Vozes do Açu (1): Adeilson Toledo fala do drama da sua família que luta na justiça para reaver propriedade desapropriada pela CODIN

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A partir de hoje estarei postando uma série de depoimentos de agricultores que tiveram suas terras expropriadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin) no V Distrito de São João da Barra para entregá-las para o Grupo EBX do ex-bilionário Eike Batista. 

Às vésperas da desapropriação completar 10 meses, já que foi realizada no dia 01 de Agosto de 2013, justamente no dia em que faleceu o Sr. José Irineu Toledo (Aqui!), estive com seu filho Adeilson Toledo na entrada da propriedade da família que foi tomada pela Codin, e que hoje que se encontra completamente improdutiva, e depois gravei o depoimento que vai abaixo. 

A razão alegada para essa desapropriação foi a construção do natimorto Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB), e mais especificamente a instalação de uma torre de transmissão de energia para abastecer o Porto do Açu. Mas pelo que eu vi, as peças da torre continuavam no local do mesmo jeito que vi nos dias que se seguiram à desapropriação. Do DISJB então ninguém mais fala, depois que a Ternium e a Wuhan desistiram de construir as siderúrgicas anunciadas aos quatros ventos por Eike.

Comte Bittencourt encontra problemas com firma que venceu licitação na FENORTE

O material abaixo foi publicada ontem na coluna que o jornalista Fernando Molica mantem no Jornal O DIA e o conteúdo é para lá de constrangedor para a FENORTE. Resta saber apenas sob qual presidente a mesma se deu. De toda forma, esse pode ser o prego que faltava para fechar o caixão. da FENORTE.

Licitação 1

A Quality Construções foi uma das vencedoras de licitação feita pela Fundação Estadual do Norte-Fluminense. Levou contrato de R$ 648 milhões.

Licitação 2

O deputado Comte Bittencourt (PPS) foi conferir o endereço da empresa, em Campos: descobriu que no local há apenas uma casa comum, nenhuma firma funciona por lá.

FONTE: http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-05-27/o-lucro-social.html

Mário Magalhães: Promessa descumprida sobre gastos com a Copa legitima protestos ainda mais

Por Mário Magalhães

Estádio Mané Garrincha, o mais caro da Copa (Foto: divulgação)Na “arena” do Distrito Federal, dinheiro público a rodo – Foto reprodução

A tabelinha dos meus solitários neurônios mais dispostos com os cabelos brancos de quem tem o que lembrar não me permite esquecer, e às vezes a memória mais incomoda do que conforta.

Na TV, volta e meia pontifica sobre as nebulosas da economia um consultor sabichão, antigo condutor da política econômica que resultou em mais de 80% de inflação, num só mês, em 1990. Sim, eu lembro.

Bem como não ignoro que na ditadura, tão pranteada por meia dúzia de viúvas inconsoláveis, a dívida externa galopou, a desigualdade se acentuou, e a inflação teve índices maquiados para aparentar que os preços estavam sob rédea curta. As viúvas formam no time de saudosistas que hoje encenam angústia com alegado descalabro inflacionário.

Não vivi, mas aprendi, que muitos daqueles que mais alardeiam preocupação com os rumos da Petrobrás são herdeiros dos senhores que, seis décadas atrás, descabelavam-se com a iminência da adoção do monopólio estatal do petróleo _o que não justifica a aparente gatunagem de quem, com mão grande criminosa, vem embolsando patrimônio público na empresa.

Eu me lembro muito bem que em 2007 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfileirou declarações, a respeito da organização da Copa do Mundo reivindicada pelo Brasil, na linha de “tudo será bancado pela iniciativa privada”.

O então ministro do Esporte, Orlando Silva, reiterou, também naquele ano: “Estádios de futebol, arenas, locais de competição, isso tudo pode ser feito com investimento privado”.

O ministro enfatizou: “O governo pensa em não destinar dinheiro público para a construção ou remodelação de estádios. Essa questão deve partir da iniciativa privada”.

Como se sabe, não partiu, e recursos dos contribuintes foram (e estão sendo) derramados em obras do Mundial, inclusive estádios como o Mané Garrincha e o Maracanã. Quem mais paga impostos no Brasil são, em proporção, os pobres.

Deve-se ao abismo entre a promessa original de gasto público zero com instalações da Copa e os bilhões despendidos mais tarde a impropriedade de comparar a opinião de ontem com a de hoje sobre a justeza de receber o Mundial.

Há sete anos, os brasileiros formaram juízo com base em parâmetros apresentados pelo governo. As pesquisas atestaram apoio majoritário à iniciativa de hospedar a Copa.

Agora, os parâmetros são outros, o que torna previsível maior equilíbrio entre os favoráveis e os opositores ao Mundial.

O contraste entre o antes e o depois é o que mais fragiliza o proselitismo contra os manifestantes que protestam contra a Copa ou contra as despesas públicas com a competição, no país pornograficamente desigual e sedento de serviços públicos decentes.

Se uma pessoa pensava assim e passou a pensar assado, é legítima a mudança. Mais legítima é se as garantias oferecidas no passado não se confirmam. No caso, as garantias de não torrar um só centavo do erário em obras como praças esportivas.

Ainda mais com a entrega de patrimônio do Estado para companhias particulares explorarem, como fez o governo do Rio com o Maracanã. Empreiteiras ganharam com a construção ou reforma paga pelos cidadãos e uma delas continua ganhando, ao assumir o estádio.

No Distrito Federal, a dinheirama pública esbanjada para erguer uma dita arena tem ao menos três estimativas: R$ 1,4 bilhão, R$ 1,6 bilhão e R$ 1,9 bilhão. Obra bilionária, feito o Maracanã, tudo às custas dos cofres públicos.

Outros ataques contra os militantes anti-Copa que me parecem desprovidos de mérito condenam os protestos porque eles seriam anacrônicos, por surgirem tardiamente.

Primeiro, como dito, a realidade frustrou as promessas. Segundo, o argumento equivale a desqualificar, por não ter ocorrido mais cedo, a massiva campanha que, em torno da bandeira das eleições diretas, batalhou pelo fim da ditadura em 1984.

Pior é criticar movimentos organizados como os de trabalhadores assalariados, de funcionários públicos e de brasileiros sem habitação por se “aproveitarem” da proximidade da Copa. Ora, ninguém é inocente de supor que no Brasil alguma conquista caia do céu. Quem não chora não mama, sobretudo os mais fracos, eis uma lição irrefutável da nossa história.

Como se não bastasse o descumprimento do prometido, os brasileiros testemunham abusos de hipocrisia. Membro do comitê organizador, o empresário Ronaldo Nazário se disse envergonhado com o atraso de obras. Ele não se envergonhou por ter sido nomeado ou indicado por Ricardo Teixeira. Nem por dinheiro público ser presenteado para a iniciativa privada, como no episódio da Odebrecht mimoseada com o Maracanã tinindo de novo. Nem pelo preço ofensivo dos ingressos que impedem garotos humildes como o Ronaldo surgido no São Cristóvão de assistir em loco não somente a partidas do Mundial, mas até a peladas do Campeonato Brasileiro. Muito menos pelos operários mortos ao construir estádios que seus filhos não poderão frequentar.

É ou não compreensível que tanta gente se sinta lograda?

Num cenário de expansão da intolerância no debate público, quando insultos substituem ideias, foi oportuna a reportagem na “Folha de S. Paulo” mostrando que o custo público da Copa fica muito aquém do que se reserva aos serviços públicos.

Do ponto de vista da legitimidade dos que se opõem ao Mundial, contudo, o desembolso poderia ser de um real. Não constitui escândalo advogar que a moeda seja encaminhada a uma escola e não a um estádio.

Em 2007, firmou-se um pacto entre governo e nação: enfim, vamos realizar a Copa dos sonhos, mas sem sacrificar quem já é muito sacrificado. O pacto foi rompido.

Talvez o que mais me tenha intrigado nesses anos tenha sido a recusa dos governos estaduais, municipais e sobretudo federal a explicar por que mudaram o paradigma. Parece que não têm o dever de prestar contas e se submeter ao escrutínio público.

Se separar algumas dezenas de bilhões para a Copa era o único meio de abrigá-la, gerando potencialmente desenvolvimento, renda, emprego, autoestima e outros benefícios, que se dissesse isso aos brasileiros, para que pudéssemos escolher.

Desde sempre simpatizei com a candidatura para a Copa, sem dinheiro público em estádios. No balanço sincero da história, mantenho-me a favor, mesmo com os gastos que ocorreram _descontando, é óbvio, as suspeitas de superfaturamento sob investigação.

Torço para que o Brasil promova o melhor Mundial possível e estou ansioso para que a bola role. Vai ter Copa, e a Copa pode ser futebolisticamente de primeira.

Mas é inadmissível demonizar quem julga erro sediá-la. E tem o direito democrático de desfraldar seus estandartes e ecoar suas palavras de ordem.

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2014/05/28/promessa-descumprida-sobre-gastos-com-a-copa-legitima-protestos-ainda-mais

Na UENF entre o sonho e o pesadelo, a raiz dos problemas é o autismo institucional da reitoria

Hoje no melhor estilo “Martin Luther King” amanheci querendo dizer que eu tive um sonho. Nesse sonho eu abria minha conta de correio eletrônico no servidor da UENF e todas as costumeiras dezenas de spams teriam sumido, e eu já podia novamente enviar e-mails para dezenas (ou seriam centenas?) de endereços para o qual não posso fazer por muito tempo. Nesse sonho também chegaria na UENF acessaria a rede wireless automaticamente, e a velocidade da rede seria 10 vezes superior ao que eu tenho em casa, e não o contrário.  Também teve uma parte nesse sonho para a interligação em rede daquelas fabulosas TVs de custo questionável e, sim, eu poderia finalmente assistir ao CANAL UENF que nos foi prometido pelos que venceram as eleições para a reitoria em 2011.
Bom, agora que eu acordei e a avassaladora realidade se impõe, eis que eu me ponho a perguntar porque os critérios para questionar as ações decididas democraticamente nas assembleias da ADUENF são tão duramente questionadas por próceres neste reitoria que, no entanto, não se dão ao trabalho para apresentar soluções para problemas básicos como os delineados no parágrafo acima. Um dos problemas é que o fenômeno que eu denomino de “autismo institucional” serve como um isolante da realidade, e tudo que acontece de ruim é jogada nas costas de um fictícia “oposição”. Aliás, tivesse essa universidade uma oposição real, muitas das coisas que hoje funcionam aquém do minimamente aceitável talvez já tivessem tido um tratamento compatível por parte de quem ganha gratificações para resolvê-las. Outro problema é que tem gente que acha que a UENF começou quando elas chegaram na instituição, e que tudo o que existiu antes sequer aconteceu. Ai temos o resultado que ai está, onde coisas que até funcionavam precariamente (mas funcionavam) agora estão no ponto da insolvência. E tudo isso é culpa da “oposição”, é claro!
No que tange aos encaminhamentos dados pelo Comando de Greve, ai se vê justamente a outra face, aquela onde aqueles que não dão respostas mínimas ao que são gratificados para fazer, aparecem para apontar o dedo acusador, sem se dar ao trabalho de sequer comparecer a uma mísera reunião ou de se engajar numa mísera atividade das muitas que estão sendo realizadas. E, pior, não se dão ao trabalho de sequer ler os múltiplos informes que são disponibilizados pelo Comando de Greve para informar o que está sendo feito para levar a cabo as decisões que são tomadas no fórum máximo do nosso sindicato que são as assembleias. Assim se em vez de aparecerem só naqueles dias em que pensam poderão votar o final da greve, essas pessoas se dessem ao trabalho de contribuir com a consolidação das ações coletivas, talvez entendessem um pouco qual é o significado do que está sendo feito.
Mas eu pessoalmente compartilho a opinião de muitos professores de que determinadas figuras estão aqui para implantar o lema do Abelardo Chacrinha Barbosa do “não vim aqui para explicar, mas para confundir”, creio que temos mais é que nos concentrar nas ações em que podemos nos inserir para aumentar a pressão sobre o (des) governo Pezão. Amanhã estará nos visitando  deputado Comte Bittencourt e na segunda, a deputada Janira Rocha. Ambos os deputados são nossos aliados dentro da Alerj e é importante recebê-los bem. Depois disso ainda teremos novas idas até o Rio de Janeiro para participar das negociações em curso na Alerj para garantir o máximo de ganho que possamos conseguir lá, especialmente no chamado Colégio de Líderes.
Finalmente, aos que acusam a ADUENF como eventual causadora de um ganho de 0% na atual greve, gostaria de lembrar que ao longo dos últimos anos incontáveis informes via a ASCOM de que a reitoria estava em negociações avançadas com o (des) governo do Rio de Janeiro para conseguir ganhos salariais. E agora eu pergunto: onde estão os frutos dessas promessas? Tomaram DORIL? Mas como bem disse um colega ontem…. devem ter tomado REITORIL! Aliás, além de REITORIL, devem ter tomado PROREITORIL, DIRETORIL e PREFEITORIL. Afinal, ganhos salariais que seria bom, o que a reitoria fez foi atrapalhar e dividir.
E deixe-me voltar ao webmail da UENF e deletar mais alguns SPAMs que devem ter se acumulado na minha caixa de entrada desde  momento que eu comecei a escrever esta singela postagem.

Dirigente do DCE/UENF explica rumos da ocupação estudantil e pressões feitas pela reitoria da UENF

O estudante de Engenharia Civil, Braullio Fontes, é uma das figuras mais destacas no processo de luta realizado pelo Diretório Central de Estudantes da UENF dentro da greve que ocorre na universidade. No vídeo abaixo, Braullio explica o que vem sendo feito pelo movimento de ocupação estudantil e da postura adotada pela reitoria da UENF em relação ao processo de luta adotado pelo DCE.

 

Promessas eleitorais aos professores que Sérgio Cabral esqueceu depois de eleito!

A internet é mesmo um lugar que derruba muita gente. No caso do ex-(des) governador do Rio de Janeiro, que agora se ouve não será mais candidato a senador, o pior é ter suas promessas eleitorais descumpridas desenterradas, justamente quando seu candidato, Luiz Fernando Pezão, patina nas pesquisas. Mas a imagem abaixo é um demonstração cabal de que não se pode confiar em Sérgio Cabral nem quando ele coloca sua assinatura no papel. Que o digam o alvo das promessas em questão, os sofridos professores da rede pública de ensino do estado do Rio de Janeiro!

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Lauro Jardim avisa que Sérgio Cabral está fora da disputa para o senado. Já Rodrigo Maia informa que não fará parte do funeral

Fora da disputa

Cabral e Pezão: unidos

O martelo está quase batido – ou melhor, está batido, mas em política é prudente sempre não ser assertivo demais: Sérgio Cabral não será candidato ao Senado.

O que desde o final de semana está sendo negociado na sucessão do Rio de Janeiro, em dezenas de reuniões e telefonemas, é:

1)Cabral abre mão de disputar o Senado em favor de Ronaldo Cesar Coelho, do PSD. Assim, integra-se o partido de Gilberto Kassab à chapa majoritária de Luiz Fernando Pezão.

2)Cesar Maia desiste de sua candidatura ao governo pelo DEM e apoiará Pezão para o governo. O partido se integrará à coligação liderada pelo PMDB. O DEM deve ganhar uma suplência para o Senado.

3)o PDT indica o vice de Pezão.

Ao menos isso é o que está sendo selado. E com o o.k. de Cabral. Mais do que o o.k.: Cabral está comandando a articulação, secundado por Pezão e Eduardo Paes.

A todos interlocutores Cabral tem ressaltado que o fundamental para ele é a vitória de Pezão, por isso abre mão de concorrer ao Senado.

(Atualização, às 17h01: Rodrigo Maia entra em contato para negar que o DEM retirará a candidatura de Cesar Maia: “Não há nenhuma hipótese de apoiarmos o PMDB do Rio. Cabral não será candidato mas não queremos estar juntos neste funeral”)

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2014/sergio-cabral-desiste-de-ser-candidato-ao-senado/

Um professor protagoniza a surpresa eleitoral na Espanha

Pablo Iglesias aplicou seus estudos de comunicação à ação política

LUIS GÓMEZ 

O professor universitário Pablo Iglesias. / SAMUEL SÁNCHEZ

Poderia ser dito que Pablo Iglesias Turrión (35 anos) é de esquerda antes mesmo de nascer se você escutar a sua mãe María Luisa: “Meu filho foi criado da melhor maneira possível de frente à sua classe, seu povo, sua gente e sua pátria”. Dito isto, a conjunção de nome e sobrenome também não é casual: chama-se Pablo Iglesias, em homenagem ao fundador do socialismo espanhol. “Exatamente”, diz María Luisa, “como se alguém se chamasse Manuel e levasse o sobrenome Rodríguez, simplesmente por uma homenagem ao revolucionário chileno da letra de Mercedes Sosa”. E, se ainda restar alguma dúvida, María Luisa é capaz de destrinchar a árvore genealógica familiar “onde há lutadores em pró da classe operária desde o século XIX”, e menciona deputados, condenados a morte por ideias políticas, juízes e militares republicanos. Nesse ambiente de alta voltagem política nasceu, cresceu e foi criado Pablo.

“E além disso, em Vallecas” (um bairro proletário de Madri), sentencia sua mãe, advogada trabalhista.

Seu currículo desenha uma biografia clara em uma só direção, para a esquerda: filho único, bom estudante, iniciou a militância aos 14 anos na Juventude Comunista, que depois compartilhou com seus estudos universitários em Ciências Políticas, onde obteve licenciaturas e doutorados com um trajeto pela Itália, Suíça, México e Estados Unidos que o levou a participar de movimentos antiglobalização e de resistência civil. Uma versão reduzida de sua tese de doutorado se intitula Desobedientes, ele estuda o fenômeno zapatista, escreve sobre cinema e política, participa e funda associações como a Juventude sem Futuro, Promotora do Pensamento Crítico, Asociação contra o poder… Com esses antecedentes e essa trajetória (sua parceira é uma deputada da IU  – Esquerda Unida –  na assembleia de Madri), Pablo Iglesias poderia ter sido um teórico da esquerda, um professor de barba e traje de veludo cotelê, destinado a se mover em círculos acadêmicos. Definitivamente um homem afastado da rua.

No entanto, terminou por ser um especialista em comunicação política, um personagem midiático e, desde o domingo, um político com sucesso (1.240.000 votos e cinco deputados em um partido de quatro meses de idade). Sem ser um homem de simpatia arrojada, conseguiu se ligar a um público numeroso. Mas quem pensar que Iglesias é um produto convencional da televisão, pode estar equivocado.

Porque a sua relação com a TV não é um fato casual. É intencionado e estratégico. “Trabalhamos para experimentar na comunicação política a partir do principal espaço de socialização política que é a televisão”, explica. “Tudo o que aprendia na La Tuerka (programa que ele apresenta em um canal espanhol) aplicamos na televisão”. La Tuerka é um programa de televisão, assim como o Fort Apache, programas que Pablo Iglesias e seus colaboradores (professores e alunos de Política na Universidade Complutense) divulgam pela internet ou de canais de TDT como o Canal K e o Canal 33. Nesses espaços de audiências aparentemente marginais, Iglesias se formou como apresentador, como entrevistador e como homem da televisão. Um homem que denuncia, é verdade, mas treinado para falar cara a cara com a audiência. E com uma mensagem sem fissuras. Seu salto para a televisão generalista foi um sucesso desde o princípio: podia se envolver, podia debater, funcionava diante à câmera, podia se meter em programas de ideologia oposta, mas jamais perdia a compostura: um homem de ideias radicais com luvas de seda.

A televisão e as redes sociais fizeram o resto, deu rosto e olhos a uma voz da esquerda, a um homem tranquilo com uma mensagem dura, dirigido aos deserdados, às vítimas da crise econômica e às classes médias que têm empobrecido. Iglesias se expressa sem rodeios, chama de casta os políticos dos grandes partidos, denomina de “regime do 78” a transição, lembra aos avós que defenderam a República há 80 anos e critica aos “milionários com pulseiras com cores da bandeira da Espanha” (usadas pelos conservadores). E quando fala para a sua militância na rua, pede um aplauso para os membros das forças de segurança “que estão desejando receber a ordem de algemar um banqueiro corrupto”. Em seus comícios entoa o “Não passarão” e velhas canções da guerra civil. Há um aroma de esquerda profunda, de comunismo renascido, de velhas proclamações e punhos levantados. Mas Iglesias não levanta o punho, Iglesias aplaude seu público.

As acusações de supostos financiamentos procedentes da Venezuela e Irã não estragam o ápice de sua campanha. Iglesias não se esconde delas: ameaça com discórdia sem se exaltar. Mão de ferro, luva de seda.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/05/26/internacional/1401137845_746793.html

“Nunca antes na história deste país se atacou tanto áreas protegidas como agora”

ecoturismo-sustentabilidade.com

“No Congresso Nacional há propostas que, se forem aprovadas, podem afetar mais 2 milhões de hectares só na região amazônica”, adverte o biólogo Enrico Bernard, da UFPE

 

Do IHU Online

“Durante um longo período, de 1981 até recentemente, o governo brasileiro respeitava os limites das unidades de conservação nacionais. Agora, em função de uma visão extremamente desenvolvimentista, essas áreas protegidas passaram a ser vistas como um empecilho, como um estorvo, e a solução é: se está atrapalhando, desfaz”. A crítica é de Enrico Bernard, professor da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e um dos autores da pesquisa Redução, Declassificação e Reclassificação de Unidades de Conservação no Brasil, que aponta um resultado “alarmante” em relação à perda de unidades de conservação no país. De acordo com o pesquisador, é espantoso verificar que, entre a década de 1980 e os anos 2000, houve pontos isolados de redução das unidades de conservação. Entretanto, as ações realizadas nos últimos anos são responsáveis por quase toda a perda de 5,2 milhões de hectares das unidades.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Bernard explica que dez fatores, entre os quais o agronegócio, o turismo, a especulação imobiliária, a construção de hidrelétricas e a geração de energia, são responsáveis pelo diagnóstico apresentado.

Segundo ele, depois da publicação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, no ano 2000, várias unidades de conservação foram reclassificadas, mas a situação piorou oito anos depois. “A situação, no entanto, mudou de figura a partir de 2008, quando observamos um grande ciclo novo de alteração de limites, de redução e de declassificação das áreas. Esse pico de 2008 não é à toa. Em 2007, a Empresa de Pesquisas Energéticas – EPE, ligada ao Ministério de Minas e Energia, publicou um documento que se chama Matriz Energética 2030, no qual diz claramente que, para atender à demanda energética do Brasil até 2030, todos os grandes rios da Amazônia terão de ser barrados. No ano seguinte, em 2008, começamos a ver eventos de alteração de limites das unidades de conservação da Amazônia. Então, o que motivou essa alteração a partir de 2008 está muito relacionado com a geração e transmissão de eletricidade”. 

O pesquisador frisa que mais de 70% da área perdida estava localizada na Região Amazônica, onde se concentram as maiores unidades de conservação. “Algumas unidades estaduais simplesmente desapareceram. Rondônia é um estado que tem um problema sério, porque algumas unidades de conservação de Rondônia primeiro foram reduzidas e depois simplesmente desapareceram”. E dispara: “O que o Brasil está fazendo é um tiro no pé, porque o país depende muito da geração hidrelétrica, e vários dos rios que abastecem essas hidrelétricas passam por dentro ou têm suas nascentes nas unidades de conservação. Então, acabar com os parques e reservas pode comprometer até a geração de eletricidade do Brasil”.

Enrico Bernard é graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo – USP, mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e doutor em Biologia pela York University, Canadá. É responsável pelo Laboratório de Ciência Aplicada à Conservação da Biodiversidade e professor de Biologia da Conservação no Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.

Para ler a entrevista completa basta clicar Aqui!

Reuters: Esquerda grega declara “vitória histórica” contra políticas de austeridade

ATENAS (Reuters) – O líder da oposição grega de extrema-esquerda Alexis Tsipras declarou vitória sobre As políticas de austeridade do governo, nesta segunda-feira, depois que os resultados das eleições para o Parlamento Europeu apontaram seu partido, que é contra os planos de regaste, como vencedor.

A vitória do partido Syriza marca a primeira vez que uma legenda da esquerda radical vence uma eleição em nível nacional na Grécia moderna, ainda que tenha ficado aquém dos 5 pontos percentuais de margem de vitória, que poderiam sacudir o frágil governo de coalizão.

“Esta é uma vitória histórica”, disse Tsipras, líder do Syriza, a uma multidão nas primeiras horas desta segunda-feira. “Hoje, toda a Europa está falando da Grécia, que condenou a austeridade”.

Em toda a União Europeia os partidos de extrema direita e esquerda que são contra o bloco europeu obtiveram ganhos significativos nas eleições. Suas pontuações foram amplificadas por um baixo comparecimento às urnas.

Com 95 por cento dos votos contados na Grécia, o Syriza estava com 26,5 por cento, à frente dos conservadores da Nova Democracia, do primeiro-ministro Antonis Samaras, que conseguiram 22,8 por cento, segundo informações oficiais.

O partido também ganhou as eleições para governador da região metropolitana de Atenas, que abriga cerca de um terço da população, conseguindo uma nova vitória nas eleições locais realizadas simultaneamente.

A votação de domingo foi vista como um teste decisivo sobre o apoio a Samaras, cujo governo impôs cortes salariais e de aposentadorias, a pedido dos credores da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, que financiam a Grécia desde que ele assumiu o poder em 2012.

FONTE: http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN0E619320140526