Exploração no litoral brasileiro ameaça espécies, comunidades tradicionais e pesca artesanal, alerta diagnóstico inédito

Foto: Stéfano Girardelli / Unsplash 

 

A ocupação desordenada, a pesca industrial não manejada e projetos de infraestrutura colocam em risco tanto espécies marinhas e costeiras quanto os modos de vida de povos indígenas e comunidades tradicionais. É o que aponta o “1º Diagnóstico Brasileiro Marinho-Costeiro sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos”, lançada na quinta (8). Conforme a publicação, essas populações sofrem com os impactos negativos de políticas de desenvolvimento, como poluição, degradação ambiental, e com políticas de conservação integral, que podem provocar retirada compulsória de populações tradicionais de seus territórios.

O documento sintetiza o conhecimento disponível sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos na zona costeira e no ambiente marinho brasileiros. Esse diagnóstico pode orientar iniciativas que previnam e reduzam impactos ambientais e sociais nessas áreas. Trabalharam na obra 53 especialistas acadêmicos e governamentais, 12 jovens pesquisadores e 26 representantes de povos indígenas e populações tradicionais do Brasil, em diálogo com atores do poder público e da sociedade civil. O projeto foi coordenado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pela Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano.

A publicação sucede o Sumário para Tomadores de Decisão, divulgado pela mesma equipe em novembro de 2023. O relatório integra o conhecimento acadêmico com saberes tradicionais, e inova ao apresentar um capítulo construído somente a partir das narrativas de povos e comunidades que dependem diretamente dos ecossistemas costeiros.

“Esses povos e comunidades tradicionais devolveram ao longo das décadas um profundo conhecimento sobre as dinâmicas dos ecossistemas que exploram e, muitas vezes, criaram ou adaptaram técnicas de manejo dos recursos que exploram para garantir a sua continuidade”, destaca Cristiana Simão Seixas, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que co-editou o documento junto com Alexander Turra e Beatrice Padovani Ferreira. Para a cientista, é essencial envolver essas populações em processos como a elaboração de planos de manejo de unidades de conservação, planos de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas, planos de gerenciamento costeiro e planejamento espacial marinho.

A pesca industrial, se não manejada, pode inviabilizar o futuro da pesca artesanal. A preocupação está ainda no acesso às áreas exploradas, na medida em que as atividades consideradas depredatórias levam à exclusão das populações indígenas e tradicionais de seus territórios, o que tem sido observado nos processos de implantação de projetos de infraestrutura e ocupação desordenada em todo o litoral brasileiro. A pressão econômica acaba levando ao deslocamento dessas populações para áreas mais afastadas, longe de suas raízes ancestrais.

Seixas defende políticas públicas que fomentem o desenvolvimento integrado à conservação socioambiental. “Ou seja, não estamos falando de colocar as comunidades tradicionais em redomas de vidro e isolá-las do mundo exterior. Ao contrário, é necessário dar condições para que se desenvolvam socioeconomicamente, tendo acesso a educação e saúde de qualidade, mas que isso se dê de forma que não percam sua identidade e que continuem a praticar seus modos de vida, seja na pesca artesanal, no extrativismo ou nas roças tradicionais. E dentro dessa abordagem, o turismo de base comunitária, se fomentado adequadamente, pode ser uma excelente solução”, ressalta a autora.

A publicação recebeu recursos de uma emenda parlamentar do então Deputado Federal Rodrigo Agostinho, do Instituto Serrapilheira e do Programa Biota/Fapesp.


Fonte: Agência Bori

Usina Nova Canabrava: o risco começa no corte e termina na moagem

Carregamento De Cana Inteira | TikTok

Hoje recebi vários vídeos (mostro um logo abaixo) sobre as condições precárias de transporte da cana que está sendo moída pela Usina Nova Canabrava. Segundo a pessoa que me enviou os vídeos, trabalhadores da própria usina está reclamando que a situação de risco de acidentes começa na hora do corte, continua no transporte, e alcança o processo de moagem dentro da usina, pois os equipamentos estariam sem a devida manutenção, colocando em risco principalmente quem trabalha nas partes altas da planta industrial.

Penso que essa é uma situação que deveria merecer uma rigorosa fiscalização em linha do fiscais do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho  e até da Polícia Rodoviária Federal. Afinal de contas, existem dezenas de vidas que estão sendo colocadas em risco todos os dias, inclusive quem trafega na RJ-194 (Campos-São Francisco do Itabapoana). E isso não é nem perto do aceitável.

A quarta-feira de cinzas da sucessão estadual: vai ter nota 10 ou choro na Apoteose?

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Por Douglas Barreto da Mata

Eu não tinha nenhuma intenção de fazer uma espécie de “minissérie” de análises sobre a sucessão estadual, mas o desenrolar dos acontecimentos torna irresistível esse formato, algo como um enredo, ou uma mini novela.  Nos dois primeiros textos [Aqui! e Aqui!) , que você pode ler abaixo, o eixo central foi a intrincada engenharia que será necessária para tornar candidato a governador o presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacelar.

Apesar da torcida de seus correligionários, e das “análises” de seus órgãos de imprensa, o fato é que a coisa é mais complicada do que parece.  Hoje vamos tentar dar um desfecho no raciocínio, deixando claro, óbvio, que não temos a pretensão de ir além da mera projeção de cenários.

Se a candidatura de Rodrigo Bacelar depende da renúncia de Thiago Pampolha, é sobre essa questão que devemos nos debruçar, embora haja outras subjacentes, que não podem ser desprezadas, como ressentimentos e vinganças guardadas como iguarias no freezer para serem consumidas no devido tempo.

Aqui eu menciono a possibilidade de Cláudio Castro devolver ao presidente da Alerj todas as desfeitas que teve que suportar nesse trajeto, soprando ao ouvido de Pampolha que aceite o acordo, mas não renuncie.

Mas voltemos ao principal, isto é, para onde vai Thiago Pampolha?  Ora, os “bacelar-boys” juram que o vice-governador aceitou ir para o TCE. 

Tomemos isso como certo.  A questão não é querer, pois Thiago, por ele mesmo, já sabe que ficou com poucas opções eleitorais.  Talvez uma candidatura de deputado federal pelo MDB. O problema é Thiago acreditar em Rodrigo Bacelar e Cláudio Castro.

Com a possibilidade de discussão judicial de sua indicação, como já anunciou o advogado Travanca, e com a jurisprudência recente do STF, acionada recentemente pelo MP, contra o deputado Albertassi, fica claro que não há vaga certa.

Ora, como já disse em outro texto, seria o “crime perfeito”. A promessa  da dupla Rodrigo/Castro a Pampolha, lembremos, é de indicação e aprovação do nome, não é de assunção da vaga.  Assim, como disse um amigo observador atento dos bastidores, Thiago ficaria sem a vaga, que seria reservada para Castro ou o próprio Rodrigo, caso os planos eleitorais de ambos não dessem certo.

Bem, Thiago pode ter pensado nisso.  Porém, Thiago pode ser muito mais esperto do que julgam. Afinal de contas, ele sabe, e todos os integrantes deste desfile sabem que Thiago é um dos candidatos que mais pode atrapalhar Eduardo Paes, ainda mais se ele tiver um vice com Wladimir Garotinho.  Seria uma nova formatação capital e interior.

Para Wladimir Garotinho não seria má ideia, já que ele seria vice de um governador de um mandato, já que Pampolha não poderia se reeleger.  Para o campo da direita seria ótimo, dois jovens, de centro, um evangélico, um vice-governador, com alguma penetração na capital, e outro herdeiro de uma família de governadores.

Thiago, se tiver noção desse cacife, pode ter negociado com Eduardo Paes, não para compor a chapa dele, já que os dois se sobrepõem na capital, e ambos sabem que essa vaga deve ser ofertada a Wladimir.  Pampolha pode receber de Eduardo as chaves da prefeitura do Rio, e a garantia de torná-lo o futuro prefeito em 2028. Não é pouca coisa.  Esse arranjo pode ter selado a sorte de Rodrigo Bacelar e de Castro, quem sabe?

Thiago Pampolha, nesse momento, está “fingindo de morto para ver quem vai a seu enterro”. Por que trocar um acordo com melhores chances de concretização com Paes, para ficar com uma promessa de quem já lhe maltratou tanto?

Enfim, por onde quer que se olhe, as chances de Pampolha renunciar ao cargo de vice-governador para que Rodrigo Bacelar seja candidato é uma ilusão de Carnaval, que pode acabar em choro na Apoteose.

Estudo sugere que comer mais fibras pode reduzir PFAs,’produtos químicos permanentes’, no corpo

Estudo descobre que a fibra alimentar reduz efetivamente os níveis de dois Pfas mais comuns e perigosos, com mais pesquisas planejadas 

um par de mãos segura vegetais verdes folhosos sob uma torneira aberta

Por Tom Perkins para o “The Guardian”

Consumir grandes quantidades de fibras reduz os níveis de PFAs tóxicos , “substâncias químicas eternas” no corpo humano, sugere um novo estudo piloto revisado por pares.

A pesquisa constatou que as fibras reduzem com mais eficácia o Pfos e o Pfoa, dois dos Pfas mais comuns e perigosos. Cada um deles pode permanecer no organismo por anos, e dados federais mostram que praticamente todas as pessoas têm esses compostos químicos no sangue.

Os pesquisadores estão “animados” com os resultados dos estudos com camundongos e uma pequena população humana, disse Jennifer Schlezinger, coautora do artigo na Universidade de Boston. Um estudo maior está em andamento.

“Ainda estamos na metade do experimento, mas estamos vendo resultados muito promissores”, disse ela. “O importante é que isso seja viável, acessível e econômico.”

Os PFAs são uma classe de cerca de 15.000 compostos usados ​​com mais frequência para tornar produtos resistentes à água, manchas e gordura. Eles têm sido associados a câncer, defeitos congênitos, diminuição da imunidade, colesterol alto, doenças renais e uma série de outros problemas graves de saúde. São chamados de “produtos químicos eternos” porque não se decompõem naturalmente no meio ambiente.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) não encontrou nenhum nível seguro de exposição a Pfos ou Pfoa na água potável. A meia-vida deles no sangue humano varia de dois a cinco anos, segundo a maioria das estimativas. Isso significa que o corpo expele metade da quantidade da substância química presente no sangue durante esse período. Dependendo dos níveis sanguíneos, pode levar décadas para que o PFA seja completamente expelido.

As bases militares são frequentemente focos de PFAs que expuseram um número incontável de militares aos produtos químicos, e o Departamento de Defesa dos EUA está financiando a pesquisa.

Os autores teorizam que as fibras alimentares formam um gel que pode impedir que as células que revestem o intestino absorvam os Pfas. Eles observam que as fibras formam um gel que impede a absorção de ácidos biliares, levando ao aumento da eliminação de ácidos biliares nas fezes.

Os ácidos biliares são quimicamente semelhantes aos PFAs de cadeia longa, e os PFAs podem entrar no intestino com a bile. O mecanismo nas fibras alimentares formadoras de gel que eliminam o ácido biliar parece ter o mesmo efeito para os PFAs.

Schlezinger disse que fibras solúveis e insolúveis são necessárias, e estas podem ser adicionadas a um copo de suco. O betaglucano de aveia também é eficaz. Deve ser tomado com as refeições, pois é quando o corpo produz mais bile, o que precisa ser sincronizado com o consumo de fibras.

Pfoa e Pfos são classificados como PFAs de “cadeia longa”, o que significa que estão entre os compostos maiores da classe química. A fibra pareceu, em geral, funcionar bem na captura e eliminação desses compostos pelas fezes, mas não funcionou tão bem para Pfas menores de “cadeia curta”.

Os PFAs de cadeia curta são excretados pela urina, mas os de cadeia longa não.

A colestiramina, um medicamento para colesterol, também tem sido usada para reduzir os níveis sanguíneos de Pfas. No entanto, descobriu-se que ela causa fezes frequentes, grandes e duras em camundongos, disse Schlezinger. A fibra, por outro lado, produz fezes fáceis de evacuar e traz benefícios adicionais à saúde, observou ela.


Agrotóxicos afetam mais de 17 mil famílias no Brasil: saiba como denunciar as intoxicações

Canais oficiais vão do SUS ao sistema judicial, mas mobilização popular ainda tem papel essencial no cenário

Trator é usado na pulverização de agrotóxicos em lavoura no município de Belterra, região metropolitana de Santarém – João Romano 

Por Nara Lacerda para o “Brasil de Fato”

Nos últimos anos, a utilização de agrotóxicos como armas químicas vem sendo observada como um elemento que, cada vez mais, potencializa os conflitos no campo brasileiro. Segundo o mais recente relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre conflitos no campo, no ano passado mais de 17 mil famílias sofreram com intoxicações.

Embora existam mecanismos de denúncia desse tipo de crime, a subnotificação e a impunidade são realidades constantes. Do Sistema Único de Saúde (SUS) aos tribunais, a população ainda tem dificuldade de acesso e acolhimento, pontos que exigem preparo da máquina pública.

Em conversa com o Brasil de Fato durante a 5ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que acontece até domingo (11), em São Paulo (SP), Alan Tygel, da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos, afirma que a construção desse suporte também demanda resistência e envolvimento da de movimentos populares e da sociedade civil. “É uma realidade que vamos precisar construir. Parte da nossa luta é manter essa mobilização e fazer essas denúncias chegarem, fazer essa pressão.”

Um dos primeiros passos possíveis para buscar ajuda em caso de intoxicação é procurar o SUS. No atendimento nas unidades de saúde, pacientes têm direito de registrar a situação com o preenchimento de uma ficha de notificação de intoxicação exógena. O documento deve ser disponibilizado mesmo em caso de suspeita.

Nele devem constar dados considerados essenciais, como o tipo de trabalho realizado pela pessoa intoxicada, data, hora e local da ocorrência. Além disso, deve conter informações sobre as substâncias envolvidas e do que é produzido na região onde o problema aconteceu.

Essa notificação é obrigatoriamente repassada ao Ministério da Saúde, por meio do Sistema Nacional de Agravos de Notificação Compulsória (Sinan), que tem o dever de investigar o ocorrido.

Outro caminho possível e importante é a denúncia judicial. Ela pode ser feita para o Ministério Público, para a polícia ambiental ou nas delegacias da polícia civil, com um boletim de ocorrência. É fundamental que o fato seja documentado de forma consistente e evidências como fotos e vídeos, quando possível, são muito importantes.

“Uma das ações que temos tentado fazer é justamente trazer à tona essa realidade, que já existe no Brasil há muito tempo, mas é uma realidade escondida, que fica nos subterrâneos. Uma das nossas tarefas é orientar a população para que essas denúncias sejam construídas de forma consistente” ressalta Tygel.

Para facilitar o processo e orientar a população, a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos também oferece recursos online. No site da organização é possível acessar um passo a passo sobre como denunciar. O botão para chegar ao guia está em destaque na página principal.

Problema do mundo

Iniciativas populares de luta também desempenham um papel essencial de fortalecimento das denúncias contra os agrotóxicos. Um exemplo de força vem da Rede de Agroecologia do Maranhão (Rama), que desde 2021 sentiu a necessidade de atuar de maneira mais prática para auxiliar a população do estado nesse processo.

Linalva Cunha, que integra o movimento, também conversou com o BdF sobre o tema. No depoimento emocionante, ela falou sobre a situação dramática que ampliou a ação da Rama. “Em 2021, a comunidade Araçá do município de Buriti recebeu veneno por conta de uma plantação ao lado do território. Vimos ali a imagem de uma criança atingida diretamente, com o corpo ferido e a pele que derretia por causa do veneno.”

Diante do caso, segundo ela, a necessidade de abrir novas frentes no trabalho da rede em torno do combate aos venenos agrícolas se tornou urgente, “nós entendemos que não dava para só ouvir e falar sobre a importância da agroecologia. Sabíamos que era preciso combater outras outras temáticas que agridem a perpetuação dos povos, uma delas é o agrotóxico”.

A partir de então, a rede passou a discutir instrumentos e formas de levar o debate aos territórios e, ao mesmo tempo, fazer levantamentos in loco, com ajuda das comunidades. Hoje, a Rama atua na formação e informação para denúncias, em parcerias para estudos e pesquisas sobre qualidade da terra e da água e articulações políticas nacionais e internacionais, inclusive na luta por legislação sobre o tema.

“Nós queremos que o Nordeste, o Sul, o Sudeste, o Brasil compreendam que a luta contra os agrotóxicos é um problema do mundo. A crise climática e todas essas questões que temos enfrentado mexem com a nossa capacidade de produzir e se reproduzir no chão que pisamos.”

Alan Tygel e Linalva Cunha conversaram com o BdF diretamente da 5ª Feira da Reforma Agrária do MST. O evento ocorre no Parque da Água Branca, na capital paulista, até o próximo domingo (11). Ouça a entrevista completa no tocador de áudio abaixo do título desta matéria.

Editado por: Nicolau Soares


Fonte: Brasil de Fato

Thiago Pampolha está afinado com Rodrigo Bacelar ou vai atravessar o samba?

Castro reitera apoio a Bacellar e diz que Pampolha não é mais do seu grupo  político - blogdoarnaldoneto.com.br
Por Douglas Barreto da Mata

Um termo muito em voga em tempos de realidade líquida (Baumann) é a teoria da conspiração. Com a dificuldade em estabelecer a relação de causa e efeito, e por conseguinte, determinar os fatos por sua natureza, é comum que se criem versões fantasiosas e alternativas, impregnadas de vieses, que não raro defendem interesses inconfessáveis. Esse fenômeno não é novo, como dizem.

A mídia comercial gosta de nos fazer crer que ela é quem pode validar a verdade, com slogans tipo “fato ou fake” e outras baboseiras, e que esse tipo de conduta manipuladora é algo da internet. Tudo mentira. Mídia empresarial e redes sociais disputam entre si o monopólio da mentira, que durante muito tempo era um mercado exclusivo das mídias tradicionais. Estava tudo ali, discurso de ódio, racismo, etc, desde as produções de “entretenimento”, até às redações jornalísticas.

Os princípios que nos tornaram violentos, escravocratas modernos, misóginos estão todos ali, desde Bom Dia, Brasil, passando pela Sessão da Tarde, novelas, Jornal Nacional, e com os filmes de violência enlatada produzidos pelos EUA. A grande embalagem desse pacote tóxico sempre foi o preconceito de classe, óbvio.

Não se esqueçam das propagandas, por favor, que misturavam cigarros com esporte, álcool com corrida de carros, de material de limpeza, cama, mesa e banho só para mulheres, enquanto aos homens brancos, os produtos que simbolizavam a macheza, o sucesso. Os pobres nordestinos sempre na portaria, o “malandro” dos morros, as pretas sempre lavando, passando e cozinhando.

Então, a briga entre mídia e redes sociais é só para disputar esse legado. Mas por que eu fiz esse enorme nariz de cera? Para abordar novamente a sucessão estadual. Eu trago uma “teoria da conspiração”, que eu já apresentei neste blog prestigioso, e como uma boa teoria, ela só especula. Não é conspiratória, na verdade, não desejo tirar proveito dela, ela apenas traz hipóteses. Meu trabalho é juntar pedaços, indícios, rumores, movimentos anormais, e juntar com dados.

Dois dados recentes. Um advogado de sobrenome Travanca resolveu dizer que vai atravancar (desculpem o trocadilho) a indicação de Tiago Pampolha, atual vice-governador, para a vaga de conselheiro do TCE, que seria uma das contrapartidas oferecidas a ele, caso aceite entregar o governo do Estado ao presidente da Assembleia Legislativo do estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacelar. 

Eu achei que fosse uma simples chantagem.  Aí aconteceu outra coisa.  O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as indicações aos Tribunais de Contas dos Estados  (TCEs) devem seguir, por simetria, as regras da Constituição Federal 1988 para o Tribunal de Contas da União (TCU).  Em resumo, essa imposição determina que haverá uma alternância para ocupação das vagas, com parte delas para privilégio de critérios técnicos e/ou de carreira dos órgãos, diminuindo as margem de discricionariedade dos governadores, traduzindo, estreitou o caminho para indicados políticos, como seria o Pampolha.

Muita gente boa passou a jurar aos pés da cruz do Monte do Calvário que Thiago Pampolha vai aceitar a vaga no TCE.  O problema são os detalhes.  O diabo, sabemos, mora nos detalhes.  Para o presidente da Alerj sentar na cadeira faltam muitas variáveis, que por serem muito individuais, são muito imprevisíveis.

Vejamos: o governador Cláudio Castro precisa renunciar, e para tanto ele quer ter atendido seu pleito de ser candidato ao senado. Não há garantia disso pelo clã Bolsonaro, que controla essas escolhas.  Se o governador sair, o vice-governador Thiago Pampolha tem que acreditar nas promessas que lhe foram feitas, e resistir a tentação de ser ele mesmo o candidato.  Seus dotes eleitorais medidos pelas pesquisas são tão ruins como os do presidente da Alerj, então, esse não é um balizador para afastar ele do propósito.

]Thiago Pampolha ainda tem outra qualidade, seu nome é muito mais bem aceito que o nome do presidente da Alerj, e a aprovação de seu nome evitaria uma revoada dos cardeais da política fluminense, que já disseram à boca miúda que não vão com o presidente da Alerj.  A única ressalva dos cardeais do PL, parte do PP, parte do União e do MDB a Pampolha é a pouca quilometragem.  Por fim, se Pampolha olhar para trás, e tomar como base o tratamento que recebeu do governador e do presidente da Alerj, ele tem muita chance de não confiar nas promessas.

Com o anúncio do Travanca, a base de jurisprudência construída pelo STF, recentemente, há sinais de que Thiago Pampolha pode ser abatido em pleno voo para o “asilo TCE”, antes mesmo de assumir. Seria um crime perfeito, afinal, aparentemente, a promessa foi paga.  Mas, afinal, vocês perguntariam, por que fazer isso com o Pampolha?  Pelo mesmo motivo que Pampolha pode estar acordado com o governador para não deixar a vaga para o presidente da Alerj.

Com a chegada desse grupo político no Guanabara, se estabelecer como um político de peso tem muito mais a ver com destruição de adversários, do que com realizações ou capacidade de articulação.  Não há aqui nenhuma crítica, só uma constatação.  Por isso, enfim, eu acho que esse triângulo político Castro, Rodrigo e Tiago ainda vai dar enredo para muito “desfile”.

CPT ES/RJ emite nota sobre morte de trabalhador em área de cana da Usina Canabrava

 Nota de repúdio à morte de trabalhador em queimada criminosa na Usina Sucroalcooleira Canabrava

A Comissão Pastoral da Terra – Regional Espírito Santo/Rio de Janeiro vem a público expressar seu mais veemente repúdio à morte cruel e inaceitável de um trabalhador rural, Ivanildo da Silva Felizardo, de 60 anos, queimado vivo em meio a um canavial pertencente à Usina “Nova Cana Brava”, localizada entre os municípios de Campos dos Goytacazes e São Francisco de Itabapoana (RJ), no norte fluminense.

A tragédia ocorrida não é um acidente, mas sim consequência direta de práticas criminosas e recorrentes de queimadas adotadas pelo histórico setor canavieiro para reduzir custos de produção, em total desrespeito à vida humana, à legislação trabalhista e ambiental, e à dignidade dos trabalhadores do campo.

Esse crime expõe a face mais perversa de um modelo agroindustrial que naturaliza a violência e a morte como parte de sua lógica produtiva. A vida de um trabalhador rural, marcada por décadas de esforço, foi tratada como descartável diante da ganância e da negligência de um setor que insiste em manter práticas arcaicas, desumanas e ecocidas. Em 29 de setembro de 2010, o mesmo crime ocorreu, deixando D. Cristina Santos carbonizada em maio às práticas de queimada de canaviais. Denunciamos e cobramos ações ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

A CPT denuncia a responsabilidade da Usina Canabrava por essa morte e cobra dos órgãos competentes:

  • A imediata investigação e responsabilização criminal, civil e trabalhista da empresa e seus gestores;
  • A fiscalização rigorosa das condições de trabalho e das práticas ambientais adotadas pela usina;
  • A proibição definitiva das queimadas nos canaviais, com políticas públicas que garantam transição agroecológica e respeito aos trabalhadores;
  • A assistência às famílias e comunidades impactadas por esse crime.

A morte desse trabalhador é símbolo de um sistema que se sustenta com sangue e fogo. Que o agro Pop, Tech, não tem nada de “moderno” em suas práticas de exploração da vida humana. Não aceitaremos que mais vidas sejam ceifadas pela lógica da exploração e do lucro acima de tudo. A vida no campo importa. Os trabalhadores rurais têm direito à proteção, ao reconhecimento e à justiça. Essa luta é do povo do campo, mas também do povo que vive nas periferias urbanas e nas cidades.

Nos solidarizamos com a família da vítima e com todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais que, cotidianamente, enfrentam condições precárias e arriscadas em nome da sobrevivência. E reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, da justiça social e da dignidade do povo do campo.

Campos dos Goytacazes – RJ, 07 de maio de 2025.

Comissão Pastoral da Terra – Regional Espírito Santo/Rio de Janeiro

O custo financeiro e social do aumento na taxa SELIC por causa do aumento da dívida pública

Selic a 14,75%? Inter projeta elevação de 0,50 p.p. nos juros — mesmo  achando que aumentar a taxa agora não seja necessário – Money Times

O Banco Central acaba de aumentar a chamada Taxa Selic para astronômicos 14,75% ao ano, o valor mais alto em duas décadas. Isso é sentido pelos brasileiros de muitas formas, a começar, por exemplo, com as dívidas contraídas com cartões de crédito e empréstimos consignados. 

No entanto, existem custos sociais gravíssimos que decorrem dos gastos trilionários que o governo federal precisa realizar para fazer os pagamentos da dívida pública. É esse aspecto que na maioria do tempo, a mídia corporativa se engana a cobrir, já que a maioria dos veículos são controlados por detentores de grandes fortunas formadas justamente com o saque feito diretamente nos cofres públicos.

Vejam abaixo um vídeo super didático no qual o professor e cientista político Juarez Guimarães da Universidade Federal de Minas Gerais, em entrevista para o podcast ‘Enfim, sexta!’ do Brasil de Fato MG, comenta os efeitos desvastadores do aumento da Taxa Selic sobre a qualidade dos serviços públicos, principalmente saúde e educação.

Anunciando a Conferência internacional de educação transformadora para e com catadores e catadoras de materiais recicláveis

As ações realizadas diariamente de forma praticamente invisível e desassistida pelo Estado por milhares de catadores e catadoras oferecem uma forma de serviço extraordinariamente valiosa para a sociedade brasileira.  Entender esse processo de forma a valorizar e empoderar politicamente os trabalhadores que realizam essa atividade é fundamental, pois como vimos recentemente no decreto que autorizava a importação lixo (que terminou sendo revogado), só a ação organizada é capaz de impedir este tipo de retrocesso.

Eis que hoje me chegou a notícia de que ocorrerá na Câmara Municipal de São Paulo, nos dias 16 e 17 de maio, a Conferência internacional de educação transformadora para e com catadores e catadoras de materiais recicláveis que é produto de um longo processo de cooperação entre universidades canadenses e sul americanas, e ainda a organização não-governamental “Pimp my Carroça”.

O evento é voltado para catadores(as) de materiais recicláveis, movimentos Sociais, organizações
comunitárias, gestores públicos, comunidade acadêmica, e público em geral.

Para quem estiver interessado, a programação completa da conferência pode ser baixado [Aqui!].

Estudo sugere que 2/3 do aquecimento desde 1990 se deve aos mais ricos

Autores do estudo defendem ações como a taxação de super-ricos para frear concretamente as emissões

aquecimento mais ricos

Por ClimaInfo 

Um novo estudo expõe o papel decisivo dos mais ricos no agravamento de eventos climáticos extremos, afirmando que eles seriam responsáveis por aproximadamente dois terços do aquecimento global. Publicada pela Nature Climate Change, a pesquisa indica que cerca de 65% do aumento observado de 0,61oC na temperatura média global entre 1990 e 2020 pode ser atribuído às emissões dos 10% mais ricos do mundo, aqueles com renda anual superior a 42.980 euros por ano (cerca de R$ 280 mil).

A desproporção aumenta ainda mais quando se analisa o impacto do 1% mais rico, aqueles com rendimentos anuais acima de 147,2 mil euros (mais de R$ 955 mil). Esse grupo foi responsável por 20% do aquecimento global nos últimos 30 anos. Já os ultra-abastados, que ganham mais de 537 mil euros por ano (R$ 3,424 milhões) e somam cerca de 800 mil pessoas, foram responsáveis por 8% do aumento da temperatura global.

Os resultados destacam como o consumo e os investimentos das elites amplificam desastres que afetam principalmente regiões vulneráveis, como Amazônia, Sudeste Asiático e sul da África – justamente as que menos contribuíram para o problema.

De acordo com a autora principal, Sarah Schöngart, da ETH Zurich, a crise climática não é um fenômeno abstrato, mas está diretamente ligada aos estilos de vida e às aplicações financeiras dos mais ricos. Foram cruzados dados econômicos com simulações climáticas revelando que apenas os 10% mais abastados dos EUA e da China foram responsáveis por dobrar ou triplicar ondas de calor em áreas já fragilizadas.

“Se todos emitissem como os 50% mais pobres, o aquecimento global teria sido mínimo desde 1990”, afirma Carl-Friedrich Schleussner, coautor do estudo. Os dados também alertam para as emissões ocultas em investimentos financeiros, que superam o consumo individual.

Os pesquisadores defendem que regular os fluxos de capital das grandes fortunas pode ser mais eficaz do que medidas genéricas. “Não é teoria, são impactos reais hoje”, reforça Schleussner. “Ignorar o peso dos super-ricos na crise climática é desperdiçar a chance de evitar catástrofes piores”, completa.

Como solução, os autores propõem políticas direcionadas aos mais ricos, como taxação progressiva e regulação de investimentos poluentes. Além de reduzir emissões, essas medidas poderiam financiar adaptação em países pobres e incrementar a Justiça Climática. Nesta perspectiva, o combate às desigualdades para além da questão social, é indicado também como chave para frear o colapso ambiental.


Fonte: ClimaInfo