Porto do Açu: mais propaganda (espuma) do que realidade (chopp)

Hoje recebi o link de mais uma “matéria jornalística” que é, na verdade, um press release corporativo na qual o Porto do Açu tenta se apresentar como (não riam) um empreendimento que “cresce com foco no baixo carbono”.  A partir dessa fantasia, o press release apresenta o Porto do Açu como uma espécie de última cocada do pacotinho.

Quem, como eu, conhece minimamente a trajetória do empreendimento, desde os tempos de Eike Batista, sabe que o que está posto no press release não resiste a uma análise mínima de realidade. Basta verificar o andamento das indenizações devidas a mais de 400 famílias de agricultores que tiveram suas terras tomadas para a construção de um distrito industrial que nunca sairá do papel, ou ainda os processos de salinização e erosão costeira que foram anunciados nos Estudos de Impacto Ambiental que possibilitaram a emissão das licenças ambientais do Porto do Açu, ocorreram de fato, e continuam sem nenhum esforço de mitigação ou até de monitoramento. 

O Porto do Açu tampouco cumpriu a prometida dinamização da economia regional por meio da criação de empregos para a população de São João da Barra. Na verdade, o Porto do Açu se tornou um exterminador de empregos, seja na agricultura familiar ou na pesca artesanal. Na última, sob o disfarce da proteção ambiental, o Porto do Açu fechou o acesso a pescadores artesanais que tiravam o seu sustento há gerações da Lagoa de Iquipari. Este processo disparado pelo fechamento dos acessos à Iquipari já está criando uma dinâmica que coloca pressão em outros corpos aquáticos que agora enfrentam o risco da sobrepesca e conflitos sociais entre pescadores. 

Mas há um elemento adicional que a propaganda do Porto do Açu não aborda que é o fato de que está perdendo a competição com outros empreendimentos para escoar grãos e minérios. O fato é que até agora, o Porto do Açu continua como um enclave praticamente isolado do mundo por vias terrestres, já que o acesso rodoviário é difícil e o ferroviário inexistente.

E na questão do acesso que a porca torce o rabo para o Porto do Açu. Os controladores do porto e seus aliados no mundo empresarial vivem acenando com a possibilidade que o isolamento ferroviário seja resolvido pela construção da chamada EF-118 e do estabelecimento de conexões do Espirito Santo com o sul da Nahia, ou da criação de conexões com a região do MATOPIBA.   O problema é que existem outros empreendimentos brigando pelas mesmas conexões e em posição de vantagem. 

Um exemplo de que saiu na frente do Porto do Açu está no sul da Bahia, mais precisamente em Ilhéus, onde está planejada a construção/ampliação do Porto Sul.  A questão é que o governo Lula já está em tratativas para a construção da ferrovia Oeste-Leste (Fiol), que partirá de Ilhéus, e que, dentre as prioridades federais, desbancou a intenção do Porto do Açu de ter ligação direta com o porto de Chancay no Peru. Para piorar, o plano é incluir a  Fiol na chamada ferrovia Biocêanica, o que aumentaria ainda mais a vantagem competitiva do Porto Sul.

Mas existem outros competidores à vista, incluindo o Porto Central em Presidente Kennedy, no extremo sul do Espírito Santo.  No mesmo modelo do Porto do Açu, o Porto Central já parece ter a “benção” da mineradora Vale para conseguir sua ligação ferroviária com as unidades localizadas em Vitória, passando ainda pelo Porto de Ubu em Achieta. Como a estrutura portuária capixaba está em adensamento e com um nível de conectividade que visa reforçar o potencial competitivo do Espírito Santo na movimentação de cargas, inclusive de containêrs, a vantagem competitiva é claramente do Porto Central.


Planta da mineradora Samarco em Anchieta que deverá ser conectada pela EF-118 às unidades da Vale em Vitória.

Ainda não pode esquecer que para competir de forma efetiva, o Porto do Açu teria que ter uma forte alavancagem financeira, fato que é prejudicado pelo seu alto nível de endividamento. Como grandes bancos, incluindo os estatais, detestam risco, há que se perguntar por que eles continuariam a despejar dinheiro em um empreendimento com alto grau de endividamento, quando existem outros que estão em melhor posição financeira. Sem ser CEO de nenhum grande banco, eu diria que as chances do Porto do Açu estão mais no antigo desejo de Eike Batista de ter o empreendimento adquirido pela China. Mas dado o pragmatismo chinês que faz com que eles não entrem em bola dividida, mesmo a via chinesa parece difícil.

Assim, em que pese a propaganda (espuma), o chopp (realidade) do Porto do Açu ainda é pouco e ainda pode ficar choco.

O caso das pichações na UFF mostra como perpetuar genocídios: tratando vítimas e algozes com a mesma medida


Por Douglas Barreto da Mata

Imagine você, que seria possível voltar no tempo, lá em 1923, quando Hitler fracassou em sua tentativa de golpe, o chamado Putsch de Munique.  Certamente existiria o mesmo (falso) dilema entre “democratas”, que diziam que era possível conter os animais das milícias da direita (futura SA, e depois, SS) dentro das “regras legais”, e aqueles que entendiam que era impossível conviver com os nazistas.  Joseph Goebbels, a mente por detrás da máquina de propaganda nazista, riu dessa hesitação, quando criou a citação famosa, de que a democracia é o mais estranho dos regimes, porque convive com aqueles que querem acabar com ela.

Como dissemos, o dilema é falso. Não há como tratar nazistas, fascistas, transfóbicos, racistas e outros tipos do gênero. Devem ser excluídos do convívio social, e se constituírem uma grave ameaça ou injusta agressão a indivíduos ou a coletividade, devem ser repelidos com violência de proporcional intensidade.

O nome disso está consagrado na lei, chama-se legítima defesa, no artigo 25 do Código Penal. Ora, só idiotas são capazes de equiparar escravocratas, racistas, com suas vítimas. Ou nazistas e judeus vitimados no Holocausto. Ou mulheres e seus agressores. Ou a população LGBTQ e seus detratores.

Uma das piores formas de injustiça é tratar de forma igual os desiguais.  O episódio que aconteceu no campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos dos Goytacazes, quando muros foram pichados com dizeres contra racistas e transfóbicos é um “case” neste sentido.

Eu sou insuspeito, porque considero a luta de gênero e as lutas antirracistas uma perda de tempo, porque enxergo essas categorias como sub clivagens dentro do espectro da luta de classes.  Mas não desconsidero a legitimidade e a dor de quem integra estas lutas, porque a dor é deles. E essa dor não é de agora, não é de hoje, e quase sempre foi tratada com desdém ou pior, com cumplicidade pelos chamados “humanistas”.

Então, quando um grupo de estudantes ocupa um espaço público para manifestar sua indignação, e até ódio mesmo, eu não posso igualar essa conduta com os que os perseguem. Não. As pichações parecem “coisa de criança” se comparadas com as verdadeiras mortes de pessoas transgênero nesse país, ou do legado apocalíptico da escravidão sobre gerações e gerações de negros, ainda condenados a três lugares nesse país: necrotério do Instituto Médico Legal, cadeia ou favelas.

Só idiotas, como aqueles que imaginavam ser possível conviver com nazistas, seriam capazes de dar uma dimensão importante a uma parede pichada, colocando em mesmo nível dos danos praticados pelos lunáticos do 8 de janeiro de 2023.  Só imbecis entenderiam circunstâncias e contextos tão diferentes, com consequências tão distantes (ou danificar uma obra de arte é o mesmo que escrever em uma parede?), como se fossem coisas parecidas.

Não sei, não sei, mas em um país em que armas e drogas entram por fronteiras, em esquemas internacionais, ou que estruturas de lavagem de dinheiro fazem a festa de nossa elite “honesta e patriota”, alimentando uma violência que mata mais de 20 mil pessoas por ano, eu acho que essa não seria a prioridade para forças policiais.

Porém, posso estar errado, quem sabe. Então, tropa de choque, tiro, porrada e bomba nos pichadores da UFF. Vamos acalmar a nossa elite caipira.

Divulgando pesquisa sobre saúde mental e desenvolvimento profissional de docentes universitários

ESTUDO REVELA QUE 62% DOS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS SOFREM DE BURNOUT

Como parte do esforço deste blog de apoiar o fortalecimento da ciência brasileira, você está sendo convidado/a para participar, como voluntário/a, do projeto de pesquisa “Saúde Mental e Desenvolvimento Profissional de Docentes Universitários”.  

O objetivo da pesquisa é realizar uma análise de dados coletados com cerca de 500 professores com professores universitários . O estudo utiliza a pesquisa quantitativa como método de investigação e tem como objetivo principal estudar a prevalência de transtornos mentais comuns (ansiedade e depressão), estresse e burnout em docentes universitários. O estudo também buscará analisar e compreender o papel das condições de trabalho e da resiliência como preditores desses transtornos.

Durante a pesquisa, poderão ocorrer riscos semelhantes aos do cotidiano, como cansaço ao responder os questionários ou constrangimento ao se deparar com alguma questão sensível. Para minimizar esses riscos, será possível optar por não responder determinadas perguntas, pausar momentaneamente ou abandonar a pesquisa a qualquer momento, sem prejuízo. Os questionários são anônimos, e os dados serão tratados de forma agregada, sem possibilidade de identificação individual. Caso ocorra algum desconforto, posso contatar a pesquisadora responsável pela pesquisa por meio do telefone ou e-mail informados para que as providências adequadas sejam tomadas, incluindo possível encaminhamento ao Núcleo de Psicologia Aplicada da Universidade Salgado de Oliveira, sem custo.

A participação é computada a partir do preenchimento de um formulário on-line que segue abaixo, e todas as informações coletadas estarão sob sigilo de acordo com o comitê de ética da  Universidade Salgado de Oliveira. Seu preenchimento dura cerca de 6 minutos.

https://forms.gle/v6NLLvfaPqkYjnoW9

Sebastião Salgado capturou o mundo como nenhum outro fotógrafo

A morte do estimado fotógrafo do “preto e branco” deixa para trás uma rica biblioteca com mais de 500.000 imagens que mostram a Terra em toda a sua beleza e escuridão.

Sebastião Salgado em 2014. Fotografia: Wong Maye-E/AP

Por Verônica Esposito para o “The Guardian”

É um testemunho da carreira épica do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, falecido esta semana aos 81 anos , que este ano já viu centenas de suas fotos expostas na Cidade do México, França e sul da Califórnia. Salgado, que em vida produziu mais de 500.000 imagens enquanto documentava meticulosamente todos os continentes da Terra e muitos dos principais eventos geopolíticos desde a Segunda Guerra Mundial, será lembrado como um dos cronistas mais prodigiosos e implacavelmente empáticos da condição humana.

Economista de formação, Salgado só começou a fotografar aos 29 anos, após assumir a câmera da esposa, Lélia. Começou a trabalhar como fotojornalista na década de 1970, construindo rapidamente uma reputação impressionante que o levou à prestigiosa Magnum Photos em 1979. Passou três décadas fotografando pessoas em sociedades modernas em todo o mundo antes de se retirar em 2004 para iniciar o projeto Genesis, com duração de sete anos – lá, dedicou-se a paisagens intocadas e comunidades humanas pré-modernas, um projeto que guiaria o restante de sua carreira. Seu último projeto, Amazônia, o levou a passar nove anos preparando um olhar profundo sobre o terreno e os povos da floresta amazônica.

Em 2014, o diretor alemão Wim Wenders uniu-se ao filho do fotógrafo, Juliano Ribeiro Salgado, para coproduzir um documentário que celebra a obra de Salgado, intitulado “ O Sal da Terra . Ao mesmo tempo em que abrange 40 anos da produção criativa de Salgado, o filme também gira em torno de sua decisão de abandonar temporariamente a fotografia após testemunhar em primeira mão os horrores do genocídio de Ruanda. Em meio a essa crise, ele fundou seu Instituto Terra em 1998 – plantando centenas de milhares de árvores em um esforço para ajudar a reflorestar o vale do Rio Doce, no Brasil – e, por meio de sua comunhão com a terra, aos poucos reconstituiu seu caminho de volta à fotografia.

Salgado dedicou-se incansavelmente, e provavelmente também de forma imprudente, ao seu trabalho – enquanto documentava a guerra civil de Moçambique em 1974, foi atingido por uma mina terrestre e, mais tarde, na Indonésia, na década de 1990, contraiu malária, o que lhe causou problemas médicos recorrentes pelo resto da vida. Passou quase dois meses caminhando pela Rússia Ártica com os indígenas Nenets, enfrentando temperaturas de até -45°C, e também relatou ter caminhado quase 1.000 km pela Etiópia devido à falta de estradas. Mais tarde, Salgado foi forçado a fazer uma cirurgia de implante para manter o uso do joelho durante a execução de seu projeto Amazônia.

Sebastião Salgado em 2022. Fotografia: Mario Tama/Getty Images

Suas paisagens bíblicas são frequentemente fotografadas a milhares de metros de altura – podemos imaginá-lo debruçado sobre um helicóptero, buscando o enquadramento perfeito. Ele era conhecido por utilizar praticamente todos os meios de transporte disponíveis em busca do novo e do desconhecido – carro, caminhão, navio, helicóptero, avião, até mesmo canoa, balão de ar quente, barco fluvial amazônico e outros.

As impressões da obra de Salgado – sempre em preto e branco, geralmente impressas com um contraste estonteante – eram tão volumosas quanto sua ambição, conquistando presenças avassaladoras em galerias e museus. Ele era conhecido por pretos tão escuros quanto possível, e suas paisagens também demonstram uma notável obsessão por raios de luz brilhando através de nuvens de chuva, ao redor de montanhas e na água. Ele adorava a granulação que vinha do filme – tanto que, quando finalmente trocou sua confiável Leica por uma câmera digital, frequentemente manipulava digitalmente suas imagens para obter uma granulação que lembrasse o filme real.

Por mais que Salgado fosse um fotógrafo de extremos, ele também sabia fazer nuances tonais — muitas de suas paisagens só são capazes de capturar a imensidão do terreno devido ao uso cuidadoso de tons médios, e os retratos humanos de Salgado frequentemente abandonavam o alto contraste em favor de uma rica sutileza.

Por maiores que fossem seus temas, ele sempre manteve um notável toque humano. Ao fotografar a mina de ouro de Serra Pelada, no Brasil, ele fez imagens mostrando os trabalhadores como milhares de formigas escalando perigosamente paredes íngremes de terra, mas também capturou expressões indeléveis de esforço e orgulho nos rostos de trabalhadores individuais encharcados de lama. Sua imagem da estação de trem Churchgate em Bombaim, Índia, mostra milhares de passageiros em movimento, parecendo uma onda literal de humanidade surgindo em torno de dois trens à espera. Uma foto de um bombeiro no Kuwait trabalhando para tampar os poços de petróleo que Saddam Hussein incendiou mostra um homem curvado em uma postura de exaustão total, um dos inúmeros exemplos da incrível habilidade de Salgado de delinear a forma humana por meio de filme.

Considerando tudo o que Salgado fotografou ao longo de suas incríveis seis décadas de trabalho, é difícil imaginar o que mais ele poderia ter feito. Ao completar 80 anos no ano passado, ele declarou sua decisão de se afastar da fotografia para gerenciar seu enorme arquivo de imagens e administrar exposições mundiais de sua obra. Ele também demonstrou sua visão pessimista da humanidade, dizendo ao Guardian: “Estou pessimista em relação à humanidade, mas otimista em relação ao planeta. O planeta vai se recuperar. Está se tornando cada vez mais fácil para o planeta nos eliminar.”

Provavelmente, serão necessárias décadas para apreciar e exibir plenamente as fotografias restantes de Salgado, sem falar na dificuldade em lidar com as imagens que ele exibiu em vida. Espera-se que, em meio a um período de crescente conflito global, colapso ambiental e ameaças à mera noção de verdade, esta notável produção permaneça um farol de decência e humanidade – e nos ajude a traçar um caminho de volta à beira do abismo.


Fonte: The Guardian

Relatório do governo Trump relaciona produtos químicos, incluindo glifosato e atrazina, com prejuízos à saúde humana nos EUA

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Relatório da MAHA aponta o dedo para os agrotóxicos como causadores de riscos à saúde dos americanos

Por Sutainable Pulse 

O Relatório MAHA – Tornando Nossas Crianças Saudáveis ​​Novamente, foi publicado na quinta-feira (22/05), com foco específico em como produtos químicos tóxicos e alimentos ultraprocessados ​​estão prejudicando a saúde dos americanos. O foco do relatório nos impactos cumulativos das exposições ambientais recebeu amplos elogios de especialistas independentes, muitos dos quais trabalham para proteger a saúde das crianças há décadas.

O Relatório MAHA apoiou a ciência independente padrão-ouro e é o primeiro relatório desse tipo do governo dos EUA a vincular fortemente os produtos químicos tóxicos à “crise de doenças crônicas enfrentada pelas crianças americanas”.

Nenhum país do mundo levou em conta integralmente o fato de que crianças são frequentemente expostas a misturas complexas de substâncias químicas. O rápido avanço da tecnologia de Inteligência Artificial cria novas oportunidades para desenvolver ferramentas que permitam avaliar melhor as exposições ambientais a doenças crônicas em crianças.

O governo dos EUA está comprometido em promover transparência radical e ciência de padrão ouro para melhor compreender os potenciais impactos cumulativos das exposições ambientais. Precisamos compreender e amenizar quaisquer possíveis vínculos entre a exposição química cumulativa e doenças crônicas na infância.

Crianças não são “pequenos adultos” quando se trata de substâncias químicas ambientais. A exposição a essas substâncias pode começar na concepção e continuar ao longo da infância, adolescência e vida adulta, acumulando-se ao longo do tempo. A placenta e o cordão umbilical não funcionam como barreiras impenetráveis; eles podem permitir que centenas de produtos químicos industriais e poluentes cheguem ao feto em desenvolvimento. Uma vez expostas a essas substâncias, diversas características únicas tornam recém-nascidos, crianças e adolescentes particularmente vulneráveis.

Alguns estudos levantaram preocupações sobre possíveis ligações entre alguns desses produtos (agrotóxicos, por exemplo) e efeitos adversos à saúde, especialmente em crianças, mas os estudos em humanos são limitados. Por exemplo, uma seleção de estudos de pesquisa sobre um herbicida (glifosato) observou uma série de possíveis efeitos à saúde, desde distúrbios reprodutivos e de desenvolvimento até cânceres, inflamação hepática e distúrbios metabólicos. Em estudos experimentais com animais e animais selvagens, a exposição a outro herbicida (atrazina) pode causar desregulação endócrina e defeitos congênitos.

O relatório também aborda outros produtos químicos tóxicos, incluindo PFAS, ftalatos e bisfenóis, bem como metais pesados. “O cérebro passa por uma segunda fase de remodelação durante a adolescência, particularmente nas regiões responsáveis ​​pelo controle dos impulsos e pelas emoções. Substâncias neurotóxicas — como solventes e metais pesados ​​— podem ter efeitos duradouros que se estendem muito além da adolescência.”

O Dr. Philip Landrigan, Diretor do Programa de Saúde Pública Global e Bem Comum do Boston College, disse ao E&E News que a “seção do relatório sobre exposições químicas ambientais” apresenta um diagnóstico brilhante do problema.

“O atual arcabouço regulatório deve ser continuamente avaliado para garantir que produtos químicos e outras exposições não interajam e representem uma ameaça à saúde de nossas crianças”, afirma o Relatório da MAHA, ecoando um sentimento que o Dr. Landrigan e outros especialistas em saúde pública vêm repetindo há décadas. Os detalhes sobre como o governo dos EUA planeja atingir essas metas serão divulgados em um relatório posterior, previsto para agosto.

“Este é o primeiro relatório do governo dos EUA a lançar luz sobre os danos à nossa saúde causados ​​pelo herbicida mais utilizado no mundo, o glifosato. Herbicidas à base de glifosato, como o Roundup, já estavam sob os holofotes devido aos bilhões de dólares que a Bayer/Monsanto teve que pagar a vítimas de câncer, e este relatório é mais um prego no caixão dessas empresas que estão conscientemente envenenando nossas crianças”, declarou Henry Rowlands, diretor do The Detox Project e proprietário do programa de certificação Glyphosate Residue Free.

George Kimbrell, Diretor Jurídico do Centro de Segurança Alimentar, continuou: “A necessidade de reformar nosso falido sistema de agricultura industrial para construir um futuro melhor para nossos alimentos é primordial. A comissão MAHA reconhece que o uso excessivo de agrotóxicos no sistema alimentar industrial dos Estados Unidos é uma parte crítica da crise de saúde do país e reconhece as evidências científicas já consolidadas dos danos terríveis que essas toxinas estão causando às crianças, à saúde pública e ao meio ambiente. No entanto, o relatório lamentavelmente não fornece os próximos passos sobre como o governo irá impedir que essa epidemia de saúde continue.

“Muito mais é necessário – e urgentemente – para abordar de forma significativa as crises gêmeas de saúde pública e ambiental que enfrentamos. Proteger a saúde das crianças e construir um sistema alimentar saudável deve superar os lucros das empresas de pesticidas. As políticas e a governança devem ser baseadas em ciência sólida e rejeitar a influência alarmista e de lobby que alega que essas toxinas são necessárias para um sistema alimentar ou economia agrícola saudável. Nossa organização continuará a fiscalizar as agências federais para proteger o interesse público e garantir que os reguladores cumpram seus deveres de proteger a saúde pública e o meio ambiente dessas toxinas perigosas. Para serem significativas, as conclusões do relatório devem se traduzir em ações concretas que realmente promovam um sistema alimentar mais saudável e sustentável para os agricultores e consumidores dos Estados Unidos”, concluiu Kimbrell.

Para ler o Relatório MAHA completo, faça o download aqui .


Fonte: Sustainable Pulse

Jornada de Lutas do MAB reúne 1.000 mulheres em Brasília (DF) para cobrar respostas para reivindicações dos atingidos por barragens

Atingidas de diversas regiões do Brasil vão debater violações de direitos, pressionar por políticas públicas para os atingidos  e marchar contra devastação ambiental no país

De 2 a 5 de junho, Brasília será o palco da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Atingidas: Para Enfrentar o Fascismo, a Crise Climática e Avançar nos Direitos. O evento, organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), reunirá cerca de mil mulheres de diferentes regiões do Brasil. O objetivo central é criar um espaço para que as atingidas possam compartilhar experiências e pressionar o poder público por respostas concretas às suas demandas.

Entre as principais reivindicações das mulheres atingidas, destacam-se a regulamentação e aplicação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas (PNAB), a criação de planos de segurança para as populações impactadas por barragens, grandes projetos e mudanças climáticas e o enfrentamento da devastação ambiental promovida pelo setor do agronegócio no país.

A programação inclui um ato político com parlamentares, integrantes de órgãos de Estado e ministros, como a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e representantes das pastas do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Secretaria-Geral da Presidência da República, Minas e Energia, entre outros. Também está previsto um ato de denúncia contra a alta dos juros. Haverá ainda uma marcha no Dia do Meio Ambiente (5 de junho) para denunciar o desmonte da legislação ambiental, que se agrava com a aprovação do PL do Licenciamento (PL 2.159/2021) no Senado, projeto de lei que afeta diretamente as comunidades atingidas por barragens.

Conforme Ivanei Dalla Costa, integrante da coordenação do MAB, a luta das mulheres é diária e multifacetada, devido às contradições e à violência da estrutura patriarcal da sociedade. “As mulheres são as mais impactadas por eventos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca na Amazônia, e pelos rompimentos de barragens, como os de Mariana e Brumadinho. É sobre os ombros das mulheres que recaem as principais preocupações com a proteção e o sustento da família em momentos de crise, tornando-as as vítimas mais diretas da perda material e da precarização dos modos de vida relacionada aos crimes e desastres socioambientais que se repetem no Brasil. Por isso, no MAB, elas são protagonistas da luta por direitos”, avalia.

A coordenadora destaca que a gravidade da violação dos direitos das mulheres se estende à violência física: “Temos vivido exemplos, inclusive da perda da vida de muitas integrantes do Movimento”, lamenta Ivanei, citando casos como o de Nicinha (Nilce Magalhães) e Dilma Ferreira, vítimas de violência política na Amazônia; Débora Moraes, vítima de feminicídio no Rio Grande do Sul; e Flávia Amboss, vítima do fascismo no Espírito Santo.

Desmonte Ambiental, Transição Energética e Alta dos Juros em debate

Além dos atos públicos, a Jornada contará com uma feira cultural e uma série de eventos na Universidade de Brasília (UnB), com a participação de mulheres da Plataforma Operária e Camponesa da Água e da Energia, do movimento sindical e de outros movimentos populares. A proposta é discutir a situação econômica do Brasil, marcada pela inflação decorrente de um modelo dependente do mercado externo e dos efeitos da privatização de setores-chave como o de energia, os desafios impostos pelas mudanças climáticas, que afetam a população mais pobre globalmente, e outros temas relacionados aos direitos humanos.

Feira Cultural

A primeira Feira de Integração das Mulheres Atingidas será um espaço onde as mulheres trarão seus produtos de artesanato e regionais para expor e compartilhar, fortalecendo a cultura e a economia solidária entre as comunidades.

Programação

02 de junho

Tarde: Abertura da Jornada e da 1ª Feira de Integração Cultural das Mulheres Atingidas.

Ato político de abertura da Jornada, com presença da UNB e abertura da 1ª feira de integração cultural das mulheres atingidas.

03 de junho

Manhã: 1ª Feira de Integração Cultural das Mulheres Atingidas.

Tarde: Ato de denúncia dos altos juros.

04 de junho

Manhã: Ato: “Políticas Públicas de Estado para a Reparação dos Direitos das Populações Atingidas”, com presença de ministros, parlamentares e órgãos do Estado.

Tarde: Mesa: “Patriarcado e Violência: Os Desafios da Luta das Mulheres no Atual Contexto Histórico e o Legado das Lutadoras Atingidas”. Lançamento do livro “Imprensados no Tempo da Crise: A Gestão das Afetações no Desastre da Samarco (Vale e BHP Billiton)”, de Flávia Amboss.

05 de junho

Manhã: 1ª Feira de Integração Cultural das Mulheres Atingidas.

Manhã: Marcha: “Mulheres Atingidas em Luta na Defesa do Meio Ambiente”.

PL da Devastação volta à Câmara, mas deve parar no STF

Marina Silva reitera a inconstitucionalidade do PL aprovado pelos senadores e prevê judicialização em massa

Por ClimaInfo

O PL da Devastação (2.159/2021), aprovado na 4ª feira (21/5) no Senado, parará nos tribunais. Depois de ser piorado nas comissões de Meio Ambiente e de Agricultura daquela casa, e agravado com uma emenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que criou o licenciamento express, o projeto voltará à Câmara, que tem pressa em aprová-lo.

Mas, se continuar como está, será questionado judicialmente, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF). Advogados ouvidos pelo Estadão confirmaram a tendência. A inconstitucionalidade do PL foi detalhada em nota técnica do Observatório do Clima (OC) e reiterada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) horas antes da aprovação pelos senadores, por 54 votos a 13.

“A gente não consegue nem mensurar [o impacto do PL para a proteção do meio ambiente]. Inicialmente podemos falar em um processo em massa de judicializações, porque muito do que foi aprovado ali é claramente inconstitucional”, afirmou a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), citada pelo Valor.

A ministra lembrou o artigo 225 da Constituição, que garante que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. 

Esse direito garantido pela Carta Magna foi solenemente atropelado pelos senadores com a aprovação do PL, que escancara a porteira para interesses econômicos caros a esses parlamentares, como a exploração de petróleo na foz do Amazonas e a reconstrução do trecho do meio da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).

“A sociedade brasileira tem a oportunidade de dar sustentabilidade política para que o licenciamento ambiental seja mantido. Porque essa é uma linguagem que nós, os políticos, entendemos”, defendeu Marina, citada poCNN BrasilO Globo e Valor.

Na Agência Pública, Giovana Girardi comentou que a fala de Marina é uma resposta ao “clima de festa” que se instaurou no Senado após a aprovação do PL. Já nO Globo, Míriam Leitão comparou a votação à intentona golpista dos bolsonaristas, cujo projeto era “destruir a democracia e o meio ambiente”, e lamentou a resistência simbólica do governo federal.

Essa inação do governo está relacionada à sua fragilidade no Congresso, mas também decorre da postura de alas internas que defendem a flexibilização do licenciamento. Segundo O Globo, a articulação política lavou as mãos na tramitação. Os ministérios da Casa Civil, Agricultura e Transportes se manifestaram a favor do PL. Somente o MMA marcou posição contra, inclusive com apelos feitos por Marina.

Na véspera da votação, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se reuniu com senadores líderes do MDB, União Brasil, PSD, PSB e PDT e, segundo presentes no encontro, em nenhum momento pediu para o projeto ser barrado ou mencionou o assunto. Por outro lado, governistas se mostraram contrários ao texto, e o PT orientou contra o projeto. Sem trabalho de convencimento anterior e com a Esplanada dividida, os petistas ficaram isolados.

O Poder 360 mostra que, dos 37 senadores da base do governo, 24 votaram a favor do PL da Destruição. Ou seja, teriam feito toda a diferença se tivessem votado contra. E ainda houve senadores que culparam Marina, dizendo que ela “se ausentou” dos debates com a casa, informou o g1. Como se fosse preciso mostrar o óbvio: o texto acaba com o licenciamento ambiental, e os efeitos disso serão sentidos por todos os eleitores, de esquerda, centro ou direita.

GloboNewsObservatório do ClimaValorVejaAgência PúblicaValorUm só planetaPará Terra BoaVocativoGigante 163 Valor repercutiram a aprovação do PL da Devastação.


Fonte:  ClimaInfo

Lula, e não David Alcolumbre, é o mentor da sentença de morte do licenciamento ambiental no Brasil

Alcolumbre e Lula em viagem ao Vietnã

David Alcolumbre e Lula durante viagem ao Vietnã.  A corda e a caçamba na sentença de morte do licenciamento ambiental no Brasil.

Ontem,enquanto o Senado Federal dava um golpe de morte no licenciamento ambiental, fui perguntado pelo jornalista Jésus Mosquera que comanda o programa “Poder Expresso” do SBT News por que eu parecia tão certo de que o “PL da Devastação”  seria aprovado (ver abaixo).

Eu respondi a ele que, apesar de que toda a tramitação da matéria no Congresso Nacional se assemelhava a uma luta entre o ex-BBB Kleber BamBam e o ex-campeão mundial de boxe Acelino Popó Freitas, onde um fingia que batia e outro fingia que apanhava. No caso do Congresso Nacional, Popó seria representado por figuras como David Alcolumbre e Bamban pelos congressistas do PT.

A verdade inescapável é que o mentor da morte do licenciamento ambiental no Brasil é o presidente Lula que pouco tempo atrás classificou o processo de licenciamento ambiental da exploração de petróleo na Foz do Amazonas como “lenga lenga de ambientalista”. 

Ali Lula deu a senha para que Alcolumbre e seus colegas piorassem ainda mais a proposta já ruim que viera da Câmara de Deputados.  A verdade é que Lula, apesar dos discursos de ocasião, não entende e não gosta de quem entende dos graves problemas ambientais que o modelo de capitalismo de fronteira que é hegemônico em país da periferia capitalista, como é o caso do Brasil.

Por isso, se alguém espera que Lula veta algum dos dispositivos inconstitucionais que foram adicionados no PL da Devastação por Alcolumbre et caterva é melhor esquecer.  Eu até arrisco a dizer que a proposta que sair da Câmara de Deputados após retorno do Senado Federal não terá nenhum veto sequer. Se tiver veto vai ser algum jacaré que foi posto no PL de Devastação como uma espécie de sacrificial para que Lula finja alguma forma de ultraje.

Resta saber se Marina Silva vai continuar dando legitimidade a um governo que consegue, em meio a uma grave crise climática, ser mais anti-ambiental do que seus predecessores bolsonaristas.

Mas que fique claro: Lula é o algoz do licenciamento ambiental e um algoz por vontade e crença próprias. 

Mais de 60 entidades assinam nota da ABC e SBPC que alerta: corte orçamentário ameaça a sobrevivência das Universidades Federais

Em nota pública, divulgada no dia 19 de maio, as entidades científicas denunciam impacto das restrições divulgadas recentemente sobre a pesquisa, a formação profissional e a inclusão social no Brasil

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgaram uma nota pública conjunta na última segunda-feira (19) manifestando “profunda preocupação” com a decisão do Governo Federal de liberar apenas no final do ano um terço dos recursos previstos para as Universidades Federais. Para as entidades, a medida compromete o funcionamento básico dessas instituições, impacta a produção científica nacional e ameaça diretamente a formação de profissionais qualificados.

O documento, que já conta com a adesão de mais de 60 entidades científicas e acadêmicas de todo o país, alerta para o risco de paralisação de atividades acadêmicas e administrativas, com consequências graves para o desenvolvimento nacional. As instituições signatárias também enfatizam o papel estratégico das universidades públicas na redução das desigualdades sociais e no acesso de jovens pobres, negros e periféricos ao ensino superior gratuito e de qualidade. “Essa política não atinge apenas a ciência – destrói um dos principais mecanismos de ascensão social no Brasil”, afirmam os presidentes Helena Bonciani Nader (ABC) e Renato Janine Ribeiro (SBPC).

Leia a nota na íntegra:

Nota Pública

Corte Orçamentário Ameaça a Sobrevivência das Universidades Federais e o Futuro do País

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) vêm a público manifestar sua profunda preocupação com as recentes medidas adotadas pelo Governo Federal em relação ao financiamento das universidades federais.

A decisão de liberar apenas no final do ano um terço dos recursos previstos inviabiliza o funcionamento básico dessas instituições, comprometendo de forma severa o funcionamento das universidades federais brasileiras, bem como afetando diretamente a manutenção de suas atividades administrativas, acadêmicas e científicas ao longo do ano.

Mais de 90% da pesquisa científica brasileira é resultado das pesquisas realizadas nas universidades públicas do país. A limitação orçamentária imposta não apenas ameaça a continuidade das pesquisas, como também compromete a formação de profissionais altamente qualificados, essenciais para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do país. Ao adiar e diminuir significativamente a liberação de recursos, o governo dificulta o funcionamento dessas instituições, comprometendo sua capacidade operacional.

Essa política não atinge apenas a ciência – destrói um dos principais mecanismos de ascensão social no Brasil. As universidades públicas são a porta de entrada para milhares de estudantes pobres, negros e periféricos que dependem delas para romper o ciclo da desigualdade, empurrando os mais vulneráveis para o ensino privado e o endividamento.

Países desenvolvidos investem massivamente em educação e ciência. O Brasil, ao contrário, desmonta suas universidades, exporta cérebros e aumenta sua dependência tecnológica estrangeira. Sem pesquisa pública, não haverá inovação, nem soluções para crises sanitárias, ambientais ou econômicas.

Diante desse cenário, a ABC e a SBPC reiteram a importância de garantir o pleno funcionamento das universidades federais, condição indispensável para o avanço da ciência, da educação e da soberania nacional.

Helena Bonciani Nader
Presidente
Academia Brasileira de Ciências

Renato Janine Ribeiro
Presidente
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Rio de Janeiro e São Paulo, 19 de maio de 2025

O documento também pode ser acessado em PDF neste link.

O documento é endossado pelas seguintes entidades:

“Nota Pública – Corte Orçamentário Ameaça a Sobrevivência das Universidades Federais e o Futuro do País”

Academia Brasileira de Neurologia (ABN)

Associação Brasileira de Antropologia (ABA)

Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr)

Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN-Nacional)

Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (ABECS)

Associação Brasileira de Limnologia (ABLimno)

Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN)

Associação Brasileira de Mutagênese e Genômica Ambiental (Mutagen-Brasil)

Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Educação Especial (ABPEE)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)

Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)

Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)

Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO)

Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB)

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (ANPARQ)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo-ANPTUR

Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL)

Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE)

Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (SOCICOM)

Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe)

Federação Internacional das Associações de Estudantes de Medicina do Brasil (IFMSA Brazil)

Sociedade Astronômica Brasileira (SAB)

Sociedade Brasileira de Biofísica (SBBf)

Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC)

Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq)

Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório (SBCAL)

Sociedade Brasileira de Computação (SBC)

Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia

Sociedade Brasileira de Eletromagnetismo (SBMAG)

Sociedade Brasileira de Entomologia (SBE)

Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC)

Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE)

Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM)

Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental (SBFTE)

Sociedade Brasileira de Física (SBF)

Sociedade Brasileira de Herpetologia (SBH)

Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE)

Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI)

Sociedade Brasileira de Lógica (SBL)

Sociedade Brasileira de Matemática (SBM)

Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC)

Sociedade Brasileira de Micologia (SBM)

Sociedade Brasileira de Microeletrônica (SBMicro)

Sociedade Brasileira de Micro-ondas e Optoeletrônica (SBMO)

Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC)

Sociedade Brasileira de Ornitologia (SOB)

Sociedade Brasileira de Ótica e Fotônica

Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP)

Sociedade Brasileira de Primatologia (SBP)

Sociedade Brasileira de Protozoologia (SBPz)

Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)

Sociedade Brasileira de Química (SBQ)

Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ)


Fonte: JC Notícias 

Wladimir Garotinho está sob fogo cerrado mais por suas qualidades do que por seus defeitos: Reloaded

Um raro momento de paz…

Por Douglas Barreto da Mata

Aproveitando o mote cinematográfico, tão em voga atualmente, vamos estender nosso raciocínio expresso no primeiro texto, em uma continuação, tão ao gosto das franquias de Hollywood.

Um dos eventos que deu ignição aos ataques da oposição local, que age por comando de Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj/governador, foi a suposta crise de financiamento da saúde local, onde foi colocada para conhecimento do público uma dívida de 100 milhões de reais com os hospitais filantrópicos.

Apesar dessa dívida e desse valor nunca terem sido corroborados por nenhum documento, o que, como já dissemos, causa estranheza que a alegação tenha ido tão longe, há outras questões que permanecem obscuras, e impedem o cidadão e a cidadã de fazerem um correto julgamento da questão.

Já foi dito e repetido que o Sistema Único da Saúde (SUS) é um sistema de gestão entre União, Estados e Municípios, com repartição de atribuições, sejam elas complementares, subsidiárias ou concorrentes.

Há obrigações, principalmente de natureza orçamentária, partindo da lógica que em nossa federação, apesar da vida econômica acontecer nas cidades, os tributos, ou a maior parte deles, são recolhidos (sobem), para Estados e União, e depois são redistribuídos para as cidades.

Nesse contexto, a saúde é, em todas as cidades, e em todos os estados, exceto o Distrito Federal, paga com repasses da União, dos Estados e com parte das receitas próprias das cidades.

Quase sempre é assim. Deveria ser assim.  Tomamos o exemplo de cidades diferentes, com poucos habitantes, como Miguel Pereira, uma cidade média como Campos dos Goytacazes, e São Gonçalo, com mais habitantes. Olhemos também aquelas que são pólos regionais, ou seja, aquelas que atendem cidades vizinhas e circunvizinhas.

No Estado do Rio de Janeiro este é o montante por habitante que o governador manda pagar, por exemplo, para estas três cidades:

Miguel Pereira

R$ 857 por habitante (não é polo regional de saúde) 

São Gonçalo

R$ 265 por habitante (não é polo regional de saúde) 

Campos dos Goytacazes

R$ 126 por habitante (sendo polo regional de saúde)

Em Campos dos Goytacazes, esses valores, além de subestimados, não são repassados há muito tempo.  O estado do Rio de Janeiro reteve os repasses obrigatórios a cidade desde 2023, pelo que dizem. Porém, o governo do Estado e a secretaria estadual de saúde continuam a enviar pacientes de todas as cidades para Campos dos Goytacazes, através do seu sistema de regulação de vagas, porque a cidade é pólo regional.

O Estado usa o sistema de saúde campista, e não paga.  O mais grave é que Campos dos Goytacazes é um dos únicos municípios do Brasil que completa os valores que o SUS paga aos entes particulares pelos atendimentos, e mesmo assim, o governo do Estado, o presidente da Alerj continuam a manter a cidade sufocada.

Eu ainda não consegui enxergar a razão da cidade de Campos dos Goytacazes não ter acionado o governo do Estado na justiça, inclusive para bloquear os valores devidos ao município na conta do estado. O prefeito Wladimir Garotinho tem levado a fama de ingrato, mesmo tendo permanecido na espera todo esse tempo.

Quem sabe essa crise fabricada para tentar fazer com que ele beijasse a mão do presidente da Alerj não foi a gota d’água?