Rodrigo Bacellar, nas eleições de 2026 qual vai ser a sua pílula: a azul ou a vermelha?

Blue Pill or Red Pill – música e letra de M501 | Spotify

Por Douglas Barreto da Mata

Em 2026, o Estado do Rio de Janeiro e seus personagens políticos vão enfrentar “escolhas” dignas daquela apresentada a Neo (Keanu Reeves), o herói da saga Matrix, ou seja, vamos de pílula azul ou de pílula vermelha? Um dos principais concorrentes, o Presidente da Assembleia Legislativo do estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Rodrigo Bacellar está diante dessa “escolha de Sofia” (perdão por misturar as referências cinematográficas). No mundo da simbologia política, dos gestos, dos vídeos e fotos das redes sociais, são inequívocos o poder e influência do parlamentar estadual.

Ao mesmo tempo, no mundo chamado real, esse poder e capacidade de articulação nos bastidores da política são flagrantes. Ninguém chega à presidência da Alerj sem ter predicados, isso é óbvio, apesar de seus detratores argumentarem que a fraqueza evidente do governador Cláudio Castro, que chegou ao cargo sem um grupo, ou um projeto, tornaram a tarefa da captura do governo pelo deputado Bacellar bem mais fácil.

Poder ser, mas chegar onde chegou não foi pouca coisa. Porém, dar o salto para a cadeira de governador (re)eleito, para além das substituições ou renúncia do atual titular, em tática rumo às eleições, é algo bem mais complexo.

Aí eu recorro às pílulas azul e vermelha. No filme, a escolha é entre a versão da realidade e a realidade em si, embora a história do filme ainda traga outra questão filosófica, a saber, se a escolha é realmente livre, ou se ela é limitada pelas opções apresentadas, restringindo a imprevisibilidade do resultado a uma condição já determinada antes. É a eterna discussão do livre arbítrio, que atormenta a Humanidade, porque se Deus é Deus, e sabe de tudo, o passado, o presente, e o futuro, como dizer que há uma escolha livre se Ele já sabe o que vamos escolher?

Vamos deixar essa confusão de lado, porque o texto pretende ser simples, embora trate de tema igualmente complexo. Rodrigo Bacellar pode ter feito a pior escolha de sua vida. Ao se colocar como um pré candidato a governador, desde sua reeleição para a presidência da Alerj, pelo menos, ele incorre no risco de sepultar sua meteórica carreira. Não porque ele não reúna condições ou qualidades para o cargo, e esse julgamento é, em última instância, do eleitor, de seus aliados, e dele mesmo.

A questão não é essa. O problema é se colocar em rotas que o levam a quartos escuros sem portas de saída ou janelas. Parece ser o caso, principalmente porque ele, há muito tempo, não permitiu a si mesmo outra alternativa, que não fosse a declarada por seus atos e decisões. Não é muito saudável se apresentar como: ou sou candidato a governo do Estado ou não tenho outro caminho.

Em primeiro plano, há um fator real e inexorável: Eduardo Paes é o franco favorito nesta corrida, apesar de que haja sempre espaço para o imponderável em corridas eleitorais. Comparações são inúteis.Cada momento é um momento, e mesmo as derrotas de Paes nos pleitos anteriores devem ser consideradas em seus contextos. Essas condições não se repetem, embora sirvam como balizas para estudos e estratégias.

Porque se adotarmos a lógica dos partidários de Bacellar, de que Paes é um “cavalo paraguaio” quando concorre a governador, temos que lembrar que nenhum presidente da Alerj chegou ao Palácio Guanabara. Não de forma direta, pois o exemplo mais recente, Cabral era senador quando foi eleito.

Os obstáculos de Bacellar são outros. Qualquer pessoa honesta o suficiente para torcer por esse ou aquele, mas sem contaminar seu olhar, sabe dizer que nas cúpulas partidárias, que formam aquilo que se chama de campo da direita, PP, União, PL, MDB, há um consenso formado: Nenhum dos caciques quer a candidatura de Bacellar, e nesse grupo há os que admitem por falta de opção e os que não admitem de jeito algum. Nenhum, exceto Antônio Rueda.

Todos os movimentos recentes, as falas e cotoveladas apontam isso. Em dias próximos da maior manifestação evangélica do Estado, A Marcha Para Jesus, um dos líderes do segmento, Silas Malafaia verbalizou de forma direta: “Com ele eu não vou”. O pior: lá no calor do evento, o pastor Malafaia fez questão de agradecer a Castro e ao prefeito da cidade, Eduardo Paes. Bacellar não foi ao evento, assim como Paes também não foi, mas o nome de Bacellar foi ignorado, ao contrário do prefeito.

Os maledicentes dizem que Malafaia ampliou o vídeo de Wladimir Garotinho, que dias antes falou o mesmo. É claro que o prefeito Wladimir Garotinho não é “dono” do eleitorado em sua cidade, mas quem obteve 192.000 votos para reeleição a prefeito, não pode ser minimizado como um obstáculo. A cidade de Campos dos Goytacazes é conhecida por ser um pólo regional, e mais, foi a única cidade do interior que elegeu governadores, e que hoje tem um outro pretendente, que é presidente da Alerj.

Ora, então, mesmo que os amigos e aliados de Bacellar digam que a declaração do prefeito é pouco relevante, a verdade é o contrário, a cidade tem muito peso político, e irradia seus humores pelo interior. Depois a família Reis atacou em dois flancos, ao mesmo tempo que protagonizou um chamou-não chamei Wladimir para ser candidato a governador, abraçado aos pais dele, o patriarca Washington entrou em rota de colisão com o governador Castro, sobre a tarifa de trens.

Dirão os otimistas que esses movimentos são comuns, são próprios de “uma dança do acasalamento”, onde os gestos ríspidos são uma forma de aumentar o cacife de quem vai aderir, com o objetivo a tirar compromissos mais vantajosos de quem quer o apoio. Pode ser. Mas a diferença entre a escaramuça de aliança e a uma resistência consistente é a dose, o alcance e amplitude do movimento.

Quem olha o cenário tem a nítida impressão de que se houver uma candidatura de Bacellar, ela corre o risco de ter gasto toda sua força para se impor, para se colocar no “grid”, deixando o competidor sem combustível para corrida. Ainda que concorra, e ainda que ganhe, outros dizem que é muito esforço para governar por 4 anos, já que lhe seria vedada nova reeleição. Seria uma vitória de Pirro.

No entanto, essa chance de vitória é bem pequena, como dizem as projeções. O fato é que Bacellar, apesar de ter sido o homem mais forte do governo Castro, pode estar sendo utilizado por este último como ponta de lança para forçar uma vaga para o atual governador ao senado na chapa do PL, que tem vagas de menos e gente demais querendo. Por outro lado, o melhor que o PL tem a oferecer, o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, parece não estar disponível a Bacellar. Salta aos olhos que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio hesitem tanto em manifestar apoio a Bacellar.

Cautela? Como assim? Esse cuidado só se justifica caso eles considerem outra alternativa senão o Presidente da Alerj, certo? Caso contrário, qual seria o óbice a ungir Bacellar e fortalecer seu nome desde já, junto ao eleitorado cativo do ex-presidente, que não conhece Bacellar, como mostram as pesquisas, e que, ao mesmo tempo, rejeitam o atual governador e o seu governo, justamente o ponto de apoio e lançamento de Bacellar? Não é urgente reverter esse quadro com as bênçãos do ex-presidente? Por essas razões, é justo supor que Bacellar esteja sendo encaminhado para um ponto sem retorno, sem plano B.

Seja pela rejeição dos caciques aliados, seja pela indisposição dos Bolsonaro, seja pelos interesses cruzados de que diz lhe apoiar, ou pelo favoritismo do adversário, e seu arco de influência, que vai desde a centro esquerda, passando pelo centro, além de ser o preferido das organizações Globo, dos bancos, e de empresários chamados “tradicionais”, parece que, apesar do compreensível ufanismo bairrista de analistas locais, a candidatura de Bacellar pode ser descrita como um parto complicado.

A História tem poucos exemplos de candidaturas impostas, a ferro e fogo, que deram bons resultados. Geralmente, candidaturas bem sucedidas derivam de amplos consensos, de um “processo natural”, mesmo que haja focos de oposição aqui e ali. Se olharmos para a pré candidatura de Bacellar poderemos saber exatamente qual das alternativas acima ela se encaixa. Então, um outro pensamento que me ocorre quando penso em escolhas, em pílulas azuis ou vermelhas é: Às vezes, o desastre não é escolher entre um caminho ou outro, mas sim que essa opção nos leve a não termos mais saída alguma.

É preciso adequar nosso apetite àquilo que podemos mastigar, engolir, digerir, e, botar para fora depois.

Fogo e agricultura impulsionam a degradação do solo no sul da Amazônia

Estudo mostra que perdas de carbono e nitrogênio do solo persistem por quase uma década após queimadas e que a conversão para agricultura causa impactos ainda mais severos

Floresta degradada pela queima no chamado Arco do Desmatamento da Amazônia (foto: Mário Lucas Medeiros Naval/Cena-USP)

Por José Tadeu Arantes | Agência FAPESP

Incêndios florestais frequentes e expansão agrícola estão degradando a saúde dos solos do sul da Amazônia, com danos duradouros sobre os estoques de carbono (C) e nitrogênio (N) e sobre a funcionalidade geral do solo dos ecossistemas. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros na Estação de Pesquisa Tanguro, localizada na região de transição entre a Floresta Amazônica e o Cerrado, no Arco do Desmatamento Amazônico.

“Estamos falando de um fogo que não é natural. No Arco do Desmatamento, as queimadas recordes resultam da combinação da expansão agrícola e pecuária, degradação de florestas nativas vizinhas e secas prolongadas provocadas pelas mudanças climáticas – todas promovidas pela ação humana”, afirma o pesquisador Mário Lucas Medeiros Naval, primeiro autor do estudo. “Nosso trabalho mostra como essas queimadas sucessivas têm impacto de longo prazo na matéria orgânica e em outros atributos essenciais do solo e como isso se compara à agricultura da região”, comenta.

O estudo, publicado na revista Catena, analisou os efeitos da conversão da floresta para agricultura e da frequência de queimadas sobre a matéria orgânica do solo, além de diversos indicadores físico-químicos de saúde do solo. Foram comparados quatro cenários: floresta intacta, floresta queimada anualmente, a cada três anos e área convertida para agricultura, sob sistema de plantio direto e com rotação de culturas.

“Nossos resultados mostram uma diminuição nos estoques de carbono no solo de 17% com queimas anuais, 19% com queimas trianuais e 38% com a conversão agrícola”, diz Naval. “Mesmo quando a agricultura adota boas práticas, como rotação de culturas e plantas de cobertura, ainda assim gera perdas mais severas de carbono do solo do que o fogo que incide sobre florestas nativas.”

O pesquisador explica que a área estudada é uma floresta de transição, que se assemelha ao cerradão, com árvores de 20 metros de altura em média. “Ela não é tão alta como a floresta do centro da Amazônia, mas também não é cerrado stricto sensu. E é justamente nessa região que a fronteira agrícola tem avançado com mais força, principalmente com a soja”, afirma.

A pesquisa foi realizada em uma área experimental de 150 hectares, gerenciada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), dentro da reserva legal de uma propriedade privada, onde há a Estação de Pesquisa Tanguro. “Tivemos acesso a uma área grande, com 50 hectares para cada tipo de tratamento, o que nos permitiu uma amostragem representativa”, destaca o pesquisador.

“Um aspecto importante do estudo é que avaliamos os solos nove anos após a última queimada. Mesmo com o tempo de recuperação da floresta, os estoques de carbono e nitrogênio ainda estavam significativamente reduzidos”, acrescenta. Segundo Naval, as perdas de carbono e nitrogênio comprometem propriedades essenciais, dados os múltiplos benefícios da matéria orgânica para diversos indicadores de saúde do solo. “Por exemplo, nossos resultados evidenciam que, diminuindo os estoques de carbono, grande parte da capacidade de troca catiônica [CTC, uma das formas de mensurar a capacidade de retenção de nutrientes do solo] é perdida”, explica o pesquisador. Assim, o estudo também revelou impactos sobre outros indicadores físicos e químicos, evidenciando uma degradação mais ampla da saúde do solo.

A pesquisa demonstrou que a perda de carbono total – somando o carbono armazenado na biomassa acima do solo e o carbono armazenado no solo – chegou a 33% na queima anual e 48% na queima trianual. “Isso mostra que, do ponto de vista do ecossistema como um todo, as frequências de fogo têm impacto diferenciado, ainda que no solo a diferença estatística entre os dois regimes não tenha sido significativa”, explica.

“Ao contrário do Cerrado, onde o fogo é natural do ecossistema e exerce um papel ecológico, na Amazônia nós estamos falando de um elemento que é exógeno e induzido pela mudança no uso do solo, não de queimadas naturais. Queimar a Floresta Amazônica significa interferir em um ambiente não adaptado ao fogo”, resume Naval.

Os autores recomendam a adoção de políticas de contenção da fronteira agrícola, prevenção de incêndios florestais e implementação de sistemas agrícolas mais biodiversos, como as agroflorestas. Segundo eles, essas práticas armazenam grandes quantidades de carbono, essenciais para a estabilidade climática global, e preservam a saúde dos solos amazônicos.

“A busca por alternativas ao modelo convencional de produção agrícola é essencial não apenas para a preservação ambiental, ao evitar novas queimadas, mas também para garantir a segurança alimentar da população” esclarece o pesquisador Plínio Barbosa de Camargo, um dos coordenadores do estudo.

O trabalho integra o projeto internacional Amazon PyroCarbon, financiado pela FAPESP e pelo Natural Environment Research Council (NERC) e UK Research and Innovation (UKRI), ambos do Reino Unido. A iniciativa estuda os impactos do fogo em diferentes regiões da Amazônia e é coordenada por Camargo e Ted Feldpausch, da Universidade de Exeter. “Esse trabalho na Estação de Pesquisa Tanguro é apenas parte de uma iniciativa mais ampla que está mapeando como o fogo afeta os solos amazônicos em vários pontos do bioma”, diz Naval, atualmente mestrando no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP). O financiamento do estudo também contou com bolsa de pós-doutorado fornecida ao segundo autor, Wanderlei Bieluczyk.

O artigo Impacts of repeated forest fires and agriculture on soil organic matter and health in southern Amazonia pode ser acessado em https://doi.org/10.1016/j.catena.2025.108924.


Fonte: Agência Fapesp

A viagem que levará Rodrigo Bacellar ao comando do Palácio Guanabara

Mais uma denúncia contra o Governo Castro. No Estado que paga menos de um salário mínimo para funcionários da Educação e não cumpre a Lei do Piso, o governador e seus secretários não têm moderação para gastar com luxos e viagens.

Ontem, enquanto se negava a receber os manifestantes da rede estadual no Palácio Guanabara, Cláudio Castro e seu governo organizavam mais uma viagem. O destino dessa vez será Lisboa, na abertura do verão europeu, onde acontecerá nos dias 3, 4 e 5 de julho, o XIII Fórum de Lisboa.

O Secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, vai antes e volta depois. Viajará no dia 29/6 e retornará apenas em 8/7. As passagens de ida e volta custarão no total 29.088,48 (poderiam sair por menos da metade desse valor, não fossem em Classe Executiva). Além das passagens, Miccione pediu diárias para 8 dias, ao custo de 460,00 euros por dia, num total de 17.959,86 reais (cada diária custará aos cofres do Estado 2.993,31 reais).

O Secretário de Planejamento e Gestão, Adilson Maciel, também vai. Mas com o planejamento curioso: ele diz que vai para um certo Congresso de Administração de Lisboa, entre os dias 27/6 e 6/7, solicitou as diárias de 460 euros, e as passagens compradas são para a rota Rio-Paris-Lisboa, por absurdos 44.061,74 reais! Maciel só desembarcará em Lisboa no fim do dia 28/6, e, mais curioso ainda, é que só há um documento justificando a viagem: um convite para um jantar especial, dia 3 de julho, numa “noite de boa gastronomia e excelente convívio” (ver imagem abaixo).


Fonte: CCIRJ2024/36chapa

COP48

José Luís Vianna da Cruz

O Clima era agradável, temperatura amena, a reprodução/projeção holográfica de uma perfeita manhã tropical, ainda que o evento ocorresse num país do norte pós-derretimento das geleiras. A abóboda climatizada que envolvia os participantes, decorada com elementos hiper-realistas das antigas florestas tropicais, cuidava para que o astral fosse o melhor possível e as centelhas de esperança iluminassem as faces sorridentes dos presentes; o isolamento da paisagem real contribuiria para que os debates ocorressem sem contaminações externas – em seus vários sentidos.

De repente, hordas de imigrantes que vagam por essas plagas invadem o ambiente – em seus vários sentidos – quebrando o vidro que os separa do evento, cujo tema central neste ano é imigração e ambiente, e numa síntese perfeita, tomam de assalto a mesa do banquete matinal e, antes que o ar puro sufoque seus pulmões de humanos em processo Darwiniano de adaptação ao novo ambiente pós-florestas e pós-degelo, consomem todo o estoque disponível e retiram-se para o conforto do ambiente – em todos os diversos sentidos – ao qual vêm se adaptando há 3 gerações.

Tristemente, o mesmo não se pode dizer do destino da grande maioria dos participantes, que, em desespero com a invasão do ar contaminado, não tem tempo de se recolher aos seus veículo-bolha voadores, climatizados, em direção aos seus refúgios de vida/trabalho/lazer climatizados. Atropelam-se, mortalmente, nos corredores climatizados que os conduzem aos seus veículos climatizados ou simplesmente têm seus pulmões dilacerados pelo irrespirável ar da gente comum que vive fora das bolhas.

Rapidamente, os organizadores do evento, protegidos em uma bolha apartada da arena de debates, emitem um comunicado tranquilizador, no qual se pode ler, em alguns dos trechos mais importantes: “…a organização do evento comunica que, conforme previsto, já foram providenciados os avatares substitutos dos que faleceram ou estão impossibilitados de continuarem; a bolha substituta será montada em poucas horas; as forças policiais já localizaram e eliminaram os desordeiros…” finalmente, garante que todos as 861,7 metas da COP30 serão rediscutidas, renovando sua certeza de que o mundo saberá assumir suas reponsabilidades em relação à qualidade da vida e do ambiente…em todos os seus diversos e sempre atualizados sentidos…


José Luis Vianna da Cruz, 06/06/2025, 11:57, sob efeito de uma das novas, diversas e variadas viroses do período de extinção das geleiras e das florestas. Registre-se e arquive-se…

As muitas lições do episódio “Porto do Açu contra a cidade de Campos dos Goytacazes”

Por Douglas Barreto da Mata

Há vários ensinamentos embutidos na “guerra” da Estrada dos Ceramistas, quando uma obra estadual provocou o caos urbano na cidade de Campos dos Goytacazes.

O primeiro: em toda guerra, a primeira vítima é a verdade. A oposição ao Prefeito Wladimir Garotinho pode apontar vários defeitos em sua gestão ou em seu estilo pessoal de governar, menos dizer que ele toma decisões radicais ou de forma inadvertida.

O problema acerca do desvio do tráfego de carretas enormes, a maioria com direção ao Porto do Açu, e os estragos e transtornos causados por essa medida, já se arrasta há meses, e o Prefeito tentou várias soluções, sem que o governo do estado cumprisse seu papel:

Fazer a obra no tempo devido, e com a criação de alternativas de trânsito, seja com pare-e-siga, que dizem impossível (um caso inédito ou muito incomum na engenharia), ou abrindo desvios e variantes no percurso.

Sim, nenhuma obra de engenharia pode acontecer sem um plano ou estudo de impacto, em outras palavras, sem a precisa previsão de alternativas aos incômodos que irá causar, e como fazer para diminuir ao máximo o risco às pessoas, ao ambiente, e possíveis danos aos patrimônios públicos e/ou privados. Nada disso foi efetivado pelo governo do Estado.

O segundo ensinamento, pimenta no olho do outro é refresco.  Essa é a lógica da oposição campista, que está vinculada ao governo do Estado e ao presidente da Alerj. Já que são as ruas da cidade e as pessoas da cidade que estão em risco, por que não aproveitar e jogar a bomba no colo do prefeito?

Perfeito, é do jogo, alguns dirão e eu concordaria…mas todo jogo tem regras.

Parece que a oposição campista não conhece regra, nem limite, assim como a empresa que escolheram como bandeira.  Colocar o interesse do Porto do Açu acima do interesse da população, principalmente daquelas pessoas que moram à beira da estrada do Carvão, cujas casas já apresentariam danos estruturais, sem mencionar os riscos de incidentes, como atropelamentos, é uma prova de que vale tudo para desgastar a imagem do inimigo.

A desinformação também é disseminada sem freios. O Porto do Açu emprega muito pouca gente de Campos dos Goytacazes, e muito menos de SJB, e essa é uma das principais críticas dos analistas e cientistas locais.  Mesmo assim, ainda que esse número fosse grande, não se pode submeter uma cidade para atender uma suposta demanda por empregos.

Até porque, esse dilema é falso. Não existe ou é emprego ou libera a cidade para as carretas. A empresa está destruindo a cidade porque é mais barato, e porque o governo do Estado não fez o que deveria. Assim, a invasão da cidade por monstros de mais de 50 toneladas, sem que a empresa tenha buscado uma solução alternativa para o problema não é uma declaração de apreço pela cidade e seu povo.

Quando busca garantir o trânsito de seus caminhões pela cidade, a empresa diz em alto e bom som: Danem-se.  Toda aquela história de desenvolvimento verde ou socialmente responsável é só conversa fiada mesmo.

O terceiro aprendizado é que nenhuma atividade poderá submeter as comunidades aos seus interesses econômicos, por mais legítimos que sejam. Condutores de caminhões têm o direito ao exercício de seu trabalho, mas as ruas, estradas, enfim, o território nacional não é um lugar sem leis e autoridade.

A última lição é para prefeitos, governadores e até mesmo para presidentes. Deve haver um limite, uma barreira entre governos e empresas, e o nome dessa fronteira é autoridade e interesse público.  Não é fácil impor essas prerrogativas.

O Prefeito Wladimir deve se sentir como Davi para Golias, citando uma passagem bíblica para ele, evangélico, nessa questão contra um empreendimento que parece não enxergar barreiras. Que o digam as populações do V distrito de SJB que foram atingidas em cheio pelos efeitos colaterais da implantação do Porto do Açu.

Agora, chega a notícia que uma decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) pode paralisar a obra na Estrada dos Ceramistas. Com a palavra, a justiça ou o bom senso.

A tempestade da Inteligência Artificial

O surgimento da IA ​​generativa fez explodir a demanda por energia, inclusive de combustíveis fósseis

Imagem de marketing do curso de inteligência artificial e computação visual da École Polytechnique.  Jérémy Barande / École Polytechnique / Institut Polytechnique de Paris / Creative Commons 2.0

Por James Meadway para o “The Ecologist” 

Em apenas alguns anos desde que a OpenAI lançou seu modelo principal com uma interface de linguagem natural e fácil de usar, o ChatGPT, a “inteligência artificial” (IA) passou do reino da ficção científica para a aparente realidade cotidiana. 

A IA parecia capaz de feitos robóticos inimagináveis ​​há alguns anos: escrever obras inteiramente novas em linguagem natural; compor músicas; gerar obras de arte instantâneas. Mas por trás dessa mudança no poder computacional há um impacto ambiental preocupante e ainda pouco reconhecido. Um novo briefing da Opportunity Green resume o caso .

Os data centers, a base de hardware da economia digital atual, consomem muitos recursos. Essa economia digital se baseia na coleta, armazenamento e transmissão de dados em uma escala inimaginável. 

Industrial

Mesmo antes da explosão da inteligência artificial após o lançamento do ChatGPT pela OpenAI no final de 2022, os volumes envolvidos eram impressionantes: o tráfego global da internet cresceu de 156 Gb transferidos a cada segundo em 2002 para 150.000 Gb por segundo em 2022. 

Essa imensa coleção de uns e zeros, o núcleo digital da economia de dados, por sua vez forneceu a matéria-prima para treinar os modelos de aprendizado de máquina (ML) atuais. 

A chave para suas operações é a escala – de vastos acervos de dados; bancos e bancos de chips de silício dedicados em data centers especializados; e redes de telecomunicações rápidas espalhadas pelo mundo. Mas a escala que torna possíveis as habilidades semimágicas da IA ​​também a transforma em um problema ambiental crescente. 

Sejam quais forem as afirmações ousadas feitas há vinte anos, no alvorecer da era da Internet, sobre a “economia sem peso” que viria ou como todos nós estaríamos “vivendo no ar rarefeito”, os dados, na realidade, têm uma presença física concreta. 

Ele é armazenado e processado em bancos de chips de silício dedicados, produzidos em volumes extraordinários por alguns dos processos industriais mais exigentes e tecnicamente sofisticados aos quais temos acesso. 

Explosivo

Os chips funcionam com eletricidade — em quantidades triviais para um único circuito integrado, como o do seu telefone ou laptop, mas que, nas grandes quantidades necessárias para processamento de dados em larga escala, se tornam extraordinárias. 

Os racks de servidores mais recentes, dedicados à IA, contêm 72 chips especializados da fabricante Nvidia. Os maiores data centers de “hiperescala”, usados ​​para tarefas de IA, teriam cerca de 5.000 desses racks . 

E como qualquer pessoa que use um laptop por qualquer período de tempo sabe, até mesmo um único chip esquenta durante a operação. Para resfriar os servidores, é preciso água – litros dela. Somando tudo isso, um único data center em hiperescala normalmente precisará de tanta água quanto uma cidade de 30.000 habitantes – e a quantidade equivalente de eletricidade. 

As novas e muito específicas demandas de energia do crescimento dos data centers levarão as redes nacionais de energia para mais perto do limite.

Financial Times relata que a Microsoft está abrindo uma dessas gigantes em algum lugar do mundo a cada três dias.

Mesmo assim, durante anos, o crescimento explosivo da economia digital teve um impacto surpreendentemente pequeno na demanda global por energia e nas emissões de carbono. Os ganhos de eficiência nos data centers — a espinha dorsal da internet — mantiveram o consumo de eletricidade sob controle. 

Consumo

Mas a ascensão da IA ​​generativa, impulsionada pelo lançamento do ChatGPT no final de 2022, rompeu esse equilíbrio. A IA eleva a demanda por dados e poder de processamento à estratosfera.

A versão mais recente do modelo GPT principal da OpenAI, o GPT-4, é construída em 1,3 trilhão de parâmetros , com cada parâmetro descrevendo a força de uma conexão entre diferentes caminhos no cérebro do software do modelo. 

Quanto mais dados novos puderem ser inseridos no modelo para treinamento, melhor — tantos dados que um artigo de pesquisa estimou que os modelos de aprendizado de máquina terão usado todos os dados da internet até 2028.

Hoje, a demanda insaciável por poder de computação está remodelando os sistemas energéticos nacionais. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que data centers em todo o mundo já consomem tanta eletricidade quanto países inteiros como França ou Alemanha. A previsão é de que, até 2030, a demanda mundial de energia por data centers será igual ao consumo total de eletricidade da Índia. 

Em princípio, essa demanda crescente por eletricidade poderia ser atendida por energias renováveis, e muitas das grandes empresas de tecnologia, como o Google, têm metas de atingir 100% de consumo de energia renovável. 

Minas

Mas a realidade é muito mais sombria. Para continuar a expansão nesse ritmo alucinante, é necessária a instalação rápida de novos suprimentos. E a demanda por eletricidade em data centers é bem diferente da de residências, escritórios e fábricas, que normalmente apresentam picos e quedas ao longo do dia, quando as pessoas chegam em casa e ligam a TV, ou saem e apagam as luzes, ou quando as máquinas são ligadas e desligadas. 

A demanda do data center é constante e requer 24 horas de trabalho, com o mínimo de tempo de inatividade possível. Isso, por sua vez, cria a necessidade de um fornecimento contínuo e regular de eletricidade, para o qual as energias renováveis ​​nem sempre são as melhores atualmente.

O resultado é que a demanda por data centers está sendo cada vez mais atendida por combustíveis fósseis. Nos EUA, 60% da nova demanda de energia é suprida por gás natural, enquanto na Alemanha e na Polônia, usinas a carvão estão sendo mantidas em operação para alimentar o boom da IA. 

A Microsoft está expandindo as operações do data center perto de Hambach, uma das últimas minas de carvão profundas da Alemanha. A empresa se recusou a comentar sobre a fonte de energia do centro . 

Enquanto isso, o governo Trump, cético em relação ao clima nos EUA, admite abertamente que expandir a geração de energia a carvão é essencial para manter a vantagem do país nas operações de data center .

Usinas de energia

O resultado é que uma indústria que atualmente é responsável por cerca de 0,5% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo estimativas conservadoras da Agência Internacional de Energia (AIE), deverá se tornar um dos contribuintes de crescimento mais rápido para as mudanças climáticas na próxima década. 

Mesmo que outras indústrias mais antigas reduzam suas emissões e um progresso real possa ser visto na mudança para a produção de energias renováveis, as demandas de energia dos data centers representam um risco significativo para as estratégias nacionais de descarbonização.

Até o momento, há pouca conscientização sobre isso por parte dos governos nacionais. Os data centers nem sequer constam no orçamento de carbono mais recente do Comitê de Mudanças Climáticas do Reino Unido – apesar do entusiasmo do governo britânico por sua rápida expansão. 

O trabalho da Beyond Fossil Fuels sugere que o crescimento dos data centers na Europa, seguindo as tendências atuais, adicionaria o equivalente a todo o sistema de energia de combustíveis fósseis da Alemanha aos GEE europeus até 2030. Mudar essa demanda para energias renováveis, por sua vez, reduziria o fornecimento para outras indústrias e ameaçaria os planos de descarbonização em outros setores. 

O problema energético é que os data centers, impulsionados pela IA, representaram uma nova fonte de demanda energética em rápido crescimento, com a qual as usinas de energia, os sistemas de rede e até mesmo as políticas de descarbonização não foram projetados para lidar. 

Lucros

As tensões já estão começando a aparecer: o primeiro “apagão de bytes” do mundo foi evitado por pouco na Virgínia no verão de 2024 , quando um raio derrubou um transformador perto de um conjunto de 20 data centers. 

Percebendo uma queda repentina de energia elétrica na rede principal, os data centers ligaram seus geradores de energia de reserva no local, causando um aumento repentino no fornecimento de energia para a rede principal, o que ameaçou causar apagões em todo o estado e fez com que os operadores da rede corressem para procedimentos de emergência. 

Como vimos com a dramática queda de energia em todo o país, na Espanha e em Portugal, os sistemas de rede nacionais, muitos construídos há décadas, já estão com problemas. 

As novas e específicas demandas de energia decorrentes do crescimento dos data centers os levarão para mais perto do limite. Combustíveis fósseis e, em alguns casos, energia nuclear, podem representar uma solução supostamente rápida para um problema complexo.

Os modelos de negócios das grandes empresas de tecnologia estão presos à expansão – a fonte de lucros da economia de dados, ao longo de décadas, tem sido expandir a quantidade de poder de computação disponível e então esperar que a demanda a preencha. 

Cepas

Para os operadores de IA, o crescimento drástico na escala de suas operações significa a possibilidade de criar novos mercados para novos produtos, mais rápido que seus concorrentes. 

Mas isso cria um problema familiar: mesmo que a eficiência do hardware de computação melhore rapidamente — e os modelos de ML estejam, em geral, se tornando mais eficientes — essa eficiência tende a significar apenas mais demanda pela saída dos modelos. 

Da mesma forma que aviões mais eficientes criaram mais demanda por voos, computadores mais eficientes também criaram mais demanda por computação — e, por trás dos servidores zumbindo, isso significa mais demanda de energia e mais emissões de gases de efeito estufa. 

Os benefícios dessas emissões e de todo esse processamento também não são imediatamente claros. É óbvio quem são os vencedores das Big Techs: as grandes corporações e seus proprietários, principalmente sediados nos EUA, que exercem poderes quase monopolistas sobre a economia digital e que geraram retornos tão incríveis. 

Mas os próprios centros de dados criam poucos empregos localmente, enquanto suas demandas por recursos — não apenas de eletricidade, mas, em todo o mundo, de água — impõem severas pressões aos habitantes locais. 

Descarbonização

A troca ecológica desigual das Big Techs ainda é pouco pesquisada, mas sua operação cria uma dinâmica semicolonial: os donos do sistema no centro, envolvidos em operações extrativas no resto do mundo, espremendo seus recursos escassos.

O artigo da Opportunity Green é apenas o começo da nossa pesquisa. Acreditamos que há uma necessidade urgente de um debate público mais bem informado sobre o papel da computação e seus impactos ambientais – com uma avaliação adequada dos potenciais benefícios e uma compreensão mais clara das desvantagens. 

O desafio aos sistemas de energia e aos planos de descarbonização, em particular, levantado pela expansão vertiginosa dos centros de dados, requer atenção urgente, em três grandes áreas:

  • Devem ser realizadas avaliações nacionais e supranacionais das trajetórias prováveis ​​de consumo de energia e das emissões subsequentes decorrentes da expansão de data centers, e esses cenários devem ser considerados em relação às estruturas nacionais e supranacionais de controle de emissões. As estimativas atuais sobre emissões de data centers estão sujeitas a ampla variação e poderiam ser refinadas de forma útil.
  • As mudanças legais, regulatórias e políticas necessárias para aproximar ao máximo as operações de data centers de 100% de energias renováveis, adotando uma abordagem que abrange todo o ciclo de vida, desde a construção até a operação, e incluindo o suporte ao armazenamento em baterias. Essas mudanças podem incluir a consideração da contribuição dos usuários de data centers (Big Techs) para o sistema tributário e a alocação de recursos para expansão/descarbonização da rede elétrica.
  • Por fim, desenvolver políticas para minimizar a coleta, o processamento e o armazenamento de dados, juntamente com uma hierarquia robusta de aplicações em data centers. Isso se baseará nas recomendações do relatório do Centro Nacional de Políticas de Engenharia sobre a minimização da pegada das operações de data centers. O problema da demanda e do propósito da expansão de data centers é indissociável da questão do seu impacto em termos de recursos e emissões, e deve ser enfrentado diretamente pelas políticas.

Fonte: The Ecologist

Açu, um porto desconectado, e sua vitória pirrica

Bahia.ba | Rio terá novo terminal em Porto do Açu

Como muitos motoristas que precisaram trafegar pelas principais avenidas da nossa cidade, tive momentos de congestionamento por causa da presença de caminhoneiros que resolveram protestar contra a decisão (correta ao meu ver) da Prefeitura Municipal de vedar a circulação de veículos de 4 eixos no perímetro urbano campista. O imbróglio acaba de ter um novo desdobramento já que a pedido dos controladores do Porto do Açu,  a juíza Helenice Rangel Gonzaga, da 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes atendeu, na noite desta quarta-feira (4),  suspendeu a portaria do IMTT e autorizou a volta da circulação de caminhões de 4 eixos no perímetro urbano campista.

Essa vitória do Porto do Açu, me perdoem seus dirigentes e áulicos, é uma que se iguala à chamada “vitória de Pirro” (também conhecida como vitória pírrica)  que tem origem na história do rei Pirro do Épiro, que, após uma vitória contra os romanos na batalha de Ásculo em 279 a.C, declarou que outra vitória semelhante seria tão destrutiva quanto uma derrota. Assim, a expressão descreve uma vitória que é tão custosa que o vencedor é deixado numa situação quase tão desfavorável como se tivesse perdido, ou seja, uma vitória que gera perdas maiores que os benefícios. 

E eu explico por que cheguei à ideia de que o Porto do Açu acaba de obter uma vitória pírrica. É que ao usar a justiça para derrubar uma medida correta, já que o trânsito de caminhões pesados traz sérios atropelos à segurança da população, o Porto do Açu deixou evidente a conexão precária que possui por via terrestre com o resto do mundo.  E, pior, uma conexão precária que não possui nenhuma opção viável nem no curto ou no médio espaço de tempo, quiçá no longo.

Abro um parêntese para tornar pública uma conversa muito pedagógica que mantive ainda na manhã de hoje com o professor José Luiz Vianna da Cruz, um pesquisador a quem respeito pela perspicácia e profundida com que analisa os fatos atinentes ao processo de desenvolvimento regional.  Conversamos, entre outras coisas, sobre a falta de horizontes futuros claros para o Porto do Açu. Esclareço: é que apesar de todas as maquetes e tentativas de instalar uma projeto de longo prazo, o empreendimento criado por Eike Batista vem se comportando como uma espécie de metamorfose ambulante. Segundo José Luiz Vianna da Cruz, mesmo a tentativa de buscar uma saída via as chamadas energias alternativas está esbarrando na falta de interessados em parcerias que combinam alta de demanda por capital e incertezas quanto ao retorno.

Ponderei ainda com José Luiz Vianna da Cruz acerca do que eu considero um erro estratégico que é a inexistência de um estrutura portuária para a circulação de contêineres, já que essa é a forma que hoje hegemoniza o mercado marítimo mundial.  Vianna da Cruz ponderou que esse a “conteineirização” do Porto do Açu exigiria um forte investimento em uma estrutura de capital fixo, e sem garantia de retorno imediato ou futuro. Um dos gargalos para a “conteinerização” do Porto do Açu sendo justamente a falta de vias de acesso rodoviário ou ferroviário. Em um porto de contêineres, a presença de rodovias e ferrovias é central e estratégica para o escoamento eficiente das mercadorias. A interligação de modais de transporte, que se chama de intermodalidade ou multimodalidade, traz uma série de benefícios cruciais para a logística e a economia. No caso do Porto do Açu, não há sequer um vislumbre de que esses modais serão instalados, nem agora nem tão cedo.

O pior é que a atual dependência do Porto do Açu na exportação de petróleo extraído na camada Pré-sal coloca um limiar de, no máximo 30 anos, para que essa unidade portuária se viabilize no pós-petróleo. Mas, voltando ao elemento inicial que se refere à desconexão crônica a que o Porto do Açu enquanto enclave isolado está posto, esse horizonte pós-petróleo parece cheio de nuvens carregadas. Explicar esse gargalo a potenciais investidores certamente não será tarefa fácil, especialmente se forem chineses. É que a China já demonstrou de forma cabal como se instala portos conectados ao seu “hinterland” e aos mercados globais. 

Morrendo antes do julgamento: o litígio sobre o Paraquat da Syngenta se arrasta enquanto as vítimas de Parkinson agonizam

Paraquat Study Points to Parkinson's Disease Link | Paraquat Lawyer

Por Carey Gillam para o “The New Lede”

Na batalha jurídica nacional entre a fabricante de agrotóxicos sino-suiça Syngenta e milhares de pessoas que sofrem da doença de Parkinson, que eles atribuem à exposição ao herbicida paraquat, os demandantes estão morrendo mais rápido do que conseguem ir a julgamento, de acordo com um documento judicial feito esta semana por advogados frustrados com os repetidos atrasos nos casos.

“A maioria dos autores que atuavam como indicadores já faleceu”, declararam os advogados dos autores no processo de 2 de junho apresentado ao Tribunal Superior do Condado de Contra Costa, na Califórnia, que supervisiona os procedimentos coordenados de mais de 400 casos contra a Syngenta. “Anos se passaram desde o encerramento da fase de produção da primeira rodada de casos que atuavam como indicadores. É hora de encaminhar esses casos para julgamento o mais breve possível.”

Todos os demandantes nos casos alegam que a exposição crônica ao paraquat fez com que desenvolvessem a doença cerebral degenerativa e que a Syngenta sabia dos riscos e não alertou seus clientes.

Vários julgamentos foram marcados para começar nos últimos dois anos, mas em todos os casos, a Syngenta obteve adiamentos. A empresa fechou um acordo em um grande caso envolvendo vários autores, que deveria ir a julgamento em 2021, por mais de US$ 187 milhões. A Syngenta agora tenta finalizar um acordo abrangente para encerrar o litígio.

O juiz Edward Weil do Tribunal Superior do Condado de Contra Costa disse em uma audiência judicial na quarta-feira que a primeira disponibilidade para um julgamento de um mês será no início de abril.

Segundo o advogado Curtis Hoke, isso pode ser tarde demais para o autor Richard Clasen. Clasen é um dos quatro autores selecionados para um grupo de casos-guia, ou casos-teste, que seriam julgados antes de outros. Dois desses quatro autores já faleceram, e o estado de Clasen, de 73 anos, está se deteriorando.

Clasen foi diagnosticado com demência de Parkinson com alucinações e delírios cada vez mais graves, e foi hospitalizado nos últimos meses devido a quedas e outros problemas de saúde, de acordo com Hoke.

“Parece que seu estado de saúde está piorando muito rapidamente. Queremos conseguir uma data para o julgamento do Sr. Clasen assim que o tribunal permitir”, disse Hoke na audiência de quarta-feira.

Uma doença incurável

O Parkinson é uma doença progressiva e incurável que afeta as células nervosas do cérebro, levando, em casos avançados, a debilitação física grave e, frequentemente, à demência. Muitos especialistas em Parkinson afirmam que a doença pode ser causada por uma série de fatores, incluindo a exposição a pesticidas como o paraquat e outros produtos químicos.

Mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem do que os cientistas consideram o distúrbio neurológico de crescimento mais rápido no mundo. É a segunda doença neurodegenerativa mais comum, depois do Alzheimer, de acordo com a Fundação Parkinson .

A Syngenta sustenta que o paraquat não causa Parkinson e afirma que, desde que os aplicadores sigam as instruções do rótulo e usem roupas de proteção adequadas, não há risco à segurança humana.

Apesar das alegações da empresa, dezenas de países proibiram o paraquat, tanto por causa dos perigos agudos quanto pelas crescentes evidências de ligações com riscos à saúde, como o Parkinson, decorrentes da exposição crônica e de longo prazo.

O paraquat foi introduzido na década de 1960 por uma empresa antecessora da Syngenta, sediada na Suíça, mas de propriedade chinesa. O paraquate é comumente usado por agricultores para controlar ervas daninhas antes do plantio e para secar as plantações antes da colheita. Nos Estados Unidos, o produto químico é usado em pomares, campos de trigo, pastagens de gado, plantações de algodão e em outros locais.

Documentos internos da Syngenta obtidos pelo The New Lede mostram que a empresa  estava ciente há muitos anos  das evidências científicas de que o paraquat poderia impactar o cérebro de maneiras que causam Parkinson, e que  secretamente procurou influenciar  a pesquisa científica para refutar as evidências de danos.

A Syngenta teria sido auxiliada na supressão dos riscos do paraquat por uma empresa de “gestão de reputação” chamada v-Fluence. Documentos internos também mostram que a empresa omitiu pesquisas internas prejudiciais da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e trabalhou para desacreditar um cientista proeminente cujo trabalho relacionou o paraquate ao Parkinson.

Incerteza de liquidação

Um acordo provisório foi alcançado em abril entre advogados, levando a um processo de “litígio multidistrital” (MDL) no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Illinois.

O tribunal MDL estabeleceu o prazo de 11 de junho para que as partes apresentem uma atualização sobre a conclusão dos termos do acordo. O acordo proposto criou uma divisão entre os advogados dos autores, com alguns afirmando que os termos, que não foram divulgados, enriqueceriam vários escritórios de advocacia de renome, mas deixariam os autores com somas irrisórias.

Em 2 de junho, havia 6.257 casos ativos supervisionados por um tribunal federal em Illinois e 429 casos ativos pendentes em tribunais da Califórnia, com casos adicionais na Pensilvânia e Delaware, de acordo com o processo judicial de 2 de junho.

A iniciativa da Syngenta para resolver o litígio antes de quaisquer julgamentos de grande repercussão ocorre depois que a Bayer, proprietária da Monsanto, foi abalada por um litígio semelhante, alegando que seu herbicida Roundup causa câncer. Após a empresa perder o primeiro julgamento do Roundup, o preço de suas ações despencou, os investidores ficaram furiosos e a Bayer passou anos e bilhões de dólares lutando para encerrar o litígio em andamento.


Fonte: The New Lede

Tirando o véu do “land grabbing” no Sul Global: violência, deslocamentos forçados, desmatamento e erosão da biodiversidade

Os dez maiores proprietários transnacionais de terras do mundo controlam uma área maior que o Japão, de acordo com um novo relatório
Por Filipe Seufert e Shalmali Guttal para o “The Ecologist” 

Angelim é uma pequena comunidade rural no Piauí, nordeste do Brasil, onde pequenos agricultores e artesãos vivem há gerações. Seu modo de vida mudou drasticamente há alguns anos, quando uma empresa chegou e alegou ter comprado a terra. 

Moradores relatam ter sido ameaçados por homens armados. Eles enfrentaram desmatamentos e a destruição da vegetação nativa, essencial para seu sustento e modo de vida. 

Novas plantações de monoculturas começaram a secar as áreas úmidas. As plantações também utilizavam pesticidas, poluindo o ecossistema e ameaçando a saúde e o sustento dos moradores.

Desmatamento

Angelim está localizada no município de Santa Filomena e é apenas uma das muitas comunidades afetadas pelas aquisições de terras pela Radar Propriedades Agrícolas, uma empresa formada em 2008 como uma joint venture entre o fundo de pensão americano TIAA e a gigante brasileira do agronegócio Cosan. 

Nos últimos anos, a Radar adquiriu  mais de 3.000 hectares em Santa Filomena, somando-se às terras que já possui em toda a região do Matopiba, que inclui os estados brasileiros do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – a mais nova fronteira da agricultura industrial no Brasil.

Esta região fica no Cerrado, uma das  áreas de maior biodiversidade do mundo , lar de  12.000 espécies de plantas (35% endêmicas) e  25 milhões de pessoas , incluindo povos indígenas e pequenos fornecedores de alimentos. 

Mas  cerca de 55% do Cerrado já foi convertido em plantações comerciais de árvores, grandes monoculturas agroindustriais e pastagens para produção de gado. 

Grilagem de terras, especulação e desmatamento estão deslocando comunidades e  prejudicando o meio ambiente . Um dos principais participantes dessa expansão é a TIAA e sua empresa de gestão de ativos, a Nuveen. 

Devastador

A TIAA é uma das maiores proprietárias de terras do mundo e quase quadruplicou suas propriedades desde 2012. Administrando  1,2 milhão de hectares em dez países, ela ocupa o sétimo lugar entre os dez maiores proprietários de terras transnacionais do mundo, que juntos controlam 404.457 km² — uma área do tamanho do Japão, de acordo com um novo relatório da FIAN International e da Focus on the Global South.

Esse acúmulo de recursos e poder por entidades corporativas e financeiras alimenta o abuso dos direitos humanos, as desigualdades e a destruição ambiental, além de ressaltar a necessidade de políticas redistributivas.

Outros nesse grupo de elite incluem investidores financeiros como a Blue Carbon dos Emirados Árabes Unidos, a Macquarie da Austrália e a Manulife do Canadá, as gigantes do agronegócio Olam e Wilmar de Cingapura, a empresa madeireira chilena Arauco e a Shell do Reino Unido por meio da Raízen, uma subsidiária brasileira.

Esse acúmulo de terras nas mãos de algumas empresas transnacionais faz parte de uma tendência global de grilagem de terras que se intensificou após a crise financeira de 2008. Desde 2000, investidores transnacionais adquiriram cerca de  65 milhões de hectares de terra — o dobro do tamanho da Alemanha. 

Isso acelerou uma dinâmica de concentração de terras, que resultou em um por cento das fazendas controlando  70 por cento das terras agrícolas globais , uma tendência que coloca em risco os meios de subsistência de  2,5 bilhões de pequenos agricultores e 1,4 bilhão dos mais pobres do mundo, a maioria dos quais depende da agricultura.

Como demonstra o caso da comunidade de Angelim, a grilagem e a concentração de terras têm consequências devastadoras para comunidades e ecossistemas. Assim como a TIAA, sediada nos EUA, praticamente todos os principais proprietários de terras globais foram supostamente implicados em deslocamentos forçados, destruição ambiental e violência contra populações locais. 

Biodiversidade

A concentração de terras agrava a desigualdade, corrói a coesão social e alimenta conflitos. Mas também há consequências mais profundas. 

O fato de vastas extensões de terra, localizadas em diferentes jurisdições estaduais, serem colocadas sob o controle de entidades corporativas distantes em prol de cadeias de suprimentos globais ou fluxos globais de capital financeiro, vai diametralmente contra os princípios da soberania estatal e da autodeterminação do povo. 

Em particular, isso prejudica a capacidade dos estados de garantir que a posse da terra sirva ao bem público e permita a transição para modelos econômicos mais sustentáveis.

A questão de quem deve possuir e administrar a terra torna-se ainda mais urgente diante das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade. Proprietários de terras transnacionais estão associados a plantações de monoculturas industriais, desmatamento e outras práticas extrativas. 

Em contraste, até  80% das florestas intactas encontram-se em terras administradas por povos indígenas e outras comunidades rurais. Além disso, pequenos produtores de alimentos que praticam a agroecologia promovem maior biodiversidade, melhor gestão da água e produzem mais da metade dos alimentos do mundo, utilizando apenas  35% das terras agrícolas globais .

Despossuídos

Ironicamente, o valor ambiental das terras administradas pela comunidade desencadeou uma nova onda de grilagem de terras. As chamadas “grilagens verdes” (grilagens de terras para supostos fins ambientais) agora representam cerca de  20% dos negócios de terras em larga escala . Desde 2016, mais de  5,2 milhões de hectares na África foram adquiridos para projetos de compensação de carbono.

Espera-se que o mercado global de carbono  quadruplique nos próximos sete anos, e mais da metade dos dez maiores proprietários de terras do mundo já reivindicam participação nos mercados de carbono e biodiversidade. O “net zero” tornou-se um pretexto para expulsar comunidades de suas  terras .

Embora os debates globais sobre políticas fundiárias nos últimos dez anos tenham se concentrado em limitar os danos da grilagem de terras às pessoas e à natureza, a escala e a gravidade dessas tendências exigem uma mudança da regulamentação para a redistribuição. 

A desregulamentação neoliberal, bem como as políticas comerciais e outras políticas econômicas, impulsionaram a transferência maciça de terras e riqueza para o setor corporativo e os ultra-ricos. Políticas redistributivas são necessárias para reverter essa tendência. 

Combater a desigualdade fundiária é crucial para um futuro mais justo e sustentável. No entanto, poucos países implementam políticas fundiárias e programas de reforma agrária que buscam ativamente redistribuir e devolver terras a povos e comunidades despossuídos.

Agarrando

A estrutura internacional de direitos humanos exige que os estados estruturem seus sistemas de posse de terras de maneiras que garantam uma distribuição ampla e equitativa dos recursos naturais e seu uso sustentável. 

As ferramentas à disposição dos governos incluem redistribuição, restituição e proteção de sistemas de posse coletiva e consuetudinária, bem como medidas como tetos à propriedade da terra (inclusive por entidades corporativas), proteção e facilitação de direitos de uso de terras públicas e planejamento participativo e inclusivo do uso da terra. 

Esses esforços também devem ser acompanhados por políticas fiscais redistributivas, como impostos progressivos sobre a terra e a propriedade, que continuam  regressivos ou ineficazes na maioria dos países atualmente, perpetuando assim a desigualdade e permitindo a concentração de riqueza.

Como a apropriação de terras é impulsionada pelo capital global e pela acumulação de terras em jurisdições por corporações transnacionais e entidades financeiras, a cooperação internacional é essencial. 

Sustentável

A próxima Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD), na Colômbia, em fevereiro de 2026, oferece um momento crítico para os governos concordarem com medidas que acabem com a grilagem de terras, revertam a concentração de terras e garantam uma distribuição ampla e sustentável dos recursos naturais. 

Para serem eficazes, essas discussões devem estar conectadas a iniciativas sobre uma  convenção tributária global e um mecanismo internacional para lidar com a dívida soberana, capacitando os estados a terem espaço fiscal para implementar políticas redistributivas baseadas em direitos humanos e transições justas. 

Também são importantes as disposições legais vinculativas que impedem que corporações transnacionais usem o poder do seu dinheiro para burlar as regras nacionais em busca de lucros.

Em um mundo que enfrenta crises interligadas — colapso climático, insegurança alimentar, pobreza persistente e desigualdade social — e uma reconfiguração do equilíbrio global de poder, há uma oportunidade de se afastar das políticas neoliberais que beneficiaram muito poucos e criar um futuro global mais justo e sustentável para todos.


Fonte: The Ecologist

Mulheres atingidas fazem ato hoje (3) em frente ao Banco Central, em Brasília, contra os juros altos

“Água e energia com soberania e distribuição da riqueza, com controle popular.” Com essas vozes em alto e bom tom coletivo, cerca de mil mulheres abriram nesta terça-feira (3/6/25), a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Atingidas: Para Enfrentar o Fascismo, a Crise Climática e Avançar nos Direitos.

Entre as principais reivindicações das mulheres atingidas, destacam-se a regulamentação e aplicação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas (PNAB), a criação de planos de segurança para as populações impactadas por barragens, grandes projetos e mudanças climáticas e o enfrentamento da devastação ambiental promovida pelo setor do agronegócio no país.

A programação inclui ainda um ato político com parlamentares, integrantes de órgãos de Estado e ministros, como a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e representantes das pastas do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Secretaria-Geral da Presidência da República, Minas e Energia, entre outros.

Também está confirmado um ato de denúncia contra a alta dos juros. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) considera inaceitável e abusiva a taxa de juros praticada pelo Banco Central nos atuais 14.75%. A Selic atinge o maior patamar em quase 20 anos, se tornando a terceira mais alta do mundo. A alta dos juros têm efeitos negativos na vida da população e na economia, considerando que hoje são mais de 76 milhões de trabalhadores e trabalhadoras que encontram-se endividados, e que a população já sofre com a carestia no preço dos alimentos e o aumento no custo de vida. 

Feira Cultural

Além dos atos públicos, a Jornada contará com uma feira cultural e uma série de eventos na Universidade de Brasília (UnB), com a participação de mulheres da Plataforma Operária e Camponesa da Água e da Energia, do movimento sindical e de outros movimentos populares. A proposta é discutir a situação econômica do Brasil, marcada pela inflação decorrente de um modelo dependente do mercado externo e dos efeitos da privatização de setores-chave – como o de energia -, os desafios impostos pelas mudanças climáticas, que afetam a população mais pobre globalmente, e outros temas relacionados aos direitos humanos.

A 1ª Feira de Integração das Mulheres Atingidas será um espaço onde as mulheres trarão seus produtos de artesanato e regionais para expor e compartilhar, fortalecendo a cultura e a economia solidária entre as comunidades.

Em tempo

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, é esperado para almoçar no local com as mulheres atingidas, no início da tarde.

Serviço

Pauta: Jornada Nacional de Luta das Mulheres atingidas: Para enfrentar o Fascismo, a Crise Climática e Avançar nos Direitos

Programação de hoje – 03 de junho

Manhã: 1ª Feira de Integração Cultural das Mulheres Atingidas.

Tarde: Ato de denúncia dos altos juros.

Horário: 15h

O MAB fará transmissão ao vivo: @mab.org.br