Vítimas de poluição em Barcarena (PA) levam mineradora Norsk Hydro ao tribunal na Holanda

O escritório de advocacia Internacional PGMBM representa as vítimas na audiência em 24 de junho, em Roterdã

norsk alunorteDerramamento de lama tóxico na planta industrial da Norsky Hydro em Barcarena causou grande desastre socioambiental em 2018

No próximo dia 24 de junho, uma audiência em Roterdã, na Holanda, vai avaliar se será aceita jurisdição para o processo movido por quilombolas e povos indígenas do município paraense de Barcarena, no Brasil, contra a gigante norueguesa do alumínio Norsk Hydro. O processo busca reparação para milhares de pessoas da Amazônia que tiveram sua saúde e sustento destruídos pela poluição.

Representados pelo escritório PGMBM, especialista em litígios ambientais coletivos de escala internacional, em parceria com o escritório brasileiro Ismael Morais Advocacia, e o holandês Lemstra van der Korst, nove indivíduos, ao lado da Associação dos Cablocos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia – Cainquiama, que representa 11 mil membros, levam seu processo para Roterdã na expectativa de que um julgamento nos tribunais holandeses possa lhes trazer as reparações que até agora não conseguiram no Brasil.

O processo procura estabelecer a responsabilidade por pelo menos 10 desastres ambientais causados pelas atividades de mineração e de produção de alumínio pertencentes à Norsk Hydro. O mais recente, em fevereiro de 2018, resultou no derramamento de uma grande quantidade de lama tóxica dos reservatórios das operações da Alunorte e Albrás, que continham resíduos e tornaram os rios vermelhos. Esse desastre foi investigado pelas autoridades brasileiras que descobriram três tubulações clandestinas que liberavam diretamente resíduos tóxicos na natureza.

 “Nosso pedido é que a Norsk Hydro e suas afiliadas sejam responsabilizadas pela devastação ambiental e pelos danos à saúde das pessoas que as empresas causaram e continuam a causar na região de Barcarena”, afirma Pedro Martins, sócio e fundador do PGMBM, que complementa: “Até agora, os atingidos não tiveram voz nos processos correntes no Brasil. Queremos mudar isso para garantir que sejam protegidos e recebam a justiça que merecem. É claro que a Norsk Hydro realizou atividades poluentes de risco numa região realmente vulnerável do Brasil, de uma forma que violou a lei e causou efeitos desastrosos para a natureza e para as pessoas que lá vivem”.

 Os efeitos dos incidentes poluentes fizeram com que muitos dos povos indígenas e quilombolas tivessem problemas de saúde, além de lhes serem retirados rendimentos financeiros e o acesso a alimentos e água limpa.

As comunidades afetadas não podem mais contar com os rios e poços para obter alimentos por meio da pesca, do cultivo de hortaliças e a criação de animais, que dependiam da água limpa. Muitas pessoas foram forçadas a deixar suas casas. Além disso, muitos dos afetados relatam perda de cabelo, perda parcial ou total da visão, dor e fraqueza nos seus corpos, bem como ansiedade e ataques de pânico.

Histórias trágicas das vítimas de Barcarena

Uma vítima, um homem casado de 29 anos, relata que desde 2006 tem sofrido de dores de estômago, dores de cabeça, dores nos ossos, queda de cabelo e perda de memória. Também sofre de descoloração da pele e coceira permanentes. Ele e a sua esposa também tiveram um bebê que nasceu com os intestinos fora do seu corpo – algo que um médico disse ser devido ao feto ter entrado em contato com poluentes. Logo foram obrigados a abandonar a sua casa porque o rio e a terra eram a sua principal fonte de rendimento e comida.

Maria do Socorro da Silva, que é a presidente da associação Cainquiama e luta por uma solução, relata: “Tenho 57 anos de idade e sou filha de Barcarena. Aqui as pessoas morriam aos 100 anos de idade. Mas a partir de 2008, houve uma grande aceleração nas mortes. A futura geração nasce e morre”, conta ela.

“Por que tanta dor de estômago, perda de dentes, perda de cabelo, tumores que surgem do nada? Há algo de errado. Espero que a empresa seja condenada a pagar por todos os danos que cometeu. Que ela reconheça. O juiz sabe que eles não podem fazer esse crime”, enfatiza.

As empresas rés no processo da Holanda

-Norsk Hydro ASA — Controladora, com sede em Oslo, Noruega

-Norsk Hydro Holland BV

-Hydro Aluminium Netherlands BV

-Hydro Aluminium Brasil Investment BV

-Hydro Alunorte BV

-Hydro Albras BV

-Hydro Paragominas BV

-Norwegian Government’s Pension Fund — The Folketrygdfondet: Empresa estatal norueguesa que controla o Government Pension Fund Norway — acionista da Norsk Hydro ASA.

Sobre o PGMBM

PGMBM é uma parceria única entre advogados britânicos, brasileiros e americanos motivados a defender vítimas de grandes corporações. Com escritórios na Inglaterra, Escócia, Estados Unidos, Holanda e Brasil, o escritório é especializado em casos de poluição e desastres ambientais originados no Brasil e em outras partes do mundo. O PGMBM também está na vanguarda de reivindicações de consumidores no Reino Unidos, que incluem processos contra Volkswagen, Mercedes, British Airways, EasyJet, Bayer AG, Johnson & Johnson e outras grandes empresas multinacionais.

Soja da destruição: subsidiária brasileira do grupo japonês Mitsui & Co. está envolvida em conflito fundiário no Matopiba

Comunidade tradicional do oeste baiano relata intimidações e ameaças relacionadas à ‘grilagem verde’ do seu território; investigação da Repórter Brasil revela conexões entre a Agrícola Xingu, uma das envolvidas na disputa, com fornecedores globais do grão

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Por André Campos, Hélen Freitas e Poliana Dallabrida para a “Repórter Brasil”

Localizada na zona rural do município de Correntina, no oeste da Bahia, a comunidade do Capão do Modesto está no centro de um conflito fundiário que envolve ameaças de morte, intimidação e destruição de bens comunitários. Do outro lado dessa disputa estão empresas produtoras de soja, milho e algodão com atuação no Matopiba – nova fronteira agrícola brasileira nos estados do Maranhão, Piauí, Bahia e Tocantins. Elas reivindicam a posse de uma área ocupada há mais de 300 anos pelos moradores do Capão do Modesto, segundo membros da comunidade local.

A Agrícola Xingu, uma das empresas envolvidas no conflito, é fornecedora de soja de importantes tradings multinacionais responsáveis pela venda da commodity para países da Europa, Ásia e Estados Unidos. Também conhecida como Xingu Agri, a companhia é uma subsidiária brasileira do grupo Mitsui & Co, um dos maiores conglomerados econômicos do Japão, e apontada como uma das maiores latifundiárias no Matopiba.

Uma investigação da Repórter Brasil revela novas conexões entre a empresa e gigantes do agronegócio. Documentos obtidos pela reportagem mostram que, em 2021, soja oriunda da Agrícola Xingu abasteceu os silos da ALZ Grãos, uma joint-venture criada pela Amaggi, pela companhia francesa Louis Dreyfus Company (LDC) e pela subsidiária local do grupo japonês Zen-Noh Grain. A operação conjunta entre as multinacionais exporta soja e milho através de um terminal portuário próprio no Maranhão.

Cercas instaladas por empresas do agronegócio dividem território ocupado há mais de 300 anos por moradores do Capão do Modesto, em Correntina (BA). (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Os grãos da Agrícola Xingu haviam sido adquiridos originalmente por uma outra empresa intermediária: a Nutrade Comercial Exportadora, subsidiária do conglomerado suíço Syngenta, um dos principais fabricantes de agrotóxicos e sementes para o agro brasileiro. Por meio da Nutrade, o grupo Syngenta atua nas chamadas operações “barter”, nas quais commodities como a soja são utilizadas como pagamento por insumos repassados anteriormente aos fazendeiros.

Repórter Brasil obteve a cópia de um contrato prevendo a entrega, em 2021, de quase 3 mil toneladas de soja da Nutrade para a ALZ Grãos. O produto, segundo o documento, seria oriundo dos armazéns Agrícola Xingu em São Desidério, município vizinho a Correntina.

Procurada, a Agrícola Xingu afirmou que “atua firmemente na preservação do meio ambiente” e que possui os documentos que provam a posse da área em disputa. A empresa disse que a comunidade do Capão do Modesto tem um “possível interesse” sobre a propriedade e alegou que não existem documentos que comprovem o seu direito sobre a área. O posicionamento completo da empresa pode ser lido na íntegra aqui.

Já a Nutrade disse que a fazenda de origem da soja fornecida pela Agrícola Xingu e a propriedade foco de conflito fundiário são “áreas com matrículas distintas”. A trading afirmou ainda que adota um processo de verificação de todas as áreas conectadas às negociações firmadas, “atentando integralmente a todos os regramentos ambientais e trabalhistas”. Leia aqui o posicionamento da empresa na íntegra.

A ALZ Grãos declarou que, no ato da compra, não verificou quaisquer restrições socioambientais ou conflitos fundiários sobre a área de origem da soja adquirida em negociações com a Nutrade. Afirmou ainda não ter relação comercial com a Agrícola Xingu. Trata-se, conforme descrito pela Repórter Brasil, de um caso de fornecimento indireto, tendo em vista que a aquisição da soja ocorreu por meio de relações comerciais estabelecidas com outra tradingAcesse aqui a resposta completa.

Grilagem Verde

A disputa com a comunidade do Capão do Modesto teve início a partir dos anos 2000, quando empresas produtoras de commodities com atuação no Matopiba passaram a reivindicar a titularidade de terras preservadas na zona rural de Correntina.

São áreas hoje utilizadas para a compensação de passivos ambientais em fazendas da região. Segundo o Código Florestal brasileiro, os imóveis rurais localizados no Cerrado devem manter ao menos 20% de suas terras com a mata nativa original. Mas, quando há desmatamento acima desse limite, a lei permite compensar o passivo por meio da aquisição de áreas preservadas fora da propriedade.

É justamente uma dessas áreas que está sobreposta às terras reivindicadas pela comunidade de fundo e fecho de pasto do Capão do Modesto. Os “fecheiros”, como são conhecidos os integrantes dessa comunidade tradicional, desenvolvem métodos próprios de agricultura de subsistência, com o cultivo de roças, colheita de frutos nativos do Cerrado e pastoreio do gado, criados livremente, sem cercas.

Vista aérea do Capão do Modesto; moradores afirmam que área usada como reserva legal de empresas privadas está sobreposta às terras da comunidade. (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Apesar de a Constituição do Estado da Bahia de 1989 prever o reconhecimento de comunidades tradicionais, como as de fundo e fecho de pasto, e cessão de certificados de posse dessas áreas, muitas ainda não foram regularizadas. Nesse cenário, os conflitos por terra se multiplicam, gerando um verdadeiro caos fundiário.

Advogados e ativistas locais ouvidos pela Repórter Brasil avaliam que a área de preservação sobreposta ao Capão do Modesto foi adquirida de forma fraudulenta. Segundo relatório da organização Global Witness, sua aquisição faz parte de um processo de “grilagem verde”, em que terras tradicionalmente ocupadas por comunidades locais são usurpadas para servirem como reservas legais para empresas do agronegócio possuidoras de passivos ambientais. 

O território, que antes era usado pelos “fecheiros” para o pastoreio do gado, agora possui cercas e placas que proíbem a circulação dos animais e dos integrantes do Capão do Modesto. Ele é administrado como um condomínio por nove empreendimentos agropecuários: logo depois da porteira é possível ver placas que identificam o local como área de reserva legal dessas empresas.

Nove empreendimentos agropecuários alegam a posse de reservas legais na zona rural de Correntina; 7 deles entraram com processos contra ‘fecheiros’ do Capão do Modesto. (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Repórter Brasil esteve na comunidade e conversou com moradores que relataram uma rotina de ameaças por parte das equipes de segurança privada contratadas pelas empresas para fazer a vigilância da área. “As fazendas têm pistoleiros que você não sabe nem quem é o patrão. Junta o grupo e vai dar pressão em você”, denuncia Vanderlino Barbosa, presidente da associação da comunidade de fundo e fecho de pasto do Capão do Modesto.

“As empresas chegaram, invadiram, meteram as máquinas arrancando os benefícios que a gente tinha dentro. Botando pressão, tirando suas liberdades”, pontua Barbosa. “Onde tinha um bebedouro, eles chegavam, ficavam por ali para espantar o gado, para você tomar prejuízo e desistir daquela área”, complementa.

Dentro do condomínio, a Agrícola Xingu afirma ter a posse da Fazenda Tabuleiro VII, uma área de 3 mil hectares que faz divisa com a propriedade da agricultora Geni Silva, bisneta do Seu Modesto, “fecheiro” que dá nome à comunidade tradicional.

Desde 2015, membros da comunidade já registraram mais de dez boletins de ocorrências relatando as intimidações sofridas. As ameaças aos “fecheiros” não são apenas físicas, mas também judiciais. Em novembro de 2017, parte dos produtores rurais que alegam ser donos das reservas legais que circundam o Capão do Modesto entraram com uma ação no Tribunal de Justiça da Bahia contra membros da comunidade.

Casal Limírio dos Santos e Geni Silva, bisneta do Seu Modesto, ‘fecheiro’ que dá nome à comunidade tradicional. (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Segundo as empresas, integrantes da comunidade de fundo e fecho de pasto do Capão do Modesto estariam invadindo suas terras e destruindo a vegetação nativa. O objetivo do processo é impedir que a comunidade realize a soltura do gado na área. Para os “fecheiros” do Capão do Modesto, essa é mais uma forma de pressioná-los a deixarem suas terras. 

Em março de 2022, uma decisão judicial ordenou a desapropriação da área, reconhecendo a posse tradicional da comunidade. Poucos dias depois, no entanto, houve a revogação da decisão, e as terras continuam sob posse das empresas. O caso segue pendente de decisão final na Justiça.

Cadeia de negócios contaminada

No oeste baiano, a Agrícola Xingu é dona de diversas fazendas destinadas à produção de grãos e algodão. Somadas, as áreas de cultivo da empresa entre os municípios de Correntina e São Desidério teriam uma extensão de 67,9 mil hectares, segundo relatório publicado pela organização Global Witness. A expansão das atividades da empresa na região ocorreu, em grande medida, por meio do desmatamento de vegetação nativa,  segundo informações da organização Chain Reaction Research. Entre 2000 e 2017, a companhia teria desmatado 32,1 mil hectares de Cerrado.

Já a ALZ Grãos, um dos elos no escoamento da soja oriunda da Agricola Xingu, exporta o produto para outras grandes tradings do setor, segundo dados alfandegários acessados pela Repórter Brasil. Há registros, por exemplo, de vendas para subsidiárias da Cargill na Ásia e para o grupo chinês Cofco. Na Europa, a ALZ Grãos exportou o grão para subsidiárias da Bunge ao longo dos últimos dois anos. Um dos principais destinos é a Espanha, onde a Bunge atua em diversos mercados, inclusive na produção de biodiesel. A Espanha, ao lado da Alemanha, são os dois principais produtores europeus de ração animal. É na alimentação de bois, aves e suínos que a soja tem o seu maior uso. 

Em nota, a Bunge afirmou que não comenta relações comerciais com produtores específicos, mas disse estar “comprometida em alcançar cadeias de suprimentos livres de desmatamento em 2025”. Em relação às compras diretas, a companhia afirma ter “100% de rastreabilidade e monitoramento” e disse estar “atuando fortemente para impulsionar o setor a fortalecer a rastreabilidade e o monitoramento das compras indiretas”.

Por meio da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), as tradings Cargill e Cofco afirmaram que “não compram soja de áreas desmatadas ilegalmente” e que “apoiam os seus fornecedores indiretos buscando, constantemente, soluções operacionais e avaliando metodologias para engajamento destes fornecedores aos seus protocolos”. Confira as respostas das empresas na íntegra.


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Este texto foi originalmente publicado pela “Repórter Brasil” [Aqui!].

Storytel Brasil lança podcast jornalístico ‘Amazônia Invisível, uma história real’ em 23 de junho

Parceria com Estadão Conteúdo, podcast produzido pela Agência Eder Content faz uma viagem emocional à Amazônia que os brasileiros desconhecem

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Beka Munduruku

Uma imersão na Amazônia que pulsa abaixo das copas das árvores. Essa é a proposta do podcast de jornalismo investigativo Amazônia Invisível, uma história real — exclusividade da Storytel Brasil, – uma das líderes globais em streaming de audiobooks, e-books e podcasts. Produto Originals global, o podcast é uma parceria com o Estadão Conteúdo e conta com a produção da agência Eder Content. 

Dividida em dez episódios, a série aborda os desafios e perigos que cercam a Amazônia brasileira a partir do olhar da jovem ativista Beka Munduruku e de um mosaico de vozes dos povos que habitam a floresta. A produção estará disponível na Storytel a partir do dia 23 de junho. O primeiro episódio poderá ser ouvido gratuitamente em múltiplas plataformas.

A ativista Beka guiou uma equipe de jornalistas da Agência Eder Content em uma viagem pelo sudoeste do Pará, uma das regiões mais tensas e ameaçadas da Floresta Amazônica atualmente. Ao longo de três semanas e quase 3 mil quilômetros percorridos pelo rio Tapajós, pela Rodovia Transamazônica e pela BR-163, a equipe registrou dezenas de vozes locais com diferentes interesses na região, desde fazendeiros, garimpeiros, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, ambientalistas, defensores de direitos humanos, prefeitos e promotores públicos.

O podcast é narrado e editado pela jornalista Andréia Lago, profissional com passagem pelas principais redações da grande imprensa brasileira, como O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. “É uma grande reportagem que desafiou muitos empecilhos: viajamos pela Amazônia em plena pandemia da COVID-19, com todos os cuidados que a situação exigia, sem falar nas dificuldades de comunicação, deslocamento e segurança da equipe. Ao final, descobrimos que nós, brasileiros, realmente não conhecemos a Amazônia”, afirma Andréia.

“Amazônia Invisível, uma história real” é um resultado de 18 meses de trabalho e 86 entrevistas realizadas, que envolveram uma equipe de seis jornalistas e uma cientista social. A cinefotografia e captação de áudio são do repórter fotográfico Cacalos Garrastazu. “É impossível falar da Amazônia sem fotografias da floresta e dos que nela habitam. Então, tudo que nós vimos nessa imersão na Amazônia da Beka pode ser visto num site que reúne conteúdo extra sobre cada episódio da série”, diz Garrastazu.

Sobre a protagonista Beka Munduruku

Beka (bekamunduruku) tem 19 anos. Ela nasceu e cresceu na aldeia Sawré Muybu e é uma das criadoras do Coletivo Audiovisual Daje Kapap Eypi, que documenta a luta do povo Munduruku pela demarcação de seu território no Médio Tapajós. Atualmente, ela cursa o Ensino Médio em Itaituba e pretende fazer faculdade de Jornalismo.

Sobre a trilha sonora da série “Amazônia Invisível”:

A música “Território Ancestral” é uma composição da cantora Kaê Guajajara ( kaekaekae) e foi licenciada com exclusividade para ser a trilha sonora do áudio-documentário. Nascida no Maranhão, Kaê viu sua família ser expulsa por madeireiros ilegais de um território não demarcado. Desde os 7 anos de idade, vive na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro.

Ficha técnica

Criação e produção: Agência Eder Content

Produção executiva: Andréia Lago e Cacalos Garrastazu

Gestão de projeto: Adriana Lago

Reportagem: Andréia Lago, Flávio Ilha, Ítalo Rômany, Jayanne Rodrigues e Luiza Pollo

Produção: Ítalo Rômany, Jayanne Rodrigues e Larissa Burchard

Coordenação de campo: Cacalos Garrastazu

Produção de campo: Karine Pedrosa

Cinefotografia e produção de áudio: Cacalos Garrastazu

Roteiro: Andréia Lago e Flávio Ilha

Edição de áudio: João Victor Albuquerque e Camila Cavalcante

Edição de vídeo:Luana Veiga

Ilustrações: Wanessa Ribeiro

Produção para redes sociais: Jayanne Rodrigues, Júlia Pestana, Larissa Burchard e Luana Veiga

Webdesigner: MIA Estúdio Criativo

Edição geral: Andréia Lago

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Sobre a Storytel

A Storytel é uma das líderes globais em serviço de streaming de audiobooks e e-books e oferece serviço ilimitado de leitura e escuta em mais de 500.000 títulos globais. Sua visão é tornar o mundo um lugar mais empático, com grandes histórias para serem compartilhadas e apreciadas por todos, a qualquer hora e em qualquer lugar. A Storytel é uma plataforma digital além de um grupo editorial. A área de streaming oferece assinaturas para audiobooks e e-books pelas marcas Storytel e Mofibo. A área de publicações é composta pelas editoras Norstedts, Massolit, StorySide, Printz Publishing, People’s Press, Rabén & Sjögren, B.Wahlströms, Gummerus Kustannus and Norstedts Kartor. A Storytel opera em 25 mercados ao redor do mundo e está sediada em Estocolmo, na Suécia.

“Vento ideológico” tenta sufocar liberdade de crítica na Uenf e obstruir a luta dos professores por seus direitos

Um dos pressupostos básicos em qualquer ambiente universitário é de que deva haver a ampla possibilidade de crítica, independente dos gostos e estéticas pessoais de quem eventualmente ocupe os cargos de poder. No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), essa máxima democrática deveria ainda ser mais praticada, na medida em que esta instituição universitária foi desenhada institucionalmente pelo antropólogo Darcy Ribeiro que, convenhamos, foi um dos intelectuais mais irrequietos e disposto a criticar de que se tem memória na história da formação da universidade brasileira.  A Uenf, digamos, traz dentro dentro do seu DNA a crítica rasgada de seu idealizador, e qualquer tentativa de extirpar esse elemento genético do tecido institucional seria, no mínimo, uma contradição. Se lembrarmos que estamos celebrando o Centenário de Darcy Ribeiro em 2022, então nem se fale.

Então há algo de muito estranho acontecendo no campus Leonel Brizola, já que uma faixa colocada na última 6a. feira na entrada principal do campus Leonel Brizola pela Associação de Docentes da Uenf  (Aduenf), a qual cobrava de forma bem humorada o pagamento de direitos atrasados há vários anos, simplesmente desapareceu da local onde estava (ver imagem abaixo).

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Esse desaparecimento, aparentemente fruto da ação de um “vento ideológico”, representa um atentado à democracia interna da Uenf, pois a mão que retirou uma faixa assinada pela Aduenf não desrespeitou apenas a posição da sua diretoria, mas, principalmente, todos aqueles professores que estão tendo negados direitos garantidos em lei.  Mas o simbolismo dessa remoção autoritária é maior, na medida em que atinge algo que deveria ser sagrado em um campus universitário que é justamente a liberdade de críticar e demandar direitos.

Como o atual reitor foi presidente da Aduenf e já esteve do outro lado da mesa, tendo pessoalmente pregado faixas críticas a administrações anteriores, tenho certeza que a ordem de remoção não partiu dele. Mas cabe ao reitor garantir que as responsabilidades sejam apuradas para que a faixa seja encontrada e recolocada no local em que estava. Ou é isso ou estaremos diante de um grave rompimento das relações democráticas dentro da Uenf, o que dado o Centenário de Darcy Ribeiro seria ainda um pisotear sobre suas melhores expectativas do que a Universidade do Terceiro Milênio poderia representar para a luta por um região Norte Fluminense mais democrática e sociaolmente justa.

Em tempo: a última vez em que a Aduenf teve uma das suas faixas retiradas à força foi durante a luta pela autonomia universitária há mais de 20 anos. Por isso mesmo, não é possível aceitar este ato de força descabido.

Mineradoras australianas perderão US$ 11 bilhões em valor de mercado à medida que a derrocada das commodities se acelera

bhpUma pequena figura de brinquedo e imitação mineral são vistas na frente do logotipo da BHP nesta ilustração tirada em 19 de novembro de 2021. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

Por Shashwat Awasthi para a Reuters

20 Jun (Reuters) – As três grandes mineradoras da Austrália estavam em vias de perder mais de 16 bilhões de dólares australianos (US$11,12 bilhões) em valor de mercado combinado nesta segunda-feira nos níveis atuais, à medida que se aprofunda a queda na venda de commodities  causada pela diminuição da demanda da China e pelos temores de uma recessão global se aprofundaram.

As ações da Rio Tinto listadas na Austrália (RIO.AX) devem perder quase A$ 2 bilhões em valor, BHP (BHP.AX) mais de A$ 10 bilhões, e Fortescue Metals (FMG.AX) mais de A$ 4 bilhões.

A menor produção das siderúrgicas chinesas afetou a demanda por minério de ferro, enquanto os preços de commodities como cobre e alumínio caíram devido a preocupações de que aumentos agressivos das taxas de juros pelo Federal Reserve dos EUA e outros bancos centrais possam levar a economia global a uma recessão.

Os três gigantes da mineração australiana, até agora este mês, já perderam cerca de 30 bilhões de dólares australianos de seu valor de mercado combinado e estão enfrentando uma terceira semana consecutiva de perdas depois de atingir mínimos de várias semanas na segunda-feira.

As ações da Rio Tinto e da BHP estão sendo negociadas na mínima de um mês, enquanto a Fortescue está na mínima de três meses.

“Estamos condenados? Ou é mais escuro antes do amanhecer?”, escreveram os analistas da Jefferies no sábado com referência a dados econômicos recentes, os bloqueios da COVID-19 na China e a narrativa política do Fed.

Eles pareciam se inclinar para o último, confiantes de que a desaceleração da demanda por commodities seria seguida por uma recuperação liderada pelas mineradoras, acrescentando que os temores de recessão e inflação dariam lugar à recuperação.

Analistas do JP Morgan também ecoaram os riscos para o setor, mas disseram que um novo apoio político, juntamente com a flexibilização dos bloqueios da COVID-19 na China, estimularia uma recuperação no segundo semestre de 2022 e manteria sua visão “neutra” sobre a Rio Tinto e a BHP.

Mineradoras australianas caem em junho em meio a queda de commodities
Mineradoras australianas caem em junho em meio a queda de commodities


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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pela agência Reuters [Aqui!]

Em resultado histórico para a esquerda, Gustavo Petro vence as eleições presidenciais na Colômbia

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Em um resultado que se pode dizer histórico, o ex-guerrilheiro do M-19 e ex-prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, foi eleito o próximo presidente da Colômbia,  Petro venceu neste domingo o direitista Rodolfo Hernandez. 

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Com esse giro à esquerda da Colômbia, um país que vive há décadas conflagrado e submetido à ação de grupos paramilitares de extrema-direita que foram impulsionados pelo estado colombiano para fazer a diferentes grupos de guerrilha de esquerda.

A eleição de Gustavo Petro tem uma dimensão gigantesca na medida em que a Colômbia também tem sido uma espécie de cabeça de ponte da chamada “guerra contra as drogas” comandada pelos EUA, processo esse que custou milhares de vidas de civis colombianos.

Supporters of Colombian left-wing presidential candidate Gustavo Petro paste banners before a rally at the Fontibon neighborhood in Bogota on June 12, 2022.

Um fato adicional é que a vice-presidente de Gustavo Petro é a advogada negra Francia Marquez que recebeu em 2018 o Prêmio Goldman —considerado o ‘Prêmio Nobel do meio ambiente-  por sua luta contra a mineração ilegal no sudoeste da Colômbia, que começou quando ele estava no Conselho Comunitário do distrito de La Toma, de seu município natal.

Derrota de Macron na França, greves contra Johnson na Inglaterra: os custos políticos e econômicos da guerra na Ucrânia começam a emergir

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Dois fatos são notáveis nesse final de semana na Europa: a derrota de Emmanuel Macron no segundo turno das eleições legislativas francesas e a crescente pressão dos trabalhadores contra Bóris Johnson na Inglaterra.  Esses dois fatos parecem sinalizar que a paciência dos trabalhadores europeus está se esgotando, colocando em xeque as políticas neoliberais por um lado, e o custoso apoio à Ucrânia no conflito armado em que este país serve como “proxy” no enfrentamento geopolítico com a Rússia.

Os próximos meses deverão aumentar a impaciência da classe trabalhadora europeia em outros países, a começar pela Alemanha, onde dezenas de bilhões de euros estão sendo alocados para a ajudar militar para os ucranianos, o que tem sido acompanhado por retaliações russas no fornecimento de gás, combustível essencial para tocar a vida na Europa.

 

Megacidades pré-colombianas são descobertas na Amazônia boliviana

Scanners a laser encontram assentamentos perdidos na Amazônia. O equívoco de que a selva é “intocada” foi refutado

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Imagem 3D dos restos de uma cidade pré-colombiana entre a vegetação da floresta amazônica
Por Norbert Suchanek para o “Neues Deutschland

Apesar de uma série de achados arqueológicos, o mito de uma região amazônica “intocada”, escassamente povoada antes de Colombo persistiu por décadas, mesmo na ciência . Agora, pesquisadores da Alemanha e da Inglaterra mais uma vez refutaram esse equívoco científico. Eles agora encontraram as relíquias cobertas de vegetação de assentamentos espetacularmente grandes, com cerca de 1.500 anos de idade, nas planícies amazônicas bolivianas.

Há mais de 100 anos, o etnólogo sueco Erland Nordenskiöld descreveu assentamentos pré-colombianos abandonados na região amazônica da Bolívia. No entanto, em suas notas publicadas em 1913 não havia localização precisa.

Uma equipe de pesquisa do Instituto Arqueológico Alemão em Berlim, da Universidade de Bonn e da Universidade de Exeter agora encontrou vários desses assentamentos usando a tecnologia lidar na região de savana amazônica “Llanos de Moxos”, de aproximadamente 120.000 quilômetros quadrados, inundada sazonalmente. “Nossos resultados refutam os argumentos de que a Amazônia ocidental era escassamente povoada nos tempos pré-colombianos”, escreve a equipe de arqueólogos na revista Nature . Os pesquisadores estão ativos na região desde 2019. Eles usam a chamada tecnologia lidar de helicópteros. A superfície da Terra é escaneada em detalhes com um laser. Sob o denso dossel de folhas, os pesquisadores descobriram e mediram um total de 26 assentamentos da chamada cultura Casarabe, que surgiu nesta região por volta do ano 500 e desapareceu novamente por volta de 1400. Embora 15 desses locais históricos já fossem conhecidos, foi a tecnologia lidar que revelou suas verdadeiras dimensões e detalhes.

Dois dos assentamentos, Cotoca e Landívar, eram verdadeiras “mega-cidades” de 147 e 315 hectares, respectivamente, três a sete vezes o tamanho da atual Cidade do Vaticano. A complexidade desses assentamentos é “esmagadora”, de acordo com o diretor de pesquisa Heiko Prümers, do Instituto Arqueológico Alemão, que acompanha culturas passadas na região amazônica boliviana desde 1994. Cotoca, em particular, tem tudo o que você poderia chamar de cidade. “É uma vasta povoação rodeada por uma estrutura defensiva, com um núcleo central que alberga um centro cerimonial ou administrativo. Claro que é uma cidade.”

Especificamente, os dados do lidar em Cotoca e Landívar mostram grandes terraços artificiais de até seis metros de altura, sobre os quais se erguem enormes edifícios de plataforma parcialmente em forma de U feitos de argila e pirâmides cônicas de mais de 20 metros de altura. A orientação dos edifícios que formam os centros cerimoniais das duas grandes cidades é uniformemente norte-noroeste, o que o estudo sugere provavelmente reflete uma visão de mundo cosmológica que também é evidente na orientação de extensos cemitérios da cultura casarabe.

Tanto Cotoca quanto Landívar são cercados por três defesas concêntricas compostas por um fosso e muralhas. Em Cotoca, no entanto, as defesas internas estão apenas parcialmente preservadas, o que os arqueólogos acreditam poder indicar que as muralhas foram adaptadas de acordo com o crescimento da cidade.

Ambos os locais são nós em uma rede de assentamentos menores e maiores, conectados por barragens em linha reta, que ainda são visíveis hoje e irradiam desses locais por muitos quilômetros através da paisagem inundada. Uma extensa infraestrutura de gestão da água, composta por canais e reservatórios, completa o sistema de assentamento.

Segundo os pesquisadores, Cotoca era o centro de uma área de assentamento de aproximadamente 500 quilômetros quadrados, metade coberta por floresta tropical e metade por savana. »O papel central de Cotoca é ressaltado pelo impressionante sistema de canais e barragens que irradiam em todas as direções.«

As cidades descobertas da cultura casarabe são comparáveis ​​aos edifícios monumentais dos Tiahuanaco, dos Incas, Maias ou Astecas, com a diferença fundamental de que nem uma única pedra foi construída aqui nos Llanos de Moxos. Na área, que é inundada vários meses do ano, simplesmente não há rochas para serem processadas, apenas argila e areia. Os taludes, muralhas e plataformas dos edifícios representativos eram todos feitos de terra. E de acordo com Prümers, apenas os buracos dos postes testemunhavam os edifícios de madeira erguidos nele.

Por que essas cidades foram abandonadas e deixadas por conta própria antes da chegada dos espanhóis permanece um mistério. No entanto, uma catástrofe ecológica devido à agricultura insustentável e uso florestal pela cultura casarabe pode ser amplamente descartada. Registros de pólen mostram que sua cultura básica, o milho, vem sendo cultivada continuamente na região há milhares de anos, indicando um uso sustentável do solo.

No entanto, as muralhas e trincheiras defensivas das metrópoles Casarabe descritas apontam para grandes ameaças externas e conflitos armados. “A presença de sistemas de defesa na verdade sugere que os tempos não eram tão pacíficos”, diz o arqueólogo ao “nd” a pedido. »Para poder dizer por que foram construídos, seria preciso conhecer toda uma série de parâmetros, quase todos ainda desconhecidos no presente caso. Durante os cerca de 900 anos de uso dos assentamentos culturais Casarabe, quando foram construídas as defesas? Se esta questão cronológica fosse esclarecida, as investigações arqueológicas teriam que ser realizadas nas regiões vizinhas.«

Ao mesmo tempo que a cultura Casarabe, a cultura muito expansiva de Tiahuanaco desenvolveu-se no oeste da Bolívia, no altiplano andino, durante um longo período de tempo. “No entanto, não há evidências até o momento de que os Tiahuanaco tenham avançado na área da cultura Casarabe”, diz Prümers. “E as regiões leste e sul da cultura Casarabe ainda são completamente inexploradas arqueologicamente.”

Nada se sabe sobre a origem deste povo ainda misterioso ou sua cultura, que recebeu o nome da vila boliviana de Casarabe, que hoje tem cerca de 1000 habitantes e está próxima do primeiro local de descoberta. ‘De onde eles vieram? Esta é uma das questões mais difíceis da arqueologia. A cultura casarabe provavelmente se desenvolveu a partir de grupos locais que ali viviam há algum tempo. Ainda estamos procurando por esses precursores. Prümmers afirmou ainda  que “estamos no início da pesquisa sobre as culturas pré-hispânicas da região amazônica. Espero que agora possamos demonstrar que houve urbanismo na parte boliviana da Amazônia, a par dos desenvolvimentos na região andina, levará a mais pesquisas arqueológicas na Amazônia e, eventualmente, permitirá que perguntas como as que você apresentou sejam respondidas.”

Em reportagem do jornal “Folha de São Paulo”, o arqueólogo brasileiro e especialista em Amazônia Eduardo Neves avalia a descoberta em Llanos de Mojosa como um marco arqueológico que dará origem a muitos estudos na região. Segundo o pesquisador da Universidade de São Paulo, cada imagem do artigo da Nature contém material para pesquisas arqueológicas para os próximos vinte ou trinta anos. Neves: “Heiko Prümers é o melhor arqueólogo de campo que temos na Amazônia.” Christopher T. Fisher, da Colorado State University, tem opinião semelhante. “O trabalho de Prümers e colegas é a salva de abertura de uma nova ortodoxia amazônica que desafia os entendimentos atuais da pré-história amazônica e enriquece profundamente nosso conhecimento das civilizações tropicais.”

Os pesquisadores ainda não sabem qual ameaça forçou os Casarabe a construir fortificações há cerca de 600 anos e quem ou o que poderia ter causado o desaparecimento de sua cultura. No entanto, conhecemos as principais ameaças hoje para os testemunhos frágeis e talvez outras culturas pré-colombianas não descobertas na Amazônia: é a destruição rápida e progressiva de savanas e florestas tropicais para pastagens de gado e plantações de soja e seu afundamento em reservatórios gigantes para mega usinas hidrelétricas como Jirau e Santo Antônio no Rio Madeira ou Belo Monte no Rio Xingu.

De acordo com Prümers, o desmatamento muitas vezes envolve a destruição de sítios arqueológicos anteriormente desconhecidos, que são simplesmente “atropelados” por tratores. “Eles serão destruídos para sempre.” O pesquisador Neves espera que um crescente interesse pela arqueologia amazônica leve à proteção de potenciais sítios ameaçados.


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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Países pobres desenvolvem países ricos, e não o contrário

O Norte Global extrai US$ 2,2 trilhões em matérias-primas do Sul a cada ano. Essa soma seria suficiente para acabar com a pobreza extrema quinze vezes, em todo o mundo

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Gráfico do artista cubano Falco (Alex Falco Chang). Fonte: CUBASI
Por DoJason Hickel, Dylan Sullivan, Huzaifa Zoomkawala para o Amerika21

Há muito sabemos que a ascensão industrial dos países ricos foi baseada na exploração do Sul Global durante a era colonial. A Revolução Industrial na Europa baseou-se em grande parte no algodão e no açúcar cultivados em terras roubadas dos nativos americanos – e com trabalho forçado de africanos escravizados.

A exploração da Ásia e da África tem sido usada para financiar infraestrutura, prédios públicos e estados de bem-estar na Europa – todas as marcas do desenvolvimento moderno. Os custos para o Sul, no entanto, foram catastróficos: genocídio, desapropriação, fome e empobrecimento em massa.

As potências imperiais eventualmente retiraram a maioria de suas bandeiras e exércitos do Sul em meados do século XX. Mas nas décadas que se seguiram, economistas e historiadores ligados à “teoria da dependência” argumentaram que os padrões subjacentes da apropriação colonial persistiram e continuaram a definir a economia mundial. O imperialismo nunca parou, eles declararam – apenas mudou sua forma

Você estava certo. Pesquisas recentes mostram que os países ricos ainda contam com uma grande apropriação líquida do Sul Global, incluindo dezenas de bilhões de toneladas de matérias-primas e centenas de bilhões de horas de trabalho humano por ano – investidos não apenas em bens primários, mas também em bens manufaturados de tecnologia, como smartphones, laptops, chips de computador e automóveis, que têm sido predominantemente fabricados no Sul nas últimas décadas.

Esse fluxo de apropriação líquida ocorre porque os preços são sistematicamente mais baixos no Sul do que no Norte. Por exemplo, os salários pagos aos trabalhadores no Sul representam em média apenas um quinto dos salários no Norte. Isso significa que para cada unidade de mão de obra e recursos investidos que o Sul importa do Norte, o Sul tem que exportar muito mais unidades para pagar por isso.

Os economistas Samir Amin e Arghiri Emmanuel descreveram isso como uma “transferência oculta de valor” do sul que mantém altos níveis de renda e consumo no norte. Esse “dreno” ocorre de maneira sutil e quase invisível, sem a violência ostensiva da ocupação colonial e, portanto, sem despertar protestos e indignação moral.

Em um artigo recente publicado na revista New Political Economy, nos baseamos no trabalho de Amin e outros para calcular a extensão das saídas cambiais desiguais na era pós-colonial. Descobrimos que eles aumentaram dramaticamente nas décadas de 1980 e 1990, à medida que programas neoliberais de ajuste estrutural foram impostos em todo o Sul Global.

Hoje, o Norte Global extrai US$ 2,2 trilhões em commodities do Sul a cada ano, a preços do Norte. Coloque em perspectiva: essa soma seria suficiente para acabar com a pobreza extrema em todo o mundo em quinze vezes.

Durante todo o período de 1960 até o presente, a saída é de US$ 62 trilhões em termos reais. Se esse valor tivesse sido retido pelo Sul e contribuído para o crescimento do Sul, valeria hoje US$ 152 trilhões, com base nas taxas de crescimento do Sul durante esse período.

São somas monstruosas. Para o Norte Global (e aqui nos referimos aos EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Japão, Coréia e as economias ricas da Europa) os ganhos são tão grandes que superaram a taxa de crescimento econômico nas últimas décadas. Em outras palavras, o crescimento líquido no Norte se deve à apropriação do resto do mundo.

Para o sul, as perdas superam em muito a ajuda externa fornecida. Para cada dólar de ajuda que o Sul recebe, perde US$ 14 em fluxos de saída apenas por meio de trocas desiguais. E isso sem contar outros tipos de perdas, como saídas financeiras ilícitas e repatriação de lucros. É claro que esse número varia de país para país – alguns mais altos que outros – mas em todos os casos, o discurso de “ajuda” mascara uma realidade mais sombria de pilhagem. Os países pobres desenvolvem os países ricos, e não o contrário.

Os economistas neoclássicos tendem a ver os baixos salários no Sul como “naturais” – uma espécie de consequência neutra do mercado. Mas Amin e outros economistas do Sul Global argumentam que a desigualdade salarial é uma consequência do poder político.

Os países ricos têm o monopólio das decisões do Banco Mundial e do FMI, têm maior poder de barganha na Organização Mundial do Comércio, usam seu poder como credores para ditar a política econômica dos países devedores e controlam 97% das patentes do mundo. Os estados e corporações do Norte usam esse poder a seu favor para deprimir os preços do trabalho e dos recursos no Sul Global. Isso lhes permite alcançar a apropriação líquida por meio do comércio.

Nas décadas de 1980 e 1990, os programas de ajuste estrutural do FMI reduziram os salários e o emprego no setor público, ao mesmo tempo em que reduziram os direitos trabalhistas e outras proteções. Tudo isso tornou a mão de obra e os recursos mais baratos. Hoje, os países pobres são estruturalmente dependentes do investimento estrangeiro e não têm escolha a não ser competir entre si e oferecer mão de obra barata e recursos para agradar os mestres das finanças internacionais. Isso garante um fluxo constante de descartáveis ​​e moda rápida para consumidores abastados no Norte, mas com um tremendo custo para vidas e ecossistemas no Sul.

Existem várias maneiras de resolver este problema. Uma seria democratizar as instituições de controle econômico global para que os países pobres tenham uma palavra justa na determinação dos termos comerciais e financeiros. Outro passo seria garantir que os países pobres tenham o direito de usar tarifas, subsídios e outras políticas industriais para construir sua capacidade econômica soberana. Também poderíamos dar passos em direção a um sistema global de salários dignos e salários dignos e uma estrutura internacional para regulamentações ambientais que estabeleçam um piso para os preços do trabalho e das commodities.

Tudo isso permitiria ao Sul obter uma parte mais justa dos rendimentos do comércio internacional e liberar seus países para mobilizar seus recursos para erradicar a pobreza e atender às necessidades humanas.

Mas atingir esses objetivos não será fácil; requer uma frente organizada de movimentos sociais por um mundo mais justo contra aqueles que se beneficiam tão imensamente do status quo.

Jason Hickel, Reino Unido, antropólogo econômico

Dylan Sullivan, estudante de doutorado no Departamento de Economia Política da Universidade de Sydney

Huzaifa Zoomkawala, Pesquisador Independente e Analista de Dados em Karachi


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Este texto foi publicado originalmente em alemão pelo Amerika21 [Aqui!].

Pesquisadora da UFPR descobre floresta de 290 milhões de anos “congelada no tempo”

Preservada em rochas, floresta de licófitas de Ortigueira (PR) mostra o ecossistema da era paleozoica de forma raramente encontrada na região tropical do planeta

Ortigueira-11A floresta fossilizada de Ortigueira está “em posição de vida”, o que, no mundo botânico, equivale à conservação da cidade de Pompeia, soterrada da maneira que estava após a erupção do Monte Vesúvio, em 79 d.C. A foto mostra como os caules de licófitas estão visivelmente em posição vertical. Fotos: Thammy Mottin/Arquivo pessoal

Por Jéssica Tokarski para o “Ciência UFPR”

Uma floresta com 164 árvores da linhagem das licófitas foi encontrada fossilizada no município de Ortigueira, no estado do Paraná — antigo paleocontinente Gondwana —, local em que viveu há cerca de 290 milhões de anos. A descoberta foi feita pela estudante do Programa de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Thammy Ellin Mottin, durante sua pesquisa de doutorado, e publicada no periódico Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

Segundo a pesquisadora, o achado pode ser comparado a uma janela que permite ver o passado.

“As árvores estão preservadas dentro da rocha da exata maneira em que viviam, ou seja, elas ainda guardam as características daquele ecossistema de cerca de 290 milhões de anos atrás”.

Por terem raízes, as plantas podem ser preservadas na sua posição original, isto é, na forma vertical, diferente do que ocorre com organismos que se movem. Contudo, florestas fósseis preservadas em posição de vida são extremamente raras no mundo, especialmente no paleocontinente Gondwana, onde, até hoje, só há o relato de mais dois locais com plantas da linhagem preservadas desta forma: na Patagônia argentina e no estado do Rio Grande do Sul, regiões em que o número de licófitas é bem menor e cujos caules se encontram deformados verticalmente.

Pesquisadores registraram a estratificação da Formação do Rio Bonito que aponta a idade dos fósseis.

Pesquisadores registraram a estratificação da Formação do Rio Bonito que aponta a idade dos fósseis

As licófitas de Ortigueira não estão comprimidas como nesses outros dois lugares, permitindo uma reconstrução da planta com mais fidelidade. Isso fez com que informações de como as árvores eram distribuídas no terreno, quantidade por hectare, relação das árvores entre si, sua interação com o ambiente, entre outros aspectos, pudessem ser recuperadas.

Thammy conta que o sistema de raízes das árvores que encontrou nunca havia sido descrito em licófitas do Gondwana.

“O sistema de raízes forma lobos que partem da base dos caules, cuja função seria a ancoragem da planta no substrato”. A autora ainda revela que essa vegetação mostra vestígios de como se dava a interação das árvores com o substrato e de como era a interação entre as plantas. “Formavam grupos de três a quatro árvores espaçados entre si”.

Pangeia: um megacontinente que gerou os continentes atuais

Há milhões de anos, na época em que viviam as licófitas de Ortigueira, havia um único bloco continental, denominado Pangeia, que foi formado ao longo de dezenas de milhões de anos pela aproximação dos antigos megacontinentes chamados Euramérica (ou Laurásia), Sibéria, Gondwana, entre outros de menores dimensões.

Posteriormente, esse bloco de Terra se fragmentou, gerando a configuração continental atual.

Durante esse período, conhecido como Permiano, a Terra foi cenário de eventos biológicos importantes, como a diversificação das plantas terrestres, seguida pela diversificação de insetos, que estavam diretamente associados aos habitats ocupados pelas plantas.

Além disso, surgiram pela primeira vez importantes linhagens de répteis que mais tarde, na era mesozoica, dariam origem aos mamíferos.

A partir da separação das placas africana e sul-americana e da formação do Oceano Atlântico entre elas, Gondwana passou por um processo de fragmentação originando as regiões que hoje conhecemos como América do Sul, África, Antártida, Austrália e Índia, além de outras menores.

“Os continentes que compunham o Gondwana possuem rochas que contêm fósseis de flora e de fauna característicos, que permitem correlacionar os subcontinentes formadores do Gondwana e mostrar que eles estavam unidos no passado”, explica Thammy.

Licófitas faziam parte da vegetação do Devoniano

As licófitas são umas das primeiras plantas vasculares, que possuem vasos condutores de seiva, existentes na Terra.

Originárias no Devoniano, período geológico que compreende aproximadamente entre 416 a 359 milhões de anos atrás, são representadas por espécies arbustivas, ainda existentes, e arborescentes, já extintas.

Segundo a doutoranda, as licófitas podiam alcançar alturas de até 40 metros.

“Elas são importantes na história evolutiva das plantas e dos ecossistemas terrestres, pois apresentaram uma novidade, que são os tecidos condutores, o que permitiu a definitiva ocupação do ambiente terrestre e o crescimento em altura das plantas”.

A vegetação era uma das mais abundantes nas florestas tropicais do Período Carbonífero – que sucedeu o Devoniano e precedeu o Permiano – no paleocontinente Euramérica, quando a região estava em áreas equatoriais da época, sob climas quentes e úmidos.

De acordo com Thammy, as licófitas da Euramérica deram origem a importantes depósitos de carvão que são explorados hoje em dia.

“Com a abertura de minas e novas frentes de exploração de carvão naquela região, é relativamente comum a descoberta de licófitas preservadas in situ”. Ela explica que a preservação in situ ocorre quando um conjunto de plantas é fossilizado no local onde vivia.

Já o paleocontinente Gondwana, durante o Período Carbonífero, passava por um severo estágio glacial, o que impedia o desenvolvimento de florestas e vegetações abundantes e exuberantes.

“Foi somente com o final da glaciação, no início do Permiano, que a melhora climática permitiu que as licófitas pudessem colonizar vastas áreas do Gondwana, a exemplo da região atual de Ortigueira”, descreve a pesquisadora.

As retratadas neste estudo estão preservadas exatamente no local onde viviam, ainda enraizadas no substrato pretérito. Portanto, são consideradas in situ. Além disso, elas estão preservadas verticalmente às camadas, em posição de vida.

O que a descoberta revela sobre aquela época

Após analisarem as rochas e as plantas encontradas e associarem os resultados a diversos trabalhos científicos, Thammy e seus colegas puderam reconstruir o ambiente em que a floresta viveu e a forma como morreu.

Na época em que a floresta estava viva, Ortigueira era banhada pelo antigo Oceano Panthalassa. A região costeira sofria influência da água doce dos rios e da água salgada do mar. “As plantas viviam nessa transição entre terra e mar, em algo semelhante ao que seria uma região de manguezal. Elas ocupavam um substrato frequentemente inundado.”, destaca a doutoranda.

As licófitas eram uma das poucas plantas da época que suportavam viver em áreas inundadas e em condições de água salgada, por isso ocorrem poucas plantas associadas a essa vegetação. Segundo estimativas dos estudiosos, os exemplares encontrados em Ortigueira alcançavam alturas entre quatro e 18 metros. Eles utilizaram o diâmetro dos caules para chegar a esse dado.

Soterramento causado por inundação levou floresta ao colapso

Fortes chuvas causaram uma inundação fluvial, isto é, o transbordamento da água dos rios. Esse tipo de evento contém, além de água doce, grande quantidade de sedimentos, como partículas de areia e argila.

“Presume-se que os sedimentos foram cobrindo as árvores progressivamente, levando à asfixia e à compressão das raízes. O soterramento continuou até o ponto em que a parte superior das licófitas colapsou, deixando exposta parte do caule. A parte interior do caule foi sendo removida pela ação da água e foi preenchida por sedimentos que ainda chegavam e que terminaram por soterrar completamente a floresta”.

Devido ao estado excepcional de conservação da floresta, os cientistas acreditam que todo esse processo ocorreu rapidamente no tempo geológico, em questão de dias ou poucos anos, enquanto um processo de fossilização em condições normais costuma demorar milhares ou milhões de anos.

“No tempo geológico, esse período de dias a poucos anos é comparável a um piscar de olhos. Nesses casos, o que vemos atualmente nessa floresta é muito fidedigno ao que era o ecossistema da época em que vivia”.

Vestígios da vida passada

Assim como os fósseis dos demais seres vivos, plantas fossilizadas preservam uma enorme quantidade de valiosas informações que revelam aspectos da evolução biológica, datação e reconstituição da história geológica da Terra, ecossistemas e climas do passado.

Muitas dessas informações são difíceis de recuperar pois, durante sua vida ou morte, as plantas colapsam e são levadas para longe de seu habitat, perdendo suas características originais. Por isso a vegetação descoberta no Paraná é ainda mais importante, devido à sua rara fossilização instantânea, que torna seus elementos extremamente fiéis.

“O registro da floresta de licófitas em Ortigueira é significativo para a história da evolução das plantas no Gondwana e também em escala global. Uma floresta tão completa e bem preservada como essa pode servir como comparação, que até então não havia sido feita, com o registro das florestas de licófitas de outras partes do mundo e ajudar a estabelecer semelhanças e diferenças na evolução destas plantas”, acredita Thammy.

Dessa forma, a história das licófitas, que é contada apenas com base em descobertas da Europa e dos Estados Unidos, pode passar a considerar a descoberta do Gondwana, em Ortigueira.

A floresta descrita ainda ajuda a traçar o clima existente na época, demonstrando que uma importante mudança climática ocorreu naquele período, com a passagem de uma forte glaciação para um período de clima mais quente, chamado pós-glacial.

Procura por rochas levou à revelação da floresta

A cientista conta que visitava afloramentos de rochas no norte do estado para coletar dados e amostras de rochas do período de transição entre a glaciação do neopaleozoico para um estágio pós-glacial, quando descobriu a floresta descrita no artigo.

Ela estava junto com seu orientador, Fernando Vesely, que é professor do Departamento de Geologia da UFPR e coordenador do Laboratório de Análise de Bacias (Labap) e de outros três pesquisadores norte-americanos que desenvolveram projetos com o grupo de pesquisa da universidade. Após o achado, a pesquisa também teve o suporte do paleobotânico Roberto Iannuzzi, professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e co-orientador da tese.

Para estudar as plantas, os pesquisadores utilizaram métodos diretos e indiretos, incluindo a análise de todas as árvores em relação ao diâmetro do caule, altura, modo de preservação, morfologia, constituição e mapeamento das árvores utilizando um GPS de alta precisão.

“Pela primeira vez no mundo no estudo de árvores fósseis, empregamos um radar de penetração no solo (ground penetrating radar – GPR) para localizar árvores em subsuperfície. O método trouxe resultados bastante satisfatórios”.

Além dos avanços científicos proporcionados pela descoberta da floresta de licófitas, Thammy acredita que o achado pode ajudar a população a se aproximar de conceitos como noção do tempo geológico, noção de ambientes que existiram no passado e não existem mais atualmente, além de proporcionar uma visão do ecossistema dessa vegetação, que é diferente dos atuais.

“Experiências como essa ajudam a população a compreender processos e cenários da história da Terra que não são ensinados nas escolas”, finaliza.


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Este texto foi originalmente publicado pelo “Ciência UFPR” [Aqui!].