Com perfil fake, eleições para a reitoria da UENF descabam para o vale tudo

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Por decisão da comissão eleitoral eleita pelo Conselho Universitário da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), as chapas que concorrem à reitoria para o período de 2024-2027 tiveram que interromper a postagem de novos materiais a partir das 10:00 horas da manhã desta 6a. feira, o que foi efetivamente feito.

O que poderia parecer que haveria normalidade nas eleições que ocorrem amanhã (16/9)  nos polos CEDERJ e na próxima terça-feira (19/9) era apenas aparente. É que assim que os perfis oficiais cessaram a publicação de novos materiais, um perfil de autoria desconhecida (ou seja, um perfil fake) que já atendeu por pelo menos 4 nomes, sendo o último o sugestivo “estudantescomrosana10” começou a postar fotos e vídeos no que se configura em uma flagrante violação das normas eleitorias estabelecida pela comissão eleita pelo colegiado superior da UENF (ver imagens abaixo).

O fato é que ao agirem ao arrepio do que determina uma comissão eleitoral eleita pelo Conselho Universitário da Uenf, os criadores desse perfil agem claramente para minar as possibilidades de que o pleito que se inicia amanhã possa ocorrer de forma equânime.

Além disso, ao desprezar as regras estabelecidas pela Comissão Eleitoral, os criadores desse perfil que dissemina materiais que a estas alturas são ilegais em face das regras eleitorais aceitas por ambas as chapas certamente agem sob a certeza de que permanecerão impunes. 

Caberá agora aos representantes da chapa formada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende e Daniela Barros acionarem inicialmente a própria Comissão Eleitoral da Uenf para que este perfil seja descontinuado. Mas se isto não ocorrer de forma imediata, o mais provável é que a derrubada deste perfil tenha ocorrer por via judicial.

Como alguém que já participou de 7 eleições para a reitoria da Uenf desde 1998, eu realmente nunca presenciei nada como o que está ocorrendo nos últimos dias, sempre tendo como protagonistas pessoas ligadas à chapa do continuísmo.

Por fim, eu fico imaginando o que pensaria Darcy Ribeiro se ainda estivesse de tamanha afronta à democracia dentro de uma universidade que ele criou para servir como alicerce científico e da democracia. Certamente Darcy estaria primeiro envergonhado e depois furioso.

UENF: O que está em jogo?

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Por Douglas Barreto da Mata

Quem observa a universidade de um ângulo externo, e quem tem um pouco de apreço pelo que olha (eu tenho), não pode deixar de admitir que, qualquer que seja a escolha eleitoral da comunidade de lá, o que está em jogo é a própria sobrevivência da universidade… Não falo de sua estrutura formal, institucional, porque isso vai continuar, de um jeito ou de outro, como veio até aqui aos trancos e barrancos, como diria Darcy Ribeiro, em um título de um de seus saborosos livros…

Porém a  Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) não é um mero depósito de burocracias, trejeitos administrativos, e egos inflados e outros tantos frustrados…

A UENF nasceu para ser um farol civilizatório, um presente, por assim dizer, no meio da planície de uma das terras mais planas do Brasil, geográfica e intelectualmente falando, e depositária de um conservadorismo violento, tosco e arrogante, como poucos.

Não é demais lembrar que aqui a escravidão sobreviveu por anos após a abolição, e persiste até hoje, miseravelmente na mesma atividade econômica: a monocultura de cana…

Aqui, a luz elétrica que primeiro chegou iluminou pouquíssima gente…

Na terra chata, as usinas incineravam presos políticos, enquanto seus proprietários circulavam na cafonice indigente chamada de “colunismo social” (ou colonismo social), um tipo de subjornalismo de costumes que alcançou relevância no Brasil.

Enfim, nessa terra de bárbaros, economicamente decadente, que torrou 30 bilhões de reais sem que houvesse qualquer alteração estrutural na desigualdade social que a coloca ao lado de países africanos, a eleição da UENF é um momento de suma importância…

Quem olha hoje não pode dizer que a UENF se encontra em boas mãos…

A UENF hoje é só um amontoado de ressentimentos, futricas administrativas e produção intelectual e científica abaixo da média…

Se Cuba queria se vingar pelo péssimo tratamento dado aos seus médicos pela elite caipira brasileira, conseguiu, pelo menos, na tribo dos sociopatas de SW4.

Não posso afirmar que o professor Carlão será um reitor como eu espero…conheço alguns de seus posicionamentos políticos, e comungo com parte deles, ao mesmo tempo que compartilho com ele um grande amigo, Marcos Pedlowski.

Só o tempo dirá se ele é capaz de liderar a universidade em tamanha tarefa…

Por outro lado, sei que a manutenção do atual grupo na reitoria NÃO É OPÇÃO, a não ser que se opte pela eutanásia da universidade…

Eu tenho certeza, no entanto, que Carlão vai tornar a UENF aquilo que ela nasceu para ser:

Insubmissa, porque afinal, fazer ciência não é achar respostas (isso qualquer algoritmo já faz), mas saber fazer as perguntas certas…


*Douglas Barreto da Mata é Inspetor da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

No momento decisivo das eleições da reitoria da UENF, Flávio Serafini declara seu apoio à chapa Carlão e Daniela

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Em uma campanha marcada por seguidas tentativas de desqualificar a trajetória acadêmica e política dos professores Carlos Rezende e Daniela Barros, a verdade é que eles têm conseguido demonstrar que possuem a devida capacidade para reinserir a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) dentro dos circuitos científicos e políticos. 

Uma demonstração disso é a declaração de apoio do professor e deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) que coloca com clareza vários aspectos importantes da ação política desenvolvida por Carlos Rezende em prol dos segmentos que compõe a comunidade universitária da Uenf, a começar pelas demandas estudantis (ver vídeo abaixo).

Como bem explica Serafini, Carlos Rezende tem sido um parceiro importante na formulação de projetos de lei que buscam ampliar a base de sustentação para que seja possível manter estudantes pobres dentro de uma universidade pública. 

Com esse tipo de testemunho fica evidente que os componentes da chapa 30 possuem uma trajetória que os torna capazes de impulsionar a Uenf para tempos melhores do que temos vivido nos últimos 8 anos.

Compensações de carbono são insuficientes para a proteção das florestas tropicais, mostra estudo na Science

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Dos 18 projetos analisados ​​na África, na América Latina e no sudeste asiático, apenas o Peru registrou uma redução, ainda que modesta, do desmatamento de suas florestas tropicais em dez anos. Crédito da imagem: Serfor Perú, imagem no domínio público

Por Roberto González para a SciDev

[CIDADE DO MÉXICO]. Enquanto um estudo recente sugeriu revisar os métodos usados ​​para distribuir as compensações de carbono criadas para reduzir o desmatamento em países tropicais , devido ao seu escasso impacto, um grupo de comunidades indígenas no sul do México está obtendo bons resultados vendendo bônus de compensação de carbono utilizando metodologias mais rigorosas.

Apenas o 6º por cento dos créditos de carbono gerados por 18 projetos em países da América Latina, África e Sudeste Asiático estão associados a uma distribuição real de CO2 na atmosfera , segundo um estudo publicado na Science . Os autores sugerem revisar as metodologias que estão sendo aplicadas com a conclusão de que os projetos realmente cumprem os requisitos propostos.

Os mercados de carbono foram idealizados como uma medida de incentivo econômico às empresas e governos para reduzir suas emissões de gases de efeito invernal (GEI) que contribuem para o aquecimento global . A moeda de mudança neste mercado internacional são os créditos de carbono, cada um dos quais equivale a uma tonelada de CO2 .

Cada governo administra as empresas que operam em seu território uma quantidade de créditos de carbono para gastar. No entanto, se a indústria refinada for limitada, haverá a obrigação de comprar créditos para outras empresas, a fim de que elas sobren gracias a um gerenciamento mais eficiente do GEI que vierten.

Com o objetivo de evitar a degradação dos ecossistemas dos países em desenvolvimento, também foi considerada a possibilidade de gerar projetos que contribuam para evitar o desmatamento, financiados com bônus de carbono. Assim, cada tonelada de CO2 que não foi emitida para a atmosfera graças a uma determinada iniciativa se converte em um crédito de carbono que pode comprar alguma empresa que você precisa.

“Estamos vendendo bônus de carbono resultado do crescimento do bosque derivado das atividades que as comunidades realizam para o manejo florestal”.

Rosendo Pérez Antonio, Integradora de Comunidades Indígenas e Campesinas de Oaxaca no México (ICICO)

Esses projetos podem ser gerados por governos ou por particulares e podem ser denominados “ mercados voluntários ”. Dentro de cada parcela estão incluídos os locais para a redução de emissões devido ao desmatamento e degradação florestal analisados ​​pelo estúdio sob consulta.

Para saber quais são os benefícios do oferente, os desenvolvedores dos programas devem consultar as metodologias aprovadas pelo Padrão de Carbono Verificado . Isso consistia em realizar uma estimativa de como seria o avanço do desmatamento em uma área determinada, caso nenhuma intervenção fosse recebida; este cálculo é a chamada linha de base. Depois de gerar um cenário hipotético, isso contribuirá para o projeto para reduzir a degradação florestal. A diferença entre a linha de base e isso supõe que como resultado a quantidade de créditos de carbono gerados pelo projeto.

Para Thales West, engenheiro florestal e ecólogo que realizou a investigação publicada na Science , esses cálculos são baseados em suposições demais sem considerar variáveis ​​que afetam o desmatamento, como mudanças de governo ou políticas públicas.

Por outro lado, os modelos que usam são flexíveis: “Um bom modelador estadístico pode gerar qualquer tipo de linha de base que você deseja, ou pelo menos jogar com os dados para encontrar um que se ajuste bem ao projeto”, mensagem do SciDev.Net o investigador da Universidade de Amsterdã.

Ao usar metodologias rigorosas para calcular linhas de base mais realistas e observar quanto desmatamento foi realmente evitado, o equipamento encontrado que quase nenhum dos 18 projetos registrou uma redução significativa. Além disso, nenhum deles foi atingido pelo impacto projetado no início dos projetos.

Só no caso peruano houve uma redução de 686 hectares anuais no desmatamento (0,24%), em dez anos. Mas mesmo neste caso foi menor do que o inicialmente estimado, que era de 3.661 hectares ao ano. Por outro lado, a Colômbia conseguiu evitar o desmatamento de apenas 49 hectares anuais com a projeção de 2550.

Esta situação prejudica a credibilidade dos certificados de redução de emissões geradas por esses projetos, explica Verónica Gutman, economista ambiental argentina, que não fez parte da investigação.

“Por isso, cobre cada vez mais relevância os Sistemas de Pagamento por Resultados: se paga contra a verificação efetiva de quantas emissões de GEI se logrou reduzir o desmatamento evitado em relação a um nível de referência”. Isso implica que primeiro se implementou a iniciativa e depois que se calculou o desmatamento evitado com dados reais, e não com estimativas baseadas em supostos.

O caso de Oaxaca

Este é o caso da Integradora de Comunidades Indígenas e Campesinas de Oaxaca no México ( ICICO ), que agrupa 12 comunidades, e usa uma metodologia já existente, cuja aplicação é toda uma resposta porque implica uma inversão inicial forte e de muito risco, mas que viene gerando resultados promissores.

Atividades de reflorestamento realizadas em Maninaltpec, Oaxaca pelas comunidades de ICICO. Crédito da imagem: Cortesia de ICICO para SciDev.Net

“Estamos vendendo bônus de carbono resultado do crescimento do bosque derivado das atividades que as comunidades realizam para o manejo florestal ”, explica Rosendo Pérez Antonio um dos desenvolvedores do projeto.

Em 2013, a Conferência das Partes sobre Diversidade Biológica realizada em Cancún, México, incluiu 163 bônus de carbono para a ICICO para compensar o CO 2 emitido no transporte para os assistentes de 43 países diferentes.

O projeto mais recente da ICICO abrange 27.711 hectares e produziu o ano passado aproximadamente US$ 4,2 milhões pela comercialização de bônus de carbono que foram pagos diretamente às comunidades participantes, informa Rosendo.

E explica que, se bem o projeto assesor às comunidades no uso do dinheiro, eles quiserem tomar a decisão final sobre a cantidad a inverter para continuar os projetos de manejo florestal e o que se destinará a satisfazer suas necessidades.

“Eles vêm dos recursos que estão sendo roubados pela venda de benefícios como um incentivo para seguir realizando as atividades que vêm realizando desde há mais de 30 anos”, explica Pérez. “Os fatores para a conservação de esses bosques vão além dos recursos que você obtém. Ven al territorio como su casa, y como és su casa, la tienen que cuidar”, acrescenta.

No entanto, o retorno deste tipo de projeto é a inversão inicial, a venda dos certificados só pode ser levada a cabo após a implementação do projeto, explica Gutman. Sobre os mercados voluntários, concluímos que “certos aspectos podem ser aperfeiçoados […] são, em todo o caso, um dos instrumentos com os que se conhecem, mas por si só não conseguem alcançar a redução global de emissões que são necessárias para não superar os 2° de aumento de temperatura que estabelecem o Acuerdo de Paris”.

Acesse o resumo do estudo publicado pela Science


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Este artigo escrito originalmente em espanhol foi produzido pela edição da América Latina e Caribe do  SciDev.Net  e publicado [Aqui!].

Saiba por que o Sul do Brasil é mais suscetível à ocorrência de ciclones extratropicais

Segundo pesquisador do Inpe, explicação está na diferença de temperatura e umidade entre o continente e as águas do mar próximas à costa. Estudos apontam aumento da intensidade do fenômeno

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Os ciclones extratropicais são fenômenos meteorológicos comuns que se formam sobre o oceano ou o continente e costumam provocar muitas ondas quando estão sobre os oceanos. Contudo, podem ser devastadores quando ganham intensidade e tocam o continente, especialmente pela força dos ventos. Desde junho, ao menos quatro atingiram o Sul do Brasil. Mas por que essa região é aparentemente mais suscetível a esses fenômenos?

“Toda vez que passa uma frente fria, ela está associada a um ciclone extratropical”, explica o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Manoel Alonso Gan.

Dedicado desde 1988 ao estudo de ciclones extratropicais e temas relacionados, o pesquisador explica que nem todo ciclone é intenso e provoca ventos fortes o suficiente para provocar destruição. Os mais intensos costumam ocorrer na costa da região Sul do Brasil no período entre maio e setembro. Isso decorre da diferença de temperatura e umidade entre o continente e as águas do mar próximas à costa, ou seja, o deslocamento do ciclone do continente mais frio e seco em direção ao oceano mais quente contribui para que haja transferência de calor e umidade do oceano para a atmosfera.

“Neste ano, a temperatura da superfície do mar está ligeiramente mais alta do que a climatologia desta época do ano. Isso contribui para que o oceano forneça mais energia em forma de calor e umidade para a atmosfera e, assim, os ciclones podem se tornar mais intensos”, analisa o pesquisador.

Manoel Alonso Gan explica que o calor oriundo do oceano aquece o ar próximo à superfície. Como o ar mais quente é menos denso que o ar frio, fica mais instável e adquire um movimento ascendente. A queda da densidade favorece também a queda da pressão do centro do ciclone. Quando esse mecanismo ocorre, o fenômeno pode ficar mais intenso. Além disso, o ar sobre o oceano mais quente consegue armazenar mais umidade, e ao ascender para níveis mais altos da atmosfera, o vapor d’água esfria e muda para a fase líquida. “Durante esse processo, há liberação de calor, conhecido como calor latente, que aquece mais atmosfera e a torna mais instável e, assim, a pressão em superfície cai mais um pouco”, detalha.

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Mapas disponíveis no Inmet mostram a temperatura da superfície do mar ao longo da costa brasileira. Cada período dever ser comparado com a variação climatológica da época, para saber se as águas estão mais quentes ou não.

O pesquisador alerta que o fenômeno ocorrido no Rio Grande do Sul na semana passada não pode ser atribuído exclusivamente a um ciclone extratropical. “O ciclone não foi a única explicação para toda essa chuva.”

Segundo ele, concomitantemente, podem ter ocorrido o estacionamento de uma frente com ar quente e úmido vindo da região Amazônica e a formação de baixa pressão. Uma análise detalhada desse evento será feita pelo Inpe para avaliar todos os fenômenos e os fatores que ocorreram. “Faremos uma análise detalhada do caso para compreender com precisão os fatores que contribuíram para essa situação”, afirma Gan.

Não há dados disponíveis nos centros meteorológicos brasileiros que quantifiquem o número e a intensidade de ciclones extratropicais intensos que se formam ao longo do ano e passam pela costa da região Sul do Brasil. Contudo, de acordo com o pesquisador do Inpe, há variabilidade interanual, com anos com maior frequência e outros com menor formação de ciclones.

Ele acrescenta que alguns estudos têm mostrado tendência de redução na formação de ciclones extratropicais devido às mudanças climáticas. “No entanto, observa-se um aumento na frequência de ciclones mais intensos”, pondera o pesquisador.

A nota técnica emitida no fim de agosto conjuntamente por Inpe, Inmet e Funceme para os meses de setembro, outubro e novembro indica chuvas acima da média para o Sul do Brasil. Segundo a nota, a condição reflete a ação do El Niño.

Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia realize pesquisa para identificar revistas predatórias

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Revistas predatórias se caracterizam por diversas práticas, mas entre elas destaca-se o frequente envio de e-mails a pesquisadores prometendo rápida publicação de artigos científicos mediante pagamento de taxas. Com o intuito de mapear revistas que realizam esse tipo de prática, a equipe Miguilim têm feito esforços no sentido de compilar dados sobre elas.

Assim, o pessoal da equipe Miguilim está solicitando que pesquisadores brasileiros compartilhem com eles  os dados dessas revista através do seguinte link: https://forms.gle/Fs1pPK7vqg7rfyqb9

O pessoal da Miguilim informou que nenhum dado dos respondentes será coletado e que todas as informações recebidas serão utilizadas para fins estritamente acadêmicos.

Caso prefiram, os pesquisadores também podem encaminhar, para miguilim@ibict.br, os e-mails recebidos desse tipo de revista.

Por fim, a Equipe Miguilim solicita que, se possível, os pesquisdores também colaborem com a pesquisa divulgando-a entre os pesquisadores de seu ciclo de pesquisa, ou que conheça.

É importante lembrar que esta ação se insere no escopo do Diretório das revistas científicas eletrônicas brasileiras (Miguilim), um serviço criado e mantido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), que tem entre seus objetivos “Disseminar boas práticas editoriais à comunidade científica”.

Desmatamento do Cerrado ameaça segurança hídrica de todo o Brasil

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Chapada dos Veadeiros,  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Uns anos atrás, o rio aqui da gente só ia baixar bastante no final de agosto para setembro. Hoje não. Parou a chuva, com oito dias ele [nível do rio] já tá lá embaixo porque não tem mais quem sustenta as águas. Os brejos já diminuíram a vazão porque o Cerrado foi desmatado nas cabeceiras, não tem mais Cerrado.” A denúncia em forma de lamento é do agricultor Adão Batista Gomes, de 61 anos, que viveu toda a vida na zona rural do município Formosa do Rio Preto, no oeste baiano.  

O agricultor Jamilton Santos de Magalhães, de 40 anos, conhecido como Carreirinha, é líder comunitário em Correntina, também no oeste do estado, e conta que a morte de nascentes na região se tornou frequente a partir da década de 1990.  

“Começou o desmatamento, dois ou três anos depois começa o secamento das nascentes. Tem famílias que têm mais de 200 anos morando nesse território. Não tinha morte frequente de nascente antes”. 

A região onde Carreirinha e Adão moram é uma das que registra os maiores níveis de desmatamento do Cerrado, provocado principalmente pela expansão da fronteira agrícola do Matopiba, área que engloba parte dos estados do Maranhão, de Tocantins, do Piauí e da Bahia – o termo surge da junção da primeira sílaba desses quatro estados.

Considerado o berço das águas do Brasil, o Cerrado é a origem das nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas mais importantes do país. É também o segundo maior reservatório subterrâneo de água do mundo, formado pelos aquíferos Guarani e Urucuia. 

Além disso, fornece cerca de 70% da água do Rio São Francisco e 47% da água do Rio Paraná, que abastece a hidrelétrica de Itaipu. Suas águas são importantes ainda para Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Essas informações são do estudo publicado pela revista científica Sustainability que apontou os riscos que o desmatamento do bioma pode causar para a segurança hídrica e energética do país.  

Menos água

Um dos pesquisadores do estudo, o doutor em Ciências Florestais Yuri Salmona, explicou à Agência Brasil que as longas raízes das árvores típicas do Cerrado podem chegar a 15 metros de profundidade e fazem o bioma ser conhecido como “floresta invertida”. Essas raízes são responsáveis por levar a água das chuvas até o fundo do solo que, durante o período seco, vai liberando novamente a água.  

“Essa água vai se acumulando nesse subsolo ou escorrendo entre os rios. Ela vai abastecer o Paraná, o Jequitinhonha, o Araguaia, o Tocantins, entre outros rios. A quebra dessa dinâmica proporcionada pelo desmatamento, que interfere na capacidade de infiltrar essa água, faz com que a água escorra superficialmente, causando erosão, com excesso de vazão nas chuvas e escassez na seca”, explicou o diretor-executivo doInstituto Cerrados

Yuri alertou que a situação se agrava com o consumo de água para irrigação do agronegócio durante o período da seca. “Ele [agricultor] está inviabilizando o futuro do próprio negócio dele, porque a gente precisa do Cerrado em pé para continuar produzindo a água”, destacou.  

O estudo analisou o comportamento de 81 bacias hidrográficas do Cerrado, e calculou que essas bacias perderam, em média, 15,4% da vazão dos rios entre 1985 e 2022. Para 2050, a previsão da pesquisa é de que a redução na vazão das águas dessas bacias chegue a 34% do que já foi um dia, “mesmo com diminuição do desmatamento”. 

Exportação de água

“A água segue sendo exportada para China, União Europeia e Estados Unidos em forma de ‘água virtual’, ou seja: água consumida na produção dos grãos e carne”, cita a pesquisa referindo-se às commoditie exportadas pelo Brasil.

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), 49,8% da água consumida no país em 2019 foi com a irrigação da agricultura.  

A coordenadora do MapBiomas Cerrado Ane Alencar destacou que as outorgas para o uso da água no Cerrado não são transparentes. “A gente não sabe quais os critérios, se existe um limite para fornecer essas outorgas. Tem pouca transparência sobre isso”, destacou.  

“De fato, o que acaba acontecendo é que a água – que é um bem para ser usado por todos –, está sendo usada para a produção agrícola e acaba sendo exportada. A gente tá exportando um recurso natural super importante e fazendo o uso desse recurso de qualquer forma”. 

Crises de água  

Onde o uso da água é intenso na irrigação de larga escala, populações locais têm denunciado a redução das vazões dos rios, como no caso do município de Correntina (BA), onde milhares foram às ruas, em 2017, denunciar o uso excessivo de água pelo agronegócio.

Em 2018, moradores chegaram a tentar impedir a instalação de dragas em rios realizada por fazendeiros.

Na avaliação da coordenadora do Programa Cerrado e Caatinga do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) Isabel Azevedo, que trabalha apoiando comunidades tradicionais do Matopiba, as outorgas para uso de água e as autorizações para supressão da vegetação na região são fornecidas sem controle adequado.

“Está muito irregular esse sistema. O governo federal não está monitorando nada, está tudo por conta dos estados, é cada um por si e as secretarias ambientais são cooptadas pelo agronegócio”, denunciou.  

MMA

Em audiência pública no Senado no final de agosto, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva informou que a pasta está preparando um novo plano contra o desmatamento do Cerrado que deve ser colocado em consulta público neste mês de setembro. Ao mesmo tempo, Marina destacou que o plano não terá sucesso sem participação dos estados.  

“Considerando que mais de 70% dos desmatamentos que estão acontecendo no Cerrado têm a licença para desmatar, o que nós vamos precisar é, digamos, revisitar essas licenças para saber o nível de legalidade delas”, afirmou a ministra.

Nossa reportagem procurou a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), enquanto representantes do agronegócio, para comentar o desmatamento do bioma, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. (com Agência Brasil)


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Este texto foi inicialmente publicado pelo Jornal do Brasil [Aqui!].

Com uso itenso, inseto desenvolve resistência a três agrotóxicos no cultivo de cítricos no Brasil

Pesquisa do Fundecitrus em parceria com a Esalq/USP confirmou a fase inicial de resistência do psilídeo ao ingrediente ativo malationa

psilideoPsilídeo dos citros – O maior desafio da citricultura

Por Fundecitrus

Pesquisa do Fundecitrus em parceria com a Esalq/USP confirmou a fase inicial de resistência do psilídeo ao ingrediente ativo malationa, do grupo químico dos organofosforados, em algumas microrregiões do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. É o terceiro grupo químico que apresenta esse tipo de ocorrência comprovada. A resistência do inseto vetor do greening já foi constatada para os ingredientes bifentrina e imidacloprido, respectivamente dos grupos dos piretroides e neonicotinoides.

De acordo com a lista ProteCitrus, apenas a malationa consta como ingrediente ativo pertencente ao grupo dos organofosforados disponível para o uso no campo. Porém, há outros ingredientes ativos registrados para uso em citros e que não constam na lista, como acefato, clorpirifós, dimetoato, fosmete, metidationa e pirimifós-metílico. Os dados fazem parte de estudos conduzidos pelo engenheiro-agrônomo e pós-doutorando da Esalq/USP no Fundecitrus, Fernando Amaral. Para a constatação da resistência a essa molécula, Amaral avaliou em laboratório populações de psilídeos de quatro regiões do parque citrícola utilizando as gerações subsequentes dos insetos coletados no campo.

De acordo com ele, embora a resistência esteja comprovada nessas microrregiões, a ocorrência ainda não atingiu os mesmos parâmetros de ineficácia no combate ao psilídeo encontrados em produtos dos grupos piretroides e neonicotinoides. “Podemos dizer que é uma fase inicial do processo de evolução da resistência. Isso mostra, mais uma vez, que ocorreu uma alta frequência do uso desse ingrediente ativo sem a correta rotação com outros modos de ação ou uma dosagem abaixo do indicado na bula”, explica Amaral.

Neste momento, o citricultor deve ficar atento à incidência de ninfas e psilídeos adultos nos pomares. “Se observadas falhas de controle, o organofosforado deve sair temporariamente da lista de opções do citricultor para o manejo do inseto. Isso deve ocorrer até que haja, no futuro, o restabelecimento da suscetibilidade”, orienta.

Imagens de satélite são novidade para monitorar recuperação de áreas impactadas pela mineração em Carajás (PA)

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Foto: TV BRASIL / AGÊNCIA BRASIL

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O processo de análise de solos tradicionalmente pode ser dividido em três etapas: amostragem do solo, análise em laboratório e interpretação dos resultados, mas um grupo de pesquisadores foi além. Cientistas do Instituto Tecnológico Vale (ITV) utilizaram imagens de satélite para avaliar a recuperação ambiental no Complexo Mineral Carajás, no Pará. Por meio da análise de diferentes intervalos de ondas do satélite WorldView, as imagens indicaram que um dos locais, em recuperação há 8 anos, apresenta um índice de 97% de carbono estocado em relação ao solo de florestas nativas do local. O estudo foi publicado nesta segunda (11) na revista “Environment, Development and Sustainability”.

A novidade que permitiu o uso de satélite para esse tipo de estudo acelera a obtenção de informações sobre a degradação do solo, assim como sua recuperação. “Estudos de indicação de atributos do solo a partir de imagens de satélite vêm se consolidando. Porém, há limitação de estudos na Amazônia, especialmente em áreas degradadas pela mineração. A indicação e o mapeamento dos atributos do solo, como o estoque de carbono orgânico, devem reduzir os custos com o uso de produtos químicos utilizados em análises feitas pelo método convencional, além de melhorar a visualização dos dados em campo e auxiliar no monitoramento”, explica Silvio Ramos, pesquisador do ITV e um dos autores do estudo.

Carajás é a maior mina de extração de minério de ferro ao ar livre do mundo, explorada desde a década de 1970, causando relevantes impactos no solo e que estão em processo de recuperação. O resultado do estudo aponta o sucesso que iniciativas para recuperação ambiental podem ter diante da degradação causada por atividades como a mineração. “Apesar da importância do carbono no solo, algumas outras variáveis devem ser analisadas, como as relacionadas à vegetação, à biomassa vegetal e à atividade microbiana do solo”, ressalta Ramos.

Ramos relata que um dos principais processos para manutenção da fertilidade é a mineralização da matéria orgânica presente no solo. É a decomposição de matéria orgânica que garante os elementos essenciais para o desenvolvimento da vegetação e da biodiversidade. O artigo demonstra ainda que no solo em recuperação com elevado índice de carbono também havia um alto índice de elementos como nitrogênio, potássio e boro, muito presentes em solos de floresta nativa.

O estudo aponta que, conforme avançam as tecnologias para monitoramento de impactos no meio ambiente, como na Amazônia, também os processos de recuperação de áreas degradadas ficarão mais efetivos e menos onerosos. Apesar de não substituir a análise convencional, as análises de solo por satélite podem ajudar no manejo das áreas em recuperação em que não foram realizadas amostragens. Ou seja, o acompanhamento dos níveis de estoque de carbono no solo é importante para comparar com outras áreas de floresta e verificar se as ações e projetos de recuperação de determinadas áreas estão sendo adequados ou se precisam ser ajustados, atingindo os objetivos traçados e utilizando os recursos da melhor forma possível.

Fintech aprisiona microempreendedores em busca de empréstimos

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Além de coletar e utilizar comercialmente os dados dos usuários, a vigilância das plataformas digitais financeiras afeta o comportamento do consumidor e sua capacidade de decisão. Segundo artigo de pesquisadores da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) publicado na revista “Journal of the Association for Information System” no dia 02 de setembro, clientes de serviços personalizados de microcrédito ficam expostos a um ciclo de constante renovação dos empréstimos enquanto única oportunidade de inclusão social e financeira.

Os pesquisadores realizaram estudo de caso de uma fintech que atende microempreendedores no Brasil. Além de realizar entrevistas com o CEO e funcionários entre março de 2018 e janeiro de 2019, o trabalho partiu também da observação de uma região de atuação da empresa e baseou-se, principalmente, em dados secundários sobre a organização, como materiais de imprensa e relatórios de prestação de contas produzidos entre 2013 e 2019.

A inclusão financeira digital se apresenta como alternativa para facilitar o acesso ao crédito de pessoas de baixa renda e sem emprego formal, perfil considerado de risco por bancos tradicionais, explica o artigo. A produção científica tem destacado os aspectos positivos desses serviços, que oneram menos o cliente devido aos baixos custos de operação das fintechs. Mas, no contexto no capitalismo de vigilância, a inclusão social torna-se desafio individual, e não coletivo ou social, e depende de plataformas digitais sujeitas aos interesses do mercado financeiro, alerta a pesquisa.

Além de prever e controlar as ações dos usuários pelos dados de navegação e pagamento no celular, a chamada “inclusão financeira vigiada” conta com agentes de microcrédito que estabelecem relações de confiança com a comunidade. Esses funcionários criam conexão pessoal com o microempreendedor para assegurar a renovação constante do microcrédito, que é de curto prazo. Os valores são utilizados principalmente em capital de giro e crédito rotativo, apontam Érica Siqueira, Eduardo Diniz e Marlei Pozzebon, autores do artigo.

Os pesquisadores explicam que a baixa inadimplência, com taxa de repagamento entre 92 e 95%, torna o negócio lucrativo e de baixo risco para as fintechs. “Por um lado, esse crédito permite a expansão e valorização acelerada da plataforma financeira, mas por outro, pode colocar em risco o crescimento e expansão dos micros e pequenos negócios. Nesse sentido, nosso texto traz um alerta, para que as empresas privadas não operem apenas para transformar a pobreza e a falta de proteção social em um negócio rentável para elas”.

Os autores observam que modelos de inclusão financeira e microcrédito precisam ser repensados por profissionais e governos para que não reproduzam práticas de vigilância.  “É importante notar o quanto as plataformas digitais em geral têm aperfeiçoado seus algoritmos para aumentar sua rentabilidade por meio de práticas pouco éticas”, ressaltam. Para pesquisas futuras, eles destacam que é relevante ampliar o escopo de estudo de vigilância para incluir arranjos de tecnologias e agentes humanos. “Os agentes humanos não são meros coletores de informação, mas são elementos centrais em estratégias de vigilância”, completa Siqueira.