ABC e Nobel Prize Outreach promovem evento em abril na UERJ, USP e Fiesp
Estudantes de diferentes partes do Brasil e de países da América Latina terão a oportunidade de conversar com três premiados com a mais alta láurea científica no mundo: o Prêmio Nobel. A agenda faz parte do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024, promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) em parceria com a Fundação Nobel nos dias 15 de abril, no Rio de Janeiro, e 17, em São Paulo.
Participam do encontro David MacMillan (Nobel de Química em 2021), May-Britt Moser (Medicina, 2014) e Serge Haroche (Física, 2012).
“Ao reunir laureados com o Nobel, estudantes e especialistas regionais, pretendemos inspirar a próxima geração de cientistas a adotar um papel ativo no apoio à construção da sociedade que queremos”, afirmou Adam Smith, diretor-científico da Nobel Prize Outreach.
Com o tema “Creating our future together with science” (Criando o nosso futuro juntos com a ciência), o grupo vai abordar como a ciência pode ser usada pela sociedade para trazer mudanças em direção a um mundo melhor. “O tema do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024 traz a ciência com a perspectiva de construção do futuro, unindo os três laureados, estudantes, convidados e Unesco. Muitas vezes as pessoas esquecem a razão da ciência. Tornar a humanidade mais sábia? Sim, perfeito. Mas a ciência precisa servir à sociedade. É o momento de mostrar que esse futuro precisa ser construído pela ciência junto com a sociedade”, afirma a presidente da ABC, Helena Nader.
O primeiro evento será no Rio de Janeiro, na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em 15 de abril. Os laureados vão se juntar a estudantes, cientistas e convidados. Entre os participantes, estão Anna Cristina D’Addio, analista sênior da equipe do Relatório de Monitoramento Global de Educação da Unesco, Erika Lanner, diretora do Nobel Prize Museum em Estocolmo e outros. A programação completa pode ser vista aqui.
O grupo vai debater o valor da ciência, como tornar a prática de pesquisa mais inclusiva e como adotar estratégias mais efetivas de divulgação científica. Também serão discutidos a responsabilidade dos cientistas, o papel das universidades e as estratégias de transição para um mundo mais sustentável.
Dia 17 será a vez de São Paulo receber os laureados. A programação na capital paulista será dividida em dois encontros, o primeiro no Centro de Difusão Internacional da USP, de 10h às 12h. Como no Rio, o foco é permitir o diálogo com estudantes, professores e membros da comunidade acadêmica. À tarde, os laureados terão um encontro com empresários, autoridades e formuladores de políticas públicas na Fiesp.
Este é o terceiro evento no Brasil da ABC em parceria com a Fundação Nobel, o primeiro presencial – os dois anteriores foram virtuais, em 2021, devido à pandemia de Covid. O Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024 tem o apoio da 3M, ABB, Capgemini, EQT, H2 Green Steel e Scania, parceiros internacionais do Nobel, e da Finep, Fapesp e Klabin, parceiras no Brasil. UERJ, USP e FIESP são apoiadores locais da atividade.
Saiba mais informações sobre os laureados que participam do Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024:
David MacMillan é um químico britânico e professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, desde 2006. Em 2021, foi laureado com o Nobel de Química junto com Benjamin List pela criação de novos métodos de construção de moléculas orgânicas, processo conhecido como organocatálise assimétrica. Catalisadores são substâncias que aceleram reações químicas sem se tornarem parte do produto final – importantes para os químicos construírem moléculas. Em 2000, os pesquisadores desenvolveram um novo tipo de catálise que se baseia em pequenas moléculas orgânicas e tem tornado a química mais amigável ao meio ambiente. É usada, por exemplo, em pesquisa farmacêutica.
May-Britt Moser é psicóloga e neurocientista norueguesa, chefe do departamento do Centro de Computação Neural na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. Recebeu o Nobel de Medicina em 2014, com Edvard Moser e o britânico-americano John O’Keefe. Juntos, descobriram células importantes para a codificação do espaço e também para a memória episódica. Seu trabalho abriu portas para a ciência conquistar novos conhecimentos sobre os processos cognitivos e déficits espaciais associados a condições neurológicas, como a doença de Alzheimer.
Serge Haroche é um físico francês, professor do Collège de France desde 2001. Em 2012, foi laureado com o Nobel da Física, ao lado de David Wineland, “por métodos experimentais inovadores que permitem a medição e a manipulação de sistemas quânticos individuais”. Os dois foram pioneiros no campo da óptica quântica. Suas pesquisas lançaram as bases técnicas para computação quântica, área que usa a mecânica quântica para resolver problemas complexos mais rapidamente do que em computadores tradicionais.
SERVIÇO
Diálogo Prêmio Nobel Rio e São Paulo 2024
Rio de Janeiro
Data: 15 de abril
Horário: 10h às 16h
Local: UERJ – Teatro Odylo Costa Filho
Endereço: R. São Francisco Xavier, 524 – Maracanã, Rio de Janeiro – RJ
Interessados em acompanhar os debates podem fazer suas inscrições aqui.
São Paulo
Data: 17 de abril
Horário: de 10h às 12h
Local: Auditório do Centro de Difusão Internacional da USP
Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 310, Butantã, São Paulo – SP
Interessados em acompanhar os debates podem fazer suas inscrições aqui.
No dia 17 de dezembro de 2023, uma tempestade em Buenos Aires (Argentina) causou 13 mortes e milhares de danos, incluindo a queda de 715 árvores e galhos de grande porte. Crédito da imagem: David Bustozoni/Flickr , licenciado sob Creative Commons CC BY-NC-ND 2.0 Deed
Por Pablo Corso para a SciDev
A queda de árvores em uma cidade reduz a absorção de carbono, a sombra e a filtragem do ar, e a sua atenção deve ser considerada no desenvolvimento de planos de gestão eficientes e sustentados ao longo do tempo.
Isso é sugerido por um estudopublicado na revista Urban Forestry and Urban Greening , que oferece algumas recomendações baseadas na análise da cobertura arbórea em São Paulo (Brasil), onde são registradas até duas mil quedas por ano.
Com base nas quedas registradas naquela cidade entre 2016 e 2018, os pesquisadores identificaram as causas e definiram linhas de ação para reduzir os danos.
Durante as tempestades, a água enfraquece os solos e as rajadas de vento produzem falhas mecânicas que podem derrubar árvores, disse Giuliano Locosselli, especialista do Instituto de Pesquisa Ambiental do estado de São Paulo e um dos autores do estudo, ao SciDev.Net .
Em particular, as árvores que crescem nas ruas dentro dos corredores de edifícios altos são mais propensas a cair, devido à canalização dos ventos. Os espécimes mais velhos são especialmente vulneráveis, pois sofrem microfraturas ao longo da vida e ficam expostos a fungos e microorganismos que os degradam.
“Devemos entender as árvores como parte da infraestrutura urbana que traz muitos benefícios às pessoas e à biodiversidade.” Mas também “requerem manutenção para continuarem a proporcionar benefícios sem se tornarem um risco”.
Giuliano Locosselli, Instituto de Pesquisas Ambientais do Estado de São Paulo, Brasil
Com base nessas observações, os pesquisadores utilizaram algoritmos de inteligência artificial para elucidar a importância de cada um dos fatores que influenciam a queda.
Assim, concluíram que os problemas nos galhos representam 46% das causas das quedas – porque se dobram mais facilmente pelo vento -, 33 %respondem a falhas nas raízes – resultado do seu confinamento para evitar que invadam casas ou ruas —e 21% a problemas no tronco, devido à degradação da madeira e a más práticas de poda.
Lições da tempestade
No dia 17 de dezembro de 2023, uma tempestade em Buenos Aires (Argentina) causou 13 mortes e milhares de danos, incluindo a queda de 715 árvores e galhos de grande porte.
Em posterior passeio pela cidade, o agrônomo Carlos Anaya – presidente da Associação Civil de Arboricultura de seu país – ficou surpreso com aquantidade desproporcional de árvores verdes perdidas , algo que atribuiu ao uso “frequente, excessivo e indiscriminado” de podas que as enfraquece ainda mais.
“A poda deve ser mínima”, insiste ele ao SciDev.Net . “Não se deve sair e podar de acordo com um calendário ou grade, mas sim nas árvores jovens que precisam e com um objetivo claro.” É importante fazer isso nos horários indicados (variam para cada espécie) e com pequenos cortes, evitando avançar quando a árvore estiver estressada por pragas, secas ou enchentes, acrescenta.
“Devemos entender as árvores como parte da infraestrutura urbana que traz muitos benefícios às pessoas e à biodiversidade ”, observa Locosselli. Mas também “requerem manutenção para continuarem a proporcionar benefícios sem se tornarem um risco”.
As iniciativas de planejamento e gestão exigem considerar as variações que podem ocorrer em cada cidade em relação ao clima, topografia e tipo de espécie, destaca Anaya.
O estudo da Urban Forestrytambém propõe que os governos locais verifiquem rotineiramente a resiliência das árvores, que os órgãos públicos e as empresas privadas revejam as suas práticas de poda e que os cidadãos deixem espaço para o crescimento das raízes na frente das suas casas.
Algumas dessas recomendações estão incluídas no novo Plano Diretor de São Paulo , que inclui treinamento para servidores públicos e prestadores de serviços, conforme detalhado no estudo.
Na mesma linha, o ecologista urbano Cynnamon Dobbs, especialista da Universidade de Connecticut que estudou ecossistemas urbanos na América Latina, lembra que Bogotá (Colômbia), Santiago do Chile e Mendoza (Argentina) mostraram “muito progresso em suas inventários de árvores, que são a base de informações para gerar bons planos de manejo.”
Lembre-se também que Cities4Forests—a aliança global dedicada à conservação das florestas nas cidades—destaca as experiências bem-sucedidas do programa dedicado à Mata Atlântica no Rio de Janeiro (2015), a criação de um cinturão verde ao redor da cidade peruana de Iquitos (2011- 2021) e a iniciativa de construir uma relação harmoniosa entre os cidadãos e o meio ambiente na comuna chilena de Coronel (2009-2050).
No entanto, a nível global e regional, faltam detalhes sobre as ações que levam a uma implementação bem-sucedida com os seus orçamentos correspondentes, afirma Dobbs.
Para tal, recomenda que os programas de plantação sejam geridos à escala do bairro (para melhorar a monitorização) e monitorizem a saúde das árvores no terreno ou remotamente, incluindo a identificação de conflitos com infraestruturas prediais, como cabos aéreos ou o pavimento elevado.
A gestão virtuosa deve também abordar a potencial vulnerabilidade à pragas e doenças de diferentes espécies, para identificar eventuais substitutos. Isto não só melhorará a saúde das árvores, mas também aspectos relevantes como a qualidade do ar e a segurança das pessoas.
Este artigo escrito originalmente em espanho foi publicado pela edição América Latina e Caribe do SciDev.Net [Aqui!].
Um parecer especializado sobre os riscos das novas plantas geneticamente modificadas da Agência Nacional Francesa para a Segurança Alimentar, Ambiental e de Saúde Ocupacional (ANSES) foi finalmentepublicadodepois de atrasos que levaram a repetidas acusações de censura (ver abaixo). As suas descobertas devastadoras ameaçam inviabilizar as tentativas de enfraquecer as regulamentações em torno das novas fábricas geneticamente modificadas.
No relatório recentemente publicado, a ANSES apela a que as novas plantas geneticamente modificadas sejam avaliadas quanto aos riscos para a saúde e para o ambiente, caso a caso. Afirma que é “importante” estabelecer um plano de monitorização após cada lançamento no mercado, tanto do impacto ambiental destes novos OGM como dos seus efeitos socioeconómicos.
Os autores do relatório da ANSES realizaram cerca de dez estudos de caso (arroz com altura reduzida, trigo com menor teor de glúten, batata tolerante a herbicidas, videira resistente à podridão cinzenta, tomate com elevado teor de aminoácidos, etc.) e consideraram os possíveis riscos que estes As plantas NGT (plantas produzidas por novas técnicas genómicas, como CRISPR/Cas) representam um perigo para a saúde e o ambiente.
O grupo de cientistas observou que “certos riscos potenciais aparecem repetidamente nestes estudos de caso” e que “estes incluem riscos ligados a alterações inesperadas na composição da planta, que podem dar origem a problemas nutricionais, de alergenicidade ou de toxicidade, ou de médio e riscos ambientais de longo prazo, como o risco de fluxo gênico de plantas editadas para populações selvagens ou cultivadas compatíveis.”
A GMWatch tem o prazer de ver o reconhecimento da ANSES dos riscos para a saúde das novas plantas geneticamente modificadas, que foram virtualmente ignorados, ou simplesmente negados, pelos elementos pró-desregulamentação do Parlamento Europeu e completamente postos de lado no Reino Unido.
Os especialistas chamam a atenção para o fato de que a grande diversidade de plantas que podem ser modificadas com NGTs pode aumentar o risco de transferência de genes modificados para outras espécies. Eles também observam o risco de perturbação das interações entre animais e plantas NGT, particularmente no caso de insetos polinizadores.
Considerando o CRISPR/Cas como a nova técnica GM mais utilizada, a ANSES salienta que a precisão com que estas “tesouras moleculares” operam não é perfeita: Numerosos estudos relatam “efeitos indesejados fora do alvo”, ou seja, modificações não intencionais no genoma da NGT. plantas. A ANSES recomenda prestar especial atenção a estes efeitos, caracterizando toda a área do genoma afetada e justificando a ausência de riscos associados a estas modificações colaterais.
Para a avaliação de risco de plantas geneticamente editadas, a ANSES recomenda:
– o desenvolvimento e adaptação de técnicas proteómicas e metabolómicas para estudos comparativos de composição em condições reais, após cultivo no campo (a GMWatch também recomendou repetidamente estas análises moleculares para novas plantas geneticamente modificadas, a fim de detectar alterações inesperadas na composição resultantes dos processos geneticamente modificados utilizados para desenvolver as plantas); – a determinação dos principais alergénios conhecidos nas plantas em causa utilizando técnicas quantitativas de LC-MS/MS (cromatografia líquida com espectrometria de massa em tandem); – dependendo da espécie, medição dos níveis de compostos tóxicos, genotóxicos ou antinutricionais conhecidos por serem expressos; – melhor consideração, na avaliação dos riscos ambientais, dos efeitos cumulativos a longo prazo e das características agroambientais do cultivo de plantas GTN.
A ANSES também observa que estas recomendações também poderiam ser aplicadas à avaliação de plantas transgênicas geneticamente modificadas. Na opinião da GMWatch, esta é uma sugestão sábia que poderia melhorar significativamente a regulamentação actual.
Ao contrário das autoridades reguladoras de OGM do Reino Unido, os especialistas da ANSES leram e consideraram algumas revisões preventivas da literatura científica revista por pares, que alertam que as plantas NGT podem ter efeitos não intencionais na saúde e no ambiente. Eles resumem as conclusões destas revisões de uma forma imparcial e levam-nas a sério.
Outra excelente sugestão é que o estudo de alimentação animal de 90 dias seja obrigatório para plantas NGT, embora não esteja claro no texto da ANSES se isso se aplica apenas a espécies de plantas conhecidas naturalmente por conterem substâncias tóxicas ou antinutricionais, ou a todas as plantas NGT. Dadas as surpresas desagradáveis que podem surgir com plantas geneticamente modificadas em estudos de alimentação animal e os conhecidos efeitos mutacionais não intencionais de novas técnicas geneticamente modificadas, a GMWatch recomenda que todas as plantas NGT sejam submetidas a estes estudos.
Em suma, a ANSES propõe uma avaliação caso a caso para as plantas NGT, dependendo das modificações feitas, de quaisquer efeitos não intencionais detectados, da natureza das plantas modificadas, e assim por diante. A agência afirma que “compartilha a observação dos especialistas” de que “alguns dos riscos identificados [para plantas NGT] são semelhantes aos já identificados para [os OGM de primeira geração], mas que a exposição a esses riscos pode aumentar à medida que o uso [ de NGTs] se desenvolve e o tamanho do mercado para estas plantas aumenta, especialmente porque está em andamento trabalho em plantas amplamente distribuídas [frutas, vegetais, etc.] que não são atualmente afetadas pela transgênese”.
Outro aspecto importante do relatório diz respeito ao impacto socioeconómico das NGT. Os especialistas sublinham a importância de “adaptar o atual quadro regulamentar dos direitos de propriedade intelectual” nas centrais de NGT. Dependendo da natureza destes direitos (patentes, etc.), a adoção de NGT poderá levar a “desequilíbrios entre os atores económicos em termos de partilha de valor”. Eles afirmam: “O impacto do desenvolvimento de plantas derivadas de NGT na concentração do setor de melhoramento de plantas e sementes é uma questão importante sobre a qual as autoridades públicas devem estar vigilantes”.
Os especialistas observam, no entanto, que cada sector seria afectado de forma diferente pela introdução de novos OGM na Europa, particularmente devido às “dificuldades potenciais” de coexistência entre os sectores geneticamente modificados, convencional e biológico.
Pressão política
Embora o relatório da ANSES só tenha sido publicado em 5 de março, de acordo com umartigopublicado no início do dia no Le Monde por Stéphane Foucart, foi finalizado já em 11 de dezembro de 2023. O parecer formal da ANSES, baseado neste relatório, foi assinado em 22 de janeiro pelo seu diretor-geral Benoît Vallet e imediatamente encaminhado ao governo francês. A ANSES tinha previsto publicar o relatório e o parecer no início de fevereiro, mas fontes próximas do assunto afirmaram que a publicação foi bloqueada devido a “pressões políticas”.
Foucart escreve no Le Monde que a data era importante porque a opinião dos peritos da agência pretendia informar as decisões de voto dos eurodeputados, que votaram em 7 de Fevereiro para enfraquecer os regulamentos da UE em torno dos novos OGM, sujeitos a certas condições. Segundo Foucart, “Apesar desta votação, o plano da Comissão Europeia para flexibilizar os regulamentos está agora paralisado devido à falta de acordo entre os Estados-Membros, e foi adiado para a próxima legislatura [nota: GMWatch entende que o belga A Presidência do Conselho da União Europeia ainda está a tentar fazer avançar a proposta nesta legislatura]. Até terça-feira, 5 de Março, a ANSES ainda não tinha tornado nada público, não dando qualquer explicação para a sua procrastinação, não fazendo comentários e garantindo-nos que tudo será publicado em breve.” O relatório só foi finalmente publicado depois do artigo de Foucart ter deixado clara a natureza do seu conteúdo – com base numa cópia vazada do relatório.
Foucart salienta que a opinião da ANSES está em oposição direta à posição sobre a desregulamentação defendida pela França em Bruxelas e à posição majoritária expressa pelos eurodeputados do Renew (partido do governo francês) no Parlamento Europeu. Essa posição consistia em isentar muitas fábricas de NGT dos requisitos de avaliação de riscos para a saúde e ambientais, de rastreabilidade e de rotulagem.
Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela GM Watch [Aqui!].
“O negócio de venda de autorias e citações precisa de um fornecimento constante de veículos em formato de papel. É mais eficiente produzi-los em linhas de montagem que se concentram em um tópico restrito.” -Maarten van Kampen
Por Maarten van Kampen e Alexander Magazinov para o “For Better Science”
Maarten van Kampen notou que uma certa revista da Elsevier, Engineering Analysis with Boundary Elements ( EABE) , está infestada de fraudes em fábricas de artigos científicos. Maarten até leu esses artigos (já que ninguém mais o fez) e provou que eram objetivamente um lixo total e, cientificamente, muito além de estúpidos. Ele tentou argumentar com o Editor-Chefe, um professor norte-americano chamado Alexander Cheng , mas não conseguiu. Assim, com a ajuda deAlexander Magazinov , Maarten escreveu um longo artigo sobre este periódico e um proeminente trapaceiro iraniano da fábrica de artigos que ele hospeda: Arash Karimipour .
Devido a muitos personagens e histórias paralelas, o artigo de Maarten ficou muito longo até mesmo para o For Better Science. Será, portanto, publicado em três partes.
Como salienta Maarten, Alexander Magazinov foi coautor deste artigo e Maarten está em dívida com Tu Van Duong, da Purdue University, pelos seus conhecimentos sobre os costumes universitários vietnamitas.
Começamos previsivelmente com a Parte I.
Alexander Magazinov recentemente teve sucesso ao remover Masoud Afrand , um grande fabricante de artigos científicos, dos conselhos editoriais dos Scientific Reports da Springer-Nature e da Engineering Analysis with Boundary Elements( EABE) da Elsevier , leia aquieaqui . O editor-chefe desta última revista, Alexander HD Cheng , não ficou satisfeito com esse resultado epublicou sua própria análiseno Retraction Watch . Conclui com:
“Concluindo, no que diz respeito ao trabalho editorial de Afrand para a EABE, a edição especial não foi uma forma eficaz de aumentar as suas citações, especialmente tendo em conta o seu elevado histórico de citações. Sua conduta editorial foi honrosa e não encontro nenhuma falha nisso. A revista lamenta que devido à má publicidade , justificada ou injustificada, tenhamos pedido a renúncia de Afrand. Ele concordou graciosamente.
Ato 1: Avanços recentes na modelagem de nanotubos
Em 2020, a edição especial “Avanços recentes na modelagem de nanotubos dentro de nanoestruturas/sistemas” apareceu na Wiley’s Mathematical Methods in the Applied Sciences . Foi editado por Hamid M. Sedighi , Abdessattar Abdelkefi , Ali J. Chamkha , Timon Rabczuk , Raffaele Barretta e Hassen M. Ouakad . Os 94 artigos (planilhas) que deveriam ser publicados ali serviram principalmente como veículos de citação para um círculo restrito de atores. Os principais destinatários são mostrados abaixo, com Afrand na quarta posição:
Encontraremos muitos desses homens novamente. Um deles, o editor especial e vice-presidente da universidade alemã Timon Rabczuk , será o personagem central da Parte II.
Depois dedemitir o gerente do jornal Wiley, que tentou pressionar por uma investigação, um representante da Wiley prometeu reavaliar os artigos problemáticos. O que, claro, não aconteceu, e uma ridícula pilha de lixo ainda está pendurada à “vista inicial”, algumas peças já há quase quatro anos. Este, por exemplo, está online desde 6 de abril de 2020:
Então, novamente, uma tabela dos principais destinatários de citações, com Afrand e Karimi orgulhosamente no topo da lista:
Autor
Contagem de citações
Karimi, Nader
504
Afrand, Masoud
383
Aghakhani, Saeed
252
Tang, Yong Bing
199
Pordanjani, Ahmad Hajatzadeh
189
Ali, Hafiz Muhammad
161
Kalbasi, Rasool
158
Karimipour, Arash
139
Alizadeh, Rasool
136
Torabi, Mohsen
136
Os outros editores convidados neste caso foram o famoso químico canadense Mohammad Arjmand e o chinês Cong Qi.
As preocupações sobre esta edição especial foram relatadas em julho de 2022, mas o editor-chefe do Journal of Energy Storage, Dirk-Uwe Sauer, adiou firmemente a investigação da edição especial. Então, por algum motivo, ele foi removido no final do mesmo ano e a Elsevier realmente iniciou uma investigação. Por fim, todo o número especial foi coberto por uma Expressão de Preocupaçãopela “ integridade e rigor do processo de revisão pelos pares ”.
Ato 3: Abordagens Computacionais na Simulação Multifásica de Nanofluidos
Março de 2023. Afrand ‘ganhou’ uma posição como editor “regular” da EABE da Elsevier , ao mesmo tempo que publica a edição especial “Abordagens computacionais em simulação multifásica de nanofluidos em sistemas multifísicos” na mesma revista. Isto novamente com Arjmand e Qi, mas sem Karimi. Já estamos há vários meses na investigação do Journal of Energy Storage , por isso podemos perguntar-nos se isto foi um acidente ou uma decisão deliberada.
De qualquer forma, a edição especial da EABE de Afrand também foi especial em termos de citações, sendo o principal beneficiário desta vez um certo Changhe Li . Esta tabela foi preparada quando havia 44 artigos na edição especial, enquanto agora são quase 60.
Autor
Contagem de citações
Li, Changhe
136
Zhang, Yanbin
102
Yang, Min
80
Disse, Zafar
72
Afrand, Masoud
69
Ali, Hafiz Muhammad
67
Jia, Dongzhou
56
Öztop, Hakan F.
54
Selimefendigil, Fatih
50
Sharifpur, Mohsen
47
Junto com Afrand, a EABE também conseguiu contratar Nader Karimi, que lançou uma edição especial separadamente de Afrand. Posteriormente, Karimi também teve que “renunciar”, um resultado que o Editor-Chefe Cheng pode considerar como resultado de “um ataque coordenado a [ele], à [sua] integridade, à revista e à comunidade científica”. campo de nanofluidos”, conforme relatado anteriormente no Friday Shorts .
Karimipour entra em cena
Como se não bastasse isso, outra maçã podre entrou no corpo editorial na mesma leva de novas contratações: Arash Karimipour . Tal como os seus colegas, ele publicou a sua própria edição muito especial da EABE e, numa repetição de passos, revelou-se impossível fazer com que o editor-chefe da EABE reconhecesse que algo muito mau estava a acontecer à sua revista. Arash ainda está listado como editor da EABEe sua edição especial permanece intacta.
Curriculum vitae de Arash Karimipour
Para obter o currículo mais lisonjeiro de Arash, visite sua página no LinkedIn:
“Sou um engenheiro mecânico com grande interesse em realizar pesquisas complexas em física de fluxos. Participei ativamente de projetos de pesquisa com foco em comportamento reológico, convecção mista, nanofluidos não newtonianos e geração de entropia. As descobertas dessas investigações foram publicadas em revistas internacionais de renome, e a Universidade de Stanford reconheceu minhas realizações nomeando-me um dos 2% melhores cientistas do mundo em 2020 e 2021 . Fui nomeado Pesquisador Altamente Citado pela Web of Science em 2019 , e o ISC me concedeu a mesma homenagem em 2018 . Com minha experiência em engenharia mecânica e compromisso inabalável em avançar na compreensão da física de fluxos complexos, agrego um valor significativo a qualquer equipe de pesquisa. Estou entusiasmado em aplicar minhas habilidades e contribuir para projetos de ponta neste setor.”
Ao mesmo tempo, pode-se encontrar uma história diferente nos lugares mais sombrios da Internet:
“Sara Rostami pertence à “segunda” geração da nanofraude iraniana, a mesma geração de Masoud Afrand, Davood Toghraie e Arash Karimipour . Para o contexto, a “primeira” geração são os dois gurus Babol Noshirvani, Davood Domiri Ganji e Mohsen Sheikholeslami. A história principal sobre eles é clara e simples: eles apareceram do nada por volta de 2015 e começaram a produzir artigos científicos com o tema nanofluidos. “
Alexander Magazinov, For Better Science
Ambos os currículos estão perfeitamente corretos, exceto talvez a parte relativa ao compromisso inabalável de promover a compreensão .
Arash Karimipour formou-se em engenharia mecânica na Universidade Islâmica Azad em Esfahan, Irã (2001-2005). Seguiu-se um mestrado (2005-2007) e um doutoramento (2007-2012) em diferentes ramos da mesma universidade. Desde 2010, Arash é professor associado da Universidade Islâmica Azad, filial de Najafabad. Durante seu doutorado, Karimipour passou um período na Universidade Sapienza de Roma, Itália, no grupoAnnunziata d’Orazio . Isto levou a uma relação mutuamente benéfica que discutirei na Parte III.
Produção científica
Muito pode ser aprendido observando a produção científica de um pesquisador. A figura abaixo foca na quantidade, mostrando o número anual de artigos publicados por Karimipour:
Número anual de artigos publicados por Arash Karimipour, divididos por afiliação. Fonte: OpenAlex .
Pode-se observar que a sua produtividade aumenta acentuadamente por volta de 2015 ou, nas palavras de Magazinov, “ eles apareceram do nada por volta de 2015” . A divisão nas afiliações surpreende: uma passagem de um ano em uma universidade vietnamita em 2020 (linha laranja), uma importante experiência internacional que está completamente ausente em seu currículo. Em 2020, Arash publicou impressionantes 79 artigos, ou cerca de 1,5 artigos por semana. E quase metade desses papéis ele assinou com uma afiliação da Universidade vietnamita Ton Duc Thang.
Karimipour não está sozinho em ter um “período vietnamita”. A produção de seu amigo islâmico Azad e coautor frequente, Masoud Afrand, mostra exatamente o mesmo padrão. E o mesmo vale para Iskander Tlili (leia sobre eleaqui) e Shahaboddin Shamshirband :
Produção de papel de vários pesquisadores, dividida em artigos totais e afiliados ao Vietnã.
Esta surpreendente coincidência está relacionada com uma versão mais barata da fraude de citações da Arábia Saudita, descobertapelo El País no ano passado. Neste último esquema, os investigadores altamente citados da Clarivate receberam até70 mil euros para mentir sobre a sua afiliação, aumentando assim a classificação das universidades sauditas. Esse balão de citação já esvaziou . As universidades vietnamitas também estão interessadas em aumentar a sua classificação e começaram a pagar qualquer fabricante de artigos que encontrassem para aumentar a “produção”. Este esquema foi exposto por volta de 2020, com umjornal nacional vietnamita a chamar Iskander Tlili e Shamshirband como “ os líderes da rede da máfia científica estrangeira que está a sugar o sangue das universidades vietnamitas ”. Juntamente com algumas ações de acompanhamento que acabaram com o esquema, causando uma queda acentuada nos “artigos vietnamitas” dos nossos cientistas fraudulentos. Os membros mais cruéis têm o focinho em ambos os cochos. Timon Rabczuk , editor especial no Ato 1 acima, é um deles. Conforme anunciado, ele será a estrela da Parte II.
Na história acima, Aliakbar Karimipour, da Universidade Vietnamita Duy Tan, também merece menção (painel inferior direito na figura acima). Este outro A. Karimipour não tem presença na Internet e realmente do nada publicou seus primeiros 18 artigos em 2020. Aliakbar publica com mais frequência com Arash Karimipour. Os dois foram coautores de 10 artigos em 2020, mas essa cooperação terminou abruptamente em 2021. Línguas malignas sugerem que Arash e Aliakbar são na verdade a mesma pessoa, ganhando duas vezes por seu Ton Duc Thang (Arash) e Duy Tan(Aliakbar) afiliações. A esse respeito, acho interessante ver que em 2022 o nosso Arash publicouum artigo final vietnamita, mas depois com afiliação Duy Tan . Uma confusão na gestão de personagens?
Aliakbar Karimipour, aliás, não é o único “fantasma” na fraude de afiliação vietnamita. Este artigo de jornalcobre Narjes Nabipour , o alter ego da afiliação de Shamshirband. E mais adiante neste post conheceremos Zahra Abelmalek , uma afiliação-fantasma ligada a Iskander Tlili.
De volta à produção científica. Não só a quantidade, mas também a qualidade conta. E as retratações são uma indicação clara da falta delas. Karimipour até o momento tem duas retratações (Li et al 2020 , He et al 2019), ambas de abril de 2022 na mesma revista Emerald:
Duas retratações [ 1 , 2 ] do International Journal of Numerical Methods for Heat & Fluid Flow . A nota de retratação está incorporada no resumo!
O primeiro aviso de retratação menciona fraude de autoria e revisão por pares misturada com plágio como motivo da retratação:
Chegou ao nosso conhecimento que existem preocupações em relação à autoria do artigo e que o processo de revisão por pares foi comprometido.
Partes do artigo também foram retiradas, sem atribuição, da seguinte fonte:
Jamshidian, M. e Mousavi, SA (2014), “Prevendo falhas nas estruturas de elevação hidráulica com monitoramento e lógica difusa”, Journal of Modern Processes in Manufacturing and Production , Vol. 3 Não. 2.
O segundo artigo retratado sofreu apenas fraude de autoria e revisão por pares. Os artigos têm coautores notáveis que veremos com mais frequência: o super-homem vietnamitaIskander Tlili , Marjan Goodarzi e Zhixiong Li . E você saberia: nosso Zhixiong foi um dos principais contribuintes para nossa edição especial do Ato II, Avanços Recentes em Gerenciamento Térmico de Baterias . Até a semana passada, quando ocorreram retratações por fraude de autoria, revisão e citação [ 1 , 2 , 3 ].
Outro indicador de qualidade inversa é o número de artigos sinalizados no PubPeer. Tomando cuidado para não incluir o outro Arash Karimipour fraudulento, podemos encontrar atualmente 44 documentossinalizados. O que obviamente é muito. Um problema que ocorre frequentemente são as citações em lote de trabalhos irrelevantes, uma marca registrada da fraude de citação.
O coautor mais frequente de Arash é Masoud Afrand. Arash e Masoud são afiliados à Universidade Islâmica Azad de Najafabad e trabalham na mesma área. Eles foram coautores de 54 artigos juntos, tornando Afrand (co-)autor de 20% dos artigos de Arash. E Masoud está superando Arash, sempre voando um pouco mais alto:
Quando Alexander Magazinov começou a levantar preocupações, a questão da editoria da Edição Especial parecia simples: tanto Arash Karimipour como Amir Mosavi foram listados como seus editores especiais. No entanto, em novembro de 2023, o nome de Mosavi foi removido silenciosamente:
Em algum momento de novembro, os editores de edições especiais listados mudaram [ 1 , 2 ]. A data da ‘última atualização’ não mudou, no entanto.
Com base nos padrões de citação, podemos, no entanto, ter a certeza de que Mosavi esteve envolvido de uma forma ou de outra.
A edição especial de Karimipour contém 73 artigos, excluindo um primeiro aviso de retratação. Nos últimos meses, nenhum novo artigo foi adicionado, então podemos esperar que continue assim. Os artigos publicados mostram autores frequentemente recorrentes, por exemplo, um certo S. Mohammad Sajadi publicando mais de 1/5 de todos os artigos da Edição Especial:
Autores mais frequentes da edição especial.
Cerca de 2/3 dos artigos de edição especial (48 no total) estão atualmentelistados no PubPeer . São muitos para cobrir, então vamos dar uma olhada em alguns grupos:
Fraude de citação do “último bloco”
Pode-se escolher quase qualquer artigo da edição especial e encontrar citações fora de contexto. Isso é chato e os editores não estão interessados nisso 1 . Os padrões de citação da edição especial como um todo são um tanto interessantes:
Os dez principais autores que receberam citações da edição especial.
A lista acima mostra uma abordagem “sem barreiras” para a fraude de citações, com nosso editor da edição especial Karimipour recebendo mais que o dobro da quantidade de citações do número dois. Os nomes já deveriam soar familiares: Davood Toghraie “apareceu do nada” , o super-homem Iskander Tlili e Marjan Goodarzi das retratações de Karimipour, o amigo islâmico Azad Afrand e até o supervilão nanofluidoAli J. Chamkha . E como Mohammad Safaei é marido de Marjan Goodarzi, temos uma família e tanto aqui.
A fraude de citação nesta edição especial apresenta uma reviravolta extremamente preguiçosa: pelo menos onze dos seus artigos citam todas as citações restantes numa única frase, fora de contexto. Pegue o trecho abaixo deUsando material de mudança de fase (PCM) para… :
Em algum lugar na seção de resultados os autores citam as Refs. [34-66] em uma única frase. Trata-se de citação em lote de 33 artigos ou 50% do total de 66 referências . É difícil perceber sua relevância, mas é quase impossível ignorar o padrão: basta verificar os autores destacados para a primeira e a última referência.
Também é fácil adivinhar como isso poderia acontecer. No negócio de citações para venda, deve haver listas de artigos que precisam ser citados. Quando chega um artigo novo, é terrivelmente complicado inserir essas citações e depois ter que renumerar todas as referências. Mas não há necessidade disso: tendo total controle editorial, é muito mais fácil adicionar a carga útil no final!
Muito rebuscado, você acha? Veja os três artigos de edição especial abaixo:
Três artigos [1 , 2 , 3 ] compartilhando uma sequência consecutiva de 12 citações do “último bloco” de Karimipour exatamente na mesma ordem. Os artigos citam respectivamente 51%, 50% e 38% de suas referências em uma única frase.
Cada um desses artigos possui um último bloco de citações que é citado em uma única frase. E em cada artigo pode-se encontrar exatamente o mesmo bloco de 12 citações de ‘Karimipour’, mesmo exatamente na mesma ordem. As citações restantesdos três artigos acima vão predominantemente para o marido e a esposa Goodarzi & Safaei.
Curiosidade: você sabia que Karimipour é o autor de um artigo acadêmico sobreética de publicação? Trata-se de citações obrigatórias durante o processo de submissão. Tenho certeza de que ele agora está totalmente de acordo com esse conceito:
Anteriormente, mencionei que a EABE removeu o nome de Amir Mosavi como editor especial. O seu legado é, no entanto, claramente visível:
Uma sequência de “último bloco” de citações de Mosavi, consulte [ 1 , 2 ]. Uma repetição parcial em [ 3 ] não é mostrada.
Onze referências a ‘Mosavi’ são citadas exatamente na mesma ordem em dois artigos, ambos no “último bloco”, fora de contexto e em uma única frase. E outros dez desses onze podem ser encontrados no lote do “último bloco”deste artigo. Eles não estão listados na figura acima, pois ‘apenas’ seis deles vêm na mesma ordem… Olhando um pouco mais de perto as listas de citações acima, podemos identificar muitos outros grandes golpistas, por exemplo, o fraudadorShamshirbande até mesmo nosso vice-universitário alemão, Presidente Rabczuk ([49], ver Parte II). E quando você está sentindo falta do super-homem Tlili: ele ‘ganhou’ seu “último bloco” de citaçõesaqui .
Os exemplos acima são os pesos pesados da fraude de citação. No entanto, também há muita beleza nos infratores menores. Veja o artigo da edição especial Análise da dinâmica molecular de um tambor de aromatização combinando simulação numérica e avaliação experimental. Seu autor final é Zhixong Li , que já conhecemos em uma das obras retratadas de Karimipour. O artigo tem apenas 27 referências, com apenas as últimas 5 delas citadas fora de contexto em uma única frase:
A pessoa que anexou as citações complementares sentiu necessidade de discrição e usou o et al. truque para esconder muitos dos autores citados. Desta forma, não é diretamente aparente que as Refs. [23] (2020) e [24] (2021) vão exatamente para o mesmo conjunto de autores, incluindo “apareceu do nada” Davood Toghraie . Esses dois artigos usam a mesma fraude fictícia de dinâmica molecular que muitos dos artigos atuais da edição especial:
Figuras 1 das Refs. [ 23 ] (2020) e [24] (2021). É inesperado que as moléculas de água vermelha fiquem na mesma posição enquanto as paredes superior e inferior do canal “se movem”. Além disso, a nanopartícula preta se comporta como um objeto de fundo que não interage com as moléculas de água.
Quando você pensa que os instantâneos de dinâmica molecular acima são, na verdade, construções do Photoshop usando um padrão fixo de moléculas de água vermelha combinadas com algumas decorações, então acredito que você está certo. Observe que noPubPeerZhixong Li nos garante que esses dois artigos citados são relevantes , mas talvez não sejam a melhor escolha.
Os problemas com o menor infrator não terminam aqui. O artigo parece ter sido publicado anteriormente como Design de cilindro aromatizante de “cinco seções” baseado em simulação numéricaem uma revista somente chinesa. Muitos de seus autores são compartilhados, mas os autores Paolo Gardoni(3 entradas no PubPeer) e Grzegorz Królczyk (5 entradas no PubPeer) foram adicionados à versão da edição especial. A versão publicada anteriormente obviamente não é citada…
O artigo especial (à esquerda) otimiza exatamente o mesmo tambor de aromatização do artigo anterior do MDPI(à direita) e compartilha três autores. O artigo anterior não é citado.
Fresagem
O negócio de venda de autorias e citações necessita de um fornecimento constante de veículos em formato de papel. É mais eficiente produzi-los em linhas de montagem que se concentram em um tópico específico. A edição especial contém muitas ‘séries’ que parecem ter sido escritas por um único autor: um ‘ Moinho de perovskita ‘ de 12 artigos (9 no SI), um ‘ Moinho de combustão ‘ de 5 artigos (2 no SI), e um ‘ moinho de fenol/formaldeído ‘ de 6 artigos (6 no SI) 2 .
O ‘ moinho de perovskita ‘ é de longe o maior. Uma perovskita é um material que possui a fórmula molecular ABX 3 . Existe uma grande variedade de elementos A, B e X e isso permite variações infinitas: material de fresagem ideal!
A fábrica de perovskita parece ter começado com o papel mais inferior:perovskita sem chumbo dopada com carbono com estabilidade mecânica e térmica superior de Bita Farhadi . Farhadi é aliás o quinto autor mais citado da Edição Especial. O artigo seminal sobre perovskita pretende calcular a resistência mecânica de uma série de perovskitas usando dinâmica molecular. Introduz a maioria dos ‘elementos’ e especialmente erros que podem ser encontrados na série completa.
Em cada artigo sobre perovskita, os autores esticam seus materiais e depois medem o quão forte ele “retrai”. O alongamento é chamado de deformação de tração e é expresso como a mudança relativa no comprimento, Δx / x . O ‘recuo’ é chamado de estresse . A figura abaixo mostra algumas curvas tensão-deformação desse papel seminal:
Esquerda: curvas tensão-deformação ao longo de X mostrando uma inclinação inicial de ~30 GPa. O material começa a ceder quando é alongado até aproximadamente 3x seu comprimento original. Canto superior direito: os autores realmente relatam um módulo de Young de ~30 GPa. Canto inferior direito: material esticado em um espaguete de? (moléculas gasosas e um pedaço verde sólido de átomos).
A deformação de tração de 1, 2, 3, … no eixo horizontal significa que os autores alongaram seu material em uma direção por um fator 2, 3, 4, … E isso é algo que nem mesmo um elástico sobreviveria: é apenas bobagem.
A inclinação inicial das curvas tensão-deformação, indicada pelas linhas pontilhadas, é chamada de módulo de Young Y. Os valores tabulados destacados em amarelo na Tabela 2 acima correspondem perfeitamente às inclinações nos gráficos tensão-deformação. E esses valores não são descabidos, ou nas palavras dos autores:
“O módulo de Young na direção X para CH3NH3SnI3: PCBM, CH3NH3SnI2Br: PCBM e CH3NH3SnIBr2: as estruturas PCBM são 35,539, 31,992 e 16,222 GPa, respectivamente, o que é consistente com os resultados práticos [52].”
Isso exclui que os autores pretendessem expressar sua tensão como uma porcentagem. Além disso, a caixa MD em forma de espaguete na Figura 5 não deixa dúvidas sobre o alongamento extremo. Os autores ou revisores não deveriam ter se perguntado sobre as moléculas branco-azuladas flutuando livremente naquela caixa de simulação? Tipo: estou realmente olhando para um material sólido ou os autores estão puxando um gás? Esses resultados são apenas um absurdo não físico.
O ‘erro’ acima entrou no molde da fábrica e está reproduzido em todos os jornais, veja a colagem abaixo. Aprecie também a semelhança entre os números, especialmente ao perceber que os três números com uma grade (1, 3, 7) são publicados fora do EABE SI:
Colagem de curvas de tensão-deformação sem sentido publicadas no moinho de perovskita. No último artigo, o material começou a ceder após ser esticado até 8x o seu comprimento original.
O moinho de perovskita vem com uma parte engraçada sobre os efeitos do vento . Este item de estudo já foi introduzido no primeiro artigo de Bita Farhadi:
Os autores afirmam estar preocupados com o efeito do vento no material perovskita quando este é utilizado como painel solar. E para levar isso em conta, eles aplicam pressões de ‘baixo vácuo’, 100 e 200 MPa durante os testes de tensão-deformação. Vamos ignorar o fato de que isso indicará os efeitos do vento e focaremos apenas na magnitude dos números:
A tabela à esquerda vem do artigo Explosões e câmaras de refugiados e nos diz que uma sobrepressão de 0,14 MPa corresponde a velocidades de vento de 500 mph e uma taxa de mortalidade de quase 100%. Portanto, 200 MPa é um pouco exagerado para os efeitos do vento. Ou talvez os painéis solares de perovskita sejam projetados para funcionar no fundo da Fossa das Marianas. A uma profundidade de 10 km atinge-se uma pressão de~100 MPa . O número de 200 MPa oferece, portanto, uma boa margem de segurança de fator dois para operar painéis solares naquele local escuro como breu. E a simulação de “baixo vácuo” cobre obviamente os efeitos do vento experimentados pelos satélites.
Além disso, o acidente acima foi incluído no modelo e exatamente o mesmo esquema de ‘baixo vácuo, 100 MPa e 200 MPa’ é regurgitado em nove de seus artigos, veja a coluna ‘vento’ na tabela acima. E isso sem maiores explicações e com a maioria deles sem autores em comum.
Às vezes o escritor (singular) da série nem se preocupa em manter o texto original:
Os artigos acima,Novo estudo de…eO significado e eficácia de…têm resumos, introduções e até seções de resultados mais do que semelhantes. E além disso, compartilhe 25 de suas cerca de 50 citações. Você ainda se lembra daquele “não mais editor especial” Amir Mosavi ? No artigo A significância e eficácia de…ele recebe 12 citações fora de contexto, escondidas usando o et al. truque.. Graficamente, essa doação de mais de 20% das citações do artigo se parece com isto:
Também a suposta autora da série, Bita Farhadi, é uma receptora comum de citações na série, com suas citações frequentemente vindo nos mesmos blocos.
Omoinho de combustão é outra série que chegou ao SI. Pretende estudar a combustão de nanopartículas com algum revestimento adicionado a elas. Identifiquei 5 artigos, 2 dos quais publicados na EABE SI:
Cao Fenghong, Mohammed Al-Bahrani, Drai Ahmed Smait, Noor Karim, Ibrahim Mourad Mohammed, Abdullah Khaleel Ibrahim, Hassan Raheem Hassan, Salema K. Hadrawi, Ali H. Lafta, Ahmed S. Abed, As’ad Alizadeh, Navid Nasajpour- Esfahani, Maboud Hekmatifar
Shanshan Jiang, Saade Abdalkareem Jasim, Svetlana Danshina, Mustafa Z. Mahmoud, Wanich Suksatan, Davood Toghraie , Maboud Hekmatifar, Roozbeh Sabetvand
Quatro dos cinco artigos “apareceram do nada” Toghraie como autor, e osrevestimentos atômicos…o artigo ainda apresenta nosso editor Arash Karimipour. Os documentos individuais têm muitos problemas que se tornam aparentes mesmo em uma inspeção superficial. No exemplo abaixo, os autores colocaram uma partícula de ⌀40 nm em uma caixa de simulação 20x20x20 nm 3 (tipo Tardis ):
A Figura 4 à direita vem do último artigo da série. Ele contém quatro curvas: três são retiradas do artigo de Karimipour publicado um ano antes, a quarta vem de um dos artigos sobre combustão da EABA. E não, não há sobreposição de autores.
A natureza milagrosa dos jornais também pode ser deduzida do elenco hilário de seu primeiro episódio :
O tema do artigo é física hardcore. Mas a terceira autora,Svetlana Danshina, é… uma dentistarussa ! Ela ostentacinco entradas no PubPeer epublica sobre tópicos que vão desde nanocurcumina e micro-RNA até desenvolvimento sustentável e catálise. Ela também ostenta umapágina Dissernetcom perguntas que (ainda) não estão listadas no PubPeer. Uma verdadeira mulher renascentista!
O quarto autor, Mustafa Z. Mahmoud (Arábia Saudita), parece ser um médico , autor de132 artigos , dos quais 58 somente em 2022. EWanich Suksatan é um professor tailandês de enfermagem com 152 artigos sobre tudo , incluindo algumas retratações por fraude de autoria ( 1 , 2 ).
Falando em dentistas: oúltimo episódiodesta fábrica apresenta Ahmed S. Abed do Departamento de Tecnologia Dentária Protética , faculdade da Universidade Hilla, Babilônia, Iraque . Obviamente tive que verificar se realmente encontramos outro dentista. Mas não posso afirmar com certeza.
Os quatro artigos anteriores ao seu artigo sobre Combustion foram todos publicados no Journal of Obstetrics, Gynecology and Cancer Research sobre tópicos que vão desde a rotação intra-uterina de bebês até o “desempenho sexual” de mulheres com câncer cervical [1 , 2 , 3 , 4] . Elisabeth Bik também localizou Abed em um artigo de autoria à venda sobre os efeitos farmacológicos de algumas famílias de plantas. Um ginecologista-dentista-físico-botânico?
Pontos baixos da dinâmica molecular
Há muitos documentos sinalizados para cobrir todos eles. Abaixo alguns pontos baixos para entender o sabor geral, começando com os autores misturando seus materiais.
No artigoEfeito da temperatura e pressão iniciais no comportamento térmico do combustível etanol/oxigênio … os autores pretendem aplicar ondas de choque para queimar misturas oxigênio-etanol. Na Figura 1 eles realmente mostram uma molécula de oxigênio (O 2 ). Mas nos instantâneos de simulação na Fig. 4, o oxigênio se tornou água (H 2 O), tornando a combustão reivindicada praticamente impossível:
Os dois instantâneos animados de dinâmica molecular à direita foram feitos no Photoshop como os artigos de Toghraiemostrados anteriormente: combinam um primeiro plano de bolas amarelas de ‘moléculas’ com um fundo mutável de bolas roxas de ‘partículas’. Mas com poucos primeiros planos e sem suporte gráfico, os autores usaram a ferramenta borracha para criar algumas ‘trincheiras’ extras (setas vermelhas).
O fedor das fábricas de papel nunca está longe. Abaixo estão figuras de três artigos mostrando o fluxo de calor versus alguma coisa. Exceto que o eixo vertical indica “Heat Fl a x”. O primeiro artigo tem autores únicos, os dois últimos artigos compartilham o autor Ali Abdollahi (12 entradas no PubPeer). Isso sugere que Ali também escreveu o primeiro artigo? Ou ele é inocente de qualquer escrita e apenas um comprador frequente de autorias?
Cálculos de linho aquecido em três artigos [ 1 , 2 , 3 ].
É difícil mostrar a estupidez sem sentido do gênero de dinâmica molecular publicado em Engineering Analysis with Boundary Elements . E não tenho apenas a fraude em mente, mas também as permutações sem sentido: alterar o fluido, o tipo de partícula, o tamanho da partícula, o material da parede,…, imprimir e enviar. Pegue o trecho abaixo de Efeito das dimensões da parede do microcanal.
“Ao estudar e revisar as pesquisas feitas até agora, pode-se ver que poucos estudos foram feitos na determinação das propriedades térmicas do fluido EG em um MC bidimensional de platina usando a simulação MD [16–19]”
Sim, temos um problema sério aqui. Por um lado, Refs. [16-19] não são sobre EG (etilenoglicol). E por que (por que, por que) alguém estaria interessado nessa combinação EG-platina? O que os autores esperam alcançar? Como eles escolheram suas dimensões de microcanais? Por que se esqueceram de comparar os seus resultados com estes outros “poucos estudos”? Não espere respostas, apenas Photoshop:
As paredes ‘platinadas’ à esquerda foram feitas no Photoshop a partir das partes mais curtas à direita. Uma emenda é visível no centro (seta vermelha) e os ‘átomos’ estão deformados acima da linha verde-amarela porque alguns átomos tiveram que ser cortados.
O (s) autor (es) recebeu (m) um pequeno trecho de bolas com aparência de platina do departamento gráfico e fabricou a ‘vista frontal’ à direita. E então usei esse mesmo trecho (retângulo preto) para fabricar a ‘vista lateral’ mostrada à esquerda. A visão lateral deveria ser exatamente 2x mais longa, mas, infelizmente: a segunda imagem das ‘moléculas vermelhas’ do departamento gráfico era um pouco curta. Mas não se preocupe, os físicos também sabem fazer emendas:
Duas emendas são visíveis. Abaixo da seta vermelha os dois trechos se encontram, abaixo das linhas amarela/verde os átomos de platina estão comprimidos em um ponto imperfeito.
Suponhamos que os autores realmente fizeram o que prometeram: calcular a condutividade térmica de um canal de platina extremamente estreito preenchido com etilenoglicol para quatro alturas de canal e cinco temperaturas. Isso realmente vale a pena publicar? Os autores não resolveram nenhum problema prático concebível. E leva cerca de 30 minutos para mudar o material da parede de platina para qualquer um dos mais de 40 outros metais ou um número quase infinito de ligas. Por que algum editor iria querer ver isso publicado?
Notas de rodapé
Colegas detetives descobrem que denunciar isso não leva a lugar nenhum: os autores são simplesmente oferecidos para corrigir, removendo o material ofensivo.
A extensão real do moinho de fenol/formaldeído/… é maior. Muito provavelmente inclui também os artigos sobre dinâmica molecular que citam umeditorial sobre diálise . E acredito em mais alguns artigos na SI.
Alexander Magazinov foi coautor do artigo e Maarten está em dívida comTu Van Duong (Universidade de Purdue) por seus insights sobre os costumes universitários vietnam
Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo blog “For Better Science” [Aqui!].
Grandes foraminíferos bentônicos (LBF), um organismo unicelular encontrado em recifes de coral, enfrentam impactos metabólicos adversos após exposição ao herbicida glifosato e ao inseticida imidaclopride, de acordo com um estudo liderado por cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, e publicado na Marine Pollution Bulletin.
Os LBFs são normalmente utilizados como bioindicadores da saúde dos corais porque são encontrados em quantidades substanciais e a recolha de dados sobre eles não é intrusiva nem prejudicial para a saúde dos recifes.
Os autores do estudo afirmaram que “a concentração de substâncias ativas de agrotóxicos que podem ser encontradas no meio ambiente não é um fator 10 menor que a nossa testada, são aproximadamente a mesma concentração ou até 10 vezes maior. A área fotossintética diminuiu à medida que a quantidade de pesticida adicionado aumentou e o tempo de incubação aumentou.” O Roundup à base de glifosato, em particular, “causou uma redução da área fotossintética em todos os foraminíferos, independentemente da concentração”.
Os cientistas também descobriram que “ a absorção de 13 C pelo foraminífero [carbono inorgânico] foi significativamente reduzida na concentração mais alta de pesticidas em comparação com o controle ( p < 0,001). O herbicida e o fungicida apresentaram reduções comparáveis na absorção de 13 C ( p = 0,945), a redução causada pelo inseticida foi menos pronunciada.”
Já hoje, as alterações climáticas provocam fortes tempestades e chuvas intensas ao longo das zonas costeiras, o que, juntamente com o aumento da utilização de agrotóxicos devido à agricultura intensiva, pode levar a um aumento significativo das concentrações desse tipo de substância química no mar em um futuro próximo. O estudo mostra também que esse efeito negativo dos agrotóxicos pode ser observado nos foraminíferos. Também está presente em corais e outros organismos que hospedam simbiontes protistas fototróficos obrigatórios.
Os autores do estudo concluíram; “a descarga de agrotóxicos no mar pode ter impactos negativos graves sobre os foraminíferos, mesmo em baixas concentrações, tornando estes compostos uma séria ameaça à saúde dos recifes marinhos.”
Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela “Sustainable Pulse” [Aqui!].
Manual lançado no Dia da Mentira explica os tipos de greenwashing, leis nacionais e informações sobre como o assunto é tratado no mundo, além de indicar os caminhos para denunciar abusos
Dentro do guia, consumidores vão encontrar o conceito de Mentira Verde e os tipos principais encontrados nas prateleiras de supermercados, propagandas e demais formas de marketing. Além disso, o manual também traz informações sobre leis, normas e dicas sobre como questionar, reclamar e até processar empresas que praticam o greenwashing.
O documento é inédito e pioneiro no Brasil e traz várias referências nacionais e internacionais de enfrentamento a esse fenômeno cada vez mais comum na publicidade brasileira e mundial. “O guia foi feito para trazer aos consumidores tim-tim por tim-tim sobre a prática de mentira verde e como enfrentá-la, de forma didática e acessível. Para além de oferecer ferramentas para que as pessoas identifiquem e se defendam em situações em que se tornam vítimas de greenwashing. O guia pretende ser um verdadeiro chamado de ação sobre o tema”, explica a especialista do Programa de Consumo Sustentável do Idec, Julia Catão Dias.
O objetivo do lançamento do guia é trazer as pessoas ao ativismo contra a mentira verde. “Este é um tema relativamente novo e que vem ganhando relevância na medida em que as empresas perceberam que as pessoas querem fazer a sua parte no enfrentamento às crises socioambientais e climáticas, consumindo produtos mais sustentáveis. O nosso desafio agora é mostrar para a população que essas boas intenções estão cobertas de maquiagem verde e que precisamos do engajamento para denunciar tais práticas e cobrar as empresas por mudanças reais. É esse o nosso objetivo com a divulgação do guia!”, conclui a especialista.
Para acessar o “É Mentira Verde! Guia de Enfrentamento ao Greenwashing para Pessoas Consumidoras”, é sóclicar neste link.
Desde 2010, o Plano Nescafé promete aos produtores de café mais rendimentos e uma vida melhor, inclusive no México. No entanto, a nossa investigação de campo no estado federal de Chiapas mostra que as famílias de agricultores que participam neste projecto de sustentabilidade não conseguem sobreviver e sentem-se traídas pela Nestlé. A sua principal acusação é que há anos que o líder do mercado suíço paga preços que mal cobrem os custos de produção. É por isso que os sacos de Nescafé estão sendo queimados na região cafeeira de Soconusco
Por Public Eye
Há mais de dez anos que a Nestlé tem pressionado as propriedades agrícolas de Chiapas para que se convertam ao cultivo do café Robusta, que, em comparação com o Arábica tradicionalmente cultivado ali, obtém preços mais baixos no mercado mundial, mas de que a empresa necessita para o seu café instantâneo Nescafé. . Em 2022, a Nestlé abriu uma nova fábrica de Nescafé no México com capacidade anual de 40.000 toneladas de café verde. Em fevereiro de 2024, quando a Public Eye estava investigando no local , agricultores realizavam protestos em Tapachula, onde queimavam sacos de café cheios com o rótulo “Plano Nescafé”. Uma das faixas afirmava que a “empresa sem ética” estava levando Chiapas à pobreza. A matéria-prima que a Nestlé compra aqui é comercializada como “produzida de forma responsável”: de acordo com as promessas da Suíça, os agricultores beneficiam de cursos de formação e, especialmente, de mudas de Robusta de alto rendimento como parte do “Plano Nescafé” e, assim, alcançam um padrão de vida mais elevado .
No entanto, a Nestlé pratica uma política de compras implacável. Na época da colheita deste ano, o gigante alimentar está a pagar preços inferiores aos custos de produção e inferiores em termos reais aos do ano anterior. Contudo, no mesmo período, o preço de mercado do Robusta aumentou 50% e os agricultores enfrentam dificuldades com custos de produção mais elevados. Mesmo assim, a Nestlé ainda não cumpriu a sua exigência de um preço mínimo que pelo menos cubra os custos correntes. Este comportamento ilustra a desigualdade de poder entre o líder do mercado e os seus fornecedores. Numapetição, as famílias agrícolas afectadas exigem que a Nestlé lhes pague finalmente de forma justa.
Pouco menos de metade de todos os produtores de café em todo o mundo ainda vivem na pobreza. E metade deles está mesmo em extrema pobreza, o que significa menos de 1,90 dólares por dia. A Public Eye também observou isto em Chiapas, onde, meio ano após a colheita, muitas das famílias que trabalham em pequenas explorações agrícolas já ficaram sem dinheiro e, portanto, sem alimentos. O baixo preço que os agricultores recebem pelo café é a principal razão da pobreza generalizada, que gera outros problemas, como o trabalho infantil e outras violações dos direitos humanos.
O direito a um rendimento digno é um direito humano internacionalmente reconhecido. No seu “Plano de Acção para o Rendimento de Subsistência”, a Nestlé garante que este direito também é fomentado pelo Plano Nescafé. Mas a sua sistemática compressão de preços está fundamentalmente em contradição com este compromisso. A lei sobre a responsabilidade empresarial proposta pela UE, que deverá ser aprovada este ano, prevê que, como parte das suas obrigações de devida diligência, as empresas também devem respeitar o direito a um rendimento digno. A Suíça também deve colmatar as lacunas jurídicas existentes e garantir a introdução e aplicação efectiva de regras sobre o respeito pelos direitos humanos e ambientais pelas empresas.
Apesar dos avanços em prevenção, o país registra 13 casos para 100 mil brasileiras, taxa três vezes maior que a estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) ressalta que o aumento da adesão à vacina contra HPV, oferta de testagem molecular do HPV e a ampliação do acesso ao Papanicolau são algumas das medidas importantes para que o Brasil se aproxime das metas da OMS para 2030. Em março foram completados dez anos que a vacina contra HPV está disponível no SUS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o câncer de colo do útero como sendo um problema de saúde pública e que seria necessário reduzir a incidência abaixo do limiar de quatro casos por 100 mil mulheres por ano em todos os países até 2030. No Brasil, segundo os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 17 mil novos casos para cada ano do triênio 2023-2025, o que equivale a uma taxa ajustada de treze casos para cada 100 mil brasileiras, superando em três vezes a meta estabelecida pela OMS.
Com o objetivo de mudar este cenário, caminhando em direção ao objetivo de adotar estas medidas e ter a primeira geração brasileira livre da doença, foi criado o Movimento Brasil sem Câncer de Colo do Útero por iniciativa da oncologista clínica Angélica Nogueira Rodrigues, primeira presidente e atual diretora de planejamento do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).
A especialista, em sua participação emepisódio especial do EVA CAST, disponível nas plataformas de podcast, comenta que o Movimento Brasil Sem Câncer do Colo do Útero trabalha em total alinhamento com a OMS, mas com um ajuste que leva em conta o perfil epidemiológico e socioeconômico do país. “A OMS defende o rastreamento atualmente com a técnica de HPV DNA, estimando que 70% das mulheres estejam cobertas por este método de rastreamento. No Brasil, a forma de rastreamento disponível no SUS é pelo exame de papanicolau”, ressalta Angélica Nogueira.
Avanço: teste molecular para o HPV no SUS
O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) celebra a recente incorporação do teste molecular para o HPV no SUS como meio de detecção do papilomavírus humano (HPV) para rastreamento do câncer do colo do útero no SUS. O rastreamento com testes moleculares para detecção da doença é mais eficiente para a identificação de lesões precursoras do câncer do colo do útero e, consequentemente, contribui para a redução de novos casos e da mortalidade pela doença. Além disso, a identificação precoce do câncer e das lesões pré-malignas permite o uso de tratamentos menos invasivos, a melhora da qualidade de vida durante o tratamento e o aumento da possibilidade de cura.
Apesar do teste molecular ser um exame mais caro do que o papanicolau, quando realizado na periodicidade de cinco anos observa-se que ele é custo efetivo, principalmente levando-se em consideração que o tratamento do câncer de colo uterino envolve alta complexidade e custos, além de impacto pessoal e social imensuráveis. “O teste de genotipagem do HPV permite identificar de forma bem mais eficiente a população em risco de vir a desenvolver lesões precursoras ou câncer”, explica o cirurgião oncológico Glauco Baiocchi Neto, presidente do EVA.
10 anos de vacina contra HPV no SUS: queda contínua e retomada em 2023
Em março de 2024 foram completados dez anos que a vacina contra o vírus HPV para meninas passou a ser oficialmente disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, os dados trazem um importante alerta. Levantamento feito na base DataSUS mostra que, a cada ano, houve uma permanente diminuição da quantidade de doses aplicadas.
O melhor resultado foi obtido justamente em 2014, quando foram aplicadas quase 8 milhões de doses da vacina contra HPV nas meninas brasileiras. Naquele ano, a imunização foi levada para dentro das escolas públicas. O número caiu para abaixo de 6 milhões de doses no ano seguinte. E, entre 2016 e 2022 o total não superou a marca de 2 milhões de doses. A boa notícia é que em 2023, segundo o Ministério da Saúde, foram aplicadas 5,8 milhões de doses, aproximando-se da marca registrada em 2015.
A imunização contra o HPV é principal forma de prevenção do câncer de colo do útero. A vacina é disponibilizada pelo SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos de idade, pessoas imunossuprimidas – indivíduos que vivem com HIV ou AIDS; transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea; pacientes oncológicos; e vítimas de violência sexual de 9 a 45 anos de idade.
Sobre o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA)
O EVA é uma associação sem fins lucrativos, composta em sua maioria por médicos, que tem como missão o combate ao câncer ginecológico. Seu time, multiprofissional, atua com foco na educação, pesquisa e prevenção, assim como promove apoio e acolhimento às pacientes e aos familiares.
A idealização e a organização do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos foram iniciadas pela oncologista clínica Angélica Nogueira Rodrigues, no Hospital do Câncer II do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A primeira reunião ocorreu em 12 de março de 2010 e o nome Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos passou a ser utilizado a partir desta data.
A primeira reunião para nacionalização do grupo ocorreu no Congresso da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), em 2013, na cidade de Brasília. O nome EVA foi resultado de uma reunião neste evento e foi sugerido pela oncologista clínica, coordenadora
Evento será nesta segunda-feira, 1º de abril, a partir das 14h, com transmissão ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube. Sob a coordenação de Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC, especialistas e testemunhas oculares dos acontecimentos participarão da atividade
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realiza nesta segunda-feira, 1º de abril, o debate “60 anos do golpe militar: sem memória não há futuro”. A iniciativa visa a aprofundar a compreensão sobre os eventos de 1964 que marcaram a história do Brasil e repercutiram em suas instituições e na vida de milhares de cidadãos até os dias de hoje.
O evento será transmitido ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube (www.youtube.com/canalsbpc) a partir das 14h. Sob a coordenação de Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC, especialistas e testemunhas oculares dos acontecimentos participarão do debate: Cid Benjamin, jornalista e líder estudantil nos movimentos de 1968; Rosa Freire D’Aguiar, jornalista e exilada política; Carlos Fico, professor titular de História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisador sobre a ditadura militar; e Helena Serra Azul Monteiro, professora titular da Universidade Federal do Ceará (UFC), presa e torturada pelo regime militar em 1968 e 1972.
Renato Janine Ribeiro ressalta a importância de manter viva a memória dos períodos sombrios da história brasileira. “A SBPC considera muito importante não deixar cair no esquecimento a ditadura que o Brasil viveu e que muitas pessoas que hoje estão na vida ativa vivenciaram, tendo limitadas as suas liberdades, tendo menos condições de se expressar, menos condições de utilizar sua inteligência para o bem comum, uma vez que a ditadura não apenas reprime, tortura, como também censura a expressão do conhecimento.”
O Golpe Militar de 1964, que se iniciou em 31 de março daquele ano e que deixou o país nas trevas da violência ditatorial por duas décadas, é um marco histórico que deve ser revisitado e compreendido sob diversas perspectivas. Especialmente quando vemos no Brasil manifestações pedindo o retorno da ditadura no País e ataques às instituições democráticas, como testemunhamos em 8 de janeiro de 2023, a análise crítica desses eventos passados contribui para a consciência sobre o valor da democracia e para a garantia de que atrocidades como as ocorridas durante a ditadura não se repitam jamais.
“Por isso mesmo, nós entendemos que a sociedade brasileira precisa ajustar constantemente as contas com o passado, especialmente com o nosso passado, que nos deixa um legado que passa pela colonização, escravidão, oligarquias, ditaduras, enfim, um passado que precisa ser exposto à luz do sol para que a gente possa garantir um ‘nunca mais’ bastante forte a tudo isso. Esta é a razão pela qual recordaremos esta data com atividades acadêmicas, como é de nosso feitio. É uma ocasião de reflexão, porque acreditamos que é do pensamento que podem nascer as grandes propostas, que pode nascer um Brasil solidamente democrático”, ressalta o presidente da SBPC.
Sobre os participantes
Líder estudantil nos movimentos de 1968 e dirigente do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8), Cid Benjamin foi preso no dia 21 de abril de 1970 e torturado nos porões do DOI-Codi. Passou quase dez anos no exílio, entre Argélia, Chile, Cuba e Suécia. De volta ao Brasil, participou da fundação do PT e, depois, da criação do PSOL. Publicou livros sobre a ditadura, entre eles “Gracias a la vida: memórias de um militante”; e organizou a obra “Meio século de 68. Barricadas, história e política”.
Rosa Freire Aguiar é uma jornalista e tradutora carioca que, perseguida pela ditadura militar, exilou-se na França em 1973. Lá, atuou como correspondente internacional e conheceu intelectuais e tantos outros brasileiros exilados, entre eles, o economista Celso Furtado, com quem foi casada por 20 anos. Da Europa, cobriu para a revista Isto É momentos marcantes da história, como o período de redemocratização da Espanha após os 40 anos da ditadura do general Francisco Franco.
Carlos Fico é professor titular de História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dedica-se aos estudos sobre a ditadura militar no Brasil e na Argentina, a memória e a violência. Sobre o período em que os militares estiveram no poder no Brasil, escreveu quatro livros: “Reinventando o otimismo: ditadura, propaganda e imaginário social no Brasil (1969-1977)”; “Como eles agiam. Os subterrâneos da Ditadura Militar: espionagem e polícia política”; “O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo. O governo dos Estados Unidos e a ditadura militar brasileira”; e “O golpe de 1964: momentos decisivos”.
Helena Serra Azul Monteiro, professora titular do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi presa pela ditadura em 1968, grávida de apenas dois meses de seu filho Manuel, junto ao marido, o ativista Francisco Monteiro. No Dops de Recife, sofreu todos os tipos de torturas e quase perdeu o bebê que esperava. Manuel Monteiro nasceu no presídio e passou ali os primeiros oito meses de vida. Quatro anos depois, em 1972, Helena e o marido foram presos novamente. Parte de sua história é contada no livro “Brasil Nunca Mais”, organizado por Dom Paulo Evaristo Arns.
Serviço:
“60 anos do golpe militar: sem memória não há futuro”
No dia 10 de março de 2024 retornei à Novo Horizonte[1]para concluir um trabalho iniciado em abril de 2021. Não foram poucas as vezes em que voltei de lá, e demorei muito tempo para organizar as ideais após vivenciar experiências diversas naquele território com aproximadamente duas mil pessoas, sendo metade delas, crianças. O mundo que víamos em abril de 2021, era incerto em muitas dimensões. Política, com a eleição de Jair Bolsonaro, enfrentávamos uma epidemia e a verdade é que quando vi mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade precisando urgentemente de ajuda[2], não imaginava a jornada a enfrentar. Foram muitas as pessoas, os coletivos, os movimentos e os partidos que ali atuaram[3]e sem dúvida, ao longo do tempo constituíram o alicerce para estruturação da Ocupação[4]. Buscando contatos parlamentares e sua vinda ao território, com escuta direta, na organização de Assembleias, na pressão sobre a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG), na atuação jurídica que nos possibilitou o não despejo durante a pandemia. Foram centenas de reuniões, em igrejas, na rua, virtuais, em horários distintos e meu trabalho com ambos os grupos (a sociedade organizada e os ocupantes) foi colaborar na construção de um conhecimento sobre estas famílias.
Na madrugada de maio de 2021 mais de dez pessoas alimentavam um banco de dados que permanece como um dos melhores levantamentos feitos até hoje e reconhecido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro. Ali tínhamos um perfil completo de uma ocupação de mulheres, chefes de família, negras, vivendo de benefícios do governo federal. Quem falhou na entrega das casas não pode culpar pessoas que pagam aluguel por terem ocupado este território. Elas aguardaram a casa como aguardam médicos, justiça, emprego. Elas simplesmente desistiram de esperar. Nada é mais equivocado que chamar trabalhadores em busca de moradia de invasores.
Ao contrário do que dizem agentes da Caixa Econômica Federal, eles não são invasores. Não se pode invadir o que é seu por direito. E a moradia é um direito[5]. Se há algo errado neste processo todo é a morosidade com a qual as instituições atuam quando se trata de direito para a classe trabalhadora. E neste caso, estamos falando de gênero. Das quarenta casas que visitei esta semana, apenas duas tinham homens como chefes de família dispostos a responder o questionário. Temos de fazer políticas públicas com as mulheres. Inclusive na proposição de autoconstrução. A precariedade não está na distância geográfica mas na construção de conjuntos habitacionais sem escola, sem posto de saúde, sem coleta de lixo, sem transporte, sem praça. Quem viu as primeiras cercas de arame farpado que nos machucavam ao tentar cruzar os espaços sabe o que aquele lugar lembrava. E era horrível ver uma população inteira segregada dentro de uma cidade com esta extensão territorial.
O projeto no qual atuo hoje[6]e com o qual aprendo diariamente junto ao Instituto Federal Fluminense vai além do morar. Estamos avançando globalmente para a necessidade de repensar as cidades possíveis diante da mudança climática. Ontem, enquanto terminávamos uma pesquisa estratificada com esta população sentíamos o calor do asfalto e víamos as soluções dadas pela população. Existem problemas de abastecimento de água. Crianças em piscinas de plásticos e muito, muito asfalto. Longe víamos árvores nativas e frondosas. Por que a opção da cidade pelo não cultivo de árvores em locais extremamente quentes? Lugares sem CEP como dizemos. Sim, cartas não chegam em alguns destes conjuntos. Que cidadania mínima é esta?
Desde o início a posição da PMCG foi virar as costas para uma população negra, ocupando uma área distante, perto do Aeroporto. Sem transporte na localidade, sem coleta de lixo ou creche. A má fé institucional está posta na falta de qualidade dos atendimentos básicos. Fazemos frequentemente o exercício de especular as razões que tornam nossa cidade tão precarizada em quesitos básicos de um marco civilizatório. Ontem ouvi histórias sobre pessoas aguardando cirurgia, mães que precisam de diagnóstico para encaminhamento de saúde para seus filhos, pessoas que sofrem de depressão. E nenhuma árvore sequer. Uma quadra que não se pode usar antes do anoitecer, urubus no lixo e o pior, um erro estrutural no sistema de esgoto que está jorrando em algumas ruas. O cheiro é insuportável. Nestas ruas, o cenário é desolador.
Casas terminadas com base em auto construção. Em agosto de 2021 solicitamos que o então secretário de infraestrutura e obras do Estado, Max Lemos[7](atualmente deputado federal) viesse ao local e atualizasse o cadastro incompleto da Prefeitura. Não é aceitável que se ofereça colchonetes (proposta da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social ) ou que se pense em retirar estas pessoas de suas casas neste momento. Lá se foram três anos. Elas usaram o pouco de dinheiro que tinham para conseguir o mínimo de conforto e viver ali. Quadros na parede, folhagens, alguns comércios, carros antigos para suprir a ausência de transporte, mundos construídos ao longo de 3 anos. E eles importam. Esta é a questão para além do voto. Cada ano vivido importa, desde nossa comemoração na qual os bebês puderam ver sua própria foto projetada na parede das casas.
A Novo Horizonte tem sido o mais rico laboratório de pesquisa e ação sobre políticas públicas. É possível questionar as construtoras com o esgoto voltando por dentro das casas, pensar como os aventureiros atuam pedindo voto e prometem o que não podem dar a população, pensar como as relações de violência estão postas no local por atuação de grupos paralelos, pensar as formas de cozinha comunitária, hortas, bibliotecas e praças. A Novo Horizonte é uma ocupação de pessoas negras, vivendo em condições precárias bem longe dos olhos da população do lado de cá da ponte. Em Guarus. E durante todos estes anos, sempre grifei a palavra resistência em meus textos. Talvez porque fosse preciso chegar até março de 2024 para ter algum ceticismo e fazer avançar o que é necessário. A moradia, o bairro, a cidade, a dignidade de uma vida marcada pelo passado da usina.
A Novo Horizonte produziu um tipo de revolução político-científica em meu fazer sociológico. E muitas pessoas fazem parte deste caminho. Ontem, após o desalento de sentir o calor que aquela população sentia, era inevitável não sentir a raiva histórica do que aquele lugar representa. Então lembrei de uma Assembleia na qual por obra da necessária produção de engajamento, disse que só sairia de lá quando a casa estivesse assegurada para todos os moradores. Hoje avalio que a promessa tem de avançar. E que todos os estudantes de Universidades Públicas devem ir a locais como esta ocupação e pensar que a ciência pode criar mundos.
Nós criamos algo que poderia ter sido destroçado se os moradores aceitassem o aluguel social. Ao compreender em cada reunião, em cada consulta realizada que este tipo de benefício não resolveria o acesso a moradia, conseguiram manter-se na maior ocupação fora da região metropolitana do Rio de Janeiro. E uma das mais duradouras. Se isto foi possível, a moradia digna vai além uma casa padrão para depósito de pessoas. Tiramos as grades, os seguranças não ocupam mais os espaços, as pessoas criaram seus filhos. É possível que este seja um caso raro mais absolutamente didático de que podemos avançar nas principais pautas de uma cidade tão rica mas que utiliza bolsões de miséria como bolsões eleitorais.
Devido a muitos personagens e histórias paralelas, o artigo de Maarten ficou muito longo até mesmo para o For Better Science. Será, portanto, publicado em três partes.
Como salienta Maarten, Alexander Magazinov foi coautor deste artigo e Maarten está em dívida com Tu Van Duong, da Purdue University, pelos seus conhecimentos sobre os costumes universitários vietnamitas.
Começamos previsivelmente com a Parte I.
Alexander Magazinov recentemente teve sucesso ao remover Masoud Afrand , um grande fabricante de artigos científicos, dos conselhos editoriais dos Scientific Reports da Springer-Nature e da Engineering Analysis with Boundary Elements( EABE) da Elsevier , leia aqui e aqui . O editor-chefe desta última revista, Alexander HD Cheng , não ficou satisfeito com esse resultado e publicou sua própria análise no Retraction Watch . Conclui com:
“Concluindo, no que diz respeito ao trabalho editorial de Afrand para a EABE, a edição especial não foi uma forma eficaz de aumentar as suas citações, especialmente tendo em conta o seu elevado histórico de citações. Sua conduta editorial foi honrosa e não encontro nenhuma falha nisso. A revista lamenta que devido à má publicidade , justificada ou injustificada, tenhamos pedido a renúncia de Afrand. Ele concordou graciosamente.
Ato 1: Avanços recentes na modelagem de nanotubos
Em 2020, a edição especial “Avanços recentes na modelagem de nanotubos dentro de nanoestruturas/sistemas” apareceu na Wiley’s Mathematical Methods in the Applied Sciences . Foi editado por Hamid M. Sedighi , Abdessattar Abdelkefi , Ali J. Chamkha , Timon Rabczuk , Raffaele Barretta e Hassen M. Ouakad . Os 94 artigos (planilhas ) que deveriam ser publicados ali serviram principalmente como veículos de citação para um círculo restrito de atores. Os principais destinatários são mostrados abaixo, com Afrand na quarta posição:
Encontraremos muitos desses homens novamente. Um deles, o editor especial e vice-presidente da universidade alemã Timon Rabczuk , será o personagem central da Parte II.
Depois de demitir o gerente do jornal Wiley, que tentou pressionar por uma investigação, um representante da Wiley prometeu reavaliar os artigos problemáticos. O que, claro, não aconteceu, e uma ridícula pilha de lixo ainda está pendurada à “vista inicial”, algumas peças já há quase quatro anos. Este, por exemplo, está online desde 6 de abril de 2020:
Chun-Hui He, Ji-Huan He, Hamid M. Sedighi, Fangzhu (方诸): Uma antiga nanotecnologia chinesa para coleta de água do ar: história, visão matemática, promessas e desafios , Métodos Matemáticos nas Ciências Aplicadas (2020) doi: 10.1002/mma.6384
Para ser justo, aconteceu uma retratação , mas foi só. E então, dois anos depois do que foi dito acima, chegamos.
Ato 2: Avanços recentes no gerenciamento térmico de baterias
Em 2022, a edição especial “Avanços recentes no gerenciamento térmico de baterias” foi publicada no Journal of Energy Storage da Elsevier . Os editores especiais Masoud Afrand e seu novo amigo, Nader Karimi , da Queen Mary University of London (um lugar familiar, não é?) transformaram isso em uma orgia de citações em grande escala.
Então, novamente, uma tabela dos principais destinatários de citações, com Afrand e Karimi orgulhosamente no topo da lista:
Os outros editores convidados neste caso foram o famoso químico canadense Mohammad
Arjmande o chinês Cong Qi.As preocupações sobre esta edição especial foram relatadas em julho de 2022, mas o editor-chefe do Journal of Energy Storage, Dirk-Uwe Sauer, adiou firmemente a investigação da edição especial. Então, por algum motivo, ele foi removido no final do mesmo ano e a Elsevier realmente iniciou uma investigação. Por fim, todo o número especial foi coberto por uma Expressão de Preocupação pela “ integridade e rigor do processo de revisão pelos pares ”.
Ato 3: Abordagens Computacionais na Simulação Multifásica de Nanofluidos
Março de 2023. Afrand ‘ganhou’ uma posição como editor “regular” da EABE da Elsevier , ao mesmo tempo que publica a edição especial “Abordagens computacionais em simulação multifásica de nanofluidos em sistemas multifísicos” na mesma revista. Isto novamente com Arjmand e Qi, mas sem Karimi. Já estamos há vários meses na investigação do Journal of Energy Storage , por isso podemos perguntar-nos se isto foi um acidente ou uma decisão deliberada.
De qualquer forma, a edição especial da EABE de Afrand também foi especial em termos de citações, sendo o principal beneficiário desta vez um certo Changhe Li . Esta tabela foi preparada quando havia 44 artigos na edição especial, enquanto agora são quase 60.
Junto com Afrand, a EABE também conseguiu contratar Nader Karimi, que lançou uma edição especial separadamente de Afrand. Posteriormente, Karimi também teve que “renunciar”, um resultado que o Editor-Chefe Cheng pode considerar como resultado de “um ataque coordenado a [ele], à [sua] integridade, à revista e à comunidade científica”. campo de nanofluidos”, conforme relatado anteriormente no Friday Shorts .
Karimipour entra em cena
Como se não bastasse isso, outra maçã podre entrou no corpo editorial na mesma leva de novas contratações: Arash Karimipour . Tal como os seus colegas, ele publicou a sua própria edição muito especial da EABE e, numa repetição de passos, revelou-se impossível fazer com que o editor-chefe da EABE reconhecesse que algo muito mau estava a acontecer à sua revista. Arash ainda está listado como editor da EABE e sua edição especial permanece intacta.
Curriculum vitae de Arash Karimipour
Para obter o currículo mais lisonjeiro de Arash, visite sua página no LinkedIn :
Ao mesmo tempo, pode-se encontrar uma história diferente nos lugares mais sombrios da Internet:
Ambos os currículos estão perfeitamente corretos, exceto talvez a parte relativa ao compromisso inabalável de promover a compreensão .
Arash Karimipour formou-se em engenharia mecânica na Universidade Islâmica Azad em Esfahan, Irã (2001-2005). Seguiu-se um mestrado (2005-2007) e um doutoramento (2007-2012) em diferentes ramos da mesma universidade. Desde 2010, Arash é professor associado da Universidade Islâmica Azad, filial de Najafabad. Durante seu doutorado, Karimipour passou um período na Universidade Sapienza de Roma, Itália, no grupo Annunziata d’Orazio . Isto levou a uma relação mutuamente benéfica que discutirei na Parte III.
Produção científica
Muito pode ser aprendido observando a produção científica de um pesquisador. A figura abaixo foca na quantidade, mostrando o número anual de artigos publicados por Karimipour:
Número anual de artigos publicados por Arash Karimipour, divididos por afiliação. Fonte: OpenAlex .
Pode-se observar que a sua produtividade aumenta acentuadamente por volta de 2015 ou, nas palavras de Magazinov, “ eles apareceram do nada por volta de 2015” . A divisão nas afiliações surpreende: uma passagem de um ano em uma universidade vietnamita em 2020 (linha laranja), uma importante experiência internacional que está completamente ausente em seu currículo. Em 2020, Arash publicou impressionantes 79 artigos, ou cerca de 1,5 artigos por semana. E quase metade desses papéis ele assinou com uma afiliação da Universidade vietnamita Ton Duc Thang.
Karimipour não está sozinho em ter um “período vietnamita”. A produção de seu amigo islâmico Azad e coautor frequente, Masoud Afrand, mostra exatamente o mesmo padrão. E o mesmo vale para Iskander Tlili (leia sobre ele aqui ) e Shahaboddin Shamshirband :
Produção de papel de vários pesquisadores, dividida em artigos totais e afiliados ao Vietnã.
Esta surpreendente coincidência está relacionada com uma versão mais barata da fraude de citações da Arábia Saudita, descoberta pelo El País no ano passado . Neste último esquema, os investigadores altamente citados da Clarivate receberam até 70 mil euros para mentir sobre a sua afiliação, aumentando assim a classificação das universidades sauditas. Esse balão de citação já esvaziou . As universidades vietnamitas também estão interessadas em aumentar a sua classificação e começaram a pagar qualquer fabricante de artigos que encontrassem para aumentar a “produção”. Este esquema foi exposto por volta de 2020, com um jornal nacional vietnamita a chamar Iskander Tlili e Shamshirband como “ os líderes da rede da máfia científica estrangeira que está a sugar o sangue das universidades vietnamitas ”. Juntamente com algumas ações de acompanhamento que acabaram com o esquema, causando uma queda acentuada nos “artigos vietnamitas” dos nossos cientistas fraudulentos. Os membros mais cruéis têm o focinho em ambos os cochos. Timon Rabczuk , editor especial no Ato 1 acima, é um deles. Conforme anunciado, ele será a estrela da Parte II.
Na história acima, Aliakbar Karimipour, da Universidade Vietnamita Duy Tan, também merece menção (painel inferior direito na figura acima). Este outro A. Karimipour não tem presença na Internet e realmente do nada publicou seus primeiros 18 artigos em 2020. Aliakbar publica com mais frequência com Arash Karimipour. Os dois foram coautores de 10 artigos em 2020, mas essa cooperação terminou abruptamente em 2021. Línguas malignas sugerem que Arash e Aliakbar são na verdade a mesma pessoa, ganhando duas vezes por seu Ton Duc Thang (Arash) e Duy Tan (Aliakbar) afiliações. A esse respeito, acho interessante ver que em 2022 o nosso Arash publicou um artigo final vietnamita , mas depois com afiliação Duy Tan . Uma confusão na gestão de personagens?
Aliakbar Karimipour, aliás, não é o único “fantasma” na fraude de afiliação vietnamita. Este artigo de jornal cobre Narjes Nabipour , o alter ego da afiliação de Shamshirband. E mais adiante neste post conheceremos Zahra Abelmalek , uma afiliação-fantasma ligada a Iskander Tlili.
De volta à produção científica. Não só a quantidade, mas também a qualidade conta. E as retratações são uma indicação clara da falta delas. Karimipour até o momento tem duas retratações ( Li et al 2020 , He et al 2019 ), ambas de abril de 2022 na mesma revista Emerald:
O primeiro aviso de retratação menciona fraude de autoria e revisão por pares misturada com plágio como motivo da retratação:
O segundo artigo retratado sofreu apenas fraude de autoria e revisão por pares. Os artigos têm coautores notáveis que veremos com mais frequência: o super-homem vietnamita Iskander Tlili , Marjan Goodarzi e Zhixiong Li . E você saberia: nosso Zhixiong foi um dos principais contribuintes para nossa edição especial do Ato II, Avanços Recentes em Gerenciamento Térmico de Baterias . Até a semana passada, quando ocorreram retratações por fraude de autoria, revisão e citação [ 1 , 2 , 3 ].
Outro indicador de qualidade inversa é o número de artigos sinalizados no PubPeer. Tomando cuidado para não incluir o outro Arash Karimipour fraudulento, podemos encontrar atualmente 44 documentos sinalizados . O que obviamente é muito. Um problema que ocorre frequentemente são as citações em lote de trabalhos irrelevantes, uma marca registrada da fraude de citação.
A edição especial
O foco principal desta postagem é a edição especial de Karimipour “ Tendências recentes e novos desenvolvimentos em Dinâmica Molecular e Métodos Lattice Boltzmann ” na revista Engineering Analysis with Boundary Elements (EABE) . A maioria de seus artigos foi publicada em 2023, assim como os da edição especial do Afrands EABE ‘Act 3’ . Juntas, essas duas edições especiais contribuíram com mais de 25% da produção da revista em 2023.
Quando Alexander Magazinov começou a levantar preocupações, a questão da editoria da Edição Especial parecia simples: tanto Arash Karimipour como Amir Mosavi foram listados como seus editores especiais . No entanto, em novembro de 2023, o nome de Mosavi foi removido silenciosamente:
Com base nos padrões de citação, podemos, no entanto, ter a certeza de que Mosavi esteve envolvido de uma forma ou de outra.
A edição especial de Karimipour contém 73 artigos, excluindo um primeiro aviso de retratação. Nos últimos meses, nenhum novo artigo foi adicionado, então podemos esperar que continue assim. Os artigos publicados mostram autores frequentemente recorrentes, por exemplo, um certo S. Mohammad Sajadi publicando mais de 1/5 de todos os artigos da Edição Especial:
Cerca de 2/3 dos artigos de edição especial (48 no total) estão atualmente listados no PubPeer . São muitos para cobrir, então vamos dar uma olhada em alguns grupos:
Fraude de citação do “último bloco”
Pode-se escolher quase qualquer artigo da edição especial e encontrar citações fora de contexto. Isso é chato e os editores não estão interessados nisso 1 . Os padrões de citação da edição especial como um todo são um tanto interessantes:
Os dez principais autores que receberam citações da edição especial.
A lista acima mostra uma abordagem “sem barreiras” para a fraude de citações, com nosso editor da edição especial Karimipour recebendo mais que o dobro da quantidade de citações do número dois. Os nomes já deveriam soar familiares: Davood Toghraie “apareceu do nada” , o super-homem Iskander Tlili e Marjan Goodarzi das retratações de Karimipour, o amigo islâmico Azad Afrand e até o supervilão nanofluido Ali J. Chamkha . E como Mohammad Safaei é marido de Marjan Goodarzi, temos uma família e tanto aqui.
A fraude de citação nesta edição especial apresenta uma reviravolta extremamente preguiçosa: pelo menos onze dos seus artigos citam todas as citações restantes numa única frase, fora de contexto. Pegue o trecho abaixo de Usando material de mudança de fase (PCM) para… :
Em algum lugar na seção de resultados os autores citam as Refs. [34-66] em uma única frase. Trata-se de citação em lote de 33 artigos ou 50% do total de 66 referências . É difícil perceber sua relevância, mas é quase impossível ignorar o padrão: basta verificar os autores destacados para a primeira e a última referência.
Também é fácil adivinhar como isso poderia acontecer. No negócio de citações para venda, deve haver listas de artigos que precisam ser citados. Quando chega um artigo novo, é terrivelmente complicado inserir essas citações e depois ter que renumerar todas as referências. Mas não há necessidade disso: tendo total controle editorial, é muito mais fácil adicionar a carga útil no final!
Muito rebuscado, você acha? Veja os três artigos de edição especial abaixo:
Cada um desses artigos possui um último bloco de citações que é citado em uma única frase. E em cada artigo pode-se encontrar exatamente o mesmo bloco de 12 citações de ‘Karimipour’, mesmo exatamente na mesma ordem. As citações restantes dos três artigos acima vão predominantemente para o marido e a esposa Goodarzi & Safaei.
Curiosidade: você sabia que Karimipour é o autor de um artigo acadêmico sobre ética de publicação ? Trata-se de citações obrigatórias durante o processo de submissão. Tenho certeza de que ele agora está totalmente de acordo com esse conceito:
Anteriormente, mencionei que a EABE removeu o nome de Amir Mosavi como editor especial. O seu legado é, no entanto, claramente visível:
Uma sequência de “último bloco” de citações de Mosavi, consulte [ 1 , 2 ]. Uma repetição parcial em [ 3 ] não é mostrada.
Onze referências a ‘Mosavi’ são citadas exatamente na mesma ordem em dois artigos, ambos no “último bloco”, fora de contexto e em uma única frase. E outros dez desses onze podem ser encontrados no lote do “último bloco” deste artigo . Eles não estão listados na figura acima, pois ‘apenas’ seis deles vêm na mesma ordem… Olhando um pouco mais de perto as listas de citações acima, podemos identificar muitos outros grandes golpistas, por exemplo, o fraudador Shamshirband e até mesmo nosso vice-universitário alemão, Presidente Rabczuk ([49], ver Parte II). E quando você está sentindo falta do super-homem Tlili: ele ‘ganhou’ seu “último bloco” de citações aqui .
Os exemplos acima são os pesos pesados da fraude de citação. No entanto, também há muita beleza nos infratores menores. Veja o artigo da edição especial Análise da dinâmica molecular de um tambor de aromatização combinando simulação numérica e avaliação experimental . Seu autor final é Zhixong Li , que já conhecemos em uma das obras retratadas de Karimipour. O artigo tem apenas 27 referências, com apenas as últimas 5 delas citadas fora de contexto em uma única frase:
A pessoa que anexou as citações complementares sentiu necessidade de discrição e usou o et al. truque para esconder muitos dos autores citados. Desta forma, não é diretamente aparente que as Refs. [23] (2020) e [24] (2021) vão exatamente para o mesmo conjunto de autores, incluindo “apareceu do nada” Davood Toghraie . Esses dois artigos usam a mesma fraude fictícia de dinâmica molecular que muitos dos artigos atuais da edição especial:
Figuras 1 das Refs. [ 23 ] (2020) e [ 24 ] (2021). É inesperado que as moléculas de água vermelha fiquem na mesma posição enquanto as paredes superior e inferior do canal “se movem”. Além disso, a nanopartícula preta se comporta como um objeto de fundo que não interage com as moléculas de água.
Quando você pensa que os instantâneos de dinâmica molecular acima são, na verdade, construções do Photoshop usando um padrão fixo de moléculas de água vermelha combinadas com algumas decorações, então acredito que você está certo. Observe que no PubPeer Zhixong Li nos garante que esses dois artigos citados são relevantes , mas talvez não sejam a melhor escolha.
Os problemas com o menor infrator não terminam aqui. O artigo parece ter sido publicado anteriormente como Design de cilindro aromatizante de “cinco seções” baseado em simulação numérica em uma revista somente chinesa. Muitos de seus autores são compartilhados, mas os autores Paolo Gardoni (3 entradas no PubPeer) e Grzegorz Królczyk (5 entradas no PubPeer) foram adicionados à versão da edição especial. A versão publicada anteriormente obviamente não é citada…
O mesmo tambor de aromatização também foi otimizado no artigo Medindo o tamanho de gotículas de líquido em fluxo de bico bifásico empregando análises numéricas e experimentais . Neste caso, um elemento diferente da máquina é otimizado, mas ainda é muito estranho que o artigo não seja citado: ele compartilha três autores e foi publicado quatro meses antes da submissão do artigo especial.
Fresagem
O negócio de venda de autorias e citações necessita de um fornecimento constante de veículos em formato de papel. É mais eficiente produzi-los em linhas de montagem que se concentram em um tópico específico. A edição especial contém muitas ‘séries’ que parecem ter sido escritas por um único autor: um ‘ Moinho de perovskita ‘ de 12 artigos (9 no SI), um ‘ Moinho de combustão ‘ de 5 artigos (2 no SI), e um ‘ moinho de fenol/formaldeído ‘ de 6 artigos (6 no SI) 2 .
O ‘ moinho de perovskita ‘ é de longe o maior. Uma perovskita é um material que possui a fórmula molecular ABX 3 . Existe uma grande variedade de elementos A, B e X e isso permite variações infinitas: material de fresagem ideal!
A fábrica de perovskita parece ter começado com o papel mais inferior: perovskita sem chumbo dopada com carbono com estabilidade mecânica e térmica superior de Bita Farhadi . Farhadi é aliás o quinto autor mais citado da Edição Especial. O artigo seminal sobre perovskita pretende calcular a resistência mecânica de uma série de perovskitas usando dinâmica molecular. Introduz a maioria dos ‘elementos’ e especialmente erros que podem ser encontrados na série completa.
Em cada artigo sobre perovskita, os autores esticam seus materiais e depois medem o quão forte ele “retrai”. O alongamento é chamado de deformação de tração e é expresso como a mudança relativa no comprimento, Δx / x . O ‘recuo’ é chamado de estresse . A figura abaixo mostra algumas curvas tensão-deformação desse papel seminal:
A deformação de tração de 1, 2, 3, … no eixo horizontal significa que os autores alongaram seu material em uma direção por um fator 2, 3, 4, … E isso é algo que nem mesmo um elástico sobreviveria: é apenas bobagem.
A inclinação inicial das curvas tensão-deformação, indicada pelas linhas pontilhadas, é chamada de módulo de Young Y. Os valores tabulados destacados em amarelo na Tabela 2 acima correspondem perfeitamente às inclinações nos gráficos tensão-deformação. E esses valores não são descabidos, ou nas palavras dos autores:
Isso exclui que os autores pretendessem expressar sua tensão como uma porcentagem. Além disso, a caixa MD em forma de espaguete na Figura 5 não deixa dúvidas sobre o alongamento extremo. Os autores ou revisores não deveriam ter se perguntado sobre as moléculas branco-azuladas flutuando livremente naquela caixa de simulação? Tipo: estou realmente olhando para um material sólido ou os autores estão puxando um gás? Esses resultados são apenas um absurdo não físico.
O ‘erro’ acima entrou no molde da fábrica e está reproduzido em todos os jornais, veja a colagem abaixo. Aprecie também a semelhança entre os números, especialmente ao perceber que os três números com uma grade (1, 3, 7) são publicados fora do EABE SI:
O moinho de perovskita vem com uma parte engraçada sobre os efeitos do vento . Este item de estudo já foi introduzido no primeiro artigo de Bita Farhadi:
Os autores afirmam estar preocupados com o efeito do vento no material perovskita quando este é utilizado como painel solar. E para levar isso em conta, eles aplicam pressões de ‘baixo vácuo’, 100 e 200 MPa durante os testes de tensão-deformação. Vamos ignorar o fato de que isso indicará os efeitos do vento e focaremos apenas na magnitude dos números:
A tabela à esquerda vem do artigo Explosões e câmaras de refugiados e nos diz que uma sobrepressão de 0,14 MPa corresponde a velocidades de vento de 500 mph e uma taxa de mortalidade de quase 100%. Portanto, 200 MPa é um pouco exagerado para os efeitos do vento. Ou talvez os painéis solares de perovskita sejam projetados para funcionar no fundo da Fossa das Marianas. A uma profundidade de 10 km atinge-se uma pressão de ~100 MPa . O número de 200 MPa oferece, portanto, uma boa margem de segurança de fator dois para operar painéis solares naquele local escuro como breu. E a simulação de “baixo vácuo” cobre obviamente os efeitos do vento experimentados pelos satélites.
Além disso, o acidente acima foi incluído no modelo e exatamente o mesmo esquema de ‘baixo vácuo, 100 MPa e 200 MPa’ é regurgitado em nove de seus artigos, veja a coluna ‘vento’ na tabela acima. E isso sem maiores explicações e com a maioria deles sem autores em comum.
Às vezes o escritor (singular) da série nem se preocupa em manter o texto original:
Os artigos acima, Novo estudo de… e O significado e eficácia de… têm resumos, introduções e até seções de resultados mais do que semelhantes. E além disso, compartilhe 25 de suas cerca de 50 citações. Você ainda se lembra daquele “não mais editor especial” Amir Mosavi ? No artigo A significância e eficácia de… ele recebe 12 citações fora de contexto, escondidas usando o et al. truque.. Graficamente, essa doação de mais de 20% das citações do artigo se parece com isto:
Também a suposta autora da série, Bita Farhadi, é uma receptora comum de citações na série, com suas citações frequentemente vindo nos mesmos blocos.
O moinho de combustão é outra série que chegou ao SI. Pretende estudar a combustão de nanopartículas com algum revestimento adicionado a elas. Identifiquei 5 artigos, 2 dos quais publicados na EABE SI:
Quatro dos cinco artigos “apareceram do nada” Toghraie como autor, e os revestimentos atômicos… o artigo ainda apresenta nosso editor Arash Karimipour. Os documentos individuais têm muitos problemas que se tornam aparentes mesmo em uma inspeção superficial. No exemplo abaixo, os autores colocaram uma partícula de ⌀40 nm em uma caixa de simulação 20x20x20 nm 3 ( tipo Tardis ):
Além do tópico e das simulações fictícias de DM, os artigos também compartilham dados. Um exemplo:
A Figura 4 à direita vem do último artigo da série. Ele contém quatro curvas: três são retiradas do artigo de Karimipour publicado um ano antes, a quarta vem de um dos artigos sobre combustão da EABA. E não, não há sobreposição de autores.
A natureza milagrosa dos jornais também pode ser deduzida do elenco hilário de seu primeiro episódio :