Valorização da Cultura e do Patrimônio em destaque na Casa de Cultura Villa Maria

🏛️A Casa de Cultura Villa Maria recebe entre os dias 29 e 31 de outubro o III Encontro de Estudos do Patrimônio Cultural, realizado pela @diretoriadecultura_uenf em parceria com o @iffluminense.

📌 Com a temática “Sons ancestrais, futuros possíveis: ofícios, poéticas e valorização cultural”, o encontro propõe um espaço de debate e reflexão sobre a riqueza e a complexidade das expressões culturais da região.

📝 A iniciativa vai reunir órgãos importantes na atuação pela preservação do patrimônio histórico e cultural na região e em todo o Estado, como @mis.rio, @museuhistoricodecampos , @arquivodecampos, @patrimonioinepac , @iphangovbr , @uenf_oficial , @iffcamposcentro @iffguarus. Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos (COPPAM) e Instituto e @ihgcg.rj .

⚠️ Spoiler: Logo no primeiro dia, serão apresentados planos de trabalho da Diretoria de Cultura da UENF com MIS-RJ e IPHAN.

Abaixo a programação completa.

O debate do novo Plano Diretor Municipal de São João da Barra estimula a especulação no mercado de terras

Durante a minha participação no dia de ontem na XVIII edição da Feira de Responsabilidade Socioambiental da Bacia de Campos fui perguntado sobre a situação envolvendo a possível ampliação da área de desapropração de terras no município de São João da Barra para uma suposta ampliação da retroárea do Porto do Açu. As pessoas estariam preocupadas (eu diria com justeza) sobre boatos que estão circulando sobre a possibilidade do governo do estado do Rio de Janeiro editar novos decretos de desapropriação de terras. com base até no que está sendo discutido para ser inserido no futuro Plano Diretor Municipal de São João da Barra (PDMSJB). O alarme está soando principalmente entre habitantes do distrito de Barcelos, até em função de informações que estão circulando na mídia local onde até áreas demarcadas já estão aparecendo (ver imagem abaixo).

A resposta que eu dei foi a seguinte: dado o gigantesco passivo econômico, político e social que paira sobre as áreas já expropriadas e não pagas pelo governo estadual, não acredito que haja espaço para que essas desapropriações saiam neste momento. 

O mais provável é que grupos locais estejam se aproveitando da discussão do novo PDMSJB para tentarem fazer valer seus interesses locais, de modo a aumentar o valor de determinadas áreas para eventuais transações. Por outro lado, há ainda a possibilidade de que o alarde criado em torno dessas supostas novas desapropriações sirva como alavanca para convencer determinados proprietários, especialmente os mais pobres, a vender suas propriedades a fim de evitar o mesmo destino sombrio que acometeu os agricultores expropriados do V Distrito. E no centro de tudo isso, as promessas até hoje não cumpridas de dinamização da economia regional pelo Porto do Açu. 

Mas seja qual for a explicação correta, eu sugeri às pessoas que me perguntaram sobre o assunto para que comecem a estudar as propostas que estão materializadas em termos de usos permitidas nos mapas do PDMSJB.  É quem em todo plano diretor, os mapas revelam as intenções dos que estão planejando o que efetivamente virá em termos do uso do solo. A partir dos mapas é que se poderá inferir o que realmente está por detrás desses boatos que, obviamente, podem não ser apenas isso.

Ah, sim, mas não posso esquecer de lembrar que uma boa indicação do que pode vir em termos de novas desapropriações pode semrpre ser medido pelo que anda fazendo ou dizendo a deputada Carla Machado, a patronesse das desapropriações conduzidas pelo ex (des) governador Sérgio Cabral do V Distrito.

Finalmente, uma dica: todos os que estiverem preocupados com essa situação toda deveriam começar a frequentar as reuniões que estão sendo realizadas para definir o que será colocado no futuro PDMSJB. E o quanto antes, melhor.

Agrotóxicos usados ​​perto de comunidades rurais estão associados a um câncer infantil raro, mas mortal

pulverização de pesticidas

Por Brian Bienkowski para “The New Lede” 

Crianças cujas mães moravam perto de propriedades agrícolas e campos tratados com certos  agrotóxicos durante a gravidez têm maior risco de desenvolver um câncer mortal que é mais comumente encontrado em bebês antes do primeiro aniversário, de acordo com um novo estudo. 

O novo estudo, publicado no periódico Environmental Research , descobriu que mulheres grávidas na Califórnia que moravam perto de áreas tratadas com inseticidas — flonicamida, cipermetrina ou permetrina — ou um fungicida agora proibido chamado benomil tinham maior probabilidade de ter bebês que sofreriam de neuroblastoma, um câncer das células nervosas que raramente é diagnosticado após os cinco anos de idade. 

Embora seja considerado raro — há cerca de 600 a 800 novos casos a cada ano nos EUA — o neuroblastoma é o câncer mais comum em bebês e é responsável por cerca de 15% das mortes por câncer infantil nos EUA a cada ano. 

Estudos anteriores encontraram uma associação entre alguns  agrotóxicos e neuroblastoma, mas este é o primeiro a examinar as ligações entre a exposição pré-natal de agrotóxicos específicos pulverizados perto de casa e a doença. 

“Só saber que os agrotóxicos podem estar amplamente associados ao câncer não fornece uma estratégia viável”, disse Julia Heck, autora sênior do estudo e professora e epidemiologista da Universidade do Norte do Texas. “Queríamos saber quais são os agentes nocivos.”

Heck e colegas analisaram dados de mais de 200.000 crianças nascidas na Califórnia entre 1998 e 2016, incluindo 199 crianças com neuroblastoma. Eles usaram o sistema de notificação de uso de agrotóxicos do estado para estimar a exposição das mães a dezenas de agrotóxicos diferentes que já foram associados a cânceres. A exposição pré-natal a flonicamida, cipermetrina, permetrina e benomil foi associada a um risco aumentado de 33%, 53%, 24% e 20%, respectivamente, para neuroblastoma após o nascimento, em comparação com bebês que não tiveram exposição estimada a esses pesticidas.

“Só saber que os agrotóxicos podem estar amplamente associados ao câncer não fornece uma estratégia viável. Queríamos saber quais são os agentes nocivos.” – Julia Heck, Universidade do Norte do Texas

Flonicamid e cipermetrina são amplamente utilizados para matar insetos em algodão e algumas culturas. Os dados mais recentes sobre o uso mostram que ambos são pulverizados no Vale Central da Califórnia. O uso da cipermetrina diminuiu drasticamente desde o pico de uso no início da década de 1990. A permetrina, usada para controlar insetos em culturas e pomares, é amplamente utilizada na região do Vale Central da Califórnia e também é comumente usada para controlar mosquitos por meio de roupas tratadas ou pulverizações. 

Flonicamid, cipermetrina e permetrina são todos usados ​​na região do Vale Central da Califórnia. (Crédito: vhines200/flickr )

Amy MacPherson, vice-diretora de divulgação e comunicações do Departamento de Regulamentação de Pesticidas da Califórnia (DPR), disse que o uso da proximidade com aplicações de agrotóxicos como um indicador de exposição no estudo é “um ponto de partida útil, [mas] não leva em conta fatores importantes como as propriedades químicas de agrotóxicos individuais, níveis reais de exposição ou outros fatores de risco potenciais para neuroblastoma”.

Ela disse que, embora a cipermetrina e a permetrina tendam a se ligar ao solo — tornando-as menos propensas a se tornarem aerotransportadas — o estado as incluiu em seu esforço de monitoramento de agrotóxicos no ar, publicado em 2023. Ambas “foram detectadas apenas algumas vezes, e sempre em níveis residuais muito abaixo dos níveis de triagem baseados em saúde do DPR”, disse ela. O flonicamida não foi incluído no relatório. 

O benomil foi proibido nos EUA em 2001 devido a preocupações com sua toxicidade. Heck disse que a descoberta da possível ligação do benomil com o neuroblastoma décadas após sua proibição demonstra a dificuldade de estudar os danos causados ​​por pesticidas à saúde. 

“Há proibições, pragas se tornam resistentes, empresas de agrotóxicos lançam novas fórmulas”, disse Heck. “É difícil acompanhar algo que muda tão rápido.”

Carcinógenos suspeitos

Em suas avaliações mais recentes de saúde humana, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) classificou tanto o flonicamida quanto a permetrina como tendo “evidências sugestivas de potencial cancerígeno” e a cipermetrina como um “possível carcinógeno humano”.

A agência, no entanto, não avaliou os riscos potenciais da pulverização de permetrina ou cipermetrina nas proximidades, afirmando que não há necessidade, pois a exposição de pessoas que as utilizam perto de suas casas, que foi avaliada, seria maior. Para ambos os produtos químicos, a agência concluiu que “não há riscos preocupantes” para uso residencial ou devido à dispersão da pulverização. 

No entanto, para o flonicamida, a agência reconhece que “a deriva da pulverização é uma fonte potencial de exposição para indivíduos que estão localizados próximos às aplicações de pesticidas”. 

A EPA não pôde ser contatada para comentar o novo estudo devido à paralisação do governo federal. 

Heck disse que espera que o trabalho chame a atenção da EPA ou de organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde para melhor abordar os danos causados ​​pelos pesticidas. “Estamos tentando adicionar evidências que, idealmente, permitirão que eles tomem medidas”, disse ela. 

MacPherson disse que o DPR analisa novos estudos como este como parte de sua supervisão contínua.

Imagem em destaque: Getty Images/Unsplash+

Sobre o autor

Brian Bienkowski é o editor-chefe do The New Lede. Repórter e editor veterano, ele já recebeu prêmios locais e nacionais por suas reportagens sobre saúde e meio ambiente. É membro da Sociedade de Jornalistas Ambientais.


Fonte: The New Lede

RJ: CSN polui ar e água em Volta Redonda e faz perseguição jurídica contra ativista

“Pó Preto” cobre Volta Redonda após vento de 80 km/h. Foto: Diário do Vale

Por Redação 

Depois de oito anos de investigação, nas últimas semanas, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi indiciada e incriminada, pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ), pela contaminação do principal manancial de água potável no estado do Rio de Janeiro, o Rio Paraíba do Sul, a partir da pilha de rejeitos da Usina Presidente Vargas no município de Volta Redonda.

O relatório que acompanha o indiciamento aponta a contaminação do lençol freático por falta de impermeabilização do solo do estoque de rejeitos da produção de aço e laminados, que fica a 60 metros do rio. O risco de crise ambiental no estado, dado o risco destes rejeitos desabarem nas águas que abastecem boa parte do estado do Rio de Janeiro, coloca um alerta para uma catástrofe anunciada, como foram as de Mariana e Brumadinho.

Outra violação atrelada a pilha de rejeitos é a poluição atmosférica com partículas de minério de ferro levada pela corrente de ar e causando não só risco aos corpos hídricos e a flora da região, mas contaminando a população de Volta Redonda e causando problemas respiratórios graves em adultos e crianças. Além da pilha de rejeitos, as denúncias de anos contra a empresa falam também em contaminação por meio das chaminés da Usina.

Perseguição Política

Alexandre Fonseca, criador da página VR Abandonada, que denuncia as violações da CSN e demais problemas que Volta Redonda enfrenta diariamente, coleciona meros 12 processos, 10 na esfera criminal e 2 na civil, por “calúnia e difamação” contra a empresa. Se condenado, poderá pegar cerca de 30 anos de prisão por relatar diariamente nas redes sociais a situação do povo de Volta Redonda.

A perseguição sofrida também parte da tentativa de calar e barrar o movimento popular da região, que tem desde 2023 organizado atos massificados para denunciar a situação do “pó preto” da siderúrgica em todos os cantos da cidade. Nos autos dos processos movidos contra os moradores quando estavam organizando estes protestos, apareceram imagens de conversas dos grupos de mensagem da mobilização, o que indicada que a empresa “infiltrou” pessoas para criar prova contra a população.

A empresa já acumula quatro Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) – órgão responsável pela licença da operação e fiscalização –, todos seguidamente descumpridos, o que acarretou as denúncias da PF e do MPF, dada a pressão popular por soluções que resolvam de fato o problema e não sejam mais “comprometimentos” vazios.


Fonte: Revolução Cultural

O que a rapina de Claúdio Castro no RioPrevidência nos revela sobre o esquema do pagamento da dívida pública fluminense?

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro está sentada sobre um verdadeiro pepino que lhe foi enviado pelo governador (?) Cláudio Castro sob  a forma do projeto de Lei 6.035/25  qie autoriza o uso de royalties e participações especiais de petróleo e gás natural, destinados atualmente ao Rioprevidência, para o pagamento da dívida com a União.  A proposta de Cláudio Castro  prevê a transferência de parte dos recursos atualmente destinados ao Rioprevidência — o fundo de previdência dos servidores estaduais — para o pagamento da dívida do estado.  Em outras palavras, Castro quer usar recursos de pensões e aposentadorias para continuar pagando a impagável e inerminável dívida pública fluminense. 

Há que se notar que, enquanto quer rapinar os cofres do RioPrevidência, Cláudio Castro mantém intactas insenções fiscais bilionárias que foram iniciadas ainda no (des) governo de Sérgio Cabral, as quais continuam sem dar o devido retorno para a população fluminense. Neste caso fica claro a decisão de continuar bancando as rendas fabulosas de grandes empresas em detrimento da estabilidade do fundo próprio dos servidores estaduais.

Um detalhe que tem sido pouco comentado nessa situação esdrúxula se refere à cumplicidade óbvia do governo Lula com essa rapinagem. É que se estivéssemos realmente diante de um governo de esquerda preocupado com o bom uso de recursos pertencentes a servidores públicos, essa rapinagem já teria sido apontada como indesejável e indevida. No entanto, está claro que o governo Lula está mais preocupado em manter o fluxo do pagamento da dívida pública que corrói as condições gerais do serviço público brasileiro.  Assim, seja de onde for, mesmo que seja de um fundo público que envolve o pagamento de pensões e aposentadorias, o negócio é drenar recursos para manter o rentismo satisfeito.

Como a maioria dos deputados da Alerj está comprometida com Cláudio Castro, a única possibilidade de se barrar a rapinagem é aumentar a mobilização dos servidores. E aqui é uma coisa óbvia: ou se mobilizam ou perderão a garantia de que terão recursos em caixa para pagar as pensões e aposentadorias devidas a eles e suas famílias.

Com Pedro Paulo é assim: para os servidores, perda de direitos e precariedade, mas para a sogra….

Em mais uma de suas matérias magistrais, o jornalista Ruben Berta publicou hoje um daqueles petardos reveladores sobre a hipocrisia e o cinismo que cercam  a atuação de determinados personagens no parlamento brasileiro. O centro da matéria se refere a uma informação curiosa: a sogra do deputado Pedro Paulo (PSD/RJ), um dos mentores da reforma administrativa, é empregada no gabinete de um dos seus principais aliados políticos na Câmara de Vereadores da cidade do Rio de Janeiro.

O “emprego” rende à sogra de Pedro Paulo o montante de R$ 7.400,00 para que ela atua como “assessora cultural” em meio às suas outras atividades como empresária.

Há que se lembrar que as proposições, se aprovadas, representarão um rigoroso retrocesso de direitos para os servidores públicos e implicarão em um grave aumento do nível de precarização dos serviços públicos nas três esferas de governo.

Pelo jeito, com Pedro Paulo, a coisa vai assim: para a sogra tudo, para os servidores nada.

3ª Conferência Territorial do Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário do Norte Fluminense

Senhor do Bonfim sediará 3ª Conferência Territorial de Desenvolvimento  Rural Sustentável e Solidário – Blog do Eloilton Cajuhy

A 3ª Conferência Territorial do Norte Fluminense será um momento fundamental para conseguirmos consolidar a re-homologação do território e avançar na integração das ações e políticas públicas desenvolvimento rural sustentável e solidário para a nossa região. 

Convidamos todos os parceiros, instituições, produtores e representantes da sociedade civil e governamental a participarem e contribuírem com suas ideias e proposições, que poderão ser apresentadas já no ato da inscrição para debate nos cinco grupos temáticos da Conferência.

📅 Data: 05 de novembro de 2025

📍 Local: UENF – Campos dos Goytacazes

Segue o link formulário de inscrição, além do folder de apoio e a programação.

Contamos com sua participação e apoio na divulgação para fortalecer esse importante espaço de diálogo e construção coletiva!
Dúvidas, perguntas e sugestões podem ser encaminhadas através do e-mail: 3cot.nf.rj@gmail.com

Salto recorde de CO2 atmosférico alimenta temores de aquecimento global acelerado

O CO2 no ar atingiu um novo recorde no ano passado, com cientistas preocupados com o enfraquecimento dos sumidouros naturais de carbono em terras e oceanos 

O aumento das emissões de CO2 impactará o planeta por centenas de anos devido à longa vida útil do gás na atmosfera. Fotografia: Charlie Riedel/AP

Por Damian Carrington para “The Guardian”

Os níveis de dióxido de carbono na atmosfera atingiram um nível recorde em 2024 e atingiram outro recorde, mostram dados da ONU, aprofundando a crise climática que já está ceifando vidas e meios de subsistência em todo o mundo.

Cientistas estão preocupados que os “sumidouros” naturais de terra e oceano que removem CO 2 do ar estejam enfraquecendo como resultado do aquecimento global, o que pode formar um círculo vicioso e aumentar as temperaturas ainda mais rápido.

A concentração média global do gás aumentou 3,5 partes por milhão para 424 ppm em 2024, o maior aumento desde que as medições modernas começaram em 1957, de acordo com o relatório da Organização Meteorológica Mundial.

Vários fatores contribuíram para o aumento do CO2 , incluindo mais um ano de queima incessante de combustíveis fósseis, apesar do compromisso assumido pelos países do mundo em 2023 de “abandonar” o carvão, o petróleo e o gás. Outro fator foi o aumento de incêndios florestais em condições que se tornaram mais quentes e secas devido ao aquecimento global. As emissões de incêndios florestais nas Américas atingiram níveis históricos em 2024 , o ano mais quente já registrado.

No entanto, os cientistas estão preocupados com um terceiro fator: a possibilidade de os sumidouros de carbono do planeta estarem começando a falhar. Cerca de metade de todas as emissões anuais de CO2 são retiradas da atmosfera por meio da dissolução no oceano ou da absorção por árvores e plantas em crescimento. Mas os oceanos estão ficando mais quentes e, portanto, podem absorver menos CO2, enquanto em terra firme, condições mais quentes e secas e mais incêndios florestais significam menos crescimento vegetal.

Já se sabia que os sumidouros de carbono eram menos eficazes em anos de El Niño, como 2023 e 2024, quando mudanças nos ventos do Pacífico e nas correntes oceânicas levam a temperaturas globais mais altas. Mas o aquecimento global causado pelo homem já elevou as temperaturas médias mundiais em cerca de 1,3°C, e pesquisadores, que registraram uma ” falha sem precedentes no sumidouro terrestre ” em 2023 e 2024 , temem que isso possa estar enfraquecendo os sumidouros.

A Dra. Oksana Tarasova, autoridade científica sênior da OMM, afirmou: “Há preocupações de que os sumidouros de CO2 terrestres e oceânicos estejam se tornando menos eficazes, o que aumentará a quantidade de CO2 que permanece na atmosfera, acelerando assim o aquecimento global. O monitoramento sustentado e reforçado dos gases de efeito estufa é fundamental para a compreensão desses ciclos.”

O aumento das emissões de CO 2 não só impacta o clima global hoje, mas continuará assim por centenas de anos devido à longa vida útil do gás na atmosfera, diz a OMM.

Ko Barrett, secretário-geral adjunto da OMM, afirmou: “O calor retido pelo CO₂ e outros gases de efeito estufa está turbinando nosso clima e levando a eventos climáticos mais extremos. Reduzir as emissões é, portanto, essencial não apenas para o nosso clima, mas também para a nossa segurança econômica e o bem-estar da comunidade.”

As concentrações atmosféricas de metano e óxido nitroso – o segundo e o terceiro gases de efeito estufa mais importantes relacionados às atividades humanas – também atingiram níveis recordes em 2024.

Cerca de 40% das emissões de metano provêm de fontes naturais. Mas os cientistas estão preocupados com o fato de o aquecimento global estar levando a uma maior produção de metano em áreas úmidas , outro potencial ciclo de retroalimentação. O restante provém da exploração de combustíveis fósseis ; da pecuária, como o gado; de resíduos em decomposição em aterros sanitários ; e de arrozais. As emissões de óxido nitroso causadas pelo homem incluem aquelas provenientes do uso excessivo de fertilizantes por agricultores e de alguns processos industriais.

A OMM divulgou seu boletim anual de gases de efeito estufa um mês antes da COP30 , a cúpula climática da ONU em Belém, Brasil, onde representantes de vários países do mundo tentarão intensificar a ação climática. Os dados vêm de uma rede de 500 estações de monitoramento ao redor do mundo.


Fonte: The Guardian

Estudo mostra relação entre exportações de carne bovina brasileira e desmatamento

O Trase mapeia as cadeias globais de suprimentos de commodities agrícolas, fornecendo insights sobre como os mercados consumidores estão vinculados ao desmatamento e outros impactos ambientais por meio de suas importações. Este guia explicativo sobre a carne bovina brasileira apresenta os resultados da nossa análise dos dados mais recentes de 2021, 2022 e 2023  

Desmatamento da carne bovina brasileira

Área desmatada dentro da Floresta Nacional do Jamaxin em Novo Progresso, Pará (Foto: Bernardo Camara/((o))eco)

Por Osvaldo Pereira e Paula Bernasconi para “Trase”

O Brasil é o segundo maior produtor e exportador mundial de carne bovina. Em 2023, produziu 12,9 milhões de toneladas (Mt) de carne bovina, representando cerca de 20% das exportações globais . O setor de carne bovina do Brasil é um dos principais contribuintes para a economia do país, sendo responsável por 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e cerca de 8,9 milhões de empregos em 2024. A criação de gado ocorre em todas as regiões do Brasil, mas a capacidade e a produção dos frigoríficos estão concentradas nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.

A produção de gado bovino concentra-se nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.
Mapa da produção de gado bovino (toneladas de peso de carcaça) no Brasil por município em 2023.

Desmatamento e produção de carne bovina

A análise da Trase mostra que o desmatamento e a conversão anual de vegetação nativa associados à expansão de pastagens aumentaram de 5,5 milhões de hectares (Mha) em 2020 para 7,5 Mha em 2023, um aumento de mais de 36% em quatro anos. A produção de carne bovina aumentou 15% no mesmo período, aproximadamente metade da taxa de aumento do desmatamento e da conversão. Juntos, esses números implicam uma maior intensidade de desmatamento (hectares de desmatamento por 1.000 toneladas de produção) em 2023 do que em 2020, especialmente na Amazônia. Por exemplo, em 2020, 893 ha de vegetação nativa foram convertidos para cada 1.000 toneladas de gado produzido. Esse número aumentou para 1.300 ha em 2023, um aumento de 50% na intensidade de desmatamento em menos de 10 anos.

O desmatamento por tonelada de produção de gado aumentou, especialmente na região amazônica brasileira.
Intensidade anual de desmatamento (hectares de desmatamento por mil toneladas de produção) no Brasil e seus principais biomas produtores de gado.

Uma grande proporção do desmatamento e da conversão de pastagens ocorreu na Amazônia. Entre 2018-20 e 2021-23, o desmatamento médio anual no bioma aumentou 54% (300.000 ha). O desmatamento no Pantanal também aumentou, embora partindo de uma base mais baixa, enquanto o Cerrado diminuiu ligeiramente. Desde 2017, o desmatamento brasileiro para a pecuária tem se deslocado acentuadamente para a Amazônia (62% da participação nacional em 2023 contra 40% em 2017). Pontos críticos recentes de desmatamento concentram-se ao longo das rodovias BR-163 e Transamazônica (sudoeste do Pará, norte do Mato Grosso, Rondônia).

A maior parte do desmatamento tende a se concentrar em um número relativamente pequeno de municípios. Apenas 61 municípios no Brasil foram responsáveis ​​por 50% do desmatamento para pastagem de gado em 2023. Juntos, esses municípios são responsáveis ​​por apenas 11% da produção de gado naquele ano. Apenas quatro municípios, Altamira (Pará), Porto Velho (Rondônia), São Félix do Xingu (Pará) e Lábrea (Amazonas), foram responsáveis ​​por 12% do desmatamento e conversão de pastagens no Brasil em 2023. Isso sugere que concentrar ações em pontos críticos poderia reduzir significativamente o desmatamento e a conversão, com impacto relativamente baixo na produção de gado.

Os dados da Trase utilizados nesta análise abrangem o período de 2020 a 2023. Dados de monitoramento por satélite de 2024 do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (PRODES) mostram que o desmatamento caiu 31% na Amazônia e 26% no Cerrado. A redução é atribuída às medidas de controle da perda florestal adotadas pelo governo federal desde 2023, em contraste com a política de enfraquecimento da proteção florestal do governo anterior. Esses resultados serão registrados em futuras atualizações dos dados da Trase.

Principais focos de aumento do desmatamento vinculados à produção de carne bovina no Brasil
Taxa de variação anual (%) do desmatamento e conversão para pastagem (2015–2023) nos municípios que responderam por 95% da produção de carne bovina em 2023. Quanto maior o valor, maior o aumento do desmatamento recente.

Mercados e comerciantes

Embora cerca de 70% da carne bovina brasileira seja consumida internamente, a participação das exportações cresceu na última década. A China é o principal mercado exportador da carne bovina brasileira, respondendo por 59% em 2023, seguida pelos Estados Unidos (8%) e pela União Europeia (5%). A China também é o mercado exportador com maior exposição ao desmatamento, aumentando de 124.000 ha em 2015 para 564.000 ha em 2023.

As importações de carne bovina brasileira pelos EUA têm aumentado de forma constante desde 2019 devido ao aumento da demanda. Os volumes aumentaram de 74.500 (2015) para 264.000 toneladas (2023), e a exposição associada ao desmatamento aumentou de 1.700 ha para 52.900 ha.

A participação da UE nas exportações de carne bovina do Brasil caiu nos últimos anos para 3% em 2023. Sua exposição média ao desmatamento entre 2015 e 2023 foi de cerca de 28.000 ha por ano, com uma participação média global de 5%. Em termos absolutos, a exposição da UE ao desmatamento foi de 25.000 ha em 2015 e 27.000 ha em 2023.

As importações chinesas de carne bovina brasileira apresentam a maior exposição ao desmatamento
Participação global anual (%) da exposição ao desmatamento (2015-2023) dos cinco maiores importadores de carne bovina brasileira em 2023.

As três maiores tradings, JBS, Marfrig e Minerva, aumentaram suas exportações em cerca de 43% entre 2015 e 2023, enquanto sua exposição combinada ao desmatamento aumentou 44%. Juntas, elas representam 67% das exportações em 2023 e 54% da exposição ao desmatamento e conversão. De acordo com seus próprios relatórios, as exportações representam 24%, 39% e 57% da carne bovina fornecida pela JBS , Marfrig e Minerva , respectivamente. O volume restante foi consumido internamente. Os resultados mostram que essas três tradings de carne bovina têm considerável influência na redução do desmatamento associado às exportações de carne bovina.

A participação da JBS na exposição total ao desmatamento caiu de mais de 37% em 2015 para 29% em 2023. A participação da Minerva permaneceu praticamente estável no período, enquanto a da Marfrig aumentou de 10% para 12%. Embora sua participação coletiva na exposição tenha diminuído, a exposição absoluta atribuída a esses traders ainda aumentou, refletindo a expansão geral das exportações, especialmente para a China.

JBS é a empresa mais exposta ao desmatamento devido às suas exportações de carne bovina brasileira
Participação global anual (%) de exposição ao desmatamento (2015-2023) das três maiores empresas exportadoras de carne bovina brasileira em 2023.

Compromissos da empresa com desmatamento e conversão zero (ZDCs)

As ZDCs no setor bovino compreendem o Compromisso Público da Pecuária firmado pelos maiores frigoríficos que operam na Amazônia, também conhecido como acordo G4, e o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para carne bovina, que abrange outros frigoríficos na Amazônia. Segundo ambos os acordos, os frigoríficos não podem comprar gado de fazendas com desmatamento na Amazônia após 2009. No entanto, enquanto o acordo G4 compromete as empresas a prevenir qualquer desmatamento, o TAC exige apenas a prevenção do desmatamento ilegal. Há também um número crescente de compromissos corporativos individuais abrangendo o Cerrado e outros estados da Amazônia onde os TACs não estão disponíveis, como Maranhão e Tocantins.

A partir de 2015, a cobertura das ZDCs expandiu-se substancialmente. Em 2015, a maior parte da carne bovina (70%; 1,42 Mt) não foi produzida e exportada sob qualquer compromisso, enquanto o TAC cobriu 25% (0,51 Mt) e o G4, 4% (0,09 Mt) dos volumes de carne bovina. Em 2023, ocorreu o oposto: cerca de 70% da carne bovina foi coberta pelas ZDCs, com os compromissos das empresas aumentando para 40% (1,26 Mt) e o TAC para 29% (0,91 Mt).

Os compromissos de desmatamento zero aumentaram para cobrir a maior parte das exportações de carne bovina brasileira.
Volume de carne bovina exportada por empresas com ou sem compromissos de desmatamento zero e conversão, 2015–2022.

Emissões de gases de efeito estufa

As emissões brutas de gases de efeito estufa associadas às exportações de carne bovina brasileira aumentaram na última década de 168 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2015 para 380 Mt CO₂-eq em 2023 – um aumento de cerca de 46%.

A maior parte das emissões provém do desmatamento e da conversão na Amazônia. Em 2023, a Amazônia foi responsável por 73% do desmatamento relacionado a pastagens no Brasil (138 Mt CO₂-eq), enquanto o Cerrado contribuiu com 22% (41 Mt CO₂-eq) e o Pantanal com 3,6% (6,7 Mt CO₂e). As emissões do Cerrado permaneceram praticamente estáveis ​​entre 2015 e 2023, enquanto as emissões do Pantanal praticamente dobraram a partir de uma pequena base em 2015 (2,8 Mt CO₂-eq).

As três maiores comerciantes de carne bovina, JBS, Marfrig e Minerva, têm a maior exposição a emissões. Juntas, elas respondem por 52% das emissões em 2023 (JBS 28%, Minerva 13%, Marfrig 11%). As tendências variam ao longo do tempo: as emissões da JBS são cerca de 10% menores entre 2015 e 2023, a Minerva caiu 13%, enquanto a Marfrig se mantém estável em 10% ao longo dos anos. Embora a participação combinada das três grandes permaneça substancial, essas mudanças sugerem que parte do crescimento das emissões desde 2015 foi contabilizado por outros exportadores. A maioria dos novos contribuintes está no estado do Pará, onde comerciantes como Mercurio Alimentos e Frigol, juntas, responderam por 12% das emissões atribuídas exportadas em 2023, em comparação com apenas 6% em 2015.

JBS, Minerva e Marfrig respondem pela maior parcela das emissões de gases de efeito estufa provenientes da comercialização de carne bovina brasileira.
Participação da empresa nas emissões brutas de gases de efeito estufa (2015-2023) das cinco maiores comercializadoras de carne bovina brasileira em 2023 (inclui apenas a comercializadora conhecida).

Os autores agradecem aos pesquisadores e cientistas de dados que contribuíram para esta análise: Harry Biddle, Florian Gollnow, Nicolás Martín, Carina Mueller e Jailson Soares.

Explore e baixe os dados da carne bovina brasileira em trase.earth

Para referenciar o conjunto de dados, utilize a citação: zu Ermgassen, EKHJ, Suavet, C., Biddle, H., Su, N., Prada Moro, Y., Ribeiro, V., Carvalho, T., & Lathuilliere, M. (2025). Cadeia de suprimentos de carne bovina do Brasil 2010–2017 e 2019–2023 (Versão 2.2) [Conjunto de dados]. Trase. https://doi.org/10.48650/AYAA-HH56

Uma explicação detalhada da metodologia da Trase está disponível em: Trase. (2025). Mapa da cadeia de suprimentos da carne bovina brasileira SEI-PCS v2.2: Fontes de dados e métodos. Trase. https://doi.org/10.48650/CP2S-SP59

Para consultar este artigo, utilize a citação: Pereira, O., & Bernasconi, P. (2025). Exportações brasileiras de carne bovina e desmatamento. Trase. https://doi.org/10.48650/6VK3-2S18


Fonte: Trase

Estudo realizado na Uenf documenta a paulatina, mas continuada, destruição do patrimônio arquitetônico de Campos dos Goytacazes

Portal Oficial da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes

Quem anda pelo centro histórico de Campos dos Goytacazes nos dias de hoje consegue notar que há ali um misto de paralisia e desconstrução da paisagem arquitetônica. Para mim o centro histórico tem sido uma espécie de sala ao ar livre desde que cheguei para atuar como professor na Uenf em 1998. Ali levo turmas de graduação e pós-graduação que usam aquela área para assimilar e criar conhecimento, em uma espécie de sala de aula concretada. 

Pois bem, por causa disso e também em função do olhar de geógrafo que guia minhas idas ao centro histórico, passei a notar há uns 15 anos o aumento do número de lotes esvaziados de seus prédios histróricos que passaram a ser usados como estacionamentos privados.  Como isso me pareceu um objeto de pesquisa interessante, convenci um dos meus orientandos a iniciar um meticuloso processo de mapeamento dos lotes esvaziados para serem transformados em estacionamentos.

O resultado desse estudo longitudinal que abrangeu coletas de dados nos anos de 2017, 2018 e 2022 acaba de ser publicado pela revista Geografia em Atos que é publicada pelo Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia, UNESP de Presidente Prudente (SP), sob o título de “A destruição do patrimônio  arquitetônico no centro histórico de Campos dos Goytacazes (RJ) enquanto estratégia de reconfiguração do espaço urbano“. 

Apenas à guisa de ilustração, os dados coletados mostram que em 2017 existiam 50 lotes esvaziados sendo usados como estacionamentos, tendo esse número passado para 80 em 2018 e alcançado 93 em 2022 (ver imagens abaixo).

O estudo identificou a existência de um ciclo envolvendo a destruição do patrimônio arquitetônico para fins de reconfiguração espacial no centro histórico de Campos de Goytacazes que se inicia com o abandono do imóvel, quando ocorre a deterioração do edíficio,  a qual possibilita a sua demolição legal ou clandestina, e a imediata implantação de um estacionamento no terreno esvaziado.

Uma das conclusões do estudo é que em Campos dos Goytacazes, a criação de aparentes vazios urbanos pelos proprietários de imóveis demolidos no centro histórico da cidade aponta para o uso de uma estratégia particularmente destrutiva no bojo de um processo de espera e expectativa desses proprietários em torno da valorização do preço de suas localizações. Entretanto,  é salientando que ainda que um estacionamento possa parecer um “vazio” ou espaço desocupado, trata-se, na verdade, de uma localização em estado de espera que —diferente de um terreno parado —recompensa os proprietários com a extração de sua renda, enquanto se valoriza progressivamente.   

Uma conclusão adicional é que tais práticas visam, em última instância, garantir que os proprietários em questão tenham uma posição mais favorável no mercado de localizações em um futuro breve. Trata-se, portanto, como mencionado anteriormente, de uma estratégia de especulação imobiliária adotada a partir de uma racionalidade por parte dos proprietários, que consideram que a destruição do patrimônio é menos custosa e mais lucrativa do que sua preservação. Com isso, o que poderia estar em gestação é a formação de um vazio urbano cujas consequências serão amplamente negativas para quaisquer esforços de dinamização econômica na cidade de Campos dos Goytacazes e que, paradoxalmente, poderão atingir até os proprietários envolvidos no processo de destruição do patrimônio arquitetônico existente no centro histórico.

Em tempo: pelas minhas caminhadas recentes pelo centro histórico, pude inferir que o processo de esvaziamento de lotes de seus edíficios de valor arquitetônico não parou em 2022. O mais provável é que a velocidade dessa “destruição nada criativa” tenha até aumentado.  A minha esperança é que este estudo motive outros pesquisadores a continuarem a pesquisa o patrimônio arquitetônico do centro histórico de Campos dos Goytacazes, e quem sabe, salvá-lo da destruição completa.