No aniversário da Uenf, Agenda Social lança nova edição

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A revista científica “Agenda Social” que é impulsionada pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da UENF (PGPS) acaba de lançar uma nova edição aproveitando o período de celebração dos 30 anos de funcionamento da universidade.

Essa edição traz um interessante artigo de um egresso do PGPS que é atualmente docente do Departamento de Serviço Social da UFF-Campos, o professor Carlos Antonio de Souza Moraes. Esse artigo é basicamente um guia para que futuras pesquisas no campo das políticas sociais que ainda se recupere do virtual processo de desmantelamento que foi realizado desde o golpe parlamentar de 2016 pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Outros artigos da edição versam sobre a questão do acesso à informação no âmbito do parlamento usando o caso da Assembleia Legislativa do Ceará e as contribuições e limites das ideias de Jessé Souza para que se entenda as relações sociais no Brasil.  Finalmente, há uma interessante resenha sobre um livro de Paulo, o “Conscientização: teoria e prática da libertação, uma introdução ao pensamento de Paulo Freire” que foi escrito enquanto o educador ainda estava no exílio que foi lhe imposto pelo regime militar de 1964.

Quem tiver interesse interesse em baixar esta edição da Agenda Social, basta clicar [Aqui!].

O Arquivo e a Universidade em ruínas…

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Por Douglas Barreto da Mata*

O que a decrepitude física e institucional do Arquivo Público Municipal e a atual situação da UENF têm em comum?

Tudo…

Podemos dizer que todo o marasmo intelectual, toda indigência de gestão e de política institucional da UENF pode ser reificada nas ruínas do Arquivo Público…

Não é um acaso…é consequência…

Sempre acompanhei a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) com um misto de admiração e ressalvas…

Sim, ressalvas que tenho a todo centro de produção de conhecimento que extrapola o poder inerente a ele (conhecimento) e cria hierarquias e cânones para, ao invés de democratizar os saberes, aprisioná-los para desfrute de poucos…

Darcy e Brizola sabiam desse perigo, intuíam isso…e criaram um modelo de Universidade que enfrentava a inclinação histórica das universidades à elitização…

Darcy já o fizera (ou ajudara a fazer) na UnB…

Por certo, eu sei que toda sociedade que conhecemos, falo das capitalistas, tende a criar elites econômicas e culturais, certamente…

Não dá para ter uma sociedade só de médicos, engenheiros, ou físicos nucleares…

No entanto, algumas sociedades nos ensinam que é possível dotar pessoas de diferentes graus de instrução, sem tornar essa diferença um abismo social instransponível, e/ou culturalmente hierárquico…

Bem, se você não concordar que existam tais sociedades no mundo, eu vos digo: há, pelo menos nos meus sonhos…

Esse foi o sonho de Darcy e de Brizola, e de tantos outros professores que compartilhavam e compartilham essa visão de mundo, que alguns insistem em chamar de antiquada…

É certo que talvez o sonho deles dois não coubesse no mundo de hoje, mas eu insisto…

O papel de uma universidade não é apenas de formar elites acadêmicas, mas fazer essas elites servirem à tarefa de propor novas formas de sociedade, e não se acomodar dentro delas…

Talvez por esse motivo eu tenha alguma esperança quando veja a candidatura do Professor Dr. Carlos Eduardo de Rezende, mais conhecido como Carlão, a Reitor da Uenf…

Posso falar um pouco da transição da Uenf, quando se libertou da tutela da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte), porque lá estive, na Fenorte, no breve governo Benedita da Silva…

A orientação era clara: livrar a Uenf das amarras, e consolidar um processo de autonomia, que seria ratificado logo em seguida…

Porém, ouso dizer que as distorções criadas pela famigerada fundação deixaram sequelas profundas…

Estas sequelas repercutem hoje, na forma subserviente como cada Reitor se comportou desde então a cada ocupante dos governos estaduais e locais…

Eu sei, eu sei que as questões orçamentárias impõem jogos e acordos políticos, truques e salamaleques…

Porém, a escolha desse caminho como o único, ou seja, do pires nas mãos, do chapéu, ou da latinha de moedas é uma lástima…

A Uenf mendiga porque esqueceu de se tornar relevante ao povo que a cerca…perdeu, digamos, a conexão…

Não falo de populismo, festinhas, convescotes…ou outros aspectos amenos de sociabilidade…

Falo de sintonia política com a sociedade e suas demandas, que às vezes existem, e nem a própria (sociedade) as conhece…

Sem ser arrogante, a Uenf tem que fazer as perguntas que ninguém quer fazer, propor caminhos que ninguém quer tomar, deixar de ser apenas uma entidade burocrática de titulação, ou de produção de conhecimento-umbigo-ambíguo…

Podemos dizer hoje que a Uenf está em situação pior que o Arquivo Público Municipal…

A Uenf, como idealizada por Darcy e Brizola, morreu…

Esse ciclo de poder que revezou lideranças medíocres e ambiente acadêmico tóxico, disputas mesquinhas e corporativas matou a Uenf…

A Uenf é hoje uma universidade que poderia ter João Dória ou Bolsonaro como reitor, ninguém sentira a diferença…

Que venha a nova Uenf com Carlão…

*Douglas Barreto da Mata é Inspetor da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Em seus 30 anos, a Uenf se defronta com imensos desafios e oportunidades

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Em junho de 2001, Leonel Brizola visitou o campus da Uenf para apoiar a luta pela nossa autonomia frente à hoje extinta Fenorte

Hoje teremos os festejos na data que foi escolhida para marcar o início formal das atividades da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  O aniversário de hoje é o trigésimo, e a efeméride será marcada com pompa e circunstância. Como alguém que chegou na Uenf em 1998, penso que essa jovem instituição se encontra, apesar da festa, em um momento crucial da sua existência, na medida em que atravessamos um longo inverno que tem sido marcado por um retração nas ambições intelectuais que foram impressas por Darcy Ribeiro no modelo institucional revolucionário que ele criou,

Mas também vejo uma enorme possibilidade que exatamente no ano em que completamos 30 anos, a Uenf possa ter um dos seus fundadores assumindo o cargo de reitor. A questão aqui é que precisamos retomar rumos que foram sendo paulatinamente abandonados, muitas vezes sob o silêncio de quem sabe que os rumos estão errados.  E para isso, ninguém melhor do que um dos que chegou em Campos dos Goytacazes para fincar raízes e transformar em realidade aquilo que Darcy idealizou.

Apesar dos dissabores e contratempos, sou daqueles que acha que a Uenf pode sim estar à altura do que foi sonhado por Darcy Ribeiro.  E o que Darcy sonhou não era e nunca será simples, pois ele delegou à Uenf um papel de transformação radical da realidade social e econômica vigente no Norte e no Noroeste Fluminense.  Essa transformação passava inclusive pela formação de profissionais que não seriam apenas excelentes tecnicamente, mas que também precisariam entender a necessidade de se ter uma consciência cidadã.  Mas que fique claro: Darcy com sua mente inquieta queria uma universidade que se desse como tarefa principal intervir nas abjetas condições sociais e econômicas em que a maioria do nosso povo vive.

Tenho plena consciência de que atravessamos uma transformação geracional na forma de produzir e assimilar conhecimento, onde as novas gerações estão expostas a tecnologias que eu só via nos filmes e desenhos de ficção enquanto ainda engatinhava nos meus primeiros anos de graduação na UFRJ. Esse contato é uma espécie de benção e maldição, já que acesso a essas tecnologias exige também foco para que a imensa potencialidade que elas trazem não se percam. Lamentavelmente, a Uenf não está hoje preparada para ampliar essa benção.

Entretanto, para vencer fazer a Uenf avançar no terreno em que Darcy Ribeiro preparou, vamos precisar mais do que fazer nossos estudantes se tornarem mais aptos a usar as potencialidades que as novas tecnologias fornecem.  É que dois dos piores obstáculos que qualquer instituição universitária vivencia atualmente  é a preguiça intelectual e a inaptência para novos desafios. Nesses quesitos é que a próxima reitoria vai ter que defrontar de forma efetiva ou será engolida pela mesmice que hoje reina de forma abundante. A verdade é que passada a festa de hoje, nos restará superar a imensa ressaca intelectual que se abateu sobre a Uenf, muito em um função de uma liderança que sequer entende a magnitude dos desafios que temos que continuar enfrentando para estarmos minimamente preparados as transformações que se avizinham, a começar por vivermos em um mundo assombrado pelas mudanças climáticas.

Quero dizer que realidade em que estamos é muito complexa, mas se olharmos com um mínimo de atenção o que os fundadores da Uenf deixaram como testamento intelectual, tenho confiança de que poderemos ser a instituição que eles idealizaram.

Longa vida à Uenf de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola!

Quando os cientistas recebem gato por lebre: o caso das revistas sequestradas

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Por Fita Gallent Torres e Ruben Comas Forgas  para o “The Conversation”

Periódicos predatórios são uma das práticas ilegais mais conhecidas no sistema de publicação científica, mas não são as únicas. Existe uma forma de fraude mais sofisticada e perigosa : jornais sequestrados .

Esses são sites fraudulentos que clonam periódicos legítimos fazendo-se passar por eles, tentando enganar pesquisadores desavisados, fazendo-os pensar que podem obter uma publicação rápida e fácil em um periódico respeitável em troca de dinheiro. Na realidade, eles estão postando seus trabalhos em um simples portal da web. Eles receberam um porco por uma cutucada.

Tudo começou em 2011, quando um cibercriminoso registrou um domínio expirado (sciencerecord.com) para hospedar sete periódicos fraudulentos e três periódicos sequestrados. Desde então, o aumento dessa prática não foi isento de preocupação. Esse registro foi seguido por muitos outros que, embora fossem casos isolados, logo abriram a caixa de Pandora.

Em 2014, foi publicada uma lista de 19 revistas sequestradas . Apenas um ano depois, esse número chegou a 90 .

Atualmente, graças ao trabalho de alguns pesquisadores que procuram lançar luz sobre esse fenômeno, o número de periódicos clonados identificados já ultrapassa 200. O número real é seguramente muito maior, mas a natureza dessas publicações – que são criadas e desaparecem em um questão de alguns meses – dificulta a identificação.

Como identificar uma revista sequestrada?

Periódicos predatórios violam os direitos intelectuais de periódicos legítimos e comprometem a transferência de conhecimento. Por isso, é importante conhecer os traços que os definem e as estratégias que utilizam para enganar os pesquisadores.

Aqui estão alguns deles:

  • Eles sequestram a identidade de periódicos legítimos copiando literalmente seus títulos e ISSNs e até mesmo registrando domínios expirados de periódicos respeitáveis.
  • Eles podem tirar proveito de revistas legítimas publicadas em formato impresso para oferecer a falsa versão digital delas.
  • Eles reciclam artigos idênticos para criar um arquivo fictício na revista sequestrada para atrair a atenção de autores em potencial.
  • Eles não fazem revisão por pares.
  • Eles usam como álibi os perfis de editores e pesquisadores famosos na área de especialização da revista e os incluem em seus conselhos editoriais sem seu conhecimento ou consentimento.
  • Eles fornecem fatores de impacto falsos.
  • Eles conseguem indexar conteúdo adulterado em bancos de dados internacionais como Scopus e Web of Science.

Recomendações para evitar ser enganado

Identificar uma revista sequestrada pode ser uma tarefa árdua. Por isso é importante atender às recomendações dos especialistas antes de enviar um manuscrito. Alguns deles estão listados abaixo:

  1. Verifique se o endereço da revista na web corresponde ao revisado em bases de dados confiáveis, índices bibliográficos ou diretórios reconhecidos. Da mesma forma, e em paralelo, consulte a página WHOIS , através da qual se verifica o registo e a disponibilidade de um domínio.
  2. Baixe e avalie outros artigos publicados na revista. O pesquisador apreciará sua baixa qualidade, pois não foram submetidos a uma revisão por pares.
  3. Conheça as políticas das revistas quanto aos processos de avaliação e edição, taxas de publicação, custódia de arquivos e direitos autorais.

Por fim, cabe destacar que a publicação nesses periódicos ilegais, cujas páginas na internet desaparecem de um dia para o outro, traz consequências desagradáveis ​​para o pesquisador (descrédito de sua imagem, perda de sua produção científica, prejuízos aos editais de promoção profissional e acadêmica, fraude monetária).

É também uma queixa das revistas legítimas, que as publicações que as suplantam desacreditam, colocando em risco a confiança dos leitores sobre o que consomem.

É importante, pois, que as universidades, os centros de investigação e a comunidade acadêmica tomem as medidas necessárias para evitar essas estafas, den a conhecer esses negócios fraudulentos e acionar os protocolos de atuação pertinentes para proteger e garantir o conhecimento científico e o trabalho de os pesquisadores.

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Este artigo é parte do Projeto de Inovação Pedagógica, nº. referência PID222452, financiado pelo IRIE da Universitat de les Illes Balears, e o projeto “Congressos, revistas e editoras predatórias: desenho de um programa de formação para estudantes de pós-graduação”, financiado pela Universidade Internacional de Valência (VIU). Também faz parte das ações da Rede Ibero-Americana de Pesquisa em Integridade Acadêmica (Red-IA).


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Este artigo escrito originalmente em espanhol foi publicado pelo “The Conversation” [Aqui!  ].

Ameaça contra a vida: Senado pretende votar Pacote do Veneno

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Por Roberta Quintino l Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

O Senado Federal está prestes a tomar uma decisão crucial que afeta profundamente a saúde pública, o meio ambiente e a busca por um futuro mais sustentável. O Pacote do Veneno, cuja votação pode acontecer a qualquer momento, traz um conjunto de medidas que impõe retrocessos e danos irreparáveis à biodiversidade, à saúde humana e ao desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Em maio, atendendo mobilização popular, materializada no requerimento nº 152/2023, de autoria da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o Projeto de Lei nº 1.459 de 2022 – Pacote do Veneno – foi enviado para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) na perspectiva do aprofundamento do debate em torno da proposta, o que até o momento não aconteceu. Porém, há rumores de que o relatório está sendo finalizado e em breve deve ser apreciado pela CMA. E o mínimo que se espera é que um ciclo de audiências ocorra para o devido debate da matéria e do parecer do relator, Fabiano Contarato.

Embora a posição da Campanha, baseada nas entidades que a compõem, seja de que o PL não tem conserto, é fundamental que, além da CMA, o debate sobre a proposição ocorra em outras comissões antes de ser pautado em plenário. Para a Campanha, a votação precipitada do Pacote do Veneno significaria a continuidade de uma política de destruição e morte como a do governo anterior. 

Não podemos ignorar ainda o fato de que diversos agrotóxicos proibidos em outros países são usados livremente no Brasil. A aprovação do Pacote do Veneno não apenas ignora essa realidade, mas também sinaliza um desrespeito às normas internacionais de segurança alimentar e saúde ambiental. O que deveria estar em discussão no momento, é o banimento efetivo desses agrotóxicos e não a liberação de mais veneno nos corpos e na mesa da população.

Além disso, os agrotóxicos, que têm sido reconhecidos como altamente prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana, recebem benefícios fiscais bilionários, uma contradição gritante, pois está na contramão da busca por uma agricultura mais saudável e sustentável.

Cabe destacar que o uso de agrotóxicos gera despesas orçamentárias para a seguridade social, impactando o Sistema Único de Saúde – SUS, por meio de casos de intoxicação, tratamentos de cânceres e problemas de saúde crônicos. Nesse sentido, o governo não deveria desonerar o setor do agronegócio responsável por sobrecarregar o sistema de saúde. Pelo contrário, estes produtos devem ser tributados considerando sua periculosidade e seus consequentes impactos econômicos e sociais.

O Pacote do Veneno apresenta-se como uma ameaça direta aos esforços de proteção do meio ambiente, promoção da saúde e combate à crise climática. Desta forma, é  urgente rejeitar o Projeto de Lei nº 1.459 de 2022 e direcionar o Brasil para um caminho de sustentabilidade, saúde e progresso através de políticas de redução dos agrotóxicos e de promoção da agroecologia.


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Este texto foi publicado pela “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” [Aqui!].

Marcos Bacellar aplica uma ” Matryoshka” e explicita a miséria da política em Campos

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Os leitores deste blog sabem que este espaço não trata as querelas políticas em Campos dos Goytacazes como um elemento central daquilo que é aqui publicado. É que salvas raríssimas exceções, a situação aqui é de penúria completa, pois falta aos que participam da seara partidária qualquer traço de qualidade para enfrentar os graves problemas sociais que existem em uma dos municípios mais ricos da América Latina.

Mas as últimas manifestações do ex-vereador Marcos Bacelar contra a ex-governadora Rosinha Garotinho inauguram um ponto mais baixo no fundo do poço da política local, mostrando que aquilo que é ruim sempre pode ficar pior, como diz a primeira lei de Murphy.

A questão que precisa ficar clara é que ao partir em seu estilo “arrasa quarteirão” contra a ex-governadora e seu marido, respectivamente mãe e pai do atual prefeito, o ex-vereador e pai dos presidentes da Alerj e da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes está obviamente tentando realizar uma operação ” Matryoshkaque envolve distração e enganação para atingir um determinado fim. No caso a  Matryoshka de Bacellar pai é tentar tirar do fogo o seu filho presidente da Alerj que foi pego vivendo, inexplicavelmente, em condições de fausto absoluto.

Se Bacellar pai terá sucesso eu não sei, provavelmente não, mas o risco político dessa  Matryoshka é alto, pois o eleitorado campista aceita de quase tudo, mas provavelmente não irá receber bem o tipo de ofensa com que ele presenteou Rosinha Garotinho.

Eu só não entendi direito a declaração do prefeito-filho que disse que não iria entrar em briga que não era sua quando começou a confusão entre seu pai e o clã Bacellar. É óbvio que essa briga sempre foi dele, pois o pai Anthony Garotinho certamente não agiu em interesse pessoal. Mas vamos ver o que fará Wladimir depois do tipo de ofensa que foi arremessada contra sua mãe.  Se fosse contra a minha, eu sei que não ficariam elas por elas. Mas eu não sou o prefeito e, por isso, esperemos.

Agora, pobre Campos dos Goytacazes que tem a classe política que tem.

Avabrum participa do primeiro episódio do podcast Meu Ambiente, do MPMG

Programa de estreia abordou o tema Tragédias em Mariana e Brumadinho: muito além da lama

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Gravação do podcast “Meu Ambiente”. Na imagem estão a presidente da Avabrum Alexandra Andrade, a jornalista Daniela Arbex e o procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior. Foto: Reprodução redes sociais.

Com objetivo de tratar de temas ligados ao Meio Ambiente de forma leve e informativa, foi lançado na quinta, 10/08, o podcast Meu Ambiente, na Procuradoria-Geral de Justiça, em Belo Horizonte. O projeto é uma parceria da Rádio Itatiaia com a Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e será apresentado pela jornalista e advogada Patrícia Diou.

O primeiro episódio do Meu Ambiente abordou os rompimentos das barragens em Brumadinho e Mariana, e contou com participação dos convidados Alexandra Andrade, presidente da Avabrum (Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão Brumadinho); Daniela Arbex, jornalista e escritora do livro “Arrastados: os bastidores do rompimento da barragem de Brumadinho, o maior desastre humanitário do Brasil”; e Jarbas Soares Júnior, procurador-geral de Justiça de Minas Gerais.

O bate-papo buscou debater as seguintes perguntas: “Após anos das tragédias, como se encontram as vítimas? As cidades voltaram ao que eram antes? O que foi feito pelas pessoas atingidas e pelo meio ambiente nos entornos? A justiça está sendo feita?”

“É uma oportunidade de contar tudo o que vivemos desde o dia 25 de janeiro de 2019, e um pouco também da nossa luta, que tem a ver com a questão ambiental: em Brumadinho, o meio ambiente foi muito impactado, além das 272 vítimas fatais”, disse Alexandra Andrade.

A presidente da Avabrum explicou que a saúde dos familiares das vítimas está abalada, e contou que a maioria adoeceu e passou a fazendo tratamento psicológico.
 

Alexandra Andrade, presidente a Avabrum, e Jacira Costa, da diretoria

Ao ser questionada por Patrícia Diou sobre o sentimento dos familiares por conta da demora no processo judicial, Alexandra respondeu: “A impunidade não pode ser precedente para o crime tornar-se recorrente. Infelizmente, se, em Brumadinho, não houver punição das pessoas responsáveis, e das empresas, vai acontecer de novo”.

O podcast ainda abordou a questão das indenizações: “As pessoas acham que, porque teve a indenização, o sofrimento, a dor e a saudade acabaram. Mas não é isso. Nós temos familiares que estão morrendo de tristeza!”, contou Alexandra. Questionada sobre fraudes em pedidos de indenizações, ela criticou, lembrando que foi um crime brutal e cruel e três vítimas ainda não foram encontradas. “O que a gente pede quando conversa com o governo é que reforce a fiscalização e olhe mesmo quem tem direito e quem não tem, porque é um dinheiro muito triste, de sangue e lama”, afirmou.

O podcast Meu Ambiente vai ao ar a cada 15 dias. Ele está disponível nos principais streamings e também no YouTube. Clique aqui e assista o primeiro episódio na íntegra.

O “novo” PAC de Lula já nasce velho

Brasil coloca em prática programa econômico abrangente: bilhões também vão para áreas que prejudicam o clima, enquanto o agronegócio continua poderoso

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Assim deve ser no futuro: Cultivo industrial de soja em Morro Azul (4 de abril de 2022)

Por Norbert Suchanek para o JungeWelt

A tinta da “Declaração de Belém” ainda não havia secado quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou seu novo programa de investimentos do PAC no Rio de Janeiro na sexta-feira. Na declaração, o Brasil e seus estados vizinhos na região amazônica assumiram um compromisso não vinculante com a proteção e sustentabilidade do clima e das florestas tropicais. O PAC para impulsionar o crescimento econômico, por outro lado, inclui metas concretas e prevê investimentos de nada menos que 1,4 trilhão de reais (quase 300 bilhões de euros) até 2026 e outros 300 bilhões de reais a partir de então.

Grande parte desses investimentos, que envolvem todos os ministérios, é destinada à conversão ecológica, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na apresentação do projeto. O novo PAC será “mais verde” do que o primeiro programa lançado por Lula há 15 anos. Os protecionistas das florestas tropicais e do clima ainda esfregam os olhos. Despesas com saúde, treinamento, assuntos sociais, desenvolvimento urbano, expansão da internet, melhoria da eliminação de resíduos e esgoto, bem como abastecimento de água potável também estão planejadas, mas uma grande parte do dinheiro realmente vai para projetos que dificilmente são ecologicamente corretos ou climáticos. .

Assim, o setor de defesa recebe 53 bilhões de reais. Grande parte disso vai para a compra de 34 caças suecos »Gripen« e a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro, que foi decidido em 2008, e o porto submarino associado às portas do Rio de Janeiro. “Um futuro promissor para as Forças Armadas brasileiras”, comentou o jornal militar Defesa em Foco . Diz-se oficialmente que o Brasil precisa do submarino movido a energia nuclear para defender sua “Amazônia Azul”, sua “Amazônia Azul” – o espaço marítimo acima da plataforma continental rica em recursos e sua zona econômica marinha.

A empresa semi-pública de petróleo e gás Petrobras receberá investimentos de 300 bilhões de reais. O programa de expansão da infraestrutura de transportes no novo PAC também é pouco favorável ao clima. Aqui estão destinados 349 bilhões de reais para a construção e ampliação de rodovias estaduais e federais, rodovias, hidrovias, portos, ferrovias e aeroportos, especialmente na região amazônica e no nordeste. O foco da planejada reforma e extensão das estradas vicinais com mais de 11.000 quilômetros de extensão são as regiões produtoras de soja, a fim de levar a colheita aos portos de exportação de forma mais rápida e barata. Isso também inclui a “linha férrea da soja”, a chamada Ferrogrão, que tem sido duramente criticada por protetores da floresta tropical e povos indígenas.

A linha férrea de 933 quilômetros, planejada para ser paralela à atual rodovia BR-163 no sul da Amazônia, conectará a região produtora de soja e milho de Sinop, no Mato Grosso, com o novo porto de exportação de Miritituba, no rio Tapajós, no estado do Pará e reduzir os custos de transporte para as empresas agrícolas. Segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, o Ferrogrão atravessará diversas áreas indígenas na bacia do rio Xingu e levará ao desmatamento de mais de 230 mil hectares de floresta tropical até 2035. A Associação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) comemorou a decisão do novo governo de implantar o Ferrogrão, que já havia sido planejado em 2012, no segundo mandato de Lula, segundo informou ao Oliberal.com um porta-voz da associação.

“Aparentemente, em seu terceiro mandato, Lula mantém suas velhas ideias de desenvolvimento econômico que continua beneficiando latifundiários, mineradoras e multinacionais brasileiras”, comentou Marcos Pedlowski, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Os graves problemas da maioria pobre da população não só ficarão sem solução, como também se agravarão


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Este artigo escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “JungeWelt” [   ].

‘Uma desgraça absoluta’: 90% dos habitats fluviais mais preciosos da Inglaterra arruinados por esgoto bruto e poluição agrícola

Investigação do Observer revela o estado chocante dos locais de água doce protegidos do país de interesse científico especial

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O rio Eden em Cumbria tem 35 trechos de água que são habitats protegidos, mas nenhum deles está em condições favoráveis. Fotografia: John Morrison/Alamy

Por Jon Ungoed-Thomas e Maximilian Jenz para o “The Guardian”

Mais de 90% dos habitats de água doce nos rios mais preciosos da Inglaterra estão em condições desfavoráveis, prejudicados pela poluição agrícola, esgoto bruto e captação de água, revela uma investigação do Observer .

Nenhum dos cerca de 40 rios com habitats protegidos na Inglaterra está em boas condições gerais de saúde, de acordo com uma análise de relatórios de inspeção do governo . Estes incluem o rio Avon em Hampshire, o Wensum em Norfolk e o Eden em Cumbria.

Números recentes do governo mostram que apenas 9,9% desses habitats em locais de interesse científico especial (SSSI) estão em condições favoráveis. O status SSSI abrange habitats de água doce, juntamente com florestas, pântanos e pântanos próximos. Em comparação, 59,4% dos habitats protegidos nas costas e estuários estão em condições favoráveis. A análise do Observer sugere que os habitats de água doce estão mais ameaçados por causa de um coquetel de poluição do escoamento agrícola, descargas de esgoto e microplásticos, além de intervenções humanas prejudiciais, como a dragagem.

Das 256 avaliações de habitats de água doce em 38 rios ingleses que são SSSIs, apenas 23 (9%) estavam em condições favoráveis, o que significa que estão em um estado saudável e estão sendo conservados por manejo adequado.

“É uma desgraça total”, disse Charles Watson, fundador e presidente da instituição de caridade River Action , que aumenta a conscientização sobre a poluição dos rios e a necessidade de soluções. “Estas deveriam ser as bacias hidrográficas mais protegidas do país, mas houve uma falha total de regulamentação.”

Algumas das seções do rio SSSI não são inspecionadas desde 2010 por falta de fundos. Voluntários em todo o país estão medindo a qualidade de seus rios locais e exigindo ações para combater o que eles afirmam ser o regime de inspeção inadequado do governo.

Os ativistas acreditam que o governo não está levando o problema a sério o suficiente. As SSSIs destinam-se a proteger as áreas mais importantes do patrimônio natural da Inglaterra, e a Natural England , a entidade reguladora da conservação, tem o dever legal de protegê-las. Mas quando o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra) foi questionado pelo Observer há mais de uma semana sobre “uma lista de rios na Inglaterra que são locais de especial interesse científico e seu status atual”, respondeu que era incapaz para “obter este conjunto de dados específico”.

No rio Avon, um dos riachos de giz mais diversos do país, que nasce em Wiltshire e deságua em Hampshire, há 17 trechos de rio e córregos que são habitats protegidos e apenas dois estão em condições favoráveis. “A qualidade da água falha em vários indicadores”, disse uma avaliação de setembro de 2021.

O rio Wensum, que flui desde sua nascente no noroeste de Norfolk até sua confluência com o rio Yare, apresenta concentração excessiva de fosfato em todos os pontos onde há dados de monitoramento. O excesso de nutrientes na água pode causar o rápido crescimento de certas plantas e proliferação de algas que danificam os habitats.

O rio Eden e seus afluentes em Cumbria têm 35 trechos de água que são habitats protegidos. Nenhum está em condições favoráveis. As avaliações encontraram barreiras físicas à migração do salmão e vários trechos “excedendo a meta de fósforo”. Uma instituição de caridade, a Eden Rivers Trust , tem trabalhado para proteger e restaurar o rio.

Os seis trechos do rio Itchen em Hampshire que são unidades SSSI são todos classificados como desfavoráveis. Um documento da Natural England diz que “as medições da qualidade da água mostram que as concentrações de fósforo estão excedendo as metas na maioria das unidades”.

Todos os quatro trechos avaliados no rio Kennet, afluente do rio Tâmisa, são classificados como desfavoráveis, mas são considerados em recuperação com estratégia de melhorar a saúde do rio.

Uma avaliação da Natural England de junho de 2022 diz que os problemas de longo prazo foram baixo fluxo de água, descargas de sistemas de tratamento de esgoto e modificação de canais, como dragagem.

A condição do rio Wye foi rebaixada em maio, após uma campanha sobre o impacto da criação intensiva de galinhas e após amostragem do rio por voluntários. Todos os sete trechos do Wye avaliados como SSSIs estão agora “em declínio desfavorável”, juntamente com todas as quatro unidades SSSI em seu afluente, o rio Lugg. O rio Wye está apresentando declínio no salmão e no lagostim de garras brancas, enquanto a qualidade da água no Lugg diminuiu.

A Agência Ambiental e a Natural England têm um programa conjunto de restauração de rios para cerca de 30 rios e suas bacias hidrográficas, cobrindo a maioria dos principais rios SSSI com projetos em andamento em todo o país. O trabalho inclui esquemas ambientais com o objetivo de restaurar o Avon, Eden, Wensum, Kennet, Itchen, Wye e Lugg. O Centro de Restauração do Rio, que assessora o governo no programa, disse que mais recursos são necessários.

Uma avaliação dos corpos d’água publicada sob a diretiva-quadro da água da UE em setembro de 2020 mostrou que a proporção de rios na Inglaterra com bom estado ecológico era de 14% , mas nenhum alcançou bom estado para produtos químicos.

Um rio deve ser considerado bom em ambas as categorias para ser classificado como bom no geral, portanto, nenhum rio atendeu aos critérios.

As datas-alvo do governo para que os corpos d’água atinjam um bom estado químico e ecológico variam de 2027 a 2063.

O presidente da Natural England, Tony Juniper, disse: “Temos uma sorte incrível de ter tantos rios fantásticos na Inglaterra – incluindo quase todos os preciosos riachos de giz do mundo – e muitos desses rios são protegidos por causa de suas características naturais excepcionais.

“No entanto, a maioria está sob enorme pressão, desde a superabstração até a poluição química e da modificação física, até agora, também, os efeitos do aquecimento global. Muitas das pressões que causam o declínio da saúde do rio, como o escoamento de campos, podem surgir a alguma distância de nossos locais de interesse científico especial, mas ainda assim causam danos.

“É por isso que uma abordagem integrada é essencial para restaurar nossos rios – trabalhando em conjunto com parceiros para fornecer soluções que funcionem para agricultores, proprietários de terras e indústria e o meio ambiente do qual todos nós dependemos.”

“Trabalhar ao nível de bacias hidrográficas inteiras é uma parte essencial desta abordagem integrada, reunindo ações no tratamento de águas residuais, captação, agricultura, habitação, infraestrutura e restauração de habitat físico para criar rios resilientes aos impactos climáticos.

“Estou muito satisfeito com o fato de o governo estar cada vez mais focado em ações em escala de captação, o que ajudará a cumprir a meta nacional de restaurar todos os locais protegidos, incluindo rios SSSI, a condições favoráveis ​​até 2042.”

Um porta-voz do Defra disse que seus próprios números publicados mostrando as condições das unidades SSSI ao longo dos rios eram estatísticas “experimentais”.

Eles disseram: “No geral, 89% dos habitats prioritários estão em condições favoráveis ​​ou se recuperando. Mas nossos rios e riachos de giz raros são extremamente importantes para as comunidades e para a natureza – assim como os locais protegidos por onde correm – e é por isso que estamos priorizando sua recuperação.

“Nosso plano de melhoria ambiental , publicado em janeiro, marcou uma mudança radical em como cumprimos nosso compromisso de restaurar 75% de nossos locais protegidos para uma condição favorável até 2042 – estabelecendo uma meta provisória para mudar as coisas agora, ajudando a natureza a se recuperar, e nos colocando no caminho certo para atingir essa meta até 31 de janeiro de 2028.

“Nosso plano para a água estabelece como enfrentaremos todas as fontes de poluição da água, juntamente com investimentos adicionais, regulamentação mais forte e fiscalização mais rígida contra aqueles que poluem. Além disso, nosso plano de redução de descargas de enchentes pluviais estabelece novas metas rígidas para as empresas de água e prioriza a ação em locais ecologicamente importantes – como SSSIs – para que os transbordamentos nessas áreas sejam resolvidos. Continuaremos a trabalhar com a Natural England e outros parceiros para conduzir ações que devolvam nossos locais protegidos a condições favoráveis”.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Impactos climáticos: as lutas e conflitos para se adaptar

Lidar com os efeitos da mudança climática está se tornando uma questão cada vez mais central – e abriga um potencial infinito de conflito

267851Deslizamento de terra na Noruega após fortes tempestades. Foto: AP/Cornelius Poppe

Por Deixe Thiele para o “Neues Deutschland”

Na diplomacia climática internacional, as questões de adaptação à crise climática têm sido uma vertente central das negociações. O semáforo acaba de submeter uma lei de adaptação climática ao Bundestag. Sem surpresa, concentra-se em aspectos técnicos, por exemplo, prescrevendo a consideração de impactos climáticos na construção pública e no planejamento de infraestrutura – sem critérios rígidos. No entanto, metas mensuráveis ​​devem seguir.

Lidar com a crise climática, sem dúvida, requer genialidade da engenharia. E, de fato, a adaptação há muito é planejada silenciosamente, onde quer que as consequências das mudanças climáticas possam ser reconhecidas com sobriedade, longe de debates públicos e armadilhas políticas – em empresas, empresas de infraestrutura e administrações municipais, na agricultura, nas forças armadas.

Mas os canteiros de obras muito mais profundos serão sociais. É preciso adequar o modo de vida e de produção – para maior resiliência, diferentes ritmos de trabalho, gerenciamento de desastres como tarefa permanente . Mas como? Todo ajuste concebível significa conflito: sobre a distribuição de recursos, condições de trabalho, co-determinação, privilégios. Mas quando se trata das condições em que ocorrem os ajustes, o modo dominante continua sendo o da repressão e da destematização. Cada vez mais agressivo, como no campo liberal-conservador, ou gentil e meio envergonhado, como no espectro de centro-esquerda.

Discutidas abertamente ou não, as lutas para se conformar estão se tornando os conflitos políticos centrais deste século. Eles intervirão em todas as áreas da vida, sobreporão todas as linhas políticas de conflito, serão negociados em todos os lugares. Um abastecimento de água cada vez mais escasso é distribuído de forma justa ou apropriado pelas corporações? A sesta do meio-dia é travada para proteger a saúde nos países cada vez mais quentes da Europa Central , contra toda a tradição protestante? Como o regime europeu de fronteiras reage aos chamados refugiados climáticos? Quem paga pela proteção civil, quem paga pela reconstrução após o próximo desastre? Quem arca com os custos nos países dramaticamente afetados do Sul Global, que quase nada contribuem para a crise climática?

Graças ao desenvolvimento dinâmico da crise climática, as lutas de adaptação estão se tornando um fenômeno permanente. Se o estado da luta contra o aquecimento global pode ser lido de forma bastante objetiva a partir dos valores de CO2 e temperatura, as complexas lutas de adaptação tornam-se mais confusas e menos “perdidas” ou “ganhas” em sua totalidade.

Há muito tempo estamos no meio disso: em todas as lutas culturais contemporâneas e tendências de fascização, as questões de assimilação desempenham um papel importante – às vezes mais, às vezes menos explicitamente. Isso talvez seja mais vívido nas fronteiras externas da UE. O acordo sobre uma restrição drástica do direito de asilo também deve ser entendido como uma preparação para um mundo em que cada vez mais pessoas fugirão. A narrativa dos “refugiados climáticos” é muito simplista, ignorando os conflitos locais e as relações econômicas globais desiguais, mas: As catástrofes climáticas sem dúvida aumentam a dinâmica do deslocamento. Aqueles que agora declaram que não há alternativa à execução duma hipoteca também sabem disso.

Para a justiça climática, as lutas de adaptação são, em última análise, mais decisivas do que as de redução de emissões: um clima instável significa um caos duradouro, mas no final depende de como a sociedade lida com isso. Um mundo de dois graus pode significar realidades de vida coletiva completamente diferentes. Existe o modelo autoritário “Fortaleza Europa” – e existe um modelo solidário de segurança local de abastecimento e forte infraestrutura pública com fronteiras abertas. O drama do século 21 acontecerá entre esses pólos.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland [Aqui!].