Estudo global sobre alimentos ultraprocessados ​​confirma que eles são danosos à saúde humana

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Por Peter Wilde para o “The Conversation”

Os alimentos ultraprocessados, como cereais e refrigerantes, têm sido associados a 32 efeitos nocivos para a saúde, de acordo com a maior revisão de dados realizada até o presente momento.

Pensa-se que em nível global,  uma em cada cinco mortes se deve a uma alimentação inadequada e o papel destes alimentos tem atraído muita atenção em vários estudos nos últimos anos.

Os alimentos ultraprocessados ​​foram definidos pela primeira vez há cerca de 15 anos para permitir aos investigadores examinar o efeito do processamento de alimentos na saúde. Durante esta nova investigação, denominada “revisão guarda-chuva”, foram analisados ​​numerosos estudos recentes, nos quais participaram quase 10 milhões de pessoas, a fim de reunir grande parte dos dados disponíveis para oferecer uma imagem global de como estes alimentos afetam a nossa saúde.

Os resultados relacionam o consumo de grandes proporções de alimentos ultraprocessados ​​na dieta com problemas de saúde e morte prematura por diversas condições, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2, obesidade e problemas de saúde mental.

O novo estudo corrobora a relação dos alimentos ultraprocessados ​​com uma grande variedade de doenças, mas permanecem dúvidas sobre os mecanismos específicos pelos quais esses alimentos nos deixam doentes.

Os pesquisadores propuseram vários mecanismos ao longo dos anos. Entre eles, a má qualidade nutricional, já que alguns produtos ultraprocessados ​​podem apresentar alto teor de gordura, açúcar, sal e pouca fibra, além de carecerem de vitaminas, minerais e antioxidantes essenciais.

Outros mecanismos incluem a falta de estrutura e textura , o que acelera a ingestão de alimentos, aumenta os níveis de açúcar no sangue e é menos eficaz na redução do apetite. Muita atenção também tem sido dada aos aditivos alimentares e outros produtos químicos, quer adicionados aos alimentos, quer como contaminantes das embalagens ou do ambiente.

A qualidade do teste varia

Um aspecto interessante do trabalho atual é o fato de que a força dos resultados entre os estudos varia e algumas das correlações foram fracas. Isto provavelmente se deve em parte à grande variedade de alimentos incluídos na categoria de ultraprocessados.

A definição os identifica como produtos comestíveis que podem conter aditivos e produtos químicos, que são intensamente processados ​​com ingredientes refinados e reconstituídos, com os quais os consumidores podem não estar familiarizados.

Abrange alimentos tão diversos como sorvetes, salgadinhos, pão integral, carnes processadas e pastas com baixo teor de gordura. Esses alimentos, que contêm ingredientes e nutrientes muito diferentes, provavelmente terão efeitos muito diferentes na nossa saúde.

Outro fator importante que deve ser levado em consideração é que se trata de grandes estudos populacionais, nos quais milhares de pessoas registram sua ingestão alimentar habitual e seu estado de saúde. A análise leva em consideração vários fatores, como idade, sexo e estilo de vida, que podem distorcer os números.

No entanto, os resultados só podem mostrar uma relação entre ingestão alimentar e saúde. Não fornecem provas diretas dos mecanismos envolvidos, pelo que é urgentemente necessária nova investigação para compreender como e porquê certos alimentos podem causar problemas de saúde.

Embora sejam possíveis alguns estudos directos, os efeitos a longo prazo sobre a saúde, por exemplo, do consumo de níveis elevados de aditivos alimentares podem ser difíceis e eticamente questionáveis. Mas há oportunidade de investigar estes efeitos mais detalhadamente utilizando os dados existentes.

Dada a enorme quantidade de dados na visão geral, seria interessante extrair algumas informações mais precisas para ajudar a identificar quais alimentos devemos evitar.

É hora de cavar mais fundo

Existe uma enorme variedade de alimentos incluídos na categoria de ultraprocessados, com uma gama igualmente diversificada de teores de nutrientes. O pão integral comercial é classificado como ultraprocessado, assim como sorvetes, donuts e salgadinhos fritos. Portanto, é muito provável que diferentes alimentos ultraprocessados ​​tenham uma ampla gama de efeitos à saúde.

Estudos em que humanos são alimentados com alimentos ou ingredientes específicos de maneira controlada, bem como análises estatísticas mais detalhadas de estudos existentes, devem nos ajudar a identificar quais produtos ultraprocessados ​​devemos evitar, quais são seguros e quais podem ser benéficos como parte de uma dieta saudável e equilibrada.

Uma coisa é certa: estes estudos devem ajudar a informar conselhos para reduzir o consumo de produtos que são claramente prejudiciais à saúde. Por outro lado, devemos também tentar identificar quais os aspectos destes alimentos que são mais perigosos, para que os fabricantes destes alimentos possam eliminá-los das nossas dietas, como foi conseguido com ingredientes nocivos, como as gorduras trans e alguns corantes artificiais.

Muitas pessoas dependem fortemente de alimentos comerciais e processados, e precisamos de garantir que estes produtos são seguros e nutritivos no futuro, especialmente para os grupos pobres e vulneráveis, destaca Pete Wilde, investigador emérito em biociências no Instituto Quadram.


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Este escrito inicialmente em inglês foi inicialmente publicado pelo “The Conversation” [Aqui!].

Apocalipse dos polinizadores: Tiametoxam matou 15 milhões de abelhas em um só apiário em Minas Gerais

Laudo aponta presença de agrotóxico em 15 milhões de abelhas mortas em apiário de Uberlândia. Situação gerou prejuízo de R$ 420 mil para o apicultor responsável pelo apiário no Distrito de Miraporanga

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Por Julia Barduco, Isabela Lamark, Kleyton Guilherme, g1 Triângulo e TV Integração 

Investigação do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) apontou que o agrotóxico Tiametoxam pode ter sido a causa da morte de 15 milhões de abelhas-africanas em um apiário no Distrito de Miraporanga, em Uberlândia, em dezembro de 2023.

Segundo o IMA, o laudo emitido no dia 6 de fevereiro pelo Laboratório de Análise de Resíduos de Agrotóxico (Lara) constatou a presença de Tiametoxam nos animais mortos.

Com isso, o IMA agora apura se houve uso indevido da substância por alguma propriedade próxima. O IMA ressaltou que um laudo, por si só, não afirma que o uso de determinada substância está correto ou não. Na época da análise, esse agrotóxico era permitido para uso no Brasil.

Segundo apurado pela TV Integraçãoa morte das 15 milhões de abelhas-africanas acarretou um prejuízo de R$ 420 mil para o apiário de Miraporanga.

Colmeias em propriedade rural de Miraporanga — Foto: Reprodução/TV IntegraçãoColmeias em propriedade rural de Miraporanga — Foto: Reprodução/TV Integração

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Este texto foi inicialmente publicado pelo Portal G1 [Aqui!].

As andanças da reitora da Uenf mostram bússula quebrada: a curiosa troca de uma ida ao Palácio Guanabara por uma reunião com petistas em Brasília

A imagem abaixo sintetiza bem a situação de bússola quebrada que impera já faz algum momento na reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), pois mostra uma reunião que teria ocorrido entre a reitora Rosana Rodrigues, o reitor do IFF Jeferson Manhães e o deputado federal do PT/RJ, o paraibano Lindbergh Farias.

RR Brasília

O problema é que ao contrário do IFF que sim é uma instituição de ensino federal, a Uenf é uma universidade estadual que recebe parte significativa das verbas que necessita para funcionar do cofres estaduais do Rio de Janeiro cuja caneta repousa na mão do governador Cláudio Castro. Assim, ao ir até Brasília para sabe-se lá fazer o que, Rosana Rodrigues está longe do endereço que realmente interessa em questões cruciais que é o Palácio da Guanabara, localizado na Avenida Pinheiro Machado S/N no charmoso bairro de Laranjeiras na capital fluminense.

Um exemplo de algo que é de crucial importância para a Uenf é retirar da dormência o novo Plano de Cargos e Vencimentos que se encontra firmemente depositado no Palácio Guanabara e não em gabinetes de deputados federais em Brasília.

Além disso, ao voar para Brasília em vez pegar a BR-101 na direção da capital fluminense, a reitora da Uenf ainda se coloca em uma situação curiosa que é de servir de escada para um encontro entre petistas que estariam articulando uma vinda do presidente Lula a Campos dos Goytacazes para apoiar a chapa do PT às eleições municipais deste ano que potencialmente colocará juntos a deputada estadual Carla Machado e o reitor do IFF, Jefferson Manhães.  Como desconheço a filiação da reitora da Uenf ao PT, ela me lembra aquele personagem daquela música dos Paralamas do Sucesso, a “Melô do Marinheiro” (ver abaixo).

O pior que ao visitar e se deixar fotografar ao lado de Lindbergh Farias, Rosana Rodrigues certamente diminuiu a vontade (já muito pequena) de Cláudio Castro de recebê-la para discutir a implantação do novo PCV da Uenf.

A moral flexível do Bolsonarismo fica bem explícita em Campos dos Goytacazes

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A família do ex-presidente Jair Bolsonaro resolveu perpetuar a adjetivação do presidente Lula como sendo um “descondenado”. A partir dessa adjetivação que não possui base na realidade, todo tipo de chamadas desclassificantes são jogadas contra Lula.

Pois bem, em uma dessas reviravoltas que costumam colocar em xeque as narrativas da política brasileira e da campista em especial, a cabeça da  nova executiva municipal  do PL em Campos dos Goytacazes acaba de ser entregue ao afável e elegante Thiago Ferrugem, cujas atribulações com a justiça não foram poucas desde os tempos em que ocupou a cadeira de vereador. 

Há que se lembrar que em 2017, Ferrugem foi obrigado pela justiça a ostentar uma lustrosa tornezeleira eletrônica em função de sua suposta participação em um esquema que trocava a inclusão no programa social Cheque Cidadão por votos.

Assim, eu diria que quando se trata de atribuir adjetivos para quem tem ou teve problemas com a justiça, os bolsonaristas do PL deveriam olhar primeiro para dentro da própria casa.

China promete aumentar investimentos em ciência em 2024

A ciência e a inovação são fundamentais para a agenda nacional da China e para os esforços do país para estimular o crescimento económico

CHINA SCIENCE

Por Smriti Mallapaty para a Nature

Os gastos da China em ciência e tecnologia deverão aumentar em 2024, apesar do lento crescimento económico do país.

O governo gastará 371 bilhões de yuans (algo em torno R$ 310 bilhões) em ciência e tecnologia em 2024 – um aumento de 10% em comparação com o ano anterior – de acordo com um projeto de relatório orçamental do Ministério das Finanças da China. O relatório foi apresentado na reunião anual do órgão legislativo do país, a Assembleia Popular Nacional, esta semana. Do total dos gastos do governo, R$ 82 bilhões  serão destinados à pesquisa básica, um aumento de 13%, segundo o relatório.

“O governo está mostrando que está empenhado em dar aos cientistas mais recursos para apoiar a sua investigação”, afirma Albert Hu, economista da China Europe International Business School, em Xangai.

O aumento dos gastos governamentais em ciência e tecnologia é o maior em cinco anos, diz Jing Qian, que dirige o Centro de Análise da China do Asia Society Policy Institute, na cidade de Nova Iorque. Com uma queda de 9% em 2020, seguida de dois anos de crescimento estagnado, o governo aumentou os seus gastos em 2% no ano passado.

Impulso econômico

O aumento do dinheiro para a ciência ocorre num momento em que a economia luta para cumprir as metas de crescimento. “A China está no meio de uma transição estrutural”, diz Hu. O país está a passar de uma economia baseada em sectores tradicionais, como o imobiliário, para uma maior ênfase no desenvolvimento de alta tecnologia, diz ele.

A corrida pela supremacia tecnológica com os Estados Unidos é outro factor motivador, dizem os investigadores. Os Estados Unidos restringiram o acesso da China a tecnologias essenciais em áreas como inteligência artificial, semicondutores e computação quântica. Isto estimulou o país a investir na autossuficiência tecnológica, diz Marina Zhang, que estuda inovação com foco na China na Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália. “Para vencer este jogo, a China tem de investir em ciência e tecnologia, especialmente em investigação básica.” diz Zhang.

Mas embora o aumento da despesa “representa um maior compromisso do governo para com a ciência e a tecnologia”, ainda representa apenas uma pequena fracção da despesa total em investigação e desenvolvimento do país, diz Hu. Os gastos do governo representam cerca de 11% dos 3,3 trilhões de yuans gastos em P&D na China, segundo dados oficiais. Os gastos em P&D representam atualmente cerca de 2,6% do produto interno bruto total da China, em comparação com 3,6% nos EUA em 2020.

A sessão do congresso termina no dia 11 de março e será seguida por uma reunião do órgão consultivo político da China, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, na próxima semana.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela revista “Nature” [Aqui!].

Em 60 anos, pesca predatória fragilizou população de tubarões em Arraial do Cabo (RJ), e captura caiu mais de 70%

barrigaO tubarão-barriga-dágua (Carcharhinus plumbeus) teve declínio significativo nas capturas em Arraial do Cabo (RJ) devido à sobrepesca. Foto: Guy Marcovaldi/Projeto Tamar

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Nos últimos 60 anos, houve uma queda significativa no número de tubarões capturados ao longo da costa de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Sem acesso a áreas de proteção, os indivíduos ficaram expostos à pesca predatória durante o século passado e como resultado, passaram a ser menos abundantes nos antigos locais de captura a partir de 2006. Portanto, apesar do aumento das atividades pesqueiras na região, pescadores da região relatam uma redução de 75% na captura de espécies destes animais neste período.

Os dados são de estudo das Universidades Federais Fluminense (UFF), de Santa Maria (UFSM) e do Oeste do Pará (UFOPA) publicado na revista “Neotropical Ichthyology na sexta (8) e trazem informações sobre a população desses animais na costa fluminense.

Os pesquisadores entrevistaram, entre julho de 2018 e 2019, 155 pescadores com experiência de pesca de três até 64 anos na região de Arraial do Cabo, Rio de Janeiro, para investigar mudanças no número e na distribuição espacial dos tubarões nesta região. As entrevistas abordaram a época de reprodução, os comportamentos alimentares, a quantidade de capturas ao longo do tempo e outras características das espécies de tubarões. Os dados foram divididos em dois grupos: antes e depois de 2006. Neste ano, houve o fechamento da Companhia Nacional de Álcalis, em Arraial do Cabo, o que fez com que a pesca artesanal voltasse a se tornar a principal fonte econômica do município.

O artigo destaca que cerca de 2 mil indivíduos dessas espécies foram capturados com rede de praia entre 1979 e 2005. De 2006 a 2019, o número de tubarões capturados caiu para 500, ou seja, 75% a menos do que no período anterior. O estudo ressalta que a sobrepesca ao longo dos anos fez com que os animais se afastassem da costa. Após 2006, quando novos locais de pesca passaram a ser explorados, as capturas desses animais passaram a se concentrar em locais mais distantes.

“Os pescadores relataram seis espécies de tubarões, todas categorizadas como ameaçadas segundo listas nacionais e globais, como a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas e a União Internacional para a Conservação da Natureza”, explica Carine Fogliarini, lider do estudo e pesquisadora da UFSM. Os tubarões mais capturados foram o tubarão-galha-preta, o tubarão-anequim e o tubarão-barriga-dágua. Nas últimas seis décadas, as capturas do tubarão-galha-preta foram marcadas por uma queda de mais de 70% em um dos locais de pesca próximo a costa. Em geral, a localização espacial dos locais de pesca de tubarões na costa cabista também mudou, segundo relatam os pesquisadores.

A região de Arraial do Cabo tem uma reserva extrativista classificada como unidade de conservação de uso sustentável. Criada em 1997 para proteger recursos naturais e direitos de pescadores locais, a Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo carece de zonas de proibição de pesca definidas. Assim, a gestão da pesca e a fiscalização da captura de espécies ameaçadas e protegidas é insuficiente, segundo Fogliarini. “A falta de áreas de refúgio ou berçários contribui para a vulnerabilidade das espécies marinhas diante da pesca intensa”, completa.

Os resultados do estudo apontam para a necessidade de políticas de proteção de ecossistemas mais eficazes, ampliando o envolvimento das comunidades locais. A pesquisadora defende a promoção do turismo sustentável, com uma gestão efetiva da pesca, em locais como Arraial do Cabo. “Um tubarão vivo vale muito mais do que um animal morto onde o turismo para ver esses animais existe. Vários países proibiram a pesca de tubarões devido ao risco de colapso das espécies e à importância desses animais para o equilíbrio das cadeias alimentares”.

A equipe de pesquisa quer contribuir para frear ou reverter o declínio populacional de tubarões na costa brasileira, o que pode ser feito por meio do monitoramento de pescarias, campanhas educativas para conscientização e redução do esforço de pesca com abertura de novas possibilidades de geração de renda para os pescadores. “Não adianta apenas proibir a pesca, pois os pescadores precisam sustentar suas famílias. Eles necessitam ter alternativas de geração de renda na pesca ou em outras atividades que sejam mais sustentáveis”, finaliza a autora.


Fonte: Agência Bori

Estudo no IPT encontra agrotóxicos em sucos de laranja, um deles vendido como orgânico

suco de laranja

Ingestão de suco de laranja contendo resíduos de agrotóxicos perigosos representa um grave risco à saúde humana

Dois agrotóxicos foram encontrados em amostras de laranjas e de sucos de laranja submetidos a ensaios pela técnica especializada Kelly Cristina Manhani, do Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas do IPT, em sua dissertação de mestrado que analisou a presença de multirresíduos de agrotóxicos em alimentos cítricos por meio de técnicas cromatográficas – um dos compostos encontrados, o Dicofol, se destaca por ser um produto organoclorado utilizado no controle de ácaros e insetos que, recentemente, foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e adicionado à Convenção de Estocolmo devido à sua classificação como Poluente Orgânico Persistente (POP).

O Brasil é o maior produtor de laranja do mundo, responsável por mais de um quarto da exportação in natura e três quartos da exportação mundial de suco de laranja. Em 2021, o país produziu 16.214.982 toneladas de laranja, das quais São Paulo é o principal estado citricultor. “Por conta de sua posição de destaque na cadeia agroindustrial, a segurança alimentar é item fundamental para o Brasil garantir a sustentabilidade produtiva, a competitividade de mercado e a qualidade na produção”, afirma Manhani, que defendeu a dissertação de mestrado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

Para a realização da pesquisa, que teve como objetivo o estudo de uma metodologia para determinação de multirresíduos de agrotóxicos em alimentos cítricos, doze amostras de laranja pera (também conhecida como pera Rio, pera coroa ou simplesmente pera) foram coletadas em feiras livres, sítios e supermercados do Estado de São Paulo e nove amostras de suco de laranja integral produzidas no Brasil foram adquiridas em supermercados. “Escolhi a laranja pera porque a sua produção se destaca no país: além de termos colheitas durante quase o ano todo, o suco produzido tem um alto rendimento e qualidade”, explica ela.

O preparo das amostras de laranja in natura seguiu o procedimento operacional padrão do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) – esta é uma ação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), coordenado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária e laboratórios estaduais de saúde pública.

As nove amostras de sucos de laranja foram adquiridas em supermercados convencionais e restaurantes na região da zona oeste da cidade de São Paulo. Uma das amostras foi de suco fresco preparado no ato da compra em um restaurante nas proximidades da Universidade de São Paulo (USP) e o restante foram sucos industrializados conhecidos como sucos integrais ou néctar.

Agrotóxicos no Brasil

Os agrotóxicos são produtos químicos sintéticos utilizados para combater os insetos, larvas, fungos e carrapatos que são vetores de doenças em cultivos. A Anvisa autoriza o uso dos agrotóxicos de acordo com os estudos de toxicidade e segurança alimentar; porém, o uso em excesso dessas substâncias e a ausência de Boas Práticas Agrícolas (BPA) podem trazer riscos de intoxicação ao trabalhador rural e danos ao meio ambiente.

Segundo relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em 2011 as vendas de ingredientes ativos (i.a) em produtos formulados foram de 422.166,85 toneladas; dez anos depois, em 2021, este número subiu para um total de 720.869 toneladas, com crescimento expressivo entre 2018 e 2021. “Com o crescimento da produção de laranja e outros cultivos, o Brasil como grande potência agropecuária tornou-se um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo”, afirma Manhani.

Metodologia

Cinco tipos de compostos foram analisados (Trifluralina, Clorotalonil, Clorpirifós, Dicofol e Azoxistrobina) e o Instituto Adolfo Lutz fez a doação de padrões de agrotóxicos, colaborando com o preparo das amostras e dando o suporte com a experiência técnica da equipe de pesquisadores. Os ingredientes ativos em estudo foram selecionados com base nos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) – das 744 amostras de laranja analisadas no período de 2013 a 2015, o i.a. Azoxistrobina foi encontrado em 71 amostras, o Clorpirifós em 217 e o Dicofol  em 30 amostras.

As 21 amostras cítricas do estudo de Manhani foram analisadas pelas técnicas analíticas de cromatografia a gás com detector de captura de elétrons (GC-ECD) e cromatografia a gás com espectrometria de massas (GC-MS). A técnica do IPT utilizou os equipamentos para a quantificação e a confirmação dos analitos, ou seja, das substâncias ou componentes químicos, em uma amostra, que eram alvo de análise nos ensaios.

Foram estudados no projeto três métodos de extração: ‘QuEChERS ORIGINAL’, ‘QuEChERS Acetato MODIFICADO’ e extração líquido-líquido. “O método QuEChERS está revolucionando o preparo de amostras de matrizes complexas e, neste estudo, foram avaliados a mudança de pH na extração bem como a proporção de amostra e adição de diferentes sais e adsorventes na etapa de limpeza da amostra (clean up) para a eficiência da extração dos ingredientes ativos”, explica ela. Parâmetros de qualidade analítica como seletividade/efeito matriz, linearidade, limite de detecção e quantificação foram estabelecidos para os cinco pesticidas.

Os ensaios foram feitos no Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas, no Laboratório de Biotecnologia Industrial e no Laboratório de Química e Manufaturados do IPT. No preparo de amostras foram realizados estudos para comparar os métodos e verificar a eficiência de extração dos agrotóxicos da matriz e qual o mais adequado em relação à detecção do ingrediente ativo  e o efeito matriz sobre o sinal do equipamento.

Em suas análises, Manhani detectou a presença do i.a. Dicofol em cinco amostras de suco de laranja, dentre elas um suco orgânico certificado; outro dos agrotóxicos encontrados, o Clorpirifós, está atualmente sob reavaliação da Anvisa e de outros órgãos internacionais do Canadá e Austrália, sendo que nos EUA foi proibido em 2022. O motivo da nova avaliação são aspectos toxicológicos como mutagenicidade e toxicidade para o desenvolvimento, especialmente a neurotoxicidade, encontrados em estudos recentes. E apesar de terem sido detectados nas amostras, as concentrações são muito pequenas, sendo que para o i.a. Clorpirifós o valor ficou muito menor que o limite máximo de resíduo (LMR) permitido para a cultura citros pela ANVISA.

“As técnicas analíticas aplicadas na determinação de resíduos em alimentos devem garantir alta sensibilidade e robustez nas análises por instrumentação e, não menos importante, os métodos de preparo de amostras adequados para cada matriz, a fim de garantir a confiabilidade nos resultados obtidos”, ressalta a técnica. “A determinação de resíduos nos alimentos torna-se uma ferramenta de grande valia na estimativa de exposição do ser humano e do meio ambiente, bem como o indicativo de Boas Práticas Agrícolas, ajudando na tomada de decisões regulatórias a fim de se garantir a segurança alimentar”, conclui ela.


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Este texto foi originalmente publicado pelo IPT [Aqui!].

“Nós não precisamos de mineração, mas de território para produzir alimento orgânico”, entrevista inédita de Merong Kamakã, encontrado morto em Brumadinho

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Por Maurício Angelo,  Foto: Isis Medeiros, Entrevista: Gabriela Sarmet e Isis Medeiros

O cacique Merong Kamakã, 37 anos, liderança de uma retomada em Córrego de Areias, Brumadinho (MG), foi encontrado morto na manhã da última segunda-feira com indícios de enforcamento. A Polícia Militar informou que a causa da morte foi suicídio. A Polícia Civil de Minas Gerais, porém, não confirmou a informação e diz que está investigando o caso em conjunto com a Polícia Federal.

O sepultamento ocorreu na madrugada desta quarta, no território, 06 de março. A área em que o cacique vivia com seu povo desde outubro de 2021 está em litígio com a Vale, que move uma ação de reintegração de posse e, por causa disso, tentou impedir o sepultamento na justiça, que atendeu ao pedido da mineradora. O sepultamento, porém, ocorreu antes mesmo que a comunidade soubesse da decisão judicial. Diante dos fatos, a Vale recuou.

Merong Kamakã era uma respeitada liderança indígena tanto na luta pelos direitos do seu povo, Kamakã-Mongoió, quanto na luta de outros povos indígenas, como os Xokleng, Kaingang, Guarani, Xukuru-Kariri, Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe, entre outros.

Em abril de 2022, Merong Kamakã concedeu uma entrevista ao Observatório da Mineração durante o Acampamento Terra Livre em Brasília. Diante do seu falecimento, em respeito à sua memória, publicamos a entrevista inédita.

Kamakã relata as dificuldades que o seu povo viveu durante a pandemia e alerta que, caso a humanidade siga destruindo a natureza, outras doenças virão. O cacique afirma que sofria ameaças de seguranças da Vale, intimidação, que o povo indígena era vigiado por drones, acusa a Vale de se apropriar do território, incluindo as nascentes de água.

“Um mês depois os seguranças da Vale nos descobrem (onde estávamos) e assim começa as repressões. Chegamos ali por causa da água potável. A gente vem passando ameaças com drone, seguranças que vão em peso nos intimidar. Para nós indígenas, não estamos invadindo nada de ninguém, porque a terra, nem a mata, nem a água pode ser vendida. O criador, nosso grande Espírito deixou para que nós pudéssemos viver. E com o passar do tempo, no desenrolar dessa luta, a gente descobre que a mineradora está comprando todas as áreas de nascente da região”, afirma Kamakã.

Para o cacique, a necessidade de mineração e do plantio de soja transgênica, por exemplo, precisa ser urgentemente revisto pela sociedade. “A gente precisa de território, de produzir alimento orgânico para ficar aqui no nosso país”, ressaltando a agricultura familiar praticada por seu povo.

O cacique afirmou, na época, que “se for preciso morrer na luta pelo território eu vou morrer, mas eu não saio dali. Porque eu sei o que o meu povo passou na pandemia. (…) Quem vai fazer a recuperação ambiental será nós, que somos originários. Território é para ser preservado com floreta sustentável. Chega de mineração. Acorde o povo brasileiro que está dormindo. Essa luta não é só nossa, é de todos”, disse.

Merong Kamakã afirma, por fim, que o seu povo é reprimido e perseguido pela Vale, chama a mineradora de assassina e pede a saída da Vale do território. Assista a entrevista completa abaixo.

O Observatório da Mineração solicitou um posicionamento da Vale, não enviado até a publicação desta matéria. O texto será atualizado assim que a mineradora se manifestar. À Agência Brasil, a Vale disse que o terreno ocupado pelos indígenas em Brumadinho se destina à recuperação ambiental e se tornou objeto de discussão na Justiça. “A Vale lamenta a morte do cacique Merong e se solidariza com seus familiares e a comunidade indígena”, diz a empresa.

Nota do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lembra que, no relatório Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – dados de 2022, a média de suicídios indígenas é três vezes maior que a população em geral, “na medida também que avançam os processos de violências contra os territórios, em especial os ainda não demarcados ou regularizados”.

Para o Cimi, é necessário que todas as possibilidades sobre a morte de Merong Kamakã sejam investigadas com rigor e seriedade por parte do poder público. “Mas sem perder de vista que os suicídios indígenas também devem ser vistos como um processo de violência contra os povos originários enquanto um projeto de extermínio. Os povos indígenas não estão se suicidando, estão sendo suicidados. Pois antes da morte acontecer, a sociedade já os matou muito antes e por fragmentos. Os matam quando negam o território, quando negam a possibilidade de viver a espiritualidade, os matam quando negam seus direitos, quando os ameaçam e os constrangem, os matam quando roubam a possibilidade de ser sujeito e coletivo”, ressaltam.

Atualização: a Vale enviou a seguinte nota ao Observatório da Mineração às 18:09h desta quarta (06).

A Vale reitera seu pesar pelo falecimento do cacique Merong Kamakã e se solidariza com seus familiares e a comunidade indígena. Jamais houve, por parte da Vale, qualquer tipo de ameaça ou violência aos indígenas, uma vez que a empresa repudia esse tipo de ação.

A ação de reintegração de posse decorre de uma ocupação ocorrida em 2021 em uma área pertencente à Vale. Essa área está destinada para fins de compensação ambiental. A Vale busca uma solução para a questão, em conjunto com a comunidade, dentro da legalidade. Por fim, a Vale reitera que tem como compromisso atuar alinhada ao respeito aos direitos humanos.


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Este texto foi originalmente publicado pelo “Observatório da Mineração” [Aqui!].

A precaução do México sobre a segurança do milho geneticamente modificado é justificada

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Por Por Lucy Sharratt para o “The New Lede”

Um decreto presidencial proibiu o uso de milho geneticamente modificado (GM) na alimentação no México. Mas os governos dos Estados Unidos e do Canadá estão utilizando o acordo comercial EUA-Canadá-México (USMCA) para desafiar as ações do México.

O objetivo das restrições do México ao milho geneticamente modificado é salvaguardar a integridade do milho nativo da contaminação geneticamente modificada e proteger a saúde humana. O objetivo do desafio dos EUA e do Canadá é defender os interesses da indústria biotecnológica. Os EUA e o Canadá querem forçar o México a abrir o seu mercado a todos os alimentos e sementes geneticamente modificados. O Canadá apoia o desafio dos EUA (como terceiro na disputa), embora o Canadá não exporte milho para o México.

O México tem o direito de restringir o uso de milho geneticamente modificado. Os EUA argumentam que as ações do México não se baseiam em princípios científicos, mas o governo tem ciência suficiente para justificar as suas políticas de precaução.

A nossa organização, a Canadian Biotechnology Action Network, é uma grande rede de agricultores e grupos ambientalistas que monitoa a utilização de organismos geneticamente modificados (OGM) há mais de 15 anos e apoiamos as restrições do México. Fomos um dos dois grupos canadenses que receberam permissão para enviar comentários de especialistas sobre os riscos do milho geneticamente modificado ao painel de arbitragem nesta disputa, mas em janeiro, os grupos canadenses não foram convidados a pedido do governo dos EUA, apoiado pelo Canadá, com o detalhe técnico de que a disputa é apenas entre os EUA e o México.

De qualquer forma, publicamos a nossa análise para mostrar que a proibição do México é apoiada pela ciência. A pesquisa continua a encontrar indicadores de danos potenciais aos seres humanos decorrentes da ingestão de milho geneticamente modificado resistente a insetos. A ciência também continua a alertar para os impactos na saúde decorrentes da exposição ao herbicida glifosato, utilizado na produção de milho geneticamente modificado.

A maioria das plantas de milho geneticamente modificadas são geneticamente modificadas para matar pragas de insetos. As plantas geneticamente modificadas expressam uma toxina da bactéria do solo  Bacillus thuringiensis  (Bt) que é conhecida por prejudicar o intestino de tipos específicos de insetos, mas não de outros. Os agricultores há muito usam o Bt como spray para matar pragas, mas as  toxinas Bt nas culturas geneticamente modificadas são diferentes  deste Bt natural em estrutura, função e efeitos biológicos. Na verdade, estudos revistos por pares em toda a literatura científica continuam a descobrir que as toxinas Bt em plantas geneticamente modificadas podem prejudicar insectos (aranhas, vespas, joaninhas e crisopídeos, por exemplo) que não são os alvos pretendidos.

Ainda no ano passado, novos estudos revistos por pares encontraram impactos do Bt onde se supunha que não existiam. Por exemplo, um estudo de 2023 conduzido por uma equipe de pesquisadores de universidades do Brasil e da Colômbia, financiado pelo governo brasileiro, descobriu que o Bt teve muitos  impactos significativos na saúde das vespas , afetando até mesmo a próxima geração. Pesquisadores universitários na China e no Paquistão também encontraram menor diversidade de bactérias no  intestino de aranhas-lobo  expostas ao Bt. Isto se soma a  um teste de laboratório publicado em 2023 , financiado pelo governo francês, que descobriu que uma toxina Bt específica perturba o crescimento e o funcionamento normais das células intestinais em moscas da fruta, levantando a possibilidade de que as toxinas Bt possam prejudicar o revestimento intestinal de animais, incluindo humanos. .

Para somar a estes resultados, vários ensaios de alimentação animal também concluíram que as toxinas Bt e as culturas GM Bt podem ter efeitos tóxicos nos mamíferos. Efeitos tóxicos e indicações de toxicidade foram observados de várias maneiras no  sangue , estômago, intestino delgado, fígado, rim, baço e pâncreas, bem como nas respostas imunológicas , embora o mecanismo não esteja claro nesses estudos. Criticamente, os governos dos EUA ou do Canadá não exigem estudos sobre alimentação animal para demonstrar a segurança alimentar dos OGM. Na verdade, existem muito poucos testes de longo prazo e multigeracionais em animais na literatura científica.

Mas a toxicidade do Bt não é a única preocupação de segurança. A produção de milho geneticamente modificado também está ligada ao uso de glifosato e outros herbicidas que estão associados a graves problemas de saúde, incluindo  doenças neurológicas  e  alguns tipos de câncer. A Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde classifica o glifosato como um provável carcinógeno humano. De forma crítica, as evidências também apontam para o  perigo da exposição a resíduos nos alimentos  , que é a preocupação destacada pelo México em relação ao  milho geneticamente modificado .

Esta preocupação é particularmente premente porque os mexicanos comem mais milho do que qualquer pessoa no mundo, em grande parte através de farinha minimamente processada para fazer tortilhas. Esta é uma maneira totalmente diferente de consumir milho geneticamente modificado da dieta de ingredientes de milho em alimentos altamente processados ​​nos EUA e no Canadá. A exposição alimentar única do México ao milho geneticamente modificado exige que o México estabeleça o seu próprio “nível aceitável de protecção” contra os riscos.

Nas suas observações ao painel de litígios comerciais, o governo dos EUA argumenta que não foram encontrados quaisquer efeitos adversos para a saúde dos consumidores. Contudo, sem monitoramento dos alimentos geneticamente modificados, não há base científica para fazer esta afirmação.  Não houve estudos pós-comercialização em populações humanas para determinar se houve efeitos adversos à saúde e, sem rastreamento ou rotulagem de alimentos geneticamente modificados, tais estudos não são possíveis .

Os EUA e o Canadá argumentam essencialmente que se decidiram que um alimento geneticamente modificado é seguro, então o México deveria concordar.

No início de Março, a defesa formal do México à proibição do milho geneticamente modificado será publicada como parte do processo de disputa comercial. Logo depois ouviremos argumentos de oito grupos não governamentais que têm permissão para enviar comentários. Esses documentos devem deixar claro que as restrições ao milho no México são apoiadas pela ciência e são justificadas para defender o futuro do milho e proteger a segurança alimentar.

 Este artigo apareceu pela primeira vez no Food Tank.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo “The New Lede” [Aqui!].

A China tem uma lista de periódicos suspeitos de serem predatórios, e ela acaba de ser atualizada

A Nature conversou com a bibliotecária responsável pela Lista de Periódicos de Alerta Precoce da China sobre como ela é compilada anualmente

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A Biblioteca Nacional de Ciências da Academia Chinesa de Ciências em Pequim. Crédito: Yang Qing/Imago via Alamy

Por Smriti Mallapaty para a “Nature”

A China atualizou a sua lista de revistas consideradas não confiáveis, predatórias ou que não atendem aos interesses da comunidade científica chinesa. Chamada de Early Warning Journal List, a última edição , publicada no mês passado, inclui 24 periódicos de cerca de uma dúzia de editoras. Pela primeira vez, sinaliza periódicos que apresentam má conduta chamada manipulação de citações, na qual os autores tentam aumentar suas contagens de citações.

Yang Liying estuda literatura acadêmica na Biblioteca Nacional de Ciências da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim. Ela lidera uma equipe de cerca de 20 pesquisadores que produz a lista anual, que foi lançada em 2020 e se baseia em insights da comunidade global de pesquisa e na análise de dados bibliométricos.

A lista está se tornando cada vez mais influente. É referenciado em avisos enviados pelos ministérios chineses para abordar a má conduta académica e é amplamente partilhado em websites institucionais em todo o país. Os periódicos incluídos na lista normalmente veem as submissões de autores chineses caírem. Este é o primeiro ano em que a equipe reviu o seu método de desenvolvimento da lista; Yang fala com a Nature sobre o processo e o que mudou.

Como você cria a lista todos os anos?

Começamos coletando feedback de pesquisadores e administradores chineses e acompanhamos as discussões globais sobre novas formas de má conduta para determinar os problemas nos quais devemos nos concentrar. Em janeiro, analisamos dados brutos da base de dados de citações científicas Web of Science, fornecida pela empresa de análise editorial Clarivate, com sede em Londres, e preparamos uma lista preliminar de periódicos. Compartilhamos isso com editoras relevantes e explicamos por que seus periódicos podem acabar na lista.

Às vezes, os editores nos dão feedback e argumentam contra a inclusão de seu periódico. Se a resposta deles for razoável, iremos removê-la. Agradecemos sugestões para melhorar nosso trabalho. Nunca vemos a lista de diários como perfeita. Este ano, as discussões com as editoras reduziram a lista de cerca de 50 revistas para 24.

Retrato de Liying Yang.

Yang Liying estuda literatura acadêmica na Biblioteca Nacional de Ciências e gerencia uma equipe de 20 pessoas para montar a Lista de Periódicos de Alerta Precoce. Crédito: Yang Liying

Que mudanças você fez este ano?

Nos anos anteriores, os periódicos eram categorizados como de alto, médio ou baixo risco. Este ano, não reportamos os níveis de risco porque removemos a categoria de baixo risco, e também percebemos que os investigadores chineses ignoram as categorias de risco e simplesmente evitam completamente as revistas da lista. Em vez disso, fornecemos uma explicação de por que o periódico está na lista.

Nos anos anteriores, incluímos periódicos com números de publicações que aumentaram muito rapidamente. Por exemplo, se uma revista publicasse 1.000 artigos num ano e depois 5.000 no ano seguinte, a nossa lógica inicial era que seria difícil para estas revistas manter os seus procedimentos de controlo de qualidade. Removemos esse critério este ano. A mudança para o acesso aberto significou que é possível que os periódicos recebam um grande número de manuscritos e, portanto, aumentem rapidamente o seu número de artigos. Não queremos atrapalhar esse processo natural decidido pelo mercado.

Você também introduziu periódicos com padrões anormais de citação. Por que?

Percebemos que tem havido muita discussão sobre o assunto entre pesquisadores de todo o mundo. É difícil dizer se o problema vem dos periódicos ou dos próprios autores. Às vezes, grupos de autores concordam mutuamente com essa manipulação de citações ou usam fábricas de papel, que produzem artigos de pesquisa falsos. Identificamos esses periódicos procurando tendências nos dados de citações fornecidos pela Clarivate — por exemplo, periódicos em que as referências de manuscritos são altamente distorcidas para uma edição de periódico ou artigos de autoria de alguns pesquisadores. No próximo ano, planejamos investigar novas formas de manipulação de citações.

Nosso trabalho parece ter impacto nos editores. Muitos editores nos agradeceram por alertá-los sobre os problemas em seus periódicos, e alguns iniciaram suas próprias investigações. Um exemplo deste ano é a editora de acesso aberto MDPI, com sede em Basileia, na Suíça, a quem informamos que quatro de seus periódicos seriam incluídos em nossa lista devido à manipulação de citações. Talvez não esteja relacionado, mas em 13 de fevereiro, o MDPI enviou um aviso informando que estava investigando uma possível má conduta dos revisores envolvendo práticas antiéticas de citação em 23 de seus periódicos.

Você também sinaliza periódicos que publicam uma grande proporção de artigos de pesquisadores chineses. Por que isso é uma preocupação?

Este não é um critério que usamos por si só. Estas revistas publicam — por vezes quase exclusivamente — artigos de investigadores chineses, cobram taxas de processamento de artigos excessivamente elevadas e têm um baixo impacto de citações. Do ponto de vista chinês, isto é uma preocupação porque somos um país em desenvolvimento e queremos fazer bom uso do nosso financiamento de investigação para publicar o nosso trabalho em revistas verdadeiramente internacionais, a fim de contribuir para a ciência global. Se os cientistas publicarem em revistas onde quase todos os manuscritos provêm de investigadores chineses, os nossos administradores sugerirão que, em vez disso, o trabalho seja submetido a uma revista local. Dessa forma, os pesquisadores chineses podem lê-lo e aprender com ele rapidamente e não precisam pagar tanto para publicá-lo. Este é um desafio que a comunidade científica chinesa tem enfrentado nos últimos anos.

Como você determina se um periódico tem problemas com a fábrica de papel?

Minha equipe coleta informações postadas nas redes sociais, bem como em sites como o PubPeer, onde os usuários discutem artigos publicados, e o blog de integridade de pesquisa For Better Science. Atualmente, não fazemos as verificações de imagem ou texto, mas poderemos começar a fazê-lo mais tarde.

Minha equipe também criou um banco de dados online de artigos questionáveis ​​chamado Amend , que os pesquisadores podem acessar. Coletamos informações sobre retratações de artigos, avisos de preocupação, correções e artigos que foram sinalizados nas redes sociais.

Marcado para baixo: Gráfico que mostra a queda nos artigos publicados em periódicos de médio e alto risco no ano seguinte ao lançamento da Lista de Periódicos de Alerta Precoce.

Fonte: Lista de Diários de Alerta Precoce

Que impacto a lista teve na pesquisa na China?

Esta lista beneficiou a comunidade científica chinesa. A maioria dos institutos de investigação e universidades chineses fazem referência à nossa lista, mas também podem desenvolver as suas próprias versões. Todos os anos, recebemos críticas de alguns investigadores por incluírem revistas nas quais publicam. Mas também recebemos muito apoio daqueles que concordam que as revistas incluídas na lista são de baixa qualidade, o que prejudica o ecossistema de investigação chinês.

Houve muitas retratações da China nos periódicos da nossa lista. E quando um periódico entra na lista, as submissões de pesquisadores chineses normalmente caem (veja “Marcados para baixo”). Isso explica por que muitos periódicos da nossa lista são excluídos no ano seguinte — esta não é uma lista cumulativa.

DOI: https://doi.org/10.1038/d41586-024-00629-0

Esta entrevista foi editada para maior extensão e clareza.


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela revista “Nature” [Aqui!].