Cláudio Castro promove reedição milionária da”Farra dos Guadarnapos” em Nova York e ganha placa de lembrança

C'est fini': Da 'farra dos guardanapos', só um fora - Jornal O Globo

A Farra dos Guardanapos  que aconteceu em setembro de 2009 marcou o início do fim de Sérgio Cabral

O início da queda do ex- (des) governador Sérgio Cabral foi a realização da chamada “Farra dos  Guardanapos” em Paris. A revelação daquela farra nababesca na qual Cabral e seus amigos escancararam o seu desprezo pela coisa pública deu início a uma série de acontecimentos que resultaram na desgraça política, não apenas de Sérgio Cabral, mas também do seu sucesso, Luiz Fernando Pezão.

Em uma demonstração de que a história acontece primeiro como tragédia e se repete como farsa, 15 anos depois da versão original da Farra dos Guardanapos, o governador Cláudio Castro usou R$ 1.800.000,00 para co-financiar um evento obscuro chamado “Dialogos Esfera- New York”, realizado na última segunda-feira (12/05), e  que contou com a presença de vários governadores de direita, além do próprio governador fluminense (ver imagem abaixo).

Há que se notar ainda que Cláudio Castro foi um dos homenageados do evento, com direito a placa comemorativa e tudo mais (ver imagem abaixo). Também depois de arcar com parte dos gastos da festança, nada mais justo do que um placa.

Em Nova Iorque, governador Helder Barbalho é homenageado pelo Grupo Esfera  por sua gestão e defesa do meio ambiente | Agência Pará

O interessante é que o “evento” ocorreu no luxuoso restaurante Fasano na cidade de Nova York, estabelecimento em que só a nata da sociedade pode comparecer para sorver bebidas e ingerir canapés. No entanto, Castro não precisou se preocupar com isso, pois a sua participação foi bancada com recursos do tesouro estadual do Rio de Janeiro (ver imagens abaixo).

Enquanto isso, os servidores públicos estaduais continuam com seus salários congelados e sendo corroídos pela inflação. E quando se tenta abrir negociações com o governador Cláudio Castro, a resposta rápida é que mesmo a reposição das perdas é vedada pelo regime de recuperação fiscal. Como se vê, por esse caso que mais parece um repetição farsesca da Farra dos Guadarnapos, a aplicação das restrições do regime de recuperação fiscal é seletiva, muito seletiva.

Choque neoliberal repetido: pelo segundo ano seguido, governo Lula passa motosserra no orçamento das universidades federais

Em meio às viagens do presidente Lula, o segundo governo editou o Decreto  No.12.448/2025 que na tirou R$ 2,5 bilhões do Ministério da Educação (MEC) e reduziu o orçamento anual das universidades federais em pelo menos 61%. Esse é o segundo ano seguido que a medida adotada, impondo um contigenciamento de verbas que impede a realização de reformas e afeta serviços terceirizados como é o caso da limpeza.

O impacto desse corte, no entanto, vai muito além. É que em muitas universidades, essa medida impedirá o pagamento de serviços básicos como os de eletricidade e água, coisas que são fundamentais para viabilizar o funcionamento mínimo das instituições. Mas a coisa não para aí, pois unidades de pesquisa que utilizam equipamentos que dependem do oferecimento sustentado desses serviços poderão se tornar inviáveis.

O interessante é que de tempos em tempos, o presidente Lula ensaia o discurso surrado de que seu mandato é comprometido com o ensino público e com as universidades. No entanto, quando se trata de fazer cortes orçamentários para assegurar o fluxo de dinheiro para abastecer o sistema financeiro via o pagamento de juros,  as universidades são atacadas sem dó nem piedade.

O problema é que estamos diante de um governo que estimula a condição dependente da nossa economia, ancorando o pesado dos investimentos públicos em projetos que favorecem o aprofundamento da reprimarização. Isso fica explícito em todos os recursos alocados para a produção de commodities agrícolas e para a produção de óleo e gás. 

Nesse contexto,  cortar o orçamento das universidades e institutos federais faz completo sentido, pois não há interesse de fato na produção de conhecimento científico que diminua a dependência no setor primário. 

A verdade é que inexiste no governo Lula um compromisso real com a diminuição do caráter dependente da economia brasileira. Com isso, não se pode levar os discursos pró-universidades do presidente Lula como sendo sérios. No máximo, eles representam aquela máxima de se levantar bandeiras corretas em dias de festa para esquecê-las no momento em que se sai do palanque.

Por essas e outras é que precisamos as universidades precisam se mobilizar urgentemente para pressionar e impedir que esse corte de quase 40% seja executado.  O risco de se ficar inerte em face dessa ataque é grave demais.

Brasil: Erradicar corais invasores é um desafio

coral invasor

O coral-sol adere facilmente a rochas, recifes e barcos, o que, combinado com sua capacidade de se regenerar a partir de pequenos fragmentos, facilita sua expansão. Crédito da imagem: Cortesia de Leo Francini para SciDev.Net. 

O nome “coral-sol” é dado a duas espécies invasoras: Tubastraea coccinea e Tubastraea tagusensis, nativas do Indo-Pacífico, que foram detectadas pela primeira vez no Brasil na década de 1980 e são extremamente nocivas ao ecossistema marinho do litoral do país devido à sua rápida reprodução.

“Eles formam colônias densas que eliminam a biodiversidade local, alteram os ecossistemas marinhos e sua expansão descontrolada ameaça habitats sensíveis, como os recifes de corais nativos, já enfraquecidos pelo aquecimento das águas, acidificação e poluição.”

Anna Carolina Lobo, líder de Uso Público de Áreas Protegidas do WWF-Brasil

Um artigo recente publicado no periódico científico Marine Pollution Bulletin analisa dados de uma década de manejo adaptativo no arquipélago de Alcatraces, considerado um dos maiores criadouros de aves marinhas da costa brasileira.

Lá, entre 2014 e 2023, quase 1,3 milhão de colônias de corais-sol, pesando mais de 12 toneladas, foram removidas. A maioria pertencia à espécie Tubastraea tagusensis (92 por cento). Ações de controle foram realizadas ao longo de 293 dias de trabalho de campo.

Segundo os pesquisadores, o processo de erradicação produziu um efeito de “cobertura curta”: enquanto uma invasão é controlada ou reduzida em áreas de manejo intensivo, a espécie pode aumentar em áreas que receberam menos atenção durante o mesmo período. Atualmente, a espécie também foi identificada na região Nordeste brasileira.

Sergio Coelho-Souza, pesquisador do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo e principal autor do artigo, explicou ao SciDev.Net que atualmente existem duas técnicas de combate ao coral-sol.

O primeiro, simples e barato, utiliza um martelo e um formão. Mas tem limitações na remoção de colônias menores e no alcance de locais de difícil acesso.

Ao longo de uma década, uma equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade desenvolveu uma segunda técnica: um martelo pneumático capaz de remover um número maior de colônias.

“As principais limitações do martelo são a necessidade de um compressor, que ocupa espaço no recipiente e limita seu alcance operacional, e o alto ruído que ele produz”, explicou o pesquisador.

O estudo sugere um protocolo para integrar monitoramento e controle, priorizando a remoção de colônias isoladas em áreas de baixa abundância para erradicação local e o uso de martelos pneumáticos em áreas de alta abundância, quando possível.

Dispersão ao longo da costa brasileira

Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Brasil, o coral-sol foi registrado pela primeira vez no país na década de 1980, em uma plataforma de petróleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

Desde então, houve diversos registros em outros locais até que em 2018 as autoridades ambientais brasileiras incluíram o coral-sol como espécie exótica invasora prioritária para a elaboração e implementação de um Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento .

A invasão agora está afetando outras partes do Brasil. Pesquisadores confirmaram que o coral-sol chegou em 2020 ao litoral de Pernambuco , na região nordeste do país, e estava se deslocando em direção a áreas de proteção ambiental.

Em 2022, a espécie foi identificada em uma plataforma de petróleo no mar do Ceará, outro estado da mesma região. No mesmo ano, o bioinvasor foi localizado no litoral de um terceiro estado do Nordeste brasileiro.

Ameaça aos habitats

Anna Carolina Lobo, líder de Uso Público de Áreas Protegidas do WWF-Brasil, que não esteve envolvida no estudo, disse ao SciDev.Net que o coral-sol foi introduzido acidentalmente na costa brasileira, provavelmente por meio de plataformas de petróleo e navios.

“Eles formam colônias densas que eliminam a biodiversidade local , alteram os ecossistemas marinhos e sua expansão descontrolada ameaça habitats sensíveis, como os recifes de corais nativos, já enfraquecidos pelo aquecimento das águas, acidificação e poluição ”, explicou.

Por sua vez, Coelho-Souza disse que o coral-sol altera a estrutura dos tapetes de algas.

“Além de serem produtores primários — autotróficos — que produzem oxigênio, essas esteiras coletam detritos e sedimentos marinhos e hospedam uma alta diversidade de invertebrados que servem de alimento para outros animais, como peixes de recife, que, por sua vez, servem de alimento para peixes maiores”, acrescentou.

E, por ser heterótrofo, ou seja, incapaz de produzir seu próprio alimento por meio da fotossíntese, o coral-sol consome oxigênio e gera dióxido de carbono.

O grande desafio, segundo os pesquisadores, é que o coral-sol se espalha rapidamente, cobrindo e sufocando espécies nativas e recifes inteiros.

“Mesmo pequenos fragmentos de coral podem dar origem a novos indivíduos, dificultando a erradicação completa”, disse Lobo.

Segundo Coelho-Souza, o coral-sol pode produzir até 3.000 larvas em um único evento reprodutivo.

Além disso, ele adere facilmente a rochas, recifes e barcos, facilitando sua dispersão. “A extração manual, que é o método mais utilizado hoje, é trabalhosa, cara e exige treinamento”, diz Lobo.

Segundo o estudo, cada dia de combate ao coral-sol custa cerca de US$ 720. O total entre 2015 e 2023 chega a US$ 160.000.

Enquanto isso, outros métodos de erradicação estão sendo testados. No final do ano passado, pesquisadores brasileiros anunciaram o desenvolvimento de um hidrogel aplicado por drones subaquáticos que mata corais-lua e tem pouco impacto sobre espécies nativas.

Mas até que uma solução definitiva e eficaz seja encontrada, Lobo sugere que a erradicação da espécie dependerá de uma combinação de remoção manual com monitoramento contínuo e combate a novas introduções.


Este artigo foi produzido pela edição da América Latina e Caribe do  SciDev.Net

Coração do algodão no Brasil pulsa sob efeito de agrotóxicos

País se tornou maior exportador das plumas brancas. No Mato Grosso, indígenas relatam os efeitos dos venenos. Rastreabilidade da cadeia é desafio

Coração do algodão no Brasil pulsa sob efeito de agrotóxicos – DW –  15/05/2025

O cultivo de algodão é o segundo que mais consome agrotóxicos por hectare no Brasil, atrás apenas do tabaco, elevando risco de contaminaçãoFoto: jensotte/Pond5/IMAGO 

Por Heloísa Traiano para a Deutsche Welle Brasil

No cerrado mato-grossense, os povos indígenas no município de Sapezal ainda se lembram de quando eram abundantes as águas e as roças. Mas hoje eles contam que o caju do mato, o pequi e as plantas medicinais diminuíram. Chegaram novas pragas às plantações. Vários tipos de abelhas sumiram e, com elas, a diversidade de méis.

Os rios viraram cemitérios de ovos de peixe, e quem bebe arrisca sentir dor de barriga ou diarreia. As aldeias relatam que a piracema, época da reprodução natural dos peixes, sofre quando se pulverizam os agrotóxicos nas crescentes lavouras de algodão ao redor da terra indígena. E afirmam que os abortos espontâneos aumentaram entre as mulheres.

A região da Bacia do Juruena é o coração da ascendente produção brasileira de algodão. As plumas brancas são a segunda commodity que mais consome agrotóxicos por hectare de lavoura no Brasil, atrás apenas do tabaco. Substâncias tóxicas viajam longas distâncias pelos ventos, e a alta concentração exacerba os riscos de intoxicação humana e contaminação de ecossistemas.

“A gente vê vários aviões passando. Eu observo agora que, quando plantamos, as plantas não ficam legais, porque acabam sendo afetadas,” diz Cleide Terena, presidente da associação de mulheres da Terra Indígena Tirecatinga, lar de nove povos indígenas. “A gente deixou de tomar água do rio e passou a comprar da cidade, por medo de beber água envenenada.”

Produto global, efeito local

No município do Sapezal, onde vivem os indígenas que relataram à organização Operação Amazônia Nativa (Opan) sua percepção dos efeitos dos pesticidas, o consumo de agrotóxicos dividido pelo número de habitantes é de 364 litros por ano, e em dois municípios algodoeiros vizinhos ultrapassa os 600 litros anuais, segundo cálculo pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). No Brasil, essa conta dá cerca de 7 litros anuais.

“Os agrotóxicos usados no algodão são potencialmente mais tóxicos à saúde e ao ambiente. Além disso, são utilizados volumes elevados por hectare, e geralmente por pulverização aérea ou terrestre. Portanto, as comunidades em torno estão expostas a riscos maiores de adoecimento”, afirma Marcia Montanari, professora do Instituto de Saúde Coletiva da universidade.

No ano passado, o Brasil foi pela primeira vez o maior exportador de algodão do mundo, e é o terceiro produtor global. Cerca de 70% do algodão brasileiro vai para o mercado externo, e a estimativa é que o país produza 9 milhões de toneladas na safra 2024/2025, das quais 6,2 milhões do Mato Grosso.

Reduzir o uso de agrotóxicos com “vacinas para plantas”?

Num marco zero da cadeia produtiva global, Sapezal tem a maior área algodoeira do estado e está entre os campeões do consumo de agrotóxicos no Brasil. Desde 2017, ano com os dados mais antigos disponíveis no site do Instituto de Defesa Agropecuária do Mato Grosso (Indea), o município ganhou o equivalente a 60 mil campos de futebol em plantações declaradas de algodão.

“Antes, quando a gente passava (pelos arredores da TI Tirecatinga) tinha árvores. Hoje está tudo derrubado, e só tem plantio”, continua Cleide, que viveu seus 42 anos na aldeia Serra Azul. “Só tem mato dentro do território mesmo.”

Quase sempre, o algodão é alternado com produções de soja e milho ou cercado por essas lavouras, que também estão entre as maiores consumidoras de agrotóxicos no Brasil. Cada hectare algodoeiro (ou campo de futebol) consome em média 28 litros de agrotóxicos ao ano, em comparação a 17 para a soja e 7 para o milho.

O uso exacerbado se explica pela alta suscetibilidade do algodão a pragas, inflada pela monocultura intensiva que caracteriza a produção massiva de commodities para exportação. No Brasil, o grande inimigo é o bicudo do algodoeiro, que historicamente devasta plantações e hoje registra um período de surto, tendo atingido em 2024 a maior incidência para o Mato Grosso em 12 anos.

Substâncias proibidas no Brasil

Os mais vulneráveis aos efeitos dos agrotóxicos são os trabalhadores rurais e as comunidades indígenas, que entram em contato direto com os agrotóxicos ou vivem em ecossistemas envenenados ao longo de anos. Segundo Montanari, mesmo baixas quantidades de resíduos tóxicos podem gerar danos reprodutivos, oncológicos, neurológicos e psiquiátricos em casos de exposição prolongada.

Na Bacia do Juruena, os indígenas encontram até as embalagens de agrotóxicos vazias nos rios, segundo os relatos reunidos pela Opan entre 2020 e 2021. À mesma época, oito de nove amostras de plantas medicinais e frutas, colhidas na Terra Indígena Tirecatinga e analisadas no âmbito de um projeto entre a UFMT e a Opan, tinham resíduos de onze agrotóxicos.

Brasilien Baumwollfeld

Brasil é o maior exportador de algodão, com mais de dois terços da produção nacional saindo do Mato Grosso e rodando por cadeias globaisFoto: EVARISTO SA/AFP

“A soberania alimentar e o modelo de sociedade do povo indígena são também afetados”, diz a indigenista Adriana Werneck Regina, co-pesquisadora do projeto. Ela há três décadas registra os relatos de indígenas sobre os impactos do agronegócio na região.

Os cientistas ainda encontraram amostras de algodão, material hospitalar, ataduras, gases, fraldas, absorventes íntimos, tecido de algodão cru e coadores de café contaminados por 28 tipos de agrotóxicos. Dezessete são proibidos na União Europeia (UE), e dois no Brasil – o carbofurano e o carbendazim, associados aos riscos de câncer, problemas neurológicos e má formação de fetos.

Entre 2019 e 2024, houve quase 1,5 mil intoxicações registradas no estado pelo Ministério da Saúde, das quais 45% por agrotóxicos de uso agrícola – entre elas, 3% ligadas à lavoura de algodão.

No entanto, especialistas avaliam que há grande subnotificação dos efeitos adversos à saúde, para a qual contribuem o medo de represálias, legislações frouxas e falta de controle sobre pulverizações aéreas.

“Há grande insuficiência na fiscalização”, diz o procurador Gabriel Martins, do Ministério Público Federal no Mato Grosso (MPF-MT), que recebeu os dados de intoxicações fornecidos pelo Ministério da Saúde. “Vemos uma preocupação quase nula dos produtores e muito baixa da União, do governo estadual e dos municípios, que querem mais produção.”

Soluções da lavoura à vitrine

Outra deficiência está na rastreabilidade de uma cadeia produtiva global e fragmentada. O algodão brasileiro encontra seus principais mercados em China, Vietnã, Bangladesh, Turquia e Paquistão, onde se confeccionam tecidos para lojas de moda no mundo todo, desde o fast fashion até lojas de luxo.

São necessários maiores esforços por varejistas e iniciativas de certificação de produtores algodoeiros, segundo especialistas em sustentabilidade, para rastrear e evitar o uso de substâncias nocivas na ponta inicial da jornada da commodity, mapear riscos a trabalhadores nas lavouras e garantir maior transparência com o consumidor.

“O algodão sustentável é aquele plantado sem uso de veneno e junto com alimentos, o que garante a segurança alimentar de quem planta algodão”, diz Yamê Reis, coordenadora de Design de Moda no Instituto Europeu de Design no Rio de Janeiro, que faz parte da campanha Moda Sem Veneno. “Precisamos de política pública, incentivo fiscal para pequenos produtores e restringir a importação de agrotóxicos.”

Para os defensores da moda sustentável, as soluções para o setor passam ainda pela disseminação entre os consumidores da importância do consumo consciente, o maior uso de fibras recicladas na indústria têxtil e o fortalecimento da agroecologia, que privilegia pequenos produtores e perspectivas de proteção ao meio ambiente.

“Ao contrário da agricultura convencional, algodão agroecológico significa usar fertilizantes orgânicos, não usar inseticidas e fungicidas, diminuir operações mecanizadas e rotacionar culturas”, diz Larissa Roviezzo, consultora em economia circular e sustentabilidade. “Existe uma ideia de que a agricultura familiar é pequena e não pode ser produzida em larga escala, mas isso não é verdade.”

Discussão internacional

Hoje, 82% da produção brasileira é de algodão certificado pela organização Better Cotton Initiative (BCI). O selo é internacionalmente reconhecido por supostamente identificar, para varejistas e consumidores, a produção em conformidade com 28 critérios econômicos, sociais e ambientais.

No Brasil, principal origem do algodão licenciado pela organização, a BCI elabora seu selo com base na certificação Algodão Brasileiro Responsável (ABR), da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), e inclui alguns critérios adicionais próprios.

Essa metodologia é alvo de críticos dentro e fora do Brasil, que reclamam da falta de auditoria externa contratada pela BCI e advogam por maior controle quanto ao uso de agrotóxicos.

Em entrevista à DW, a BCI afirmou que o algodão por ela certificado não pode ser chamado de “sustentável”. “O que a gente acredita é que a sustentabilidade não é um destino a que se chega, é algo que a gente almeja”, disse Álvaro Moreira, gerente sênior de parcerias e programas de grandes fazendas. Ele reconhece que o uso de pesticidas segue muito alto no Brasil e é o principal desafio para o setor.

Dentre os critérios da BCI para pesticidas, estão a não utilização de agrotóxicos listados como altamente perigosos e a existência de um plano dos produtores para eliminar até 2028 substâncias definidas como carcinogênicas, mutagênicas ou tóxicas para a reprodução.

Mas, desde 2023, a BCI tem um procedimento para produtores solicitarem o uso, por até três anos, de pesticidas de alto risco ao meio ambiente e à saúde humana. Esse mecanismo vale no Brasil e pode ser pedido na ausência de “alternativas viáveis”, desde que o produtor apresente um plano para a descontinuação gradual.

Em abril do ano passado, a produção de algodão com o selo da BCI foi associada a abusos de direitos à terra e ambientais na Bahia por uma investigação da organização Earthsight. Nos meses seguintes, a BCI relatou que revisões independentes não detectaram infração dos seus parâmetros nas fazendas citadas e que colocou em prática um plano de ação para endereçar desafios na região.

A BCI diz que a certificação também se baseia em dados disponibilizados por produtores e autodeclarações dos pesticidas usados. Por sua vez, a Abrapa afirmou em nota que fazendas certificadas passam por auditorias de terceira parte anualmente e que tem investido em maior rastreabilidade da cadeia produtiva, inclusive com um projeto-piloto que permite ao consumidor acessar com um QR Code as informações sobre as etapas percorridas pelo algodão.


Fonte: Deutsche Welle Brasil

Proteção infantil no mundo digital exige mais que tecnologia: o papel insubstituível das famílias na era das telas

Especialistas alertam que o uso de tecnologia para proteger crianças nas redes sociais não substitui o papel ativo das famílias e reforçam a necessidade de diálogo, presença e formação ética no ambiente digital

Diante do crescimento acelerado do uso de redes sociais por crianças e adolescentes, cresce também a urgência em discutir o papel da sociedade — e, em especial, das famílias — na formação digital das novas gerações. Enquanto propostas governamentais como a exigência de verificação de idade por inteligência artificial ganham espaço no debate público, especialistas alertam que soluções exclusivamente tecnológicas são insuficientes para enfrentar um problema que é, antes de tudo, humano.

Para o sociólogo Marcelo Senise, presidente do Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA), confiar a proteção infantil a algoritmos e sistemas automatizados pode gerar uma perigosa sensação de controle. “Estamos diante de um desafio que exige presença, diálogo e responsabilidade compartilhada. Proteger de verdade vai além de apertar um botão”, afirma.

Senise chama atenção para os riscos associados ao uso de tecnologias como o reconhecimento facial para determinar a idade de usuários, ressaltando questões éticas, falhas técnicas e ameaças à privacidade de crianças e adolescentes. Mas seu alerta vai além das ferramentas: ele aponta para a ausência de políticas públicas robustas de educação digital e para a tendência de governos e plataformas buscarem soluções simbólicas, de fácil comunicação, mas de eficácia duvidosa.

Nesse cenário, escolas e famílias precisam atuar de forma conjunta, conscientes de que a formação ética e emocional das crianças no ambiente digital não pode ser delegada apenas à tecnologia. A experiência cotidiana revela mudanças significativas no comportamento infantil, muitas vezes moldado por conteúdos violentos, sexualizados ou distorcidos, consumidos sem mediação ou reflexão.

Para responder a esse desafio, iniciativas têm surgido em diversas comunidades escolares e espaços de formação, com o objetivo de promover encontros entre pais, educadores e especialistas. A proposta é simples, mas essencial: convidar as famílias a refletirem sobre os impactos do uso desordenado da tecnologia no cotidiano dos filhos — e sobre como retomar, com firmeza e afeto, o protagonismo na orientação digital.

Mais do que oferecer respostas prontas, esses encontros visam fortalecer laços. Afinal, como aponta Senise, não existe ferramenta mais eficaz na proteção infantil do que adultos atentos, presentes e comprometidos com a formação ética de suas crianças. A tecnologia pode ajudar, mas não substitui a presença. E esse, talvez, seja o maior desafio da nossa era.

Curso de extensão:  Religiões no mundo contemporâneo

Concepção do programa: A extensão em “Religiões no mundo Contemporâneo” foi concebido para desenvolver o aperfeiçoamento de pessoas que desejam expandir sua atuação, de modo a se diferenciarem na reflexão crítica diante das diferentes compreensões do mundo, principalmente contra as expressões de fé ligadas ao fundamentalismo e o tradicionalismo religioso. Desta forma, teremos uma interação entre perspectivas teórico-metodológicas e buscaremos compreender como as repercussões incidem no perceber, as relações sociais e históricas. 

Carga horária: 45 horas

Vagas: 50 (cinquenta)

Custo: Gratuito.

Dinâmica das Aulas e Atividades:

Aulas expositivas online com registro de presenças.

Disciplinas/Módulos: 4 h/a cada módulo, total de 28h/a.

Atividades Complementares: 17h/a.

Inscrições até 25 de junho de 2025.

Início das aulas: 26 de junho de 2025.

Horário das aulas: quintas-feiras, das 19h às 22h.

Inscrições podem ser feitas: [Aqui!]

 

Relatório revela que as taxas globais de reciclagem caíram pelo oitavo ano consecutivo

Pesquisadores pedem investimento em ‘soluções circulares’ à medida que o consumo cresce mais rápido do que o crescimento populacional

Um homem limpando um contêiner cercado por reciclagem de plástico

O aumento do uso de materiais reciclados na indústria foi superado pelo crescimento do uso de materiais virgens. Fotografia: Yves Herman/Reuters

Por Damien Gayle para o “The Guardian” 

As taxas globais de reciclagem não estão conseguindo acompanhar uma cultura focada no crescimento econômico infinito e no consumismo, com a proporção de materiais reciclados que retornam às cadeias de suprimentos caindo pelo oitavo ano consecutivo, de acordo com um novo relatório.

Apenas 6,9% das 106 bilhões de toneladas de materiais usados ​​anualmente pela economia global vieram de fontes recicladas, uma queda de 2,2 pontos percentuais desde 2015, descobriram pesquisadores do thinktank Circle Economy.

O problema é sistêmico, dizem eles: o aumento do consumo é ainda mais rápido do que o crescimento da população global e, embora algumas empresas estejam aumentando a quantidade de material reciclado que utilizam, a maioria ignora a questão sem consequências aparentes. Isso significa que as sociedades geram mais resíduos do que os sistemas de reciclagem conseguem processar.

Mesmo que todos os produtos recicláveis ​​fossem reciclados, o que é improvável, já que muitos produtos são simplesmente muito difíceis ou caros para reciclar, as taxas globais de reciclagem atingiriam apenas 25%, o que significa que o consumo deve ser reduzido para enfrentar a crescente crise global de resíduos.

Ivonne Bojoh, diretora executiva da Circle Economy, afirmou: “Nossa análise é clara: mesmo no mundo ideal, não podemos resolver a tripla crise planetária apenas com reciclagem. A mudança sistêmica tão necessária exige uma mudança fundamental.”

“Isso significa liberar o potencial circular em ações como edifícios e infraestrutura, gerenciar a biomassa de forma sustentável e parar de enviar materiais perfeitamente renováveis ​​para aterros sanitários.

Essa mudança não acontece fora de nós. Todos precisamos fazer escolhas diferentes, ser ousados ​​e investir para implementar soluções circulares em todas as cadeias de valor.

Como muitos consumidores podem atestar, os níveis de reciclagem têm aumentado nos últimos anos. De 2018 a 2021, o uso de materiais reciclados na indústria também aumentou em 200 milhões de toneladas, graças à conscientização crescente. Mas esse aumento foi superado pelo crescimento do uso de materiais virgens, descobriram os pesquisadores.

Eles citaram números que mostram que a extração global de matérias-primas mais que triplicou no último meio século, atingindo recentemente 100 bilhões de toneladas por ano — um número que deverá aumentar em mais 60% até 2060, a menos que medidas sejam tomadas.

O consumo global per capita cresceu de 8,4 toneladas em 1970 para 12,2 toneladas em 2020, mas esse aumento não foi distribuído uniformemente, com cidadãos de países de renda mais alta consumindo seis vezes mais do que aqueles de países de renda mais baixa — 24 toneladas em comparação com 4 toneladas.

Isso leva a uma desigualdade gritante, com a União Europeia e os EUA consumindo sozinhos mais da metade dos materiais do mundo, apesar de representarem apenas 10% da população mundial juntos.

O relatório defende o estabelecimento de metas globais de economia circular para reduzir o uso de materiais e a demanda de energia, além de aumentar as taxas de reciclagem. Também defende a criação de uma “Agência Internacional de Materiais”, nos moldes da Agência Internacional de Energia, para orientar os governos na mensuração e no monitoramento do uso sustentável de recursos e do progresso da economia circular.

“A mudança para uma economia circular não pode acontecer sem o ambiente político certo e ações governamentais que eliminem gradualmente práticas de desperdício e promovam e apoiem maneiras mais inteligentes de atender às necessidades das pessoas”, diz o relatório.


Fonte: The Guardian

Uenf, uma universidade sob risco de extinção: perdas salariais e engavetamento do PCV asfixiam servidores

Perdas salariais e falta de novo PCV pressionam servidores da Uenf

Após um lapso de 8 anos retornei à diretoria da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Aduenf). As razões para isso são diversas, mas a principal é que após quase 28 anos de trabalho, vivencio diariamente o que considero a corrosão das condições básicas de trabalho, e um contexto de adoecimento físico e mental de muitos servidores, professores e técnicos-administrativos.

Um levantamento feito a pedido da Aduenf pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostra que as perdas salariais causadas pela inflação entre julho de 2014 e dezembro de 2024 chegam a 49,8%. Em suma, os salários pagos hoje já estão com perdas acima de 50% já que a inflação continua seu trabalho perverso de corroer o valor dos salários em 2025. Para piorar esse cenário, o nosso Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) aprovado pelo Conselho Universitário da Uenf em dezembro de 2020 se encontra estagnado para surpresa de muitos (minha inclusive) no gabinete da reitora, professora Rosana Rodrigues, desde 20 de setembro de 2024.

Um parêntese importante se refere ao fato de que servidores contratados após a última reforma feita pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro na estrutura de carreira do serviço público não recebem mais a compensação por tempo de trabalho, o chamado triênio, o que se soma aos limites impostos nos valores das aposentadorias. Com isso, atrair profissionais com doutorado, em regime de dedicação exclusiva, se tornou mais difícil do que já era.

Alguém poderia dizer que a condição da Uenf não se coaduna com a curiosa combinação entre política local e estadual, já que Campos dos Goytacazes é palco de uma curiosa dança de grupos políticos que gravitam em torno do prefeito Wladimir Garotinho e do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Rodrigo Bacellar, este último candidato declarado ao posto de governador nas eleições de 2026.  O problema é que após inúmeras tentativas de contato, o presidente da Alerj parece não dar muita importância à Uenf, visto que nunca tem agenda para se encontrar com a Aduenf. Isso provavelmente vai mudar em poucos meses, caso a candidatura dele para chefiar o executivo estadual venha realmente a decolar (coisa que não me parece garantida).

Bacellar será o novo líder do governo Cláudio Castro na Alerj – Diário da  Guanabara

O governador Cláudio Castro e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, parecem ainda não ter entendido a posição estratégica da Uenf no Norte/Noroeste Fluminense

De toda forma, o que me parece claro é que os professores da Uenf, que já deram muitas provas de que são capazes de se fazer ouvir,  já estão com a paciência mais do que esgotada com todo o descaso com que têm sido tratados pelo governo de Cláudio Castro que tem em Rodrigo Bacellar o seu principal sustentáculo político. Sabendo disso, e de volta na diretoria da Aduenf, acredito que é chegada a hora de deixar isso mais claro a quem quer que almeje usar a Uenf como vitrine política nas eleições de 2026. É que, querendo ou não, a universidade tem um peso político incontestável, apesar de seus atuais dirigentes não darem indicações de que sabem disso.

Meu falecido pai, um agricultor transformado em metalúrgico, tinha vários motes para sintetizar suas visões de mundo. Um deles ia no sentido de algo como “jacaré parado vira bolsa”.   A partir de conversas que mantive com muitos professores da Uenf após o meu retorno à diretoria da Aduenf, posso adiantar que a maioria deles não está disposta a virar bolsa. É que o desdobramento final disso tudo poderá ser a extinção da Uenf, como aconteceu com a Uezo, que foi assimilada pela Uerj após ser levada à completa insolvência.

Por isso, aguardemos as cenas dos próximos capítulos….

MAB publica carta aberta ao STF sobre legitimidade do MP na atuação dos casos de reparação coletiva dos atingidos

O Movimento dos Atingidos por Barragens defende a legitimidade do Ministério Público para garantir o acesso à justiça e a reparação efetiva das populações atingidas por barragens

Ato dos atingidos pelo crime da Vale em Brumadinho (MG) / Foto: Nívea Magno / MAB

Por ASCOM MAB

Em carta sobre o Tema 1.270 no Supremo Tribunal Federal (STF), o MAB denuncia o risco enfrentado por milhões de pessoas atingidas por barragens e a impunidade das empresas causadoras de danos. O movimento pede que o STF não dificulte o acesso à justiça para essas populações e defende a atuação do Ministério Público em ações judiciais de reparação coletiva.

O Tema 1.270 discute a legitimidade do Ministério Público (MP) para promover a liquidação coletiva de sentenças proferidas em ações civis públicas sobre danos sofridos individualmente pelas vítimas ou seus sucessores, em casos como os de rompimentos de barragens, após uma decisão judicial geral já ter reconhecido a responsabilidade da empresa ou do causador do dano.

O tema teve sua repercussão geral reconhecida pelo STF em setembro de 2023, o que significa que a decisão tomada neste caso terá impacto em todos os processos semelhantes no país. O Recurso Extraordinário que deu origem ao Tema 1.270 tem como relator o Ministro Dias Toffoli e ainda aguarda julgamento. Se o STF reconhecer a legitimidade do MP, pode facilitar e agilizar o processo de reparação para um grande número de pessoas, especialmente aquelas mais vulneráveis, que podem ter dificuldades em buscar seus direitos individualmente contra grandes empresas. Leia a carta completa abaixo.

Carta do Movimento dos Atingidos por Barragens à justiça brasileira e aos ministros do Supremo Tribunal Federal

O Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, movimento social que luta há mais de 30 anos na defesa dos direitos das populações atingidas por barragens em todo o Brasil, vem a público e se dirige, respeitosamente, a cada Ministro/a do Supremo Tribunal Federal, em especial ao Exmo. Relator Ministro Dias Toffoli, para denunciar o risco enfrentado por milhões de pessoas atingidas por barragens, empreendimentos, desastres e violações de direitos em massa, bem como a impunidade das empresas geradoras de danos, diante da decisão sobre o Tema 1.270.

O STF vai decidir se o Ministério Público é, ou não, legítimo para promover ações judiciais de liquidação coletiva. Esses procedimentos procuram estabelecer como deve ser a reparação de cada pessoa atingida por danos causados por uma mesma situação, como danos a consumidores, rompimento de barragens, poluição ambiental e obras de infraestrutura. Define-se quem deve ser indenizado e quais os parâmetros que essa indenização deve ter. A decisão, porém, pode impedir os MPs nos estados de realizar esse procedimento de liquidação coletivamente.

O STF está diante da sobrevivência para as famílias atingidas pela Vale S.A em Brumadinho/MG, pela Samarco em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, pela Braskem em Maceió (AL) e por tantos outros desastres e empreendimentos passados, atuais ou futuros.

Nesses casos, embora se possa reconhecer a responsabilidade das empresas, é extremamente difícil o reconhecimento de todos os danos sofridos, todas as pessoas atingidas e os valores justos de reparação, que se refletem na punição adequada às empresas. Esse reconhecimento só é possível através das ações judiciais que, neste momento, se debate se o Ministério Público pode, ou não, promover.

O que querem as empresas que buscam impedir o MP de promover essas ações? A permanência da impunidade. Que sua responsabilidade em tantas violações de direitos, adoecimentos e mortes não resulte em nenhuma reparação ou punição, tornando impossível que as pessoas recebam o valor devido individualmente. Buscam criar mais uma barreira ao acesso à justiça, impedindo que um órgão com experiência, corpo técnico e papel consolidado na proteção do meio ambiente, dos vulneráveis e fiscal da lei, apoie a população atingida na luta por seus direitos. Querem exigir que cada pessoa atingida entre sozinha na justiça e seja obrigada a se informar, contratar e custear sua defesa jurídica, produzir e apresentar provas e enfrentar, individualmente, algumas das maiores empresas do mundo.

O que nós, movimento e pessoas atingidas em todo o Brasil, pedimos? Que não sejam colocadas ainda mais barreiras no acesso à justiça para as populações atingidas e vulneráveis em todo o país, que já sofrem demais por conta de crimes, desastres e violações que jamais cometeram, que aguardam e lutam há anos pela sua reparação. A reparação integral que defendemos deve ter a participação informada das pessoas atingidas, garantindo indenizações individuais justas, e todo o conjunto das indenizações sendo direcionado para as comunidades atingidas. O Ministério Público deve ser fortalecido para ser um ator nessa construção, atuando junto com as comunidades atingidas.

Assim, pedimos que haja sensibilidade no julgamento que se aproxima, que sejam ouvidos aqueles que representam as pessoas atingidas e todas as possíveis consequências catastróficas para tantos casos em que o Movimento dos Atingidos por Barragens atua.


Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB


Fonte: ASCOM MAB

Após mortes em Campos, deputado estadual Flávio Serafini acelera mobilização para impedir renovação do contrato da Enel

Acabo de ser contactado pela assessoria do mandato coletivo do deputado estadual Flávio Seafini (PSOL) sobre uma campanha que está sendo realizada para impedir a renovação do contrato da empresa Enel que detém a concessão dos serviços de eletricidade no estado do Rio de Janeiro.

Considero que essa campanha possui um mérito óbvio, especialmente após as mortes de dois homens no Parque Boa Vista em Campos dos Goytacazes que foram atingidos no dia 7 de maio por fios de alta tensão que se encontravam m condições precárias.

Essa tragédia foi pauta A tragédia foi pauta do RJ2, da afiliada local da Rede Globo, que mostrou as condições em que ocorreram as duas mortes (ver vídeo abaixo)

O mandato coletivo do deputado Flávio Serafini está realizando reuniões, audiências públicas, coletando relatos da população e produzindo relatórios técnicos que comprovam o descumprimento dos critérios exigidos por lei.  

Para apoiar este movimento está sendo solicitado que se assina e instando a todos a assinar e divulgue um abaixo-assinado que pode ser acessado [Aqui!].

Fora Enel RJ