Pescadores denunciam que o derrame de tolueno continua ameaçando a integridade ambiental da Baía da Guanabara

barreira 2

Barreiras físicas são instaladas em corpo aquático que teria sido contaminado pelo derrame de tolueno 

Convivendo há décadas com constantes derrames de substâncias tóxicas no interior da Baía da Guanabara por vazamentos e descartes realizados pela Petrobras, os pescadores artesanais que sobrevivem da pesca no interior daquele ecossistema, estão sendo novamente assombrados por mais um episódio de contaminação, agora por tolueno, que é a matéria-prima a partir da qual se obtêm derivados do benzeno, como caprolactama, sacarina, medicamentos, corantes, perfumes, TNT e detergentes.

A situação que neste momento preocupa os pescadores da Baía da Guanabara é, na prática, uma espécie continução de episódio ocorrido no início de abril que forçou a suspensão da captação de água no Sistema Imunana-Laranjal, responsável pelo abastecimento de várias cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, e que está localizado em um trecho do Rio Guapiaçu, em Guapimirim, na Baixada Fluminense.

barreira 1

Barreiras físicas instaladas para deter fluxo de tolueno para o interior de rios da Baía da Guanabara

A situação de forte preocupação em torno deste episódio  continuado envolvendo o derramento de tolueno já forçou a realização de uma realização de lideranças de pescadores sob liderança da Rede Ahomar com a direção do IBAMA no Rio de Janeiro no dia 24. Mas lideranças presentes dã conta que a reunião que não chegou a ter resultados conclusivos, especialmente porque o licenciamento dos dutos de onde teriam vazado o tolueno é de responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), configurando uma verdadeira dança das cadeiras.

Afora, as dificuldades de acesso aoss dados em posse do INEA,  as lideranças dos pescadores reclamam que se estabeleceu uma cortina de silêncio sobre o nível de contaminação que efetivamente ocorreu nos rios alcançados pelo derrame de tolueno. A questão para os pescadores é que, apesar do tolueno não ser bioacumulável, os seus efeitos biológicos no homem e em animais se manifestam principalmente no sistema nervoso central,  tendo como efeitos coleterais, mesmo em doses baixas, a ocorrência de casos de náusea, tontura, desorientação e queda da imunidade. O problema é que em casos de exposição a concentrações extremas, pode haver, inclusive, a morte do organismo afetado. 

Uma coleta realizada em 20 de abril, sobre a qual os pescadores têm dúvidas sobre a validade científica, aponta que efetivamente há ainda a presença de tolueno nas amostras coletadas, ainda que a maioria esteja supostamente em níveis abaixo dos limites estabelecidos  pela Resolução CONAMA 357/2005 (ver figura abaixo).

tolueno 1

Desta forma, neste momento  há uma forte mobilização entre os pescadores para obter a devida transparência sobre o que de fato está ocorrendo nos rios que estariam sendo afetados pelo episódio continuado de contaminação de tolueno.  Um dos temores é que as atividades de pesca sejam prejudicadas por um período de tempo que comprometa a geração de renda e a obtenção de alimentos para centenas de famílias de pescadores.

Uma liderança da Rede Ahomar com quem pude conversar sobre a situação, me informou que  a situação ocorrendo em Guapimirim é fortemente preocupante, na medida em que que a retomada da coleta de água para abastecimento do Sistema Laranjal pode não ter sido acompanhado pelo devido  monitoramento, colocando em risco a saúde da população.

Amazônia brasileira tem mais de 80 mil pontos de garimpo, diz nota técnica do IPAM

Pico da atividade ilegal em terras indígenas ocorreu nos anos Temer e Bolsonaro; rios em ao menos 139 territórios são poluídos

destruição garimpo

Uma nota técnica publicada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) nesta sexta-feira, 26, mostra que há 80.180 pontos de garimpo na Amazônia brasileira em uma área de 241 mil hectares – mais de duas vezes o tamanho de Belém.

Cerca de 10,5% dessa área, ou 25 mil hectares, está em 17 terras indígenas diretamente invadidas. Segundo a análise do IPAM, outras 122 estão em bacias hidrográficas garimpadas, totalizando ao menos 139 territórios e seus rios contaminados pela atividade.

Mesmo a mineração localizada fora dos limites de terras indígenas não está tão longe assim. Ocupando uma área de 84,3 mil hectares, 44% desses pontos de garimpo se fixaram em um raio de até 50 quilômetros das bordas dos territórios.

“O impacto do garimpo tem um alcance muito maior do que a área diretamente afetada por essa atividade. Com isso, os poluentes contaminam rios, solos, fauna e flora que acabam afetando a saúde dos povos indígenas da região”, diz Martha Fellows, coordenadora do núcleo de estudos indígenas do IPAM e autora.

16 vezes mais garimpo

O ápice da invasão de terras indígenas amazônicas pelo garimpo ocorreu de 2016 a 2022, identifica a nota técnica, durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. No intervalo, povos originários viram a atividade crescer 361% em seus territórios. A maior parte (78%) da área invadida por garimpeiros em terras indígenas surgiu nesse período.

A velocidade com que o garimpo chega a terra indígenas é maior do que o avanço da atividade no restante da Amazônia: de 1985 a 2022, a área garimpada cresceu 16 vezes dentro dos territórios; e 12 vezes em todo o bioma.

As terras indígenas Kayapó, Munduruku e Yanomami, nessa ordem, são as mais invadidas. O território Kayapó, habitado por povos Mebêngôkre e isolados às margens do rio Xingu, no Pará, tem 55% de toda a área garimpada em terras indígenas na região. Juntas, as três concentram 90% da área indígena invadida por garimpos.

Dentro das terras Kayapó, a mineração ilegal cresceu 1.339% em 38 anos. No território Munduruku, também no Pará, o aumento foi de 129 vezes no período. E na terra Yanomami, em Roraima e no Amazonas, o garimpo ampliou em mais de 20 mil vezes a área invadida, no mesmo intervalo.

Flexibilização legal

De acordo com a nota técnica, o aumento “sem precedentes” na área de garimpo em terras indígenas e na Amazônia brasileira são explicados pela “flexibilização legal no último ciclo legislativo”.

Uma análise do histórico de regulamentação das atividades minerárias, desenvolvida no estudo, revela direções diferentes adotadas pela legislação.

“Há uma disputa legal para regulamentar a atividade minerária. De um lado, mecanismos legais que buscam garantir a segurança socioambiental; do outro, tentativas de afrouxar e até desrespeitar os direitos indígenas fundamentais”, acrescenta Fellows.

Garantindo a integridade socioambiental de áreas afetadas pelo garimpo está a própria Constituição Federal, por exemplo; enquanto as “facilidades para o exercício dessa atividade”, citam os pesquisadores, se mostram na Lei da Boa-fé (Lei n° 12.844/2013) e no Estatuto do Garimpeiro (Lei n° 11.685 de 2008).

Tornar mais robusta a legislação minerária e indigenista é uma das recomendações da nota, que endossa o seguimento do Projeto de Lei n° 3.025/2023, pela implementação de um sistema de rastreio da produção e comercialização do ouro.

Os autores frisam a necessidade da desintrusão imediata de garimpos em terras indígenas, com prioridade para as mais atingidas. A criação de um plano para evitar a reincidência nos territórios é destacada, com fortalecimento de órgãos de fiscalização em ações articuladas com órgãos indigenistas, visando o respeito aos povos e suas culturas.

Leia a nota técnica (disponível para download).

Assembleia da JBS: Proteção Animal Mundial projeta imagens de protesto contra a empresa em São Paulo

Protesto- Proteção Animal Mundial - 1

São Paulo, 26 de abril de 2024- Na noite de quinta-feira (25/04), véspera da assembleia geral da JBS, que será realizada nesta sexta-feira (26/04), a organização não-governamental Proteção Animal Mundial, em parceria com a rede Projetemos, projetou imagens em três endereços da capital paulista chamando a atenção para ações da empresa que trazem impactos para o meio ambiente, para os animais e para a sociedade.

As projeções foram feitas nos bairros Perdizes e Bela Vista, em duas lojas Swift – marca que integra o portfólio da JBS –, local de venda de carnes bovina, suína e de frango da empresa diretamente no varejo. O terceiro local foi a Avenida Consolação,escolhido pelo grande movimento de pessoas. 

As mensagens da Proteção Animal Mundial destacam os maiores impactos causados pela agropecuária industrial da JBS, como desmatamento, queimadas e sofrimento animal. Esse modelo tem provocado ainda desigualdade social e tem sido um dos maiores contribuintes para a mudança climática. 

“A escolha das mensagens projetadas não são baseadas em opinião, mas sim, em evidência de relatórios e pesquisas de campo, tudo publicado em importantes veículos de imprensa. Essa relação da JBS com o desmatamento e os impactos sobre a nossa sociedade não é algo recente. Por isso, essa ação tem como objetivo chamar a atenção da sociedade para a empresa, ao mesmo tempo em que acontece a assembleia-geral, já que é lá que estarão seus acionistas e executivos com salários astronômicos. Esse é o momento em que planejam meios de gerar ainda mais lucros, às custas do meio ambiente, dos animais e das pessoas”, alerta Marina Lacôrte, gerente de sistemas alimentares da Proteção Animal Mundial.

Saiba mais sobre as palavras e expressões projetadas:

Destruição e Desmatamento

A empresa tem um histórico antigo de desmatamento em sua cadeia, e segue sendo o foco de denúncias recentes também ao adquirir os grãos que alimentam bovinos, porcos e galinhas, conforme mostrou o relatório da Proteção Animal Mundial “Prática atrasada, terra arrasada”. O documento mostra ainda que fornecedores da JBS se apropriaram ilegalmente de terras, impactando a vida silvestre e desrespeitando as comunidades tradicionais.

Um monitoramento realizado por organizações ambientalistas mostrou, recentemente, que fazendas ligadas à cadeia de suprimentos da JBS na Amazônia e no Cerrado desmataram novas áreas no último ano — parte delas com indícios de ilegalidade. Auditoria das fazendas que abastecem diretamente a JBS no Pará revelou, em 2022, que  16,7% delas – ou seja, uma em cada seis – praticou desmatamento para abrir pastagem para o gado

Mudança Climática

Um estudo do Observatório do Clima mostrou que os sistemas agroalimentares no Brasil representam 74% das emissões de gases de efeito estufa no país, sendo o fator principal a conversão de uso do solo para implantação de atividade agropecuária, e mostrando que a pecuária industrial é o setor que mais impacta no resultado final. Já no relatório “Ranking dos vilões da pecuária”, a Proteção Animal Mundialclassifica as cinco gigantes mundiais da pecuária industrial intensiva de acordo com a quantidade de emissões de gases de efeito estufa e sua cadeia de produção de carne suína e de frango. A brasileira JBS, maior produtora de carne do mundo e detentora das marcas Seara, Swift e Friboi,lidera o ranking desses poluidores, sendo responsável por emissões equivalentes a 14 milhões de carros em circulação a cada ano.

Queimadas

Em 2022, cerca de mil hectares de floresta amazônica queimaram na Fazenda Rondon, no Mato Grosso. A área havia sido desmatada ilegalmente nos meses anteriores. Essa fazenda forneceu dezenas de lotes de gado para a JBS. A JBS também admitiu ter comprado 9 mil cabeças de gado de três fazendas em Rondônia com desmatamento ilegal, todas vinculadas a uma quadrilha de desmatadores cujo líder está preso, condenado a 99 anos de cadeia. Vale destacar ainda que, em julho de 2019, a JBS comprou gado de um fornecedor responsabilizado por destruir, a corte raso, 50 hectares de vegetação nativa no interior da área de conservação.

Sofrimento animal  

É um fato que a pecuária industrial condena bilhões de animais, desde o momento em que nascem até serem mortos. A vida dos porcos, galinhas e bovinos é repleta de violências e privações. Nesse sistema, animais são criados em espaços minúsculos, sem poder se mexer, com altas cargas de antibióticos (muitas vezes de maneira profilática para que o estresse a que são submetidos não se converta em doença) e ainda sofrem diversos tipos de mutilações. O desmatamento que persiste nas cadeias do setor, torna a atividade responsável também pelo sofrimento de diversos animais silvestres ao destruir seus territórios.

Em 2018, uma investigação da Mercy for Animal registrou funcionários da JBS matando porcos de forma bastante cruel. O tratamento dado aos bois tampouco segue as recomendações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e as práticas dos fornecedores da JBS já violaram a política de bem-estar animal estabelecida pela própria empresa, conforme também já mostrou aRepórter Brasil.

Considerando todo o histórico da JBS em não dar a devida atenção para a rastreabilidade e conformidade total de todos os seus fornecedores e atividades que compõem sua cadeia, não há qualquer garantia de que cenas crueis como as já expostas anteriormente não sigam acontecendo.

Protesto- Proteção Animal Mundial - 2

Desigualdade

Um novo relatório intitulado “Os custos ocultos do monopólio industrial da carne” mostrou que em regiões onde a JBS tem presença significativa, houve um aumento notável na dependência de programas de assistência governamental, como o Bolsa Família, mostrando que, embora o crescimento financeiro da JBS eclipse o PIB de muitos estados brasileiros, a sua riqueza não é distribuída ou voltada para melhorar as condições de vida nestas áreas. Segundo o mesmo relatório, enquanto mais de 100 mil trabalhadores da JBS ganham um salário médio de R$ 1.700 mensais – um terço do que é estimado como salário digno no Brasil, – cada um dos cinco principais executivos da JBS fatura cerca de R$ 2 milhões por mês. 

O que é ruim sempre pode piorar, e o IMTT conseguiu exatamente isso

roberta

Por Douglas Barreto da Mata

Não há nada que se aproveite na gestão municipal de mobilidade urbana em Campos dos Goytacazes. O IMTT, através de seus administradores, revelou-se totalmente incapaz de dotar o município de um plano mínimo de mobilidade.

Não se trata apenas (que já seria muito) de organizar, planejar e regulamentar o transporte público, com ênfase nos modais de maior capacidade, com emprego de ônibus, VLT, trens, recuperando a malha que serviu a movimentação desde a sede até o interior da cidade.

Há, por fim, a possibilidade (remota) de uso de veículos aquáticos, aproveitando o curso do Rio Paraíba, reduzindo a carga de demanda em horários de pico, entre as duas margens, com integração com outros modais. Isso requer tempo, investimento e, acima de tudo, o binômio: vontade política e capacidade, que o IMTT já demonstrou não ter.

Eu falo de coisas mais imediatas e dramáticas.  Como previsto, a recuperação da malha asfáltica, junto com a implementação de programação de semáforos, com o objetivo de aumentar a velocidade média das vias, as chamadas “ondas verdes”, aumentam, geometricamente, o índice de sinistros de trânsito na cidade.

Na verdade, deveriam se chamar “ondas vermelhas”, da cor do sangue das vítimas de incidentes de trânsito.

Com isso, aumentam os efeitos subsidiários, que impactam os três níveis orçamentários da federação, como: internações, incapacitações, os sistemas previdenciários, e por derradeiro, aquilo que não se pode calcular, o preço da vida e da integridade física das pessoas.  Nem as chamadas ciclofaixas, inseridas neste contexto caótico de aumento de velocidade dos veículos, podem ser consideradas um avanço.

Junto com isso tudo, a total ausência de repressão das infrações de trânsito, de uso de radares, redutores de velocidade, presença de agentes, enfim, qualquer coisa que contenha a fúria assassina dos donos de veículos, proporcionam a tempestade perfeita.

Afinal, de quem é a cidade? Não será exagero dizer que, ao menos no trânsito, Campos dos Goytacazes é uma cidade sem lei.  Quer dizer, tem lei sim, a lei do cão, a lei do mais forte.

Há na planície campista uma ditadura dos carros? Então, corram para as montanhas.

Bayer é denunciada na OCDE por violações dos direitos humanos e danos ao meio ambiente

Seis organizações da sociedade civil na Alemanha apresentaram uma denúncia para esclarecer a responsabilidade da Bayer pelos impactos negativos do uso de sementes geneticamente modificadas e de agrotóxicos à base de glifosato

soja paraguay

Foto: Colonia Yvyp, Paraguai

Por CELS

Juntamente com uma coalizão de organizações da sociedade civil do Brasil, Paraguai, Bolívia e Alemanha, apresentamos uma queixa à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) contra a Bayer AG, responsabilizando-a pelos graves impactos ao meio ambiente e aos direitos humanos que causou. gera agricultura industrial na América do Sul. A reclamação foi apresentada durante a assembleia geral da empresa.

A queixa à OCDE documenta quatro casos específicos que mostram os impactos negativos deste modelo agrícola em áreas onde a Bayer AG comercializa amplamente os seus produtos. Como parte da denúncia, o Centro de Estudos Jurídicos e Sociais (Argentina), Terra de Direitos (Brasil), BASE-IS (Paraguai), Fundación TIERRA (Bolívia), Misereor e ECCHR exigem que a Bayer AG faça mudanças sustentáveis ​​em seus negócios práticas a fim de respeitar os direitos das comunidades locais e do meio ambiente.

Com base nas evidências de extensas pesquisas e inúmeras entrevistas com comunidades afetadas, verificamos que a empresa promove na América do Sul um modelo agrícola que causa insegurança alimentar, escassez de água, desmatamento extremo, perda de biodiversidade, graves consequências para a saúde e conflitos por terras com comunidades indígenas e camponesas.

“A empresa não respondeu adequadamente aos graves riscos aos direitos humanos e ao meio ambiente diretamente relacionados ao seu modelo de negócios na região. Nem foram monitorizados os impactos da utilização de sementes geneticamente modificadas e pesticidas, nem foram tomadas medidas adequadas para os prevenir e mitigar”, afirma Sarah Schneider, especialista global em agricultura e nutrição da Misereor. 

Em média, mais de 50% das terras aráveis ​​nestes países são atribuídas à soja geneticamente modificada. A Bayer afirma ser líder latino-americana na comercialização de soja resistente ao glifosato e aos pesticidas à base desta substância.

Sobre a denúncia, Abel Areco, Diretor da BASE-IS, afirma:  Mostramos que, devido ao avanço do cultivo da soja, em nossa região as pessoas sofrem com intoxicações e doenças graves; existem fontes locais de água tão contaminadas que não podem mais ser consumidas; comunidades indígenas e camponesas são desapropriadas de seus territórios, afetando seus modos de vida e alimentação; “Milhares de hectares de floresta desaparecem, ameaçando animais e plantas locais”.  

“As Diretrizes da OCDE são claras ao estabelecer deveres de devida diligência para a cadeia de valor a jusante, especialmente nos casos em que pode ser prevista a utilização indevida de um produto. Embora a lei alemã sobre cadeia de abastecimento na sua versão atual não inclua esta parte da cadeia de valor, a Bayer deve cumprir as Diretrizes da OCDE. Pedimos que, para a soja transgênica e os pesticidas à base de glifosato, a Bayer desenvolva políticas de due diligence baseadas no risco e que considerem o contexto da América Latina para contribuir para uma solução de longo prazo”, afirma Silvia Rojas Castro, Assessora Jurídica do ECCHR.

A OCDE tem agora três meses para decidir sobre a admissibilidade da denúncia e assim apoiar a mediação entre as partes afetadas e a empresa. As organizações esperam que a Bayer responda à denúncia e participe ativamente na resolução dos problemas.

Quatro países, quatro casos

Argentina: Impacto na saúde na área de soja Pergamino

Sabrina e sua família moravam no bairro Villa Alicia, em Pergamino, na divisa com os campos de soja. Em 2011 começaram a ter graves problemas de saúde, como alergias e problemas respiratórios, em consequência das fumigações. A partir dos resultados das análises descobriu-se que tanto ela como os seus filhos têm elevadas percentagens de glifosato e ampa (que é o metabolito do glifosato) na urina. Por prescrição médica eles tiveram que se mudar.

O caso de Sabrina é processado. Em setembro de 2019, foi ordenada uma medida cautelar que estabelecia a proibição da pulverização a menos de 1.095 metros de qualquer área urbana de Pergamino e a uma distância de 3.000 metros no caso de fumigação aérea. Nesse mesmo ano, três produtores rurais foram processados ​​por considerá-los “prima facie” coautores criminalmente responsáveis ​​pelo crime de “poluir o meio ambiente em geral, de forma perigosa à saúde, através da utilização de resíduos classificados como perigosos (agrotóxicos)”. e dois servidores municipais, dependentes da Secretaria de Produção e da Secretaria-Geral, pelo crime de descumprimento de deveres de funcionário público de forma continuada.

No decorrer da investigação, foram ordenadas batidas nos campos onde foram realizadas as fumigações e foram encontrados produtos – agroquímicos para fumigação – da marca comercial pertencente à Monsanto SA, hoje Bayer.

Paraguai: Agronegócio avança em terras camponesas

A Colônia Yeruti Ñu (“Colônia Yeruti”), localizada ao leste do Paraguai, no distrito de Curuguaty, a cerca de 212 km da capital do país, Assunção, é um assentamento rural criado pelo Instituto de Assistência Rural (IBR) com área total de 2.212 hectares, divididos em 223 lotes agrícolas cedidos aos beneficiários da reforma agrária, principalmente pequenos produtores camponeses, para produção de itens de autoconsumo e assentamento.

Atualmente, os cultivos mecanizados aumentaram exponencialmente em seu entorno e avançaram 60% sobre a área da colônia, às custas das famílias camponesas que vivem no local, que estão condenadas a viver em poucos hectares de terras e cercadas por grandes áreas de produção de soja, onde são realizadas constantes fumigações com agrotóxicos. Em 2011, diversas pessoas foram hospitalizadas com sinais de intoxicação por agrotóxicos. Uma das pessoas morreu e o caso foi denunciado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que emitiu parecer favorável às vítimas do caso.

Colonia Yvype está localizada na região nordeste do Paraguai, no distrito de Lima, departamento de San Pedro, a cerca de 245 km da capital, Assunção. Esta colônia agrícola foi fundada pelo IBR. Oficialmente, a colônia abrange uma área total de 3.889 hectares, divididos em 190 lotes agrícolas de 20 hectares cada. Esses lotes foram inicialmente cedidos a agricultores camponeses no âmbito da reforma agrária, com o objetivo de desenvolver a Agricultura Familiar Camponesa. Atualmente a colônia é cercada e penetrada pela monocultura da soja impulsionada por grandes e médios produtores que se dedicam ao agronegócio, expulsando à força os moradores do local e as famílias camponesas que resistem ao avanço das lavouras mecanizadas, são despejadas e criminalizadas.

Em ambas as comunidades rurais individualizadas, as escolas foram fechadas pelo Ministério da Educação e Ciência, por falta de alunos, situação dada pela expulsão das famílias camponesas para dar lugar aos setores mercantis. O encerramento destes centros educativos gera enormes dificuldades às famílias que têm filhos em idade escolar e ainda residem nos bairros.

Brasil: Poluição do povo indígena Avá-Guarani

No Brasil, a Bayer lidera o mercado de sementes geneticamente modificadas e pesticidas. Num cenário em que 95% da soja cultivada no Brasil é geneticamente modificada, as sementes Intacta foram utilizadas em 80% das plantações. Juntas, a Bayer-Monsanto representa 9 das 18 variedades de sementes geneticamente modificadas autorizadas para cultivo comercial, segundo Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio (2022). De 2010 a 2021, o uso de agrotóxicos no Brasil dobrou. São vendidos pelo menos 50 pesticidas proibidos na União Europeia. O glifosato é o ingrediente ativo mais vendido. Só em 2022, foram comercializadas 230.519 toneladas de glifosato no país e 31.270 toneladas no Paraná.

O Paraná é o segundo estado produtor de soja do Brasil. Nos municípios de Guaíra e Terra Roxa o uso de agrotóxicos é predominante: 509 dos 661 estabelecimentos agropecuários de Guaíra e 921 dos 1.209 estabelecimentos agropecuários de Terra Roxa relataram uso de agrotóxicos. Nestes dois municípios, onde predominam o plantio de soja e milho, estão localizadas três aldeias indígenas, aldeias Avá-Guaraní. A relação entre indígenas e agricultores é tensa.

O uso intensivo de agrotóxicos contaminou rios, alimentos, animais e povos indígenas. Os pesticidas são até usados ​​como arma química para confinar os povos indígenas a uma faixa de terra cada vez menor. Dependentes de rios e nascentes para acesso à água, as aldeias relatam doenças frequentes como vômitos, dores de cabeça, abortos espontâneos, dificuldade para respirar, entre outras, principalmente entre idosos e crianças. Relatam também o desaparecimento de espécies silvestres de pássaros, abelhas, borboletas, animais de caça e diminuição do número de peixes nos rios e perda da capacidade de produção de alimentos devido às águas e rios contaminados, gerando impactos na soberania alimentar dessas pessoas. Existem áreas fumigadas com agrotóxicos próximas às casas ou estradas indígenas. Em testes laboratoriais, foi verificada a presença do glifosato e de seu principal metabólito, o ácido aminometilfosfônico (AMPA), em mananciais das aldeias (Y’Hovy, Pohã Renda e Ocoy).

Bolívia: A Bayer/Monsanto é responsável pelo desmatamento para o cultivo de soja geneticamente modificada

Na Bolívia, o cultivo de soja geneticamente modificada ocupa 50% das terras cultivadas de Santa Cruz, departamento que concentra 7 em cada 10 hectares de terras agrícolas do país. Na última década (2011-2022), cerca de 436 mil hectares de floresta foram desmatados diretamente para o cultivo de soja, o que mostra que o modelo se sustenta graças à incorporação permanente de novas terras em detrimento das florestas tropicais e primárias.

Nessa transformação, a Bayer/Monsanto participou de forma decisiva não só na expansão territorial do modelo soja, mas também na abertura legal do uso da semente de soja RR1. Desde o final da década de 1990, a Monsanto exerceu pressão sobre o governo central para aprovar uma medida definitiva em 2005 (Decreto Supremo nº 28.225) em favor desta empresa agroquímica. Hoje, a Bayer/Monsanto continua sendo o maior importador e comerciante do herbicida Roundup Ready. Durante 2011-2022, forneceu em média 17% do glifosato (25 milhões de quilogramas), sendo parte utilizada em áreas de desmatamento recente. 


Fonte: CELS

As lições de Sérgio Cabral Filho que o prefeito Wladimir Garotinho deveria lembrar

guardanapos-1

Por Douglas Barreto da Mata

Líderes políticos, como artistas, esportistas, e porque não dizer, até nós mesmos, temos uma face pública e outra privada. Nós, pobres mortais, temos até uma vida particular bem maior que desejaríamos ter…nossa vida pública se resume a trabalho, escola, e outras obrigações enfadonhas.  Nada de viagens, restaurantes caros, enfim, a mesmice da pobreza se mistura nas duas esferas de convivência, para nos dar aquilo que é, nos dias atuais, quase uma sentença de morte: o anonimato.

Já para as pessoas que vivem ou utilizam sua imagem pública como ferramenta de vida, quase sempre suas personagens públicas são confundidas com aspectos privados de suas vidas, em busca da tão desejada popularidade.

Quando se tratam daqueles que exercem cargos públicos, ou que são figuras “famosas”, há de se ter um certo cuidado, um tipo de decoro, de forma a preservar as instâncias privadas (família, negócios, etc), e afastar a contaminação e confusão entre o que se faz, e principalmente, o que se pode fazer em público, e o que deve ficar restrito às esferas privadas de cada um.

É um exercício doloroso, porque a popularidade é tipo uma droga, e como tal, vicia.  Como tal (como uma droga) ela (a popularidade) traz sentimentos de invencibilidade e de infalibilidade.  Esses sentimentos, se não forem bem dosados, intoxicam a privata persona.

Esta intoxicação se manifesta no exato momento que passamos a imaginar que todos nossos hábitos e atos íntimos, nossas preferências podem ser catapultadas e entendidas pelas esferas públicas às quais nos dirigimos.  Nem sempre os intoxicados percebem, como em todos os outros vícios.

Como resultado, a esfera pública (o público) passa a entender que pode julgar e interferir em nosso comportamento, e isso gera um ruído, porque tais escrutínios (julgamentos) são, geralmente, indesejáveis, quando não violentos e cruéis.

Um exemplo? Sérgio Cabral Filho.  Jornalista, Presidente da ALERJ, eleito Governador, “amigão” do Presidente Lula 2 (mandato 2), classe média alta, herdeiro de um capital social e intelectual invejável, de seu pai, jornalista famoso nos meios “formadores de opinião” da Capital do Rio, leia-se, ricos da Zona Sul.

Pois bem. Ninguém nunca questionou os hábitos de Sérgio Cabral, nem do pai, nem do filho, enquanto gozavam dos privilégios comuns à classe à qual pertenciam, e aos meios onde circulavam. Ou seja:  Cabral filho não precisou fingir ser pobre, ou esconder sua origem, nada disso.

O pacto político que o elegeu (Cabral) Governador não precisou mais do que “popularizar” a imagem dele, é certo, mas não o fez andar de ônibus ou trem da Central, entrar na fila do restaurante popular, ou fazer a mudança dele e da família do Leblon para Bangu.

Qual foi o fim da figura pública de Sérgio Cabral Filho, que inclusive levou junto a figura e o legado do pai?  A República dos Guardanapos.

A prisão, as investigações, até seu alegado envolvimento com as agressões sofridas pelo seu vizinho de cela, o ex Governador Garotinho, nada disso destroçou tanto a imagem de Cabral, quanto a imagem dele e outros apaniguados, em Paris, com guardanapos na cabeça. Vejam bem que ali não havia nenhuma cena pornográfica, nenhuma evidência de desvio de dinheiro público, nenhuma cena de violência ou destempero do ex Governador. 

Então, o que aconteceu?  A afronta, a falta de decoro, o ato público de escárnio. Esta atitude disparou um sentimento comum (e mortal) no restante das pessoas que não podem fazer o mesmo: a hipocrisia, e passamos a criticar o que é, paradoxalmente, desejado no íntimo por cada um de nós.

Afinal, quem não deseja dançar em um restaurante mega chic em Paris com os amigos, fazendo o que bem entender, inclusive papel ridículo?  O problema é que o público não tolera tais comportamentos em seus mandatários.

O público, seja por hipocrisia, seja por inveja, não importa, não permite o excesso.

Todo mundo sabia da vida boa de Cabral, de seus confortos, de jantares, o que, aliás, são próprios da vida de governador.  O público sabia, e nunca toleraria, também, ver um governador maltrapilho, barba por fazer, e morando em um quitinete em Copacabana, justamente porque soaria falso, e igualmente ofensivo. O público, em sua maioria pobre, não aceita que os seus representantes “brinquem de pobre”, mas odeiam ainda mais a opulência ofensiva.

Descer de uma SW HILUX Toyota? Ok.  Descer de uma Ferrari? Nunca.

É isso que o Prefeito de Campos dos Goytacazes parece não ter entendido.  Mesmo fugindo como o diabo foge da cruz das redes sociais, sempre tem alguém a nos mostrar, compartilhar vídeos.

Este fim de semana, as redes sociais dos opositores do Prefeito tentaram emplacar críticas aos seus gostos e preferências de lazer, às suas companhias, e a uma certa opulência.

Talvez para afastar da memória da população o registro de uma autoridade estadual cambaleando pelas ruas de Londres, de madrugada, falando alto, como se estivesse para lá de Bagdá, digamos, alguns coqueiros.

O argumento de que ninguém tem nada a ver com a vida particular deles é correto.  Até certo ponto.

Aqueles que fazem de suas vidas particulares instrumentos de engajamentos para alavancarem suas carreiras, como é muito comum hoje em dia, não podem recorrer ao refúgio da privacidade, toda vez que foram surpreendidos em situações adversas ou forem questionados por seus hábitos privados de consumo, ou outros quaisquer.

Aqueles que demonstram publicamente sua fé (que é algo que deveria ser privado), falam de comportamentos, regras, normas de convivência, e até de caráter alheios, não têm o benefício da privacidade. É o jogo.

Neste sentido, parece que o Prefeito de Campos dos Goytacazes está oferecendo, de bandeja, as armas para que seus desafetos transformem uma bem sucedida carreira, e uma imagem até aqui impecável, de pai, homem público, em uma figura de playboy, perdulário e indiferente.

Não se trata de fingir de pobre, como já dissemos, nem ignorar o fato de que é filho de casal de governadores, e de uma bem sucedida família de políticos, e que isso trouxe para ele vantagens em relação à imensa maioria dos cidadãos e cidadãs que o elegeram.

Nada disso. A questão é o decoro, o respeito ao fato de que sua posição privilegiada não pode ferir os sentimentos de quem está  por baixo no grande esquema da vida.

É hipocrisia nossa, da maioria? Sim, claro que é, mas saber disso de nada adianta.  Pois são os hipócritas, que são a maioria, que votam ou não votam em seus representantes.

Os brocados ensinam:  

“Quem fala demais dá bom dia a cavalo”.  “Galinha que muito sassarica quebra o bico”. “À mulher de César, não basta ser honesta, tem que parecer honesta”.

Mas deixe eu ficar quieto, porque “porco metido leva arame no focinho”.

Lixo eletrônico: a cara feia da tecnologia que assombra a América Latina

basura-electronica-996x567

O mundo está afogado em lixo eletrônico e o continente americano não é exceção. Só em 2022, gerará 14 bilhões de Kg. Crédito da imagem: Basel Action Network/Flickr , sob licença Creative Commons CC BY-ND 2.0 Deed.

Os aterros de resíduos eletrônicos representam um risco de contaminação não só para as pessoas que neles trabalham ou vivem perto deles, mas para todos os seres humanos e para o ambiente , porque geralmente contêm micropartículas potencialmente tóxicas ou cancerígenas, ou os chamados poluentes orgânicos persistentes (COP).

De acordo com o Global E-waste Monitor 2024 , em 2022 (última medição disponível), o mundo gerou 62 mil milhões de kg de lixo eletrônico, uma média de 7,8 kg per capita. Apenas 22,3 por cento (13,8 mil milhões de kg) do lixo eletrônico gerado foi documentado como devidamente recolhido e reciclado.

As Américas ocupam o terceiro lugar na geração desses resíduos no mundo: 14 bilhões de kg. E a América do Norte, região que mais exporta lixo eletrônico para o resto do continente, especialmente para a América Central, detalha o relatório.

Em 2019 (última medição), o número de resíduos eletrônicos enviados da América do Norte para a América Central e do Sul foi de 92.913 toneladas, afirma Kees Baldé, um de seus autores, em entrevista ao SciDev.Net.

Aponta que os Estados Unidos são o maior produtor desse lixo, com 7,2 bilhões de quilos, seguido pelo Brasil com 2.400 e em terceiro lugar o México com 1.500.

No entanto, apenas 3% do lixo eletrônico na América Latina é tratado de forma ecologicamente correta, segundo a ONU . O destino dos 97% restantes é desconhecido.

Uma das irregularidades encontradas pela equipe de Baldé foram contêineres que atravessam fronteiras como produtos eletrônicos de segunda mão.

Neles, superficialmente você pode ver dispositivos que continuam funcionando, porém, “quanto mais fundo você vai, mais lixo você encontra. Além disso, esses embarques ocorrem em grande escala e é muito difícil para a alfândega fiscalizá-los […] vira uma agulha no palheiro”, afirma Baldé.

A desmontagem de equipamentos eletrônicos requer equipamentos de proteção especiais, incluindo luvas de proteção, respiradores e espaços ventilados. Crédito da imagem: Cortesia de Ecoazteca para SciDev.Net

O relatório aponta ainda que estes movimentos de resíduos eletrônicos normalmente partem de países desenvolvidos com capacidades de gestão de resíduos perigosos, para nações com rendimentos médios ou baixos e com menor capacidade de reciclagem . Isto significa que muitas vezes é o sector informal o responsável pelo processamento destes resíduos.

Isto acontece, por exemplo, no bairro Renovación da prefeitura de Iztapalapa, na Cidade do México, onde existem muitos negócios informais que compram lixo eletrônico que é desmontado a céu aberto para extrair seus valiosos componentes.

“Eles ganham um pouco mais do que ganhariam se não tivessem esse emprego, mas aos poucos estão se matando fazendo isso”, diz Baldé.

Heberto Ferreira, engenheiro de sistemas computacionais do Instituto de Pesquisa de Ecossistemas e Sustentabilidade do México, alerta que, quando expostos às intempéries, “esses equipamentos geram lixiviados que eventualmente permeiam o lençol freático. E talvez em pouco tempo isso possa contaminar nossos corpos d’ água . E seria irreversível.”

Retardadores de chama bromados, ainda mais perigosos

Marcos Vieira Fagundes, gestor de resíduos eletrônicos em Vitória, capital do Espírito Santo, estado do sudeste do Brasil, afirma que mesmo no processo formal de gerenciamento de resíduos eletrônicos existe o perigo de contaminação, apesar de serem tomados cuidados, como o uso de equipamentos de proteção individual equipamento.

“Todas as etapas precisam de atenção, desde a separação de resíduos até a segregação de metais e plásticos rígidos”, disse ele ao SciDev.Net .

Mesmo tomando todos os cuidados, existe um risco latente de contaminação no manuseio de resíduos eletroeletrônicos. Crédito da imagem: Cortesia de Marcos Vieira Fagundes para SciDev.Net

Vieira Fagundes está muito preocupado com um composto tóxico em particular: os retardadores de chama bromados, dos quais o nosso continente emite anualmente 9 milhões de quilos na atmosfera, segundo o relatório Gobal E-Waste.

São misturas de produtos químicos artificiais que são adicionados a uma ampla gama de produtos para torná-los menos inflamáveis, por isso são amplamente utilizados em equipamentos elétricos ou eletrônicos. São muito resistentes à degradação e acumulam-se na cadeia alimentar. Além disso, representam um grave risco para a saúde dos trabalhadores que os recolhem e reciclam.

Além da União Europeia, os Estados Unidos e a China promulgaram regulamentos para restringir a produção e o uso destas substâncias.

O lixo eletrônico contém compostos tóxicos ou poluentes orgânicos persistentes, invisíveis aos olhos, mas potencialmente prejudiciais. No entanto, às vezes eles são deixados ao ar livre. Crédito da imagem: Victorgrigas/Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons CC BY-SA 3.0 Deed .

Um estudo recente realizado em uma cooperativa de Sorocaba, São Paulo, Brasil, descobriu que as concentrações desse composto em peças eletrônicas ultrapassavam 1.000 miligramas por quilograma de resíduo, limite máximo estabelecido pela União Europeia no momento da análise [atualmente é 500 mg/quilo]. A medida europeia serviu de referência porque o Brasil não estabelece limites para essas substâncias em resíduos plásticos.

Nas 36 peças de computador analisadas, o valor médio da concentração foi de 2.240 mg/quilo. Em televisores de tubo [modelos mais antigos], 8.700 mg/quilo.

Fagundes lembra que muitos trabalhadores tiveram problemas de saúde . “Sempre acreditamos que alguns sintomas poderiam estar relacionados ao manejo dos catadores. Mas associamos a algum tipo de bactéria com a qual eles tiveram contato no lixo”, afirma.

Hugo Olivares Rubio, da Unidade Acadêmica de Processos Oceânicos e Costeiros do Instituto de Ciências Marinhas e Limnologia da Universidade Nacional Autônoma do México, acredita que é extremamente viável realizar testes toxicológicos utilizando linhagens celulares humanas, em nível bioquímico ou molecular , para determinar a presença desses retardadores na população e não apenas entre aqueles que estão diretamente expostos.

É autor de uma revisão bibliográfica sobre retardadores de chama bromados no México que constatou a presença desses compostos em costas, solos, aterros, lagoas costeiras e efluentes de estações de tratamento de águas residuais, bem como no sangue de habitantes de alguns estados. país, e até nos ovos do falcão aplomado e na pele do tubarão-baleia.

Embora admita que para conhecer a gravidade da contaminação por estes retardantes no seu país “é necessário fazer monitorização em vários locais e ambientes”, salienta que “há estudos que podem sugerir que a situação é grave em alguns locais .”

Espécime de tubarão-baleia nadando com outros peixes. Traços de retardadores de chama bromados foram encontrados na pele de alguns desses espécimes no México. Crédito da imagem: Schützenhofer Christoph/Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons CC BY-SA 3.0 Deed .

“Esses compostos foram detectados em duas estações de tratamento de águas residuais em Chihuahua, em sedimentos marinhos na costa nordeste da Baixa Califórnia, e em diferentes solos na área metropolitana de Monterrey e San Luis Potosí, e em lixiviados e lodos de o aterro Bordo Poniente que fica na Região Metropolitana do Vale do México”, detalha.

E acrescenta: “a concentração destes contaminantes no sangue das crianças que vivem em Ciudad Juárez e Guadalajara foi tão elevada como nos registos mais elevados a nível mundial”.

Apesar disso, destaca que o panorama “é limitado e convida a investigação científica a continuar monitorizando estes contaminantes nos habitantes do México e em diversos ambientes”.

Legislação em sintonia com os tempos

André Henrique Rosa, professor do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Estadual Paulista de Sorocaba, e um dos autores do estudo realizado naquela cidade, citado acima, diz ao SciDev.Net que “no Brasil falta um legislação adequada para regular e controlar “Esses contaminantes presentes no lixo eletrônico, para que saibamos se os materiais podem ser reciclados ou se devem ter outro destino, como a incineração”.

O Ministério do Meio Ambiente e Clima do Brasil preparou uma proposta de regulamentação para estabelecer limites para essas substâncias em eletrônicos, de acordo com os padrões internacionais. Fontes ministeriais informaram ao SciDev.Net que o respectivo documento foi enviado em março passado ao Grupo de Trabalho da Comissão Nacional de Segurança Química (Conasq), aguardando-se sua resposta.

No Peru, um dos países da região que possui legislação e regulamentação específica sobre resíduos eletrônicos, até o final de 2022 foram avaliadas mais de 14.700 toneladas desses componentes e havia 19 planos de gestão em nível nacional, que incluíam a coleta , estratégias de divulgação e sensibilização dos clientes e informação sobre os operadores com quem irão gerir os resíduos.

No entanto, todos os pedidos ao Ministério do Ambiente para obter números actualizados não foram respondidos, embora tenha sido comunicado oficiosamente que se tratava dos dados mais recentes disponíveis.

“Na Argentina, começamos a trabalhar na identificação de plásticos com retardadores de chama bromados, o que permitirá a rastreabilidade futura desses plásticos, evitando que acabem na reciclagem e sejam utilizados para fins que possam afetar a saúde das pessoas ou mesmo o meio ambiente quando são reciclados incorretamente”,  disse  María Candela Nassi, assessora da Subsecretaria de Meio Ambiente da Nação, ao SciDev.Net .

Ele acrescenta que os retardadores de chama bromados “devem ser geridos como resíduos perigosos”.

Salienta que embora nos últimos anos tenham sido apresentados diferentes projetos relativos a resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE), nenhum prosperou. No entanto, existem leis que os regulam, no âmbito dos chamados resíduos domésticos (plásticos e carcaças, entre outros) e resíduos perigosos (poluentes orgânicos persistentes ou POP).

Nassi, que também é Coordenador Nacional do Projeto regional de Resíduos Eletrônicos da América Latina (PREAL), do qual participam 13 países da América Latina e do Caribe [Ver infográfico nº 3], destaca que os próximos passos planejados são a criação de um programa nacional que considere as particularidades das diferentes jurisdições e permita um tratamento adequado e diferenciado.

Da mesma forma, avançar na gestão dos REEE do Estado Nacional, considerado um dos maiores geradores deste tipo de resíduo.

Esquema de gestão responsável de resíduos eletrônicos. Crédito: Fedaro/Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons CC BY-SA 3.0 Deed .

O papel da ciência

Mas, para além da legislação adequada por país e a nível regional, a comunidade científica tem um papel a desempenhar.

Para o pesquisador e médico Hermano Albuquerque de Castro, vice-presidente de Meio Ambiente, Cuidado e Promoção da Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Brasil, a defesa dos interesses da indústria em detrimento da saúde humana deve ser sempre questionada, pois ocorreu no debate que envolveu ciência e sociedade e que levou à proibição do uso do amianto em seu país, no qual o pesquisador foi um dos principais expoentes.

“Não podemos continuar com esse modelo passageiro, que obedece aos interesses da indústria. Para que a tecnologia funcione, é necessário incorporar um conjunto de materiais tóxicos, que levarão séculos para desaparecer do meio ambiente. É por isso que é preciso haver limites e controle”, disse ele ao SciDev.Net .

André Henrique Rosa, concorda. “Os avanços tecnológicos são importantes, mas esses compostos devem ser usados ​​com moderação”, afirma.

“Acho preocupante que estes tipos de contaminantes não estejam recebendo a atenção que merecem, apesar dos seus efeitos tóxicos bem documentados”, diz o mexicano Olivares.

“É tarefa da atividade científica medir a concentração destes contaminantes, publicar os seus resultados e divulgá-los ao público em geral. Só assim se pode construir uma percepção de risco em toda a população”, acrescenta.


color compass

Fonte: SciDev.Net

O papel do desenvolvimento urbano sustentável na diminuição dos efeitos das mudanças climáticas

Para além da preservação de áreas verdes, a discussão sobre mudanças climáticas também deve abranger as metrópoles e a construção civil
jardim vertical
Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Reciclagem de Resíduos (Abrecon), em 2022, a construção civil produziu no país cerca de 120 milhões de toneladas de entulho. Desse número, 70% dos resíduos foram descartados de forma inadequada, afetando diretamente a poluição do ar e da terra. À medida que o desenvolvimento urbano avança sem integrar práticas sustentáveis, os efeitos das mudanças climáticas não só colocam em risco as populações humanas, mas também comprometem a estrutura de cidades, exigindo a implementação de medidas de adaptação para lidar com eventos extremos.

Para a geógrafa, especialista em gestão ambiental e fundadora da Singular Ambiental, Susi Uhren, o desenvolvimento urbano sustentável é imprescindível. Isso porque o avanço da urbanização, somado às mudanças climáticas, interfere diretamente no clima das metrópoles. Embora também haja influência do aquecimento global, a impermeabilização do solo e altas taxas de emissões atmosféricas são determinantes para a promoção de ilhas de calor.

Esse fenômeno ocorre, sobretudo, em regiões metropolitanas. A especialista explica que

 “A urbanização pode alterar os padrões naturais de precipitação, resultando em maior escorrimento superficial, devido a impermeabilização do solo, e menor infiltração de água, isso pode levar a enchentes repentinas, erosão do solo, contaminação da água e destruição de habitats naturais, exacerbando os impactos das chuvas intensas e das tempestades”. 

De modo geral, a urbanização desempenha um papel significativo na amplificação dos efeitos das mudanças climáticas, criando condições que intensificam os efeitos negativos sobre o meio ambiente e sobre as próprias comunidades urbanas. De acordo com dados divulgados pela ONU, os espaços urbanos aglomeram cerca de 70% das emissões globais de dióxido de carbono e aproximadamente dois terços do consumo de energia. O dado chama atenção para a necessidade de cidades mais verdes e que utilizem, por exemplo, energia renovável, programas de gerenciamento de resíduos, reutilização da água e controle de poluentes. 

Ao implementar essas e outras práticas sustentáveis por meio de adaptações na infraestrutura, os municípios podem apresentar uma redução de cerca de 30% no consumo de energia e emissões de carbono. Essas ações contribuem no combate das mudanças climáticas, problema discutido mundialmente, e por consequência, na melhoria da qualidade de vida, o que reforça ainda mais a busca de empresas de construção civil por uma produção sustentável. A preservação de áreas verdes e a proteção de recursos hídricos são exemplos para possíveis reduções. 

Susi também aponta algumas adaptações em áreas urbanas que podem ser feitas a fim de minimizar os efeitos da emissão de carbono na urbanização, diminuir as temperaturas locais e melhorar a qualidade do ar:

  • Investir em telhados, paredes verdes e pavimentação permeável para a absorção da água da chuva, reduzir inundações e fornecer isolamento térmico;
  • Desenvolver sistemas de drenagem que possam lidar com as chuvas intensas e evitar inundações;
  • Implementar programas de reciclagem eficazes e reduzir o desperdício capazes diminuir a produção de resíduos e reduzir a necessidade por recursos naturais;
  • Criação de praças, jardins e áreas verdes;

Ordens judiciais dominicais e sua efêmera efetividade para impedir a luta pela reforma agrária no Norte Fluminense

Ocupacao3

Leio sem qualquer surpresa a decisão do juiz Ralph Machado Manhães Junior em relação à ocupação (ou pelo menos tentativa) de ocupação de uma propriedade rural no Distrito do Morro do Côco por trabalhadores rurais sem terra que defendem a luta pela reforma agrária.

Como alguém que estuda os assentamentos de reforma agrária criados por ocupações lideradas pelo MST desde 1998, não me surpreende a decisão em prol dos que se apresentaram como proprietários da fazenda que seria ocupada para tirar do adormecimento as ações do governo federal para se fazer cumprir o capítulo da Constituição Federal que determina o cumprimento da função social da terra (inciso XXIII do artigo 5º da Constituição Federal de 1988).

Mas como nunca ouvir falar de ocupação de propriedade que esteja cumprindo a função social aludida pela Constituição Federal, me parece que essa determinação do meritíssimo juiz Ralph Manhães pode até atrasar a ocupação pretendida em Morro do Côco, mas dificilmente conterá a renovação das demandas organizadas por reforma agrária em Campos dos Goytacazes e outros municípios do Norte e Noroste fluminense.

A razão para isso é simples: por aqui abundam propriedades rurais improdutivas e, portanto, sujeitas à ação de expropriação pelo INCRA para a criação de assentamentos de reforma agrária. De quebra, público para organizar ocupações não faltam no Norte Fluminense, onde a aplicação das políticas neoliberais criaram um exército de centenas de milhares de pessoas vivendo abaixo da linha de miséria. Apenas em Campos dos Goytacazes, as estimativas são de que em torno de 200 mil pessoas estejam nessa condição. Se apenas 10% delas se decidirem pelo engajamento nas ocupações, nós já teremos mais gente atuando do que na onda de ocupações que resultou na criação de 13 assentamentos de reforma agrária entre os anos de 1998 e 2007.

Em suma: tentar parar a luta pela reforma agrária com ordens judiciais poderá equivaler à se colocar alguém para tentar impedir a queda de um dique na beira do Paraíba do Sul apenas com as próprias mãos.  A ver!

REPAM-Brasil lança série de programas de rádio em campanha “Qual o preço do ouro?” 

image

A Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM-Brasil preparou uma série especial de programas de rádio e spots informativos dedicados à campanha “Qual o preço do ouro? Benefício de poucos, prejuízo de muitos!”. O objetivo da ação é conscientizar sobre os impactos do garimpo ilegal de ouro na Amazônia.  

Foram produzidos cinco programas especiais que serão veiculados no podcast Ecos da Amazônia, da REPAM-Brasil, nas principais rádios católicas e comunitárias da região da Amazônia, além de spots informativos sobre o tema. As emissoras foram escolhidas estrategicamente, de acordo com a abrangência, audiência e proximidade das áreas com maior incidência de mineração em Terras Indígenas e Unidades de Conservação (UCs) de Proteção Integral da Amazônia Legal. De maneira leve e agradável, os diálogos trazem informações educativas sobre os impactos do garimpo do ouro, produção e exportação, órgãos de fiscalização, a importância das áreas de conservação; os cuidados com a população. 

Para Padre Dário, membro Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a maior parte do garimpo ilegal de ouro na Amazônia tornou-se oportunidade de lavagem de dinheiro e nova geração de renda para as máfias e o narcotráfico. Assim, o ouro ilegal na Amazônia é sinônimo de morte, poluição, destruição e ataque aos povos e seus territórios.  

“Deveria haver campanhas de boicote ao ouro, inclusive dentro da própria Igreja. Ainda não foram implementadas no Brasil regras que imponham o rastreamento da cadeia de extração e venda do ouro; a própria restrição do comércio de mercúrio e investimentos permanentes na fiscalização dos voos e do comércio de máquinas pesadas para o garimpo são medidas eficazes para enfrentar essa ilegalidade. No XI Fórum Social Panamazônico (Fospa), que se realizará em Bolívia no mês de junho, estes temas serão aprofundados, a partir da experiência e das denúncias dos povos que resistem, em defesa da vida”, declara o missionário comboniano e assessor da REPAM-Brasil. 

A comunicação da campanha explica que o rádio foi o veículo escolhido por se tratar de um meio de comunicação mais acessível às comunidades na Amazônia. “O rádio é o meio de comunicação mais ouvido na Amazônia devido à distância geográfica e a infraestrutura. Ele chega nas regiões mais afastados, como comunidades tradicionais, ribeirinhas e indígenas, onde outras tecnologias encontram limitações. Então, para esses povos e comunidades, o rádio é o único canal de informação e é por esse canal que muitos se inspiram e vão à luta, se organizam e se mobilizam para lutar por seus direitos”, destaca a comunicadora da Rede, Ana Caroline Lira.  

Qual o preço do ouro? 

A busca pelo ouro na Amazônia cresceu nos últimos anos, impulsionada pelo aumento da demanda e o cenário político favorável ao garimpo. A explosão do garimpo ilegal na região tem provocado uma série de impactos ambientais e sociais negativos. Mas a devastação tem seu preço, segundo o Ministério Público Federal, 1 kg de ouro representa cerca de R$ 1,7 milhão em danos ambientais, gerando um custo ambiental dez vezes maior que o preço real do ouro.  

Mais de 80% do ouro retirado da Amazônia (WWF, 2018) tem como destino a Europa (39%) e a América do Norte (44%). Cerca de 66% do ouro “sobre a terra” está no setor de joias, barras e moedas. Os bancos nacionais ou comerciais também adquirem uma parte substancial dele na forma de reservas (17%). 81% do ouro sai do tríplice fronteira amazônica Brasil, Colômbia e Peru e 69% deste ouro vai para outros três países, Canadá, Suíça e EUA. 

Nos últimos anos, o comércio ilegal de ouro cresceu, com facções do crime organizado empregando meios sofisticados para retirar quantidades significativas de ouro da região amazônica. Esses grupos frequentemente usam documentos falsos e subornos para não serem notados pelas autoridades. 

A campanha de rádios “Qual é o preço do Ouro? Benefício de poucos, prejuízo de muitos!” é uma realização da REPAM-Brasil, com apoio de rádios locais na Amazônia. 

Sobre a REPAM  

A REPAM-Brasil constitui um serviço da Igreja no Brasil para os povos da Amazônia, trabalhando em prol do bioma, para a defesa dos direitos humanos de mulheres e homens, ribeirinhos, indígenas, quilombolas, pescadores e nos últimos anos têm realizado campanhas de sensibilização e de prevenção ao garimpo, mineração, desmatamento. Nestes 10 anos a REPAM tem como missão de ser e estar a serviço da vida dos povos e do cuidado com a Casa Comum.