Uma crise hídrica floresce nas águas do Paraíba do Sul e ameaça o abastecimento em Campos

rps verdeÁguas do Rio Paraíba do Sul com tom esverdeado dão pista sobre as causas da crise em curso

Mesmo distante de Campos dos Goytacazes, continuo acompanhando o que está se transformando em um episódio modelo da crise hídrica que está sendo construída há décadas na bacia do Rio Paraíba do Sul e muitos de suas afluentes.  Ao contrário das tentativas de minimizar o problema, quero lembrar que esta época do ano é extremamente propício para o crescimento de algas em rios altamente antropizados como é o caso do Paraíba do Sul. E com elas a liberação de toxinas que podem ser altamente prejudiciais à saúde humana.

Um problema adicional é a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) não apenas no Rio Paraíba do Sul, mas também em alguns de seus afluentes.  Nesse sentido, fiz uma inspeção visual rápida na bacia do Rio Pomba a partir do município homônimo até o encontro com o Rio Paraíba do Sul e detectei a presença de 6 PCHs, algumas com reservatórios de tamanho razoável e capazes de se tornarem ambientes altamente propícios para alta reprodução de algas com capacidade de emitirem toxinas (ver imagem abaixo da área do reservatório da PCH Ivan Botelho 3 com suas águas esverdeadas).

pcv ivan botelho 3

A questão é que ao ter suas águas fluindo para o interior do Paraíba do Sul, que atualmente possui características propícias para a proliferação de algas, o Rio Pomba eleva o nível de ameaça que já deveria ter alertado tanto as concessionárias de água e esgoto como a Águas do Paraíba e CEDAE, mas também órgãos ambientais como o INEA e o IBAMA.

Quero ainda lembrar a existência do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap) e também do  Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana que tem como objetivo promover a gestão descentralizada e participativa dos recursos hídricos da Região Hidrográfica IX que abrange inclusive o citado Rio Pomba. O problema é que até agora, em meio à eminência de uma crise hídrica que ameaça a continuidade do abastecimento de água em Campos dos Goytacazes, não há sinal de vida por parte dos representantes do Comitê Baixo Paraíba do Sul. Esse tipo de inação levanta questões importantes sobre a utilidade real deste tipo de comitê, pois os comitês de bacia possuem recursos financeirosvindos principalmente das cobranças pelo uso da água, que são mais do que suficientes para operarem em prol dos interesses da população,

Mas uma coisa é certa: os problemas que têm sido notados pela população campista em termos de odor e sabor da água que chega nas torneiras são apenas sintomas de uma crise que pode estar apenas começando. Como li que os pesquisadores do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf já estão coletando amostras  para ir ao cerne da questão, é bem provável que tenhamos mais respostas sobre o que de fato está acontecendo.

Divulgação do livro “Terra arrasada: desmonte ambiental e violação de direitos no Brasil”

terra arrasada

Aproveito deste espaço para divulgar o livro “Terra arrasada: desmonte ambiental e violação de direitos no Brasil”, que foi  organizado pelas professoras Felisa Anaya, Débora Brons e Sônia Magalhães. Os pesquisadores envolvidos na construção desta obra partiram da necessidade de espacializar os processos socioeconômicos envolvidos na mineração e no garimpo na Amazônia Legal no período recente, e apresentam esta obra como resultado parcial desse esforço de pesquisa. Aqui, o leitor encontrará, em um primeiro momento, os principais objetos técnicos que servem a infraestrutura para o processo de produção e circulação dessas atividades, instaladas ou em vias de instalação na região.

Estruturas como portos, ferrovias, minerodutos e pistas de pouso servem para garantir a fluidez do processo e territórios de acumulação contemporâneo vinculados à lógica do neoextrativismo, na última década (2012-2022).

Os pesquisadores também mapearam as principais minas instaladas e as empresas que as (des)organizam. As substâncias minerais e seus principais destinos também foram foco da investigação para entender a mineração na Amazônia. Tudo isso acompanhado pelo levantamento de seus valores para a exportação.

Convido a todos à leitura dos resultados dessa pesquisa, lembrando que seus autores desejam que ela se converta em instrumento, não só de localização, mas também de transformação das realidades mineradas nessas porções setentrionais do Brasil. 

Para baixar este livro em sua íntegra, basta clicar [Aqui!].

O apoio a Kamala Harris revela a indigência teórica da esquerda identitária brasileira

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Como alguém que passou cerca de 7 anos vivendo nos EUA e acompanhando os enfrentamentos eleitorais entre republicanos e democratas, não posso deixar de explicitar minha inconformidade e angústia com o apoio de segmentos da esquerda brasileira, especialmente aquela que se pretende pós-PT e pós-marxista, à candidatura da vice-presidente Kamala Harris para enfrentar Donald Trump nas eleições presidenciais que ocorrerão em Novembro.

O apelo para estes segmentos é de que Harris é mulher e negra, como se isso fosse algum tipo de selo de garantia de que irá operar na defesa das mulheres e dos negros, ou que representará uma solução menos danosa do que a de Donald Trump quando se tratar dos interesses dos trabalhadores brasileiros.

Bastaria analisar o nível de aderência da vice-presidente de Joseph Biden ao programa do Partido Democrata para se concluir que as diferenças, ainda que existentes, entre ela e Trump não podem ser justificativas para uma adesão eleitoral (aliás, como se isso fizesse alguma diferença para os eleitores dos EUA). 

Como disse uma vez a uma jovem ativista democrata que não entendia meu ceticismo com a eleição de Barack Obama, para nós que vivemos nos países de capital dependente do sul global, escolher entre democratas e republicanos é um exercício inútil, pois as políticas externas dos dois partidos são quase uma cópia perfeita do outra. É uma mistura de tiro, porrada e bomba, sempre que os interesses estratégicos (e mesmo táticos) dos EUA parecem que estão em risco.

O caso da guerra de extermínio que Israel está promovendo em Gaza neste momento é um belo exemplo de como no frigir dos ovos, democratas e republicanos não possuem qualquer diferença substancial, pois o que conta mesmo é manter as estruturas de sustentação que os EUA criaram após o final da segunda guerra mundial.

Desta forma, me parece claro que qualquer declaração de apoio (indepedente do nível de entusiasmo) a uma candidata do perfil de Kamala Harris explicita o nível de indigência teórica em que a esquerda com viés identitário se encontra. A única coisa útil que eu vejo nessa situação é saber o tamanho do problema em que nos encontramos para consolidar uma alternativa de esquerda que esteja à altura das tarefas históricas que o atual momento histórico nos impõe.

As decisões políticas, as salsichas e o tratamento da água

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Por Douglas Barreto da Mata

Diz um antigo ditado que se o povo soubesse como são feitas as salsichas e como são tomadas certas decisões políticas, o mundo entraria em convulsão. Pois bem, eu adiciono mais um item: o tratamento de água e esgoto executado pelas empresas concessionárias do país.

Os economistas, historiadores, cientistas sociais e políticos mais atentos sabem que os serviços concedidos (água, esgoto, transporte, estradas, equipamentos de infraestrutura, etc) são a última fronteira a ser atacada pelos fundos de investimentos, os fundos predadores ou fundos urubus.

Na ausência de mais riquezas para transferir para as suas matrizes, depois de exaurir as economias da periferia com a imposição de altas taxas de arbitragem ao capital que emprestam (juros), ao mesmo tempo que criam as condições para que haja demanda por tais empréstimos (variação cambial, ataques especulativos, e etc), estes fundos atacam os serviços concedidos.

É o caso da ENEL, da Arteris, e de todos os conglomerados financeiros que adquiram outras fatias das estruturas primordiais de nossa economia, como a Eletrobrás, portos e aeroportos, enfim, tudo que faz um país se movimentar.

Na cidade de Campos dos Goytacazes, bem como em tantas outras ao redor do país, atua a empresa do grupo Águas do Brasil. Aqui denominada Águas do Parahyba, o grupo é conhecido por duas características que são comuns a todos os serviços concedidos: Péssimo serviço e tarifas que beiram a extorsão. Mas há um outro ingrediente nessa receita.

A total e completa falta de transparência, que acontece sob o beneplácito do ente que deveria fiscalizar e exigir essa circunstância.

A Câmara Municipal de Vereadores de Campos dos Goytacazes permite que a empresa Águas do Parahyba faça da cidade a sua “casa da mãe Joana”.

Por exemplo, a prestação de contas e a exibição das planilhas de custo e investimentos exigidas no contrato está há anos sem aparecer, e alguns gaiatos passaram a chamar essas informações de “cabeça de bacalhau”, existe, mas raramente se vê.

É com essas informações que se elabora a tarifa, os níveis de satisfação, a previsão vinculante (obrigatória) de investimentos, a descrição dos custos e investimentos já realizados, enfim, é nesse monte de dados que a população sabe, dentre outras coisas, se o contrato está sendo cumprido, e se o preço é correto.

Isto tudo não é um “favor” da empresa, é obrigação legal, já que o contrato de adesão já traz em si uma dose elevada de cláusulas que não podemos alterar.

Ou seja, neste modelo de contrato não há discussão entre as partes contratantes, nem possibilidade de usarmos outro fornecedor.

Quando uma das partes não pode debater as condições do que está contratando, e por tal razão, não pode escolher, nem dizer se aceita aquela forma de contrato, que por isso, é uma imposição (“adesão”) , criam-se regras para que o poder público aja em nome do contratante, a população.

O ente escolhido para avaliar, fiscalizar e encerrar (denunciar) o contrato é a Casa Legislativa, sem a qual, pouco pode fazer o Poder Executivo, além de judicializar os problemas, como tem feito, ultimamente.

Aí, entra outra questão. A julgar pelo sucesso dos advogados da empresa junto ao TJ/RJ e até ao STJ e STF, eu diria que todos deveriam ser indicados para tomarem assentos como desembargadores e ministros, haja vista tanta competência. Se eu fosse Governador, ou Presidente da República, na dúvida sobre quem indicar, não hesitaria mais: um advogado da empresa Águas do Brasil.

Não há, na história da advocacia brasileira, nenhum caso de tamanha taxa de vitórias em cortes superiores como este, dos advogados do grupo Águas.

Pois bem, como a falta de transparência é regra, e não exceção nessa relação consumerista, não nos causa espanto que a água bebida pelos campistas pareça com cocô de paulista (outro ditado  antigo: orgulho de campista é beber cocô de paulista), pois como sabemos, o Rio Parahyba tem sua nascente em São Paulo.

Ontem os meios de comunicação divulgaram a contaminação de espécies de tubarão por cocaína, o que revela que a ausência de tratamento do esgoto lançado no mar, ou tratamento ineficiente. Agora é a água da cidade de Campos dos Goytacazes.

Meses atrás foi a contaminação do sistema Guandu, provavelmente, por empresas ligadas à cadeia do refino de petróleo. Novamente, ninguém sabe. E nunca saberemos, porque as empresas do setor não revelam seus “segredos”.

Fica só uma dúvida: Será que na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, e nas festas de veículos de imprensa patrocinados pela empresa Águas do Parahyba, serve-se água da torneira filtrada ou eles consomem água mineral envasada? 

Segunda-feira quebrou recorde de dia mais quente da Terra

sunsetO sol poente ilumina as nuvens sobre as Montanhas Rochosas após um terceiro dia consecutivo de calor recorde no domingo, 14 de julho de 2024, em Denver. (Foto AP/David Zalubowski)

Por Sibi Arasu e Seth Borenstein para a Associated Press 

Segunda-feira foi registrada como o dia mais quente do mundo, batendo o recorde estabelecido no dia anterior , enquanto países ao redor do mundo, do Japão à Bolívia e aos Estados Unidos, continuam sentindo o calor, de acordo com o serviço europeu de mudanças climáticas.

Dados provisórios de satélite publicados pela Copernicus na quarta-feira mostraram que segunda-feira quebrou o recorde do dia anterior em 0,06 graus Celsius.

Cientistas do clima dizem que o mundo está agora tão quente quanto era há 125.000 anos por causa da mudança climática causada pelo homem. Embora os cientistas não possam ter certeza de que segunda-feira foi o dia mais quente durante todo esse período, as temperaturas médias não eram tão altas desde muito antes de os humanos desenvolverem a agricultura.

O aumento da temperatura nas últimas décadas está de acordo com o que os cientistas do clima projetaram que aconteceria se os humanos continuassem queimando combustíveis fósseis em um ritmo crescente.

“Estamos em uma época em que os registros climáticos e meteorológicos são frequentemente esticados além dos nossos níveis de tolerância, resultando em perdas intransponíveis de vidas e meios de subsistência”, disse Roxy Mathew Koll, cientista climática do Instituto Indiano de Meteorologia Tropical.

Os dados preliminares do Copernicus mostram que a temperatura média global na segunda-feira foi de 17,15 graus Celsius, ou 62,87 graus Fahrenheit. O recorde anterior antes desta semana foi estabelecido há apenas um ano. Antes do ano passado, o dia mais quente registrado anteriormente foi em 2016, quando as temperaturas médias estavam em 16,8 graus Celsius, ou 62,24 graus Fahrenheit.

Embora 2024 tenha sido extremamente quente, o que deu o pontapé inicial nesta semana para um novo território foi um inverno antártico mais quente do que o normal, de acordo com Copernicus. A mesma coisa aconteceu no continente sul no ano passado, quando o recorde foi estabelecido no início de julho.

Os registros de Copérnico remontam a 1940, mas outras medições globais feitas pelos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido remontam a ainda mais, a 1880. Muitos cientistas, levando-os em consideração, juntamente com anéis de árvores e núcleos de gelo, dizem que os recordes de alta do ano passado foram os mais quentes que o planeta já esteve em cerca de 120.000 anos . Agora, os primeiros seis meses de 2024 empataram esses.

Sem as mudanças climáticas causadas pelo homem , os cientistas dizem que os recordes de temperaturas extremas não seriam quebrados com tanta frequência quanto está acontecendo nos últimos anos.

A ex-chefe de negociações climáticas da ONU, Christiana Figueres, disse que “todos nós seremos queimados e fritos” se o mundo não mudar imediatamente de rumo, “mas políticas nacionais direcionadas precisam permitir essa transformação”.

Cientistas disseram que era “extraordinário” que dias tão quentes tenham ocorrido em dois anos consecutivos, especialmente quando o aquecimento natural do El Niño no Oceano Pacífico central terminou no início deste ano . “Esta é mais uma ilustração de quanto o clima da Terra aqueceu”, disse Daniel Swain, um cientista climático da Universidade da Califórnia, Los Angeles.


Fonte: Associated Press

Água de torneira em Campos: o que há de errado?

água

Venho ao longo dos anos acompanhando a situação da distribuição da água na cidade de Campos dos Goytacazes, tendo inclusive orientado uma dissertação de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf que foi defendida no cada vez mais distante ano de 2012.

Por isso mesmo, recebi com certa incredulidade um telefone de uma colega que me narrou uma série de problemas que estariam afetando a condição da água que está sendo distribuída na cidade de Campos dos Goytacazes pela concessionária “Águas do Paraíba”. Segundo essa colega, os problemas estariam causando transtornos a que ingeriu uma água que estaria com alterações de odor e gosto. O principal sintoma dessas alterações seria o fato de que o produto servido aos campistas estaria com um “cheiro de terra molhada”. 

Imediatamente me ocorreu o fato de que o cheiro de terra molhada ou a chuva é um efeito que resulta da combinação de duas substâncias principais: o petricor e a geosmina. É preciso lembras que estas duas substãncias são componentes naturais do solo e das plantas que, quando entram em contato com a chuva, produzem uma série de reações das quais emerge o aroma único. Em função dessa evidência é que descartei uma versão que estaria circulando sobre um suposto acidente químico no Rio Pomba, afluente do Rio Paraíba do Sul.

Se o problema detectado pelos campistas tiver alguma relação com a presença de uma dessas substâncias, poderemos estar diante do mesmo problema que afetou o abastecimento da região metropolitana do Rio de Janeiro em 2021.

Há que se lembrar que apesar da presença de Geosmina não apresentar efetivamente um efeito tóxico ao organismo, pesquisadores já relataram que a água com gosto desagradável pode causar efeitos psicossomáticos (sintomas causados por alguma instabilidade emocional que vão gerar efeitos físicos no organismo) como dores de cabeça, estresse e náuseas.

Desta forma, o que se espera é que a ação dos órgãos de fiscalização da qualidade da água servida aos campistas seja rápida, e que se dê o devido retorno aos cidadãos campistas que estão neste momento justamente alarmados.

Quo vadis DCE UENF?

quo vadis

Estou ausente do campus Leonel Brizola cumprindo um período de recesso que julgo ser muito merecido, após um primeiro semestre de grande intensidade de atividades, tanto como docente do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais ou como chefe do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico.

Hoje tive a oportunidade de conversar com um colega que está em Campos dos Goytacazes, e acompanhando a situação envolvendo uma denúncia anônima de assédio sexual contra um estudante de graduação que teria ocorrido no centro em que eu trabalho, o de Ciências do Homem. 

Esse colega, sempre astuto, me compartilhou a sua perplexidade em torno não da denúncia em si, mas do silêncio cavernoso que vem sendo praticado pelos dirigentes do Diretório Central dos Estudantes da UENF. É que, como esse colega bem lembrou, essa questão deveria já ter tido uma ação pronta do DCE/UENF para exigir a apuração do caso, especialmente porque envolve supostamente uma discente do curso de Ciências Sociais, que, se de fato existir, deveria estar tendo seus direitos defendidos pelo sindicato dos estudanres de graduação.

Mas ao que parece que este caso não serviu para gerar uma cobrança do DCE/UENF em relação à reitora da UENF que, lembremos,  foi eleita com a bandeira do fortalecimento dos direitos das mulheres uenfianas. O que estará impedindo uma ação dos dirigentes do DCE cobrando explicações sobre este incidente foi a pergunta que meu astuto colega me fez.

E aí é que eu pergunto: Quo Vadis,  DCE/UENF?

Tubarões na costa brasileira testam positivo para cocaína, mostra estudo da Fiocruz

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O tubarão-de-nariz-afiado brasileiro é parente do tubarão-de-nariz-afiado do Atlântico (foto de arquivo de 2015)

Por George Wright para a BBC News

Cientistas dizem que tubarões na costa do Brasil testaram positivo para cocaína.

Biólogos marinhos testaram 13 tubarões-de-focinho-afiado brasileiros retirados da costa perto do Rio de Janeiro e descobriram que eles apresentavam altos níveis de cocaína em seus músculos e fígados.

As concentrações foram até 100 vezes maiores do que as relatadas anteriormente para outras criaturas aquáticas.

A pesquisa, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, é a primeira a constatar a presença de cocaína em tubarões.

Especialistas acreditam que a cocaína chega às águas por meio de laboratórios ilegais onde a droga é fabricada ou por meio de excrementos de usuários de drogas.

Pacotes de cocaína perdidos ou jogados no mar por traficantes também podem ser uma fonte, embora isso seja menos provável, dizem os pesquisadores.

Sara Novais, ecotoxicologista marinha do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade Politécnica de Leiria, disse à revista Science que as descobertas são “muito importantes e potencialmente preocupantes”.

Todas as mulheres no estudo estavam grávidas, mas as consequências da exposição à cocaína para os fetos são desconhecidas, dizem os especialistas.

Mais pesquisas são necessárias para verificar se a cocaína está alterando o comportamento dos tubarões.

No entanto, pesquisas anteriores mostraram que os medicamentos provavelmente têm efeitos semelhantes em animais e humanos.

No ano passado, compostos químicos incluindo benzoilecgonina, que é produzida pelo fígado após o uso de cocaína, foram encontrados em amostras de água do mar coletadas na costa sul da Inglaterra.


Fonte: BBC News

Afinal, o que Ouvidoria da UENF ouve?

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Nas últimas semana, a “Ouvidoria da UENF” ganhou grande publicidade em função de não ter sido usada para a realização de uma denúncia sobre um suposto caso de assédio sexual contra uma estudante de graduação do curso de Ciências Sociais.  A grande reclamação da reitora da Uenf na reunião do Conselho Univeristário contra quem postou uma espécie de dazibao na porta de um banheiro  próximo de seu gabinete era de que a pessoa deveria ter procurado a Ouvidoria da Uenf em vez de usar, digamos assim, a via chinesa.

Rodrigo da Silva on X: "Em chinês se chama dazibao (大字報) e significa  “jornal mural afixado na rua”. Durante a Revolução Cultural, essa era a  rede social. Os chineses usavam esses murais

Em chinês se chama dazibao (大字報) e significa “jornal mural afixado na rua”

Pois bem, resolvi procurar a página da Ouvidoria da Uenf para saber mais das atividades desse que seria o mecanismo preferencial de encaminhamento de denúncias de supostos malfeitos que ocorram dentro da Universidade Estadual do Norte Fluminense.  Uma primeira coisa que me chamou a atenção na busca pela página da Ouvidoria é que não é uma coisa muito fácil encontrá-la, pois a mesma está depositada dentro do Portal da Transparência da Uenf, sem que esteja apartentemente visível em outros acessos.

Passada a fase do encontrar onde está, passei a analisar o que está informado na página da Ouvidoria. Uma primeira coisa é que a mesma está defasada, pois os últimos relatórios depositados se referem ao ano de 2022. Além disso, o mesmo ocorrendo com o montante de atendimentos feitos pela Ouvidoria que teria recebido 45 reclamações em 2022 (contra 44 em 2021, 35 em 2020, e 47 em 2019).

Os relatórios estatísticos  assinados pelo ouvidor da Uenf se mostram particularmente bastante opacos, pois apenas apresentam porcentagens dos tipos de reclamação, sem que haja, por exemplo, maiores explicaçõessobre o que seriam as reclamações, as razões para terem arquivadas ou atendidas, ou as questões objetivas que foram reclamadas, na medida em que só foram apontados os itens gerais em que as mesmas foram classificadas.

Uma curiosidade nos quatro relatórios disponibilizados, em um total de 181 reclamações não foi apontado de forma explícita que alguma delas tenha se referido a casos de assédio (moral ou sexual). A única indicação é de que em 2 dos 4 quatro quadrimestres de 2022, as reclamações teriam sido feitas contra posturas de docentes, sem que fosse explicitado quais. Mas nada nos relatórios aponta que tenham sido casos de assédio. Assim, das duas uma, ou na Uenf inexistem casos de assédio ou os que eventualmente ocorreram no período relatado não foram denunciados. 

Por outro lado, a não ser que os relatórios da Ouvidoria da Uenf estejam depositados fora da sua página oficial, o que fica demonstrado é que a Uenf não possui efetivamente o que canal que tem sido propalado, abrindo a hipótese de que o universo de problemas suscetíveis a serem apurados sejam bem maiores do que aqueles que viram reclamações.  Aliás, quem é o atual ouvidor da Uenf e qual é a duração, digamos, do seu mandato?

Finalmente, um problema com uma ouvidoria aquém da demanda existente é exatamente abrir caminho para que os eventuais malfeitos apareçam por outros canais, goste a reitoria da Uenf ou não. E, sim, que a atual conformação desse canal não o torna a panacéia que se andou apregoando desde que a notícia do dazibao foi divulgada no apagar das luzes da última reunião do Conselho Universitário da Uenf.

Edição genética causa alterações genéticas não intencionais com implicações para a alimentação e a agricultura

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Por Sustainable Pulse

Um estudo publicado recentemente na Nature Genetics mostra que o uso de ‘tesouras genéticas’ CRISPR/Cas causa mudanças genéticas não intencionais que são diferentes de mutações aleatórias. De acordo com o estudo, grandes mudanças estruturais nos cromossomos ocorrem com muito mais frequência nas regiões genômicas visadas pelas ‘tesouras genéticas’ do que seria o caso de outra forma. Esses resultados também têm implicações para a avaliação de risco de plantas obtidas por nova engenharia genética (NGTs), relatou a TestBiotech .

De acordo com a Comissão da UE e a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), alterações genéticas não intencionais resultantes do uso de ‘tesouras genéticas’ CRISPR/Cas não são diferentes de mutações aleatórias. No entanto, um novo método de avaliação de dados mostra que essa suposição está errada.

O uso de CRISPR/Cas interrompe completamente a fita dupla de DNA, fazendo com que alguns cromossomos sejam temporariamente separados da seção principal. Na seção separada (distal), os cromossomos podem se reestruturar, sequências maiores de DNA podem ser perdidas (deleções), revertidas (inversões) ou inseridas no lugar errado (inserções).

Estudos em células humanas, animais e vegetais mostraram que essas reestruturações ocorrem. No entanto, o estudo publicado recentemente na Nature Genetics é o primeiro a usar grandes conjuntos de dados para demonstrar uma dependência estatisticamente altamente significativa da ocorrência dessas mudanças indesejadas no uso de ‘tesouras genéticas’. Um programa especial com inteligência artificial foi usado para avaliar as grandes quantidades de dados. Isso revelou que a localização e a frequência das mudanças genéticas não intencionais não podem de forma alguma ser equiparadas à ocorrência de mutações aleatórias.

Embora os conjuntos de dados sejam originários de células humanas projetadas com a ‘tesoura genética’, deve-se presumir que efeitos semelhantes também ocorrem em células animais e vegetais. No entanto, as consequências são diferentes: em humanos e animais, esses tipos de mudanças são particularmente associados ao risco de câncer. No que diz respeito às plantas, os riscos são diferentes e incluem principalmente, por exemplo, efeitos ambientais negativos e uma mudança na composição dos alimentos derivados dessas plantas.

O melhoramento também pode ser afetado: se as mudanças não intencionais passarem despercebidas, elas podem se acumular no material genético das plantas e, assim, prejudicar tanto a estabilidade genética de futuras variedades de plantas quanto sua adequação para uso na agricultura.


Fonte: Sustainable Pulse