O longo braço do lobby da soja sufoca povos indígenas na Amazônia

Como os gigantes agrícolas do Brasil estão usando a política e os agrotóxicos para expulsar os povos indígenas de suas terras 

Com a construção do terminal de Santarém, em 1998, a empresa norte-americana Cargill lançou as bases para o cultivo industrial de soja no estado do Pará. Foto: Knut Henkel 

Por Knut Henkel, de Açaizal, para o “Neues Deutschland”

Josenildo dos Santos, de 39 anos, é professor da aldeia e, como cacique, uma espécie de chefe da aldeia, representa as cerca de 70 famílias indígenas Munduruku do Açaizal perante as autoridades, na justiça e junto a empresas agrícolas. Estas últimas cultivam soja e milho nas fazendas vizinhas, grandes propriedades rurais, alternando-as. No final do verão, o milho é a cultura dominante na aldeia. A soja tem um ciclo de crescimento de apenas quatro meses , o que complementa as espigas amarelas, que levam de sete a oito meses para serem colhidas.

Especialmente ao redor da cidade amazônica de Santarém , vastas terras agroindustriais se estendem por um planalto. O cultivo de soja começou lá em 1998 – e vem se expandindo continuamente desde então. Isso ocorre frequentemente em terras reivindicadas por comunidades indígenas como os Munduruku em Açaizal. “Os processos judiciais sobre os títulos de propriedade que reivindicamos para áreas onde nossa comunidade vive há cerca de 100 anos estão em andamento desde 2000”, diz dos Santos. “Grandes áreas foram destruídas e plantadas com soja desde então.

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas começa em 10 de novembro no Brasil – bem no coração de um país onde a floresta amazônica está desaparecendo a um ritmo alarmante. Nossa série mostra a rapidez com que o desmatamento está progredindo – e quais soluções existem para o desenvolvimento econômico sustentável.

O chefe da aldeia representa sua comunidade no longo processo – apoiado pela Igreja Católica. A igreja assessora não apenas o município de Açaizal, mas também pelo menos outras cinco aldeias da região. “Onde quer que os produtores de soja avancem pela Rodovia Transamazônica , as aldeias estão sob pressão e ameaçadas de deslocamento”, explica Gilson Fernando de Jesús Rego, engenheiro agrônomo da Pastoral Rural Católica, em uma noite em Santarém. A rodovia é o elo de transporte mais importante da região.

“Os produtores de soja são muito agressivos, limpando a terra, inventando fatos — eles cultivam soja e pulverizam pesticidas até 15 vezes nos quatro meses entre a semeadura e a colheita.” Rego fala com cautela. Ele se recusa a ser fotografado e só compartilhará um novo estudo sobre conflitos de terra quando for publicado. “O lobby da soja tem um braço longo”, diz ele, em tom de desculpa.

Cultivo de soja no campo de futebol

O início do cultivo de soja no estado do Pará foi a construção de um terminal de soja pela empresa americana Cargill no porto de Santarém. Isso criou a infraestrutura para a expansão massiva do cultivo da planta, cujos grãos também são usados ​​na Europa principalmente como ração animal – em detrimento da floresta tropical. Isso é evidente nos arredores da vila de Açaizal.

Há apenas dez anos, a aldeia, com suas aproximadamente 70 casas, era cercada por uma densa floresta tropical. Pequenos agricultores como Paulo Munduruku caçavam ali, coletando castanhas-do-pará, frutas e plantas medicinais. Mas essa era está chegando ao fim. Hoje, um produtor de soja mora com sua família na aldeia – e continua a se expandir. Há alguns meses, ele exigiu que a comunidade da aldeia desocupasse o campo de futebol. “Ele disse que queria plantar soja lá”, lembra Munduruku, de 62 anos. “Quando eu me opus, junto com um dos meus filhos, ele nos ameaçou. Quase se tornou violento.”

Paulo Munduruku mora em um terreno no centro da aldeia, onde se encontram diversas castanheiras e árvores frutíferas. Ele plantou uma horta para sustentar a si mesmo e à sua família, pelo menos parcialmente. Isso costumava ser muito mais fácil antes da chegada dos produtores de soja. “Hoje, estamos cercados por fazendas de soja que ocuparam terras para as quais solicitamos o título de propriedade.” O ex-cacique recebeu ameaças de morte de produtores de soja diversas vezes porque descreve a situação com clareza.

Burocracia como arma

Este é o caso de muitas comunidades na Amazônia brasileira. Elas frequentemente têm uma relação tensa com as autoridades, que exigem provas de que as famílias vivem na região há muito tempo, que administram o meio ambiente de forma sustentável e que, portanto, têm direito legítimo à terra. Tal burocracia é estranha a muitas comunidades. “Mas sem títulos de terra, é impossível defender a área que habitamos da invasão de sociedades agrárias ou mineradoras”, explica Munduruku, com um gesto de desdém e olhando para seu sucessor, Josenildo dos Santos.

Ambos estão desgastados pela interminável batalha judicial. E veem que os produtores de soja não precisam lidar com tais obstáculos. “Eles compram pastagens de fazendeiros ou pequenos agricultores, mas também deslocam comunidades como a nossa”, critica Santos. “Eles ocupam terras – sem a intervenção do Estado. Pelo contrário: eles até recebem empréstimos.” A razão para isso é óbvia: o lobby da soja tem boas conexões com instituições públicas, pode influenciar significativamente as decisões nos parlamentos regionais e também tem um forte lobby no parlamento nacional em Brasília. O agronegócio controla financeiramente a política brasileira, explica o cientista agrícola Rego.

Moratória suspensa

De fato, os produtores de soja estão continuamente ocupando novas terras. Por um tempo, a moratória da soja acordada em 2006 – destinada a impedir o cultivo de feijão em terras recém-desmatadas – desacelerou essa expansão. No entanto, o acordo foi recentemente suspenso, tornando a soja novamente um dos principais impulsionadores da destruição da Amazônia. As metas climáticas do Brasil são, portanto, prejudicadas, e a população local está sofrendo particularmente com os desertos agroindustriais de milho e soja.

A professora dos Santos está particularmente preocupada com a saúde dos moradores quando agrotóxicos são pulverizados nas imediações da escola. “Náuseas, vômitos e até erupções cutâneas são o resultado. Aqui na aldeia, a maioria está preocupada com os efeitos que os pesticidas podem ter sobre a nossa saúde.” Sabe-se que o glifosato, sob o nome comercial Roundup, é usado no cultivo de soja. Não se sabe se outros agrotóxicos são usados. Os produtores locais de soja permanecem em silêncio sobre o assunto.

No entanto, os industriais agrícolas podem ter desconfiado da presença de uma equipe de pesquisa viajando por Santarém, realizando entrevistas e exames médicos, muitas vezes perto de escolas. Eles visitaram especificamente vilarejos no chamado corredor da soja do estado do Pará, onde o cultivo aumentou significativamente nos últimos anos.

Evidência científica

“Queremos determinar se há alguma mudança na população local”, explica Annelyse Rosenthal Figuerredo, professora da Universidade de Santarém. “Observamos pequenas mudanças nos testes cognitivos e visuais em comparação com o grupo de controle de uma área sem exposição a pesticidas. Também há alterações nas contagens sanguíneas.”

Para Figuerredo, essas são indicações claras dos efeitos negativos do uso generalizado de agrotóxicos. Embora tal descoberta científica não deva surpreender, ela é importante — é a única maneira de as agências governamentais agirem. A comunidade da aldeia de Açaizal espera que o estudo ajude a impor distâncias maiores entre edifícios residenciais e tratores que pulverizam pesticidas no futuro. O estudo ainda não foi publicado. Não está claro se será publicado antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Belém , que começa em 10 de novembro.

“É claro que sabemos que o estudo causará comoção — e que o lobby da soja tentará desacreditar os resultados e a nós, pesquisadores”, diz Rosenthal Figuerredo. “Nós respeitamos isso. Mas já sabemos de várias escolas onde crianças com intoxicação por agrotóxicos tiveram que ser tratadas em postos de saúde.”

O professor e cacique Josenildo dos Santos também quer se basear justamente nesses casos. “Precisamos de argumentos fortes contra os grandes agricultores que colhem mais soja a cada ano”, afirma. Na safra atual, o total foi de 169 milhões de toneladas — mais de 16 milhões de toneladas a mais do que em 2024. Esse aumento anda de mãos dadas com a superexploração da floresta tropical.


Fonte: Neues Deutschland

Relatório põe Brasil no centro da crise climática e diz que é hora de puxar o freio de emergência nas emissões de metano

Gado no Pará

O Brasil tem mais de 70% de suas emissões de metano ligadas à agropecuária 

BORI - Soluções para um conhecimento científico acessível

Um relatório divulgado nesta terça-feira (23) pelo Climate Crisis Advisory Group, organização formada por 19 especialistas de 12 países, aponta que o corte das emissões de metano é a ação mais rápida e barata para conter o aquecimento global ainda nesta década. O grupo internacional de cientistas descreve as ações do tipo como um “freio de emergência” capaz de evitar até 0,3°C de aquecimento se as emissões forem reduzidas em 45% até 2030. 

O documento alerta que, embora as atenções globais estejam voltadas para o dióxido de carbono (CO₂), o metano é responsável por cerca de 30% do aquecimento já registrado e tem efeito mais de 80 vezes mais potente do que o CO₂. Por permanecer pouco mais de uma década na atmosfera, cada corte nas emissões gera efeito imediato de resfriamento, perceptível em poucos anos.

O Brasil ocupa posição central nesse desafio. O país concentra mais de 70% de suas emissões de metano na agropecuária, principalmente na criação de gado. Resíduos e energia completam o quadro. Para os autores, essa configuração coloca o Brasil simultaneamente como um dos maiores riscos e uma das maiores oportunidades globais de liderança. O programa federal “Zero Metano”, lançado em 2022, é citado como carente de metas claras e mecanismos robustos de monitoramento, com risco de se tornar apenas simbólico se não for integrado a políticas agrícolas e de uso da terra mais amplas.

O estudo apresenta medidas de baixo custo já disponíveis. Na energia, recomenda banir a queima e o descarte de metano em poços de petróleo e gás, adotar monitoramento rigoroso de vazamentos e garantir transparência nos relatórios de emissões. Na agricultura, propõe limites estritos para grandes propriedades de gado e laticínios, incentivo a ações que diminuam a produção de metano e sistemas de manejo de esterco que permitam gerar biogás em pequenas propriedades. No setor de resíduos, pede coleta universal, desvio de orgânicos de aterros e incentivo à compostagem e ao uso de bioenergia.

Para a ecóloga Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Brasília e integrante do grupo, o momento é de transformar o desafio em oportunidade. “A oportunidade de combater a mudança do clima por meio da redução das emissões de metano é também uma oportunidade de reformular nossos sistemas agroalimentares. Isso significa dar mais transparência sobre os impactos da cadeia de produção de alimentos, melhorar a sustentabilidade, garantir água e segurança alimentar, proteger a saúde e promover justiça social”, afirma.

“O metano é o único freio de emergência que temos à disposição. As soluções estão prontas, são acessíveis e trazem ganhos imediatos para a saúde, a segurança alimentar e os meios de vida. Em países como o Brasil, onde a agricultura é parte central da economia, não agir equivale a investir na própria queda”, diz David King, presidente do Climate Crisis Advisory Group.

O Climate Crisis Advisory Group inclui autoridades de destaque em ciência do clima, emissões de carbono, energia, meio ambiente e recursos naturais. Alguns de seus membros também participam de conselhos consultivos governamentais. Sua função é complementar, e não substituir, esses outros papéis. A atuação envolve análises aprofundadas de questões políticas e financeiras, inclusive daquelas que ainda não estão presentes nas agendas governamentais. Todos os cientistas concordaram em dedicar seu tempo de forma voluntária, sem qualquer remuneração.

A lista completa de recomendações inclui:

Energia

  • Proibir o venting, ou seja, impedir que empresas liberem metano diretamente na atmosfera
  • Proibir o flaring rotineiro, encerrando a queima de gás nos poços, prática poluidora e desperdiçadora
  • Detectar e reparar vazamentos com monitoramento regular e reparo imediato em toda a infraestrutura de óleo e gás
  • Garantir transparência por meio de relatórios independentes e robustos sobre emissões, usando as melhores técnicas e tecnologias disponíveis

Agricultura

  • Estabelecer limites rígidos de intensidade de metano em fazendas de gado de corte e leite, com monitoramento e fiscalização
  • Exigir manejo responsável do esterco, com tratamento e armazenamento adequados para evitar liberação de metano, conforme o porte da fazenda
  • Reduzir emissões de ruminantes por meio de práticas alimentares que diminuam significativamente o metano
  • Apoiar pequenos produtores com recursos, capacitação e infraestrutura para cortar emissões e acessar energia limpa
    Reduzir emissões da produção de arroz e da aquicultura com práticas de manejo comprovadas

Resíduos

  • Fortalecer regras de gestão de resíduos, com coleta universal, separação, reciclagem e desvio de materiais do aterro
  • Impedir o envio de alimentos e outros resíduos orgânicos para aterros, direcionando-os para compostagem, biogás ou biochar
  • Apoiar sistemas circulares de alimentos, reformando cadeias alimentares, educando populações para reduzir desperdício na origem, incentivando mudanças na dieta e garantindo acesso a alimentos de baixa emissão
    Trabalhar com comunidades por meio de centros locais, inclusão de trabalhadores informais e infraestrutura acessível para mudanças de baixo para cima
  • Monitorar e capturar o metano de aterros, exigindo acompanhamento rigoroso e sistemas de coleta baseados nas melhores práticas compatíveis com a capacidade local

O relatório completo pode ser acessado no link: http://www.ccag.earth/reports/methane-the-emergency-brake-for-climate-heating


Fonte: Agência Bori

Agrotóxicos no seu prato – Novo estudo alerta para a necessidade de compreender melhor os efeitos na saúde

Por Carey Gillam para o “The New Lede” 

Comer muitas frutas e vegetais é recomendado como essencial para uma dieta saudável, mas novas pesquisas ressaltam que o consumo de alimentos favoritos da família, como morangos, pêssegos, espinafre e couve, geralmente vem acompanhado de resíduos de agrotóxicos que podem prejudicar sua saúde.

Usando conjuntos de dados gerados por pesquisadores do governo dos EUA, uma equipe que inclui cientistas do Environmental Working Group (EWG) e da Brown University School of Public Health disse no estudo divulgado na quarta-feira que eles descobriram que os alimentos que tinham as maiores cargas de agrotóxicos incluíam espinafre, couve, morangos, batatas, nectarinas, pêssegos, maçãs e passas.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirmam que frutas e vegetais “fornecem vitaminas e minerais essenciais, fibras e outras substâncias importantes para uma boa saúde”.

“Comer frutas e vegetais como parte de um plano alimentar saudável pode reduzir o risco de alguns tipos de câncer e doenças crônicas”, afirma a agência em seu site .

Mas o novo estudo, publicado no International Journal of Hygiene and Environmental Health, analisou a relação entre o consumo de alimentos contaminados com agrotóxicos e os níveis de resíduos presentes na urina humana. O estudo alerta que o consumo de certos alimentos contaminados com agrotóxicos leva a níveis mais elevados de resíduos encontrados no soro humano. O estudo afirma que é necessário um melhor monitoramento dos potenciais impactos da exposição a agrotóxicos sobre a saúde.

“As descobertas reforçam que o que comemos afeta diretamente o nível de agrotóxicos em nossos corpos”,   disse Alexis Temkin, Ph.D. , vice-presidente de ciência do EWG e principal autor do estudo, em um comunicado à imprensa. “Comer vegetais é essencial para uma dieta saudável, mas também pode aumentar a exposição a agrotóxicos.”

O estudo cita pesquisas que relacionam a exposição a agrotóxicos a uma série de problemas de saúde, incluindo aumento do risco de câncer, resultados adversos no parto, danos neurológicos, toxicidade respiratória, toxicidade reprodutiva e função hormonal prejudicada.

“O biomonitoramento de  agrotóxicos é essencial para a proteção da saúde pública”, afirma o estudo. “O desenvolvimento de métodos analíticos para medir a exposição interna a uma gama mais ampla de agrotóxicos também ajudaria a compreender os efeitos na saúde associados a essas exposições.”

Os pesquisadores disseram que criaram um “índice de carga de agrotóxicos” para classificar produtos com base em dados nacionais de testes de resíduos coletados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), principalmente entre 2013 e 2018 para 44 tipos de produtos.

As pontuações de exposição alimentar a pesticidas para 1.837 indivíduos foram então calculadas com base em informações sobre o consumo de produtos agrícolas retiradas da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição (NHANES) de 2015-2016 do CDC. Os índices de carga de agrotóxicos foram calculados com base na detecção de 178  produtos parentais únicos, ou 42 agrotóxicos parentais com biomarcadores urinários correspondentes na NHANES.

Os pesquisadores disseram que o estudo aumenta as dúvidas sobre a abordagem da Agência de Proteção Ambiental em relação aos resíduos de agrotóxicos em alimentos, já que a agência estabelece limites para substâncias individuais, mas não leva em conta o fato de que as pessoas normalmente consomem resíduos de uma série de substâncias que contaminam produtos alimentícios.

O Dr. Philip Landrigan, pediatra e especialista em toxinas ambientais e diretor do Observatório Global de Saúde Planetária do Boston College, disse que a exposição a agrotóxicos na dieta pode ser particularmente preocupante para crianças.

“Pode ser verdade que um baixo nível de uma determinada substância química não seja motivo de preocupação para um adulto. Mas tudo se complica quando se trata de crianças e bebês ainda não nascidos no útero”, disse ele.

“O monitoramento é muito importante. Como pediatra, sempre fico irritado quando pessoas que não estudaram medicina dizem que a presença de uma substância química tóxica no corpo humano não é motivo de preocupação”, disse Landrigan.

(Foto em destaque de  Engin Akyurt  no  Unsplash.)


Fonte: The New Lede

Estudo feito na França revela a presença de toneladas de agrotóxicos estocadas nas nuvens

Medições feitas em Puy-de-Dôme mostram a presença de dezenas de agrotóxicos no interior das nuvens, alguns dos quais estão proibidos há vários anos, com concentrações que excedem os limites da União Europeia para água potável

A uma altitude de 1.500 metros, pesquisadores do Laboratório de Meteorologia Física da Universidade de Clermont-Ferrand descobriram 32 substâncias diferentes. (PASCAL POCHARD-CASABIANCA / AFP)

A uma altitude de 1.500 metros, pesquisadores do Laboratório de Meteorologia Física da Universidade de Clermont-Ferrand descobriram 32 substâncias diferentes. (PASCAL POCHARD-CASABIANCA / AFP)

Por FranceInfo 

Até 140 toneladas de agrotóxicos foram encontradas nas nuvens, de acordo com um estudo publicado por uma equipe científica da Universidade de Clermont-Ferrand (Puy-de-Dôme), informou a France Inter no domingo, 21 de setembro.

A uma altitude de 1.500 metros, no topo do Puy de Dôme, pesquisadores do Laboratório de Meteorologia Física da Universidade de Clermont-Ferrand, auxiliados por colegas italianos, descobriram 32 substâncias diferentes: herbicidas, inseticidas, fungicidas e até produtos proibidos há vários anos por sua periculosidade. Eles coletaram seis amostras de nuvens de diferentes estações do ano e descobriram que metade delas continha concentrações que excediam os limites estabelecidos pela União Europeia para água potável.

Agrotóxicos de outros lugares

Com base nessas amostras, os cientistas estimaram a quantidade total transportada pelas nuvens. É muito mais do que eles imaginavam: entre 6 e 140 toneladas de pesticidas, dependendo da circulação das nuvens. Como produtos proibidos na Europa são encontrados lá, eles devem ter vindo de outro lugar, já que os agrotóxicos são voláteis. Espalhados no solo, eles evaporam, se movem com as massas de ar e, então, empurrados pelo vento, são depositados novamente em outro lugar.

Esse efeito gafanhoto pode ocorrer em longas distâncias, como sugere como sugere este estudo publicado na Environmental Sciences & Tecnology . Em outras palavras, mesmo em áreas sem tratamento, como os polos ou montanhas, os agrotóxicos caem nas chuvas. Essa poluição, insuspeitada por sua escala, pode explicar em parte a poluição generalizada dos cursos d’água.


Fonte: FranceInfo

As duas faces de Lula: líder climático global versus paladino da devastação amazônica

O presidente Lula é um daqueles personagens históricos que já alcançaram a transcendência de suas pessoas físicas.  A longa trajetória de criança pobre migrante para líder de uma das maiores economias do planeta dá essa condição a ele. Goste-se ou não dele, Lula já é uma daquelas figuras que estão marcadas na história não apenas do Brasil, mas do mundo.

Dito isso, Lula é uma daquelas esfinges que são aparentemente difíceis de serem decifradas. Basta ver a última participação na Assembleia Geral das Nações Unidas onde apareceu a face do líder carismático e antenado com as coisas do mundo, a começar pela luta em prol dos palestinos onde ele foi duro e certeiro. Mas o discurso de Lula também abrangeu áreas delicadas como a guerra contra a fome e a pobreza, bem como sobre a necessidade proteger o ambiente, a começar pela necessidade de se encontrar respostas para os problemas derivados das mudanças climáticas.  Lula inclusive propôs a criação de um conselho para monitoramento das ações climáticas globais e conclamou os países a se comprometerem com metas ambiciosas para redução de emissão dos gases que causam o efeito estufa.

Esse é a face de Lula que é consumida globalmente. A de um líder de esquerda pragmático, mas que não tem medo de tocar nos problemas candentes do mundo, nem de criticar, ainda que indiretamente, as pressões autoritárias do presidente Donald Trump contra a democracia, especialmente a brasileira. Digamos que esse é o Lula para o consumo externo, aquele que recebe afagos até de quem ele acabou de criticar, como foi o caso de Trump.

A outra face de Lula, a doméstica

Porém, para o consumo interno, sobre a outra face de Lula. Aquela face que deixa os grandes discursos de lado e parte para os acordos diretos e retos para manter o Brasil na sua condição de economia agromineral, e cada vez mais desindustrializada.  E é justamente na Amazônia que essa face doméstica mais causa danos porque impõe uma visão de economia do Século XIX, a da fronteira de recursos.

Quando Lula assumiu seu primeiro mandato, escrevi um texto na revista NovaAmérica onde eu previa um ataque à Amazônia por parte do governo que assumia.. Me baseei para fazer essa previsão em declarações que Lula fez durante a festa de Parintins onde ele atacava as restrições criadas pelo licenciamento ambiental para a expansão das hidrelétricas na Amazônia.  Depois disso, vimos a construção de Belo Monte e das hidrelétricas do Rio Madeira.  O fato é que com base no discurso Neodesenvolvimentista, o primeiro governo Lula acabou fazendo coisas que nem os governos militares conseguiram, sempre sob o manto do discurso em prol do desenvolvimento.

Agora em seu terceiro mandato, Lula resolveu atacar os técnicos do IBAMA por causa das exigências técnicas para liberação das licenças ambientais para exploração do petróleo na Foz do Amazonas que ele rotulou de “lenga-lenga”.  Depois de todas as pressões pouco republicanas, as licenças estão sendo concedidas sem que os problemas identificados pelos técnicos do IBAMA tenham sido resolvidos. 

Mas é na pavimentação da BR-319 que essa face pró-devastação de Lula fica ainda mais clara, pois até uma medida provisória (a 1308/25)  foi promulgada para estabelecer a chamada Licença Ambiental Especial (LAE). A questão é que a LAE permitirá não apenas a exploração do petróleo na Foz do Amazonas, mas também a pavimentação da BR-319, cujos efeitos sociais e ecológicos deverão ser devastadores sobre o último grande bloco intacto de floresta na Amazônia.   Mas a pavimentação da BR-319 também atingirá em cheio comunidades tradicionais, terras indígenas e a população da cidade Manaus, conforme mostrou artigo que foi divulgado neste espaço no dia de hoje.

Duas faces da mesma moeda

A verdade é que não me parece haver contradição alguma entre as duas faces de Lula. O que ele faz no plano internacional é fortalecer a sua imagem para tratativas que dependem diretamente da sua capacidade de fazer valer sua visão de desenvolvimento econômico no plano interno.  Eu diria que ele age para se colocar em uma posição de negociador menos precário, pois com a imagem de paladino de uma esquerda que não assusta, ele consegue impor sua agenda agromineral com mais facilidade no plano interno.  

E é até por isso que os governantes das economias centrais gostam de Lula, pois ele é um tipo de mascate viajante em quem se pode confiar. Ao contrário do instável Jair Bolsonaro que, acima de tudo, demonstrou ser um incompetente completo no tipo de tratativa em que Lula é mestre.

O problema é que mantidas as condições normais de temperatura e pressão em que Lula opera, o que teremos pela frente é mais devastação ambiental, mais agrotóxicos e mais dependência de produtos industrializados importados.  Tudo isso em nome de um modelo de desenvolvimento que se já era ruim no Século XIX, imaginem agora em um mundo que ronda o colapso climático.

Tribunal de Justiça do RS libera uso de agrotóxico 2,4-D para safra 

Denúncias de deriva do 2,4-D caem, mas produtores de uva continuam sofrendo  perdas | GZH

Deriva de 2,4-D causa morte de parreirais na campanha gaúcha

Por Sílvia Lisboa para “Matinal”

Em decisão publicada em 15 de setembro, o desembargador Francesco Conti, do Tribunal de Justiça gaúcho, manteve a decisão que suspendeu a proibição do agrotóxico 2,4-D. Com isso, o herbicida poderá ser usado no plantio da soja, que começa neste mês.

O governo de Eduardo Leite (PSD) entrou com um recurso contra a decisão da juíza Patrícia Laydner, titular da Vara de Meio Ambiente, que proibiu temporariamente uso do herbicida até que o estado delimitasse zonas de exclusão ou um zoneamento que protegesse as culturas da uva, da maçã, das oliveiras e a fruticultura, em geral, que são destruídas pela deriva do herbicida. O recurso pedia o efeito suspensivo da decisão da primeira instância, alegando que “as perdas na Região da Campanha poderiam ser superiores a 30% nas lavouras de grãos.”

Conti julgou procedentes os argumentos da ação civil pública em nome de duas associações de produtores de vinho e maçã que entraram com a ação civil pública em 2020, solicitando a proibição do uso do 2,4-D, um dos componentes do Agente Laranja, uma arma química usada na Guerra do Vietnã. O produto é muito usado nas lavouras da soja, milho, arroz e outros grãos e cereais, mas inviabiliza os cultivos de frutas e oleaginosas. O desembargador entendeu que, até ser analisado o mérito da apelação do estado, que quer manter o herbicida em uso, fica suspensa a proibição. Ou seja, até a ação não ter transitado em julgado, o 2,4-D seguirá liberado ao uso no Rio Grande do Sul.

Entramos em contato com a Associação de Vinhos Finos da Campanha, uma das autoras da ação, mas não obtivemos retorno até o fechamento desta notícia. O espaço segue aberto.

Para o deputado estadual Adão Pretto Filho (PT), vice-presidente da subcomissão sobre herbicidas hormonais da Assembleia Legislativa, a decisão é resultado da falta de diálogo do governo com os setores produtivos.

“O governo teria a oportunidade de dialogar com esses setores tão importantes, da fruticultura, da uva, das hortaliças, e tão afetados pelo 2,4-D e outros hormonais, mas de forma autoritária foi ao judiciário, pensando só no benefício econômico de alguns”, declara. “Lamentavelmente, a iniciativa foi tomada sem diálogo e de forma atrasada. A ciência e os pesquisadores já conhecem o mal que esses venenos fazem para o nosso estado.”

Além dos prejuízos aos cultivos de frutas e hortaliças, o 2,4-D causa danos à saúde humana. A Organização Mundial de Saúde (OMS) o classifica como possivelmente cancerígeno para humanos. Um dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) mostra que a substância está associada a problemas endócrinos, formação de câncer e malformações fetais.

A Assembleia Legislativa do RS criou uma subcomissão para debater o assunto que opõe o setor agrícola do estado. Em um relatório, a subcomissão propôs um novo marco regulatório com 10 medidas estruturantes que tentam melhorar as ações de fiscalização, regrar a aplicação do agrotóxico, criar um fundo para indenizar produtores atingidos e outro para premiar aqueles que conservam os biomas, entre outras ações.


Fonte: Matinal

Flores (agro) tóxicas: sem limite de agrotóxico, cultivo de flores põe em risco saúde de produtores e clientes

Produção de flores ornamentais não é monitorada quanto à aplicação correta de agrotóxicos e dispensa análise de resíduos químicos no produto final; falta de normas leva ao uso excessivo de pesticidas, segundo pesquisadores 

Mercado de flores ornamentais não passa por controle de resíduos de agrotóxicos no mercado, o que é visto como um risco à saúde (Ilustração: Rodrigo Bento/Repórter Brasil) young beautiful couple happy man and woman with bouquet of flowers smiling cheerfully embracing happy in love celebrating international women's day march 8 standing over orange background

Por Adriana Amâncio | Edição Diego Junqueira para “Repórter Brasil”

Quem visita uma unidade de produção de plantas ornamentais, como as usadas em festas de casamento, pode se deparar com impressões conflitantes. Por um lado, a inegável beleza das flores. Por outro, o forte cheiro dos agrotóxicos — responsáveis por náusea e dores de cabeça em quem lida diariamente com a atividade. 

Em 2024, o setor empregou 265 mil trabalhadores e movimentou mais de R$ 21 bilhões. Apesar da escala, o cultivo de plantas ornamentais não é monitorado em relação à aplicação correta de agrotóxicos e está sujeito a regras mais brandas que as exigidas nas lavouras de alimentos. 

Órgãos competentes, como Anvisa e Ministério da Agricultura, não estabelecem, por exemplo, limites de segurança de resíduos dessas substâncias para o cultivo desse tipo de planta. Estudos recentes, porém, têm mostrado que a falta de normas e de fiscalização coloca em risco não só a saúde dos trabalhadores, mas também a dos clientes. 

“Já tive dor de cabeça, enjoo, tontura. Mesmo com o EPI [equipamento de proteção individual], a gente sente”, conta um produtor de Nova Friburgo (RJ), um dos polos de produção no país, que prefere não se identificar. 

Aos 27 anos, o produtor mantém um hectare de flores como boca-de-leão, áster mariana e tango, comumente usadas em buquês, arranjos e decoração de eventos.

Com poucos agrotóxicos com aplicação indicada para esses tipos de flores, o agricultor recorre a produtos de outras culturas. É o caso do Verango, fabricado pela Bayer e recomendado para frutas, grãos e legumes.

O fungicida é um dos mais usados pelo produtor, cujo trabalho é em boa parte manual. “A aplicação é feita com um jato conectado a um motor, que suga a mistura de agrotóxico com água direto da bomba até a copa das flores”, descreve.

Ele aplica 1 litro por hectare. Essa é a dose máxima indicada na bula do Verango para a maioria das frutas, mas está acima do prescrito para culturas como algodão e soja. Como o produto não é indicado para flores, o floricultor de Nova Friburgo (RJ) não conta com nenhuma orientação precisa sobre a forma correta de uso do Verango.

“Eu aplico semanalmente, sempre às sextas, e realizo a colheita nas segundas. Tem produtor que pulveriza, já colhe e leva para o consumidor final”, conta. Em dias de pouca ventilação, as gotículas de agrotóxico não se disseminam bem e formam “uma névoa branca sobre as flores que demora a sair”, detalha o produtor. 

A bula do Verango recomenda para algumas frutas o intervalo de segurança de três dias entre a última aplicação e a colheita. No caso do tomate, o período de carência é de 30 dias. Como não há indicação para flores, o produto sequer foi testado para plantas ornamentais.

A falta de opções de agrotóxicos para esse tipo de atividade é explicada pelo fato de as flores integrarem a categoria de Cultura com Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI), explica o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Robson Barizon. Trata-se de um grupo de cultivos para o qual há poucos agrotóxicos registrados pelas indústrias, por serem considerados de pequeno porte. 

“As indústrias priorizam produtos destinados a culturas maiores, com maior retorno financeiro”, afirma Barizon. Com isso, os agricultores acabam recorrendo a produtos registrados para outras lavouras, como a soja. A praga pode até ser a mesma que afeta as flores, explica o pesquisador, mas as diretrizes de segurança não foram testadas para a espécie.

O uso irregular de agrotóxicos revela também falhas na fiscalização pelo poder público, afirma Luiz Cláudio Meirelles, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e ex-gerente da área de toxicologia da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“Os agrotóxicos só podem ser vendidos com receitas agronômicas. Se o agrônomo sabe que o produtor está comprando um produto sem registro para usar em flores, ele precisa ser responsabilizado. Se o agricultor adquire um agrotóxico sem receita, a fiscalização precisa atentar para isso”, resume.

Cultivo de flores faz parte do grupo de culturas com poucos agrotóxicos disponíveis no mercado por desinteresse da indústria (Foto: Arquivo pessoal)
Cultivo de flores faz parte do grupo de culturas com poucos agrotóxicos disponíveis no mercado por desinteresse da indústria (Foto: Arquivo pessoal)

Setor não monitora limites de agrotóxicos no produto final

Apesar do número insuficiente de agrotóxicos, o cultivo de flores deveria ter regras mais claras para o uso dos químicos, de acordo com especialistas consultados pela Repórter Brasil. 

O setor deveria, por exemplo, passar por controle de resíduos de agrotóxicos no produto final. Mas como se trata de um item “não alimentar”, a legislação dispensa a definição do LMR (Limite Máximo de Resíduo).

Esse parâmetro define a quantidade máxima aceitável de resíduos que pode ser encontrada em determinado produto. O objetivo é evitar a aplicação em excesso dos agrotóxicos e reduzir o risco de contaminação. “Se o produto final é analisado e têm uma quantidade acima do permitido, pode indicar que o produtor aplicou mais vezes do que o indicado ou colheu antes do prazo”, explica Barizon. 

A falta de limites de segurança é considerada “alarmante” pela cientista ambiental Patrícia Pereira, do Instituto de Biofísica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). “Cria muitos pontos nebulosos”, avalia.

“O produtor rural em campo está mais exposto à contaminação dérmica, pela pele. E o consumidor final também pode ter contato com os agrotóxicos residuais nas flores. Mas ninguém sabe a quantidade”, alerta Patrícia.

A pesquisadora é uma das autoras de um estudo publicado em 2021 sobre os riscos de exposição humana e contaminação ambiental na floricultura. A pesquisa concluiu que a falta de limites de agrotóxicos para as flores de uso ornamental pode levar ao uso excessivo de químicos no plantio.

O estudo fez uma revisão bibliográfica de pesquisas realizadas em várias partes do mundo e identificou 201 químicos adotados na produção de flores. Quase metade deles (94) é proibida na Europa, região com regras rigorosas para uso de agrotóxicos. Na Bélgica, um dos maiores produtores globais, resíduos tóxicos foram encontrados em amostras de flores e nas luvas usadas pelos trabalhadores.

Sobre o impacto à saúde, as pesquisas analisadas indicavam alterações no desenvolvimento neurocomportamental, disfunções endócrinas, distúrbios reprodutivos e malformações congênitas em trabalhadores e moradores de áreas produtivas. “No entanto, há pouca informação sobre a exposição por via oral e inalatória”, diz o estudo. 

Para a pesquisadora, o Brasil deveria definir limites de agrotóxicos no cultivo de ornamentais. “O LMR vai obrigar o registro adequado dos produtos para este tipo de cultura, criar parâmetros para coibir o uso excessivo e estabelecer o intervalo de segurança, evitando que o produtor defina esse prazo por conta própria”, explica.

“É fundamental estabelecer LMR específicos para o setor ornamental e criar incentivos para o registro de pesticidas adequados”, concorda o engenheiro agrônomo Márcio Godoi, pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, ligado à Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo). “Essas medidas são essenciais para garantir maior segurança ao consumidor, proteger o meio ambiente e promover uma produção de flores e plantas ornamentais mais sustentável”, afirma.

Um representante dos produtores ouvido pela reportagem reconhece os riscos na cadeia produtiva. “Temos poucos produtores associados, mas eles estão cientes que o uso de agrotóxicos é prejudicial à saúde. Mas sem agrotóxicos eles não conseguem colher um produto de qualidade”, diz Amauri Verly, presidente da Associação de produtores da Vargem Alta (Afloralta), de Nova Friburgo.

Nova Friburgo registrou 15 intoxicações exógenas por agrotóxico agrícola desde 2021, segundo o painel VSPEA. Em Holambra foram 11 casos oficiais, mas especialista apontam subnotificação (Foto: Arquivo Pessoal)
Nova Friburgo registrou 15 intoxicações exógenas por agrotóxico agrícola desde 2021, segundo o painel VSPEA. Em Holambra foram 11 casos oficiais, mas especialista apontam subnotificação (Foto: Arquivo Pessoal)

Uso de agrotóxicos potencialmente cancerígenos

Um dos motivos de preocupação é o fato de o setor usar agrotóxicos ligados a graves problemas de saúde, como o mancozebe e a abamectina, conforme contaram à Repórter Brasil produtores de Nova Friburgo e Holambra (SP), maior produtora nacional.

O mancozebe, ingrediente usado em produtos como o Ridomil, está associado a casos de câncer de tireoide. E a abamectina é investigada pela relação com infertilidade e baixa qualidade do sêmen.

A abamectina já passou por duas reavaliações da Anvisa, nos anos de 2008 e  2018. Na primeira, a Fiocruz emitiu uma nota técnica considerando que o produto provoca “toxicidade para o sistema nervoso, endócrino, reprodução e desenvolvimento”. Já em 2018, também optou-se por mantê-lo no mercado “com adoção de medidas de mitigação de riscos à saúde e necessidade de alterações no registro, monografia e bulas.”

O pesquisador da Fiocruz Luiz Cláudio Meirelles considera “perigoso destinar agrotóxicos carcinogênicos e com alta toxicidade para o cultivo de flores”. A solução mais viável, diz ele, seria os órgãos de registro priorizarem produtos biológicos, com baixa toxicidade. “Mais do que registrar, [é preciso] garantir o acesso, pois muitos agricultores sequer sabem que esses produtos existem e podem ser usados”, afirma.

“O cenário estufa, que é um ambiente fechado, aumenta os riscos [de contaminação] e precisa ser considerado para determinar medidas adequadas”, continua Meireles. 

Outro aspecto que levanta preocupação é a dependência do trabalho manual para o cultivo. Por se tratar de um produto sensível, isso ocorre em todas as etapas de produção, desde a colheita, pós colheita, embalagem e até a organização de arranjos e buquês. “É onde o funcionário da indústria floral tem o maior contato com esses produtos”, afirma o engenheiro agrônomo Márcio Godói, pesquisador da Esalq/USP.

“Essa exposição prolongada pode provocar a contaminação pela pele, que tem potencial de 10% de levar o agrotóxico à corrente sanguínea”, explica Godoi. “E as mãos, assim como a inalação, têm 100% de potencial de levar o produto à corrente sanguínea”, continua.

Mas os mais expostos são os produtores de flores, “pela demanda por aplicações sequenciais na alta temporada de vendas”, finaliza.

O que dizem Ibraflor e Anvisa?

Procurado pela Repórter Brasil, o Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura) afirmou que já existem no mercado opções de produtos registrados para as plantas ornamentais. “Além disso, muitos produtores não usam mais defensivos agrícolas e preferem optar por controle biológico”, diz a nota enviada à reportagem.

A Anvisa afirmou que “as flores não são consideradas culturas de uso alimentar e, de acordo com a legislação vigente, não são exigidos estudos de resíduos para tais culturas (RDC 4/2012, Art. 7º, § 4º).”

Ainda segundo o órgão, “as flores se enquadram no tipo de cultivo de plantas ornamentais, para o qual foi estabelecido regramento específico”, por meio de uma instrução normativa de 2019, assinada conjuntamente por Anvisa, Mapa e Ibama. “Este ato estabelece diretrizes para o registro de agrotóxico e afins destinados ao uso agrícola em cultivos de plantas ornamentais, bem como para inclusão desses usos em produtos já registrados”, diz a nota.


Fonte: Repórter Brasil

Queimadas na BR-319 estão por trás de poluição do ar em Manaus, aponta estudo

Pesquisa descarta que origem da fumaça seja de queimadas no estado do Pará

BORI - Soluções para um conhecimento científico acessível

A origem da fumaça que encobriu Manaus por meses em 2023 está diretamente ligada ao aumento do desmatamento ao longo das rodovias BR-319 e AM-254, especificamente nos municípios de Manaquiri, Careiro e Autazes. A constatação é de pesquisa publicada na revista Discover Sustainability por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da  Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). 

Para verificar a relação entre a exploração de terras nas rodovias e a poluição na capital amazonense, a equipe utilizou dados atmosféricos do Observatório Amazon Tall Tower (ATTO), do INPA, situado cerca de 150 km a nordeste de Manaus, na direção do Pará, e de sensores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para verificar as emissões de material particulado PM2.5, indicador-chave de poluição atmosférica; dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); e dados de satélite do Projeto de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Em 12 de outubro de 2023, quando Manaus amanheceu encoberta por fumaça, a concentração de PM2.5 chegou a 314,99 µg/m³, valor 20 vezes superior ao limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde, de 15 µg/m³.

Conforme a pesquisa, os incêndios foram agravados por uma seca extrema na Amazônia, resultante da combinação do El Niño e do chamado dipolo do Atlântico – quando as águas da porção norte do oceano ficam mais quentes, o que reduz a umidade que chega à Amazônia. Tais fenômenos criam condições propícias para incêndios florestais criminosos, que liberam grande quantidade de partículas de fumaça na atmosfera. A poluição intensifica a seca ao inibir a formação de chuva.

Sobre a origem da fumaça, Philip Fearnside, pesquisador do INPA e coautor do estudo, explica: “É descartado que a fumaça tenha vindo do Pará porque mensuramos tanto as emissões do estado quanto as do meio do caminho e elas não tinham a mesma proporção do nível de fumaça que chegou a Manaus”. A estação ATTO mostrou índices diários de qualidade do ar mais baixos em comparação com a média das estações localizadas ao sul de Manaus. Já os sensores da UEA em Santarém (PA) registraram picos após os verificados na capital amazonense — e com níveis inferiores. Além disso, mapas de vento e dados meteorológicos para outubro e novembro de 2023 indicaram uma grande pluma de fumaça originada da região sul de Manaus, claramente separada das emissões no Pará.

Segundo Lucas Ferrante, pesquisador da USP e principal autor do trabalho, observações de campo mostraram áreas queimadas nos municípios de Careiro e Autazes e no trajeto da BR-319, sendo rapidamente convertidas em pastagens, com presença de maquinário e gado.

Diante dos resultados, os pesquisadores enfatizam que a proposta de reconstrução da BR-319 é inviável e, aliada à fraca fiscalização ambiental, ameaça não apenas a biodiversidade e a estabilidade climática, mas também a sustentabilidade de centros urbanos que dependem da integridade ecológica da Amazônia. A estrada, que liga Manaus a Porto Velho, pode impactar 63 terras indígenas, cinco comunidades não reconhecidas e uma população de indígenas isolados, totalizando mais de 18 mil indígenas afetados pela rodovia. O governo federal afirmou que deve anunciar um “acordo definitivo” em setembro para a pavimentação da rodovia.

Porém, avalia Ferrante, “a BR-319 é uma fórmula para o desastre e servirá como espinha dorsal para aumento de incêndios e desmatamentos ilegais em área de floresta intacta, além de abrir áreas com reservatórios zoonóticos, com potencial de liberar novos patógenos preocupantes para a saúde global”. Segundo o estudo, as soluções passam por priorizar alternativas de baixo impacto, como a melhoria das vias navegáveis, e por políticas integradas que vão além da prevenção reativa de incêndios, confrontando a expansão ilegal da pecuária, grilagem de terras e falta de fiscalização, que alimentam continuamente a degradação ambiental na Amazônia.


Fonte: Agência Bori

As reinações de Eduardo Paes e a pajelança com Silas Malafaia: tudo está em ordem, apesar de parecer fora da ordem

Eduardo Paes e Silas MalafaiaEduardo Paes e Silas Malafaia | Reproduções

Por Douglas Barreto da Mata

Um político do calibre de Eduardo Paes, prefeito da capital do estado do Rio de Janeiro, não pode ser acusado nem de descuido, nem de ingenuidade ou burrice.  Ele sabe que política é cálculo, mas esse cálculo não é matemático, portanto, os resultados nem sempre correspondem ao desejo de quem arrisca. Apesar de ser um político de espectro conservador, desde o seu surgimento, como cria de César Maia, até os dias atuais, onde pratica o bê-á-bá da gestão neoliberalíssima do estado, com privilégios aos ricos, e deveres aos pobres, o fato é que a aproximação com Lula permitiu ao prefeito dar um verniz mais progressista a sua carioquice.

Olhando bem de perto, Eduardo Paes foi bem sagaz em aproveitar esse paradoxo carioca, ou seja, um povo simpático no bar e na praia (ou em outras esferas públicas), mas com inclinações fascistas no aspecto político. Claro que isso é uma generalização, até porque não dispomos de espaço para analisar cada manifestação política do carioca por segmento, mas em resumo o Rio é de direita, desde a Zona Oeste, passando pelo Centro, Zona Norte e Zona Sul.

Então por que Eduardo Paes resolveu apostar em um gesto de carinho com o Pastor Malafaia, logo agora que ele está nas cordas?  Antes de tudo e mais nada, não vai aqui nenhuma crítica contra as preferências religiosas do Pastor, e a forma dele exercer seu ministério, nada disso.  A Igreja Católica esconde até hoje os casos de pedofilia praticado pelos seus clérigos dentro de igrejas, e das suas instituições de abrigo de crianças, e ninguém fala nada.

A história de poder papal, desde a criação desse cargo é povoada de orgias, mortes, guerras e conspirações.  Está a família Bórgia para quem quiser conferir.  As Cruzadas da Igreja Católica fazem Netanyahu parecer Ghandi.  Então, não trato essa questão com preconceito. 

Olha, eu acho que há várias questões inseridas nesse cenário. A primeira, a existência de uma relação pessoal entre Paes e Malafaia.  Ou seja, sim, ele está demonstrando lealdade em um momento difícil, e isso em política tem valor enorme.  Porém, esse gesto não é o principal motivador.  As outras circunstâncias têm a ver com Paes, mas com o seu padrinho, Lula.

Lula é o único brasileiro, e talvez um dos poucos líderes ocidentais que se especializou em candidaturas presidenciais. Foram várias, 1989, 1994, 1998, e as bem sucedidas, 2002, 2006 e 2022.  É favorito em 2026. Sempre teve mais de 30% do eleitorado. Em 2018, preso, colocou um ilustre desconhecido no segundo turno, e ele estava preso e incomunicável! Então, Lula conhece o caminho, e sabe que necessita de uma reaproximação com os evangélicos mais radicais, e colocou Paes em campo para fazer o trabalho.

Quando mandou os 12 deputados do PT darem seus votos na PEC da Blindagem, para desespero de toda a esquerda e de boa parte do eleitorado, Lula estava acenando para o setor mais difícil do centrão, como se fizesse um gesto de distensão, e imagina que pode controlar o resultado no Senado, onde já colocou 850 milhões em emendas sob controle de David Alcolumbre, presidente da casa.

Na outra ponta, Flávio Dino aperta o cerco contra as emendas, e dá a Lula um poder de negociação ainda maior, o bom e velho, cria dificuldade e vende facilidade. É uma tacada incerta?  Sim é, mas para quem, como Lula, que estava no limbo até bem pouco tempo, sem perspectiva de elaborar uma estratégia de campanha, neste fim de governo, poderíamos dizer que ele ganhou vários bilhetes premiados, desde a lambança de Eduardo Bolsonaro para salvar o pai, o apoio de Trump a essa demanda, passando por aquela passeata com a bandeira dos EUA em plena Avenida Paulista.

Mas e Paes, o que ele ganha com isso tudo? Muita coisa.  Eduardo Paes, no Rio, pode trazer para si um campo da direita que está solto, ainda mais quando o Pastor Malafaia deixou claro que não vai com Rodrigo Bacellar, caso Washington Reis não esteja na disputa, por impedimento ou por vontade dele mesmo. Com isso, ele cumpre o papel que Lula lhe designou, mas avança para uma parte do eleitorado que não lhe é muito simpático, já que o prefeito carioca gosta de se identificar com essa versão de religiosidade plural que boa parte do público evangélico odeia.

Nessa altura do campeonato, quando há anos que todos só falam da sucessão estadual, e sendo Paes o nome mais exposto nesse tempo, 70% dos eleitores não sabem em quem votar, o que acende a luz amarela no staff do alcaide carioca.  Já há nomes tocando os 10%, e pelo menos um já ultrapassou, acho que foi o Reis. Eduardo Paes segue sem uma base no interior, e bloqueado na Baixada Fluminense, isto é, os seus 50% de preferência aparecem onde ele já sabe que seria favorito, na capital. Paes não tem paz.

Aumento acentuado é detectado na exportação de agrotóxicos proibidos pela União Europeia, apesar das promessas em contrário

Bloco é instado a pôr fim ao “duplo padrão antiético” que permite a venda de produtos considerados muito perigosos para uso nas fazendas da UE

Um avião pulverizando pesticidas na Costa Rica, onde o Guardian já havia relatado os efeitos perigosos de produtos químicos importados da UE.

Um avião pulverizando agrotóxicos na Costa Rica, onde o jornal The Guardian já havia noticiado os efeitos perigosos de produtos químicos importados da UE. Fotografia: Adrian Hepworth/Alamy


Por Ajit Niranjan para o “The Guardian”

Uma investigação descobriu que empresas químicas europeias desenvolveram planos para exportar quantidades crescentes de agrotóxicos proibidos por terem sido considerados perigosos demais para serem pulverizados em fazendas da União Europeia (UE), apesar da promessa de acabar com a prática.

As exportações planejadas de agrotóxicos proibidos internamente aumentaram de 81.600 toneladas em 2018 para 122.000 toneladas em 2024, de acordo com notificações de exportação obtidas por meio de solicitações de liberdade de informação pela Unearthed, a sala de notícias investigativa do Greenpeace, e pela organização sem fins lucrativos suíça Public Eye.

Os números, que são derivados de documentos produzidos para garantir que a venda de produtos químicos perigosos tenha o “consentimento prévio informado” dos países importadores, não mostram a quantidade final que foi enviada, mas são o melhor registro disponível do comércio de agrotóxicos proibidos.

Angeliki Lysimachou, toxicologista da Pesticide Action Network Europe que não estava envolvida na pesquisa, disse que a Comissão Europeia cedeu aos interesses da indústria ao permitir que o “comércio tóxico” se expandisse em vez de acabar com ele como prometido.

“Cada atraso adicional não é apenas negligência, é uma traição aos direitos humanos e ambientais”, disse ela. “A comissão precisa agir urgentemente para pôr fim a esse duplo padrão antiético.”

A UE liderou o movimento global para restringir produtos químicos agrícolas perigosos devido aos danos que podem causar à saúde humana e ao meio ambiente, como a redução da fertilidade ou a morte de abelhas . A UE proibiu o uso doméstico de dezenas de agrotóxicos nos últimos anos, mesmo com reguladores em outras economias ricas continuando a permitir que agricultores os pulverizem em plantas e solos.

A comissão anunciou planos para interromper as exportações após uma investigação revelar a escala de suas vendas para países terceiros.  A estratégia da Comissão Europeia para produtos químicos de 2020 afirmou que “daria o exemplo e, em conformidade com os compromissos internacionais, garantiria que produtos químicos perigosos proibidos na UE não fossem produzidos para exportação”.

Mas, cinco anos depois, documentos mostram que a quantidade de agrotóxicos proibidos listados em notificações de exportação aumentou, em parte porque a lista de produtos químicos proibidos aumentou. As substâncias proibidas que estão sendo transportadas para todo o mundo incluem o herbicida glufosinato e o fungicida mancozeb, que os reguladores europeus consideram tóxicos para a reprodução.

O aumento nas exportações de agrotóxicos proibidos ocorre apesar da saída do Reino Unido da UE, visto que o país é um grande exportador de  agrotóxicos. O maior país exportador de agrotóxicos da UE em 2024 foi a Alemanha, seguida pela Bélgica, Espanha, Holanda e Bulgária, mostrou a análise.

A Bélgica juntou-se recentemente à França na proibição da prática, embora empresas francesas tenham continuado algumas exportações devido a uma brecha legal que de agrotóxicos pesticidas proibidos na UE.

A análise constatou que os agrotóxicos eram destinados principalmente a países de baixa e média renda, embora os EUA fossem o maior destinatário. Alguns dos produtos químicos nocivos podem ser importados de volta para a UE como alimentos.

O jornal The Guardian já havia noticiado os efeitos perigosos dos agrotóxicos exportados pela UE em países como o Brasil , onde foram pulverizados em fazendas de cana-de-açúcar que abasteciam a Nestlé e um importante fornecedor brasileiro de açúcar para a Europa, e a Costa Rica , onde as pessoas reclamaram de odores “insuportáveis” que acompanhavam uma série de problemas de saúde quando aviões pulverizavam pesticidas sobre plantações de banana e abacaxi do país. O Reino Unido também exportou agrotóxicos para o Brasil que considera impróprios para fazendas britânicas.

Um porta-voz da comissão afirmou que a comissão compartilhava preocupações e estava comprometida em abordá-las. Afirmou que lançou uma consulta pública e um estudo em 2023 e que uma avaliação informaria “possíveis próximos passos”.

“Garantir um alto nível de proteção para as pessoas e o meio ambiente, tanto na UE quanto globalmente, é fundamental”, disse o porta-voz. “A Comissão está explorando opções para garantir que os produtos químicos mais perigosos proibidos na UE não possam ser produzidos para exportação, inclusive alterando a legislação pertinente, se e conforme necessário.”

Um porta-voz da multinacional alemã farmacêutica e de biotecnologia Bayer se recusou a comentar sobre os volumes exportados, mas disse que todos os seus produtos eram seguros para humanos e o meio ambiente se aplicados de acordo com as instruções do rótulo.

“O simples fato de um produto fitofarmacêutico não ser autorizado ou proibido na UE não diz nada sobre sua segurança”, afirmaram. “Muitas outras agências reguladoras ao redor do mundo – incluindo EUA, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia – também possuem sistemas regulatórios muito confiáveis, robustos, que funcionam com cuidado e são sofisticados para proteger a saúde humana e o meio ambiente.”

Um porta-voz da Syngenta afirmou que todas as suas exportações estavam em conformidade com as regulamentações químicas europeias e que a empresa forneceu treinamento nos países importadores para garantir o uso seguro. “Bloquear o acesso a produtos autorizados e de alta qualidade corre o risco de incentivar alternativas falsificadas e ilegais – muitas vezes feitas com ingredientes não regulamentados e nocivos – o que pode colocar os agricultores e o meio ambiente em risco muito maior”, disse o porta-voz.

Três dos maiores exportadores de agrotóxicos proibidos identificados na análise – BASF, Teleos e Agria – não responderam a um pedido de comentário. A Corteva não quis comentar.

Lis Cunha, ativista do Greenpeace, disse que o aumento das exportações era “repreensível e profundamente hipócrita”. Ela pediu à comissão que cumprisse seu compromisso de proibir a produção em toda a UE. “É escandaloso que os lucros da indústria química europeia tenham precedência sobre a saúde e o meio ambiente das pessoas em países mais pobres”, disse ela.


Fonte: The Guardian