A seca e o calor estão reduzindo a capacidade de absorção de carbono pelas florestas

Estudos recentes fornecem novos insights sobre esta relação observada durante a seca severa e a onda de calor de 2022 em grande parte da Europa. A renovação da gestão florestal é fundamental

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Os extremos climáticos e a gestão florestal obsoleta enfraquecem o sumidouro terrestre que nos dá mais oxigênio para viver

Por Reina Campos Cada para a MeteoRed

Os acontecimentos climáticos extremos, como secas e ondas de calor, são prejudiciais para a sociedade e para o funcionamento dos ecossistemas terrestres. Como consequência, a produção de alimentos, a saúde humana e os recursos energéticos são afetados.

Embora as secas tenham ocorrido durante séculos, a Europa registou recentemente uma elevada incidência destes eventos extremos e as projeções mostram um aumento dos mesmos com o aquecimento global.

Sabemos que a ligação entre a seca e a redução da absorção de carbono está bem estabelecida, mas permanecem questões importantes sobre o impacto das secas recorrentes, a força dos efeitos de compensação sazonais e regionais, as reações terra-atmosfera que podem exacerbar as ondas de calor e as estratégias de gestão florestal numa mudança climática, menciona um estudo.

O estudo, publicado recentemente na revista científica Nature Communications, salienta que esta situação é preocupante, porque a seca e o calor ameaçam a absorção de carbono pelos ecossistemas que atualmente atenuam o aumento das concentrações atmosféricas de CO2, ao compensarem um terço das emissões antropogênicas de combustíveis fósseis.

Para fornecer respostas concretas, outro estudo publicado na mesma revista científica, aproveitou os dados disponíveis para mostrar que a seca severa (intensa e prolongada) e a onda de calor de 2022 reduziram a absorção de carbono florestal às escalas local, regional e continental.

Secas e ondas de calor em grande escala ocorrem a partir de padrões de alta pressão na circulação atmosférica que inibem a formação de nuvens e a precipitação, aumentando a energia disponível na superfície da Terra. O melhor feedback terra-atmosfera agrava ainda mais as condições extremamente secas e quentes, à medida que a água transpirada pelas plantas e evaporada dos solos é reduzida. Portanto, o resfriamento se torna menos eficiente e mais energia disponível aquece o ar.

Recomendações para o manejo florestal em nível nacional e internacional

Sugere-se que os governos considerem os graves impactos da seca no sumidouro de carbono florestal para atingir as metas de emissões líquidas zero. Além de reduzir a desflorestação, países tropicais como o Brasil e a Indonésia estão planejando mudanças substanciais no uso da terra para compensar as emissões de gases com efeito de estufa (GEE). “Na Europa, a área florestal tem vindo a aumentar há décadas (10% durante o período 1990-2020) e a mudança no uso do solo representa 1% da meta de redução para 2030”, observa o estudo.

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O stress hídrico evolui (da esquerda para a direita) de uma combinação de défice de precipitação e aumento de temperaturas. Fonte: Wolf e Paul-Limoges (2023).

Para garantir a resiliência do sumidouro de carbono florestal, as melhorias nas práticas de gestão atuais devem incluir mudanças no sentido de combinações de espécies que sejam mais bem adaptadas às condições climáticas futuras, preservando simultaneamente as espécies locais e a biodiversidade.

As estratégias de gestão florestal, em um clima em mudança, precisam combinar abordagens de adaptação e mitigação para permitir o armazenamento resiliente de carbono. Se for devidamente implementado, isto poderá garantir que a meta de emissões líquidas zero seja cumprida e tornar as futuras florestas mais resilientes a eventos extremos, como a seca e o calor de 2022.

O evento de 2023 também poderá rivalizar com os anos de 2018 e 2022 devido a uma combinação de impactos diretos nas regiões mais afetadas, à libertação de carbono de incêndios florestais generalizados no sul da Europa e aos efeitos relacionados na mortalidade de árvores devido a anos consecutivos de seca, indica o estudo.

Embora os impactos do evento de 2022 ainda estejam sendo investigados, a Europa está sofrendo mais um ano de temperaturas extremas e seca em 2023. Após um inverno quente e seco, a Península Ibérica, o sul de França e o noroeste de Itália foram afetados devido a uma grave seca em Primavera tardia. As condições de seca surgiram em grande parte do norte, centro e leste da Europa durante junho e julho, enquanto temperaturas recordes foram observadas juntamente com uma forte onda de calor que atingiu o pico no final de julho.

Por último, a redução na absorção de carbono florestal durante a seca e o calor de 2022 já não poderia ser excepcional em um clima mais quente, revelando a vulnerabilidade do sumidouro de carbono florestal a tais cenários climáticos.

Embora possa ser muito cedo para designar estas condições como o “novo normal”, há provas claras de que estes eventos têm aumentado em frequência e intensidade em grande parte da Europa. Está a tornar-se cada vez mais claro que secas e ondas de calor recorrentes desafiam as metas de emissões líquidas zero dos governos dependentes da silvicultura, e que a gestão florestal deve adaptar-se para reter o sumidouro de carbono nas florestas.


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Este texto foi originalmente publicado pela MeteoRed [Aqui!].

Corrida contra a extinção de espécies

De acordo com o relatório global sobre o estado da vegetação, 45% das plantas com flores conhecidas estão ameaçadas

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A espécie de palmeira Pinanga subterrânea, recentemente descoberta cientificamente, prospera no subsolo. Foto: IMAGO/Imagens da capa

Por Kurt Stenger para o “Neues Deutschland” 

Pinanga subterrânea, como o nome latino sugere, vive no subsolo. A espécie de palmeira recentemente descrita pela primeira vez pelos cientistas, descoberta na floresta tropical da ilha de Bornéu, vive completamente no subsolo. É um mistério para os especialistas porque ainda é inexplicável o que poliniza a palmeira e como o polinizador encontra as flores no subsolo. Aliás, várias comunidades indígenas na Malásia e na Indonésia há muito que deram nomes às plantas nas suas línguas; Os frutos vermelhos, de sabor adocicado, quando maduros, são aqui consumidos como lanche

A necessidade de uma colaboração mais estreita com a população indígena tem sido um problema entre os biólogos. Até porque a busca por plantas até então desconhecidas é como uma corrida contra o tempo. Desde 2020, quase 19.000 novas espécies de plantas e fungos foram nomeadas, conforme afirma o “Relatório de Situação de Plantas e Fungos do Mundo 2023”, cujos resultados serão apresentados e discutidos num simpósio especializado de três dias que decorre até sexta-feira.  Mas três em cada quatro espécies de plantas que ainda não foram descritas cientificamente já estão ameaçadas de extinção, estimam os pesquisadores.

O relatório Kew é o primeiro catálogo completo de mais de 350.000 espécies de plantas conhecidas e suas áreas de distribuição. Nos círculos de especialistas fala-se do “primeiro passo decisivo para documentar a vida na Terra”. 200 cientistas de 30 países de todos os continentes contribuíram para a extensa recolha de dados e avaliação de estudos. Foi publicado por Kew Gardens, o Royal Botanic Gardens localizado no sudoeste de Londres. Kew não consiste apenas em grandes parques com plantas de rododendros muito antigas e estufas vitorianas, mas também abriga um centro de pesquisa e o “Banco de Sementes do Milênio”: o maior banco de sementes do mundo em constante expansão para plantas selvagens raras, ameaçadas e importantes agora contém mais mais de 40.000 espécies.

De acordo com o relatório de situação, cerca de 45% das plantas com flores conhecidas também estão ameaçadas de extinção. Ilhas como o Havai, Madagáscar, Nova Caledónia, Bornéu e Filipinas são nomeadas como hotspots. Compreender a extinção é “extremamente importante para a conservação da diversidade biológica”, escrevem os autores. Perder espécies antes de terem passado pelo processo formal de identificação significaria “perder todo o potencial dessa espécie”, diz Matilda Brown, analista de conservação em Kew. “Poderemos perder metade dos nossos futuros medicamentos se tais perdas ocorrerem”, alerta ela. “As pessoas não levam a extinção a sério o suficiente.”

As plantas estão atualmente morrendo 500 vezes mais rápido do que antes da existência dos humanos, de acordo com um estudo avaliado no relatório de situação. Além disso, as plantas descritas mais recentemente morrem duas vezes mais rapidamente do que as descritas antes de 1900. Devido a este ritmo, os investigadores de Kew apelam a que todas as espécies recentemente descobertas na Lista Vermelha da ONU sejam classificadas como ameaçadas até prova em contrário. Esta classificação formal é um pré-requisito para que os recursos sejam disponibilizados para a proteção das espécies.

O relatório identifica a mudança no uso da terra para agricultura, desenvolvimento urbano, construção de estradas e mineração como as maiores ameaças à biodiversidade. A isto somam-se as consequências das alterações climáticas, a sobreexploração direta de plantas e espécies invasoras. O que precisa de ser feito é claro: a conservação do clima e da natureza, bem como a restauração da natureza.

O relatório sobre a situação não é apenas uma miscelânea para especialistas, mas também tem significado político. A questão da protecção das espécies está cada vez mais a subir ao palco da diplomacia ambiental internacional. No final de 2022, foi adotado um quadro a nível da ONU que torna este objetivo vinculativo pela primeira vez ao abrigo do direito internacional. Até 2030, 30% da área terrestre do mundo deverá ser protegida, especialmente áreas com uma biodiversidade particularmente rica.

“Melhorar a nossa compreensão da diversidade de plantas e fungos é crucial para alcançar metas e objetivos ambiciosos”, afirma Alexandre Antonelli, Diretor Científico do Kew Gardens. “Está se tornando cada vez mais importante compreender onde os esforços de proteção e conservação devem ser uma prioridade.”

Portanto, a questão é saber quais são realmente os 30% certos. Para identificá-las, as espécies ainda desconhecidas cientificamente são de grande importância, afirmam os autores do relatório de situação. Ao contrário da prática anterior, a designação de áreas protegidas prioritárias deve ter em conta a especificidade das plantas e a diversidade filogenética. O relatório de situação identifica um total de 32 “pontos negros” da biodiversidade – áreas nas quais as plantas são altamente endémicas mas insuficientemente documentadas. Estes são encontrados particularmente na Colômbia, no centro-sul da China e na segunda maior ilha do mundo, a Nova Guiné.

Um mundo ainda menos conhecido é o dos cogumelos, também conhecidos como fungos. Os investigadores do Kew estimam que os fungos que se fixam às raízes das plantas removem quase 13 mil milhões de toneladas de CO 2 da atmosfera todos os anos, o equivalente a cerca de um terço das emissões anuais de combustíveis fósseis. Embora as alterações climáticas também tenham efeitos nocivos sobre os fungos, menos de um por cento das espécies conhecidas estão actualmente ameaçadas de extinção. No entanto, todas estas estimativas estão sujeitas a incertezas, como admitem os investigadores. Pode-se presumir que existem dois a três milhões de espécies de fungos, das quais mais de 90% ainda não foram encontradas e descritas pelos cientistas.

Estes incluem numerosos potenciais candidatos, como Pandora cacopsyllae. Encontrado na Dinamarca há alguns meses, esse fungo ataca e mata psilídeos. Os cientistas estão atualmente investigando se o fungo parasita também poderia matar outras pragas temidas na fruticultura e, assim, servir como matéria-prima para produtos de proteção de cultivos ecologicamente corretos.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Harvard é pressionada dentro de casa a rever investimentos em terras griladas no Cerrado

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Por Caio Freitas Paes para a “Agência Pública”

Dois professores da renomada universidade de Harvard, um da faculdade de Direito e outro da faculdade de Medicina, administram parte do patrimônio trilionário do fundo de investimentos TIAA, o principal gestor do dinheiro das aposentadorias de professores dos Estados Unidos. Não haveria nada de errado no trabalho dos professores de Harvard no fundo TIAA se não existissem ligações deste mesmo grupo financeiro com uma série de casos de desmatamento, grilagem e violência contra povos tradicionais do Cerrado – como a Agência Pública e outros veículos têm denunciado nos últimos anos.

A presença de professores de Harvard na administração de bens do fundo TIAA é uma das razões do evento “Grilagem e ecocídio: como BUNGE, TIAA e Harvard estimulam a destruição do Cerrado brasileiro”, que ocorre na própria universidade norte-americana nesta quarta (11) a partir das 13h, horário de Brasília (DF), com lançamento de um estudo, em inglês, sobre o mesmo tema.

Segundo a organização do debate, a universidade de Harvard, seus funcionários e seus aposentados teriam ao menos US$ 3,9 bilhões investidos no fundo TIAA – ou seja, algo em torno de R$ 19,7 bilhões investidos, na cotação atual do dólar. Na ponta, recursos como estes acabam sendo usados na compra de terras na principal fronteira agrícola brasileira – o Matopiba, formado por partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Segundo o governo federal, nos últimos quatro anos o desmatamento saltou de 6,3 mil km² para 10,7 mil km² no Cerrado – um aumento de quase 70% puxado, principalmente, pela devastação em áreas onde há investimento estrangeiro na compra de terras, inclusive em regiões onde o fundo TIAA – e Harvard – possuem ligação histórica com fazendas e grilagens.

Um dos casos mais conhecidos é o da antiga Caracol Agropecuária, empresa responsável pela grilagem de 140 mil hectares no oeste da Bahia que recebeu, por anos, investimento do fundo TIAA e da universidade dos Estados Unidos, conforme relatado pela Pública. Como revelado pelo site Mongabay, porém, Harvard conseguiu escapar de punições judiciais ligadas ao caso na Bahia. Estima-se que a universidade norte-americana tenha mais de US$ 1 bilhão investidos em terras ao redor do mundo, incluindo o Brasil. 

À Pública, um dos organizadores do evento desta quarta, o professor visitante do departamento de História de Harvard Fábio Pitta, afirma que grilagens ligadas ao grupo TIAA – e, por consequência, à própria universidade norte-americana – têm avançado em outras partes do Matopiba.

“Hoje estamos num ápice do desmatamento no sul do Piauí, com atuação intensa de milícias rurais contra camponeses. Podemos dizer que há um trabalho por parte dos grileiros para ‘esquentar’ as terras roubadas, desmatando, revendendo e consumando grilagens ocorridas anos atrás – crimes já identificados pelos órgãos de controle”, disse Pitta, um dos coordenadores da ONG Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, que monitora há anos conflitos socioambientais na região do Matopiba.

Em maio de 2022, inclusive, a Pública mostrou como o avanço da grilagem e das ameaças aos camponeses no sul piauiense respinga no fundo TIAA e na gigante holandesa do setor de alimentos Bunge, que domina o mercado de soja no estado. Meses depois, a Pública fez uma nova denúncia de desmatamento entre os municípios de Bertolínia e Santa Filomena, na divisa do Piauí com o Maranhão, próximo a um dos silos de grãos da Bunge no estado.

Transmitido ao vivo via plataforma Zoom, o debate desta quarta visa pressionar a universidade de Harvard a se desligar de investimentos que ameaçam o Cerrado, suas espécies nativas e seus povos. O evento é organizado pelo departamento de História da própria universidade em parceria com a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e as ONGs internacionais Action Aid, Friends of the Earth, Grassroots International e Stop Harvard Land Grabs (“Parem as Grilagens de Harvard”, em tradução livre).

Edição: Thiago Domenici


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Este texto foi originalmente publicado pela Agência Pública [Aqui!].

Como a seca na Amazônia afeta a segurança alimentar da região

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Seca em outubro de 2023 no Rio Negro, no Amazonas

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Por Gabriel Costa Borba

Na Amazônia estima-se que a pesca produza em média 173 mil toneladas de peixe por ano, gerando cerca de 389 milhões de reais. A região é considerada uma das maiores do mundo em consumo de peixe que varia de 135 a 292 kg per capita ao ano, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Esse contexto de pesca abundante está em risco por causa da seca dos rios da região.

captura de peixe é fortemente dependente das flutuações no nível de água com períodos de águas baixas e altas, que regulam a disponibilidade de alimento e abrigo para os peixes nos rios amazônicos. Esses rios estão em risco devido ao impacto de atividades humanas. Ao alterar as flutuações no nível de água e o padrão de chuvas, os eventos climáticos extremos geram drásticas consequências para a pesca.

Além de rios com menos água, temos, no atual contexto, péssimas condições hídricas, como temperatura elevada e falta de oxigênio — o que resulta em uma maior mortalidade natural de peixes. Com menos peixes disponíveis, a própria segurança alimentar de populações locais se vê ameaçada.

O interessante de se observar é que ainda não temos total conhecimento sobre os prejuízos gerados pelos cenários de seca deste mês na pesca da região. A resposta das populações de peixe sob efeito de flutuações no nível de água leva um tempo, ou seja, os impactos da frequência e intensidade de eventos extremos nas últimas décadas só serão mapeados, totalmente, mais para a frente.

As espécies disponíveis para a captura no momento estiveram sob influência das flutuações no nível de água de anos anteriores. Por exemplo, o jaraqui, peixe emblemático da região amazônica, que é capturado hoje, levou, em média, dois anos para atingir um tamanho corporal para ser pescado. Se os anos anteriores foram adequados para a espécie, com disponibilidade de alimento e abrigo, esse jaraqui sobreviveu e se desenvolveu, sendo capturado para fins comerciais.

Há, no entanto, uma percepção geral nas comunidades tradicionais indígenas e não indígenas da Amazônia de que houve uma diminuição na captura de espécies e uma redução do tamanho de peixes de interesse comercial nos últimos anos. Para elas, a pesca é fonte de subsistência importante, gerando renda e alimento.

O contexto se torna ainda mais drástico num país que não tem monitoramento oficial de desembarque pesqueiro na Amazônia desde o ano de 2011. O monitoramento tem o objetivo de conhecer quais são as comunidades pesqueiras que utilizam o acesso próximo ao porto para desembarque da sua produção, gerar informações e dados estatísticos sobre o desembarque pesqueiro e gerar análises dos possíveis impactos dos eventos climáticos extremos na pesca. A falta de dados afeta a capacidade de resposta de comunidades e a tomada de decisões políticas para preservar a pesca na região em tempos de eventos climáticos extremos.

Para enfrentar essa situação, é preciso criar planos de manejo da pesca adequados ao contexto de crise climática, unindo conhecimento tradicional e científico sobre a atividade e as flutuações no nível de água. Só assim se poderá minimizar os graves danos às populações locais que comercializam peixes e vêem, agora, sua subsistência ameaçada.


Sobre o autor

Gabriel Costa Borba é doutorando em Fish and Wildlife Conservation na Virginia Tech e mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)

Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários emite nota sobre contratação temporária para acelerar registros de agrotóxicos

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O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) comunicou em nota oficial no dia de ontem (10/10)  que “recebeu com surpresa” o anúncio feito pelo Governo Federal para a contratação temporária de 39 profissionais (químicos e farmacêuticos), para desenvolver atividades relacionadas aos registros de produtos de uso veterinário, agrotóxicos e bebidas no âmbito da pasta. 

O Sindicato esclareceu ainda que o registro de produtos veterinários está cumprindo todos os prazos regulamentados e os registros de bebidas são realizados de forma automatizada. Além disso,  o Anffa reiterou que para o registro de agrotóxicos – produto formulado – é imprescindível a avaliação de Auditores Fiscais Federais Agropecuários engenheiros agrônomos a fim de garantir a celeridade ao processo. Diante deste cenário, o Anffa apontou que “não há justificativa para as contratações anunciadas na portaria e questiona também o fato de já haver um concurso público em andamento, para os cargos de químicos, farmacêuticos e agrônomos, além de médicos veterinários e zootecnistas – com provas a serem aplicadas em fevereiro de 2024“.
 
A nota do Anffa do informou ainda que sua Assessoria Jurídica está acompanhando os desdobramentos da portaria e que já solicitou ao Conselho de Delegados Sindicais uma agenda, para esta semana, a fim de debater o assunto.

Ah, sim, antes que eu me esqueça. Esta ação de precarização do governo federal tem como objetivo claro ampliar ainda mais o número já enorme de agrotóxicos genéricos registrados e sendo vendidos no Brasil, enquanto estão banidos nos países das empresas fabricantes.

Firjan e o espectro do deserto verde no Norte e Noroeste Fluminense

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Deserto Verde no Espírito Santo: por cima tudo verde, mas sem vide por dentro

Os planos de tornar as regiões Norte e Noroeste Fluminense em uma réplica do “Deserto Verde” implantado no Espírito Santo pela agora defunta Aracruz Celulose não são novos. Tanto isto é verdade que ainda no de 2012, o meu então orientando Felipe Correia Duarte defendeu a dissertação intitulada “A expansão da monocultura de eucalipto no Noroeste Fluminense e seu potencial para a geração de conflitos socioambientais” no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais. Neste estudo, Duarte detalhou as estratégias que estavam sendo empregadas pela Aracruz Celulose (que depois foi Fibria e hoje é parte do conglomerado da Suzano Papel) para convencer proprietários rurais a ingressarem nos seus programas chamados de “Fomento Florestal”.

Agora, passados 11 anos desde aquela estudo rigoroso, recebo notícias que a Federação das Indústrias do estado do Rio de Janeiro (Firjan) está com planos grandiloquentes que envolvem o plantio de algo em torno de 260 a 600 mil hectares de eucalipto no Norte e Noroeste Fluminense.  Os debates em torno desse projeto tem aparecido a conta gotas em notícias da própria Firjan, mas fui informado que recentemente houve uma reunião para estabelecer as estratégias para concretizar planos que prometem mudar dramaticamente a paisagem regional.

A primeira coisa que se pode dizer é que tudo o que não se precisa neste momento é de plantios massivos em duas regiões que já sofrem com escassez hídrica a ponto de se estar tramitando um projeto de lei, o PL 1.440/19, de autoria do prefeito Wladimir Garotinho, quando era deputado federal, que visa  caracterizar o Norte e  o Noroeste Fluminense como regiões de clima semiárido. Como existem estudos que mostram o papel nefasto que os plantios extensivos de eucalipto sobre os recursos hídricos em função da demanda dessa espécie por água, sequer pensar em instalar este tipo de atividade no Norte/Noroeste Fluminense é um completo absurdo.

Em segundo lugar há que se dizer que as plantações de eucalipto em escala industrial não apenas escasseiam os recursos hídricos, mas contribuem com a elevação da poluição aquático em função do alto uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos.  Assim, além de termos a perspectiva do escasseamento da água, haverá ainda o aumento da poluição química.

A terceira questão se relaciona ao aumento do êxodo rural, visto que a expansão da monocultura de árvores está diretamente associada à expulsão de populações rurais que ficam incapacitadas de obter seu sustento por causa da hegemonia de uma forma particularmente ostensiva de utilização dos solos e recursos hídricos.

Como tive minha atenção chamada para esta tentativa da Firjan de realizar ou participar da expansão desenfreada do eucalipto em nossa região, a minha expectativa é falar mais sobre este assunto. Desde já deixo clara a minha oposição à mais essa tentativa de implantação do deserto verde, quando o que se realmente precisa é de sistemas agrícolas que produzam comida saudável .

Finalmente, há que se lembrar aos planejadores da Firjan que o município de Campos dos Goytacazes aprovou em 2002, a Lei Municipal Nº 7282 de 26 de agosto de 2002 que estabeleceu, entre outras coisas, que o plantio total de eucalipto para fins industriais, não poderá ser superior a 3% (três por cento) do território do Município.

China, Vietnã e Malásia colocam MDPI, Hindawi e Frontiers em uma “black list” de editoras predatórias

Pesquisadores que publicarem artigos científicos em periódicos pertencentes a editoras na lista negra,  não serão reconhecidos nem receberão financiamento

Nghiên cứu khoa học tại một trường đại học ở TP.HCM - Ảnh: TRẦN HUỲNH

Pesquisa científica em uma universidade na cidade de Ho Chi Minh – Foto: TRAN HUYNH

Por Tran Huynh  para “Tuoitre”

O Ministério das Universidades da Malásia acaba de publicar um aviso que proíbe as universidades públicas do país de utilizarem fundos do orçamento do Estado para pagar a publicação de artigos em todas as revistas pertencentes às três editoras MDPI, Hindawi e Frontiers.

Segundo o Ministério das Universidades da Malásia, esta decisão foi tomada devido à preocupação especial com a integridade académica, bem como à questão dos nomes dos autores em artigos e trabalhos de investigação neste país.

O Ministério das Universidades da Malásia também criou um comitê especial para monitorar a publicação em revistas predatórias e de baixa qualidade, melhorando assim a ética acadêmica e protegendo a reputação das universidades, bem como a reputação nacional.

No início de 2023, a Universidade de Indústria e Comércio de Zhejiang (UICZ) também colocou na lista negra todos os periódicos das editoras MDPI, Hindawi e Frontiers.

De acordo com o resultado da votação do conselho universitário da UICZ, os artigos publicados em todas as revistas pertencentes às três editoras acima mencionadas não serão levados em conta na avaliação da capacidade de investigação e do desempenho dos professores.

O Vingroup Innovation Fund – VINIF, do Big Data Research Institute (fundado pela Vingroup Corporation) do Vietnã, também anunciou uma série de regulamentos de fundos relacionados ao Programa de Subsídios para Projetos de Ciência e Tecnologia, bem como bolsas nacionais de pós-doutorado. 

De acordo com o regulamento do fundo, os projetos de pesquisa patrocinados pelo VINIF devem ter resultados que atendam a pelo menos um dos quatro requisitos. Em particular, com os requisitos de publicação científica, o VINIF exige que os projetos de investigação tenham artigos publicados em revistas internacionais ou organizações de investigação de renome classificadas como Q1 ou equivalente (cada artigo será avaliado por revisores especialistas, aceitando apenas artigos que não estejam em revistas pertencentes a editoras como MDPI e Hindawi).

Em relação ao programa nacional de bolsas de pós-doutoramento, o VINIF referiu que durante a aplicação do acordo de financiamento, o fundo também não aceitaria artigos publicados em revistas pertencentes às editoras Hindawi e MDPI.

Muitas revistas da MDPI, Hindawi e Frontiers também estão na lista de advertência da Academia Chinesa de Ciências

Em dezembro de 2021, a Academia Chinesa de Ciências anunciou uma lista atualizada de 35 periódicos sujeitos a advertência. A maioria dos periódicos da lista de 2020 foram removidos da lista de 2021.

A editora MDPI continua no topo da lista de 2021 com 7 revistas, seguida pelas editoras Hindawi (5 revistas), Wiley (3 revistas) e Frontiers (3 revistas). A maioria dos periódicos na lista de observação da China para 2021 pertencem aos grupos Q1 e Q2 com base na categoria ISI/WoS.

De acordo com a Academia Chinesa de Ciências, a lista de revistas do ISI sujeitas a advertências foi publicada para lembrar aos investigadores chineses que sejam cautelosos na escolha das revistas para publicar artigos, bem como para pressionar os editores a reforçarem o controlo da qualidade dos itens.

As 3 editoras na lista negra

A editora Hindawi foi fundada em 1997 no Cairo (Egito) e em 2021 foi adquirida pelo grupo editorial americano Wiley. A Hindawi publica atualmente mais de 282 revistas.

A editora MDPI foi fundada em 1996 na Suíça. A MDPI é uma das maiores editoras de artigos científicos do mundo, publicando atualmente mais de 429 periódicos de acesso aberto.

A Frontiers Publishing foi fundada em 2007, com sede em Lausanne, Suíça. A Frontiers publica atualmente mais de 221 revistas acadêmicas.


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Este texto publicado originalmente em vietnamista foi publicado pelo “Tuoitre” [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: Lula libera mais 45 agrotóxicos, chega a 410 liberações em 10 meses, e ameaça quebrar recorde venenoso de Bolsonaro

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Seguindo a trilha venenosa de Bolsonaro, Lula promove onda de liberações de agrotóxicos, muitos deles banidos na União Europeia por sua periculosidade ambiental e contra a saúde humana

Com a publicação do Ato No. 45 de Outubro de 2023, o governo Lula liberou mais 45 agrotóxicos e chegou a incríveis 410 agrotóxicos liberados em menos de 10 meses de governo, e ameaça quebrar os recordes estabelecidos pela dupla formada por Jair Bolsonaro e Tereza Cristina. 

A partir de uma análise inicial pude verificar novas liberações de agrotóxicos proibidos na União Europeia como o fungicida Clorotalonil e do inseticida Imidacloprido, mas também dos herbicidas Glifosato e Dicamba. Com isso, não apenas se continua acrescentando produtos conhecidos por sua periculosidade ambiental e para a saúde humana, mas também se envia a mensagem de que, ao contrário do que foi prometido na campanha eleitoral, o presidente Lula continua a apostar suas fichas em um modelo de agricultura que é altamente dependente (e mesmo viciado) do uso de produtos altamente perigosos que são rejeitados nos países que os fabricam.

A contar pelo volume de aprovações que está em ritmo acelerado, os problemas de natureza ambiental e de saúde que são causados por um modelo agrícola que depende de venenos para se manter só aumentarão.  A questão é que os custos destes problemas não são internalizados pelo chamado “ogronegócio”, mas são despejados sobre a população brasileira, especialmente os segmentos mais pobres.

O fato é que há uma documentação feita a partir de pesquisas científicas que o Brasil hoje vive uma crise sanitária causada pelos agrotóxicos, e que é convenientemente escondida pela mídia corporativa que serve aos interesses do grande latifúndio e das corporações fabricantes de venenos agrícolas (ver vídeo abaixo).

Lamentavelmente o presidente Lula e seu ministro da Agricultura parecem desprezar todos os riscos e consequências desse modelo agrícola dependente de agrotóxicos. Por isso, que ninguém se espante se o Pacote do Veneno for rapidamente sancionado pelo presidente Lula após sua tramitação ser concluída no Congresso Nacional.

Nos próximos dias estarei compilando e publicando a lista completa dos agrotóxicos que foram liberados desde 31 de agosto de 2023.

Após as eleições, Uenfspotted dá voz aos que reclamam das mazelas na Uenf

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Comentei ao longo deste ano o papel que determinados perfis nas redes sociais nas eleições para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Um dos que se destacou em jogar o papel de “Trojan Horse” (literalmente Cavalo de Tróia) foi o perfil de proprietário ignorado, o Uenfspotted.

Agora, eis que passadas as eleições, o proprietário (ou seriam proprietários?) do Uenfspotted estão dando voz a estudantes que reclamam das condições climáticas dentro das salas de aula que estão localizadas no mesmo prédio que abriga a reitoria da Uenf (ver imagem abaixo).

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Abrir espaço para os que reclamam de condições insalubres de trabalho e de aula é algo correto, mas como dizem os estadunidenses “a little too late“. É que durante o período eleitoral, o que o Uenfspotted fez foi dar vazão a uma campanha de fake news contra a chapa Carlão e Daniela, na qual os estudantes embarcaram com força, visto os resultados eleitorais.

Mas o interessante é que o ainda reitor, professor Raul Palacio, não será quem receberá eventuais reclamações sobre as condições climáticas inapropriadas para o correto aprendizado dos estudantes da Uenf. É que na última 6a. feira, ele solicitou e obteve a autorização do Conselho Universitário para realizar uma espécie de tour de despedido por diferentes países da América Latina.

O bom disso é que os estudantes que reclamam do calor poderão cobrar diretamente da atual vice-reitora e futura reitora da Uenf, Profa. Rosana Rodrigues.  Pelo menos, falarão com quem tem e terá a capacidade de resolver o problema de salas insalubres.

Um fato é certo: o estudante que usou o Uenfspotted para reclamar do calor não deve ser do Centro de Ciências do Homem. É que lá, aproveitando a existência de novos aparelhos de ar condicionado que estavam estocados há mais de 3 anos, eu utilizei de verba própria do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico para climatizar todas as salas de aula usados pelos estudantes de graduação. Ao menos no caso do CCH, a vice-reitora e futura reitora não terá que se preocupar com os clamores dos estudantes de graduação que foram um dos principais pilares para a sua eleição.

Monoculturas de árvores ameaçam a biodiversidade tropical, dizem ecologistas

Artigo revela preocupações dos cientistas de que o plantio de árvores de uma única espécie ameaçam a flora e a fauna nativas, ao mesmo tempo que proporcionam benefícios insignificantes no controle das emissões de carbono

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A plantação de árvores tem sido considerada vital para mitigar o aquecimento global, mas a investigação sugere que muitas vezes apoia menos biodiversidade. Fotografia: Alexis Huguet/AFP/Getty Images

Por Patrick Greenfield para  o “The Guardian”

Os esquemas de monocultura de plantação de árvores estão a ameaçar a biodiversidade tropical, ao mesmo tempo que oferecem apenas benefícios climáticos modestos, afirmaram ecologistas, alertando que ecossistemas como a bacia da Amazónia e do Congo estão a ser reduzidos ao seu valor de carbono.

Em meio a um boom no plantio de plantações de uma única espécie para capturar carbono, os cientistas instaram os governos a priorizar a conservação e a restauração de florestas nativas em detrimento das monoculturas comerciais, e alertaram que o plantio de faixas de árvores não nativas em regiões tropicais ameaça importantes flora e fauna. para um impacto climático insignificante.

Escrevendo na revista Trends in Ecology & Evolution , os ecologistas afirmaram que a crescente popularidade das plantações comerciais de pinheiros, eucaliptos e teca nos trópicos para compensação de carbono está tendo consequências indesejadas, como o ressecamento dos ecossistemas nativos, a acidificação dos solos, a exclusão de plantas nativas e a sobrealimentação de incêndios florestais.

“Apesar da ampla gama de funções e serviços ecossistêmicos fornecidos pelos ecossistemas tropicais, a sociedade reduziu o valor desses ecossistemas a apenas uma métrica – carbono”, diz o jornal. “É amplamente assumido que a maximização dos stocks permanentes de carbono também beneficia a biodiversidade, o funcionamento dos ecossistemas e aumenta os co-benefícios socioeconómicos – mas muitas vezes este não é o caso.”

A plantação de árvores tem sido considerada uma ferramenta importante na mitigação do aquecimento global, com dezenas de iniciativas públicas e privadas em curso para aumentar rapidamente a cobertura florestal em todo o mundo para atingir as metas líquidas zero. Contudo, a investigação indica que o benefício ambiental depende fortemente da escala e do tipo de restauração e requer enormes áreas de terra. Um estudo de 2019 estimou que permitir a regeneração das florestas naturais poderia devolver 40 vezes mais carbono do que as plantações.

Jesús Aguirre-Gutiérrez, ecologista da Universidade de Oxford que liderou o artigo, disse que os cientistas decidiram dizer algo depois de testemunharem o aumento das plantações comerciais nos trópicos.

Foto tirada em agosto de 2019 mostra uma plantação de eucalipto destruída após incêndio em Humaitá, Amazonas, Brasil.

“O plantio de árvores não deve ser visto como uma alternativa à rápida redução das emissões de combustíveis fósseis”, afirmou Simon Lewis, da University College London. Fotografia: Gabriela Biro/Alamy

“Realizamos muito trabalho de campo nos trópicos para pesquisar o que está acontecendo com as mudanças climáticas e vimos por nós mesmos o boom dessas plantações: tecas, coníferas e eucaliptos, apenas uma ou duas espécies”, disse ele. “Estes esquemas são uma vitória para a empresa que planta estas árvores, mas não para a biodiversidade. Este é o início deste fenômeno, daí a gravidade da situação.”

O documento estima que uma plantação com a dimensão combinada dos EUA, China, Rússia e Reino Unido teria de ser plantada para sequestrar um ano de emissões.

Embora as plantações sejam muitas vezes mais viáveis ​​economicamente do que as florestas em pé, o documento destaca que muitas vezes sustentam um nível mais baixo de biodiversidade. Por exemplo, na savana brasileira do Cerrado, um aumento de 40% na cobertura florestal reduziu a diversidade de plantas e formigas em cerca de 30%.

Simon Lewis, professor de Ciência das Mudanças Globais na University College London, disse que é perigoso tratar as árvores como “nada mais do que pedaços de carbono”.

“É claro que as plantações são necessárias para os produtos de papel e madeira de que a sociedade necessita, mas rebatizar as plantações industriais como compensações de carbono é mais um problema do mercado não regulamentado de compensações de carbono. A plantação de árvores não deve ser vista como uma alternativa à rápida redução das emissões de combustíveis fósseis”, afirmou.

Thomas Crowther, professor de ecologia na ETH Zurique, coautor de um artigo que descobriu que existem 900 milhões de hectares (2,2 bilhões de acres) de terra fora de áreas urbanas e agrícolas adequadas para florestas, disse que colocar o valor do carbono de um ecossistema acima de tudo o resto estava errado.

“Sempre que valorizamos uma parte da natureza mais do que qualquer outra, incentivamos a propagação dessa parte em detrimento de todo o resto”, disse ele. “Historicamente, valorizamos as peças que usamos para alimentos, madeira, medicamentos, etc., mas agora estamos fazendo a mesma coisa com o carbono.”


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Este artigo escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].