Final bisonho da disputa da LOA 2024 me faz ter saudades de Ruço Peixeiro

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No dia 08 de janeiro publiquei neste blog um texto escrito por Douglas da Mata analisando  a situação envolvendo as disputas em torno da Lei Orçamentária de 2024 do município de Campos dos Goytacazes. Nesse texto Douglas da Mata apontou para o que seriam perspectivas nada animadoras para o futuro do presidente da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, o honorável Marquinhos Bacellar.

Pois bem, ontem com a aprovação da LOA 2024 com um placar de 16 votos a favor e 8 abstenções, o que salta aos olhos é a solidão política em que os vereadores da “oposição” deixaram o presidente da Câmara, na medida em que a votação havia sido negociada por ele diretamente com o prefeito Wladimir Garotinho. Assim, ao se absterem de votar algo que foi acordado, os vereadores da “oposição” parecem indicar que o acordo foi feito sem sua permissão.

Por outro lado, ao analisar as concessões feitas pelo prefeito Garotinho para viabilizar a votação da LOA 2024, o que se percebe é que elas abrangem itens que até podem ser importantes, mas que deixam intacta a proposta apresentada pela executivo municipal. Se era para ter esse final, convenhamos que era mais eficiente que se tivesse votado o orçamento ainda em 2023.

Mas como Douglas da Mata apontou o objetivo nunca foi obter um melhor uso da dinheirama que compõe o orçamento municipal, mas desgastar a imagem do prefeito. E está claro que tal objetivo ficou longe de ser alcançado, apesar das encenações burlescas que ocorreram no plenário da Câmara de Vereadores.

Ah, sim. O que eu espero dessa situação é que a parte mais organizada da população possa se mobilizar para eleger uma bancada de vereadores que seja mais útil no sentido de resolver os problemas graves que afetam a vida da cidade. 

Finalmente, depois dessa situação toda senti saudade dos tempos em que o ex-vereador Ruço Peixeiro fazia das suas dentro da Cãmara de Vereadores. Pelo menos ele era autêntico e comprometido com causas que, pelo menos, eram óbvias.

Ensino à distância coloca em risco formação de dentistas e atendimento a pacientes

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Por Juliano do Vale, presidente do Conselho Federal de Odontologia (CFO)

A possível autorização de cursos de ensino à distância (EAD) para graduação em Odontologia, que vem sendo discutida no país desde 2022, vai levar a retrocessos na saúde bucal no Brasil. É temerário que se autorize a formação de cirurgiões-dentistas sem que passem pela vivência clínica, fundamental para o exercício prático da profissão, sob pena de colocar-se em risco a saúde e o bem-estar dos pacientes.

Como órgão fiscalizador e responsável por ações de proteção da população na área, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) se posicionou publicamente contra a ideia, desde o primeiro momento em que foi lançada pelo Ministério da Educação (MEC). Desde então, juntaram-se à causa diversas outras entidades representativas da classe odontológica, também preocupadas com a má qualidade dos atendimentos a serem realizados por esses profissionais formados por meio de cursos à distância.

Habilidades práticas, como manipulação de instrumentos específicos, não podem ser dominadas sem a supervisão de professores. O aprendizado presencial possibilita que os alunos recebam orientações imediatas, contribuindo para o aprimoramento de suas habilidades.

Além disso, a comunicação eficaz das necessidades dos pacientes não podem ser plenamente desenvolvidas sem a exposição regular a situações clínicas reais. O ambiente presencial proporciona aos estudantes a oportunidade de lidar com uma variedade de casos, preparando-os para os desafios emocionais e práticos que encontrarão em suas carreiras.

O aprendizado colaborativo e a construção de redes profissionais são elementos cruciais que o ensino presencial promove. A troca de experiências entre estudantes, professores e profissionais do setor é fundamental para a formação de uma comunidade coesa e bem informada. Essa rede de contatos não apenas enriquece o aprendizado, mas também serve como suporte ao longo da carreira profissional.

Nos estudos para a autorização do EAD na Odontologia, o MEC realizou uma consulta pública, lançada em novembro do ano passado pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) e que contou com mais de 15 mil participações. O resultado levou o ministro Camilo Santana a suspender por 90 dias os processos de autorização de cursos à distância de diversas áreas do conhecimento, incluindo a odontologia.

Embora bem-vinda, a suspensão não significa o encerramento do assunto, pois ainda está pendente pelo MEC a conclusão da proposta de regulamentação de oferta de diversos cursos de graduação EAD. O CFO vai se manter vigilante enquanto essa possibilidade ainda for minimamente aventada. 

Por isso, o Conselho vai colocar o assunto em debate durante o 41º Congresso Internacional de Odontologia (CIOSP), que ocorrerá em São Paulo entre os dias 24 e 27 de janeiro. O evento é considerado o maior da América Latina em infraestrutura e maior do mundo em número de participantes, tendo chegado a 100 mil visitantes em 2023. Ele é, portanto, o ambiente ideal para que, mais uma vez, possamos reafirmar a posição contrária à implantação dos cursos de EAD.

Estamos certos de que não é esse tipo de alteração que vai melhorar o panorama de uma população em que 89% das pessoas não realiza a higienização bucal mínima, de duas vezes ao dia, de acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE).

As novas tecnologias podem ser exploradas para complementar a formação profissional, como com simulações e recursos online, mas não para substituir a experiência presencial. A inovação deve buscar fortalecer os fundamentos que garantem profissionais preparados para os desafios do nosso país, além de manter a odontologia brasileira como a maior e melhor do mundo.

Seca devastadora na Amazônia é resultado da crise climática, mostra estudo

Condições climáticas extremas ameaçam o maior reservatório de carbono do mundo, pois a floresta tropical já está perto do ponto de inflexão

droughtCasas flutuantes e barcos encalhados no leito seco do lago Puraquequara, no Brasil, em meio a uma forte seca em outubro de 2023. Foto: Edmar Barros/AP

Por Damian Carrington para o “The Guardian”

A crise climática transformou a seca que atingiu a floresta amazónica em 2023 num acontecimento devastador, concluiu um estudo.

A seca foi a pior registada em muitos locais e atingiu o nível máximo “excepcional” na escala científica. Sem as emissões que aquecem o planeta provenientes da queima de petróleo, gás e carvão, a seca teria sido muito menos extrema, concluiu a análise.

Também mostrou que a probabilidade de ocorrência da seca era 30 vezes maior devido ao aquecimento global. O regresso do fenómeno climático natural El Niño está associado a condições mais secas, mas desempenhou apenas um pequeno papel, disseram os cientistas.

crise climática está a sobrecarregar condições meteorológicas extremas em todo o planeta, mas a seca extrema na Amazónia é um exemplo gritante e preocupante porque já se pensa que a floresta tropical está perto de um ponto de inflexão para um estado mais seco. Isto resultaria numa morte em massa de árvores que constituem a reserva terrestre de carbono mais importante do mundo, libertando grandes quantidades de CO2 e elevando ainda mais as temperaturas globais.

Milhões de pessoas na Amazônia foram afetadas pela seca , com alguns rios em seus níveis mais baixos há mais de um século. Houve escassez de água potável, colheitas fracassadas e cortes de energia, à medida que as centrais hidroeléctricas secaram. A seca também agravou os incêndios florestais e as altas temperaturas da água foram associadas a uma mortalidade em massa da vida fluvial, incluindo a morte de mais de 150 botos cor-de-rosa ameaçados de extinção numa única semana.

“A Amazônia pode fazer ou quebrar a nossa luta contra as mudanças climáticas”, disse Regina Rodrigues, professora da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil, e parte da equipe da World Weather Attribution que fez a análise.

“Se protegermos a floresta, ela continuará a funcionar como o maior sumidouro de carbono terrestre do mundo”, disse ela. “Mas se permitirmos que as emissões induzidas pelo homem e a desflorestação a empurrem para o ponto de viragem, serão libertadas grandes quantidades de CO2 . Precisamos proteger a floresta tropical e abandonar os combustíveis fósseis o mais rápido possível.”

Simphiwe Stewart, pesquisadora do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na Holanda e também parte da equipe, disse: “Muitas comunidades que vivem na Amazônia simplesmente nunca viram uma seca como esta antes. As pessoas foram forçadas a fazer grandes viagens, arrastando barcos por trechos secos do rio, para ter acesso a alimentos, remédios e outros bens essenciais. É fundamental que as intervenções governamentais sejam orientadas para apoiar as comunidades a prepararem-se para a intensificação da seca à medida que o clima aquece.”

A análise utilizou métodos revistos por pares para comparar as secas no clima actual, que é 1,2ºC mais quente, com aquelas que teriam ocorrido num clima mais frio e pré-industrial. Os investigadores analisaram em particular a “seca agrícola”, que é responsável tanto pela baixa pluviosidade como pela evaporação da água dos solos e das plantas provocada pelas altas temperaturas.

Eles descobriram que o aquecimento global está diminuindo as chuvas e aumentando o calor na Amazônia, tornando a seca de junho a novembro de 2023 cerca de 30 vezes mais provável. O El Niño foi responsável por parte da redução das chuvas, mas as altas temperaturas foram quase inteiramente devidas às alterações climáticas, tornando-o o principal factor da seca.

A seca extrema de 2023 seria esperada cerca de uma vez a cada 50 anos no clima atual, estimou a análise. Mas se o aquecimento global atingir os 2ºC, seria de esperar uma seca tão severa a cada 13 anos.

Os cientistas disseram que a destruição em grande escala da floresta tropical para a produção de carne bovina e soja nas últimas décadas piorou a seca porque o desmatamento da vegetação significa que a terra retém menos água.

Dados recentes mostram que a floresta amazónica está se aproximando de um ponto de viragem, após o qual a floresta tropical seria perdida, com profundas implicações para o clima e a biodiversidade globais. Mais de 75% da floresta intocada perdeu estabilidade desde o início dos anos 2000, mostrou o estudo, o que significa que leva mais tempo para se recuperar após secas e incêndios florestais.

Gareth Redmond-King, da Unidade de Inteligência Energética e Climática do Reino Unido, disse: “A floresta amazónica é fundamental para regular o clima do nosso planeta, mas esta área da América do Sul também é crítica para o Reino Unido num sentido ainda mais imediato”.

“Cerca de metade das nossas importações de alimentos provém de pontos críticos de impacto climático, incluindo o Peru, a Colômbia e o Brasil, que são os nossos principais fornecedores de bananas, abacates, melões e outras frutas, bem como de soja para alimentação do gado britânico”, disse ele. “Portanto, os efeitos devastadores das alterações climáticas sobre os agricultores da América do Sul no ano passado podem muito bem traduzir-se em lacunas nas prateleiras dos nossos supermercados e em preços mais elevados para os nossos alimentos.”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Mulheres têm maior risco de recorrência de AVC associado à Doença de Chagas

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Mulheres têm mais chance de AVC, principalmente se desenvolvem doença de Chagas; contraceptivos podem aumentar riscos

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O gênero pode ser um dos fatores de risco para a recorrência de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em pacientes com Doença de Chagas. Além dele, idade, uso de anticoagulantes e cardiopatias estão entre os fatores que podem influenciar a relação entre as duas condições médicas. As informações refletem análises feitas ao longo de oito anos por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e instituições parceiras, publicadas na última semana na revista científica “Cerebrovascular Diseases”, da editora Karger.

O grupo analisou exames e históricos médicos de 499 pacientes com mais de 18 anos de janeiro de 2009 a dezembro de 2016 para entender e descrever a ligação entre a infecção pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da Doença de Chagas, e o AVC isquêmico com causa cardioembólica. Esse tipo de AVC acontece quando um coágulo de sangue parte do coração e bloqueia uma artéria cerebral. Os pacientes observados tinham as duas condições.

A presença de fatores de risco vascular tradicionais é um forte indício para a ocorrência de AVC em pacientes com Doença de Chagas. A hipertensão foi diagnosticada em 81% dos pacientes com ambas as doenças. Metade dos pacientes (56%) tinha altos níveis de gordura no sangue e 25%, diabetes. “A Doença de Chagas causa um acometimento cardíaco que pode levar à formação de trombos ou arritmias que, por sua vez, geram o AVC por um mecanismo conhecido como cardioembolia. Essa é uma das principais consequências da doença”, explica Vinicius Vian Abreu Montanaro, autor do estudo e pesquisador da UFF.

Ao analisar o histórico clínico dos pacientes, os pesquisadores verificaram que as mulheres tiveram 83% mais chance de ter recorrência do AVC, ou seja, mais de um acidente do tipo. “Essa associação pode ser devido ao maior risco cardiovascular que as mulheres têm em comparação com os homens”, destaca o pesquisador, que também acrescenta a possibilidade de que reposições hormonais e contraceptivos possam aumentar o risco de eventos isquêmicos.

A idade dos pacientes também está entre os motivos do AVC. Durante o estudo, pessoas mais jovens com a doença de Chagas tiveram chances reduzidas de eventos de AVC relacionados aos problemas no coração, mostrando que o envelhecimento favorece acidentes cardíacos por embolismo. O uso de anticoagulantes – medicamentos que evitam entupimentos das veias – também é uma fonte de proteção contra o AVC. Neste sentido, o trabalho incentiva a discussão clínica sobre o uso desses medicamentos em pacientes acometidos por ambas as doenças como estratégia para evitar um novo AVC.

Para Montanaro, o próximo passo é fazer uma comparação entre diferentes anticoagulantes em pacientes com Chagas e AVC isquêmico embólico sem fonte definida. “Pretendemos ajudar a sanar duas dúvidas: primeiro, se devemos aplicar anticoagulante nos pacientes que não têm causa determinada, mas que o AVC parece ser embólico. Segundo, se podemos usar os novos anticoagulantes para prevenção ainda maior em pacientes com Doença de Chagas e AVC isquêmico”, encerra o autor.


Fonte: Agência Bori

A Rosa de Hiroshima uenfiana…. daí florescerá algo?

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Por Douglas Barreto da Mata

Sempre fui um crítico ácido das publicações da Drª Luciane Soares da Silva.

Digamos que ela é portadora de uma ingenuidade antropológica antiga e típica da esquerda, refratária ao marxismo, e seduzida a um tipo de “behaviorismo de ciência social”, que não raro desemboca em identitarismos, culturalismos e outras bobagens comportamentais.

São passagens  como esta abaixo que me fizeram tão cético ao que ela escreve, bem como as suas tentativas de analisar contextos complexos, como segurança pública, com jargões antropológicos e morais….

Eis o resumo do texto da Doutora Luciane, que em seu preâmbulo, apresenta suas “armas”:

“Importante esclarecer que não estudo economia, sistemas bancários, transações globais, golpes dados por grandes bancos ou inflação. O que me interessa é o aspecto antropológico da circulação de pessoas, mercadorias e crenças sociais sobre valor. Estudo mudança social e trânsitos. Em alguns momentos podem ser possessões e transes dependendo da ótica adotada.”

Porém, como ela mesmo disse lá no fim do texto dela, às vezes, da terra arrasada brota alguma coisa…

Se em terra arrasada pode nascer algo, teremos de observar. Por aqui o terreno recente foi arado para plantar um estranho tipo de negacionismo. (…)”

 É o caso…

Pois o seu texto (Aqui!) atinge com precisão a tarefa de descrever o processo eleitoral recente da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), mergulhada no maior lodaçal institucional desde sua criação, e infelizmente, resultante de um processo de acúmulos de iniquidades, como cabe a todo caminhar histórico…

Uma fresta de luz da Idade das Trevas da Uenf? Tomara…

Apesar do desconhecimento e/ou da rejeição (que no fim, dão no mesmo) da Professora Doutora sobre economia, e que tais, é bom avisar:

É Marx, Doutora, é Marx…

A suposta desintegração do mundo, literal e metaforicamente, naquilo que chamam de distopia ou liquidez, ou pós realidade, nada mais é que o momento que todos da esquerda esperamos, quer dizer, pelo menos os verdadeiramente de esquerda:

– O fim do capitalismo!

O problema, Doutora, é que o fim não veio pela esquerda, mas pela  reciclagem do capitalismo em um modelo ainda mais excludente, ainda mais cruel, e pasme, que não tem mais na mais valia (a verdade do Capital) sua mola mestra…

Não há mais acumulação pela expropriação do trabalho, que se vende ao capitalista, mas apenas reprodução simulada (pós verdade?) de capitais (anti-valores), que para acontecer não precisa, de forma central, de uma sociedade estruturada institucionalmente para garantir o ambiente produtivo e a propriedade privada, com separação de poderes constitucionais, modelos representativos, estruturas de mídia corporativas e sujeitas à regulação…

Se eu fosse chegado a neologismos (e eu sou) diria que estamos a caminho do anarco-liberal-comunismo, passando agora pela ditadura digital do rentismo…

Se as universidades, via de regra, no arranjo e ideário capitalista, tão caro a certos círculos acadêmicos que hegemonizaram tais entidades, eram estuários científicos para associação com o capital e reprodução de novas tecnologias e avanços de produtividade, o que fazer quando a Era Industrial (Capitalismo) acaba, e pior, em uma zona de periferia ainda sub industrializada?

É isso, Doutora, que atropelou sua universidade, e vai atropelar tantas outras, diante da completa incapacidade de ler e enxergar os sinais, que já estavam aí há muito…

Enquanto os anarco-liberal-comunistas estudaram Marx até a medula, nos importamos com as perfumarias antropológicas…

Este texto da Doutora, como disse, é um tratado, um libelo que descortina e que clareia pontos obscuros, até certo ponto, ou até onde a antropologia e os “transes e possessões” permitem…

Assim, em uma alegoria “literária”, temos o ex reitor, um dos que criou enormes dificuldades (sabe-se lá porquê) para reforma do Arquivo Público Municipal, e agora é o fiscal da obra…

Como uma inversão ou uma adaptação d’O Processo, de Franz Kafka, outro clássico que tenho sérias reservas políticas (e não estéticas, por favor), que junto com George Orwell, é um dos precursores da crítica anti marxiana via “costumes” e “liberdades individuais”, os donos d’Processo da Uenf ou os Grandes Irmãos da Uenf não querem convencer ninguém da veracidade das suas versões da realidade, para eles, a realidade sequer importa, muito menos uma versão dela…

As eleições foram o apogeu do “pós existencialismo pragmático uenfiano”, para agradar a Academia que adora esse prefixo “pós”…

Mergulhemos em outra obra-prima conservadora, o conto Cabeça de Papelão, João do Rio, para ilustrarmos como andam as coisas na Uenf…

E olhem que por lá já tivemos quem “falasse javanês”…

A realidade atual, Doutora, é real sim, apesar da Uenf e, porque não dizer, também por ela, não há uma pós verdade ou uma ilusão…há, sim, distopia, mas é a distopia de sempre, que agora é distopia pós capitalista, ou, como dissemos, ditadura digital do rentismo…

Não é economia, não é transe, não são possessões, é a História, e seu inexorável materialismo dialético…

Vivemos agora no estado da arte da fetichização (da riqueza), que se antes era um meio para que o capital ideologicamente convencesse que todo mundo poderia ser bem sucedido, ao mesmo tempo que convertia todas as sócio reproduções em coisas (bens), em hoje nos convence a todos que vale a pena não sermos nada além de um clique, um “láique”, uma lacração, todas monetizáveis…

Será que dessa hecatombe florescerá a Rosa de Hiroshima?

Tenho cá minhas dúvidas….

MST completa 40 anos de lutas em defesa da Reforma Agrária nesta segunda-feira (22)

Estão previstas atividades comemorativas nas cinco regiões do país durante toda a semana

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Marcha Nacional 2005. Foto: Leonardo Prado

Por Wesley Lima, Da Página do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) completa, nesta segunda-feira (22), 40 anos de existência, a partir da luta em defesa da terra, da reforma agrária e da transformação da sociedade. A data foi marcada pela realização do 1º Encontro Nacional, em Cascavel, no estado do Paraná, em 1984.

O Encontro contou com a presença de posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores, entre outros atores políticos. E foram eles que fundaram o Movimento, após a primeira ocupação de terra ocorrida no ano anterior na Encruzilhada Natalino.  

Para celebrar essa data, trabalhadores rurais Sem Terra de todo o Brasil estão mobilizados nas áreas de assentamentos e acampamentos realizando um conjunto de atividades, como o plantio de árvores, criação de bosques, atividades pedagógicas nas escolas do campo recuperando a memória e hisstória de luta, além de eventos festivos com música e mística.

De acordo com Rosmeri Witcel, da direção nacional do MST, a celebração das quatro décadas de existência tem o sentido de revisitar a memória, mas também de festejar e comemorar a existência, inclusive as lutas pela terra que antecedem o Movimento.

“Para nós é importante comemorar porque nesses 40 anos fomos aprendendo com nossa própria história, temos métodos de luta, princípios organizativos e buscamos o cultivo de valores humanistas. Celebrar nos traz ainda mais o desafio de continuarmos preservando a natureza, a terra e a diversidade como sinal da vida. Celebrar o aniversário tem o significado de estarmos vivos, cultivando a luta, valores humanistas e produzindo alimentos saudáveis para alimentar muitos povos”, afirma Witcel.

Marcha Nacional 2005. Foto: Leonardo Prado

Conquistas

A nível nacional, o MST constrói pelo menos 15 cadeias produtivas principais, onde mais de 1700 itens são comercializados em feiras, nos armazéns do campo, supermercados e distribuídos nas escolas públicas, hospitais e nas ações de solidariedade do Movimento.

No ponto de vista da solidariedade, que sempre foi um princípio para o Movimento desde a sua fundação, as ações começaram a ser contabilizadas de maneira organizada durante a pandemia da Covid-19. Desde 2020 o Movimento já doou 9,8 mil toneladas de alimentos e 2,7 milhões de marmitas em todo o país.

No âmbito da solidariedade internacionalista, ao longo dos últimos meses, o movimento já doou 13 toneladas de alimentos às vítimas da crise humanitária na Faixa de Gaza, e pretende enviar um total de 100 toneladas de alimentos.

Em resposta à crise ambiental sofrida no mundo, o Movimento lançou também em 2020 o Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis” com o objetivo de plantar 100 milhões de árvores em dez anos. Ao longo destes últimos quatro anos, o MST já realizou o plantio de 25 milhões de árvores e construiu um conjunto de ações em defesa do meio ambiente.

No marco dos 40 anos do MST, as milhares de árvores plantadas atuam na recuperação ambiental de 15 mil hectares de terra nos seis biomas brasileiros. A área plantada equivale a 22 mil campos de futebol.

A educação, desde o início do Movimento, tem atuado com centralidade. Por isso, que o MST já alfabetizou mais de 100 mil jovens e adultos no campo; ajudou a construir mais de 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos; garantiu que mais de 200 mil crianças, adolescentes, jovens e adultos com acessassem à educação; tem 2 mil estudantes em cursos técnicos e superiores; e organizou mais de 100 cursos de graduação em parceria com universidades públicas por todo o país, através do Programa Nacional de Educação nas Áreas de Reforma Agrária (Pronera).

*Editado por Fernanda Alcântara


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Este texto foi originalmente publicado na página oficial do MST [Aqui!].

Relatório mostra que Youtube ganha milhões com novas formas de disseminação do negacionismo climático

A Nova Negação Climática: novo relatório importante no YouTube revela a evolução das táticas dos negacionistas do clima – já que quase um terço dos adolescentes acredita que o aquecimento global é “inofensivo”

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WASHINGTON, DC, 16 de Janeiro de 2024  A negação climática no YouTube evoluiu radicalmente nos últimos anos, concluiu um novo estudo, representando um novo desafio para aqueles que procuram apoio público para a acção climática – especialmente entre os jovens.

Pesquisadores do Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH) reuniram um conjunto de dados de transcrições de texto de 12.058 vídeos do YouTube relacionados ao clima postados por 96 canais ao longo de quase seis anos – entre 1º de janeiro de 2018 e 30 de setembro de 2023.

Ao utilizar um modelo de IA para analisar as transcrições do YouTube, a CCDH descobriu uma mudança radical na produção dos negacionistas do clima, das narrativas da “Velha Negação” para o que chamamos de “Nova Negação”.

Nova negação climática: gráfico mostra a evolução da negação climática no YouTube entre 2018 e 2023

“Old Denial” centrou-se em duas narrativas falsas principais, que declinaram:

  • “O aquecimento global não está a acontecer” – o que caiu de 48% de todas as alegações de negação em 2018 para 14% em 2023
  • “Os seres humanos não estão a causar o aquecimento global e as alterações climáticas” – queda de 17% para 16%

“Nova Negação” evoluiu para se concentrar em três narrativas cada vez mais prevalentes:

  • “Soluções climáticas não funcionarão” – aumento de 9% para 30%
  • “A ciência climática e o movimento climático não são confiáveis” – aumento de 23% para 35%
  • “Os impactos do aquecimento global são benéficos ou inofensivos” – aumento de 4% para 6%

As narrativas de “Nova Negação” – que constituíram 35% de toda a negação climática no YouTube em 2018 – representam agora a grande maioria (70%). No mesmo período, a percentagem de “Velha Negação” caiu de 65% para apenas 30% do total de reclamações.

As narrativas da “Nova Negação” foram popularizadas por figuras online como Jordan Peterson ( 7,62 milhões de assinantes ) e foram defendidas em canais como BlazeTV ( 1,92 milhões de assinantes ) e PragerU ( 3,21 milhões de assinantes ).

Os investigadores também descobriram que o YouTube publicou anúncios de marcas conhecidas, como Hilton Hotels e Nike, em vídeos que continham negação climática, bem como anúncios pagos por organizações sem fins lucrativos, como o International Rescue Committee e a Save the Children.

As conclusões do relatório assinalam um grande desafio para aqueles que procuram obter apoio público para a acção climática, afirmou a CCDH.

Uma pesquisa do Pew Research Center , publicada em dezembro de 2023, descobriu que o YouTube é a plataforma de mídia social mais usada entre jovens de 13 a 17 anos. 71% dos adolescentes afirmam usar a plataforma de compartilhamento de vídeos diariamente, incluindo 16% que relatam estar no site quase constantemente.

E uma nova pesquisa conduzida pela Survation para o CCDH este mês (janeiro de 2024) descobriu:

  • 31% dos jovens dos EUA entre os 13 e os 17 anos concordaram que “os impactos do aquecimento global são benéficos ou inofensivos”, incluindo 39% dos rapazes adolescentes
  • 33% de todos os adolescentes disseram que “as políticas climáticas causam mais danos do que benefícios”, incluindo 40% dos rapazes adolescentes
  • 30% disseram que a ciência climática e o movimento climático “não são confiáveis”, incluindo 37% dos adolescentes
  • 31% disseram que as mudanças climáticas são “uma farsa para controlar e oprimir as pessoas”, incluindo 41% dos adolescentes
  • 45% dos rapazes adolescentes disseram que “os políticos estão a exagerar a urgência das políticas climáticas” e 44% acreditam que os cientistas do clima estão a “manipular dados”
  • 34% de todos os adolescentes disseram “A Terra está realmente entrando em uma nova era glacial”, em comparação com apenas 23% dos adultos (18+)
Nova Negação Climática: tabela mostra narrativas de negação climática encontradas pela CCDH

“Os negacionistas do clima têm agora acesso a vastos públicos globais através de plataformas digitais. Permitir que eles reduzam constantemente o apoio público à ação climática – especialmente entre os telespectadores mais jovens – poderia ter consequências devastadoras para o futuro do nosso planeta”, disse Charlie Cray, estrategista sênior do Greenpeace EUA.

“Essas plataformas devem se apropriar das falsidades e das travessuras que propagam. Os riscos são demasiado elevados para – mesmo a esta hora tardia – ajudar e encorajar as narrativas “novas e melhoradas” de desinformação climática dos poluidores”, afirmou o senador norte-americano Sheldon Whitehouse.

A atual política de monetização do Google sobre alegações não confiáveis ​​e prejudiciais afirma que conteúdo que “contradiga o consenso científico oficial sobre as mudanças climáticas” não será monetizado em suas plataformas.

Mas dada a evolução substantiva na negação climática em direcção a narrativas de “Nova Negação” ao longo dos últimos seis anos, a CCDH apela à Google para expandir a sua política para também desmonetizar conteúdos que contradizem o consenso científico oficial sobre as “causas, impactos e soluções” para das Alterações Climáticas.

Sem atualizar esta política, os fornecedores da “Nova Negação” continuarão a lucrar com a negação climática fora dos parâmetros restritos da política atual do Google, disse o Centro.

Imran Ahmed, CEO e fundador do Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH), disse:

“Os cientistas venceram a batalha para informar o público sobre as alterações climáticas e as suas causas, razão pela qual aqueles que se opõem à acção climática cinicamente mudaram o foco para minar a confiança nas soluções e na própria ciência.

“Os jovens passam muito tempo em plataformas de compartilhamento de vídeos como o YouTube. Estas novas formas de negação do clima, que proliferaram rapidamente ao longo dos últimos seis anos, destinam-se a confundir e enfraquecer o apoio público à acção climática nas próximas décadas.

“É hipócrita que as empresas de redes sociais afirmem ser verdes, mas depois monetizem e amplifiquem mentiras sobre o clima.

“É hora das plataformas digitais colocarem o dinheiro onde estão. Deveriam recusar-se a amplificar ou a monetizar conteúdos cínicos de negação climática que mina a fé na nossa capacidade colectiva para resolver o desafio mais premente da humanidade.”

O senador dos EUA Sheldon Whitehouse disse: 

“Em 2023, o ano mais quente da humanidade, as plataformas de redes sociais facilitaram a propaganda de negação climática da indústria dos combustíveis fósseis – e fizeram-no por dinheiro. Estas plataformas devem assumir a responsabilidade pelas falsidades e travessuras que propagam. Os riscos são demasiado elevados para – mesmo a esta hora tardia – ajudar e encorajar as narrativas “novas e melhoradas” de desinformação climática dos poluidores. Poluir a atmosfera da informação para ajudar os poluidores da atmosfera física é uma escolha errada.”

Charlie Cray, estrategista sênior do Greenpeace EUA, disse:

“O Google/YouTube precisa parar de permitir e lucrar com as novas formas de negação do clima. Os negacionistas do clima têm agora acesso a vastos públicos globais através de plataformas digitais. Permitir que reduzam progressivamente o apoio público à acção climática – especialmente entre os telespectadores mais jovens – poderia ter consequências devastadoras para o futuro do nosso planeta.

“A negação total do clima tornou-se tão insustentável quanto fumar nas urgências de um hospital. Mas a investigação da CCDH expõe as novas tácticas que se transformaram em metástases nos últimos anos: atrasos, desvios e ataques falsos a soluções como a energia eólica offshore. O Google/YouTube e outras plataformas devem atualizar e aplicar as suas políticas para reduzir o discurso doentio que continua a envenenar o consenso público e a obstruir o tipo de transição para energia limpa que o nosso planeta e as nossas comunidades tanto necessitam”.

Michael Khoo, Diretor do Programa de Desinformação Climática, Amigos da Terra, disse:

“As Big Tech e as Big Oil espalham conteúdos que estão a impedir a ação climática. Pressionámos a Google para deixar de apoiar a negação do clima no passado, mas eles fizeram pouco. O relatório New Climate Denial mostra uma mudança perturbadora nas tácticas utilizadas para inviabilizar as acções necessárias para evitar mais desastres.

“Plataformas como o YouTube têm bilhões de usuários e monopolizam a atenção dos jovens. Este poder não deve ser usado para promover a negação do clima e, ao mesmo tempo, encher os bolsos de extremistas de direita e de empresas de combustíveis fósseis. As empresas de redes sociais devem parar de amplificar e lucrar com a negação climática que ameaça a ação na crise mais premente da história da humanidade.”


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Este texto escrito originalmente em inglês foi originalmente publicado pelo Center for Countering Digital Hate [Aqui!].

Ciência, pós -verdade e as eleições na UENF

pos-verdade

Por Luciane Soares da Silva

Importante esclarecer que não estudo economia, sistemas bancários, transações globais, golpes dados por grandes bancos ou inflação. O que me interessa é o aspecto antropológico da circulação de pessoas, mercadorias e crenças sociais sobre valor. Estudo mudança social e trânsitos. Em alguns momentos podem ser possessões e transes dependendo da ótica adotada.

Minha curiosidade endereçada aos meus alunos, ao mundo universitário, ao sistema político do qual participo e aos meus pares é objetiva mas exige o cruzamento de dois temas que podem frequentemente estar relacionados: a pós verdade e as fake news. Seria possível que pessoas aparentemente comuns, com condições de discernimento e em processo de formação aderissem ativamente a esquemas de pirâmide, golpes afetivos e mentiras capazes de alterar eleições e a vida política de instituições acadêmicas?

Algo que me interessa em pesquisa é “abrir as tripas” de fenômenos largamente comentados, transformados em conceitos e cujas consequências têm implicações concretas na vida de terceiros. Podem levar a demissões, separações, instaurar julgamentos cibernéticos, ameaças físicas e em casos raros, violência física e morte.

Temos visto isto em sites de fofoca, em montagens para redes sociais, denúncias mal apuradas. Estranhamente, não deveria ocorrer, mas vimos isto recentemente em nossa Universidade. E após seis meses, é importante que os registros sejam feitos. Eles não alterarão os resultados mas mostrarão em que poço nos enfiamos nestas últimas décadas. E colocam uma questão importante para os alunos que receberemos em março. Falhamos em mostrar métodos de pesquisa capazes de evitar narrativas inconsistentes e julgamentos apressados? Perdemos para uma rede subterrânea sem face e condenamos pessoas e processos democráticos à mesma lama na qual mergulham milhares de pessoas diariamente ao consumirem fake News? Não há nenhuma instância que proteja minimamente nosso espaço de produção das mesmas regras que regem as ações de mercados que apostam na tragédia como forma lucrativa de atividade? Quem permite que seja assim? Falamos em regulação da mídia. Mas o que fazemos nas instituições de ensino superior? Creio que absolutamente nada.

Não estamos diante de novidade alguma quando tratamos do uso de notícias falsas como instrumento político. Lembremos do objetivo de incriminar a esquerda no caso Rio Centro, da tentativa de ligar Lula ao sequestro de Abílio Diniz nas eleições de 1989. Convivemos com a imprensa marrom e recentemente sabemos do poder global de Steve Banon. Abertamente agindo como uma máquina industrial de mentiras viaja pelo mundo colaborando com golpes brancos. Os sistemas religiosos não poderiam ficar de fora desta nova era. Onde reside a novidade? Creio que talvez na escala e na velocidade e na porosidade com que invadem todos os espaços privados e públicos.

Aqui temos nossa própria contribuição para o mundo das moedas falsas e da pós-verdade. Vamos tratar de um caso real, alterando personagens e mantendo as consequências para todos os envolvidos. A síntese da cena é a seguinte: estamos em um grupo de pessoas tendo uma conversa com universitários. Um dos candidatos ali presente (em um ano de eleição) expressa sua opinião sobre concursos com ações afirmativas. É uma opinião carregada de fatos, avaliações e nenhuma delas determina uma posição desfavorável. Apenas apresenta ponderações importantes para ampliação de um debate.  Naquele grupo, um dos seus opositores percebe que aquela opinião pode ser base para um ataque eleitoral. Edita o que ouve, aproveita esta habilidade crescente de selecionar qual parte de uma narrativa interessa e como em um passe de mágica a torna pública em menos de 24 horas. Na mesma noite, fora de qualquer contexto, em 150 palavras de uma rede social, o conteúdo é repercutido sem nomes, com referência a um certo candidato e este incidente recebe mais atenção da comunidade científica que a ausência concreta de política estudantil, banheiros sem funcionamento, crise institucional, problemas para acesso a diplomas. E perde-se a rara oportunidade de construção coletiva.

A era da pós-verdade: a distopia do mundo contemporâneo - O Pedreirense

Nesta eleição alguns descem à um nível de desagregação completa na qual os boatos ganham a centralidade tóxica. Julgamento feito, os ativos do ódio se espalham repudiando as tentativas de diálogo com o argumento de que se tenta “limpar a barra de alguém”. Ou seja, servidores públicos com vinte anos de carreira agora são igualados aos grupos de fofoca do zap. Vejam que temos um terrível cruzamento aí entre má fé, questões cognitivas sobre moral, populismo e eleição. Banon sorri ao olhar para o caso e pensa: “wonderful”. Uma instituição gratuita de estudo. Fica realmente animado com o Rio de Janeiro.

Quando olhamos a situação de fora, pensamos em 1984. Em sistemas distópicos. A crença nas habilidades mágicas de indivíduos dotados do desejo de varrer o passado, varrer os caciques. Uma estranha macheza tão distante dos ideais de nossos eleitores juvenis que apostam em outro perfil. Mas que soltam um cão raivoso para fazer um papel conhecido. Aquele homem cordial que se agarra as grades do salão para que possa beber até cair, admirado por sua simpatia e leveza. Mas que mostra os punhos fechados quase disposto a desferir um soco no adversário quando contrariado. Leve, popular, jovem. E profundamente violento. O vencedor dos tempos atuais. O rei da popularidade. Escolhido a dedo para dar cor a uma campanha cujas propriedades lembram a água. O que dizer? Genial. E claro que temos o coroamento desta união. Quem nunca ousou defender o direito das docentes, acorda com todo o ideário de Simone de Beauvoir na cabeça. Aplausos para uma caixinha de música que repete ad nauseaum o discurso sobre mulheres na ciência aprendido ontem. Comovente, merece mesmo a vitória. Como dizia meu professor de história no segundo ano da faculdade, “ah, ela é tão esforçada”.

O quadro se completa com a crença que aposta em um empreendedorismo grotesco. Quase um quem quer dinheiro no meio do saguão. Assim, explícito, uniformizado, exuberante nas propostas. Trumps brasilis, um novo tipo de liderança que seduz ouvidos pouco comprometidos com Paulo Freire, Darcy Ribeiro ou uma educação transformadora. Tudo é utilizado como bravata mas com uma encenação digna de Oscar. E o sorriso do talentoso Ripley.

talentoso

Vemos uma turba comemorar a democracia como se assistisse ao fim de Apocalipse Now. E passado o momento de império do ódio, quando todos precisam voltar ao trabalho, percebemos que seguimos sem luz, sem administração, sem sistemas modernos de conexão. Sem saúde mental. Estranhamente não é possível explicar facilmente como ocorrem fenômenos coletivos desta ordem. Alguns falam em ondas. O fato é que seria impossível negar um sentimento comum aos vencedores e perdedores: a frustração e o desânimo.

Podemos pensar na imagem de um balão em noite escura. Seu brilho fustiga os cegos, alimenta os míopes e dá alguma importância aos que podem seguir o balão, até que ele cai no meio do Paraíba e durante o seu resgate, fica tomado de lama. Alguns o abandonam sentindo que foram enganados. Outros se agarram ao resto de brilho, sonhando com cargos de importância. Há os que sempre aceitando pouco, querem manter alguns benefícios, uma viagem, um carro novo. Há mesmo quem se venda por pouco.

Sem conseguir explicar a perda de excelência, vemos avançar a perda de sentido, de discernimento, de vontade, e começam a ocorrer situações próprias de um passeio de trem fantasma. A mudança de escala está completa. As salas são violadas, as violências perpetuadas, as reuniões, mero arremedo democrático. Os alunos antes confiantes, perdem o interesse no voto depositado. E quem desejava o poder abre a mão deixando escorregar pepitas escada abaixo.

Não havia nobreza no ato de quem meses antes acusara um inocente. Só havia ódio ativo, desinformação e interesses inconfessáveis. Canetas em mãos sem coragem podem ser perigosas. Sumiram no anonimato os que ontem faziam a festa da diversidade, baixaram a cabeça os que enviaram as mensagens de ódio. Negaram aqueles que os formaram para aderir aos novos saqueadores. Ninguém mais queria ver-se no espelho. Ah, não existem mais espelhos por aqui. Aliás, parece que teremos apenas sombras até o Carnaval. É certo que teremos o baile de máscaras. Na verdade, já foi bailado.

Se em terra arrasada pode nascer algo, teremos de observar. Por aqui o terreno recente foi arado para plantar um estranho tipo de negacionismo. Aquele que de dentro dos laboratórios nega a própria vocação e vende por pouco o que custou o trabalho duro de gerações.

Afogada em uma dívida de R$ 7,9 bilhões, OSX acusa Porto do Açu de “negligência” e gestão “precária” com intenção de prejudicá-la

afogado

No dia 15 janeiro, publiquei uma nota sobre a situação do Porto do Açu que estava em vias de rolar uma dívida bilionária de R$ 5,6 bilhões com apenas dois dos seus credores. Eis que hoje, o jornalista Victor Irajá publicou na coluna Radar da Revista Veja que a OSX, empresa de construção naval do antigo grupo EBX do ex-bilionário Eike Batista está tentando conseguir uma segunda recuperação judicial para tentar sanear uma dívida também bilionária de R$ 7,9 bilhões (ver imagem abaixo).

Mas a verdadeira novidade está na informação de que a OSX atribui a evolução ascendente da sua dívida a uma suposta sabotagem do Porto do Açu (i.e., da Prumo Logísitica Global)  que teria atuado de forma “negligente” e “precária” em suas responsabilidades de gerar a renda que permitiria que a OSX pudesse começar a diminuir as suas dívidas bilionária.

Para a OSX, o Porto do Açu tem agido desta forma porque “não tem interesse efetivo na reestruturação da OSX e tem intenções de tomar a área ocupada pela companhia de Eike em suas instalações.” Além disso, a OSX alega “ter sido prejudicada pela gestão da Porto de Açú, como a recusa de firmamento de contratos de locação“,

Particularmente digo que nesta briga entre a Prumo e a OSX, eu torço pela briga. No entanto, o que me parece importante frisar é o incrível montante de dívidas que existem no Porto do Açu, já que em apenas dois casos noticiados, ficamos sabendo da existência de “papagaios” da ordem de R$ 13,4 bilhões. Eu fico realmente curioso para saber o volume total de dívidas que existem hoje associadas aos diferentes empreendimentos que foram instalados no Porto do Açu.

Com tudo isso, ainda sou obrigado a notar que em meio a esse estoque bilionária de dívidas, ainda temos centenas de famílias de agriultores que tiveram suas terras tomadas para a instalação do natimorto Distrito Industrial de São João da Barra. Para essas famílias, as perspectivas não são nada boas, pois com tantas dívidas bilionárias, o direito delas fica cada vez mais escanteado.

Estudo do Netlab da UFRJ analisa o conteúdo tóxico da Frente Parlamentar da Agropecuária nos anúncios da Meta

carossel fpaCarrossel de publicações no Instagram da FPA sobre a “Semana de Combate a Invasão de Propriedade Rural”. Fonte: Agência Pública

A emergência da pauta ambiental e da crise climática em todo o mundo tornou o monitoramento de discursos e estratégias narrativas sobre o tema uma das prioridades dos estudos de Comunicação. Nesse contexto, com o acompanhamento sistemático realizado pelo Labotatório de Estudos da Internet e Redes Sociais (Netlab) da UFRJ, foi possível identificar algumas práticas nocivas relacionadas à comunicação digital da bancada ruralista brasileira.

Para aprofundar esse entendimento, o estudo produzido pelo Netlab/UFRJ analisou a atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com foco em posts patrocinados no ecossistema da Meta, que inclui Facebook, Instagram, Audience Network e Messenger.

porta vozes

Pedro Lupion e Zequinha Barbosa são dois dos principais porta-vozes da FPA e seu papel na disseminação de conteúdo tóxico nas redes sociais

Além de identificar a frequência de narrativas calcadas em práticas de desinformação e/ou greenwashing, o estudo também analisa dados da microssegmentação aplicada aos anúncios – o que aponta para as estratégias de comunicação da FPA relacionadas ao público-alvo (ou grupos de interesse nas redes) e ao investimento pago à Meta pela veiculação dos anúncios.

greenwashing

Exemplo de conteúdos utilizando “greenwashing” para melhorar imagem dos agrotóxicos que inundam a agricultura brasileira e ameaçam o meio ambiente e a saúde humana

Uma das coisas que o relatório mostra é que bancada ruralista é financiada por um grupo de 48 entidades, incluindo aí toda a indústria de agrotóxicos, que bancam da formulação de leis a posts pagos com desinformação sobre veneno e clima nas bases dos parlamentares mais ativos

Desta forma, com os dados levantados pelo Netlab da UFRJ é possível avaliar como a atuação da FPA nas redes se alinha a seus interesses econômicos, especialmente no que tange à regulação ambiental, e influencia a opinião pública a respeito de projetos legislativos em tramitação.

Quem desejar baixar o arquivo contendo o relatório produzido pelo Netlab/UFRJ, basta clicar [Aqui!].