Agrotóxicos estão chegando até em áreas montanhosas isoladas dentro de unidades de conservação, mostra estudo

Pesquisadores analisaram sedimentos de lagos e áreas alagadas localizadas em dois parques nacionais brasileiros

Agrotóxicos estão espalhados por lugares intocados em áreas de proteção, aponta estudo

Parque Nacional da Serra dos Órgãos, uma das áreas incluídas no estudo da UFRJ

Por Leonardo Fernandes para o “Brasil de Fato” 

Nem os lugares mais protegidos estão livres dos impactos do uso extensivo de agrotóxicos no Brasil, que é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Um estudo que contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou a presença de agrotóxicos em amostras de sedimentos de seis lagos e áreas alagadas de montanhas intocadas em dois parques nacionais brasileiros: o Parque Nacional do Itatiaia e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, ambos localizados no Rio de Janeiro.

Essas áreas estão sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Nas amostras, foram encontrados 17 tipos de venenos, incluindo herbicidas, inseticidas, fungicidas e acaricidas. Os produtos mais frequentemente detectados foram carbendazim e carbaryl, seguidos por acetochlor, clorpirifós, diuron, metolachlor e tebuconazole. O clorpirifós foi o que apresentou as maiores concentrações e risco ecológico potencial. Esse inseticida, amplamente utilizado em lavouras, é apontado como altamente tóxico e relacionado a abortos espontâneos e problemas neurológicos em fetos e crianças.

Mas se esses lagos estão localizados em terrenos de altitude elevada, dentro de áreas protegidas e intocadas, onde não há aplicação direta de agrotóxicos, como esses produtos químicos foram parar lá? Cláudio Parente, um dos pesquisadores envolvidos explica.

“O que é mais interessante, e por isso é importante a gente levar para uma ampla discussão, é a capacidade dessas substâncias de percorrerem longas distâncias através de três formas: sendo volatilizadas, então em forma de gás, ou associadas a partículas, que podem ser sólidas ou aerossóis, que são pequenas gotículas. Então a gente tem essas três formas. E o que chama a atenção é isso: de que a gente está numa área de conservação e que está bastante distante de onde se espera que sejam aplicados esses produtos”, afirma o pesquisador.

“O que a gente mostra nesse trabalho é que os agrotóxicos não respeitam fronteiras. Então a gente tem uma fronteira de dois parques nacionais, que são áreas de controle do ICMBio, ou seja, de interesse público, mas os agrotóxicos não respeitam essas fronteiras”, completa.

Para Alan Tygel, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, embora o estudo se concentre nas áreas protegidas e intocadas, os resultados são um alerta para toda a população.

“Esse estudo chama a atenção para o aspecto da poluição ambiental e que, como mostra a pesquisa, não está restrita às áreas diretamente afetadas pelos agrotóxicos, o que também nos leva a crer que a saúde humana e as pessoas estão expostas a esses agrotóxicos em áreas muito distantes de onde o veneno é utilizado”, afirma Tygel. “Às vezes, quem está na cidade, quem está em lugares protegidos, pensa que o problema não está diretamente relacionado consigo, e esse estudo traz essa dimensão universal do uso desses elementos químicos”, completa.

Além do fator distância, Tygel explica que uma das preocupações sobre o uso dessas substâncias é justamente a persistência da contaminação no tempo. “Os agrotóxicos englobam uma gama muito ampla de produtos químicos e cada um, cada grupo químico, vai ter suas próprias dinâmicas. Então, de fato, a gente tem alguns agrotóxicos que não são persistentes, que eventualmente não vão causar dano a longo prazo, mas a gente tem várias substâncias que são persistentes e que, inclusive, se diluem facilmente na água e permanecem na água”, alerta.

“Esse tema da contaminação da água é um tema fundamental porque é por onde chega em todo mundo. Ainda que você consiga, por exemplo, ter acesso a alimentos agroecológicos, não estando tão exposto aos agrotóxicos pela via da alimentação, pela via do consumo da água, realmente todo mundo vai estar exposto a essa contaminação”, disse o ativista, que completa afirmando que segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 25% dos municípios brasileiros têm detecção de agrotóxicos, em muitos casos acima dos níveis encontrados nos alimentos.

O estudo

O estudo, intitulado Ocorrência de agrotóxicos de uso atual em sedimentos de lagos e áreas alagadas em áreas montanhosas intocadas de parques nacionais brasileiros (tradução livre do inglês: Occurrence of current-use pesticides in sediment cores from lakes and peatlands in pristine mountain areas of Brazilian national parks), foi realizado em parceria entre o Laboratório de Estudos Ambientais Olaf Malm, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, e a Faculdade de Ciências da Universidade Masaryk, da República Tcheca.

A pesquisa destaca a grande preocupação em relação ao comportamento dos agrotóxicos, sobretudo por sua “persistência ambiental e tendência de se espalhar além das áreas de aplicação ao longo do tempo”; e afirma objetivar “lançar luz sobre os desafios para a conservação da biodiversidade devido ao transporte de pesticidas ar longa distância para campos de altitude protegidos”. 

Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de Janeiro. Adriana Mattoso/ICMBio

De acordo com o relatório divulgado, “estudos em regiões montanhosas sugerem que temperaturas mais frias aumentam a precipitação, promovendo a deposição de agrotóxicos em altas altitudes”, ou seja, as substâncias são levadas às áreas mais altas por via aérea e depositados no solo e nas águas a partir das chuvas. “Áreas montanhosas podem servir como zonas de convergência para a dinâmica de agrotóxicos voláteis e semivoláteis”, destaca o estudo, apontando ainda que as montanhas representam mais de 30% da superfície da Terra e abrigam aproximadamente 23% das florestas do mundo.

Sobre o agrotóxico clorpirifós, principal substância identificada no estudo, os pesquisadores afirmam que ele “tem potencial para ser transportado por distâncias de 200 a 400 km através da atmosfera antes que ocorra deposição ou transformação”. Já sobre o acetochlor, o estudo indica que ele apresentou alto risco para a biota aquática e que estudos anteriores indicam que esse agrotóxico é altamente tóxico para peixes, “sendo associado a deformidades, disrupções hormonais, malformações neurológicas e mortalidade”. “Além disso, o acetochlor tem potencial para perturbar interações ecológicas e redes tróficas em ecossistemas de água doce”, diz o texto.

O relatório destaca ainda que que a toxicidade dos pesticidas “pode ser subestimada ao analisar compostos individuais”, sem considerar os efeitos da mistura dessas substâncias.

“Os valores de alto risco quociente observados para clorpirifós, acetochlor e outros compostos demonstram as potenciais ameaças ecológicas que essas substâncias representam aos ecossistemas sensíveis de água doce. As descobertas ressaltam a necessidade de ação urgente para mitigar o impacto da contaminação por pesticidas, particularmente em regiões de alta biodiversidade. Medidas regulatórias aprimoradas, juntamente com práticas agrícolas sustentáveis, são cruciais para proteger esses ecossistemas inestimáveis ​​de maior degradação”, afirmam os pesquisadores na conclusão do estudo.

E o que fazer?

Segundo os pesquisadores envolvidos, esse monitoramento vem sendo realizado há mais de 15 anos, evidenciando a persistência do problema e até o seu agravamento. Para Parente, não há outra alternativa, senão a transição de para um modelo de produção agroalimentar sustentável.

“Não há como evitar que moléculas, ou seja, substâncias químicas, viagem pela massa de ar e cheguem até uma área de conservação. A única coisa que a gente pode fazer, de fato, é uma transição no nosso modo de produção”, diz o pesquisador.

Alan Tygel vai na mesma direção. “Não existe uma convivência possível, não existe um uso seguro possível, não existe usar um pouquinho, usar só quando precisa. Nada disso resolve o problema central que é o modelo de produção, que é essa forma em que o capitalismo se apropria da produção agrícola, dos espaços rurais e ao mesmo tempo, vai expulsando as comunidades, envenenando os locais e tornando o campo um lugar inóspito de se viver e contaminado por tudo que é lado”, avalia o ativista.

No entanto, Tygel destaca que pouco se tem avançado nessa pauta no último período. “Estamos numa situação muito difícil, porque por um lado, a gente vem tentando trazer todas as evidências, mostrar estudos, mostrar possibilidades, criar alternativas. Mas por outro lado, o que a gente vê a partir do governo federal é uma dificuldade muito grande de se encaminhar questões mínimas dentro dessa pauta”, disse Tygel, lembrando que ainda não foi publicado o decreto para a atualização do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), prometido pelo governo.

“Nós tivemos no ano passado, se não perdi a conta, seis adiamentos do lançamento do Pronara. E aí tivemos no final do ano, no dia 3 de dezembro, um lançamento que não lançou. Foi feito um seminário, foi feito tudo, mas o decreto mesmo não foi assinado. Nesse momento, o decreto está pronto. Havia uma expectativa de um lançamento agora em março, e também já não foi cumprido”, critica o ativista.

ICMBio critica Lei dos Agrotóxicos e defende restrições

Em resposta aos questionamentos do Brasil de Fato, o ICMBio afirmou que “os estudos da UFRJ sobre poluição foram autorizados e vêm sendo apoiados pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos há mais de 15 anos”. “Além de garantir a proteção física destes espaços e sua biodiversidade é fundamental entender os efeitos que as atividades usos industriais na região têm sobre o parque”, disse o instituto.

“O estudo reforça que a conservação ambiental precisa ir além da fronteira das áreas protegidas. Incentivamos práticas agrícolas sustentáveis no entorno do parque, mas se não houver controle de agrotóxicos e outros poluentes mesmo as paisagens mais intocadas serão contaminadas e ficarão comprometidas”, afirmou, em nota.

Segundo o Instituto Chico Mendes, as medidas necessárias para a garantia da proteção desses parques contra os efeitos do uso de agrotóxicos “não estão relacionados diretamente à gestão dos parques e envolvem a restrição ao uso de agrotóxicos e regulação das atividades industriais de forma a reduzir a liberação destes poluentes para a atmosfera”. “Infelizmente temos visto retrocessos legais, como a Nova Lei dos Agrotóxicos, que facilitou a liberação de produtos tóxicos como os encontrados no estudo”, disse o órgão.

Lei nº 14785, mencionada pelo ICMBio, foi aprovada pelo Congresso Nacional em novembro de 2023 e sancionada um mês depois pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O novo texto flexibilizou normas para o registro de novos agrotóxicos no Brasil, e retirou das autoridades ambientais e sanitárias o poder de veto sobre essas autorizações, que ficam concentradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Dessa forma, as classificações realizadas pela Anvisa e pelo Ibama passaram a servir apenas para o estabelecimento de protocolos de uso desses produtos.

Em 2024, o Brasil bateu o recorde de liberação de agrotóxicos, segundo informações do próprio Mapa. Foram 663 produtos aprovados, um aumento de 19% em relação a 2023. Desses, apenas 106 produtos de origem biológica, os chamados “bioinsumos”.

Ibama: ‘isso não é comigo’

Já o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirmou em nota que “não teve conhecimento prévio do estudo”. De acordo com o comunicado, “os agrotóxicos apenas podem ser prescritos e utilizados nas condições aprovadas pelas autoridades de agricultura, saúde e meio ambiente. Qualquer eventual uso irregular, nos termos do art. 9º da Lei nº 14.785/2023 (Nova Lei de Agrotóxicos), a exemplo do que já era estabelecido no art. 10 da revogada Lei nº 7.802/1989, compete aos estados e ao Distrito Federal”.

O instituto disse que ainda que compete às unidades federativas, nos termos dos artigos 23 e 24 da Constituição Federal, “legislar supletivamente sobre o uso, a produção, o consumo, o comércio e o armazenamento dos agrotóxicos e dos produtos de controle ambiental, de seus componentes e afins, bem como fiscalizar o uso, o consumo, o comércio, o armazenamento e o transporte interno desses”.

Em suma, disse o órgão, “em um primeiro plano, cabe aos estados e ao Distrito Federal normatizar supletivamente e fiscalizar quanto ao uso desses produtos em suas respectivas jurisdições, podendo, com maior propriedade, averiguar in loco se a utilização desses agentes está sendo realizada em fiel cumprimento às condições aprovadas pelas autoridades estatais competentes, devendo a União prestar o apoio necessário”, finaliza.

O MMA não respondeu os questionamentos enviados pela reportagem.


Fonte: Brasil de Fato

Nióbio: Uma espada radioativa de Dâmocles paira sobre a Amazônia norte brasileira

Medicina e alimentação tradicionais em vez de mineração, desmatamento e rejeitos radioativos.

Por Norbert Suchanek para o “Patagon Journal” 

Balaio, no alto Rio Negro, no noroeste do estado do Amazonas, é uma das reservas indígenas mais preservadas do Brasil. Ela abrange mais de 257.000 hectares de floresta tropical, rios e montanhas. Localizada no município de São Gabriel da Cachoeira, é o território tradicional dos Tukano e de outros oito povos indígenas: Baniwa, Baré, Desana, Koripako, Kubeo, Pira-tapuya, Tariana e Tuyuka. É também o local de nascimento do Tukano Álvaro Doéthiro Sampaio, de 71 anos.

Desde a morte de seu pai, Ahkïto, em 2020, aos 110 anos, Alvaro Doéthiro Sampaio Tukano é o cacique dos Tukanos em Balaio. Alvaro é uma das lideranças indígenas e xamãs mais respeitadas do Brasil. Foi um dos fundadores da União das Nações Indígenas (UNI) e, juntamente com outras lideranças e ativistas renomados como Mário Juruna, Marcos Terena, Aílton Krenak, Paulinho Paiakan e Davi Kopenawa, esteve na vanguarda do movimento indígena nas décadas de 1980 e 1990, lutando pela demarcação e preservação de seus territórios tradicionais.

Como cacique Tukano, Álvaro está comprometido em preservar suas tradições e expandir a oferta de medicamentos e alimentos tradicionais. O desafio é preservar a floresta e alcançar a soberania alimentar e sanitária, aproveitando o conhecimento indígena que seu povo adquiriu ao longo de milênios.

No entanto, uma espada de Dâmocles paira sobre Balaio. Ela se chama Nióbio (Nb).

Uma das maiores jazidas do mineral estratégico nióbio do mundo está localizada no território Tukano. As reservas de nióbio na região de São Gabriel da Cachoeira podem ser suficientes para atender à demanda mundial por nióbio por 400 anos, afirmam garimpeiros.

O nióbio é um metal pesado utilizado essencialmente em ligas para diversas aplicações industriais, como aeronáutica, aeroespacial, fabricação de oleodutos e plataformas de petróleo, e em barras de combustível nuclear de usinas nucleares. É particularmente importante para a indústria bélica. Além disso, o nióbio desempenha hoje um papel vital na transição energética global de soluções energéticas não renováveis ​​para as chamadas “verdes”. Utilizado em baterias avançadas de íons de lítio, permite o desenvolvimento de materiais com capacidade de carregamento rápido.

Álvaro Tukano, no Rio de Janeiro, na Praia de Ipanema. Ele homenageia seus ancestrais, que, segundo a mitologia Tukano, cruzaram os oceanos do Extremo Oriente até o litoral do Rio de Janeiro. Foto de Norbert Suchanek

Álvaro Tukano, no Rio de Janeiro, na Praia de Ipanema. Ele homenageia seus ancestrais, que, segundo a mitologia Tukano, cruzaram os oceanos do Extremo Oriente até o litoral do Rio de Janeiro. Foto de Norbert Suchanek

Um artigo recente na Conferência de Segurança de Munique 2025, publicado no Brasil, afirma: “A segunda questão é a transição energética e o combate global às mudanças climáticas. As reservas minerais críticas do Brasil o tornam indispensável para o desenvolvimento de tecnologias limpas. O país detém 94% do nióbio mundial, 22% da grafita, 16% do níquel e 17% dos elementos de terras raras – todos componentes vitais para as tecnologias verdes”.

No entanto, já em 2020, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) defenderam a ideia de “Manter o Nióbio da Amazônia no Solo” devido aos possíveis efeitos cumulativos da perda florestal resultante do potencial desenvolvimento de reservas inexploradas de terras raras e Nióbio (Nb) na região. Eles escreveram em seu estudo: “Embora o desenvolvimento desses depósitos minerais vá contra a lógica econômica de equilibrar a oferta e a demanda de commodities nos mercados internacionais, é concebível que a vontade política possa construir uma narrativa ‘demonstrando’ que a abertura da região para a mineração é do interesse nacional, abrindo caminho para subsídios e investimentos públicos em infraestrutura que podem ter consequências devastadoras para a biodiversidade e os povos indígenas”.

Até o momento, qualquer atividade de mineração em territórios indígenas demarcados é proibida pela Constituição brasileira. No entanto, existe um forte lobby político em Brasília que quer mudar essa situação. Além disso, há um crescente interesse internacional nos minerais estratégicos do Brasil.

Em novembro do ano passado, Brasil e China assinaram um acordo para mineração sustentável — seja lá o que a palavra “sustentável” signifique neste contexto. A extração e o desenvolvimento de nióbio, lítio e níquel estão entre as prioridades do acordo. E, claro, o governo dos EUA também tem grande interesse nesse metal pesado. Em maio de 2024, a embaixadora dos EUA no país, Elizabeth Bagley, declarou à imprensa que os EUA desejam uma parceria com o Brasil para minerais críticos como o nióbio.

Mas o que a maioria dos artigos publicados recentemente sobre mineração e produção de nióbio não contaram é que ele vem acompanhado de contaminação radioativa.

Toda a mineração e o processamento de nióbio estão associados à geração de grandes quantidades de rejeitos radioativos. O minério de nióbio é classificado mundialmente como um material radioativo de ocorrência natural (NORM) e ocorre na crosta terrestre juntamente com elementos radioativos como urânio, rádio, tório, potássio-40 e chumbo-210. Cada tonelada de nióbio produzida deixa um legado de cerca de 100 a 400 toneladas de rejeitos radioativos e tóxicos, de acordo com estatísticas atuais da Comissão Brasileira de Energia Atômica (CNEN).

Em fevereiro passado, o Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou um projeto de lei que feriria a Constituição brasileira e permitiria a mineração mesmo em terras indígenas demarcadas. Se o projeto obtiver maioria em Brasília, os povos indígenas da região do Alto Rio Negro poderão ter que decidir se consentem com a mineração de nióbio em troca de indenização ou se defendem seus territórios.

A Nação Navajo, com mais de 500 minas de urânio abandonadas e rejeitos radioativos desprotegidos, poderia mostrar a Álvaro Tukano e seu povo o que significa viver em um território contaminado radioativamente.

Norbert Suchanek é correspondente alemão no Rio de Janeiro e jornalista ambiental. No início de março deste ano, recebeu o Prêmio Futuro Livre de Nucleares na categoria Educação, na cidade de Nova York.


Fonte: Patagon Journal

Estudo descobre que crise climática triplicou a duração de ondas de calor mortais nos oceanos

Mares mais quentes sobrecarregam tempestades e destroem ecossistemas críticos, como florestas de algas e recifes de corais

Coral chifre-de-veado branqueado e morto na Ilha Heron, na Grande Barreira de Corais

Coral chifre-de-veado branqueado e morto na Ilha Heron, na Grande Barreira de Corais. Fotografia: Mike Bowers/The Guardian 

Por Damian Carrington para o “The Guardian”

Um estudo descobriu que a crise climática triplicou a duração das ondas de calor nos oceanos, aumentando as tempestades mortais e destruindo ecossistemas essenciais, como florestas de algas e recifes de corais.

Metade das ondas de calor marinhas desde 2000 não teria ocorrido sem o aquecimento global, causado pela queima de combustíveis fósseis. As ondas de calor não só se tornaram mais frequentes, como também mais intensas: 1°C mais altas em média, mas muito mais altas em alguns lugares, disseram os cientistas.

A pesquisa é a primeira avaliação abrangente do impacto da crise climática nas ondas de calor nos oceanos do mundo e revela mudanças profundas. Oceanos mais quentes também absorvem menos das emissões de dióxido de carbono que estão elevando as temperaturas.

“Aqui no Mediterrâneo, temos algumas ondas de calor marinhas 5°C mais altas”, disse a Dra. Marta Marcos, do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados em Maiorca, Espanha, que liderou o estudo. “É horrível quando você vai nadar. Parece sopa.”

Um exemplo desastroso foi a chuva intensa que causou inundações catastróficas na Líbia em 2023, matando 11.000 pessoas . A probabilidade de ocorrência foi até 50 vezes maior devido ao aquecimento global, que elevou as temperaturas no Mediterrâneo em até 5,5°C. Isso resultou em mais vapor d’água e, portanto, mais chuva. 


Imagens de satélite mostram a extensão dos danos causados ​​pelas enchentes em Derna, na Líbia, em setembro de 2023Imagens de satélite mostram a extensão dos danos causados ​​pelas enchentes em Derna, na Líbia, em setembro de 2023. Fotografia: AP

“A única solução é reduzir a queima de combustíveis fósseis. Essa é uma relação muito clara”, disse Marcos. “Mais de 90% do calor extra [retido pelas emissões de gases de efeito estufa] é armazenado no oceano. Se você parar de aquecer a atmosfera, você parará de aquecer o oceano.”

Grandes ondas de calor marinhas recentes incluem um evento excepcionalmente longo no Pacífico em 2014-15, que causou mortalidade em massa da vida marinha. Calor intenso atingiu o Mar da Tasmânia em 2015-16 e temperaturas recordes no mar em todo o Reino Unido e no Mar Mediterrâneo em 2023. Cientistas alertaram em 2019 que as ondas de calor oceânicas estavam aumentando drasticamente, matando áreas da vida marinha como “incêndios florestais que destroem enormes áreas de floresta”.

A Dra. Zoe Jacobs, do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, que não participou da equipe do estudo, afirmou: “Ondas de calor oceânicas representam riscos significativos para a sociedade, com alguns eventos isolados causando milhões de dólares em perdas devido a impactos nas indústrias de pesca, aquicultura e turismo. Também se constatou que elas agravam as ondas de calor em terra e amplificam eventos climáticos extremos, como furacões e tempestades.”

O estudopublicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences , construiu um modelo das temperaturas da superfície do mar desde 1940, que removeu o aquecimento causado pela crise climática. Em seguida, compararam esse modelo com medições reais dos oceanos para mostrar como o aquecimento global elevou as temperaturas. O foco foram as ondas de calor do verão, pois elas atingem as temperaturas mais altas e, portanto, são as mais prejudiciais.

A análise revelou que havia cerca de 15 dias de calor extremo por ano na superfície do oceano na década de 1940, mas o número saltou para uma média global de quase 50 dias por ano. Algumas regiões, incluindo o Oceano Índico, o Atlântico tropical e o Pacífico ocidental, têm 80 dias de ondas de calor por ano, ou seja, um dia em cada cinco.

Os mares nos trópicos já são quentes, então o calor extra tende a aumentar a duração das ondas de calor. Em mares mais frios, o calor extra também pode aumentar sua intensidade, como observado no Mar Mediterrâneo e no Mar do Norte.

O Dr. Xiangbo Feng, da Universidade de Reading, que integrou a equipe do estudo, afirmou: “Com o aumento contínuo das temperaturas globais, as ondas de calor marinhas se tornarão ainda mais comuns e severas. As atividades humanas estão mudando fundamentalmente nossos oceanos. Ações climáticas urgentes são necessárias para proteger os ambientes marinhos.”


Fonte: The Guardian

Terrorismo de barragens: como a Vale e outras mineradoras usaram o medo para remover comunidades e avançar sobre seus territórios

Tese do professor Daniel Neri mostra como mineradoras, em conluio com o velho Estado, manipulam alertas de risco para aprofundar a exploração e ampliar o controle sobre territórios ricos em minérios

Estrutura de Contenção a Jusante (ECJ) de Barão de Cocais, em 2020, e a comunidade de Tabuleiro, removida em fevereiro de 2019.: Foto de Júlia Pontes, National Geographic Society/Fonte: Neri (2023)

Por Henrique Santana para o ” A Nova Democracia” 

Os desastres-crimes ocorridos em Mariana (2015) e Brumadinho (2019) marcaram a história recente do Brasil como dois dos mais trágicos rompimentos de barragens de rejeitos de mineração.

Em Mariana, o rompimento da Barragem de Fundão, operada pela Samarco – uma joint venture da Vale e da BHP – despejou 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos sobre a Bacia do Rio Doce, matando 19 pessoas e afetando milhares ao longo de centenas de quilômetros, até o litoral do Espírito Santo.

Quatro anos depois, em janeiro de 2019, o desastre-crime ocorreu novamente. O colapso da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, lançou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos sobre o Rio Paraopeba. O impacto foi ainda mais devastador, com 272 mortes confirmadas, além de danos ambientais e sociais cujas consequências ainda persistem.

Mas, para além dos rompimentos, emergiu um novo tipo de violência: o uso do medo como instrumento de dominação territorial. Trata-se do que o professor Daniel Neri, em sua tese de doutorado defendida no Instituto de Geociências da Unicamp em 2023, denomina terrorismo de barragens — uma estratégia de acumulação por despossessão, pela qual o pânico é mobilizado para viabilizar a remoção de comunidades inteiras e a apropriação dos territórios pelas mineradoras.

O caso de Barão de Cocais

Duas semanas após a catástrofe de Brumadinho, em 8 de fevereiro de 2019, às duas da madrugada, viaturas da PM, agentes da Defesa Civil e funcionários da Vale bateram às portas dos moradores dos povoados de Socorro, Piteira, Tabuleiro e Vila do Gongo, em Barão de Cocais (MG). A ordem era direta e aterrorizante: “Esta é uma situação real de emergência de rompimento de barragem. Abandonem imediatamente suas residências.”

O pânico se espalhou. Famílias deixaram suas casas às pressas, algumas de carro, outras em ônibus fretados pela própria mineradora. O medo era alimentado pela memória recente da tragédia em Brumadinho. No entanto, como apontam os estudos do professor Daniel Neri, o episódio em Barão de Cocais não passava de uma manobra bem articulada. “Desde o primeiro minuto, o alerta foi questionado por moradores que conheciam bem a situação da barragem, que estava seca”, relatou Daniel Neri em entrevista ao AND. “Algumas famílias resistiram, mas foram removidas à força pela Polícia Militar semanas depois.”

A barragem Sul Superior, alvo do alerta, foi construída pelo método de alteamento a montante – o mesmo utilizado nas estruturas que se romperam em Mariana e Brumadinho. Trata-se do método mais barato e rápido.

Como apontado pela pesquisa de Neri, a Vale mantinha, desde 2017, um “Ranking de Barragens em Situação Inaceitável”, que listava as dez estruturas mais propensas a rompimento. A barragem B1 de Brumadinho, que se rompeu em janeiro de 2019, constava na lista. Já a barragem Sul Superior – que foi utilizada para justificar a remoção em Barão de Cocais – não aparecia entre as ameaças reais. Em setembro de 2018, a barragem ainda tinha laudo de estabilidade emitido. Subitamente, após o rompimento em Brumadinho, o laudo foi negado, sem qualquer evidência técnica robusta.

Após a negativa da empresa Walm em emitir a Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) da barragem Sul Superior, inicia-se a manobra: a Vale comunica à Agência Nacional de Mineração (ANM) que acionaria o nível 1 do PAEBM (Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração). Entretanto, o próprio PAEBM da barragem indicava que o nível 1 não exige retirada da população. Ainda assim, toda uma estrutura logística de evacuação já estava montada: ônibus, cadeiras de rodas para idosos, lanches, rotas de fuga. Como explica Neri, “essa estrutura de remoção  estava toda planejada, contrariando o discurso de emergência que usaram para tocar a sirene de madrugada.”

Horas depois, a ANM eleva o risco para o nível 2, justificando a evacuação da zona de autossalvamento.

No mesmo dia da evacuação, a Vale comunicou à Superintendência de Projetos Prioritários (SUPPRI), da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento (SEMAD), o início da obra “emergencial” de uma Estrutura de Contenção em Concreto Rolado – CCR. A autorização para esse tipo de intervenção, sem necessidade de licenciamento ambiental, só viria meses depois, com o decreto estadual nº 47.749, de 11 de novembro de 2019. “Por que correram para fazer o muro — que já era de interesse da empresa — e não para corrigir a barragem?”, questiona Neri.

Com a desocupação forçada de Tabuleiro, a estrutura deixou de ser apenas uma contenção e virou um passadiço logístico para conectar minas como a do Baú à planta de Gongo Soco. Essa ligação estratégica viabiliza o Projeto Apolo, um empreendimento da Vale na Bacia do Rio Santa Bárbara, área de grande importância hídrica e ambiental, mas também cobiçada pelo capital minerário.

“A evacuação das comunidades era necessária para essa expansão. Com o território desocupado e a flexibilização do licenciamento, a empresa pôde avançar com suas obras”, denuncia Neri.

Despossessão sistemática

Barão de Cocais não foi um caso isolado. A mesma estratégia foi aplicada em outras regiões de Minas Gerais. No mesmo dia 8 de fevereiro de 2019, a ArcelorMittal promoveu a evacuação de moradores da Comunidade de Pinheiros, em Itatiaiuçu, alegando negativa da DCE da barragem de Serra Azul. A empresa declarou que os testes foram “reavaliados” após Brumadinho, mas não apresentou nenhuma nova evidência técnica.

No distrito de São Sebastião das Águas Claras (conhecido como Macacos), em Nova Lima, em 16 de fevereiro de 2019, sirenes também soaram, evacuando a população próxima às barragens B3/B4, da Vale. As estruturas tinham DCE em dia e não figuravam no “ranking de risco” da empresa. Dias depois, a Vale requereu nova obra emergencial: outro muro de contenção. Três anos mais tarde, essa estrutura alagou o distrito. A suspeita é que a mineradora queira forçar a desvalorização das terras para ampliar a Mina Mar Azul.

Em Ouro Preto, no distrito de Antônio Pereira, 473 pessoas foram removidas após a elevação súbita do risco da barragem Doutor, da Vale. Com isso, a empresa construiu, sem o devido processo de licenciamento ambiental, um vertedouro e uma estrada para servir de rota alternativa à rodovia MG 129.

Nota-se um padrão: a mineradora recebe ou força a negativa de uma DCE, comunica um suposto risco, aciona níveis elevados de emergência e promove a evacuação em tempo recorde. Pouco depois, inicia obras que exigiriam licenciamento, mas que, sob a roupagem de “emergenciais”, são conduzidas sem fiscalização ou consulta pública. As decisões são tomadas em conselhos e câmaras técnicas com forte influência do setor minerário. “Trata-se de uma aliança entre Estado e capital”, afirma Neri.

A resistência

Apesar da força do capital minerário, a resistência popular não está derrotada. Daniel Neri destaca que as reações populares ainda são “localizadas e contraditórias”, mas que existe espaço para a luta organizada.

Um exemplo recente foi a vitória da população de Ouro Preto que barrou o pedido de anuência da mineradora Leão de Ferro, interessada em explorar uma mina confrontante com a região do Monumento Natural da Gruta da Lapa.

Vitórias como essa mostram que, mesmo diante do terrorismo das mineradoras e da conivência das instituições, a força das massas organizadas é capaz de frear os avanços do capital.


Fonte: A Nova Democracia

Aposta arriscada: BP abandona discurso verde, justamente no momento em que preços do petróleo caem

Na sua assembleia geral anual desta semana, a empresa enfrentará não só o investidor ativista que a persegue, mas também uma economia global que está sendo transformada por Donald Trump

Jovens empilham-se em uma escultura colorida, com blocos com slogans como "fatos falsos" e "conflito armado".

Ativistas da Extinction Rebellion protestam em frente à sede da BP em Londres esta semana. Fotografia: Ben Whitley/PA 

Por Jillian Ambrose para o “The Guardian”

Após o “dia da libertação” de Donald Trump na quarta-feira da semana passada, a BP perdeu quase um quarto de seu valor de mercado em uma derrocada ainda mais profunda do que a sofrida pela gigante do petróleo após o desastre da Deepwater Horizon. O colapso dos preços globais do petróleo após a ofensiva tarifária do presidente dos EUA pode ter eliminado bilhões de dólares de seu valor de mercado – mas Trump não é o único problema da BP.

A empresa petrolífera se reunirá com acionistas esta semana pela primeira vez desde que cedeu à pressão dos investidores para abandonar suas ambições de energia verde em favor de um retorno aos combustíveis fósseis, e seu presidente, Helge Lund, concordou em deixar o conselho .

Os dois recuos foram considerados a única defesa contra o avanço de um fundo de investidores ativistas agressivos que poderia significar a dissolução da empresa de 115 anos, que vem perdendo valor há anos.

A Elliott Asset Management, um temido fundo de hedge de Nova York, famoso por abalar empresas retardatárias, adquiriu uma participação substancial na BP no início deste ano. A empresa estaria em negociações com investidores importantes sobre o futuro da empresa após seu plano malfadado de se tornar uma empresa de energia verde.

A renúncia de Lund não poupará o conselho do constrangimento de uma discussão com os acionistas, muitos dos quais provavelmente protestarão votando contra a recondução do presidente, mesmo que ele já tenha decidido sair.

O conselho também pode ficar aliviado ao saber que seu maior inimigo ativista climático, o grupo de campanha de acionistas Follow This, decidiu não apresentar uma resolução pedindo maiores cortes de emissões na próxima reunião anual de acionistas em meio ao crescente antagonismo dos investidores em relação a questões ESG (ambientais, sociais e de governança).

A BP estabeleceu o plano para reduzir sua produção de combustíveis fósseis sob o comando do ex-presidente-executivo Bernard Looney no final de 2020, um ano antes de seus rivais do setor começarem a obter lucros extraordinários com a agitação dos mercados globais de petróleo e gás.

Ao mesmo tempo, o plano da BP de investir em projetos de energia de baixo carbono, incluindo dois gigantescos parques eólicos offshore em águas do Reino Unido, foi prejudicado pelo alto custo dos empréstimos e pelos gargalos na cadeia de suprimentos pós-pandemia, que elevaram os custos em todo o setor.

Após a saída humilhante de Looney da empresa no final de 2023, seu sucessor, o ex-diretor financeiro Murray Auchincloss, começou a diluir os planos verdes. Ele estabeleceu uma “redefinição fundamental” da estratégia da BP, culpando o otimismo “descabido” da empresa na transição verde.

Mas a reviravolta da BP para os combustíveis fósseis pode já estar fracassando. A petrolífera informou aos investidores na sexta-feira que seus resultados do primeiro trimestre do ano incluiriam números de produção de gás abaixo do esperado e um resultado comercial “fraco”.

De forma preocupante, a empresa revelou que a dívida líquida aumentou em US$ 4 bilhões (£ 3 bilhões) nos primeiros três meses do ano, à medida que os temores sobre a incerteza financeira global atingiram o auge.

A BP é considerada mais exposta às consequências das tarifas de Trump , que fizeram os preços de mercado do petróleo despencarem de quase US$ 75 o barril para menos de US$ 60 pela primeira vez em quase quatro anos, devido a temores de que uma guerra comercial levaria a economia global à recessão e reduziria o apetite mundial por petróleo bruto.

A empresa parece já ter sido mais afetada pela liquidação do que suas rivais nos EUA e na Europa. Desde o início do ano, suas ações despencaram quase 17%, enquanto a Shell perdeu pouco mais de 8% e as rivais americanas ExxonMobil e Chevron perderam cerca de 7% cada.

Analistas de ações do banco de investimentos UBS rebaixaram sua visão da empresa de “comprar” para “neutra” após alertarem que a queda nos preços do petróleo e do gás poderia reduzir os lucros da BP nos próximos anos em até um quinto.

A redefinição estratégica da BP “foi um primeiro passo importante para restaurar a confiança dos investidores, em nossa opinião”, disse Joshua Stone, analista de ações do UBS. “Os próximos passos, incluindo a redução da dívida líquida e a reposição da base de reservas, sempre levariam mais tempo para serem alcançados, mas o nível de incerteza financeira no mercado dificulta, em nossa opinião, a concretização, especialmente no que se refere à capacidade da BP de aumentar os lucros e vender ativos.”


Fonte: The Guardian

De que tipo de professor titular precisa a Uenf?


Por Carlos Eduardo de Rezende

O perfil desejado para um Professor Titular em uma instituição de ensino superior comprometida com a excelência no ensino e na pesquisa deveria refletir uma trajetória acadêmica sólida, um compromisso contínuo com a produção de conhecimento e uma postura ética e institucional exemplar. É de se esperar que o docente possua uma ampla produção científica de qualidade, demonstrada por publicações em periódicos qualificados, livros e capítulos de impacto. Experiência em pós-doutorado é desejável, mas não obrigatória, colaborações internacionais e participação em redes de pesquisa são diferenciais valorizados, por fortalecerem a inserção do pesquisador no cenário científico nacional e internacional.

Na área da pesquisa, é essencial que o Professor Titular atue como liderança acadêmica, sendo capaz de idealizar, coordenar e executar projetos de relevância, com captação de recursos e capacidade de articulação interdisciplinar. A formação de recursos humanos qualificados é parte central dessa atuação, o que inclui a orientação de estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado, e, a supervisão de pós-doutorandos, promovendo um ambiente de pesquisa crítico, inovador e socialmente comprometido. Sua produção intelectual deve trazer contribuições relevantes que dialoguem com os desafios contemporâneos, contribuindo para o avanço científico e, sempre que possível, gerando impactos sociais, ambientais, culturais ou tecnológicos.

No campo do ensino, há que existir um compromisso contínuo com a qualidade da formação na graduação e na pós-graduação. O docente deve demonstrar atuar na sala de aula e ser capaz de despertar o pensamento crítico e promover a autonomia dos estudantes. Além disso, deve colaborar ativamente na construção e atualização dos currículos, articulando ensino, pesquisa e extensão, e contribuindo para uma formação cidadã, democrática e inclusiva.

A atuação em extensão universitária também é fundamental para este perfil. O Professor Titular deve desenvolver ações que aproximem a universidade da sociedade, promovendo a popularização do conhecimento, a transformação social e o fortalecimento do compromisso público da instituição. Projetos de extensão que dialoguem com comunidades locais ou regionais e que promovam inclusão, sustentabilidade e justiça social são especialmente valorizados.

Espera-se, ainda, uma postura ética, colaborativa e institucional. O docente deve contribuir ativamente para a vida universitária, participando de colegiados, comissões e núcleos institucionais, demonstrando compromisso com a gestão democrática, a transparência e a equidade. Sua conduta deve respeitar a liturgia acadêmica, promovendo ambientes de trabalho pautados pelo diálogo e pela valorização da diversidade.

Por fim, é essencial que o Professor Titular tenha uma visão estratégica sobre o papel da universidade pública e demonstre espírito público em sua atuação. Deve ser capaz de pensar e propor caminhos para o fortalecimento da instituição, articulando seu trabalho com os grandes desafios da sociedade contemporânea.  É de se esperar que atue como formador de novas lideranças acadêmicas, contribuindo para a renovação do corpo docente e para a consolidação de uma universidade crítica, inclusiva e socialmente referenciada.

Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf e pesquisador 1A do CNPq.

No Norte Fluminense,a soja é sonho para poucos, mas poderá ser pesadelo para muitos

Tenho acompanhado anúncios publicitários disfarçados de matérias jornalísticas dando conta do que se pode chamar de chegada da soja no Norte Fluminense. A produção é ainda residual, mas existe o incentivo para dar algum tipo de uso para as estruturas subutilizadas do Porto do Açu. Além disso, em face das pressões por reforma agrária em terras improdutivas, que são maioria por estas bandas, a ideia de plantar soja acaba sendo uma espécie de saída de oportunidade.  

Por essas e outras é que a soja se tornou uma espécie de sonho para latifundiários e autoridades municipais. Mas o que é um sonho para poucos poderá se tornar um pesadelo para a maioria. É que quem vende a ideia de que a soja pode prosperar por aqui, esquece oportunamente de dizer que esta monocultura só é viável com muito agrotóxico sendo aplicado ao longo de todo o processo, desde antes do plantio até a estocagem dos grãos.

Não é à toa que a soja sozinha é responsável pelo consumo de mais de 50% de todos os agrotóxicos consumidos no Brasil, incluindo produtos altamente tóxicos e perigosos para o meio ambiente, a começar pelos herbicidas Glifosato e Diquat. Como esta região já tem uma alta memória em seus solos e recursos aquáticos de agrotóxicos utilizados em outra monocultura, a da cana de açúçar, a expansão da soja significará ainda mais resíduos de produtos altamente venenosos na água que chega na torneira dos campistas, bem como na poeira que invade as casas quando venta forte na região.

Uma pesquisa publicada recentemente com os resultados de coletas feitas em residências na Europa encontrou resíduos de nada menos do que 197 agrotóxicos diferentes, a maioria deles oriunda de campos cultivados com esses venenos agrícolas. O estudo mostrou que esses resíduos chegaram na forma de poeira trazida pelos ventos ou até por animais domésticos que retornavam de seus passeios em áreas públicas.

De minha parte, considero que diferente dos anúncios publicitários em prol da soja e da monocultura de árvores, o que se precisa por aqui é de uma ampla reforma agrária que impulsione a produção de alimentos saudáveis, especialmente em um momento de altas incertezas sobre o comércio mundial que está causando a elevação contínua da cesta básica.

Além disso, é preciso que se cobra a imediata imposição de um mecanismo de licenciamento ambiental que estabeleça limites claros para as distâncias permitidas dos cultivos de soja em relação à áreas residênciais e corpos hídricos.  Do contrário, o que teremos pela frente será um cenário de ampliação do processo de contaminação ambiental e de adoecimento da população em fase da exposição às dezenas de agrotóxicos que são utilizados nos plantios de soja.

Cinzas de queimadas reduzem seres vivos e comida em ambientes aquáticos, sugere estudo

Experimento com mosquito que serve de bioindicador leva cientistas de três universidades federais a apontar impactos negativos dos incêndios florestais ainda pouco considerados em políticas públicas

Animais apresentaram deformações físicas e malformações que reduzem expectativa de vida. Na foto, mosquito adulto da espécie Chironomus sancticaroli. Foto: Ronnilda Araújo/Acervo Pessoal

Por Bruna Soares para o “Ciência UFPR” 

Incêndios florestais, além de devastarem quilômetros de áreas de vegetação, têm efeitos profundos e subestimados sobre os ambientes aquáticos. Isso é o que sugere uma pesquisa conduzida no Laboratório de Morfologia e Fisiologia de Culicidae e Chironomidae (Lamfic2) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ao indicar que as cinzas originadas de incêndios florestais causam danos significativos a uma espécie de mosquito não picador usada como indicador de impactos ambientais sobre organismos aquáticos.

Ao verificar as consequências de cinzas de baixa a moderada intensidade, que são as mais comuns e com menos compostos químicos, a pesquisa demostrou que larvas de mosquitos não picadores da espécie Chironomus sancticaroli expostas as cinzas sofreram redução da capacidade de transporte de oxigênio e aumentaram sua capacidade de detoxificação aos metais. Além disso as cinzas foram capazes de aumentar o estresse oxidativo, ou seja, uma dificuldade de compensar danos sofridos em nível celular, o que expõe o ser vivo a doenças e complicações de desenvolvimento.

Além dos problemas biológicos, as larvas apresentaram retrocessos morfológicos, isto é, deformações corporais. Exibiram redução no tamanho corporal, sugerindo impactos do ambiente com cinzas no crescimento e no desenvolvimento da espécie.

Outros organismos aquáticos também foram afetados, incluindo girinos, peixes e minicrustáceos Daphnia magna. Esses animais apresentaram alterações comportamentais e celulares ao serem expostos às cinzas. Com isso, os resultados apontam que os incêndios florestais e a poluição por cinzas não afetam apenas uma espécie, mas toda a cadeia alimentar aquática.

Publicados na revista Journal of Hazardous Material, os resultados estão na tese de doutorado da pesquisadora Ronnilda Maria Gonçalves Araujo e são parte de um projeto mais amplo sobre os efeitos das cinzas pós-incêndio florestal sobre a natureza. Além da UFPR, o projeto conta com cientistas de outras duas instituições, as universidades federais de Santa Catarina (UFSC) e do Mato Grosso (UFMT).

Para Mário Antônio Navarro da Silva, professor do Departamento de Zoologia e coordenador do Lamfic2, o estudo avança ao expor impactos frequentemente ignorados das queimadas sobre os ecossistemas aquáticos.

“Os efeitos adversos sobre a biota aquática são profundos e afetam não só os organismos diretamente expostos, mas toda a cadeia trófica, que eventualmente pode impactar o consumo humano”, alerta Navarro.

Poluentes entram na cadeia alimentar e chegam aos seres humanos

Uma das dificuldades dos estudos de impacto de cinzas de queimadas sobre corpos d’água é definir a composição dessas cinzas. Isso porque as cinzas de incêndios florestais podem modificar de diferentes formas os parâmetros da água, como pH (medida de acidez), turbidez (grau de “sujeira” visível na água) e concentração de oxigênio. Para medir o melhor possível a situação, as amostras precisam ser coletadas rapidamente em relação ao incêndio.

As alterações causadas pelas cinzas comprometem a qualidade da água, tornando-a imprópria para consumo humano e afetando a saúde de outros organismos aquáticos. Quando a água contaminada por cinzas contém metais pesados e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), conhecidos pela ligação com mutações genéticas e câncer, o risco à saúde humana se torna maior.

No caso, as amostras de cinzas foram recolhidas do Parque Nacional de São Joaquim, em Urubici (SC), em uma região montanhosa de Mata Atlântica. Nesse parque, as queimadas são de baixa intensidade, com impactos menos significativos para a fauna e a flora, e facilidade de contenção.

A análise de cientistas do Grupo de Química Ambiental da UFPR mostrou que as cinzas das pastagens contêm micro e nanopartículas com alta solubilidade — ou seja, se integram à água — e são ricas em metais e HPAs, poluentes de difícil degradação.

O experimento indicou que adicionar essas cinzas à água aumentou o pH — ou seja, mudou o ambiente deixando a água menos ácida — e os sólidos totais. Ao mesmo tempo, diminuiu os níveis de oxigênio dissolvido, um elemento essencial para a existência de fauna aquática.

Esses contaminantes também são capazes de se transferir para a cadeia alimentar, porque afeta seres que estão na base dessa cadeia. É o caso do Chironomus sancticaroli, que desempenha papel fundamental nos ciclos da natureza pelos quais matéria orgânica se transforma em nutrientes dentro d’água.

Como presas de peixes e outros animais, esses organismos contaminados podem resultar na bioacumulação de metais pesados e compostos tóxicos em níveis tróficos superiores, chegando eventualmente ao consumo humano.

Ensinamentos sobre políticas públicas e colaborações científicas

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação de Biodiversidade da UFMT, Ronnilda Araujo avalia que o controle rigoroso de queimadas é necessário para minimizar os impactos da poluição por cinzas nos ecossistemas aquáticos, devido à vulnerabilidade deles.

Quando incêndios são seguidos por ventos e chuvas intensos, as cinzas são transportadas para os corpos d’água, aumentando a contaminação e os riscos para a fauna local e para as comunidades humanas que dependem desses recursos.

“É essencial que as políticas públicas se concentrem não apenas na prevenção de incêndios, mas também no monitoramento e no controle das cinzas após os incêndios. A preservação da saúde dos ecossistemas aquáticos é fundamental para garantir a sustentabilidade desses ambientes”.

A pesquisa sugere ainda que as queimas controladas, uma estratégia de prevenção a incêndios pela redução da vegetação seca, seja aplicada o mais distante possível de ambientes aquáticos, a fim de minimizar os impactos sobre a biodiversidade e a saúde pública.

Responsável por reunir a equipe de cientistas, a pesquisadora é orientada na UFMT pelo professor Bruno Renaly Souza Figueiredo, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC, coordenador de projetos de pesquisa sobre poluição de ambientes aquáticos por cinzas.

Em estudos anteriores, o grupo da UFSC indicou que a contaminação por cinzas impactar a cadeia alimentar ligada a rios e mares de duas formas: via bioacumulação e redução do estoque de pescado.

“Os organismos contaminados pelas cinzas podem transferir compostos tóxicos para animais maiores, como peixes, que, ao serem consumidos pelo ser humano, podem levar à intoxicação”, alerta Figueiredo.

A inserção da UFPR nessa dinâmica expande horizontes de atuação, propiciando ainda a interconexão de linhas de pesquisa já tradicionais na instituição, como a zoologia e a química ambiental.

“Colaborações não só aumentam a visibilidade, mas também favorecem a integração entre diferentes áreas do conhecimento e contribuem para o avanço das pesquisas interdisciplinares sobre as questões ambientais”, acredita Navarro.

Edição: Camille Bropp


Fonte: Ciência UFPR

Suderj informa: não vai ter “répi endi” na terra dos Goytacazes

Douglas Barreto da Mata

Dias desses assisti uma reportagem-propaganda do grupo Globo, em um de seus noticiosos. Na oportunidade, o grupo de mídia promovia o seu acervo cinematográfico, no caso concreto, o lançamento do Auto da Compadecida 2 (horrível, por sinal, um desserviço à memória de Suassuna, e da própria maravilhosa representação do primeiro filme).

A matéria tecia loas ao “poder transformador” do cinema, e mostrava cidades-locações, como Pacatuba e Cabaceiras. Pacatuba, no Ceará, foi o cenário das sequências de Cine Roliúdi 1 e 2, dentre outros, enquanto a paraibana Cabaceiras foi locação do Auto da Compadecida, quando recebeu o nome fictício de Taperoá. Deu tristeza e vergonha alheia. A tentativa da empresa de mídia Globo, e sua subsidiária cinematográfica, a Globo filmes, em descrever supostos benefícios e legados para o “desenvolvimento” daquelas cidades foi constrangedor. Porém, não se poderia esperar nada diferente, afinal, é da Globo que falamos.

O que dá desespero mesmo, não é assistir aquela pobre gente se pendurando em retalhos e memórias de uma grandeza que nunca houve, ou disputando nacos de um brilho que nunca existiu, a não ser pela convivência figurante e fugaz com uma indústria (do entretenimento) tão exógena quanto uma nave alienígena.

Não ficou nada em Cabaceiras ou Pacatuba, além de adereços que servem a uma subsistência de sub sub sub celebridades dos pobres (ainda mais pobres), que um dia foram tocados (de longe) pelo sonho de desenvolvimento de alguma atividade econômica que os livrasse daquela pobreza endêmica.  É mais ou menos o enredo e roteiro que estão a contar na planície goytacá, ou na “Campos dos Goytacazes, cidade de cinema”.

Eu nem vou mencionar a cafonice provinciana intelectual da classe média e certa parte da elite local, sempre ávidas por auto reconhecimento de virtudes culturais e civilizatórios que nunca cultivaram, não porque não falem “javanês”, mas pela conhecida selvageria das suas relações sócio-econômicas, que nos rendeu o título de uma das cidades mais conservadoras do país, terra da TFP, ou das usinas onde queimaram corpos de presos políticos da ditadura de 1964.

Não vamos perder tempo com isso, e de certa forma, vai ser divertido ver o “vendedor de monotrilho” destruindo o que resta de auto estima desse pessoal (ver episódio dos Simpsons, temporada 4, episódio 12, onde um forasteiro “engana” os moradores de Springfield, com promessa de grandeza, com a instalação de uma traquitana).

Vamos falar de história e seus contingentes. O cinema, como atividade econômica e, claro, como um produto histórico, não brota do chão ou é um “triunfo da vontade”(ver Mein Kampf, de Adolf,  sim aquele mesmo).

Não é um ato de abnegados e iluminados desbravadores, que chegam com miçangas e espelhos cinematográficos para a troca “civilizatória” com os bugres da terra, que por encanto começarão a prosperar com essa relação e seu legado. Bem, no caso dos índios e portugueses não deu muito certo.

Todo processo histórico de formação de uma atividade econômica, ainda que vinculada ao campo “cultural” ou do entretenimento, requer uma série de condições materiais específicas e próprias, ao mesmo tempo que obedece regras gerais, dinâmicas as quais chamamos de relações desenvolvimento dialético, para então se estabelecerem, com mais ou menos vigor, como um fenômeno perene. Sendo mais amplo ainda, é justamente esse o entrave que nos condenou ao nosso subdesenvolvimento como país. O entrave da história.

Há vários teóricos e teorias disponíveis sobre isso, e com mais ou menos acerto, todas as que merecem respeito concordam que não há espaço para voluntarismo, apesar de reconhecerem que é o agir humano que transforma a realidade, ao passo que é transformado por ela.

A ideia de que um festival de cinema vá dotar a cidade da condição e capacidade de receber algum tipo de reconhecimento ou atração de investimentos, para permitir a comunidade local ocupar-se nesse ramo econômico, desencadeando a virtuosa cadeia produtiva de emprego e renda, além do inestimado e incalculável patrimônio imaterial que o cinema proporciona, é uma tolice que, se não for tolice, é uma tentativa de levar que nos resta de pau-brasil, em troca de algumas plumas e bijuterias.

Não nego que seja atraente esse “sonho de grandeza”, a gente quase quer acreditar nessa chance de sermos “alguém”, sem cumprirmos os requisitos necessários, as danadas das condições materiais históricas.

Queremos o milagre, como não?  Não queríamos que o Senhor X, o Barão de SJB, o messias do porto, e agora arauto da supercana e ex presidiário, Eike Batista tivesse nos libertado de nossa pobreza? Claro que sim. Não queríamos uma Brigitte Bardot a fazer aqui o que fez no vilarejo de pescadores, não por coincidência, meca da elite caipira do chuvisco? Sim, queremos. Não queremos que o quiprocopolla do cinema da Uenf não transforme essa terra árida em um oásis de planos sequências de felicidade e prosperidade pela arte? Óbvio. Mas eu sinto dizer: não é desta vez, e não é com esse tipo de “santo”. E nem com santo algum.

O porto deu no que deu, gente desterrada de suas casas e ancestralidades, terra salgada e erodida no Açu, e muita pobreza, eis que SJB ainda ostenta índices criminosos de desenvolvimento humano.

Búzios virou lugar de argentino classe média baixa mal educada, um enclave de mega especulação imobiliária e desastre ambiental, onde os pescadores continuam em condições ainda piores, já que perderam as belezas naturais, e não conseguem acompanhar os preços inflados dos bens e serviços oferecidos ao turista.

O que será então de nossa cidade do cinema? Não, não vai haver “répi endi” na terra dos Goytacazes.

Inauguração da nova sede da UFF em Campos: uma conquista que merece celebração

Recebi o convite acima da professora Ana Maria Almeida da Costa, diretora do campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos dos Goytacazes, e não posso deixar de constatar que essa é uma importante conquista não apenas para a comunidade universitária da instituição, mas também para a cidade de Campos dos Goytacazes.

O fato inegável é que a inauguração das novas instalações representará um passo importante para a consolidação do campus da UFF em nossa cidade, possibilitando que haja as condições necessárias para o desenvolvimento pleno das capacidades acumuladas em seu corpo docente que até hoje exerciam suas atividades de ensino, pesquisa e extensão que não eram as ideais.

Para a cidade de Campos dos Goytacazes, a elevação das condições de funcionamento da UFF é uma oportunidade de ouro para que o conhecimento gerado em uma instituição altamente qualificada possa ser assimilada na forma de políticas públicas que colaborem para a resolução dos grandes desafios sociais e ambientais que pairam sobre o nosso horizonte, especialmente no tocante à miséria absoluta em que uma parte significativa dos campistas ainda vive.

Como professor de outra instituição pública,a Uenf, tive a oportunidade de contribuir pontualmente com a consolidação do Departamento de Geografia da UFF-Campos como membro de várias bancas de concursos públicos realizados para formar o seu corpo docente. Alguns dos aprovados naqueles concursos são hoje parceiros nas variadas atividades que compõe a vida universitária.  Por isso, desejo que a nova casa da UFF-Campos seja o que eles tanto esperaram e lutaram para que se tornasse realidade.

Muito sucesso à UFF-Campos e que sua comunidade universitária possa trilhar um brilhante caminho a partir dessa inauguração.