A pergunta que Guilherme Boulos terá de responder: quanto vale Jerusalém?

jerusalém

Por Douglas Barreto da Mata 

Não é novidade para ninguém, que teve a paciência de conviver comigo, mais de perto, que eu sou um cinéfilo.  Entendo a essência do teatro, como real possibilidade do ator exercer seu ofício, mas sempre me apaixonou a 7ª arte, por sua complexidade construtiva, a necessidade de juntar um monte de gente e recursos para criação e narração de uma história.

Para mim, esse vetor principal do filme é a pergunta que Balian, o Barão de Ibelin (Orlando Bloom), faz a Saladin (Ghassan Massoud), às portas da muralha de Jerusalém, que estava prestes a ser dizimada pelos muçulmanos:  “Quanto vale Jerusalém?” Ao que Saladin responde: “Jerusalém vale tudo, Jerusalém vale nada”. 

Essa resposta, além de revelar a reconhecida sabedoria do líder islâmico, filosoficamente propõe, ali, naquele momento dramático, que as coisas valem o valor que damos por elas, e espicha um pouco mais o dilema, para perguntar também: o que somos capazes de fazer por aquilo que acreditamos?

Essa é a base de boa parte de nossas relações sociais, e…políticas. Motivação.

Uma lição, que deveria ser estudada com carinho pelos “petistas da feijoada”, de Campos dos Goytacazes, o pessoal do “sou PT, mas voto Feijó”, e que hoje se encastelou na campanha de Jefferson como cruzados em Jerusalém, mas sem a menor noção dos que os cerca, ao contrário do protagonista do filme.

No dia de hoje, a mídia nacional se debruça sobre a pergunta, que Guilherme Boulos terá que responder:  Quanto vale São Paulo?

Sim, estabilizado, momentaneamente, no topo das intenções de voto na corrida paulista, mas sem chance de resolver no primeiro turno, o cruzado terá que conversar com Ricardo Nunes, atual prefeito, candidato à reeleição, e apadrinhado por ninguém menos que Jair Messias Bolsonaro.

Nem vou mencionar a tragédia de um segundo turno com Pablo Marçal, porque, sabemos, a direita e sua parcela mais extremada vão convergir contra o cruzado Boulos.

Porém, se esse quadro atual se consolidar, o que farão Lula e Boulos? Há hipóteses. Jair Bolsonaro, apesar de se comportar como um imbecil, de imbecil nada tem.  É preciso não confundir o personagem com quem o interpreta. O ex-presidente sabe que existem chances reais de seu grupo não levar a prefeitura paulistana, o que mexe no tabuleiro de 2026, e etc.

Jair sabe da importância de SP, mas sabe que sem poder concorrer em 2026, seu grupo e seu capital políticos perigam minguar, inclusive com a chance de que outros aspirantes ao local que ele ocupa apareçam.

Ele já deu a entender que a “normalização” da tensão política, que é seu principal alimento, ameaça a diluição dos extremos no grande caldo de cultura e tesão nacional, o centro!  Baixou decreto ex-presidencial proibindo o PL de se coligar com os vermelhos nessas eleições.

Jair precisa de anistia ou, melhor e mais, precisa de um amplo acordo político e jurídico (como se os dois fossem coisas separadas, rs) para ser colocado de novo no páreo.  O cálculo dele, pode passar, eu imagino, por uma “liberação” de Nunes para negociar com Boulos, exigindo em troca que Lula trabalhe pelo consenso da sua anistia, seja lá com o argumento ele tenha que usar, já que nesse movimento, caberia a maior parte do prejuízo a Lula.

Lula, ele mesmo, já andou acenando com essa possibilidade, dizendo que o país precisa se pacificar, talvez, com a esperteza que só ele tem, a dos sobreviventes, de que teria que fazer essa jogada em algum tempo futuro, que parece ter chegado.  Quem olhar mais de perto vai poder perceber que o “afastamento” de Bolsonaro dos dois pólos da direita em São Paulo é mais que má vontade, porque Ricardo Salles não foi declarado candidato, como ele desejava.

É, em parte, isso, no entanto, é mais.  O truque está em se poupar do desgaste de explicar a sua base fiel de fanáticos que ele negociaria com Lula e Boulos, caso fosse um padrinho mais ativo de Nunes.  Novamente, Jair vai “terceirizar” o prejuízo da conversa a Nunes, e se duvidar, vai até fazer alguma declaração (combinada) contra a conversa Nunes/Boulos, enquanto negocia por trás.

É um aprendizado, como já disse, para o pessoal do PT, da feijoada campista.

No fim, a realidade se impõe sobre as idiossincrasias, o que é ótimo, aliás. Na verdade, tudo isso que escrevi pode não passar de mera especulação, e é, na medida que mesmo que haja estas conversas, raramente um dos atores envolvidos a confirmaria.

A questão de fundo, ou central é: a necessidade de ter essa conversa, e a possibilidade que ela exista, não nessa ordem.

O pessoal daqui tenta justificar suas posições com sofismas, do tipo, Wladimir é Bolsonaro, ao mesmo tempo que mentem ao dizer que não há diferenças entre o prefeito e a delegada, enquanto, ingenuamente, tentam esconder o fato de que agem a mando dos padrinhos da moça, como, como linha auxiliar da extrema-direita.

Agora, o líder maior, Lula, pode ter que conversar com seu arqui-inimigo, e inacreditavelmente, trabalhar para que ele volte ao cenário eleitoral.  Fica a dica:  Inimigo, ou você aniquila de vez, ou se prepara para negociar com ele.

Quanto vale Jerusalém? Quanto vale São Paulo? Quanto vale o PT de Campos?

Estudo alerta que mudanças climáticas podem estar causando incêndios extremos muito antes do previsto

FILE PHOTO: Flames reach upwards along the edge of a wildfire as seen from a Canadian Forces helicopter in Quebec

Emissões de incêndios florestais canadenses atingiram recorde em 2023

Por Dana Drugmand para o “The New Lede”

A temporada recorde de incêndios florestais no Canadá no ano passado foi diretamente ligada às mudanças climáticas causadas pelo homem, de acordo com um novo estudo, que alerta que a crise climática pode estar alimentando incêndios extremos décadas antes do esperado.

Esta é a maior avaliação específica da temporada de incêndios de 2023 no Canadá, que foi sem precedentes em seu escopo e intensidade, e se soma a um conjunto maior de evidências que mostram que as mudanças climáticas estão alimentando incêndios perigosos ao redor do mundo em um ritmo crescente.

“O que foi incomum foi a quantidade de atividade em todo o país”, disse Piyush Jain, um cientista pesquisador do Serviço Florestal Canadense do Natural Resources Canada e um dos principais autores do estudo , publicado esta semana no periódico Nature Communications . “Já vimos um ano que seria tão extremo quanto o que esperaríamos ver em 2050.”

Incêndios queimaram em grande parte do Canadá de abril a outubro de 2023, queimando uma área aproximadamente do tamanho de Illinois — sete vezes mais terra do que historicamente foi queimada durante a temporada de incêndios florestais do país, em média. A extensão da atividade de incêndios do ano passado, estendendo-se da Colúmbia Britânica até o leste da Nova Escócia em uma única temporada, não havia sido prevista até o final deste século sob as projeções climáticas atuais, de acordo com pesquisadores.

Os incêndios florestais no Canadá em junho passado também afetaram grandes cidades na Costa Leste dos EUA , deixando os céus em um laranja nebuloso e trazendo níveis alarmantes de poluição do ar para Nova York, Filadélfia e Washington, DC. Partículas tóxicas transportadas pela fumaça dos incêndios florestais aumentaram os riscos de morte prematura da Carolina do Norte à Califórnia e ameaçaram US$ 36 bilhões em perdas econômicas anuais nos EUA, descobriu um estudo.

As mudanças climáticas mais que dobraram as chances de condições climáticas extremas de incêndio que levaram aos incêndios de 2023, de acordo com um estudo de agosto de 2023. Outro estudo examinando a atividade global de incêndios florestais em 2023, publicado na semana passada, relatou que as mudanças climáticas aumentaram a chance de “clima de alto risco de incêndios” no ano passado no Canadá e aumentaram a área queimada em até 40%.

As descobertas do novo estudo da Nature Communications são consistentes com os resultados daquela pesquisa. As condições extremas que facilitaram os incêndios canadenses generalizados, como altas temperaturas e seca, são impactos que os cientistas dizem que derivam de um clima mais quente.

“A maior parte do que foi extremamente anômalo sobre o último verão no Canadá foi o tipo de coisa inequivocamente e fortemente ligada à mudança climática”, disse Daniel Swain, um cientista climático do Instituto de Meio Ambiente e Sustentabilidade da UCLA que não estava envolvido no estudo. Ele apontou para o calor recorde e uma métrica de secura chamada déficit de pressão de vapor, observando que esses indicadores de clima de incêndio estavam “completamente fora dos gráficos” em 2023. De maio a outubro de 2023, por exemplo, o Canadá viu temperaturas que estavam 2,2 °C (cerca de 4 °F) acima da média de 1991-2020 para aquela época.

“Isso realmente foi um exemplo claro da impressão digital das mudanças climáticas nos incêndios florestais”, disse Swain.

Um crescente corpo de pesquisa tem atribuído o agravamento dos incêndios florestais ao redor do mundo às mudanças climáticas causadas pelo homem. Um estudo de 2023 apontou as mudanças climáticas como a força motriz por trás do aumento dos incêndios florestais na Califórnia ao longo do último meio século, enquanto uma análise publicada pelo World Resource Institute este mês descobriu que os incêndios florestais ao redor do mundo estão se tornando mais disseminados, chamando a atenção para temperaturas mais altas causadas pelas mudanças climáticas que secam as paisagens.

“Impactos profundos na saúde”

O novo estudo explica que os incêndios florestais canadenses sem precedentes de 2023 tiveram “impactos profundos na sociedade e na saúde”, levando à evacuação de 232.000 pessoas no Canadá e resultando na morte de oito bombeiros e expondo milhões de pessoas na América do Norte à qualidade do ar perigosa.

“O dano cumulativo à saúde pública é realmente muito grande devido a esses enormes eventos de emissão de fumaça porque há milhões e milhões de pessoas respirando-a por dias, semanas, meses a fio, mesmo que vivam longe de onde os incêndios estão realmente queimando”, disse Swain.

A exposição a níveis elevados de material particulado (PM2,5) da fumaça de incêndios florestais pode desencadear doenças respiratórias, como asma, e pode causar ou agravar doenças dos pulmões, coração, cérebro/sistema nervoso, pele, intestino, rim, olhos, nariz e fígado. De acordo com o CDC , as visitas ao departamento de emergência relacionadas à asma foram 17 por cento maiores do que o esperado durante 19 dias de fumaça severa de incêndios florestais de abril a agosto de 2023.

A American Lung Association apontou a fumaça de incêndios florestais como uma fonte cada vez mais significativa de poluição do ar em seu Relatório do Estado do Ar de 2024, emitido no início deste ano. “Incêndios florestais no oeste dos Estados Unidos e Canadá continuam sendo o principal fator contribuinte para o número crescente de dias e lugares com níveis insalubres de poluição por partículas nos últimos anos”, afirma o relatório.

À medida que os incêndios florestais se tornam mais intensos e disseminados à medida que o clima esquenta, eles representam cada vez mais uma ameaça à qualidade do ar e à saúde pública, sugerem dados de pesquisa e observação. Os incêndios florestais são amplamente responsáveis ​​pelo ressurgimento da poluição atmosférica extrema por material particulado, particularmente no oeste dos EUA, disse Swain e alertou que outras partes do país, muitas milhas a favor do vento dos incêndios florestais, continuam a enfrentar riscos.

“Há muitas pessoas que vivem a favor do vento, essencialmente a 1.600 ou 3.200 quilômetros a favor do vento, dessas enormes faixas de floresta boreal no Canadá que correm grande risco de incêndios cada vez mais graves em um clima mais quente”, disse Swain.

Embora não se espere que as condições extremas que produziram os incêndios florestais de 2023 ocorram todos os anos à medida que o clima esquenta, ainda não vimos o último desses tipos de incêndios florestais massivos, disse ele.

“Acho que isso vai ser algo episódico que vai acontecer.”

(Imagem em destaque: Céu alaranjado e nebuloso sobre Yellowknife, Canadá, durante um incêndio florestal em 2023. Foto de Luke Moore no Unsplash .)


Fonte: The New Lede

Impacto da urbanização no litoral paulista requer ações urgentes, aponta estudo

Mapeamento conduzido na Unifesp revela a expressiva extensão de estruturas artificiais construídas na linha de costa e a ocupação de áreas vulneráveis a eventos climáticos

quebra mar

Molhe feito de rochas para proteção costeira (foto: Aline Martinez)

Por Agência FAPESP 

 Pesquisadores do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp), em Santos, mapearam a linha costeira do Estado de São Paulo, revelando dados inéditos sobre a urbanização das zonas costeiras do Brasil.

O estudo foi conduzido durante o pós-doutorado de Aline Martinez, com apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os resultados foram divulgados na revista Anthropocene Coasts e destacam a necessidade urgente de ações para uma gestão costeira sustentável e resiliente.

O grupo mapeou toda a linha da costa de São Paulo para quantificar a extensão de estruturas artificiais, como quebra-mares, espigões, cais de porto e píeres, bem como ocupações em zonas costeiras de baixa elevação próximas a praias e margens estuarinas. Essas áreas são altamente vulneráveis a eventos climáticos, sofrendo com o avanço do nível do mar, inundações e erosão.

Os pesquisadores da Unifesp revelaram que o litoral paulista tem 245 quilômetros (km) de estruturas artificiais na linha de costa, o que equivale a três vezes a distância entre as cidades de São Paulo e Santos. Infraestruturas de proteção costeira, como muros de contenção, muretas, quebra-mares e estruturas de atracamento de embarcações, representam 80% de todas as estruturas mapeadas, sendo que 63% delas estão na Baixada Santista, a região mais urbanizada.

“Embora essas estruturas sejam úteis para nossas atividades diárias, elas causam grandes impactos ambientais, como a perda de hábitats naturais e de biodiversidade, além de serviços ecossistêmicos essenciais,” explicou Martinez à Assessoria de Imprensa do IMar-Unifesp. “Essas infraestruturas também facilitam a bioinvasão, quando espécies de uma região se estabelecem em novas localidades, causando problemas ambientais e prejuízos econômicos”, completou.

Riscos das ocupações

O estudo também revelou que mais de 300 km da costa paulista têm ocupações humanas em áreas vulneráveis: 235 km perto de praias e 67 km próximos a manguezais e margens estuarinas. Isso significa que mais de 25% da linha costeira “mole” do Estado possui populações humanas e infraestrutura urbana em áreas altamente suscetíveis a riscos climáticos.

A pesquisa ainda mostra que 55% da extensão de praias do litoral de São Paulo possui áreas urbanizadas dentro de apenas 100 metros de distância da faixa de areia. Na Baixada Santista e no Litoral Norte, esta cifra sobe, respectivamente, para 81% e 74% das praias.

“Manguezais e vegetações como as restingas são nossa primeira linha de defesa contra o impacto das ondas e o avanço do mar. Com as mudanças climáticas, preservar essas vegetações é crucial para proteger cidades costeiras, pessoas e atividades econômicas”, afirmou o pós-doutorando André Pardal, coautor da pesquisa.

“Projeções indicam que praias podem recuar em torno de 100 metros até o fim do século devido ao aumento do nível do mar e à erosão. O intenso processo erosivo já observado em Ilha Comprida [Litoral Sul], por exemplo, pode se tornar comum em todo o litoral paulista nas próximas décadas”, acrescenta Pardal.

Segundo o orientador de Martinez, o professor da Unifesp Ronaldo Adriano Christofoletti, é necessário realizar planos e ações eficazes para preservar os manguezais e restingas remanescentes e restaurar áreas alteradas. “No contexto dos debates sobre a PEC [Proposta de Emenda à Constituição] das Praias, nosso estudo enfatiza a necessidade de fortalecer a preservação dos Terrenos de Marinha e seus acrescidos, em vez de facilitar suas ocupações,” disse Christofoletti.

Os resultados mostram que a urbanização costeira é uma fonte significativa de impacto ambiental e riscos costeiros em São Paulo e no Brasil. A pesquisa ressalta a importância de ações eficazes para mitigar esses impactos e promover um desenvolvimento costeiro sustentável. Em particular, o estudo alerta para as ameaças de alterações em leis que facilitem a ocupação de áreas costeiras altamente vulneráveis às mudanças climáticas.

O artigo Urbanisation on the coastline of the most populous and developed state of Brazil: the extent of coastal hardening and occupations in low-elevation zones pode ser lido em: https://link.springer.com/article/10.1007/s44218-024-00048-8.


Fonte: Agência Fapesp

No debate sobre as notas de Campos no Ideb, o Professor Jefferson joga a criança fora com a água suja do banho

baby out

Douglas Barreto da Mata

Para não dizer que não falei de números

Estranho fenômeno acometeu o candidato petista à prefeitura de Campos dos Goytacazes. Como se não bastasse ter dado eco ao discurso da extrema-direita, atacando o índice do IDEB 2023, quando a cidade alcançou 5.4, deslocando-se várias posições para cima no ranking estadual, o moço agora meteu-se em uma discussão meio sem sentido, justamente com seus pares da academia, que ousaram desafiar as teses do candidato sobre aprovação automática, e o peso desse vetor no total dos dados.

Sim, engraçado assistir o candidato cavando um buraco embaixo dos próprios pés, subtraindo de si mesmo o único local de fala que tem, ou seja, o meio acadêmico, já que no campo popular ele inexiste. Ora, vamos desenhar para gente burra entender: a variação do índice de aprovação, como disse o Professor da UCAM-Campos, Eduardo Shimoda, não teve um valor que alterasse significativamente a nota final apurada.

Ponto!  Vamos encerrar esta questão dos números com alguns mais saborosos: Vejam os dados do ENEM e o IFF Norte Fluminense na gestão do rapaz.  Catastróficos, eu sei, um desastre.  Se formos usar a mesma régua torta do doutor engenheiro da computação, a gente pode sentenciar, é o porco falando do toucinho. 

Porém, como eu sou um cara do bem, não tenho doutorado, mas tenho bom senso, eu sei que ele poderá alegar que foi o período Michel Temer/ Jair Bolsonaro, etc, etc, etc.  Pode ser, quem sabe?  Ou pode ser também uma boa dose de incompetência dele, não?

Se eu fosse um cara do mal, eu usaria a mesma lógica que ele utiliza, quando esconde que o governo Rafael Diniz (de que boa parte do PT e os aliados da deputada estadual desaparecida fizeram parte) dinamitou todas as Políticas Sociais, e aí, principalmente a Educação Pública, com escolas fechadas, salários atrasados, merenda ruim, etc.

IMG-20240822-WA0046IMG-20240822-WA0045IMG-20240822-WA0044

Para não dizer que não falei de gente

O que importa, afinal, nesse debate, são as pessoas.  Quando ataca um índice conseguido depois de uma pandemia, que fez com o que o Governo Federal fizesse a recomendação de aprovação automática, para que os alunos não ficassem ainda mais atrás das escolas privadas, dos ricos que podem pagar pelo ensino e pela recuperação de conteúdo, o “Professor Jefferson” diz a que veio: Danem-se os pobres! Que sejam punidos várias vezes, por serem pobres, inclusive com a reprovação.

Sabe o “professor” que a Escola não se encerra em notas, aprovações ou reprovações, IDEB ou colocações no ENEM, mas no processo vivo de aprendizado, que se adapta às circunstâncias, como o fato de que o atual governo encontrou terra arrasada no setor.  Ainda assim, com todas as dificuldades, professores e todo pessoal administrativo, alunos e pais de alunos se uniram para alavancar o nível de aprendizagem.

Ao atacarem o índice, o PT e  o Professor Jefferson atacam esse esforço, essa ideia de recuperação, esse movimento de valorização, e mesmo de propaganda, se assim quisermos, de dizer que o público é bom.  Eu tinha evitado usar os dados do ENEM do IFF, até aqui. Porém, com tanta desonestidade intelectual, é preciso colocar certas coisas em seus lugares.

E não podemos nunca nos esquecer que “pau que dá em Chico, dá em Francisco”.

As lâmpadas têm classificações de energia — então por que os chatbots de IA não podem ter?

O crescente custo energético e ambiental do boom da inteligência artificial está alimentando preocupações. Mecanismos de política verde que já existem oferecem um caminho para uma solução

data ia

À medida que mais data centers surgem em comunidades rurais, a oposição local a eles tem crescido. Crédito: Brian Lawless/PA/Alamy

Por Sasha Luccioni , Boris Gamazaychikov , Sara Hooker , Régis Pierrard , Emma Strubell , Yacine Jernite e Carole-Jean Wu para a Nature

À medida que milhões de pessoas usam cada vez mais modelos de inteligência artificial generativa (IA) para tarefas que vão desde pesquisas na Web até a criação de videoclipes , há uma urgência crescente em minimizar a pegada energética da tecnologia.

O preocupante custo ambiental da IA ​​é óbvio mesmo neste estágio inicial de sua evolução. Um relatório publicado em  de janeiro pela Agência Internacional de Energia estimou que o consumo de eletricidade dos data centers pode dobrar até 2026 e sugeriu que melhorias na eficiência serão cruciais para moderar esse aumento esperado.

Alguns líderes da indústria de tecnologia têm procurado minimizar o impacto na rede de energia. Eles sugerem que a IA poderia permitir avanços científicos que podem resultar em uma redução nas emissões de carbono planetárias . Outros têm jogado seu peso por trás de fontes de energia ainda não realizadas, como a fusão nuclear .

No entanto, do jeito que as coisas estão, as demandas de energia da IA ​​estão mantendo as antigas usinas de energia a carvão em serviço e aumentando significativamente as emissões das empresas que fornecem o poder de computação para essa tecnologia. Dado que o consenso claro entre os cientistas do clima é que o mundo enfrenta um momento de “agora ou nunca” para evitar mudanças planetárias irreversíveis 2 , reguladores, formuladores de políticas e empresas de IA devem abordar o problema imediatamente.

Para começar, estruturas de políticas que incentivam a eficiência energética ou de combustível em outros setores econômicos podem ser modificadas e aplicadas a aplicações alimentadas por IA. Esforços para monitorar e comparar os requisitos de energia da IA ​​— e as emissões de carbono associadas — devem ser estendidos além da comunidade de pesquisa. Dar ao público uma maneira simples de tomar decisões informadas eliminaria a divisão que agora existe entre os desenvolvedores e os usuários de modelos de IA, e poderia eventualmente provar ser um divisor de águas.

Este é o objetivo de uma iniciativa chamada projeto AI Energy Star, que descrevemos aqui e recomendamos como um modelo que os governos e a comunidade de código aberto podem adotar. O projeto é inspirado nas classificações Energy Star da Agência de Proteção Ambiental dos EUA . Elas fornecem aos consumidores uma medida transparente e direta do consumo de energia associado a produtos que vão de máquinas de lavar a carros. O programa ajudou a atingir mais de 4 bilhões de toneladas de reduções de gases de efeito estufa nos últimos 30 anos, o equivalente a tirar quase 30 milhões de carros movidos a gasolina das ruas por ano.

O objetivo do projeto AI Energy Star é semelhante: ajudar desenvolvedores e usuários de modelos de IA a levar em conta o consumo de energia. Ao testar uma gama suficientemente diversa de modelos de IA para um conjunto de casos de uso populares, podemos estabelecer uma faixa esperada de consumo de energia e, em seguida, classificar os modelos dependendo de onde eles se encontram nessa faixa, com aqueles que consomem menos energia recebendo a classificação mais alta. Este sistema simples pode ajudar os usuários a escolher os modelos mais apropriados para seu caso de uso rapidamente. Espera-se que uma maior transparência também incentive os desenvolvedores de modelos a considerar o uso de energia como um parâmetro importante, resultando em uma redução em toda a indústria nas emissões de gases de efeito estufa.

Corredor em uma sala de servidores do centro aata com racks de servidores

Ferramentas para quantificar o uso de energia da IA ​​podem melhorar a eficiência e a sustentabilidade. Crédito: Getty

Nosso benchmarking inicial foca em um conjunto de modelos de código aberto hospedados no Hugging Face, um repositório líder para modelos de IA. Embora alguns dos chatbots amplamente usados ​​lançados pelo Google e OpenAI ainda não façam parte do nosso conjunto de testes, esperamos que empresas privadas participem do benchmarking de seus modelos proprietários à medida que o interesse do consumidor no tópico cresce.

A avaliação

Um único modelo de IA pode ser usado para uma variedade de tarefas — variando de resumo a reconhecimento de fala — então nós selecionamos um conjunto de dados para refletir esses diversos casos de uso. Por exemplo, para detecção de objetos, nós recorremos ao COCO 2017 ao Visual Genome — ambos conjuntos de dados de avaliação estabelecidos usados ​​para pesquisa e desenvolvimento de modelos de IA — assim como o conjunto de dados Plastic in River , composto de exemplos anotados de objetos plásticos flutuantes em cursos d’água.

Nós decidimos por dez maneiras populares nas quais a maioria dos consumidores usa modelos de IA, por exemplo, como um chatbot de resposta a perguntas ou para geração de imagens. Então, extraímos uma amostra representativa do conjunto de dados de avaliação específica da tarefa. Nosso objetivo era medir a quantidade de energia consumida para responder a 1.000 consultas. O pacote de código aberto CodeCarbon foi usado para rastrear a energia necessária para calcular as respostas. Os experimentos foram realizados executando o código em unidades de processamento gráfico NVIDIA de última geração, refletindo configurações de implantação baseadas em nuvem usando hardware especializado, bem como nas unidades de processamento central de computadores disponíveis comercialmente.

Em nosso conjunto inicial de experimentos, avaliamos mais de 200 modelos de código aberto da plataforma Hugging Face, escolhendo os 20 mais populares (por número de downloads) para cada tarefa. Nossas descobertas iniciais mostram que tarefas envolvendo classificação e geração de imagens geralmente resultam em emissões de carbono milhares de vezes maiores do que aquelas envolvendo apenas texto (veja ‘Pegada energética da IA’). Indústrias criativas que consideram a adoção em larga escala da IA, como a produção de filmes, devem tomar nota.

Pegada energética da IA. Um gráfico de dispersão mostrando a energia total consumida por vários modelos para cinco tarefas diferentes, como geração de imagem e reconhecimento automático de fala. A unidade do eixo x é watt-hora. A geração de imagem consome mais energia e a média é semelhante a um laptop funcionando por 20 horas.

Fonte: Análise não publicada por S. Luccioni et al. / Projeto AI Energy Star

Dentro do nosso conjunto de amostra, o modelo de perguntas e respostas mais eficiente usou aproximadamente 0,1 watt-hora (aproximadamente a energia necessária para alimentar uma lâmpada incandescente de 25 W por 5 minutos) para processar 1.000 perguntas. O modelo de geração de imagens menos eficiente, por outro lado, exigiu até 1.600 Wh para criar 1.000 imagens de alta definição — essa é a energia necessária para carregar totalmente um smartphone aproximadamente 70 vezes , totalizando uma diferença de 16.000 vezes. À medida que milhões de pessoas integram modelos de IA em seu fluxo de trabalho, as tarefas em que eles os implantam serão cada vez mais importantes.

Em geral, tarefas supervisionadas como responder perguntas ou classificar textos — nas quais os modelos recebem um conjunto de opções para escolher ou um documento que contém a resposta — são muito mais eficientes em termos de energia do que tarefas generativas que dependem dos padrões aprendidos dos dados de treinamento para produzir uma resposta do zero 3 . Além disso, tarefas de sumarização e classificação de texto usam relativamente pouca energia, embora deva ser observado que quase todos os casos de uso que envolvem grandes modelos de linguagem são mais intensivos em energia do que uma pesquisa no Google (consultar um chatbot de IA uma vez usa cerca de dez vezes a energia necessária para processar uma solicitação de pesquisa na web).

Essas classificações podem ser usadas por desenvolvedores para escolher arquiteturas de modelos mais eficientes para otimizar o uso de energia. Isso já é possível, como mostrado por nossos testes ainda não publicados em modelos de tamanhos semelhantes (determinados com base no número de conexões na rede neural). Para uma tarefa específica, como geração de texto, um modelo de linguagem chamado OLMo-7B, criado pelo Allen Institute em Seattle, Washington, consumiu 43 Wh para gerar 1.000 respostas de texto, enquanto o Gemma-7B do Google e um chamado Yi-6B LLM, da empresa 01.AI, sediada em Pequim, usaram 53 Wh e 147 Wh, respectivamente.

Com uma gama de opções já existentes, classificações por estrelas baseadas em classificações como a nossa podem levar os desenvolvedores de modelos a reduzir sua pegada energética. Da nossa parte, lançaremos um site de classificação de estrelas de IA Energy Star, juntamente com uma plataforma de testes centralizada que pode ser usada para comparar e referenciar modelos conforme eles forem lançados. Os limites de energia para cada classificação por estrelas mudarão se a indústria se mover na direção certa. É por isso que pretendemos atualizar as classificações rotineiramente e oferecer aos usuários e organizações uma métrica útil, além do desempenho, para avaliar quais modelos de IA são os mais adequados.

As recomendações

Para atingir um progresso significativo, é essencial que todos os stakeholders tomem medidas proativas para garantir o crescimento sustentável da IA. As recomendações a seguir fornecem algumas orientações específicas para a variedade de players envolvidos.

Envolva os desenvolvedores. Pesquisadores e desenvolvedores de IA estão no centro da inovação neste campo. Ao considerar a sustentabilidade durante todo o ciclo de desenvolvimento e implantação, eles podem reduzir significativamente o impacto ambiental da IA ​​desde o início. Para tornar uma prática padrão medir e compartilhar publicamente o uso de energia dos modelos (por exemplo, em um “cartão de modelo” que define informações como dados de treinamento, avaliações de desempenho e metadados), é essencial envolver os desenvolvedores.

Impulsione o mercado em direção à sustentabilidade. Empresas e desenvolvedores de produtos desempenham um papel crucial na implantação e uso comercial de tecnologias de IA. Seja criando um produto autônomo, aprimorando software existente ou adotando IA para processos comerciais internos, esses grupos geralmente são tomadores de decisão importantes na cadeia de valor de IA. Ao exigir modelos de eficiência energética e definir padrões de aquisição, eles podem impulsionar o mercado em direção a soluções sustentáveis. Por exemplo, eles podem definir expectativas básicas (como exigir que os modelos alcancem pelo menos duas estrelas de acordo com o esquema AI Energy Star) ou apoiar a legislação de IA sustentável.

Fortalecer a regulamentação e a governança. Os formuladores de políticas têm autoridade para tratar a sustentabilidade como um critério obrigatório no desenvolvimento e na implantação de IA. Com exemplos recentes de legislação que pede transparência do impacto da IA ​​na União Europeia e nos Estados Unidos , os formuladores de políticas já estão se movendo em direção a uma maior responsabilização. Isso pode ser inicialmente voluntário, mas eventualmente os governos podem regular a implantação do sistema de IA com base na eficiência dos modelos subjacentes.

Os reguladores podem adotar uma visão panorâmica , e sua contribuição será crucial para criar padrões globais. Também pode ser importante estabelecer autoridades independentes para rastrear mudanças no consumo de energia da IA ​​ao longo do tempo.

Fazendo um balanço

Claramente, muito mais precisa ser feito para colocar um regime regulatório adequado em prática antes que a adoção em massa da IA ​​se torne uma realidade (veja go.nature.com/4dfp1wb ). O projeto AI Energy Star é um pequeno começo e pode ser refinado ainda mais. Atualmente, não contabilizamos as despesas gerais de energia gastas em armazenamento e rede de modelos, bem como o resfriamento do data center, que pode ser medido apenas com acesso direto às instalações da nuvem. Isso significa que nossos resultados representam o limite inferior do consumo geral de energia dos modelos de IA, que provavelmente dobrará 4 se a despesa geral associada for levada em consideração.

Como o uso de energia se traduz em emissões de carbono também dependerá de onde os modelos são finalmente implantados e da mistura de energia disponível naquela cidade ou vila. O maior desafio, no entanto, continuará sendo a impenetrabilidade do que está acontecendo no ecossistema de modelos proprietários. Os reguladores governamentais estão começando a exigir acesso a modelos de IA, especialmente para garantir a segurança. Maior transparência é urgentemente necessária porque os modelos proprietários são amplamente implantados em configurações voltadas para o usuário.

O mundo está agora em um ponto de inflexão fundamental. As decisões que estão sendo tomadas hoje repercutirão por décadas, à medida que a tecnologia de IA evolui junto com um clima planetário cada vez mais instável. Esperamos que o projeto Energy Star sirva como um ponto de partida valioso para enviar uma forte demanda de sustentabilidade por toda a cadeia de valor de IA.

Natureza 632 , 736-738 (2024)

doi: https://doi.org/10.1038/d41586-024-02680-3

Isenção de responsabilidade: todos os experimentos e processamento de dados foram realizados pela Hugging Face, e a Hugging Face hospeda todos os dados relacionados a esta pesquisa.

Referências

  1. Agência Internacional de Energia. Eletricidade 2024 (IEA, 2024).

  2. IPCC. Mudanças Climáticas 2022: Mitigação das Mudanças Climáticas. Contribuição do Grupo de Trabalho III para o Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (eds Shukla, PR et al. ) (Cambridge Univ. Press, 2023).

  3. Luccioni, AS, Jernite, Y. & Strubell, E. em Proc. Conferência ACM 2024. Justiça, conta. Transpar. 85–99 (ACM, 2024).

  4. Luccioni, AS, Viguier, S. & Ligozat, AR J. Machin. Aprender. Res. 24 , 253 (2023).


Fonte: Nature

Pesquisadores da UFAC identificam grande concentração de incêndios no sul da Amazônia

burning

Pesquisadores da Universidade Federal do Acre (UFAC) têm se mantido ocupados com a demarcação de incêndios em áreas agrícolas e florestais na Amazônia, e lograram identificar uma grande concentração de casos na região sul da bacia em áreas dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia (ver imagem abaixo).

IMG-20240821-WA0024

Ainda que a delimitação da parte sul da Amazônia como o principal foco de avanço da franja de desmatamento (e degradação florestal), um fato que chama a atenção é o quantidade de focos de queimadas e incêndios florestais (n=1458), com tamanhos que variam entre 0,54 ha a 7.000 ha. Além disso, na área mapeada no sul do Amazonas, a estimativa é que a área afetada por queimadas tenha atingido 168.768,81 ha, o que é sem dúvida nenhuma uma área bastante significativa.

IMG-20240821-WA0025 (1)

Como a área estudada pelos pesquisadores da UFAC coincide em grande parte com a chamada BR-319 cujo asfaltamento é uma das prioridades do governo Lula, o que está sendo verificado em 2024 pode ser apenas um prenúncio pálido do que virá nos próximos anos.

A consequência disso será ampla, a começar pelo processo de emissão de gases de efeito estufa, perda de serviços ambientais e de biodiversidade. E tudo isso para alimentar a demanda de commodities agrícolas por parte, principalmente, da China e da União Europeia.

Enquanto isso, o presidente Lula e sua ministra do Meio Ambiente, a acreana Marina Silva, ficam encando vento para ver se vendem quente. O fato é que estamos diante de um desastre de grandes proporções em desenvolvimento.

Microplásticos estão se infiltrando até no tecido cerebral, mostram estudos: ‘Não há lugar intocado’

Vinte e quatro amostras de cérebro coletadas no início de 2024 mediram em média cerca de 0,5% de plástico em peso

microplasticoUm pedaço retangular azul de microplástico encontrado em Tacoma, Washington, em 19 de maio de 2010. Fotografia: Ted S Warren/AP 

Douglas Principal para o “The Guardian”

Um crescente conjunto de evidências científicas mostra que microplásticos estão se acumulando em órgãos humanos essenciais, incluindo o cérebro, levando pesquisadores a pedir ações mais urgentes para controlar a poluição plástica.

Estudos detectaram pequenos fragmentos e partículas de plástico em pulmões humanos , placentas, órgãos reprodutivos, fígados, rins, articulações dos joelhos e cotovelos, vasos sanguíneos e medula óssea.

Dadas as descobertas da pesquisa, “agora é imperativo declarar uma emergência global” para lidar com a poluição plástica, disse Sedat Gündoğdu , que estuda microplásticos na Universidade Cukurova, na Turquia.

Os seres humanos são expostos a microplásticos — definidos como fragmentos menores que 5 mm de diâmetro — e aos produtos químicos usados ​​para fazer plásticos devido à poluição generalizada de plástico no ar, na água e até mesmo nos alimentos.

Os riscos à saúde dos microplásticos dentro do corpo humano ainda não são bem conhecidos. Estudos recentes estão apenas começando a sugerir que eles podem aumentar o risco de várias condições, como estresse oxidativo , que pode levar a danos celulares e inflamação, bem como doenças cardiovasculares .

Estudos em animais também relacionaram microplásticos a problemas de fertilidade , vários tipos de câncer, distúrbios no sistema endócrino e imunológico e comprometimento do aprendizado e da memória .

Atualmente, não há padrões governamentais para partículas de plástico em alimentos ou água nos Estados Unidos. A Agência de Proteção Ambiental está trabalhando na elaboração de diretrizes para medi-las e tem concedido subsídios desde 2018 para desenvolver novas maneiras de detectá-las e quantificá-las rapidamente.

Encontrar microplásticos em mais e mais órgãos humanos “levanta muitas preocupações”, dado o que sabemos sobre os efeitos na saúde em animais, estudos de células humanas em laboratório e estudos epidemiológicos emergentes, disse Bethanie Carney Almroth , ecotoxicologista da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. “É assustador, eu diria.”

“Bastante alarmante”

Em um dos estudos mais recentes a surgir – um artigo pré-impresso ainda em revisão por pares e publicado on-line pelos Institutos Nacionais de Saúde – os pesquisadores descobriram um acúmulo particularmente preocupante de microplásticos em amostras de cérebro.

Um exame dos fígados, rins e cérebros de corpos autopsiados descobriu que todos continham microplásticos, mas as 91 amostras de cérebro continham em média cerca de 10 a 20 vezes mais do que os outros órgãos. Os resultados foram um choque, de acordo com o autor principal do estudo, Matthew Campen , toxicologista e professor de ciências farmacêuticas na Universidade do Novo México.

Os pesquisadores descobriram que 24 das amostras de cérebro, coletadas no início de 2024, continham em média cerca de 0,5% de plástico em peso.

“É bem alarmante”, disse Campen. “Há muito mais plástico em nossos cérebros do que eu jamais imaginaria ou me sentiria confortável.”

O estudo descreve o cérebro como “um dos tecidos mais poluídos por plástico já amostrados”.

Partículas minúsculas, algumas coloridas, sobre um fundo branco.
Partículas de microplástico na poeira atmosférica. Fotografia: Janice Brahney/Proceedings of the National Academy of Sciences

O estudo cerebral pré-impresso liderado por Campen também sugeriu uma ligação preocupante. No estudo, os pesquisadores analisaram 12 amostras de cérebro de pessoas que morreram com demência, incluindo doença de Alzheimer. Esses cérebros continham até 10 vezes mais plástico em peso do que amostras saudáveis.

O artigo também descobriu que a quantidade de microplásticos em amostras de cérebro de 2024 era cerca de 50% maior do que o total em amostras que datam de 2016, sugerindo que a concentração de microplásticos encontrados em cérebros humanos está aumentando em uma taxa semelhante à encontrada no ambiente. A maioria dos órgãos veio do Office of the Medical Investigator em Albuquerque, Novo México, que investiga mortes prematuras ou violentas.

“Você pode traçar uma linha – ela está aumentando ao longo do tempo. É consistente com o que você está vendo no ambiente”, disse Campen.

Muitos outros artigos encontraram microplásticos nos cérebros de outras espécies animais, então não é totalmente surpreendente que o mesmo possa ser verdade para humanos, disse Almroth, da Universidade de Gotemburgo, que não estava envolvido no artigo.

Quando se trata dessas partículas insidiosas, “a barreira hematoencefálica não é tão protetora quanto gostaríamos de pensar”, disse Almroth, referindo-se à série de membranas que impedem que muitos produtos químicos e patógenos cheguem ao sistema nervoso central.

Explosão de pesquisas

Somando-se às preocupações sobre o acúmulo no corpo humano, o Journal of Hazardous Materials publicou um estudo no mês passado que encontrou microplásticos em todas as 16 amostras de medula óssea examinadas, o primeiro artigo do tipo. Todas as amostras continham poliestireno, usado para fazer amendoins de embalagem e eletrônicos, e quase todas continham polietileno, usado em embalagens transparentes de alimentos, garrafas de detergente e outros produtos domésticos comuns.

Outro artigo recente analisando 45 pacientes submetidos a cirurgia de quadril ou joelho em Pequim, na China, encontrou microplásticos no revestimento membranoso de cada articulação do quadril ou joelho examinada.

Um estudo publicado em 15 de maio no periódico Toxicological Sciences encontrou microplásticos em todos os 23 testículos humanos e 47 caninos estudados, descobrindo que amostras de pessoas tinham uma concentração quase três vezes maior do que aquelas de cães. Uma quantidade maior de certos tipos de partículas de plástico – incluindo polietileno, o principal componente de garrafas plásticas de água – correlacionou-se com pesos testiculares mais baixos em cães.

Close de um prato transparente com uma pilha de pequenos pedaços de plástico coloridos.
‘Não há lugar intocado, do fundo do mar à atmosfera e ao cérebro humano.’ Fotografia: David Kelly/David Kelly/Universidade de Queensland

“Os potenciais efeitos à saúde são preocupantes, especialmente considerando as consequências desconhecidas a longo prazo do acúmulo de microplásticos em tecidos sensíveis, como os órgãos reprodutivos”, disse Ranjith Ramasamy, principal autor do estudo e pesquisador médico e urologista da Universidade de Miami.

Enquanto isso, um grupo chinês publicou um estudo em maio mostrando pequenas quantidades de microplásticos no sêmen de todos os 40 participantes. Um artigo italiano de alguns meses antes relatou resultados semelhantes.

Um punhado de estudos também encontrou contaminação em placentas humanas. Um estudo que apareceu na edição de maio da Toxicological Sciences relatou a descoberta de micro e nanoplásticos em todas as 62 amostras de placenta, embora a concentração tenha variado amplamente.

Na Itália, pesquisadores acompanharam 312 pacientes que tiveram depósitos de gordura, ou placas, removidos de suas artérias carótidas . Quase seis em cada 10 tinham microplásticos, e essas pessoas se saíram pior do que aquelas que não tinham: nos 34 meses seguintes, elas tinham 2,1 vezes mais probabilidade de sofrer um ataque cardíaco ou derrame, ou morrer.

‘Nenhum lugar deixado intocado’

A Food and Drug Administration afirma em uma declaração em seu site que “as evidências científicas atuais não demonstram que os níveis de microplásticos ou nanoplásticos detectados em alimentos representam um risco à saúde humana”.

Ainda assim, os pesquisadores dizem que os indivíduos devem tentar reduzir sua exposição evitando o uso de plástico no preparo de alimentos, especialmente no micro-ondas; bebendo água da torneira em vez de água engarrafada; e tentando evitar o acúmulo de poeira, que é contaminada com plásticos. Alguns pesquisadores aconselham comer menos carne, especialmente produtos processados .

Leonardo Trasande, pesquisador médico da Universidade de Nova York, disse que muito permanece desconhecido sobre os impactos do acúmulo de microplásticos em humanos. Os impactos negativos à saúde de produtos químicos usados ​​em plásticos, como ftalatos, são mais bem estabelecidos, ele disse. Um estudo do qual ele foi coautor descobriu que a exposição a ftalatos aumentou o risco de doenças cardiovasculares e morte nos Estados Unidos, causando US$ 39 bilhões ou mais em perda de produtividade por ano.

Partículas de microplástico podem ser contaminadas com e transportar tais produtos químicos para o corpo. “Os micro e nanoplásticos podem ser sistemas de entrega eficazes para produtos químicos tóxicos”, disse Trasande.

O American Chemistry Council, que representa fabricantes de plástico e produtos químicos, não respondeu diretamente a perguntas sobre os estudos recentes que encontraram microplásticos em órgãos humanos. Kimberly Wise White, vice-presidente do grupo, observou que “a indústria global de plásticos se dedica a avançar a compreensão científica dos microplásticos”.

A Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente concordou há dois anos em começar a trabalhar em prol de um tratado global para acabar com a poluição por plástico, um processo que está em andamento .

Vários relatos de notícias na semana passada sugerem que o governo Biden sinalizou que a delegação dos EUA envolvida nas discussões apoiará medidas para reduzir a produção global de plásticos, o que os pesquisadores dizem ser fundamental para lidar com o problema .

“Não há nenhum lugar intocado, do fundo do mar à atmosfera e ao cérebro humano”, disse Almroth.

Esta história é co-publicada com o New Lede , um projeto de jornalismo do Environmental Working Group.


Fonte: The Guardian

O PT de Campos continua falando sozinho

talking to

Por Douglas Barreto da Mata

Dias atrás, aqui neste mesmo blog, eu avisei aos camaradas do Comitê Central do PT de Campos, e aos comissários do povo para a campanha de 2024, que bater nos índices do IDEB era como dar coices na própria sombra.

Não ouviram. Como sabemos, quem não escuta cuidado, escuta coitado. Pois bem, hoje me mandaram o que dois acadêmicos pensam sobre o tema:  George é companheiro de longa data, desde quando ele integrava a equipe do blog Outros Campos. Sempre que queria aporrinhar eles, dizia que eles eram “os que sabiam javanês”, em uma alusão à deliciosa crônica de Lima Barreto. Se não me engano eram Roberto Dutra, Vítor Peixoto, Brand Arenari e George Gomes Coutinho.

Divergências e rusgas à parte, que nos separaram em caminhos políticos diferentes, eis que o tempo trouxe de volta o camarada George para as tratativas políticas e análises.  Bem, parece que tanto ele, como o Eduardo Shimoda concordaram comigo no quesito “bola fora” do Comitê Central do PT e do Alto Comissariado Para As Eleições 2024.

Shimoda é contemporâneo de outros meninos da UENF, que moravam, assim como eu, no condomínio Verdes Campos, em frente à universidade.  Jogávamos boas “peladas” com Vitinho (se eu não me engano, biólogo), Marlon (acho que engenheiro agrônomo).  Boas risadas e épicas tardes de futebol de salão.

Como antes, no presente é bom estar em boa companhia.  Ou seja: o PT “chutou a bola no mato”, quando atacou um índice que ele mesmo gere, e pior, sem argumento teórico possível.

Hoje, um atordoado Professor Jefferson parece querer reagir, e comete outro erro, ao tenta unificar, em um mesmo campo político, coisas diferentes, ou seja, Wladimir Garotinho e a delegada candidata. Assista aqui.  Parece que o candidato continua perdido, como dissemos aqui.

Vamos tornar os problemas do Professor Jefferson um pouco mais difíceis, se é que isso é possível.  Falamos no texto aí em cima que ele e sua coordenação elaboram um cenário que inviabiliza um possível diálogo, caso haja um segundo turno entre Wladimir e a delegada.  Com o comportamento de hoje, o PT ficaria ainda mais isolado que já está.

Agora vamos virar a cabeça de vez, e pensar em um segundo turno entre o PT e a delegada, caso houvesse uma catástrofe na campanha favorita.  E aí, como dialogar com o pessoal de Wladimir?  Aliás, acreditando em uma previsão feita por uma cabeça coroada da coordenação da campanha petista, como se portará o (a) vereador (a) eleito (a), ou os (as) vereadores (as) eleitos (as), frente ao quadro político que se avizinha?

O PT vai conversar com quem, seguindo essa trilha do Alto Comissariado Para as Eleições? E 2026, já que é consenso que o pleito de 2024 é um ensaio geral das eleições gerais, no quesito alianças e montagem de palanques?

Acredito que desse jeito, o PT de Campos vai continuar como se encontra: ouvindo o som da própria voz.

O mercado de produção predatória é uma esfinge que ameaça devorar a Ciência

Blog_Predatory_Publications

Venho acompanhando desde a criação deste blog em 2011 os descaminhos da produção científica em nível global. Comecei verificando o uso da tática de partilhamento de estudos para aumentar a quantidade de artigos publicados, o famoso Salami Science, vi o surgimento da produção em massa de trash science por revistas predatórias, e agora assisto a efevervescência de um mercado de citações fabricadas. 

Por detrás de tudo isso há o avanço da comodificação da ciência que passou de um mecanismo de compartilhamento do avanço do conhecimento via experimentos científicos para mais um elemento de produção de valor. Nesse processo saímos do controle estrito por grandes editoras situadas normalmente na Europa e nos EUA para um sistema que combina essas mesmas editoras com empreendimentos obscuros que podem estar situados em qualquer parte do mundo, com centenas de pseudo jornais científicos cabendo no disco rígido de algum individuo com espírito, digamos, empreendedor.

Uma nova onda proporcionada pelo avanço dos mecanismos editoriais é a criação de editoras que se ocupam principalmente da produção dos chamados E-books (ou livro eletrônicos) a partir do qual mais lixo científico é disseminado como se fosse algo que refletisse algum tipo de esforço intelectual.  

Mas para existirem, esses mecanismos de divulgação de ciência de baixíssima qualidade precisam de duas coisas: 1) de fregueses interessados em comprar os simulacros de produção científica (sejam eles na forma de artigos, capítulos de livros ou mesmo livros), e 2) agências de fomento que estejam dispostas a premiar os pesquisadores/empreendedores que se disponham a inflar seus currículos com todo tipo de lixo. No da Capes, essa premiação pode se estender a programas de pós-graduação inteiros, desde que se disponham a abrigar essa produção de ciência trash, obviamente.

No caso de país do sul global como o Brasil, a disposição de agências de fomento de premiarem os mais astutos produtores de lixo científico essa leniência serve para encobrir a falta de investimento reais no desenvolvimento científico e tecnológico. Não é à toa que no caso brasileiro tenhamos uma combinação da participação no mercado global de revistas, livros e conferências predatórias com o florescimento de uma versão nacional deste mercado editorial ocupado de disseminar lixo científico. 

O mais interessante é não apenas a indisposição  de pesquisadores supostamente sérios em apontar o dedo para certos personagens conhecidos por produzir dezenas e às vezes centenas de artefatos quesstionáveis que são publicados em veículos de qualidade muito duvidosa, mas principalmente o fato de que toda essa produção ainda resulta não apenas na obtenção de prêmios e financiamentos, mas também na ocupação de cargos institucionais estratégicos, incluindo aqueles relacionados justamente ao treinamento de futuros pesquisadores.

Meta | Comunicação, decifra-me ou te devoro!

Em minha modesta opinião, a ciência mundial arrisca a entrar em colapso se medidas extremas não forem tomadas para modificar rapidamente o cenário atual.  Um caminho que alguns países já estão tomando é alterar os sistemas de premiação, seja na concessão de financiamentos ou na obtenção de estabilidade profissional.  

No caso brasileiro, a saída passa pelo aumento de financiamento para a pesquisa científica qualificada com uma mudança nos mecanismos de avaliação do que é produzido pelos cientistas brasileiros.  A situação brasileira é especialmente difícil porque nas principais universidades e institutos de pesquisa perdura uma espécie de código do silêncio em que não se pode sequer mencionar publicamente a presença de impostores que se ocupam de disseminar lixo científico unicamente para seu benefício pessoal.  Mas se nada for feito, o nosso sistema científico ficará cada vez mais para trás e sem nenhuma contribuição significativa para o progresso nacional.

Brasil precisa fortalecer ações de proteção de florestas para cumprir metas internacionais, aponta estudo

Em artigo publicado em Perspectives in Ecology and Conservation, pesquisadores do Inpe e do Cemaden discutem desafios e soluções para a redução das emissões de CO2 do país

desmatamento antmary

Desmatamento registrado em região próxima à Floresta Estadual do Antimary, no Acre (foto: Beatriz Cabral/Inpe) 

Luciana Constantino | Agência FAPESP

Sede da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em 2025 – a primeira a ser realizada na Amazônia –, o Brasil está em um momento crucial. Ainda tem a possibilidade de cumprir suas metas internacionais de redução de emissão de gases de efeito estufa, mas precisa ajustar as ações socioambientais e fortalecer políticas focadas na salvaguarda das florestas e na restauração dos biomas. Esse é um dos principais apontamentos de pesquisa publicada na revista Perspectives in Ecology and Conservation.

Liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o estudo ressalta a necessidade de controlar o desmatamento ilegal e a degradação dos biomas, incorporando um olhar para florestas secundárias – que crescem após a remoção da cobertura original.

Sugere ainda reforçar e expandir políticas que mantenham os serviços ecossistêmicos. Esse processo deve vir acompanhado de mecanismos consistentes de atração de investimentos para financiar atividades de restauração e pagamentos por serviços ambientais em todos os biomas, incentivando iniciativas de bioeconomia e criando novas áreas de proteção ambiental.

“A pesquisa foi um trabalho conjunto visando mostrar o panorama de desmatamento, degradação e restauração dos biomas e suas relações com as metas globais do Brasil. Destacamos pontos importantes nesse processo para que o país busque o desenvolvimento sustentável”, explica a doutoranda no Inpe e primeira autora do artigo Débora Joana Dutra, bolsista da FAPESP.

Para a bióloga Liana Oighenstein Anderson, orientadora de Dutra e pesquisadora no Cemaden, mesmo quando há medidas preventivas, ainda assim elas têm sido insuficientes frente ao desafio das mudanças climáticas. “É o caso dos incêndios florestais registrados neste ano na Amazônia e no Pantanal. A prevenção não foi suficiente para conter os números alarmantes. Quando fazemos estimativas como na pesquisa, temos a sensação de sermos extremamente conservadores frente ao que a realidade está mostrando e aos desafios enfrentados”, diz Anderson à Agência FAPESP.

O Brasil vem registrando neste ano recordes de queimadas. Entre janeiro e 4 de agosto, foram 65.325 focos de calor detectados no país, o maior número em quase 20 anos – o mais alto até então havia sido em 2005 (69.184 no mesmo período), segundo dados do Inpe. Os biomas Amazônia e Cerrado são os mais atingidos (28.396 e 22.217, respectivamente).

De janeiro a julho, o Pantanal teve 4.756 focos, o maior desde 1998, início da série histórica. Para o bioma, até o momento, 2020 teve o pior total anual de focos de queimadas.

“Em 2020, os incêndios no Pantanal chamaram a atenção do mundo e levaram a uma série de reações. O Ministério da Ciência e Tecnologia criou, por exemplo, a Rede Pantanal e, em escala local, o Estado de Mato Grosso do Sul instituiu um plano de manejo integrado do fogo. Em 2023, o governo federal lançou um plano de manejo para o bioma e, em abril, Mato Grosso do Sul decretou estado de emergência. Ou seja, houve um conjunto de ações de gestão, de governança, de regulamentação para tentar evitar os incêndios, mas, infelizmente, não foi suficiente. Tivemos avanços. Porém, há necessidade de aperfeiçoamentos na governança, nas estratégias adotadas e no financiamento das ações. É preciso acelerar o passo”, completa Anderson.

Coautor do artigo e pesquisador do Inpe, Luiz Aragão diz que a pesquisa é um alerta para a sociedade sobre questões relacionadas às emissões. “A sociedade tem de encarar o problema não só do ponto de vista ambiental, mas sim socioeconômico. Está tudo ligado. Isso porque o desmatamento, por exemplo, é indutor do fogo, que por sua vez traz problemas de saúde para a população e degrada a floresta. A floresta desmatada e degradada tem menor potencial de prover serviços ecossistêmicos, como a ciclagem de água e a biodiversidade, que garantem a qualidade de vida das populações locais e têm influência muito grande em atividades econômicas.”

As mudanças no uso e na cobertura da terra (por exemplo, o desmatamento para o uso agropecuário e a degradação florestal) são as principais fontes de emissões do Brasil. Como um dos mais de 190 signatários do Acordo de Paris, firmado em 2005, o país assumiu o compromisso de ajudar a conter o aumento da temperatura média global em até 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais (anos 1850-1900) – marca que já tem sido ultrapassada nos últimos meses.

O acordo, que deve passar por revisão na COP30, prevê que os países definam metas de redução de emissões até 2030, tendo o Brasil se comprometido a diminuir em 53% (comparado aos níveis de 2005). Apesar disso, as emissões de dióxido de carbono (CO2) líquidas (descontadas as remoções) por mudanças no uso e na cobertura da terra dobraram entre 2017 e 2022, segundo o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg). Em relação à restauração, o Brasil tem a meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas nativas, o que corresponde a quase a área territorial de Portugal.

Dificuldades

A pesquisa aponta que um dos desafios é conter a alta do desmatamento em todos os biomas. Os cientistas destacam o crescimento da remoção de vegetação nativa desde que o país submeteu, em 2016, suas metas do Acordo de Paris, atingindo taxas próximas ou superiores a 2 milhões de hectares ao ano (considerando os seis biomas).

Somente em 2022, foram 2,8 milhões de hectares desmatados, a maior taxa desde 2008, impulsionada principalmente pela destruição da Amazônia e do Cerrado. Isso representaria 23% da meta de restauração do país. Aliado a isso, há um déficit de aproximadamente 16 milhões de hectares em áreas de reserva legal em propriedades rurais que precisam de restauração florestal. Desse total, mais da metade está na Amazônia e outros 25% no Cerrado.

Outro dado destacado pelo estudo é o crescimento de áreas de florestas secundárias, que têm alta capacidade de sequestrar carbono da atmosfera, mas não contam com legislação específica de proteção. De acordo com a pesquisa, 5,46 milhões de hectares de florestas secundárias cresceram no Brasil entre 2017 e 2022 fora de terras públicas – 40% na Amazônia e 36% na Mata Atlântica. Apesar de esse total representar quase metade da meta de restauração do Brasil, a manutenção do sequestro de carbono das florestas secundárias corre risco, já que elas estão suscetíveis a novos desmatamentos e incêndios.

Caminhos

No trabalho, os pesquisadores sugerem medidas a serem adotadas, entre elas o combate ao desmatamento ilegal – fortalecendo o arcabouço legal, ampliando a fiscalização e a responsabilização. Há destaque para a necessidade de medidas de prevenção e a implementação de programas para restaurar áreas de vegetação nativa em larga escala, com a criação de incentivos financeiros para proprietários rurais por meio de pagamentos por serviços ambientais.

Esses incentivos serão importantes, inclusive, para garantir que áreas passíveis de serem desmatadas legalmente permaneçam em pé. De acordo com o estudo, o Cerrado e a Caatinga têm as maiores áreas de vegetação nativa passíveis de desmatamento legal. Para garantir que as florestas secundárias consigam contribuir a longo prazo com o sequestro de carbono, a pesquisa aponta a necessidade de uma legislação nacional que aumente a proteção delas fora das áreas de reserva legal ou de preservação permanente.

“O que está sendo feito atualmente não é suficiente para que nós consigamos mudar. O clima global está diferente. Não será possível resolver problemas ambientais, pressionados pelas mudanças climáticas, usando pensamento do passado. Temos de pensar no futuro”, avalia Aragão.

Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que tem adotado medidas para cumprir o compromisso de “desmatamento zero em todos os biomas até 2030”. Entre elas está o programa “União com Municípios”, lançado em abril como parte do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), com R$ 785 milhões destinados a 70 municípios prioritários (até o momento 48 assinaram o termo de adesão). Outras ações incluem alterações de regras do Conselho Monetário Nacional – como a restrição de crédito rural para proprietários com Cadastro Ambiental Rural (CAR) suspenso, com embargos e imóveis sobrepostos a Terras Indígenas, Unidades de Conservação e florestas públicas não destinadas.

Além disso, o ministério destaca a retomada do Fundo Amazônia, com novos contratos que somam R$ 1,4 bilhão e doações anunciadas que devem chegar a R$ 3,1 bilhões. Para o Cerrado, foi lançado um Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento. Em relação à restauração de florestas, cita o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, com o objetivo de ampliar e fortalecer políticas públicas, incentivos financeiros, mercados, tecnologias de recuperação e boas práticas agropecuárias, que deve passar por atualização neste ano.

Futuro

Segundo Dutra, os próximos passos da pesquisa estão direcionados para levantar perdas e impactos econômicos da destruição das florestas, aprofundando os dados do trabalho atual.

“Vemos com extrema relevância a valoração dos impactos. Quantificar esses valores vai demonstrar que é muito mais barato prevenir do que reconstruir. O Brasil trabalha com a resposta aos eventos extremos e desastres, mas precisa investir em prevenção”, diz Aragão.

Para Anderson, é importante aprimorar o diálogo entre instituições – federais, estaduais, municipais, do terceiro setor e comunidades locais –, além da necessidade de responsabilização frente à inação ou omissão no desenvolvimento dos planos. “Nossa capacidade de diálogo ainda é muito limitada, esbarrando em vieses políticos que estão muito aquém do que tecnicamente poderíamos fazer para avançar rapidamente.”

O estudo recebeu apoio da FAPESP por meio de seis projetos (20/15230-5; 20/08916-8; 22/11698-8; 19/25701-8; 23/03206-0; e 20/16457-3).

O artigo Challenges for reducing carbon emissions from Land-Use and Land Cover Change in Brazil pode ser lido [Aqui!].


Fonte: Agência Fapesp