, o deputado Comte Bittencourt (PPS) começou sua participação afirmando ao reitor, na presença do próprio, que ele apequenava a instituição para o qual foi eleito para liderar.

Esse fato é conhecido de todos aqueles que tem que trabalhar na UENF e amargar a incompetência da atual administração. Mas ver a figura máxima da instituição tomar tal descompostura dentro de um órgão que reúne todos os líderes partidárias na ALERJ não é bom para ninguém, pois revela que a instituição está realmente muito fragilizada em sua representação institucional,  justamente em uma conjuntura histórica em que precisaria que o oposto estivesse ocorrendo.

Felizmente, os sindicatos, especialmente a ADUENF, fizeram o trabalho que a reitoria deveria ter feito que é o de defender os interesses dos servidores, e lutar para que a UENF seja devidamente respeitada.

‘Para mim, Copa não existe’, diz mãe de operário morto na Arena Corinthians

Gerardo Lissardy, BBC Mundo, Rio de Janeiro

Sueli Dias mostra camisa oficial que seu filho comprou, mas nunca chegou a usar

Enquanto os brasileiros festejam a Copa do Mundo nas ruas, o silêncio impera em uma casa em Diadema, na região do ABC paulista. Ali vivia o operário Fábio Hamilton Cruz, morto após sofrer uma queda no estádio Arena Corinthians, onde trabalhava.

Quem abre o portão é a mãe de Fábio, Sueli Rosa Dias, de 45 anos, uma mulher magra e de cabelo comprido, que gosta de manter preso.

“Desculpe pela casa de pobre”, diz ela enquanto autoriza a entrada da reportagem da BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Sueli se senta em um sofá preto, o mesmo onde Cruz dormiu pela última vez no dia 29 de março. Ela se lembra de tê-lo coberto naquela noite com uma manta, antes de seu filho, de apenas 23 anos, acordar às 4h30 para ir trabalhar no estádio.

“O Fábio esperava a Copa há muito tempo, principalmente depois de trabalhar no Itaquerão. Porque seu sonho era ver o estádio pronto. Ele estava acostumado a dizer que estava dando seu sangue para construir aquilo do qual se sentia orgulho”, assinala Sueli, que trabalha como empregada doméstica.

O entusiasmo de Cruz vinha de sua paixão pelo Corinthians, que é dono do estádio, e também por ver o Brasil disputar o Mundial em casa. Ele já tinha até comprado a camisa da seleção brasileira.

Sueli tira a camisa amarela do guarda-roupa guardada pela última vez por seu filho, e a observa com o olhar triste.

“Ele não via a hora de ver a Copa começar para poder usar a camisa. Nem chegou a usá-la”, lamenta Sueli. “Não tive coragem de me desfazer dela”.

Naquele sábado fatídico, Cruz caiu de uma altura de oito metros quando trabalhava na montagem das estruturas temporárias da Arena Corinthians. Ele morreu horas depois em um hospital.

Ele foi o último dos oito operários que perderam a vida construindo os modernos e caros estádios que hoje atraem os olhos do mundo inteiro para o Brasil.

“Para mim, a Copa do Mundo não existe”, afirma Sueli. “A dor que estamos sentindo com a morte do Fábio nos impede de comemorar a Copa, não temos como aproveitá-la. Nem sei quais partidas que o Brasil vai jogar”, acrescenta ela.

Momento de reflexão

Ao todo, três operários morreram na construção da Arena Corinthians. Dois deles foram vítimas de um acidente fatal em novembro, quando uma grua caiu de uma das arquibancadas.

Outros quatro trabalhadores morreram na Arena Amazônia e um operário morreu no Mané Garrincha, em Brasília.

No caso de Cruz, sua mãe decidiu entrar na Justiça contra a Odebrecht, responsável pela obra, que custou mais de R$ 1 bilhão.

“Ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Uns dizem que foi negligência do Fábio, que estaria sem as cordas de segurança.”

Em novembro, dois operários morreram no estádio de São Paulo após a queda de uma grua.

Sueli conta que as cordas eram muito curtas para mantê-las presas enquanto seu filho se movia pela arquibancada e, por essa razão, acredita que ele devia soltá-las com frequência.

“Foi durante um desses intervalos que ele pegou a corda para prendê-la que ele caiu”, afirma.

“Ao mesmo tempo, fico pensando que se houvesse uma rede de proteção e outros equipamentos de segurança, ele poderia ter sobrevivido. Ele poderia até cair, mas não seria uma queda fatal.”

Após o acidente, o Ministério do Trabalho interrompeu por alguns dias a montagem das arquibancadas temporárias na Arena Corinthians e exigiu maiores medidas de segurança da empresa Fast Engenharia, responsável pelas estruturas, incluindo redes de proteção para os operários.

O calendário de construção da Arena Corinthians teve diversos atrasos e o estádio ficou pronto faltando pouco para receber a primeira partida do Mundial no dia 12 de junho.

Sueli relata que seu filho havia trabalhado na segunda-feira anterior ao acidente e só foi à obra no sábado para ganhar um dinheiro extra. Ela diz que conseguiu vê-lo com vida no hospital.

Agora, em meio à festa do Mundial, ela pede um momento de reflexão dos brasileiros.

“As pessoas têm o direito de aproveitar a Copa, de torcer por seu país. Mas as pessoas deveriam pensar também no que há por trás disso.”

“Não é porque eu estou triste que todo mundo deveria estar também. Mas acho que o povo deveria ser unir para exigir de nossos políticos maior segurança, não apenas para os operários da construção civil, mas para todo tipo de empresa e trabalhador.”

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/06/140623_mae_operario_copa_wc2014_lgb.shtml?bw=bb&mp=wm&bbcws=1&news=1

RJ: alianças eleitorais escandalosas mostram centralidade no cenário político nacional

A evolução das chamadas “alianças” que estão juntando gregos, troianos e espartanos, e até os persas em nominatas que olhadas por aqueles que vivem no Rio de Janeiro parecem coisas feita por ETs recém-chegados ao planeta Terra.

Mas num segundo olhar é interessante notar que a confluência heterodoxa que ocorra no Rio de Janeiro está se dando por todo o Brasil, com partidos da base do governo e da dita oposição se misturando como se tudo não passasse realmente de uma suruba ou de um bacanal partidário.

A explicação para tanta liberalidade não está apenas na fraqueza ideológica dos partidos brasileiros ou na fraca institucionalização da democracia brasileira. O problema parece ser mais estratégico, pois o que está se desenhando é a posição que a burguesia brasileira terá para enfrentar uma crise sistêmica do Capitalismo que promete se agravar em 2015. Ai fica a disputa entre o “neoliberalismo” e o “neodesenvolvimentismo” que são apenas duas faces da mesma moeda podre. E nisso tudo, o Rio de Janeiro é o laboratório mais avançado desse redesenho entre quem diz ser de oposição ou de situação.

Felizmente, há algum movimento no que se chama de esquerda e alguns candidatos poderão mesmo sem o horário eleitoral ajudar na consolidação de uma alternativa política aos que está se desenhando por cima.

Uma nota final cabe ao que decidirá o deputado federal Anthony Garotinho. Do jeito que ele é pragmático e sempre olha o tabuleiro político com olhos de Lince, eu não me surpreenderia se ele acabasse no palanque de Lindbergh Farias. Ai é que a coisa ficaria ainda mais heterodoxa. Mas ele também poderá apostar no fenômeno que Brizola causou nas eleições de 1982 e derrotou até a Rede Globo. A ver!

Imprensa inglesa estranha “elite branca” nos estádios

Por Miguel do Rosário

Fifa-ingressos

O jornal The Guardian fez uma crítica interessante à Copa que até agora não mereceu nenhum comentário de nossa imprensa. Matéria assinada por David Goldblatt fala que, enquanto os gramados (em inglês, pitch) mostram a miscigenação intensa dos países latino-americanos, cujas seleções tem se destacado no torneio, as arquibancadas (stands, em inglês) contam uma “história diferente”.

Chamou a atenção do repórter (eu também já havia reparado nisso, mas na torcida brasileira), a hegemonia absoluta de cidadãos de ascendência europeia nas torcidas das nações latinas.

É evidente que o fato reflete as desigualdades históricas no continente, uma realidade que explica a emergência de governos populares, progressistas, com políticas públicas visando mudar esse quadro.

A matéria faz informações e análises bem mais completas do que o resumo deste post. O problema não acontece apenas nas torcidas latino-americanas, mas de quase todos os países.

Houve incidentes de racismo entre argentinos e mexicanos e observou-se a presença de faixas com inscrições de extrema-direita ou mesmo fascistas, entre torcedores da Croácia e da Rússia.

Ao final, o jornalista alerta que o mundo deveria se preocupar, na organização de um evento que deveria celebrar a diversidade, a paz e o pluralismo, em aumentar a diversidade social e étnica das torcidas.

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FONTE: http://tijolaco.com.br/blog/?p=18622

Caixa reclama na Justiça créditos com a OSX

Banco tentar elevar créditos na ação, contesta valores em nome de Santander e BTG Pactual e pede que subsidiárias internacionais sejam incluídas no processo

Mariana Durão, do 

Divulgação 

Navio da OSX

 OSX: estão em recuperação a OSX Brasil, a OSX Construção Naval e a OSX Serviços Operacionais

 Rio – Uma das maiores credoras da OSX com R$ 461,4 milhões a receber, a Caixa Econômica Federal questiona pontos da recuperação judicial do grupo de Eike Batista.

O banco tentar elevar a R$ 1,2 bilhão seus créditos na ação, contesta os valores em nome de Santander e BTG Pactual e pede que as subsidiárias internacionais da companhia de construção naval sejam incluídas no processo.

Sediadas em Áustria e Holanda, elas foram criadas para construir e afretar as plataformas de petróleo OSX-1, OSX-2 e OSX-3, ativos mais valiosos do grupo.

Hoje estão em recuperação a OSX Brasil, a OSX Construção Naval e a OSX Serviços Operacionais.

Mas o grupo tem mais 13 empresas no exterior sob o guarda-chuva da austríaca OSX GMBH, caso das empresas de leasing donas das plataformas.

A OSX planeja vendê-las e levantar em torno de R$ 2 bilhões. Os primeiros a receber o dinheiro seriam sindicatos de bancos e detentores de títulos de dívida que financiaram a construção dos equipamentos.

A Caixa teme ficar de fora desse bolo. Avalia que, se ficarem sujeitas a outra jurisdição, as filiais estrangeiras podem realizar negociação paralela com os financiadores externos, pondo em risco o pagamento de outras dívidas.

A inclusão de subsidiárias internacionais foi admitida na recuperação judicial da OGX, empresa-irmã da OSX, mas a pedido da própria petroleira.

Em caso de negativa a Caixa pede, alternativamente, que as empresas nacionais em recuperação se comprometam a não conduzir, por meio das subsidiárias, negociações que afetem o patrimônio do grupo.

Procurada pela reportagem, a Caixa não quis se manifestar.

Apesar de estarem atreladas às companhias no exterior, as dívidas referentes à construção das plataformas fazem parte da recuperação judicial que corre no país porque têm garantias dadas também pela OSX Brasil (além da garantia real dos ativos).

Os financiadores das plataformas OSX-2 e OSX-3 têm, juntos, cerca de US$ 1 bilhão em créditos listados pelo grupo.

A reportagem apurou que a Deloitte, administradora judicial da recuperação da OSX, considerou o pedido da Caixa genérico, por não indicar as empresas estrangeiras a serem englobadas.

Pela Lei 11.101/2005, cabe à companhia endividada requerer a recuperação judicial, não aos credores.

A argumentação da OSX provavelmente seguirá a mesma linha. As empresas de leasing constituídas no exterior são independentes, geram receita e têm ativos que superam suas dívidas.

Assim, não teriam necessidade de apelar para a recuperação. A decisão final caberá ao juiz da 3ª Vara Empresarial.

Créditos

A Caixa tem hoje R$ 461,4 milhões a receber na recuperação da OSX Construção Naval ou cerca de 20% da dívida da empresa. O valor se refere a uma cédula de crédito contratada com o grupo.

O banco tenta incluir também um contrato de financiamento de R$ 1,3 bilhão ao estaleiro da OSX no Porto do Açu, dos quais R$ 700 milhões já foram repassados por meio do Fundo de Marinha Mercante.

O montante não entrou na recuperação por ter garantias, mas a Caixa alega que são insuficientes para cobrir a dívida.

Se tiver sucesso, passa a ter R$ 1,2 bilhão a receber e um peso ainda maior na assembleia de credores decidirá se aprova ou não o plano de recuperação do grupo. A Deloitte foi contra, mas a Caixa pode impugnar a decisão.

Em outra frente, o banco público reclama que BTG Pactual e Santander aparecem na lista com créditos artificiais.

Como ambos são fiadores de empréstimos concedidos pela própria Caixa, a tese é que só passam a ser titulares caso o banco exerça a garantia, o que não ocorreu.

Alguns créditos listados são “espelhos” dos devidos à Caixa em operações garantidas pelos dois bancos.

No caso do Santander a divergência recai sobre R$ 461,4 milhões listados entre as dívidas da OSX Brasil.

Segundo a Caixa, o valor corresponde à garantia da cédula bancária que concedeu à OSX Construção Naval. O banco espanhol tem outros R$ 23,4 milhões a receber da OSX Construção Naval.

No que tange ao BTG, a Caixa questiona o montante de US$ 69 milhões incluído no rol de créditos da OSX Brasil.

O valor, alega, seria equivalente aos R$ 125,5 milhões da fiança dada pelo BTG a parte do contrato de financiamento fechado pela Caixa com o estaleiro.

O banco de André Esteves tem outros valores a receber da OSX: US$ 21,5 milhões da holding OSX Brasil e US$ 5,8 milhões da empresa de construção naval.

Para a Caixa, as supostas distorções devem ser corrigidas sob pena de haver uma alteração ilegítima do peso decisório dos credores no processo, isto é, de se dar ao BTG e Santander um poder maior na votação do plano de reestruturação da OSX.

Procurado, o Santander não se manifestou alegando sigilo bancário. O BTG Pactual também não quis comentar.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/caixa-reclama-na-justica-creditos-com-a-osx

Lideranças do povo Kaingang são libertadas no RS depois de decisão liminar do STJ

Por CIMI

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Cinco lideranças indígenas do povo Kaingang da Terra Indígena Kandóia, município de Faxinalzinho, Rio Grande do Sul que, injustamente, acabaram sendo presas no último dia 9 de maio pela Polícia Federal, foram libertadas neste domingo, 22. Deoclides de Paula, Celinho de Oliveira, Daniel Rodrigues Fortes, Nelson Reco de Oliveira e Romildo de Paula já estão na aldeia.

A libertação ocorreu em função de uma decisão liminar concedida pelo ministro Rogério Schietti Cruz do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na noite de sexta-feira, 20. A decisão do ministro atende pedido de liminar apresentado em habeas corpus impetrado pelos advogados de defesa das lideranças indígenas e caça a prisão temporária das lideranças que estavam no Presídio Estadual do Jacuí, em Charqueadas (RS).

O STJ, então, restabelece a justiça no caso, uma vez que não há provas que incriminem as lideranças Kaingang acusadas pelo delegado da Polícia Federal de Passo Fundo, Mário Viera, responsável pelo inquérito, pelos assassinatos de dois agricultores. O delegado, até o momento, não disponibilizou o inteiro teor do inquérito aos advogados de defesa dos indígenas.

Em dia 17 de junho, Onir Araújo, um dos advogados defensores dos indígenas, esteve na sede da Polícia Federal em Passo Fundo e requisitou cópia do inquérito. Mais uma vez foi negado. A alegação era de que “dr. Mário Vieira estava em missão” e regressaria ao município somente no início da segunda quinzena do mês de julho. Com isso, o direito de defesa das lideranças indígenas está prejudicado.

Fonte; http://racismoambiental.net.br/2014/06/liderancas-do-povo-kaingang-sao-libertadas-no-rs-depois-de-decisao-liminar-do-stj/

 

Bacanal à moda da casa

Aécio amarra aliança do PSDB e DEM com Pezão em troca de apoio de Cabral e do PMDB no Rio

Por Pedro Porfírio

Foi a surpresa menos surpreendente desta novela rocambolesca que se desenrola como pano de fundo desse porre que nos enche de bola quase o dia todo. Era um capítulo já escrito de que só não sabia o Carlos Lupi (ou sabia?) e os apegados aos penduricalhos do governo estadual do PDT, partido que emprestará a legenda de Leonel de Moura Brizola à aliança mais cristalizada da direita no Estado do Rio, capaz de receber as bênçãos, os afagos e a ajuda do Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino e da burguesia picareta, a mesma que ia investir na Copa do Mundo e deixou as despesas penduradas em nossa conta.

Sérgio Cabral Filho, o campeão absoluto de rejeição, precisava de uma saída honrosa pra entregar a toalha e recolher-se a uma fortaleza eletrificada, onde se refugiaram seus “compadres” Eike Batista e Fernando Cavendish. 

Cabral já saiu do governo no início do ano por que não conseguia mais botar o pé na rua. E queria tirar o seu Pezão mandado da sarjeta do ostracismo.

Até acreditou na memória fraca da plebe ignara, mas depois viu que ele fez tantas poucas e boas que não havia uma criança que não  quisesse vê-lo pelas costas. Principalmente aqueles, como o adolescente de Manguinhos, a quem destratou e humilhou, ma frente do Lula, como se tivesse o rei na barriga.

Precisava também tirar a máscara sobre seu retorno ao ninho tucano depois da morte de Marcello Alencar, de quem se serviu do bom e do melhor, e depois traiu, no final do seu governo, quando viu que não ia ter nenhum dividendo com a privatização da CEDAE, que acabou abortada, como também abortou a privatização do Maracanã naquela época.

Não o move nessa manobra de formal adesão ao “Aezão”, nada senão o olho gordo. Existe é uma baita articulação sistêmica, digamos assim, para evitar que Dilma Rousseff faça um segundo governo, agora mais calejada, já sabendo que tem bala na agulha para avançar. A turma da pesada, sejam as empresas sugadoras das tetas públicas, sejam os políticos padrão Eduardo Cunha, que existem aos borbotões, faz qualquer maracutaia para derrotar à teimosa que, explicitamente, deu um chega pra lá nos malfeitos dos próprios correligionários e aliados.

Cabralzinho ficou órfão de pai e mãe com a debacle dos dois empresários “irmãozinhos” e isso teve implicações também com suas conexões junto aos salões da corte, onde meia dúzia de empreiteiros têm acesso instantâneo aos palácios e singram em águas mansas e próprias para a pesca.

Há uma insatisfação explícita da quadrilha que privatizou o Erário diante das exigências saneadoras da Dilma.  Ela não pode ouvir falar em obras superfaturadas ou tráfico de influência que, comprovadas, manda investigar, doa em quem doer, para o desespero dos autores das emendas parlamentares e dos governadores que fazem a festa com tais subterfúgios legislativos. Não era assim que a banda tocava antes. E se continuar por mais um governo, os paraísos fiscais vão começar a se queixar da falta de freguês.

Mas no Estado do Rio o PSDB ficou mau das pernas desde quando Marcello Alencar perdeu a mobilidade e foi transformado numa figura decorativa de um partido em que ele era o único elo com a alma fluminense. O tucanato aqui se reduz a exatos dois gatos pingados, que ainda tiveram a insanidade de inviabilizar a carreira de uma vereadora guerreira, mas de opinião própria, que se decepcionou e voltou para casa.

Já o DEM (nome envergonhado do PFL) também lambeu com a dissidência puxada por Eduardo Paes, aquele cujas mãos seriam alvejadas se você disparasse sobre a virilha do Cesar Maia. O atual prefeito, reconheçamos, é carne de pescoço, obstinado e tem jogo de cintura desde que não tenha de ceder mais da conta, da sua conta, é claro. De mal com o Cesar, seu pai político, tratou de arrebanhar a própria grei e não precisou ir muito longe: quando o ex-todo poderoso  caiu do cavalo e o antigo pupilo se fez homem, correu todo mundo para o seu sovaco, até os que jejuavam pela saúde do ex-chefe.

A cata de intermediário a qualquer preço

O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro colégio eleitoral do país, com 12 milhões de eleitores. Em 2010, Serra já havia levado uma surra, ficando em terceiro, atrás de Marina. E daí para cá, o tucanato evaporou-se de vez: até o Zito, o ex-rei da Baixada, também perdeu a majestade.

A coisa ficou tão sinistra que o PSDB fez sábado sua convenção e decidiu não decidir nada.  Não tinha mesmo o que decidir por suas próprias pernas.

Foi então que Aécio mexeu seus pauzinhos e chamou Cabral, Picciani e Cesar Maia ao seu apartamento de Copacabana.  Sim, o mineiro pode não ter eleitores aqui, mas patrimônio imobiliário, isso ele esbanja. 

Numa manhã dominical em que a brisa fria soprava do mar, o tucano não precisou de  muita lábia para trazer Cesar Maia para o seu ninho, abrindo uma saída honrosa para o pré-derrotado Sérgio Cabral e, mais uma vez, mandando para escanteio o senador Francisco Dorneles,  que vem a ser sobrinho de Tancredo e, reconheçamos, foi um parlamentar competente, principalmente na luta pelos royalties do petróleo.  Na véspera dos 80 anos, que fará em janeiro, ele está surpreendendo os amigos por aceitar tudo calado, mas enfim, como disse o Eduardo Paes, essa reunião que selou a nova aliança, com os encômios  e as pepitas da direita mais rancorosa, não há quem escape a um bacanal, principalmente se isso tem cheiro de poder.

O resultado desse capítulo, em resumo, é que está formada a cadeia de direita mais explícita desses anos abomináveis e agora Dilma não tem mais por que ficar fazendo que acredita na lábia do Pezão. Se até o Eduardo Paes vai ter que distribuir santinhos do Cesar Maia, seu odiado ex-amor, não há como ficar fazendo de conta que não sabe de nada.

Essa leniência com maquinações sórdidas pode parecer covardia. E, para terminar por hoje, é preciso desmascarar de vez duas obras de ficção: o excesso do tempo de tv e o palanque local.  Numa campanha em que se disputa a Presidência da República, tudo o mais gira em torno. São os candidatos locais que precisam dos sorrisos dos presidenciáveis. Além disso, tevê demais enche o saco do telespectador – todo mundo sabe disso. É assim tão nociva como tevê de menos, que não dá tempo para dar o recado.

PS – Em 2012, Cesar Maia lançou o filho Rodrigo candidato a prefeito do Rio em aliança com Garotinho, que indicou a filha como vice, só para bater em Eduardo Paes. Este foi reeleito no primeiro turno com 2.097.733 (64,60%) dos votos. Já o filho de Cesar Maia teve 95.328 votos (2,94%).

FONTE: http://www.blogdoporfirio.com/2014/06/bacanal-moda-da-casa.html