Em meio à crise hídrica em Campos, o que diz o secretário de Saúde sobre a garantia de segurança para os pacientes de hemodiálise?

agua-de-Hemodialise-1Em cada sessão de hemodiálise em torno de 120 a 200 litros de água são consumidos

Como filho de alguém que faleceu por insuficiência renal, após uma luta dura em uma clínica de hemodiálise, me ocorre perguntar ao secretário municipal de Saúde de Campos dos Goytacazes: o que está sendo feito para garantir que não haja nenhum comprometimento nos serviços prestados para os pacientes renais a partir do eventual comprometimento da qualidade da água utilizada nos procedimentos?

É preciso lembrar que no processo de filtragem feito durante a hemodiálise, um elemento é fundamental: a água tratada. Ali, a água é misturada com alguns solutos na máquina e se torna a solução de diálise. É essa solução que entrará em contato com o sangue na máquina para fazer a filtragem e manter a concentração do sangue correta.  Um fato ainda mais marcante: em uma única sessão de hemodiálise consome de 120 a 200 litros de água por paciente.

Assim, que passos já teram sido adotados pela Secretaria Municipal de Saúde de Campos dos Goytacazes após o reconhecimento de que a água tratada distribuída pela concessionária Águas do Paraíba está chegando aos pontos de consumo com, pelo menos, geosmina? Se para pessoas com condição clínica em que os rins estão saudáveis, o que isso pode significar para o tratamento de pacientes renais?

Voltando ao meu pai, quando em tratamento de hemodiálise e já na fase final da sua vida, ele podia consumir apenas um copo de água por dia, algo que o deixava particularmente angustiado. A partir da experiência do meu pai, me vem a pergunta de como os pacientes de hemodiálise de Campos dos Goytacazes podem ter certeza que seu volume máximo diário vai estar adequado? Com a palavra, o secretário municipal de Saúde!

E antes que eu me esqueça: a Águas do Paraíba poderia vir a público confirmar se o seu “produto” é próprio para uso em clínicas e pacientes de hemodiálise?

Giuliano Tinoco e a saída de mestre: se não consumiu a água fornecida, já foi ressarcido

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Ouvi antentamente a entrevista que o Diretor Executivo da concessionária Águas do Paraíba, Giuliano Tinoco, concedeu esta manhã ao radialista Cláudio Nogueira e uma declaração me chamou a atenção. Perguntado sobre o possível ressarcimento aos consumidores que optaram por comprar água mineral à luz das alterações percebidas na água fornecida pela empresa.

Tinoco respondeu à pergunta com uma saída de mestre. Ele deu a entender que o ressarcimento já se deu no momento em que o consumidor deixou de consumir a água fornecida pela sua empresa, diminuindo assim o valor da fatura a ser paga em algum momento do futuro.

Genial, não? Seria se não fosse pelo fato básica de que existe algo chamado como fatura mínima que seria a cobrança de um consumo de 10 m3, independente do que se tenha consumido menos. Eu, por exemplo, mensalmente consumo menos de que o valor da fatura mínima, mas invariavelmente pago pelos ditos 10 m3.

Algo que também precisa ser lembrado é que em Campos dos Goytacazes, há a cobrança pelo tratamento de esgoto, mesmo em bairros em que não há o efetivo tratamento do que é coletado (quando é coletado).

Assim, me vem a dúvida sobre o que já deveria estar fazendo o Procon-Campos para fazer garantir o direito dos milhares de consumidores cativos da Águas do Paraíba que continuam pagando uma das tarifas mais caras do Brasil para ainda ter que ouvir o tipo de sugestão oferecido por Tinoco que, nas condições atuais, é um verdadeiro tapa na cara dos campistas.

Fimalmente, não sei quantos mais ouviram as declarações de Tinoco, mas eu não me senti nem um pouco mais aliviado com as garantias dadas sobre a real qualidade da água que está sendo servida aos campistas nos dias atuais. Como foi citado que vários vereadores receberam os laudos que a concessionária teria para provar que tudo está certo, vamos aguardar as manifestações dos que tiveram acesso aos mesmos.

Vazamentos de gás em frigoríficos intoxicam funcionários e preocupam autoridades

Amônia é usada para refrigeração de carnes; especialistas ainda não sabem dimensionar a extensão dos impactos sobre a saúde, mas relatos de empregados sugerem consequências inclusive de longo prazo

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POR ISABEL HARARI | COLABORAÇÃO FRANCE JÚNIOR | EDIÇÃO NAIRA HOFMEISTER PARA A REPÓRTER BRASIL

Deu um estouro alto e todo mundo começou a gritar, correr, tinha gente caindo em cima das cadeiras, foi uma correria só. E aquele cheiro forte, entrando goela adentro” – é assim que João*, que até o ano de 2022 trabalhava no frigorífico da JBS em Pimenta Bueno, Rondônia, se refere a um vazamento de amônia que deixou ao menos 25 funcionários intoxicados em fevereiro de 2021. “Foi a pior experiência da minha vida. Eu morri e ressuscitei”, conta, lembrando como sua garganta foi fechando no trajeto entre o seu posto de trabalho e a área externa da fábrica – e como desmaiou e só acordou, horas depois, no hospital.

A amônia é um gás tóxico usado para refrigerar as carnes nos frigoríficos. A intoxicação provocada pela substância pode causar dificuldades respiratórias, queimaduras na mucosa do nariz, faringe e laringe, dor no peito, edemas no pulmão, náusea, vômitos e inchaço na boca. Também pode levar à morte, provocando asfixia. 

“Há grande preocupação com os recorrentes, e cada vez mais frequentes, episódios de vazamento de amônia, que em alguns eventos levam dezenas de trabalhadores aos hospitais, infelizmente com número considerável de óbitos”, afirma Leomar Daroncho, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT). As informações estão detalhadas no relatório Fábrica de acidentes, desenvolvido pelo programa de Pesquisa da Repórter Brasil em parceria com a organização dos Países Baixos, SOMO

Autoridades e fiscais do trabalho se dizem preocupados com frequência de acidentes com amônia e com as sequelas de longo prazo sobre atingidos (Foto: Isabel Harari/Repórter Brasil)

Entre 2014 e o final de 2020, foram noticiados ao menos dez casos, com 316 trabalhadores atingidos. O acidente mais recente ocorreu em abril, no município de Paraíso do Tocantins (TO). Antes disso, em dezembro do ano passado, 11 funcionários da JBS em Nova Andradina (MS) foram socorridos após um vazamento, e em junho de 2023, dezenas de empregados da JBS tiveram que ser hospitalizados após outro escape de gás ser registrado na unidade de Marabá (PA) da empresa.

Procurada pela Repórter Brasil, a JBS afirmou que suas políticas internas seguem a legislação brasileira e são revisadas anualmente com base em indicadores de saúde e segurança.  

Em outra ocorrência, em 2017, uma pessoa morreu e oito ficaram feridas após um vazamento na Minerva em Barretos (SP). A empresa diz que busca garantir um ambiente de trabalho seguro para seus funcionários, e destaca possuir certificações que atestam a saúde e segurança nas fábricas.  

Nesse mesmo ano houve um caso na Marfrig em Bataguassu (MS): “Todos correram para fora, mas mesmo assim acabaram intoxicados. Parece que o gás persegue a gente”, conta Anderson*, que era funcionário da planta na ocasião e foi entrevistado pela Repórter Brasil para esta série. Ao todo, 21 trabalhadores foram atingidos. A empresa, entretanto, diz que o acidente não teve “maiores consequências para a saúde e a segurança dos colaboradores” e reforça que “adota todas as medidas para a prevenção e a detecção de vazamento de amônia”.

A resposta completa da empresa pode ser lida aqui.

Vídeo vazamento de amônia na JBS em Marabá (PA) [Aqui!].

Por ser um método de refrigeração relativamente barato e eficiente, a substituição da amônia por produtos menos perigosos, como o uso do glicol, acontece a passos lentos.

Até que um novo sistema seja amplamente incorporado pelas empresas, o jeito é investir fortemente em medidas de prevenção e precaução, defende Daroncho. “Sinalização, detecção precoce, treinamento de utilização das rotas de fuga, incorporação do corpo de bombeiros na dinâmica dos treinamentos e, na hipótese de alguma ocorrência, que haja o socorro rápido e efetivo”, exemplifica.

‘Morri e ressuscitei’, diz trabalhador da JBS que foi uma das vítimas de vazamento de gás tóxico em 2021, me Rondônia (Foto: Isabel Harari/Repórter Brasil)

Efeitos de longo prazo são pouco estudados

A maioria dos estudos sobre a saúde do trabalhador exposto à amônia se debruça sobre os efeitos imediatos de uma exposição aguda, mas há pouca literatura científica abordando sequelas de longo prazo, como as provocadas por exposição crônica – que ocorre por micro vazamentos que não são detectados pelos sistemas da empresa nem chegam a ser percebidos pelo nariz humano já que em pequenas quantidades a amônia é inodora. Já há indicações de que este tipo de exposição repetida à amônia pode causar bronquite crônica.

Também ainda não há informações sobre as sequelas de longo prazo de quem sofreu uma exposição aguda, como a que ocorreu em Pimenta Bueno.

Depois de inalar amônia, João ficou oito dias internado no hospital e até hoje sofre de falta de ar, pressão alta, fraqueza muscular e dores. “Meu coração acelera por qualquer coisa e tem dias que eu acordo com muita dor de cabeça”, conta. Meses depois do vazamento ele foi dispensado pela empresa e hoje trabalha como autônomo.

Pedro também afirma que enfrenta sequelas da intoxicação. “Sinto fadiga constante, fraqueza nos ossos. Antes desse vazamento eu não tinha esses problemas, não sabia nem o que era um hospital, o que era um remédio”, desabafa. Ele tem pouco mais de vinte anos.

Roberto Ruiz, médico do trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina e consultor de saúde da União Internacional de Trabalhadores da Alimentação (Uita), não descarta que os problemas possam estar relacionados à intoxicação pelo gás tóxico na fábrica.

“As consequências dependem do grau de exposição que a pessoa sofreu. Pode ter quadros leves, apenas irritação na garganta e nos olhos, até quadros mais graves, como pneumonite, uma inflamação do pulmão que, dependendo do grau, pode se tornar perene”, explica o médico.

“Quais seriam as sequelas crônicas dessa exposição aguda? Precisa estudar mais”, conclui.

Excesso de peso na linha de produção foi causa

Em Pimenta Bueno, uma decisão judicial sobre o caso aponta que o excesso de peso das 150 carcaças de boi penduradas na câmara de maturação forçou as tubulações de amônia, levando ao seu rompimento por volta das 10h da manhã. “Se você não for ligeiro e correr para fora, você morre lá dentro”, contou Ítalo, que também foi vítima do acidente em 2021. Os relatos em Pimenta Bueno incluem trabalhadores com sequelas, crises de pânico e ansiedade. 

No mês seguinte ao vazamento, o Ministério Público do Trabalho entrou com uma Ação Civil Pública pedindo uma série de ajustes na infraestrutura da planta, como o controle na quantidade e peso das carcaças armazenadas e o reforço nas estruturas das câmaras de resfriamento.

A Justiça acatou a demanda, e condenou a JBS, mas a empresa recorreu da decisão. À Repórter Brasil, a empresa comentou apenas que o pedido de indenização foi julgado improcedente pelo Tribunal de Justiça de Rondônia. As íntegras das respostas podem ser lidas aqui.

*Nomes fictícios para proteger a identidade do trabalhador


Fonte: Repórter Brasil

A luta por moradia digna: uma homenagem ao professor Antonio Godoy

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Antonio Godoy deixa um legado de excelência acadêmica e de compromisso com a construção de uma cidade mais justa, mas saudável e menos desigual

Por Luciane Soares da Silva

No ano de 2021 tive a oportunidade de unir forças com o Instituto Federal Fluminense no edital de seleção pública de projetos de apoio à assistência técnica em habitação de interesse social (ATHIS)  para patrocínio pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo  (CAU/RJ) Demetre Anastassakis. Fomos contemplados com o primeiro e segundo lugares e iniciamos a construção de instrumentos que possibilitassem a compreensão da urgência de acesso a moradia. O território escolhido foi a  Ocupação Novo Horizonte. Perto do Aeroporto de Campos dos Goytacazes este território continha à época aproximadamente 700 famílias. Sem luz, água e vivendo em condições de grande vulnerabilidade, abrigava principalmente mulheres e crianças. Desde então me aproximei do curso de Arquitetura e Urbanismo, seus professores, alunos e seu coordenador, o professor Antonio Godoy.

Nestes anos nossa cooperação se estreitou na troca de aprendizados, bancas, produção de artigos, trabalho de campo e envolvimento direto na divulgação de ATHIS, compreendendo a moradia como um processo muito mais amplo do que acesso à casa. As situações de vulnerabilidade urbana em Campos têm sido objeto de pesquisa ao mesmo tempo em que uma equipe multidisciplinar atua em áreas como a Chatuba, Margem da Linha e Novo Horizonte.

Antonio esteve presente na articulação de todas estas frentes, na relação com a Universidade Federal Fluminense e com a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Como professor, pesquisador e orientador entusiasmado, experiente, engajado, era especialmente cativante sua generosidade em compartilhar a vida como aposta de trabalho. Árduo. A rede construída a partir destas colaborações, frutifica não apenas na produção de conhecimento mas na possibilidade de impactar diretamente as políticas públicas municipais.

Em 2021, defendeu a tese “O resultado da aplicação dos royalties do petróleo na intensificação da segregação espacial e nas transformações de Campos dos Goytacazes/RJ (1997-2020)” no Programa de Pós Graduação em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ao tratar da expansão urbana da cidade de Campos, abordou os conflitos que geram a cidade que conhecemos hoje. A valorização do solo, o crescimento da especulação imobiliária, a forma desigual da distribuição da produção habitacional. Godoy problematizou em sua tese a construção de conjuntos habitacionais em áreas periféricas, com  “menor oferta de equipamentos e serviços públicos”.

Recentemente estivemos juntos construindo coletivamente propostas que coloquem a assistência técnica em habitação de interesse social no centro de uma política municipal de governo para Campos. A possibilidade de “ouvir a sociedade” o motivava. E deve seguir motivando alunos, pesquisadores e toda população interessada em construir uma cidade mais justa, mas saudável e menos desigual.

Seu legado como professor e pesquisador seguirá conosco.

O momento bolsonarista de Randolfe Rodrigues foi uma verdadeira bola fora

festa dos deusesMostrando a costumeira ignorância bolsonarista, Randolfe Rodrigues criticou o suposto uso do quadro “Santa Ceia” na abertura dos Jogos Olímpicos de Paris que, na verdade, retratava a “Festa dos Deuses” do pintor holandês Jan Harmensz van Bijlert.

O agora senador petista Randolfe Rodrigues vem se tornando um contumaz reprodutor de gafes com verniz bolsonarista, mas agora ele se superou. É que se unindo a políticos bolsonaristas, Randolfe decidiu usar a sua conta no “X” para mostrar toda a sua ignorância ao afirmar que a suposta reprodução do quadro “Santa Ceia” de Leonardo da Vinci (1452-1519) teria sido uma “bola fora” (ver imagem abaixo).

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O problema é que a bola fora foi de Randolfe Rodrigues e de seus colegas bolsonaristas que mostram a costumeira ignorância não se informaram para saber que a abertura dos Jogos Olímpicos estava reproduzindo outro quadro, o “Festa dos Deuses”, do pintor holandês Jan Harmensz van Bijlert (1571-1628) (ver imagem abaixo).

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Afora a grosseira demonstração de ignorância sobre a arte renascentista, Randolfe Rodrigues errou de forma grotesca ao escolher o alinhamento com a reação equivocada dos bolsonaristas, provavelmente tentando ganhar alguns pontos com o eleitorado de direita.

E esse é o problema não apenas de Randolfe Rodrigues, mas de todo o PT, pois ao buscar angariar apoio no eleitorado de direita, o que se tem é que não apenas se igualam ao que a extrema-direita entende e reproduz em relação a temas dos mais variados, mas especialmente na pauta de costumes, há uma completa perda de diferenciação que só traz prejuízos.

Alguém deveria dizer para Randolfe que não vai ser assumindo as pautas e as ideias da extrema-direita que o Brasil vai poder deixar de ser, por exemplo, um dos países onde mais assassina homossexuais no planeta.  Além disso, poderia se aproveitar para dizer para que ele se informe um pouco mais antes de postar coisas no “X”, pois assim ele evitaria cometer gafes vexaminosas como o caso aqui tratado.

Em suma: Randolfe, leia e se informe antes de postar. Essa é uma regra básica para todos os que postam conteúdos nas redes sociais, a exceção, é claro, da extrema-direita.

A Portaria GM/MS 888 e as informações que a Águas do Paraíba precisa tornar públicas

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Situação é de alerta após análise do LCA/Uenf apontar a presença de cianobactérias nas águas do Rio Paraíba do Sul. Foto: Reprodução

Relendo algumas das matérias do estilo “press release”  paras as quais a concessionária Águas do Paraíba vem contribuindo nos últimos dias, notei uma afirmação que é no mínimo curiosa.  A concessionária de águas e esgotos da cidade de Campos, informa que  “em cumprimento à PortariaGM/MS Nº 888, vem monitorando o rio Paraíba do Sul preventivamente a respeito das espécies citadas, bem como os seus derivados metabólitos”

Pois bem, uma primeira coisa é que a Águas do Paraíba guardou o quanto pode, a informação que se tornou pública após a divulgação dos resultados das análises feitas pelo Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, que foi a detecção da cianobactéria Raphidiopsis SP, que é capaz de produzir potencialmente uma cianotoxina chamada de saxitoxina, que pode causar danos importantes nas funções cerebrais.

Em relação a isso, a Águas do Paraíba teria afirmado que  “ainda no dia 25 laudos entregues à Uenf, ao Inea e à Prefeitura que traziam de forma explícita a ausência da Saxitoxina”.  Pois bem, o que faltou ser divulgado é se algumo tipo de cianotoxina teria sido encontrado ou não. É que dada a forma opaca com as informações têm sido disponibilizadas pela Águas do Paraíba, essa seria uma informação importante para deixar os cidadãos que são consumidores cativos da concessionária ficassem mais calmos (ou não) em relação ao que está chegando pelas torneiras nas casas dos campistas.

Eu particularmente apreciaria que mais informações estivessem sendo disponibilizadas, principalmente em relação à Saxitoxina, dada a capacidade que a mesma possui para causar sérios prejuízos à saúde humana. Vale lembrar que no caso da Saxitoxina, sua meia vida de degradação pode ultrapassar 3 meses.

O que diz a Portaria GM/MS 888 sobre a ocorrência de cianobactérias?

Dada as múltiplas possibilidades de dano à saúde pelas toxinas produzidas pelas cianobactérias, a Portaria GM/MS 888 possui um artigo específico para quando as mesmas ocorrerem, o de 43. É preciso que se diga que o Artigo 43 traz não só uma série de determinações do que deve ser feito em termos de monitoramento quando as cianobactérias forem detectadas, mas também sobre o que pode ser ou não feito para o tratamento da água bruta em que elas estiverem presentes. 

Mas é preciso dizer que o § 9º deste artigo traz diretrizes específicas sobre o que precisa ser feito quando for detectada a presença de cianotoxinas na água tratada, sendo obrigatória a “comunicação imediata a autoridade de saúde pública, às clínicas de hemodiálise e às indústrias de injetáveis“.

A pergunta que se faz é a seguinte: quais cianotoxinas, se alguma, já foram detectadas nas amostras analisadas pelo laboratório da Águas do Paraíba. No caso de alguma ter sido detectada, qual teria sido e quais são os efeitos à saúde humana? 

Além disso, dizer que até o dia 25 a Sixotoxina não havia sido detectada pede a informação sobre qual teria sido o período de coleta das águas analisadas, o que não foi informado pela Águas do Paraíba. Como agora, estamos em uma situação que as cianobactérias estão reconhecidamente presentes nas águas coletadas para abastecer a cidade de Campos dos Goytacazes, há que se lembrar que o § 6º do mesmo artigo 43 determina que ” o monitoramento de cianobactérias, quando exigido, deve ser realizado em cada ponto de captação e deve identificar os gêneros presentes.” E eu acrescento que deveria se informar os tipos de cianotoxinas que podem ser geradas a partir de cada um dos gêneros presentes.

O monitoramento tem que estar além da Águas do Paraíba

Uma coisa que me parece evidente é que será fundamental nas próximas semanas que seja feito um monitoramento independente da água bruta e da de pós-tratamento por outros laboratórios que não sejam os da Águas do Paraíba. 

Digo isso porque quando se trata o monitoramento como um segredo empresarial, a despeito do que determina a legislação, a possibilidade de que informações estratégicas não cheguem ao conhecimento da população que, afinal de contas, é a principal interessada no provimento de uma água que seja efetivamente desprovida de agentes biológicos, sejam eles capazes de causar doenças ou não. Afinal, quando se paga o valor cobrado pela Águas do Paraíba, não é possível aceitar qualquer coisa diferente de uma água de altíssima qualidade. 

O PT Campos continua esperando Godot

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Por Douglas Barreto da Mata

Estive na Convenção do PT em Campos dos Goytacazes, a convite do meu amigo José Alves de Azevedo, irmão do candidato a prefeito Jefferson. Como imaginei, foi parecido com um encontro com uma pessoa que você foi muito íntima por anos, mas que agora só restam memórias afetivas. Mas, surpreendentemente, não foi tão ruim como imaginava.

Encontrei muita gente querida por lá, o próprio Zé Alves, Érica e  Zé Luis, Norma, Afrânio, Dudu Peixoto e sua esposa Odisseia, Luciano D’Angelo, tive um bom papo com alguns deles, conheci gente nova, como o companheiro Alan, enfim, foi uma manhã interessante.

Destaque para a presença do pessoal do MST e do Sindipetro. Eu sou ranzinza, mas eu entendo que o MST use camisetas, bonés, e toda sua identificação visual para se destacar na cena, mas, confesso, não consigo entender porque os “petroleiros”, ao invés de estarem com bonés, camisas, e as mesmas ferramentas visuais, usam aquele uniforme laranja, com se estivessem a caminho do embarque.  É como policiais sindicalizados e petistas fossem a um evento político fardados, ou ostentando armas. O mais engraçado é que boa parte dos “petroleiros” nunca subiu em uma plataforma, e só exerceu funções administrativas. Mais uma vez comparando, é como se policiais da oficina da PM fossem a um ato político fantasiados de “BOPE”. Fetiche estranho.

A saia justa, inclusive, que pude perceber, foi a presença do candidato e coordenador do sindicato dos petroleiros no palco com os convidados e com o candidato majoritário, que provocou a esperada reação dos que ficaram de fora. Como se vê, mesmo entre “companheiros”, as cotoveladas e as atitudes do tipo “manda quem pode, obedece quem tem juízo” são mais comuns do que se imagina.

Pois bem, e por óbvio, sendo coerente com o título, Godot não foi a Convenção, e nem a deputada estadual Carla Machado, que até então, junto com Godot, eram a esperança de salvação do partido na cidade. Cansativo.

O problema do PT de Campos, concordou comigo um companheiro, é o que digo faz tempo: é melhor ser cabeça de mosquito a ser rabo de elefante. O PT insiste em ser o rabo e a bosta do bicho. É repetitivo, eu sei, mas para um partido que comete sempre os mesmos erros, enquanto aguarda resultados diferentes, nunca é demais dizer.

Foi legal ver o entusiasmo e a força de Luciano D’Angelo, e seu amor pela política, e ao mesmo tempo, angustiante ver que sua onipresença representa justamente a falta de renovação do partido e dos seus quadros pensantes.

O incômodo que percebi pela ausência da deputada, não é maior que o incômodo que senti ao ver que o partido está lá em 1988, e Jefferson me lembrou Luís Antônio Magalhães, o então candidato do PT, que não aceitou entrar no movimento Muda Campos, que elegeu Anthony Garotinho.

Mas há uma sensível diferença: mesmo Luís Antônio e seus correligionários de um lado, e os que desejavam embarcar no projeto político da frente ampla contra a dinastia moribunda de Zezé Barbosa, havia um senso político mais amplo, visões de mundo em debate, enfim, havia vida no partido. Não é saudosismo, é fato, e a História prova.

Aquele PT conseguiu, a duras penas, demarcar um campo, uma posição firme, era quase uma aldeia de gauleses no meio do Império Romano, como desenharam Goscinny e Uderzo. A fórmula mágica era a esperança. Na convenção do dia 20/07 havia barulho sim, mas vida política não. Esperança? Nem rastro.

Outra coisa que me chamou a atenção foi que, findada a Convenção, realizada na sede do Sindicato dos Bancários, alguns foram para o sindicato ao lado, o dos trabalhadores em saneamento. Confesso que não entendi a divisão em dois lugares, mas pode estar relacionado com o funcionamento do Sindicato dos Bancários, sei lá.

Porém, ficou parecendo que há uma clara divisão em uma estrutura que já não reúne muita coisa. Dividir quase nada resulta em nada para todos. Não vejam na minha fala uma crítica a divisões, não.  Divisões, comportamentos e posturas diferentes são desejáveis, pois do conflito nasce o novo, é o atrito que gera energia necessária ao movimento. A questão é a hora e a forma de apresentar tais cismas.

Assim, o PT de Campos espera Godot e seus salvadores.

Em uma rede social, assisti um vídeo daqueles feitos em massa, pela Presidenta do PT, Gleisi. Além da horrorosa impessoalidade, me assombrou a falta de cuidado, o zelo em, pelo menos, repetir a gravação e corrigir o erro quando fala: “PT de Campos “do” Goytacazes”, coisa horrível, descortês mesmo.

A candidatura do PT em Campos parece um parente indesejado, que chegou sem avisar e diz que vai ficar um dia, e acaba ficando três meses. O pior é que esse parente chega em um casa de meio cômodo e sem banheiro, tal a dimensão do partido na cidade.

Tudo isso, como resultado de uma tática maluca, que foi tentar manter no páreo quem não podia estar nele, na crença que as intenções de votos consagradas à deputada Carla Machado, por encanto, fossem para no colo de outra candidatura.

Kafka não escreveria melhor: Uma candidata que não podia ser, transferiria votos que ainda eram intenções, cuja entrega nunca pretendeu ou seria impossível. Assusta a ingenuidade de quem, lá no PT, acha que essas intenções migraram para Jefferson, como se houvesse essa identidade partidária entre a deputada e o partido, ou pior dizendo, como se ela não tratasse desse capital eleitoral como um brinquedo que não quer emprestar a ninguém, como aquelas crianças egoístas.

O problema do PT de Campos não é a infidelidade declarada de Carla Machado, ou o seu completo desprezo pelos protocolos políticos caros ao partido.

Carla é Carla. Carla Machado construiu seu patrimônio político na base do mesmo personalismo que o PT diz querer combater em Campos, com uma sensível diferença: mesmo com muito mais dinheiro per capita para cuidar da sua gente sanjoanense, o que ela legou ao município, que a elegeu por duas vezes, foi 77% de pessoas na faixa da miséria e no CadÚnico.

Em qualquer avaliação séria, a administração de Carla Machado em SJB é um desastre sócio-econômico e socioambiental. O cerne é que o PT de Campos hoje é menor do que Carla Machado, e, como dissemos, ela mesma não é lá grande coisa. Além de votos em SJB, um colégio eleitoral adjacente de uma cidade satélite de Campos, qual é o grande feito de Carla Machado? O Porto? 

Hum, grilagem oficial de terra (ou reforma agrária invertida, tirando dos pobres e dando aos ricos), desterro de pessoas, desastre ambiental com salinização de terras e água potável, e agora o último dado recente que desmistifica as mentiras que o justificava sua existência: O porto gera poucos empregos de qualidade para as pessoas daqui, que, como sempre, ficaram só com o osso para roer. Combate à pobreza? Não é o que dizem os dados oficiais. Combate à desigualdade? Idem.

Então, qual é o encanto que faz Carla Machado parecer a salvação para o PT de Campos? Sinceramente, não sei responder, o coração tem razões que a própria razão desconhece, talvez.  Quem sabe?

Análises do LCA/UENF colocam Águas do Paraíba sob pressão

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O Rio Paraíba do Sul segue com águas de tom esverdeado. Foto: Silvana Rust

Uma matéria do J3 News a partir de dados gerados pelo Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Uenf confirma o que muitos já suspeitavam: há algo peculiarmente distinto florescendo nas águas do Rio Paraíba do Sul. 

Segundo a reportagem, os resultados das análises feitas pelo LCA detectaram a presença de uma espécie de cianobactéria, a Raphidiopsis SP, que é capaz de produzir potencialmente uma cianotoxina chamada de saxitoxina, que pode causar danos importantes nas funções cerebrais.

A boa notícia é que ainda não se sabe se essa toxina está sendo efetivamente produzida. Mas essa é uma boa notícia de pernas curtas, pois é evidente que a simples possibilidade dessa produção já deveria ter acendido vários sinais vermelhos a partir dos quais a concessionária Águas do Paraíba estava obrigada a ter acionado mecanismos precaucionários.  Mas pelo que eu pude notar pelas notas publicadas pela mídia corporativa campista é que tudo estaria dentro da normalidade, o que agora se vê que nunca foi bem assim. 

Como a matéria do J3News revela que os dados gerados pelo LCA/Uenf já estão na posse do Ministério Público Estadual, o que deverá aumentar a pressão sobre a Águas do Paraíba para que informações mais precisas sejam fornecidas sobre o que a concessionária efetivamente sabe sobre a condição em que se encontram as águas do Rio Paraíba do Sul.

Aliás, agora que a situação extrapolou os limites do município e está sendo noticiada pela mídia estadual, tampouco será suficiente para a Águas do Paraíba continuar afirmando que “ a água tratada distribuída à população (campista) está em conformidade com os parâmetros da legislação, própria para consumo, e não apresenta nenhum risco à saúde”. É que a estas alturas, este tipo de declaração será recebida com uma merecida incredulidade por quem recebe a água que a Águas do Paraíba trata.

O fato é que a coisa não está cheirando bem, e eu não estou falando da geosmina que também prolifera no Paraíba do Sul. Tanto isso é verdade, que o LCA/Uenf propôs que “as amostras sejam encaminhas à Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj) para análise de potável, por considerar que o tratamento convencional não é suficiente para remover o odor e gosto fora dos padrões normais“.

Aguardemos então o que fará o Ministério Público Estadual que aparece neste momento como o ente que está se movimentando para garantir o direito dos campistas de receberem uma água de qualidade em seus domicílios.

Vale e trabalho escravo: como a falta de diligenciamento impacta as cadeias de fornecimento

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Recentemente, o Ministério do Trabalho incluiu a mineradora Vale na “lista suja” do trabalho escravo, devido a irregularidades verificadas em uma empresa que prestava serviços para a mineradora em 2015, em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais. A Vale foi responsabilizada pela submissão de 309 trabalhadores a condições análogas à escravidão. Apesar de a mineradora ter cumprido um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) e rescindido o contrato com a empresa Ouro Verde, a inclusão na lista foi mantida devido a decisões judiciais.

Mas a lista é grande! Vinícolas Aurora, Garibaldi, Salton,Zara, Animale, M.Officer, a OAS, Odebrecht, Cutrale, Citrosuco, Cosan, Nespresso, Starbucks, JBS, Marfrig, Minerva.

Se tantas empresas cometem o mesmo erro, onde está o verdadeiro problema? Na cadeia de fornecimento. Segundo Lucas Madureira, CEO e cofundador da Gedanken, é possível identificar e mitigar ameaças relacionadas à sustentabilidade, advindas da cadeia de fornecimento, garantindo maior segurança e conformidade com as leis e regulamentações. Inclusive, contratar fornecedores de forma mais responsável, o que consiste avaliar seu desempenho ambiental e social. 

“Grande maioria dos casos de contratação de prestadores de serviços com casos de mão de obra análoga à escravidão poderiam ser evitados se as empresas fizessem diligenciamento mínimo de suas cadeias de fornecimento. A falta de processos básicos de gestão de risco de fornecedores se mostra tão evidente, que checks básicos como a verificação do capital social da empresa teriam evitado a contratação de diversos prestadores das vinícolas como da BP Bunge que aconteceram o ano passado, por exemplo. Em todos esses casos os prestadores tinham capital social para ter no máximo 20 colaboradores de acordo com a Lei, mas mesmo assim foram contratados para terem mais de 100 executando o serviço. Facilmente é possível observar a inconformidade”.

Exposição a agrotóxicos é tão arriscada quanto fumar para a contração de câncer, mostra estudo

agrotoxico-brasilPor Shannon Kelleher para o “The New Lede”

Pessoas que não cultivam, mas vivem em comunidades agrícolas dos EUA onde agrotóxicos são usados ​​nas fazendas, enfrentam um risco maior de câncer, tão significativo quanto se fossem fumantes, de acordo com um novo estudo.

O estudo , publicado em 25 de julho no periódico Frontiers in Cancer Control and Society , analisou dados de incidência de câncer de quase todos os condados dos EUA e observou como esses dados correspondiam aos dados federais sobre o uso de agrotóxicos . Os pesquisadores relataram que descobriram que quanto maior o uso de agrotóxicos, maior o risco para cada tipo de câncer que os pesquisadores analisaram.

cancer risk

“O uso de agrotóxicos tem um impacto significativo em todos os tipos de câncer avaliados neste estudo (todos os cânceres, câncer de bexiga, câncer de cólon, leucemia, câncer de pulmão, linfoma não-Hodgkin e câncer de pâncreas); e essas associações são mais evidentes em regiões com alta produtividade agrícola”, afirma o estudo.

“Cânceres associados a agrotóxicos parecem estar no mesmo nível de vários tipos de câncer associados ao tabagismo”, afirma o estudo. Está bem estabelecido que fumar aumenta o risco de câncer, com pelo menos de 70 dos milhares de produtos químicos na fumaça do tabaco considerados cancerígenos.

As descobertas se somam a uma riqueza de pesquisas sobre pesticidas e riscos à saúde humana que apontam para deficiências nas regulamentações de pesticidas dos EUA, disse Dana Barr, pesquisadora de saúde ambiental da Universidade Emory que não estava envolvida no estudo.

“No momento, não acho que as regulamentações para agrotóxicos sejam as mais protetoras da saúde, e elas parecem presumir que um produto químico é seguro até que seja provado que é tóxico, e não o contrário”, disse ela. “Acho que precisamos de uma reforma política que coloque o ônus sobre os fabricantes para fazer um trabalho melhor de avaliação da segurança antes de permitir novos registros.”

Os autores disseram que analisaram dados do Serviço Geológico dos EUA (USGS) disponíveis para 69 pesticidas em milhares de condados, juntamente com dados sobre câncer dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e dos Centros de Controle de Doenças (CDC).

“Ingenuamente, pensamos que algumas das taxas de [risco] de câncer não seriam afetadas”, disse Isain Zapata, professor associado da Rocky Vista University, College of Osteopathic Medicine no Colorado e um dos autores do estudo. “Foi aí que encontramos nossa surpresa”, disse ele.

“Falamos sobre pesticidas serem ruins, temos exemplos de agrotóxicos específicos tendo alguns efeitos muito extremos”, disse Zapata. Mas isso não afeta apenas pessoas que são expostas diretamente enquanto trabalham com [pesticidas].”

Além dos agricultores

Pesquisas anteriores associaram agrotóxicos a vários tipos de câncer.

O glifosato, o ingrediente ativo do herbicida Roundup e o herbicida mais utilizado no mundo, foi classificado como um provável carcinógeno humano pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC).

Mais de 100.000 demandantes processaram a Monsanto e sua proprietária Bayer AG alegando que a exposição ao Roundup e produtos relacionados os fez desenvolver NHL. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) afirma que não há evidências de que o glifosato cause câncer em humanos.

Dicamba, um ingrediente ativo em vários outros herbicidas populares, foi associado a vários tipos de câncer em um estudo do NIH de 2020. Em fevereiro, um juiz federal no Arizona proibiu três herbicidas à base de dicamba feitos pela Bayer, BASF e Syngenta e decidiu que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) violou a lei ao permitir seu uso.

O novo estudo publicado hoje não faz parte do Agricultural Health Study de longa duração , que é uma colaboração do National Cancer Institute, do National Institute of Environmental Health Sciences e da EPA. Desde 1993, o AHS estuda câncer e outros resultados de saúde em 89.000 fazendeiros licenciados para pulverizar pesticidas na Carolina do Norte e Iowa, bem como em seus cônjuges.

Em 2022, um estudo da AHS descobriu maiores taxas de câncer renal em agricultores que usavam frequentemente certos agrotóxicos , incluindo clorpirifós, paraquate e atrazina, bem como maiores taxas de câncer de tireoide em agricultores que pulverizavam o inseticida lindano e naqueles que usavam o fungicida metalaxil.

Mas, embora o Estudo de Saúde Agrícola tenha feito muitas contribuições ao conhecimento sobre a ligação entre pesticidas e câncer em agricultores, ele não leva em consideração as pessoas que vivem em áreas agrícolas, mas não cultivam.

“Nosso estudo visa preencher essa lacuna”, afirma a nova avaliação.

“Poucas áreas poupadas”

Para entender o quanto o uso de agrotóxicos contribui para o risco de câncer em diferentes regiões dos EUA, Zapata e colegas primeiro executaram uma análise estatística para mapear padrões de uso de pesticidas agrícolas nos EUA usando dados de nível de condado do USGS. Em seguida, eles usaram dados do CDC e do NIH para determinar como esses padrões de uso de agrotóxicos correspondiam às incidências de câncer.

Eles observaram o maior risco elevado em estados conhecidos pela alta produção de milho, incluindo o principal estado produtor de milho dos EUA, Iowa, juntamente com Illinois, Nebraska, Missouri, Indiana e Ohio.

O estudo observou, no entanto, que os efeitos da exposição a agrotóxicos estavam “espalhados por todo o país, com poucas áreas poupadas”.

Embora os estudos tenham se concentrado no uso de agrotóxicos como um todo, eles também descobriram que alguns produtos químicos específicos contribuíram mais para o risco de câncer de um condado do que outros. Por exemplo, riscos maiores de câncer de cólon e pâncreas foram encontrados em regiões onde o dicamba era popular, enquanto riscos maiores de câncer em geral, bem como câncer de cólon e pâncreas, especificamente, foram observados em regiões onde o glifosato era amplamente usado.

“Precisamos educar as pessoas”, disse Zapata. “Precisamos continuar fazendo pesquisas para termos melhores maneiras de usar esses produtos ou avaliar os efeitos desses produtos.”


Fonte: The New Lede