Chomsky, Galeano e Žižek associam-se ao manifesto “Apoio Internacional ao Podemos”  

Noam Chomsky, Eduardo Galeano, Naomi Klein, Antonio Negri e Slavoj Žižek figuram entre os 36 intelectuais que subscrevem o manifesto “Apoio Internacional ao Podemos”. Os subscritores do documento frisam que “ante a paisagem desoladora que as políticas de austeridade desenharam para o sul da Europa, é acalentador que surjam novas alternativas dispostas a batalhar pela democracia, direitos sociais e soberania popular”.

No manifesto “Apoio Internacional ao Podemos”, datado de 12 de junho, os 36 intelectuais celebram “a irrupção em Espanha da iniciativa política ‘Podemos’, que obteve em escassos meses de existência um impressionante apoio popular ao conseguir 8% dos votos, convertendo-se na terceira força política em 23 das 40 cidades principais do país”.

“Ante a paisagem desoladora que as políticas de austeridade desenharam para o sul da Europa, é acalentador que surjam novas alternativas dispostas a batalhar pela democracia, direitos sociais e soberania popular”, avançam, sublinhando que “estas alternativas tentam, ao mesmo tempo, fazer política de uma forma nova, para além da chantagem que condena estes países a dependerem das políticas ditadas pelas elites políticas e financeiras da União Europeia”.

O Podemos “soube recolher a herança do ciclo de mobilizações populares” que, desde 2011, surgiu para “reivindicar uma democracia realmente digna desse nome”.

Segundo os subscritores do documento, o Podemos “soube recolher a herança do ciclo de mobilizações populares” que, desde 2011, surgiu para “reivindicar uma democracia realmente digna desse nome”. “Fê-lo ao fomentar a participação política da cidadania através de umas eleições primárias abertas e a redação de um programa colaborativo, graças à constituição de círculos de apoio e assembleias populares e, por outro lado, fá-lo renunciando financiar-se mediante empréstimos bancários, publicando no site (podemos.info) a sua contabilidade completa, e adotando um compromisso firme com a revogabilidade dos cargos e a limitação de mandatos, privilégios e salários”, referem.

No manifesto é também enfatizado que “o programa político de Podemos, elaborado de maneira participativa por milhares de cidadãos, foi capaz de materializar o anseio compartilhado por milhões de pessoas de todo mundo num projeto político concreto: uma rutura com a lógica neoliberal do austericídio e a ditadura da dívida; uma partilha equitativa do trabalho e da riqueza; uma democratização de todas as instâncias da vida pública; a defesa dos direitos sociais e os serviços públicos, e o fim da corrupção e da impunidade com as quais o sonho europeu de igualdade, liberdade e fraternidade degenerou no pesadelo de uma sociedade injusta, desigual, oligárquica e cínica”.

Perante o avanço da xenofobia e do fascismo, os intelectuais esperam que “a esperança que germinou com o Podemos se estenda a todos os países.

Perante o avanço da xenofobia e do fascismo, os intelectuais esperam que “a esperança que germinou com o Podemos se estenda a todos os países: a resistência de um povo que se nega a aceitar a sua submissão passiva e reclama para si esse poder que, em essência, é somente seu: a democracia, a capacidade de decidir tudo sobre o que é de todos”.

O documento é subscrito por Gilbert Achcar; Jorge Alemán; Cinzia Arruzza; Étienne Balibar; Brenna Bhandar; Paula Biglieri; Bruno Bosteels; Wendy Brown; Hisham Bustani; Judith Butler; Fathi Chamkhi; Noam Chomsky; Giuseppe Cocco; Mike Davis; Erri De Luca; Pierre Dardot; Costas Douzinas; Eduardo Galeano; Michael Hardt; Srećko Horvat; Robert Hullot-Kentor; Sadri Khiari; Naomi Klein; Christian Laval; Chantal Mouffe; Aristeidis Mpaltas; Yasser Munif; Antonio Negri; Simon Pinet; Jacques Rancière; Leticia Sabsay; Mixalis Spourdalakis; Nicos Theotocas; Alberto Toscano; Raul Zelik; Slavoj Žižek.

FONTE: http://www.esquerda.net/artigo/chomsky-galeano-e-zizek-associam-se-ao-manifesto-apoio-internacional-ao-podemos/33071

Greve por uma escola que merecemos – Relato de um professor em processo de demissão

Educ

Foto: Linhas de Fuga

 Por Pedro Guilherme Freire (professor da rede Estadual do Rio de Janeiro)

Hoje é um dia muito triste.

Depois de saber pela companheira e minha colega de colégio Ana Noguerol que já haviam mexido no quadro de horários da escola, fui ver se a direção do Julia Kubitschek e a secretaria de educação também haviam me expulsado das minhas turmas, como fez com a Ana. E não tive surpresas: foi assim que fizeram. Para elas, não trabalhamos mais nessa escola e nem trabalharemos mais.

Estamos revoltados! Como muitos colegas, peregrinei em várias unidades desde que tive uma escola onde trabalhava fechada. Mexeram na minha grade horária dezenas de vezes, me jogaram em diversas escolas e após muito desgaste fiquei em 4 escolas com 19 turmas. Nestas, não apenas trabalhamos como se fôssemos martelos. Criamos laços com os estudantes, fazemos amizades, participamos das suas vidas e histórias, como também participam das nossas. Entramos numa luta dura para melhorar a educação e nossas vidas e o que recebemos é isso: corte de ponto, corte de salário, prisões, bombas, expulsão das turmas e processo de demissão.

Nos expulsar das nossas turmas é como roubar a nossa vida de professor! Nos demitir é tirar nossa forma de sobreviver!
Nossa indignação hoje é imensa e nossa força pra derrubar estas injustiças também. Faremos de tudo, no município e no Estado, pra derrubar essas cassações políticas, esse terror, estas demissões.

Aos meus alunos, talvez, vocês já tenham outro professor no nosso lugar. Mas espero que vocês não esqueçam que enquanto estas e estes estavam viajando e vendo futebol na televisão, a gente estava acordando cedo e dormindo tarde, enfrentando a polícia de peito aberto, por uma escola que vocês e nós merecemos.

Para meus alunos: Andre Sousa Ana Paula Mendonça Lorena Costa MartinsTamiris Pattinson Eline Borges Laissa Braga Arthur Sany Lais Padua Maic Pimentel Dayane Pamela Julia Avelino Jhunior Cardoso Julliana OlimpioManu Pifani Mauro Esteves

que vocês saibam que eu não abandonei a turmas de vocês. Eu fui expulso.

FONTE: http://daslutas.wordpress.com/2014/06/19/greve-por-uma-escola-que-voces-e-nos-merecemos/

Maracanã: estádio de exceção

estádio de exceção

Financiamento público, aditivos sem fim, superfaturamento, irregularidades, elitização e lucro para grandes empresas. O Maracanã consegue resumir o que se tornou a Copa do Mundo no Brasil: justificativa para privatização do espaço público e da própria cidade num verdadeiro regime de exceção.

FONTE: https://www.facebook.com/ComitePopularCopaRJ/photos/a.230084333718289.56729.220708154655907/709081822485202/?type=1&fref=nf

Proposta do (des) governo Pezão é especialmente danosa para os servidores técnicos-administrativos da UENF

Se os professores já têm motivos para não gostar da proposta enviada pelo (des) governo Pezão para corrigir seus salários, os servidores técnico-administrativos são ainda mais golpeados em suas necessidades de reparação salarial. Como mostra a tabela abaixo, além de terem uma reposição menor (girando entre 9% e 20% dependendo da função e da condição de enquadramento), os servidores ainda amargarão uma reposição também parcelada em duas vezes!

proposta servidores

 

A situação fica ainda mais complicada quando se verifica que no caso dos professores, os níveis de reposição vai variar entre 35% e 39%. O problema é que na UENF, diferente da UERJ, há apenas uma tabela única como anexo do Plano de Cargos e Vencimentos que está em vigor, o que torna a concessão de índices diferenciados ainda mais problemático. E eu pessoalmente não entendo porque parcelar índices tão pequenos de reposição. Parece até gozação de quem sabe que vai perder as próximas eleições. 

E a proposta da UENF chegou, com valores que não garantem nem a reposição das perdas salariais do (des) governo Cabral/Pezão

lei

Temos novidades de última hora na questão salarial dos servidores e professores da UENF! Acaba de aparecer no sistema online da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o processo 20140303050 que deverá atualizar os salários em duas magras parcelas (a primeira em julho de 2014 e a segunda em julho de 2015). Os valores que são propostos no projeto de lei 3050/2014 são exatamente os mesmos propostos pela Secretaria de Planejamento e Gestão (SEPLAG) em julho de 2013!

Esse descaso com a situação da UENF é uma opção do (des) governo Pezão. Aliás, O Sr. Luiz Fernando Pezão havia se comprometido no dia 06.06.2014 a estudar formas de melhorar a proposta. Mas passados 12 dias daquele encontro os sindicatos, o que se vê é que o voto de confiança pedido por Pezão era mesmo para empurrar valores defasados goela abaixo dos servidores da UENF.

Agora restará aos sindicatos que defendem os interesses de servidores e professores tentarem melhorar alguma coisa dentro da ALERJ. Porque do mato do (des) governo Pezão é que não mais sai nada mesmo!

O dia 18 de Junho chegou e mostrou o valor da carta do (des) secretário de C&T do RJ aos professores da UENF

carta-sect

No dia de 03 de junho de 2014 os professores foram atingidos pelo desrespeitoso ofício SECT/GAB/62/2014 onde o (des) secretário Alexandre Vieira (mostrado acima), entre ameaças e desrespeitos, informou que entre os dias 11 e 18 de junho seriam enviadas mensagens para a ALERJ, condicionando o envio da nossa à saída de greve até o dia 06; de junho.

Pois bem, veio a assembleia dos professores do dia 09 de junho e já sabemos o que aconteceu nela. Pois bem, o dia 18 de junho chegou, e ficou claro que a palavra e a assinatura do secretário Alexandre Vieira tem o mesmo valor, qual seja, ZERO!

E aí fico imaginando como ficam aqueles que dentro da UENF, incluindo o reitor Silvério Freitas, se colocaram em marcha para acabar com a greve dos professores, sem que houvesse qualquer garantia fosse dada por parte do (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão que as demandas que originaram um movimento justo e legítimo seriam finalmente atendidas?

Mas ainda bem que a ADUENF possui uma direção autônoma e que não se curva à primeira cartinha ameaçadora de algum (des) secretário de terceiro escalão de um (des) governo em fim de festa.

E a luta continua! Viva a ADUENF!

Nada de Neymar, Google homenageia as favelas!

Por incrível que pareça , o Google está mais avançado do que muita gente dentro do Brasil que fica repetindo que devemos esquecer os roubos, os superfaturamentos, os estádios que nunca mais serão usados depois do final da COPA FIFA. É que hoje quem for fazer uso do Google para fazer buscas, vai ver uma lembrança das favelas que continuam a ser a expressão mais óbvia e ululante do profundo fosso social que separa ricos e pobres no Brasil. O interessante é que o artista que produziu este “doodle”, Matt Cruickshank, usou como referência a Favela da Rocinha, onde foi assassinado o pedreiro Amarildo cujo corpo se encontra desaparecido até hoje.

Que belo gol de placa do Google, e que vergonha para os comentaristas que nos querem empurrar o conformismo em relação aos gastos escandalosos que foram feitos e às milhares de famílias que foram removidas em prol da especulação imobiliária.

 

favelas

BBC: MP denuncia Odebrecht por trabalho escravo e tráfico internacional de pessoas

BBC

Por João Fellet, da BBC Brasil em Brasília

Da esquerda à direita, os operários Rafael Rocha Gomes, José Edval da Silva e Evaldo Barbosa Araújo, que disseram ter sido submetidos a maus-tratos na construção da usina Biocom, da construtora OdebrechtDa esquerda à direita, os operários Rafael Rocha Gomes, José Edval da Silva e Evaldo Barbosa Araújo, que disseram ter sido submetidos a maus-tratos na construção da usina Biocom, da construtora Odebrecht

O Ministério Público do Trabalho (MPT) denunciou o grupo empresarial Odebrecht por, segundo o órgão, manter 500 trabalhadores brasileiros em condições análogas à escravidão na construção de uma usina em Angola.

De acordo com a ação, iniciada após uma reportagem da BBC Brasil revelar denúncias de maus-tratos na obra, a construtora teria praticado ainda tráfico de pessoas no transporte de operários até a usina Biocom, na província de Malanje.

A denúncia, entregue na sexta-feira à Justiça do Trabalho de Araraquara (SP) pelo procurador Rafael de Araújo Gomes, pede que a Odebrecht pague uma indenização de R$ 500 milhões por danos coletivos aos trabalhadores. O procurador notificou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para que dirigentes da empresa e de suas subcontratadas respondam criminalmente.

A Odebrecht disse à BBC Brasil que só pronunciaria sobre o caso após ser notificada judicialmente. Normalmente, a notificação judicial ocorre alguns dias úteis após o Ministério Público protocolar a ação. Mas, com as interrupções de serviços públicos ocorridas por conta dos jogos da Copa do Mundo, esse prazo pode vir a ser ampliado.

Três empresas do grupo Odebrecht são rés na ação, que tem 178 páginas e envolveu extensa investigação: a Construtora Norberto Odebrecht (CNO), a Olex Importação e Exportação e a Odebrecht Agroindustrial (antiga ETH Bioenergia).

Passaportes retidos

Em dezembro de 2013, a BBC Brasil publicou uma reportagem em que operários diziam ter sido submetidos a maus tratos na construção da usina Biocom, entre 2011 e 2012. Dezenas de fotos e vídeos cedidos à reportagem mostravam o que seriam péssimas condições de higiene no alojamento e refeitório usados pelos trabalhadores.

Os trabalhadores afirmaram ainda que funcionários que trabalhavam na segurança da empresa impediam que eles deixassem o alojamento e que tinham seus passaportes retidos por superiores após o desembarque em Angola. De acordo com os operários, muitos adoeciam – alguns gravemente – em consequência das más condições, e pediam para voltar ao Brasil. Alguns dizem ter esperado semanas até conseguir embarcar.

Segundo a ação do Ministério Público do Trabalho, braço do Ministério Público da União, “os trabalhadores, centenas deles, foram submetidos a condições degradantes de trabalho, incompatíveis com a dignidade humana, e tiveram sua liberdade cerceada, sendo podados em seu direito de ir e vir”.

Os funcionários, diz a denúncia, “foram tratados como escravos modernos, com o agravante de tal violência ter sido cometida enquanto se encontravam isolados em país estrangeiro distante, sem qualquer capacidade de resistência”.

Após voltar ao Brasil, dezenas de operários entraram na Justiça contra a Odebrecht e suas subcontratadas na obra. A Justiça tem reconhecido que eles foram submetidos a condições degradantes e ordenado que sejam indenizados.

O MPT diz que, embora os trabalhadores não fossem empregados da Odebrecht, mas de empresas subcontratadas pela construtora – entre as quais a Planusi, a W Líder e a Pirâmide -, a responsabilidade pelas condições na obra era inteiramente da Odebrecht, conforme definido nos contratos entre as companhias.
 

Tráfico de pessoas

A denúncia lista uma série de ilegalidades que, segundo o MPT, teriam sido cometidas pela Odebrecht no envio dos trabalhadores a Angola. De acordo com o órgão, as empresas subordinadas à companhia recorreram a agenciadores ilegais (“gatos”) para recrutar operários em diferentes regiões do país, especialmente no Nordeste. A prática, diz a denúncia, constitui crime de aliciamento.

Após o recrutamento, segundo a denúncia, ocorria outra irregularidade: em vez de solicitar à embaixada de Angola vistos de trabalho aos operários, a Odebrecht pedia vistos ordinários, que não dão o direito de trabalhar.

Para obter os vistos, segundo o MPT, a Odebrecht “desavergonhadamente mentiu à embaixada de Angola”, dizendo que os operários viajariam ao país para “tratar de negócios” e permaneceriam ali menos de 30 dias (limite de estadia do visto ordinário). No entanto, diz a Procuradoria, as passagens aéreas compradas pela Odebrecht previam a volta dos trabalhadores em prazos bem superiores a 30 dias.

Segundo o MPT, a empresa recorreu ao esquema para “contar com trabalhadores precários e inteiramente submetidos a seu jugo, incapazes de reagir ou de reclamar das condições suportadas, impossibilitados de procurar outro emprego, e que sequer pudessem sair do canteiro de obras”.

A prática, segundo o MPT, sujeitou os trabalhadores a graves riscos em Angola, inclusive o de prisão, e violou tratados internacionais contra o tráfico humano.

Ratificado pelo Brasil em 2004, o Protocolo de Palermo engloba, entre as definições para a atividade de tráfico, o recrutamento e transporte de pessoas mediante fraude ou engano para fins de exploração em “práticas similares à escravatura”.

Dinheiro público

Segundo a investigação do MPT, contratos celebrados entre a Odebrecht e suas subordinadas na obra mencionam que haveria empréstimos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) à construção. O BNDES, porém, disse à BBC Brasil que jamais financiou a obra.

Em junho de 2012, o Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior decretou sigilo sobre todas as operações de crédito do BNDES a Angola e Cuba.

Entre 2006 e 2012, quando os dados ainda eram públicos, o BNDES destinou US$ 3,2 bilhões (R$ 7,2 bilhões) a obras de empresas brasileiras em Angola. A Odebrecht, maior construtora brasileira e maior empregadora privada de Angola, onde opera desde 1984, abocanhou a metade desses financiamentos.

‘Círculo íntimo’

Primeira indústria de açúcar, eletricidade e etanol de Angola, a Biocom é uma sociedade entre a Odebrecht, a estatal angolana Sonangol e a empresa Cochan. Segundo o jornal português Público, o dono da Cochan é o general angolano Leopoldino Fragoso do Nascimento, um dos homens mais próximos do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.

A usina, que custou cerca de R$ 1 bilhão, deve ser inaugurada até o fim deste ano.

Embora a Biocom tenha sócios angolanos, o MPT diz que, desde 2012, a Odebrecht tornou-se sócia majoritária da usina e “passou a administrá-la como dona”. Segundo o órgão, ao se associar à Cochan, a Odebrecht buscou contemplar o “círculo íntimo” do presidente angolano no empreendimento e mascarar que a usina, anunciada à população local como angolana, é na verdade brasileira.

Como punição pelos atos, a Procuradoria pede que a Odebrecht seja multada caso mantenha práticas ilícitas, indenize os trabalhadores afetados em R$ 500 milhões e deixe de receber empréstimos de bancos públicos. A ação pede ainda que a companhia pague multa no valor de 0,1% a 20% do seu faturamento anual.

Segundo o MPT, o caso requer “uma punição absolutamente exemplar”, para que a companhia não se sinta encorajada “a repetir as mesmas condutas no futuro”.

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/06/140616_mp_denuncia_odebrecht_jf.shtml

Considerações sobre a repressão em torno dos midialivristas e midiativistas

midia livre

Por Fernando Monteiro

Em primeiro lugar é bom destacar que essas nova formas de fazer circular informação romperam com longos anos de monopólio, seja por parte das mídias corporativas ou por parte da academia. São duas formas diferentes de um mesmo monopólio: uma da informação factual e que diz ser imparcial (nunca o é), outra de informações que constroem o que costumamos chamar de “saber”. Para ambos os casos os coletivos e indivíduos que se dedicam ao midialivrismo/midiativismo vem rompendo com a ordem atual. Sabemos bem que o modo de produção no qual estamos inseridos e do qual emana a ordem das coisas costuma lidar de diferentes formas com novas atividades produtivas que venham a ameaçar aqueles que controlam o fluxo de capital (neste caso de informação), uma é a repressão violenta, a outra é a cooptação ativa.

Temos acompanhado essas duas formas de lidar com o fenômeno. Nos últimos dias a prisão de alguns midialivristas no Rio de Janeiro acendeu o sinal amarelo para todos que lidam com a circulação da informação por esses tempos estranhos. O ataque a todos que portam câmeras em manifestações, a intimação para depoimentos de administradores de páginas e blogs que tem uma clara intenção de intimidar e gerar medo vem sendo um expediente empregado desde o ano passado. Essa é a repressão comum que se faz através do uso da violência do Estado, outro monopólio. Há ainda a cooptação sutil da forma de atuação das mídias livres. Gente como Fora do Eixo/mídia ninja parece ser ponta de lança dessa tendência. Contudo, há também a ação das grandes corporações. Lembro-me bem do 7 de setembro do ano passado quando uma repórter da globo news transmitia via live stream do meio de uma passeata da Rio Branco sem ser importunada pelos manifestantes, como é de praxe acontecer com os funcionários dessa emissora. Essa é a cooptação da forma de atuação, a atualização das práticas e a absorção das formas de produzir. Esse tipo de ação, porém, não passa despercebida, os discursos construídos e a forma como a informação é veiculada e disseminada fazem toda a diferença para que a mídia seja livre de fato. Não é questão de imparcialidade, pois ela não existe, é questão de deixar claro de que lado se está.

Enfim, teremos mais prisões, mais repressão violenta nas ruas, mais cooptação sutil e estabanada, resta que sigamos atentos e organizados, descentralizados, porém articulados, pois essa é a nossa força: capilaridade em conta gotas, horizontalidade e uma enorme capacidade de fazer a informação girar nas redes a partir de nossa própria ação direta.

FONTE: http://daslutas.wordpress.com/2014/06/17/consideracoes-sobre-a-repressao-em-torno-dos-midialivristas-e-midiativistas/

“A copa 2014: de que estamos falando?”

Imagem Sandra artigo

Por  Sandra Quintela, do PACS e rede Jubileu Sul.

Pelas regras da Fifa, se esse artigo fosse uma mercadoria, eu deveria pagar royalties pela patente em usar a palavra Copa 2014. Isso mesmo. A Fifa patenteou as marcas  FIFA, COPA DO MUNDO, COPA 2014, BRASIL 2014 e o nome de todas as cidades-sede seguido de 2014, entre outras marcas. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), atualmente a Fifa possui 1.116 marcas registradas no Brasil.

Além disso, o artigo 11 da Lei Geral da Copa estabelece que os estádios que sediarão os jogos do mundial no Brasil deverão possuir uma “área de exclusividade” cujos limites serão “tempestivamente estabelecidos pela autoridade competente, considerados os requerimentos da FIFA ou de terceiros por ela indicados, (…) observado o perímetro máximo de 2 km ao redor dos referidos Locais Oficiais de Competição”.  Ou seja, na área de 2 km de raio em torno dos estádios, todos os comerciante  e moradores deverão ser cadastrados.  O comercio interrompido antes e depois dos jogos. Além da proibição do trabalho de vendedores ambulantes nos dias do jogo próximo as arenas.

Esses dois exemplos, talvez pequenos diante de tanta ingerência de uma empresa privada, que é a Fifa,  sobre a soberania de um país são coisas que vem inquietando amplos setores da sociedade brasileira nos protestos sobre várias questões, mas, que no símbolo da Copa, encontraram um ponto de convergência.

Também há muita confusão nisso tudo. Para alguns, principalmente os setores ligados ao governo, criticar a Copa é fazer o jogo da oposição em um ano eleitoral. Para outros, da velha elite conservadora e neoliberal, o momento é propicio para criticar, de preferência desde Miami, a desgraça que é o Brasil, um país ainda pouco aberto aos mercados, segundo dizem.

Há também aqueles que compreensivelmente vem se manifestando durante todo o período dos governos do PT por moradia, por educação e saúde publicas, por mobilidade urbana etc.

E há as organizações, movimentos e comunidades impactadas pelas obras do mundial que começaram a  se organizar em fins de 2010 em vistas a denunciar os impactos da Copa sobre os territórios mais frágeis, como o população de rua, ou que perderam sua moradia (250 mil pessoas nas 12 cidades sede), sobre os trabalhadores ambulantes, enfim, grupos que estão absolutamente à margem dos movimentos sociais mais tradicionais. Juntos, os doze Comitês Populares da Copa formam a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, ANCOP.

Então, excluindo o oportunismo da velha direita, temos: de um lado a Fifa com todo o aparato privatista avalizado pelo governo federal; e de outro as mobilizações de todo tipo que não param de crescer.

Vai ter Copa? Vai!  O Brasil hoje teria investido mais em saúde, educação, transporte publico etc se não fosse a Copa? Não. E por que não? Porque a Copa é mais um sintoma do que uma causa das desigualdades no Brasil. Porque o modelo de desenvolvimento em curso no Brasil e em vários países da América Latina estabelece como prioridade, de um lado, megaempreendimentos econômicos centrados na exportação de commodities agrícolas e minerais. E de outro politicas sociais que são dirigidas às populações mais empobrecidas, como Bolsa família e outros programas similares em toda a região que, mesmo sendo importantes, são insuficientes para a superação das desigualdades estruturais da região. Hoje, segundo dados do Banco Mundial,  1 em cada 4 famílias na América Latina é beneficiaria de programas desse tipo “compensatório.”

Territórios inteiros dos povos tradicionais de nossa América estão sendo varridos pelo avanço das transnacionais e seus negócios. Financiados, em geral, pelo Estado que garante a infraestrutura, isenta os impostos, flexibiliza as leis de proteção ambiental e trabalhista. Mega eventos como a Copa tem sido usados como aceleradores dessas intervenções no processo de privatização de nossas cidades. Facilita-se a elitização, a cidade como instrumento nas mãos das empreiteiras e a consequente especulação imobiliária. Esse modelo vai abrindo fronteiras casa vez mais distantes do centro das cidades e criando um modo de viver dependente de veículos para locomoção, criando um estilo de vida cada vez mais fechado em condomínios e cada vez menos na rua, na vida callejera.

Assim, as vésperas da Copa não podemos absolutamente cair no  discurso oportunista muito utilizado agora pela grande mídia. Muitos dos que hoje no Brasil falam de corrupção, uso excessivo de recursos públicos etc, decorrentes da Copa, são e sempre foram cúmplices e até mesmo protagonistas desse esquema. Nunca se importaram com a privatização fraudulenta de empresas públicas, nem com a subordinação econômica gerada pelos mecanismos que abocanham metade do orçamento público para os cofres dos banqueiros privados nacionais e estrangeiros. E hoje, cinicamente, se dizem guardiões da moral e dos bons costumes políticos.

O que nós criticamos na Copa é o modelo de desenvolvimento capitalista, materializado na realização deste evento. O agronegócios e a Copa, portanto, são verso e reverso de uma mesma moeda: a privatização da vida, das cidades, das florestas.

Não é por acaso que na última semana de maio, mais de 100 etnias indígenas protestaram em Brasília junto ao Comitê Popular da Copa de lá . As populações indígenas entenderam perfeitamente a ligação entre o retrocesso no processo de demarcação de suas terras, ameaçadas pelo agronegócio e a mega-mineração, com o que está acontecendo nas cidades sede da Copa.

Nossa crítica à Copa é a mesma crítica que fazemos a um Estado a serviço do capital. Um Estado que abdicou de realizar políticas universais e centra cada vez mais a sua ação em focos específicos deixando de lado a totalidade no entendimento dos problemas a serem enfrentados em países como os nossos.

Por isso, a pergunta do inicio desse artigo: quando falamos de Copa, estamos falando de quê mesmo?

FONTE: http://www.pacs.org.br/2014/06/03/a-copa-2014-de-que-estamos-falando-confira-o-artigo-de-sandra-quintela-do-pacs/