Glifosato reduz sequestro de carbono nos oceanos e danifica recifes de corais – mostra novo estudo

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Por Sustainable Pulse

Grandes foraminíferos bentônicos (LBF), um organismo unicelular encontrado em recifes de coral, enfrentam impactos metabólicos adversos após exposição ao herbicida glifosato e ao inseticida imidaclopride, de acordo com um estudo liderado por cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, e publicado na Marine Pollution Bulletin.

Os LBFs são normalmente utilizados como bioindicadores da saúde dos corais porque são encontrados em quantidades substanciais e a recolha de dados sobre eles não é intrusiva nem prejudicial para a saúde dos recifes.

Os autores do estudo afirmaram que “a concentração de substâncias ativas de agrotóxicos que podem ser encontradas no meio ambiente não é um fator 10 menor que a nossa testada, são aproximadamente a mesma concentração ou até 10 vezes maior. A área fotossintética diminuiu à medida que a quantidade de pesticida adicionado aumentou e o tempo de incubação aumentou.” O Roundup à base de glifosato, em particular, “causou uma redução da área fotossintética em todos os foraminíferos, independentemente da concentração”.

Os cientistas também descobriram que “ a absorção de 13 C pelo foraminífero [carbono inorgânico] foi significativamente reduzida na concentração mais alta de pesticidas em comparação com o controle ( p  < 0,001). O herbicida e o fungicida apresentaram reduções comparáveis ​​na absorção de  13 C ( p  = 0,945), a redução causada pelo inseticida foi menos pronunciada.”

Este estudo original descobriu que mesmo baixas concentrações de agrotóxicos podem ter um impacto negativo no metabolismo dos organismos marinhos. Isto se aplica não apenas ao hospedeiro foraminífero, mas também aos seus simbiontes. Ao examinar as diferenças na absorção de nitrogênio e carbono, o estudo mostrou que o fungicida Pronto©Plus (tebuconazol) é tóxico tanto para o hospedeiro quanto para seu simbionte, enquanto o herbicida Roundup (glifosato) e o inseticida Confidor (imidaclopride) têm principalmente efeitos negativos sobre o simbiontes. No entanto, como os simbiontes são obrigatórios, a morte do simbionte (branqueamento) acaba por levar também à morte dos foraminíferos.

Já hoje, as alterações climáticas provocam fortes tempestades e chuvas intensas ao longo das zonas costeiras, o que, juntamente com o aumento da utilização de agrotóxicos devido à agricultura intensiva, pode levar a um aumento significativo das concentrações desse tipo de substância química no mar em um futuro próximo. O estudo mostra também que esse efeito negativo dos agrotóxicos pode ser observado nos foraminíferos. Também está presente em corais e outros organismos que hospedam simbiontes protistas fototróficos obrigatórios.

Os autores do estudo concluíram; “a descarga de agrotóxicos no mar pode ter impactos negativos graves sobre os foraminíferos, mesmo em baixas concentrações, tornando estes compostos uma séria ameaça à saúde dos recifes marinhos.”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela “Sustainable Pulse” [Aqui!].

Idec lança guia contra mentiras verdes propagadas por empresas

Manual lançado no Dia da Mentira explica os tipos de greenwashing, leis nacionais e informações sobre como o assunto é tratado no mundo, além de indicar os caminhos para denunciar abusos

IDEC MENTIRA VERDE

O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) lançou nesta segunda-feira (1º de abril), Dia da Mentira, o e-book “É Mentira Verde! Guia de Enfrentamento ao Greenwashing para Pessoas Consumidoras”. O documento é um manual com linguagem simples e direta que explica os principais pontos sobre o greenwashing no Brasil e no mundo.

Dentro do guia, consumidores vão encontrar o conceito de Mentira Verde e os tipos principais encontrados nas prateleiras de supermercados, propagandas e demais formas de marketing. Além disso, o manual também traz informações sobre leis, normas e dicas sobre como questionar, reclamar e até processar empresas que praticam o greenwashing.

O documento é inédito e pioneiro no Brasil e traz várias referências nacionais e internacionais de enfrentamento a esse fenômeno cada vez mais comum na publicidade brasileira e mundial. “O guia foi feito para trazer aos consumidores tim-tim por tim-tim sobre a prática de mentira verde e como enfrentá-la, de forma didática e acessível. Para além de oferecer ferramentas para que as pessoas identifiquem e se defendam em situações em que se tornam vítimas de greenwashing. O guia pretende ser um verdadeiro chamado de ação sobre o tema, explica a especialista do Programa de Consumo Sustentável do Idec, Julia Catão Dias.

O objetivo do lançamento do guia é trazer as pessoas ao ativismo contra a mentira verde. “Este é um tema relativamente novo e que vem ganhando relevância na medida em que as empresas perceberam que as pessoas querem fazer a sua parte no enfrentamento às crises socioambientais e climáticas, consumindo produtos mais sustentáveis. O nosso desafio agora é mostrar para a população que essas boas intenções estão cobertas de maquiagem verde e que precisamos do engajamento para denunciar tais práticas e cobrar as empresas por mudanças reais. É esse o nosso objetivo com a divulgação do guia!”, conclui a especialista.

Para acessar o “É Mentira Verde! Guia de Enfrentamento ao Greenwashing para Pessoas Consumidoras”, é só clicar neste link.

Queima de sacos de café em Chiapas: agricultores desesperados protestam contra os baixos preços de compra da Nestlé

Desde 2010, o Plano Nescafé promete aos produtores de café mais rendimentos e uma vida melhor, inclusive no México. No entanto, a nossa investigação de campo no estado federal de Chiapas mostra que as famílias de agricultores que participam neste projecto de sustentabilidade não conseguem sobreviver e sentem-se traídas pela Nestlé. A sua principal acusação é que há anos que o líder do mercado suíço paga preços que mal cobrem os custos de produção. É por isso que os sacos de Nescafé estão sendo queimados na região cafeeira de Soconusco

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Por Public Eye 

Há mais de dez anos que a Nestlé tem pressionado as propriedades agrícolas de Chiapas para que se convertam ao cultivo do café Robusta, que, em comparação com o Arábica tradicionalmente cultivado ali, obtém preços mais baixos no mercado mundial, mas de que a empresa necessita para o seu café instantâneo Nescafé. . Em 2022, a Nestlé abriu uma nova fábrica de Nescafé no México com capacidade anual de 40.000 toneladas de café verde. Em fevereiro de 2024, quando a Public Eye estava investigando no local , agricultores realizavam protestos em Tapachula, onde queimavam sacos de café cheios com o rótulo “Plano Nescafé”. Uma das faixas afirmava que a “empresa sem ética” estava levando Chiapas à pobreza. A matéria-prima que a Nestlé compra aqui é comercializada como “produzida de forma responsável”: de acordo com as promessas da Suíça, os agricultores beneficiam de cursos de formação e, especialmente, de mudas de Robusta de alto rendimento como parte do “Plano Nescafé” e, assim, alcançam um padrão de vida mais elevado . 

No entanto, a Nestlé pratica uma política de compras implacável. Na época da colheita deste ano, o gigante alimentar está a pagar preços inferiores aos custos de produção e inferiores em termos reais aos do ano anterior. Contudo, no mesmo período, o preço de mercado do Robusta aumentou 50% e os agricultores enfrentam dificuldades com custos de produção mais elevados. Mesmo assim, a Nestlé ainda não cumpriu a sua exigência de um preço mínimo que pelo menos cubra os custos correntes. Este comportamento ilustra a desigualdade de poder entre o líder do mercado e os seus fornecedores. Numa petição , as famílias agrícolas afectadas exigem que a Nestlé lhes pague finalmente de forma justa. 

Pouco menos de metade de todos os produtores de café em todo o mundo ainda vivem na pobreza. E metade deles está mesmo em extrema pobreza, o que significa menos de 1,90 dólares por dia. A Public Eye também observou isto em Chiapas, onde, meio ano após a colheita, muitas das famílias que trabalham em pequenas explorações agrícolas já ficaram sem dinheiro e, portanto, sem alimentos. O baixo preço que os agricultores recebem pelo café é a principal razão da pobreza generalizada, que gera outros problemas, como o trabalho infantil e outras violações dos direitos humanos. 

O direito a um rendimento digno é um direito humano internacionalmente reconhecido. No seu “Plano de Acção para o Rendimento de Subsistência”, a Nestlé garante que este direito também é fomentado pelo Plano Nescafé. Mas a sua sistemática compressão de preços está fundamentalmente em contradição com este compromisso. A lei sobre a responsabilidade empresarial proposta pela UE, que deverá ser aprovada este ano, prevê que, como parte das suas obrigações de devida diligência, as empresas também devem respeitar o direito a um rendimento digno. A Suíça também deve colmatar as lacunas jurídicas existentes e garantir a introdução e aplicação efectiva de regras sobre o respeito pelos direitos humanos e ambientais pelas empresas. 

Para mais informações entre em contato:

Oliver Classen, diretor de mídia, + 41 (0) 44 277 79 06, oliver.classen@publiceye . ch  
Carla Hoinkes, especialista em agricultura, +41 (0) 44 277 79 04, carla.hoinkes@publiceye . CH 


Fonte: Public Eye

Número de casos de câncer de colo do útero no Brasil é três vezes maior que meta estabelecida pela OMS

Apesar dos avanços em prevenção, o país registra 13 casos para 100 mil brasileiras, taxa três vezes maior que a estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) ressalta que o aumento da adesão à vacina contra HPV, oferta de testagem molecular do HPV e a ampliação do acesso ao Papanicolau são algumas das medidas importantes para que o Brasil se aproxime das metas da OMS para 2030. Em março foram completados dez anos que a vacina contra HPV está disponível no SUS

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o câncer de colo do útero como sendo um problema de saúde pública e que seria necessário reduzir a incidência abaixo do limiar de quatro casos por 100 mil mulheres por ano em todos os países até 2030. No Brasil, segundo os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 17 mil novos casos para cada ano do triênio 2023-2025, o que equivale a uma taxa ajustada de treze casos para cada 100 mil brasileiras, superando em três vezes a meta estabelecida pela OMS.

Com o objetivo de mudar este cenário, caminhando em direção ao objetivo de adotar estas medidas e ter a primeira geração brasileira livre da doença, foi criado o Movimento Brasil sem Câncer de Colo do Útero por iniciativa da oncologista clínica Angélica Nogueira Rodrigues, primeira presidente e atual diretora de planejamento do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).

A especialista, em sua participação em episódio especial do EVA CAST, disponível nas plataformas de podcast, comenta que o Movimento Brasil Sem Câncer do Colo do Útero trabalha em total alinhamento com a OMS, mas com um ajuste que leva em conta o perfil epidemiológico e socioeconômico do país. “A OMS defende o rastreamento atualmente com a técnica de HPV DNA, estimando que 70% das mulheres estejam cobertas por este método de rastreamento. No Brasil, a forma de rastreamento disponível no SUS é pelo exame de papanicolau”, ressalta Angélica Nogueira.

Avanço: teste molecular para o HPV no SUS

O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) celebra a recente incorporação do teste molecular para o HPV no SUS como meio de detecção do papilomavírus humano (HPV) para rastreamento do câncer do colo do útero no SUS. O rastreamento com testes moleculares para detecção da doença é mais eficiente para a identificação de lesões precursoras do câncer do colo do útero e, consequentemente, contribui para a redução de novos casos e da mortalidade pela doença. Além disso, a identificação precoce do câncer e das lesões pré-malignas permite o uso de tratamentos menos invasivos, a melhora da qualidade de vida durante o tratamento e o aumento da possibilidade de cura.

Apesar do teste molecular ser um exame mais caro do que o papanicolau, quando realizado na periodicidade de cinco anos observa-se que ele é custo efetivo, principalmente levando-se em consideração que o tratamento do câncer de colo uterino envolve alta complexidade e custos, além de impacto pessoal e social imensuráveis. “O teste de genotipagem do HPV permite identificar de forma bem mais eficiente a população em risco de vir a desenvolver lesões precursoras ou câncer”, explica o cirurgião oncológico Glauco Baiocchi Neto, presidente do EVA.

10 anos de vacina contra HPV no SUS: queda contínua e retomada em 2023

Em março de 2024 foram completados dez anos que a vacina contra o vírus HPV para meninas passou a ser oficialmente disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, os dados trazem um importante alerta. Levantamento feito na base DataSUS mostra que, a cada ano, houve uma permanente diminuição da quantidade de doses aplicadas. 

O melhor resultado foi obtido justamente em 2014, quando foram aplicadas quase 8 milhões de doses da vacina contra HPV nas meninas brasileiras. Naquele ano, a imunização foi levada para dentro das escolas públicas. O número caiu para abaixo de 6 milhões de doses no ano seguinte. E, entre 2016 e 2022 o total não superou a marca de 2 milhões de doses. A boa notícia é que em 2023, segundo o Ministério da Saúde, foram aplicadas 5,8 milhões de doses, aproximando-se da marca registrada em 2015.

A imunização contra o HPV é principal forma de prevenção do câncer de colo do útero. A vacina é disponibilizada pelo SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos de idade, pessoas imunossuprimidas – indivíduos que vivem com HIV ou AIDS; transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea; pacientes oncológicos; e vítimas de violência sexual de 9 a 45 anos de idade. 

Sobre o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA)

O EVA é uma associação sem fins lucrativos, composta em sua maioria por médicos, que tem como missão o combate ao câncer ginecológico. Seu time, multiprofissional, atua com foco na educação, pesquisa e prevenção, assim como promove apoio e acolhimento às pacientes e aos familiares.

A idealização e a organização do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos foram iniciadas pela oncologista clínica Angélica Nogueira Rodrigues, no Hospital do Câncer II do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A primeira reunião ocorreu em 12 de março de 2010 e o nome Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos passou a ser utilizado a partir desta data.

A primeira reunião para nacionalização do grupo ocorreu no Congresso da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), em 2013, na cidade de Brasília. O nome EVA foi resultado de uma reunião neste evento e foi sugerido pela oncologista clínica, coordenadora

SBPC realiza hoje debate “60 anos do golpe militar: sem memória não há futuro”

Evento será nesta segunda-feira, 1º de abril, a partir das 14h, com transmissão ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube. Sob a coordenação de Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC, especialistas e testemunhas oculares dos acontecimentos participarão da atividade

ditadura

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realiza nesta segunda-feira, 1º de abril, o debate “60 anos do golpe militar: sem memória não há futuro”. A iniciativa visa a aprofundar a compreensão sobre os eventos de 1964 que marcaram a história do Brasil e repercutiram em suas instituições e na vida de milhares de cidadãos até os dias de hoje.

O evento será transmitido ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube (www.youtube.com/canalsbpc) a partir das 14h. Sob a coordenação de Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC, especialistas e testemunhas oculares dos acontecimentos participarão do debate: Cid Benjamin, jornalista e líder estudantil nos movimentos de 1968; Rosa Freire D’Aguiar, jornalista e exilada política; Carlos Fico, professor titular de História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisador sobre a ditadura militar; e Helena Serra Azul Monteiro, professora titular da Universidade Federal do Ceará (UFC), presa e torturada pelo regime militar em 1968 e 1972.

Renato Janine Ribeiro ressalta a importância de manter viva a memória dos períodos sombrios da história brasileira. “A SBPC considera muito importante não deixar cair no esquecimento a ditadura que o Brasil viveu e que muitas pessoas que hoje estão na vida ativa vivenciaram, tendo limitadas as suas liberdades, tendo menos condições de se expressar, menos condições de utilizar sua inteligência para o bem comum, uma vez que a ditadura não apenas reprime, tortura, como também censura a expressão do conhecimento.”

O Golpe Militar de 1964, que se iniciou em 31 de março daquele ano e que deixou o país nas trevas da violência ditatorial por duas décadas, é um marco histórico que deve ser revisitado e compreendido sob diversas perspectivas. Especialmente quando vemos no Brasil manifestações pedindo o retorno da ditadura no País e ataques às instituições democráticas, como testemunhamos em 8 de janeiro de 2023, a análise crítica desses eventos passados contribui para a consciência sobre o valor da democracia e para a garantia de que atrocidades como as ocorridas durante a ditadura não se repitam jamais.

“Por isso mesmo, nós entendemos que a sociedade brasileira precisa ajustar constantemente as contas com o passado, especialmente com o nosso passado, que nos deixa um legado que passa pela colonização, escravidão, oligarquias, ditaduras, enfim, um passado que precisa ser exposto à luz do sol para que a gente possa garantir um ‘nunca mais’ bastante forte a tudo isso. Esta é a razão pela qual recordaremos esta data com atividades acadêmicas, como é de nosso feitio. É uma ocasião de reflexão, porque acreditamos que é do pensamento que podem nascer as grandes propostas, que pode nascer um Brasil solidamente democrático”, ressalta o presidente da SBPC.

Sobre os participantes

Líder estudantil nos movimentos de 1968 e dirigente do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8), Cid Benjamin foi preso no dia 21 de abril de 1970 e torturado nos porões do DOI-Codi. Passou quase dez anos no exílio, entre Argélia, Chile, Cuba e Suécia. De volta ao Brasil, participou da fundação do PT e, depois, da criação do PSOL. Publicou livros sobre a ditadura, entre eles “Gracias a la vida: memórias de um militante”; e organizou a obra “Meio século de 68. Barricadas, história e política”.

Rosa Freire Aguiar é uma jornalista e tradutora carioca que, perseguida pela ditadura militar, exilou-se na França em 1973. Lá, atuou como correspondente internacional e conheceu intelectuais e tantos outros brasileiros exilados, entre eles, o economista Celso Furtado, com quem foi casada por 20 anos. Da Europa, cobriu para a revista Isto É momentos marcantes da história, como o período de redemocratização da Espanha após os 40 anos da ditadura do general Francisco Franco.

Carlos Fico é professor titular de História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dedica-se aos estudos sobre a ditadura militar no Brasil e na Argentina, a memória e a violência. Sobre o período em que os militares estiveram no poder no Brasil, escreveu quatro livros: “Reinventando o otimismo: ditadura, propaganda e imaginário social no Brasil (1969-1977)”; “Como eles agiam. Os subterrâneos da Ditadura Militar: espionagem e polícia política”; “O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. O governo dos Estados Unidos e a ditadura militar brasileira”; e “O golpe de 1964: momentos decisivos”.

Helena Serra Azul Monteiro, professora titular do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi presa pela ditadura em 1968, grávida de apenas dois meses de seu filho Manuel, junto ao marido, o ativista Francisco Monteiro. No Dops de Recife, sofreu todos os tipos de torturas e quase perdeu o bebê que esperava.  Manuel Monteiro nasceu no presídio e passou ali os primeiros oito meses de vida. Quatro anos depois, em 1972, Helena e o marido foram presos novamente. Parte de sua história é contada no livro “Brasil Nunca Mais”, organizado por Dom Paulo Evaristo Arns.

Serviço:

“60 anos do golpe militar: sem memória não há futuro”

Data: 1º de abril de 2024, segunda-feira,14h

Transmissãowww.youtube.com/canalsbpc

SBPC

Ocupação Novo Horizonte: Contra a má fé institucional, a luta pela moradia digna

novo horizonte

Por Luciane Soares da Silva

No dia 10 de março de 2024 retornei à Novo Horizonte[1] para concluir um trabalho iniciado em abril de 2021. Não foram poucas as vezes em que voltei de lá, e demorei muito tempo para organizar as ideais após vivenciar experiências diversas naquele território com aproximadamente duas mil pessoas, sendo metade delas, crianças. O mundo que víamos em abril de 2021, era incerto em muitas dimensões. Política, com a eleição de Jair Bolsonaro, enfrentávamos uma epidemia e a verdade é que quando vi mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade precisando urgentemente de ajuda[2], não imaginava a jornada a enfrentar. Foram muitas as pessoas, os coletivos, os movimentos e os partidos que ali atuaram[3]e sem dúvida, ao longo do tempo constituíram o alicerce para estruturação da Ocupação[4]. Buscando contatos parlamentares e sua vinda ao território, com escuta direta, na organização de Assembleias, na pressão sobre a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG), na atuação jurídica que nos possibilitou o não despejo durante a pandemia. Foram centenas de reuniões, em igrejas, na rua, virtuais, em horários distintos e meu trabalho com ambos os grupos (a sociedade organizada e os ocupantes) foi colaborar na construção de um conhecimento sobre estas famílias.

Na madrugada de maio de 2021 mais de dez pessoas alimentavam um banco de dados que permanece como um dos melhores levantamentos feitos até hoje e reconhecido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro. Ali tínhamos um perfil completo de uma ocupação de mulheres, chefes de família, negras, vivendo de benefícios do governo federal. Quem falhou na entrega das casas não pode culpar pessoas que pagam aluguel por terem ocupado este território. Elas aguardaram a casa como aguardam médicos, justiça, emprego. Elas simplesmente desistiram de esperar. Nada é mais equivocado que chamar trabalhadores em busca de moradia de invasores.

Ao contrário do que dizem agentes da Caixa Econômica Federal, eles não são invasores. Não se pode invadir o que é seu por direito. E a moradia é um direito[5]. Se há algo errado neste processo todo é a morosidade com a qual as instituições atuam quando se trata de direito para a classe trabalhadora. E neste caso, estamos falando de gênero. Das quarenta casas que visitei esta semana, apenas duas tinham homens como chefes de família dispostos a responder o questionário. Temos de fazer políticas públicas com as mulheres. Inclusive na proposição de autoconstrução. A precariedade não está na distância geográfica mas na construção de conjuntos habitacionais sem escola, sem posto de saúde, sem coleta de lixo, sem transporte, sem praça. Quem viu as primeiras cercas de arame farpado que nos machucavam ao tentar cruzar os espaços sabe o que aquele lugar lembrava. E era horrível ver uma população inteira segregada dentro de uma cidade com esta extensão territorial.

O projeto no qual atuo hoje[6] e com o qual aprendo diariamente junto ao Instituto Federal Fluminense vai além do morar. Estamos avançando globalmente para a necessidade de repensar as cidades possíveis diante da mudança climática. Ontem, enquanto terminávamos uma pesquisa estratificada com esta população sentíamos o calor do asfalto e víamos as soluções dadas pela população. Existem problemas de abastecimento de água. Crianças em piscinas de plásticos e muito, muito asfalto. Longe víamos árvores nativas e frondosas. Por que a opção da cidade pelo não cultivo de árvores em locais extremamente quentes? Lugares sem CEP como dizemos. Sim, cartas não chegam em alguns destes conjuntos. Que cidadania mínima é esta?

Desde o início a posição da PMCG foi virar as costas para uma população negra, ocupando uma área distante, perto do Aeroporto. Sem transporte na localidade, sem coleta de lixo ou creche. A má fé institucional está posta na falta de qualidade dos atendimentos básicos. Fazemos frequentemente o exercício de especular as razões que tornam nossa cidade tão precarizada em quesitos básicos de um marco civilizatório. Ontem ouvi histórias sobre pessoas aguardando cirurgia, mães que precisam de diagnóstico para encaminhamento de saúde para seus filhos, pessoas que sofrem de depressão. E nenhuma árvore sequer. Uma quadra que não se pode usar antes do anoitecer, urubus no lixo e o pior, um erro estrutural no sistema de esgoto que está jorrando em algumas ruas. O cheiro é insuportável. Nestas ruas, o cenário é desolador.

Casas terminadas com base em auto construção. Em agosto de 2021 solicitamos que o então secretário de infraestrutura e obras do Estado, Max Lemos[7] (atualmente deputado federal) viesse ao local e atualizasse o cadastro incompleto da Prefeitura. Não é aceitável que se ofereça colchonetes (proposta da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social ) ou que se pense em retirar estas pessoas de suas casas neste momento. Lá se foram três anos. Elas usaram o pouco de dinheiro que tinham para conseguir o mínimo de conforto e viver ali. Quadros na parede, folhagens, alguns comércios, carros antigos para suprir a ausência de transporte, mundos construídos ao longo de 3 anos. E eles importam. Esta é a questão para além do voto. Cada ano vivido importa,  desde nossa comemoração na qual os bebês puderam ver sua própria foto projetada na parede das casas.

A Novo Horizonte tem sido o mais rico laboratório de pesquisa e ação sobre políticas públicas. É possível questionar as construtoras com o esgoto voltando por dentro das casas, pensar como os aventureiros atuam pedindo voto e prometem o que não podem dar a população, pensar como as relações de violência estão postas no local por atuação de grupos paralelos, pensar as formas de cozinha comunitária, hortas, bibliotecas e praças. A Novo Horizonte é uma ocupação de pessoas negras, vivendo em condições precárias bem longe dos olhos da população do lado de cá da ponte. Em Guarus. E durante todos estes anos, sempre grifei a palavra resistência em meus textos. Talvez porque fosse preciso chegar até março de 2024 para ter algum ceticismo e fazer avançar o que é necessário. A moradia, o bairro, a cidade, a dignidade de uma vida marcada pelo passado da usina.

A Novo Horizonte produziu um tipo de revolução político-científica em meu fazer sociológico. E muitas pessoas fazem parte deste caminho. Ontem, após o desalento de sentir o calor que aquela população sentia, era inevitável não sentir a raiva histórica do que aquele lugar representa. Então lembrei de uma Assembleia na qual por obra da necessária produção de engajamento, disse que só sairia de lá quando a casa estivesse assegurada para todos os moradores. Hoje avalio que a promessa tem de avançar. E que todos os estudantes de Universidades Públicas devem ir a locais como esta ocupação e pensar que a ciência pode criar mundos.

Nós criamos algo que poderia ter sido destroçado se os moradores aceitassem o aluguel social. Ao compreender em cada reunião, em cada consulta realizada que este tipo de benefício não resolveria o acesso a moradia, conseguiram manter-se na maior ocupação fora da região metropolitana do Rio de Janeiro. E uma das mais duradouras. Se isto foi possível, a moradia digna vai além uma casa padrão para depósito de pessoas. Tiramos as grades, os seguranças não ocupam mais os espaços, as pessoas criaram seus filhos. É possível que este seja um caso raro mais absolutamente didático de que podemos avançar nas principais pautas de uma cidade tão rica mas que utiliza bolsões de miséria como bolsões eleitorais.

[1] Sobre o início da Novo Horizonte https://www.brasildefatorj.com.br/2021/06/25/artigo-ocupacao-novo-horizonte-ha-64-dias-vida-resiste-persiste-e-se-reinventa

[2] https://www.brasildefatorj.com.br/2021/05/31/reintegracao-de-posse-pode-desabrigar-quase-700-familias-de-ocupacao-em-campos-rj

[3] https://aduenf.org.br/carta-aberta-dos-movimentos-sociais-sobre-a-situacao-da-ocupacao-novo-horizonte/

[4] https://capitalfmradio.com.br/2023/10/17/futuro-da-ocupacao-novo-horizonte-sera-definido-em-audiencia-na-justica-federal-em-campos/18619/

[5] https://j3news.com/2021/04/21/video-moradores-ocupam-casas-do-conjunto-habitacional-novo-horizonte-ha-temor-por-possivel-confronto/

[6] https://portal1.iff.edu.br/nossos-campi/campos-centro/noticias/professores-e-estudantes-da-arquitetura-apresentam-solucao-tecnica-para-resolver-impasse-em-ocupacao

[7] https://www.osaogoncalo.com.br/politica/111193/secretario-estadual-de-infraestrutura-recebe-deputada-zeidan-e-representantes-de-ocupacao

ESR/UFF convida para seminário sobre o Golpe Militar de 1964

Simposio 1964 ESRUFF

O Seminário 1964: Golpe, Ditadura e História ocorrerá no Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal Fluminense [ESR/UFF] em Campos dos Goytacazes, entre os dias 1 e 4 de abril de 2024.

O seminário contará com atividades à tarde e à noite e a Comissão Organizadora convida a todos para participar.  Quem não fez inscrição on-line [para recebimento da declaração de presença] poderá fazê-lo presencialmente. A atividade é aberta e gratuita.

Quem desejar baixar a programação completa do Seminário 1964: Golpe, Ditadura e História, basta clicar [Aqui!].

Comissão Organizadora

Prof. Dr. Christiano Britto Monteiro dos Santos (CHT/ GAMME).

Profª. Drª. Débora El Jaick Andrade (CHT/ LAHPOC).

Profª. Karyne Corrêa Pacheco (CHT/ LAHISPI).

Prof. Dr. Luiz Claudio Duarte (CHT/ LAHISPI).

Profª. Drª. Márcia Regina da Silva Ramos Carneiro (CHT/ LEDA).

Discente Maria Letíce de Siqueira Aguiar (CHT/ LEDA).

Laboratórios Organizadores

Grupo de Análise de Metodologias Midiáticas para Educação (GAMME).

Laboratório de Estudos das Direitas e dos Autoritarismos (LEDA).

Laboratório de História do Poder e das Ideologias (LAHISPI).

Laboratório de História Política e Cultura (LAHPOC).

Apoios

Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional – ESR/UFF

Departamento de História de Campos – CHT/UFF

Endereço: Rua José do Patrocínio, 71, Centro, Campos dos Goytacazes.

Revistas predatórias e ciência de baixo impacto: cortando o mal pela raiz

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Por Nícolas Carlos Hoch e Carlos Frederico Martins Menck

O mundo acadêmico está vivendo uma revolução sem precedentes. Foi-se o tempo em que pesquisadores submetiam um artigo científico para uma revista científica de forma gratuita, e os editores da revista cuidadosamente selecionavam apenas o material que julgassem ser de maior qualidade para publicação, já que a revista arcaria com custos de produção e impressão. Nesse modelo antigo, a qualidade do material publicado e a “tradição” da revista eram essenciais para que editoras pudessem vender assinaturas e recuperar seu investimento na produção do material publicado. O efeito colateral negativo desse sistema é que ele restringe o acesso aos artigos científicos (e, portanto, ao conhecimento) para aqueles que pagam as assinaturas, sejam eles os próprios pesquisadores ou as bibliotecas das universidades. No Brasil, a Capes paga anualmente às grandes editoras científicas para que as instituições acadêmicas do País possam acessar publicações científicas pelo portal Periódicos Capes.

Hoje, com o elogiável avanço do modelo open access (acesso aberto), a necessidade de assinatura foi removida e uma parcela cada vez maior dos artigos científicos está gratuitamente disponível na internet para qualquer pessoa ler. No entanto, revistas ainda incorrem em custos pela produção e disseminação de artigos científicos, e esse custo hoje migrou do leitor para o autor do artigo. Cientistas ao redor do mundo pagam valores que podem chegar a astronômicos US$ 10 mil para cada artigo que publicam, nos chamados Article Processing Charges (APCs). Entretanto, o pagamento de APCs para publicação de artigos tem efeitos colaterais nefastos, que foram completamente subdimensionados na concepção desse novo sistema. Um desses efeitos é que cada artigo rejeitado pela revista é uma oportunidade perdida de recolher APC dos autores e cada artigo aceito é lucro para a editora, independente de quantas pessoas se interessam por ler esse material posteriormente. Portanto, a revista científica passou a ter menor responsabilidade pela qualidade do material que publica, disparando o mercado de publicações científicas no mundo todo.

Algumas editoras menos escrupulosas foram rápidas em identificar o potencial econômico dessa mudança e turbinaram a produção de novas revistas científicas, claramente com interesses comerciais. Infraestruturas digitais foram criadas para facilitar e acelerar os procedimentos de submissão, revisão e aceite de artigos, desprezando parcial ou totalmente a crucial etapa de revisão por pares. Por exemplo, algumas revistas científicas (mesmo em editoras tradicionais) criaram capacidade para publicar mais de 10 mil artigos científicos de acesso aberto por ano, gerando lucros fantásticos para as editoras. Com práticas editoriais pouco éticas e visando ao lucro pela publicação de artigos científicos em quantidade, essas editoras e revistas, conhecidas pelo termo “predatórias”, desqualificam todo o sistema de publicações científicas. Vale ressaltar que esse lucro é gerado às custas de editores e revisores geralmente não remunerados, e que pesquisadores muitas vezes são instrumentalizados para recrutar novos artigos para as revistas na forma de editores convidados para edições especiais sobre um tema específico. Apesar de edições especiais legítimas terem um valor acadêmico importante, seu superdimensionamento recente demonstra o sucesso comercial dessa estratégia.

Mas então por que os cientistas se sujeitam a pagar APCs cada vez mais caros, gerando lucros astronômicos para as editoras e poluindo a literatura científica com artigos de mais baixa qualidade? E aqui nós finalmente chegamos ao cerne do problema: porque eles precisam. A editora não é a única que “lucra” com a publicação de mais um artigo, mas o cientista autor do artigo (e pagador do APC) necessita de publicações para sua progressão profissional. Cada artigo publicado ajuda o cientista a progredir na carreira, a alcançar um novo nível de prestígio ou a assegurar financiamento para um novo projeto. Um número alto de artigos publicados também interessa às instituições de pesquisa que se julgam prestigiadas com isso.

Infelizmente, isso ocorre porque essa é a métrica que os próprios cientistas usam para comparar a produtividade entre os pesquisadores e instituições, determinando quem merece uma promoção ou mais financiamento para suas pesquisas. Como resultado disso, alguns autores não só não se preocupam onde publicam seus trabalhos, como atuam de forma a publicar trabalhos repetitivos, limitados na sua originalidade, onde o que mais importa é ser autor ou coautor de um alto número de artigos científicos, mesmo que sua participação de fato tenha sido muito pequena. Ou seja, esse interesse mútuo na publicação de artigos em troca do pagamento de APCs, especialmente em um sistema “publicou/pagou” indiscriminado, pode constituir um problema ético grave, que vem se alastrando mundialmente.

Um sintoma cada vez mais prevalente dessa pressão descontrolada por publicações é a existência, em alguns países, de paper mills (ou “usinas de artigos”), que são empresas contratadas por cientistas expressamente para forjar artigos científicos, usando dados completamente fabricados e publicar esses artigos falsos em revistas científicas em nome do contratante. Um dos principais incentivos a esse tipo de comportamento é uma política adotada pelo sistema de saúde chinês, em que a progressão de carreira de médicos é vinculada diretamente à publicação de artigos científicos.

Feito esse diagnóstico da situação, o que podemos fazer para mudar esse cenário, especialmente aqui no Brasil? Não existe solução fácil. Na nossa visão, iniciativas para identificar e remover da literatura científica aqueles artigos com pouca ou nenhuma contribuição científica, ou então identificar revistas predatórias e desencorajar cientistas a submeter artigos para esses periódicos, são intervenções necessárias, mas combatem apenas o sintoma e não a causa-raiz do problema. Enquanto houver incentivo ao cientista para publicar quantidades cada vez maiores de artigos, haverá pessoas e serviços encontrando formas de “saciar” esse desejo.

Sendo assim, entendemos que o foco deve ser em mudanças nos processos de avaliação de projetos individuais (comparando pesquisadores) ou de instituições (como universidades ou programas de pós-graduação), de forma que a publicação de artigos de baixa qualidade em revistas com práticas editoriais questionáveis deixe de ser uma vantagem. Mudanças nesse sentido já estão em curso, com várias agências de fomento científico (incluindo Fapesp, Capes e CNPq) aperfeiçoando seus procedimentos de avaliação para promover algum tipo de destaque a um seleto grupo dos melhores trabalhos que aquele cientista (ou instituição) produziu, em detrimento de métricas quantitativas que consideram apenas os números totais de artigos publicados. Na prática, entretanto, uma avaliação criteriosa da qualidade desses “destaques” pode ser um processo subjetivo e difícil de ser realizado em escala, e ainda não trouxe uma mudança significativa na cultura da comunidade científica, que continua a valorizar currículos com produção mais volumosa em processos de avaliação.

Nossa proposta é que os processos de avaliação das agências de fomento (incluindo CNPq, Capes e FAPs) eliminem ou reduzam significativamente as métricas que estimulam quantidade de publicações. Isso valeria para avaliações de auxílios científicos e bolsas, incluindo bolsas de produtividade CNPq, e instituições, como as avaliações quadrienais de programas de pós-graduação Capes. Como reconhecemos que produção científica é a base para divulgação do conhecimento, a ideia seria que se considere apenas um número máximo de publicações por ano por pesquisador avaliado, ignorando totalmente qualquer produção excedente. Por exemplo, para concessão de bolsas de produtividade em pesquisa CNPq, a avaliação ocorreria considerando apenas um máximo de três a cinco melhores artigos por ano nos últimos dez anos (para pesquisadores estabelecidos) ou de um a três melhores trabalhos por ano nos últimos cinco anos (para jovens pesquisadores). Da mesma forma, na avaliação quadrienal dos programas de pós-graduação pela Capes, poderiam ser considerados apenas um máximo de três a cinco melhores artigos por ano por docente. Naturalmente, cada comitê de avaliação poderia definir um limite anual de publicações mais adequado à prática de sua área do conhecimento e inclusive escolher qual parâmetro será utilizado para determinar a qualidade do artigo, como o número total de citações que cada artigo recebeu, ou o fator de impacto ou Qualis da revista em que foi publicado. De todo modo, a avaliação seria feita sempre considerando apenas um número predefinido (e limitado) de publicações por proponente.

Esperamos que como resultado dessa mudança na forma com que pesquisadores são avaliados, estes serão desestimulados a produzir um número muito alto de artigos (alguns chegam a publicar uma média superior a um artigo por semana!), podendo se voltar a aprofundar seus projetos de pesquisa em busca de uma melhor qualidade de suas publicações. Como resultado, um dos maiores estímulos para a produção de artigos de baixa qualidade, publicados a toque-de-caixa em revistas predatórias, deixará de existir.

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(As opiniões expressas nos artigos publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)

*Por Nícolas Carlos Hoch é professor do Instituto de Química da USP  e Carlos Frederico Martins Menck é professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP


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Este texto foi originalmente publicado pelo “Jornal da USP” [Aqui!].

Município catarinense lidera ranking de cidades médias em total de associações de catadores de recicláveis

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Chapecó tem 14 associações de catadores de recicláveis, como a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Nova Vida, na foto. Fonte: Fundação Auri Bondanese

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O município catarinense de Chapecó, localizado a cerca de 500 quilômetros da capital Florianópolis, lidera o ranking de cidades brasileiras, com população estimada entre 200 mil e 300 mil, em número de associações e de catadores de materiais recicláveis associados. São 14 associações de reciclagem e cerca de 121 associados, segundo destaca artigo científico de pesquisadores da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) publicado na sexta (29) na revista “Desenvolvimento e Meio Ambiente”.

O trabalho realizou um levantamento da quantidade de cooperativas e associações comunitárias de catadores de recicláveis de cidades, com população entre 200 e 300 mil habitantes, a partir de dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Anuário de Reciclagem. Ele faz parte da tese de doutorado de Rosane Villanova Borges apresentada à Unochapecó.

De 60 cidades, 53 têm entre zero e quatro associações. Chapecó lidera o ranking, com 14 associações, seguida de São Leopoldo (RS), com onze associações, Colombo (PR) e Passo Fundo (RS), com sete. A pesquisadora buscou entender quais condições fizeram com que Chapecó se destacasse no número de associações do tipo, a partir de entrevistas com os presidentes dessas entidades.

A análise destaca alguns fatores que podem explicar o crescimento de associações de catadores de materiais recicláveis na cidade catarinense. Em primeiro lugar, segundo o estudo, esse crescimento estaria ligado a políticas locais e remonta à história do fechamento do lixão, na década de 1990, que fez com que os catadores passassem a se dirigir ao recolhimento de materiais no centro de Chapecó. Por força de uma legislação municipal (Lei nº 4.898, de 2005), eles foram impedidos de circular com carroças de tração animal e carrinhos de tração humana, o que motivou uma mobilização da categoria para pressionar o poder público exigindo o direito de continuar trabalhando na atividade.

“Segundo relato de catadores, muitos passaram fome com essa proibição’’, diz Borges. Em acordo com a prefeitura, os catadores aceitaram se organizar em associações, em troca de receberem materiais de coleta seletiva. Em 2015, a cidade possuía seis associações de catadores cadastradas, entre elas, a Astrarosc – Associação dos Trabalhadores no Serviço de Reciclagem e Similares de Chapecó e Região Oeste de Santa Catarina, com seis núcleos, segundo dados do município. Após falência desta entidade, seus núcleos se constituíram em novas associações.

O apoio da prefeitura e da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Unochapecó foi outro fator que contribuiu para fortalecer as associações. “O apoio da prefeitura envolveu a doação de terrenos, de equipamentos, a manutenção de despesas, de água e energia elétrica, a construção de galpões para essas associações, entre outras iniciativas”, enumera Borges. Ele veio, especialmente, após a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, que prevê o gerenciamento integrado do lixo como responsabilidade da prefeitura — e incentiva a inclusão de catadores no processo de reciclagem.

Embora considere os avanços das associações de catadores, o artigo enfatiza os limites delas enquanto economia solidária. Apesar de garantirem renda e trabalho, essas entidades não garantem os direitos trabalhistas e condições de trabalho dignas aos associados. “Ainda temos um longo caminho a percorrer para o reconhecimento da profissão de catador, que no cenário da crise ambiental e climática, assume importância vital para nossa sobrevivência comum’’, finaliza a pesquisadora.


Fonte: Agência Bori

México prova que é possível produzir alimentos sem glifosato, pois existem alternativas e evidências científicas

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Por Conahcyt

Em resposta ao integral cumprimento do decreto presidencial vigente de 13 de fevereiro de 2023, que estabelece diversas ações relativas ao glifosato e ao milho geneticamente modificado, o governo federal, por meio do Conselho Nacional de Humanidades, Ciências e Tecnologias (Conahcyt), bem como outras órgãos mandatados, divulgaram resultados científicos e tecnológicos das ações testadas em diversos territórios do país que confirmam que é possível produzir alimentos sem glifosato, e a existência de alternativas viáveis ​​a este agrotóxico. 

Na coletiva de imprensa “Atenção ao decreto de dispensa do glifosato no México. É possível produzir alimentos sem agrotóxicos, alternativas viáveis ​​ao glifosato”, participaram: o Porta-Voz do Governo do México, Conahcyt e das Secretarias de Bem-Estar, através da Subsecretaria de Inclusão Produtiva e Desenvolvimento Rural; da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sader), por meio da Subsecretaria de Autossuficiência Alimentar; e Desenvolvimento Agrário, Territorial e Urbano (Sedatu), junto à Procuradoria Agrária (PA). Além disso, pessoas da comunidade científica responsáveis ​​pelos 85 projetos científicos no interior do México. 

Alternativas ao glifosato 

Conahcyt informou que foi concluído o desenvolvimento de 3 novas formulações , 100% mexicanas com eficiências superiores a 90 por cento e que estão em processo de expansão para um nível industrial. Um desses novos herbicidas conta com pareceres técnicos de eficácia biológica do Serviço Nacional de Segurança, Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasica), foi enviado ofício à Comissão Federal de Proteção de Riscos Sanitários (Cofepris), que em breve ser O dossiê será submetido para aprovação. 

Além disso, três bioherbicidas mexicanos disponíveis comercialmente e três no mundo foram identificados e testados, todos com eficiências de até mais de 90% nas fases pré e pós-emergência. São eles Beloukha, Burn Out Formula 2 e Weed Zap, que são aprovados tanto na União Europeia quanto nos Estados Unidos. Os três bioherbicidas nacionais disponíveis comercialmente estão prestes a iniciar processos de aprovação regulatória. 

Todos estes desenvolvimentos pré-existentes e novos estão em condições de escala industrial com uma produção inicial de pelo menos três milhões de litros, que será possível aumentar, através de transferências de tecnologia, de acordo com a procura nacional.

A importância da produção comunitária de bioinsumos também foi destacada. Em coordenação com a Produção para o Bem-estar (PPB, Sader) e Sembrando Vida (Bem-estar), foram produzidos 67,8 milhões de litros de bioinsumos líquidos e 350 mil toneladas de bioinsumos sólidos , dos quais 45,8 milhões de litros e 231 milhões de toneladas, respectivamente, provenientes de as biofábricas Sembrando Vida. Além disso, há capacidade para dar continuidade e ampliar a produção por meio das mais de 18,2 mil Comunidades Camponesas de Aprendizagem (CAC) do programa Sembrando Vida, que conta com quatro mil escolas do campo do PPB, 30.290 espaços de produção de bioinsumos em todo o país e mais de 688 mil produtores capacitados no preparo e aplicação de bioinsumos e implementação de práticas agroecológicas.

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Produção sem glifosato, uma realidade e sem riscos

Diante de um contexto em que o planeta, o campo e a humanidade não podem mais tolerar o modelo industrial neoliberal de produção agrícola, que tem causado a emissão de gases de efeito estufa, a apropriação de terras, a destruição da saúde humana e animal e a perda de biodiversidade, o presidente decreto coloca a saúde e o meio ambiente como prioridades. A sua aplicação e outros programas do Governo do México lançaram de facto uma transição agroecológica sem precedentes. 

Em total cumprimento ao decreto presidencial, com Produção para o Bem-Estar e Semear Vida em cinco milhões e 200 mil hectares e com um milhão e 950 mil produtores, já foram estabelecidos sistemas agroecológicos e muitos litros de glifosato deixaram de ser utilizados . Além disso, no México existem 658 mil hectares de agricultura orgânica certificada, da qual participam 215 mil produtores. 

Semeando Vida mostra como é possível reflorestar e, ao mesmo tempo, produzir alimentos e gerar empreendimentos sociais baseados na organização comunitária e autossustentável, que transformam os agricultores em sujeitos sociais que geram bem-estar e salvaguardam dezenas de espécies que fazem parte da riqueza biocultural do México, que por sua vez representa uma proporção muito elevada da biodiversidade global e dos alimentos consumidos no país e no mundo. 

Foi relatado que os pequenos produtores contribuem com cerca de 60 por cento da produção nacional de milho para consumo humano. As comunidades camponesas e os pequenos produtores são detentores de conhecimentos antigos e são eles que forneciam alimentos antes da chegada dos OGM e do glifosato. São eles que desempenham papel fundamental na preservação de espécies e variedades nativas, na provisão da megabiodiversidade nacional e nos sistemas agroflorestais incompatíveis com o glifosato.

Utilizando dados públicos, foi apresentado que a diminuição do nível de importação de glifosato, desde 2019, não implicou queda na produção de alimentos como milho e outros, portanto não há evidências de risco na produção de alimentos sem glifosato até 2024. A Subsecretaria de Autossuficiência Alimentar indicou que o ciclo de semeadura primavera-verão 2024 começou sem contratempos, que a maioria dos pequenos e médios produtores utiliza sementes nativas no sistema milpa, milho intercalado com árvores frutíferas e sistemas agroflorestais.

Foi detalhado que a maioria desses produtores não utiliza glifosato ou está, há cinco anos, sob sistemas de transição agroecológica que lhes permitiram dispensar ou reduzir ao máximo o uso de glifosato e outros agrotóxicos, aumentando a produtividade e reduzindo custos de produção e impactos em ambientes indesejados. 

Desta forma, com base nos resultados da Pesquisa Nacional sobre o Uso do Glifosato (ENUG), desenvolvida pela Conahcyt em conjunto com a PA, foi determinado que o uso nacional do glifosato é de pouco mais de dois milhões de litros e a maioria dos produtores nos centros agrícolas ainda produzir sem esse agrotóxico. Mesmo tanto os que utilizam quanto os que não utilizam o glifosato, independentemente de serem de grande, médio ou pequeno porte, também incorporam práticas adicionais como capina com facão e manual, preparo do solo com animais, rotação de culturas, uso de roçadora, associação de culturas, controle pelo fogo, semeadura antecipada e uso de outros herbicidas.

Isto mostra que as práticas tradicionais, manuais ou o uso de máquinas podem continuar a ser a base do manejo de ervas daninhas, independentemente do glifosato. A segurança alimentar e a soberania do México nunca dependeram nem deveriam depender de um agroquímico importado. 

Os dados da ENUG, baseados em 7.988 inquéritos válidos e eficazmente aplicados que implicam representatividade e equidade de amostragem com um nível de confiança de 95 por cento, revelam que apenas 44% dos produtores inquiridos utilizam glifosato , dos quais apenas 8,7 por cento correspondem à produção em grande escala. uso, 34,1% para média escala e 57,2% para pequena escala; Veracruz, Chiapas, Campeche, Guerrero e Tabasco são os estados que reportam maior penetração do uso do glifosato no cultivo de milho híbrido e nativo, apesar de não ser autorizado

Ações e evidências de alternativas 

As intervenções de servidores públicos e especialistas confirmaram que não há dúvidas: pode ser produzido com maiores rendimentos, lucros, benefícios ambientais e de saúde sem glifosato e sem agrotóxicos. As conclusões da plataforma de ações com abordagem integral para dispensa do glifosato, que inclui 85 projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação soberana, nos quais participaram mais de 700 pesquisadores e tecnólogos, e mais de 100 instânciasrespondem por isso, , articuladas de maneira virtuosa sob o modelo mexicano de inovação soberana para o bem-estar.

Os especialistas relataram o inédito processo de validação científica e tecnológica, no qual foram validados 87 planos de manejo agroecológico em 17 mil hectares em 22 estados do país, com o trabalho conjunto de 18 mil pequenos produtores (<5 ha) e grande escala (até 3 mil ha) , demonstrando que a produção agroecológica sem glifosato proporcionou maiores rendimentos, lucros e benefícios ambientais .

Foi relatado que o México possui o diário informativo Manejo Ecológico Abrangente de Ervas Daninhas no México (MEIA) da Conahcyt , que está publicado desde 12 de outubro de 2021, com 27 números contendo mais de cem artigos. A gazeta MEIA é um canal de divulgação para todos os públicos e um órgão ágil de diálogo de conhecimentos que visibiliza, protege e promove o desenvolvimento de alternativas viáveis ​​e com eficácia comprovada, como o manejo agroecológico de ervas daninhas. Todas as edições estão disponíveis publicamente e gratuitamente neste link em formato digital .

As intervenções na conferência de imprensa mostraram conclusivamente que os agroquímicos não são a base de uma agricultura saudável, eficaz e produtiva , e que, com excepção das culturas de algodão geneticamente modificado, as unidades de produção camponesas estão preparadas para prescindir do glifosato com práticas alternativas, pelo que a validade da O decreto presidencial não implica riscos para o campo mexicano, para a segurança alimentar nacional e para a soberania. 

As agências mandatadas no decreto presidencial concordaram que esta mudança de paradigma na produção – que transcende a substituição de um produto por outro para uma plataforma abrangente de ações – fornece contribuições sólidas, colocando a saúde e os cuidados das pessoas no centro. rendimentos ou a soberania alimentar do país. 

A participação do Porta-voz enfatizou que o Governo do México, através do decreto atual, está comprometido com a saúde, a vida e a capacidade do seu povo para produzir alimentos de forma saudável, próspera e em condições mais dignas, sustentáveis ​​e lucrativas para aqueles que Eles vivem no campo; Esta é a base para a busca de alternativas ao glifosato e às sementes transgênicas que prejudicam a saúde, a capacidade de produção, o meio ambiente e a nossa soberania.

Por fim, foi reiterado pela Direção Geral de Conahcyt que, dado o trabalho coordenado entre todos os órgãos do Governo do México envolvidos na resposta ao decreto presidencial, está garantido que os processos necessários para a maior massificação dos avanços tecnológicos e para o registo e autorização por parte do Senasica e do Cofepris, prosseguirá eficazmente em favor da soberania alimentar, do cuidado com o ambiente e da saúde do nosso país. 

Participaram da coletiva de imprensa pesquisadores de instituições como: Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), Universidade Autônoma de Chapingo (UACh), Associação Nacional de Empresas de Comercialização de Produtores Rurais (ANEC), Colégio de Pós-Graduados (Colpos). e a empresa Altus Biotech.

As intervenções, argumentos e apresentações da coletiva de imprensa sobre “Atenção ao decreto de dispensa do glifosato no México”, podem ser consultadas no seguinte link: https://bit.ly/4cuUVsS . As conclusões dos projetos que promovem a soberania alimentar estão disponíveis em Alimentacion.conahcyt.mx/

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Este texto escrito originalmente em espanhol foi publicado pelo “Conahcyt” [Aqui!].