Mulheres com refeições baseadas em alimentos naturais e minimamente processados tiveram 28% menor chance de apresentar obesidade
Mulheres brasileiras que consomem mais alimentos ultraprocessados – como refrigerantes, biscoitos recheados e salgadinhos de pacote – e menos alimentos in natura e minimamente processados – que são mais saudáveis – têm maior chance de apresentarem doenças crônicas e uma percepção negativa da própria saúde. É o que aponta um estudo publicado na sexta (11) na Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde por pesquisadores das universidades Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
A pesquisa analisou dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, coletados entre 2018 e 2021. Foram entrevistadas 102.057 mulheres, nas capitais dos estados e no Distrito Federal, que responderam sobre seus hábitos alimentares e doenças crônicas. Os pesquisadores, então, avaliaram se a alimentação das respondentes seguia a Regra de Ouro do Guia Alimentar para a População Brasileira. A publicação do Ministério da Saúde define que os alimentos in natura ou minimamente processados – e as preparações culinárias feitas com esses alimentos – devem ser a base de todas as refeições, enquanto produtos ultraprocessados devem ser evitados.
As mulheres com alta adesão à Regra de Ouro do Guia – ou seja, que têm uma alimentação mais saudável – mostraram 28% menor chance de apresentar obesidade, 15% menor chance de apresentar hipertensão, 31% menor chance de apresentar depressão e 45% menor chance de uma autoavaliação negativa de saúde quando comparadas às mulheres com baixa adesão – e que possuem, portanto, uma alimentação com maior participação de ultraprocessados. Já as mulheres com adesão moderada à Regra de Ouro do Guia mostraram 14% menor chance de apresentar obesidade e 28% menor chance de relatar uma percepção negativa da própria saúde em comparação com as mulheres com baixa adesão.
O trabalho também identificou diferenças socioeconômicas e demográficas entre os perfis alimentares. O grupo com alimentação menos saudável é composto, majoritariamente, por mulheres com menos de 35 anos, com nove a 11 anos de escolaridade, que autodeclararam cor da pele preta ou parda e sem presença de companheiro. Por outro lado, a maior adesão Regra de Ouro do Guia foi verificada em mulheres acima de 50 anos, com nível superior de escolaridade e com companheiro.
Taciana Maia de Sousa, professora da UERJ e uma das autoras do trabalho, ressalta a importância de pesquisas que olhem para a alimentação das mulheres. “Apesar de as mulheres serem frequentemente associadas a comportamentos mais saudáveis, as disparidades socioeconômicas de gênero impactam negativamente a sua capacidade de acessar alimentos mais saudáveis devido aos menores níveis de renda dessa população”, complementa. Sousa acrescenta que essa desigualdade agrava o risco de insegurança alimentar em famílias chefiadas por mulheres – que, hoje, representam mais da metade dos lares brasileiros.
Entre 2017 e 2021, o Brasil presenciou aumento na prevalência combinada de obesidade, diabetes e hipertensão entre mulheres, de 5,5% para 9,6%. “A redução do consumo de refeições tradicionais, incluindo o feijão, está diretamente ligada ao menor consumo de refeições em casa e ao aumento na ingestão de ultraprocessados e de refeições prontas”, exemplifica a autora. Segundo Sousa, a tendência está relacionada a mudanças no estilo de vida, como o aumento da carga de trabalho. Ela também cita a crise econômica enfrentada pelo país na última década, bem como a crise climática, que, combinadas, refletem no aumento do preço dos alimentos saudáveis, reduzindo o acesso a esses itens.
A fim de minimizar a presença de doenças crônicas em mulheres brasileiras, a professora defende ações que incentivem a adesão a uma alimentação mais saudável. “Políticas fiscais que reduzam impostos sobre alimentos in natura e minimamente processados, ao mesmo tempo em que aumentem a tributação sobre ultraprocessados e promovam a segurança alimentar são essenciais”, sugere. Sousa também destaca a importância de medidas mais amplas. “É necessário investir na infraestrutura urbana e nas condições de transporte, por exemplo, pois o longo tempo de deslocamento nas cidades reduz o tempo disponível para planejar e preparar refeições, favorecendo o consumo de ultraprocessados”, conclui.
Mais de 40% dos agrotóxicos encontrados na poeira estão associados a efeitos tóxicos, incluindo câncer e distúrbios hormonais
O número de agrotóxicos em cada casa variou de 25 a 121. Fotografia: Roland Barat/Alamy
Por Helena Horton para o “The Guardian”
Quase 200 agrotóxicos foram encontrados por um estudo que examina a poeira em casas por toda a Europa , enquanto os cientistas dizem que os reguladores precisam levar em conta os “coquetéis tóxicos” de produtos químicos ao proibir ou restringir o uso destes insumos agrícolas.
Cientistas afirmam que suas pesquisas corroboram a ideia de que os órgãos reguladores devem avaliar os riscos representados pelos agrotóxicos quando reagem com outros produtos químicos, bem como individualmente. Eles afirmam que isso deve se aplicar tanto às substâncias já em uso quanto às que ainda não foram aprovadas.
Mais de 40% dos agrotóxicos encontrados na poeira foram associados a efeitos altamente tóxicos, incluindo câncer e distúrbios do sistema hormonal em humanos.
O número de agrotóxicos em cada casa variou entre 25 e 121, e os níveis desses produtos tendiam a ser maiores nas casas dos agricultores.
O professor Paul Scheepers, do Instituto Radboud de Ciências Biológicas e Ambientais, disse: “Temos muitos estudos epidemiológicos mostrando que doenças estão associadas a misturas de agrotóxicos”.
Ele disse que os agrotóxicos presentes na poeira chegaram às casas das pessoas por meio dos sapatos, além de cães e gatos. “Se não tirarmos os sapatos na porta de casa, absorvemos muita sujeira de fora. Animais de estimação também são uma fonte”, disse Scheepers.
Há muitos estudos que indicam que os animais coletam certas contaminações, incluindo agrotóxicos, de ambientes externos. Outro grupo são os produtos de consumo que trazemos para casa, quaisquer agrotóxicos que compramos em lojas por determinados motivos, e uma fonte importante são os tratamentos contra pulgas e carrapatos para animais de estimação.
Embora as concentrações de cada agrotóxico na poeira fossem pequenas, as misturas de dezenas de produtos químicos poderiam ter um impacto na saúde, além de aumentar a exposição aos que também eram frequentemente encontrados em concentrações mais altas em frutas, vegetais e flores.
O estudo descobriu que o DDT permaneceu no meio ambiente apesar do produto ter sido proibido em alguns países em 1972.
Scheepers disse que aqueles que autorizam o uso de produtos devem levar em conta a persistência ambiental e que, mesmo que produtos como Pfas fossem proibidos agora, eles provavelmente permaneceriam no meio ambiente.
Os PFAs são conhecidos como “produtos químicos eternos” porque não se decompõem no meio ambiente. OS PFAs são usados em uma ampla gama de produtos de consumo e processos industriais, e alguns têm sido associados a doenças graves em humanos e animais, incluindo câncer.
Scheepers disse: “Produtos como o DDT, que foram proibidos por muito tempo, são tão persistentes que se acumulam no meio ambiente, então estão constantemente circulando. Agora temos também o problema com o Pfas, que é exatamente uma repetição disso.
“Talvez os reguladores possam considerar a persistência dos produtos químicos – digamos que estabilidade química significa persistência no ambiente e também acumulação na cadeia alimentar; é provável que no futuro descubramos problemas semelhantes com outros produtos químicos persistentes.”
Os pesquisadores disseram que seu estudo revelou quais misturas de agrotóxicos foram encontradas no ambiente, para que os reguladores pudessem testá-las, bem como as combinações produzidas para uso comercial que eles já testaram.
A descoberta do DDT também significa que avaliações de risco de produtos mais novos podem precisar considerar interações com os mais antigos, eles disseram.
Milhões de pessoas nos Estados Unidos podem estar bebendo água contaminada com níveis perigosos de substâncias criadas quando as concessionárias de serviços públicos desinfetam água contaminada com esterco animal e outros poluentes, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira.
Uma análise dos resultados dos testes de sistemas de água comunitários em 49 estados descobriu que quase 6.000 desses sistemas, atendendo 122 milhões de pessoas, registraram um nível inseguro de produtos químicos conhecidos como trihalometanos pelo menos uma vez durante os testes de 2019 a 2023.
Os produtos químicos são subprodutos criados quando o cloro ou outros desinfetantes usados em sistemas de água interagem com matéria orgânica, como folhas em decomposição, vegetação, resíduos humanos ou animais e outras substâncias. Um ou mais desses produtos químicos – clorofórmio, bromodiclorometano, dibromoclorometano e bromofórmio – têm sido associados a vários riscos à saúde humana, incluindo câncer. Como resultado, a Agência de Proteção Ambiental (EPA)estabeleceuum nível médio anual máximo permitido de 80 partes por bilhão (ppb) para o que a agência chama de “trihalometanos totais” ou TTHMs. A regra, que se aplica a sistemas públicos de água, está em vigor há mais de duas décadas.
Os sistemas de água do Texas apresentaram a maior prevalência de sistemas de água com níveis inseguros de TTHMs, com mais de 700 desses sistemas atendendo mais de 8,6 milhões de pessoas relatando contaminantes acima dos 80 ppb da EPA, de acordocom o relatórioemitido em 10 de abril pelo Environmental Working Group (EWG).
Nova York, Oklahoma, Califórnia e Illinois seguiram o Texas, com centenas de sistemas de água em cada um desses estados apresentando níveis de TTHM acima do permitido durante o período de teste, segundo o relatório do EWG. Mais de 64,5 milhões de pessoas são atendidas por 3.170 sistemas nos dez estados que apresentaram o maior número de violações.
“O esterco das fazendas industriais está poluindo nossos suprimentos de água, e quando as concessionárias tentam tornar essa água segura para beber, elas involuntariamente criam outro risco à saúde pública que aumenta o risco de câncer e defeitos congênitos”,disse Anne Schechinger, diretora do EWGpara o Centro-Oeste, em uma declaraçãoque acompanha a divulgação do relatório.
O relatório do EWG estabelece uma conexão entre os altos níveis de TTHMs e as operações pecuárias em larga escala, às vezes chamadas de operações de alimentação animal concentrada, ou CAFOs. Seis dos 10 estados que possuíam sistemas onde os testes mostraram contaminação igual ou superior ao “nível máximo de contaminante” (MCL) da EPA de 80 ppb pelo menos uma vez entre 2019 e 2023 estão entre os estados com maior número de bovinos, aves e/ou suínos, de acordo comdados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Muitos sistemas comunitários de água dependem de reservatórios e outras águas superficiais para abastecimento de água potável, que são frequentemente contaminadas com escoamento de campos agrícolas, incluindo pesticidas e esterco animal.
Embora o relatório tenha se concentrado em sistemas de água com níveis acima do MCL da EPA, evidências científicas dos últimos anos indicaram que o THM na água potável em níveis abaixo dos limites regulatórios atuaisainda aumenta os riscos de certos tipos de câncer. As pessoas também podem estar em risco por inalação durante o banho, de acordo com pesquisas.
Vários estudos relacionaram a exposição a TTHM a cânceres de bexiga e colorretal, e algumas pesquisas também descobriram que problemas durante a gravidez, incluindo natimortos, podem estar relacionados ao consumo de água contendo TTHMs durante a gravidez.
A diretriz de saúde do EWG para TTHMS na água potável é de 0,15 ppb, representando um risco de câncer ao longo da vida de um em um milhão, conforme mostrado pela pesquisa do EWG.
Não há razão para acreditar que os níveis inseguros tenham sido mitigados desde 2023, o período final para os testes abrangidos pelo relatório do EWG. As violações continuam.
Em fevereiro, autoridades municipais de Battle Creek, Michigan, encontraramníveis excessivamente altos de TTHM no sistema de água da cidade.
Em novembro, a cidade de San Angelo, Texas,foi notificadade que sua água excedeu os níveis permitidos pela EPA para TTHMs.
E em dezembro, a Comissão de Qualidade Ambiental do Texas notificou a Base Aérea de Goodfellow que a água potável da comunidade também excedia os níveis seguros.
“Algumas pessoas que bebem água contendo trihalometanos acima do MCL ao longo de muitos anos podem ter problemas no fígado, rins ou sistema nervoso central e podem ter um risco maior de desenvolver câncer”, alertou a agência estadual.
Nos últimos dias, a negociação envolvendo a compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB) ocupou os noticiários e aumentaram as especulações sobre possíveis problemas com a administração do primeiro. Essa crise, poderia acarretar prejuízos para os investidores e para o BRB, um banco estatal. Com o acúmulo de notícias veiculadas pelos órgãos de imprensa, começam a aparecer as transações realizadas pelo Banco Master nos últimos anos, entre elas denúncias sobre investimentos de fundos previdenciários públicos que, de olho nas altas taxas de rendimento oferecidas pelo Master, aplicaram verdadeiras fortunas em transações que não têm a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma entidade criada no ano de 1995 para garantir investimentos financeiros até R$ 250 mil no caso de problemas, falência ou fechamento de instituições financeiras.
Segundo a imprensa, só o Rioprevidência, órgão previdenciário responsável pelos servidores do Estado do Rio de Janeiro, investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master. Esse valor, alerta reportagem do Jornal O Globo da última sexta-feira (dia 4) representa quase 10% do patrimônio do fundo de pensão dos servidores estaduais, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores públicos e que vive em crise por causa de malversação das verbas ou por gestões temerárias, como já foi denunciado pelo relatório final da CPI do Rioprevidência da Alerj, concluído e aprovado em junho de 2021 e posteriormente arquivado pelos parlamentares em 2023.
Na investigação parlamentar, ficou comprovado o mau uso do dinheiro do fundo, com prejuízo de mais de R$ 17 bilhões entre os anos de 2005 e 2015. No relatório, depois arquivado, foi sugerido a abertura de ações judiciais para a recuperação odos recursos financeiros. A CPI concluiu que o desvio desse dinheiro, que deveria ir para o Rioprevidência e foi deslocado para outras finalidades, como o custeio da máquina pública e aplicações em operações de crédito, como a chamada Operação Delaware para antecipar receitas dos royalties do petróleo que gerou um novo rombo nos cofres do fundo. O contrato para as aplicações na Delaware, conforme demonstrou a CPI, estava cheio de irregularidades e obrigava o pagamento de uma taxa de juros absurdas, resultando num prejuízo de mais de R$ 20 bilhões aos cofres públicos. E até hoje o estado continua pagando esses juros.
Com relação à atual crise envolvendo a negociação em torno da compra do Banco Master pelo BRB, a matéria do Globo ouviu uma fonte que acompanha o Rioprevidência e afirmou que a entidade não deveria ter um comportamento tão ousado de investimentos. A matéria diz ainda que o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), em dezembro passado, apontou indícios de irregularidade nos investimentos e fez um pedido cautelar ao Rioprevidência para a suspensão de novas aplicações no Master “e outras instituições financeiras que não atendam aos princípios da segurança, proteção e prudência financeira”.
Nos últimos anos, o Sepe, através da sua Secretaria de Aposentados, tem denunciado a crise dos fundos de previdência dos servidores estadual e municipais no Rio de Janeiro. Nos meses de abril e maio de 2024, a direção da Secretaria esteve em Brasília, no Ministério da Previdência Social e denunciou a crise no setor e os riscos para os aposentados e pensionistas, mas as discussões, iniciadas na audiência com o ministro Carlos Luppi em abril pararam e precisam ser retomadas. O governo federal é quem fiscaliza o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). O sistema de previdência que se destina aos servidores públicos efetivos de um ente federativo, como um município, estado ou a União.
Em dezembro passado, por conta das atividades envolvendo a campanha “Tirem as Mãos da Nossa Previdência”, os aposentados da Educação estadual chegaram a fazer uma manifestação na porta do Rioprevidência para exigir que o governo estadual não desvie as verbas do caixa do fundo provenientes dos royalties do petróleo para pagar dívidas com a União. Nos municípios, a má gestão dos fundos causa problemas como o atraso dos pagamentos de aposentados e pensionistas e gera o risco de destruição do sistema previdenciário dos servidores públicos.
Atrazina, 2,4-D e Fipronil são alguns dos agrotóxicos encontrados na água da chuva em diferentes partes do estado de São Paulo
Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Campinas (Unicamp) detectou a presença de agrotóxicos nas chuvas em Brotas, em Campinas e até na cidade de São Paulo. O estudo foi publicado narevista científica Chemospheree alerta para os riscos ambientais da intervenção humana no meio ambiente.
A pesquisa encontrou 14 agrotóxicos e cinco compostos derivados. Os destaques são o herbicida atrazina, presente em 100% das amostras, e o fungicida carbendazin, proibido no Brasil, mas presente em 88% das amostras. O herbicida tebuthiuron foi encontrado em 3 de cada 4 amostras.
Conforme o estudo, as concentrações dos agrotóxicos não ultrapassam o limite permitido em água potável no país, mas, parte das substâncias sequer têm padrão de segurança que são considerados aceitáveis. A exposição crônica a eles, mesmo em baixas concentrações, pode causar danos à saúde e à vida aquática.
Esses compostos são usados nas lavouras e se dissipam na atmosfera. Com o vento, a temperatura e umidade se distribuem e acabam se condensando nas gotas de chuva e retornando à superfície terrestre.
Em Brotas, por exemplo, o herbicida 2,4-D foi o de maior concentração na água da chuva. O produto não está proibido no Brasil, mas seu uso deveria ser controlado por danos comprovados para a fertilidade humana. O fipronil, liberado no Brasil, mas já proibido na Europa e nos EUA, estava em 67% das amostras. O composto é potencialmente tóxico para abelhas e tem meia vida longa, de 220 dias, em ambientes aquáticos, por exemplo.
A principal fonte de preocupação dos pesquisadores da Unicamp se refere ao aumento do consumo de água da chuva pelas populações humanas devido às restrições hídricas. Os pesquisadores da Unicamp sugerem estratégias de monitoramento e tratamento, com base no conhecimento científico já adquirido sobre o assunto.
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestam publicamente sua profunda preocupação com as declarações do governador do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, que desqualificam o trabalho desenvolvido pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e atacam, de forma infundada, a comunidade científica fluminense.
A FaperjJ recebe uma porcentagem fixa da arrecadação estadual, conforme a Lei Estadual nº 5.448/2009, que determina o repasse de 2% da arrecadação líquida de impostos do estado. A alegação de que “95% da verba vai para projetos que nunca mostram nenhum resultado” é grave, injusta e desrespeitosa com milhares de pesquisadores e instituições que, com competência e compromisso, produzem conhecimento, inovação e soluções concretas para os desafios do estado e do país. A Faperj tem um papel estratégico no desenvolvimento do Rio de Janeiro, apoiando desde estudos sobre vacinas e novas terapias até pesquisas sobre mudanças climáticas, segurança alimentar, engenharia de infraestrutura, inteligência artificial, arqueologia, energias renováveis, economia e políticas públicas.
Projetos financiados pela Faperj, por exemplo, contribuíram decisivamente para o enfrentamento da pandemia de COVID-19, com o desenvolvimento de testes diagnósticos e a modelagem da propagação do vírus. Outros exemplos incluem tecnologias para o monitoramento de encostas e prevenção de deslizamentos em regiões de risco, estudos sobre a Baía de Guanabara com impacto direto na recuperação ambiental e no turismo, e pesquisas voltadas ao fortalecimento da indústria fluminense com base em ciência de ponta.
Além de sua relevância científica e social, os investimentos realizados pela Faperj geram retorno econômico concreto para o estado do Rio de Janeiro. Pesquisas em inovação tecnológica resultam na criação de startups, na melhoria da competitividade industrial e no desenvolvimento de soluções aplicáveis aos setores produtivo, ambiental e de serviços. Projetos apoiados pela fundação já levaram ao registro de patentes, à modernização de processos industriais e ao aprimoramento de políticas públicas baseadas em evidências. Trata-se de uma política pública com retorno de curto, médio e longo prazo — tanto em geração de emprego e renda quanto na redução de custos sociais e na melhoria da qualidade de vida da população fluminense.
Reduzir toda essa produção a um juízo depreciativo é não apenas equivocado, mas perigoso, pois deslegitima o papel da ciência como alicerce de uma sociedade mais justa, saudável e desenvolvida.
Lamentamos ainda as declarações do governador que sugerem que a comunidade científica teria se oposto à presença de uma mulher no comando da Faperj. Essa afirmação é infundada e distorce os termos reais do debate. As manifestações públicas feitas por entidades e pesquisadores refletiram a preocupação legítima com a condução da política científica no estado. Por entendermos a relevância estratégica da Faperj, defendemos que sua liderança esteja em diálogo permanente com a comunidade acadêmica e com os desafios do sistema estadual de ciência, tecnologia e inovação. Isso é fundamental para garantir a continuidade e a efetividade das ações da Fundação em benefício da sociedade fluminense. Finalmente, recordamos que, ao trocar a direção da Faperj, o governador prometeu respeitar a comunidade científica e as pesquisas que ela conduz.
A SBPC e a ABC reiteram seu compromisso com a defesa da ciência, da educação, da liberdade acadêmica e do investimento público responsável em pesquisa. O estado do Rio de Janeiro precisa de mais ciência, mais tecnologia e mais inovação – não menos. E para isso, é fundamental fortalecer a Faperj, não deslegitimá-la. Por isso mesmo exortamos o governador a cumprir sua promessa neste sentido, poucos meses atrás, quando substituiu a direção da Faperj.
Amazon, Google e Microsoft estão construindo data centers em áreas com escassez hídrica em cinco continentes
Os três novos data centers propostos pela Amazon na região de Aragão, no norte da Espanha, estão licenciados para usar cerca de 755.720 metros cúbicos de água por ano, o suficiente para irrigar 233 hectares (576 acres) de milho, uma das principais culturas da região. Composição: The Guardian/Getty Images
Luke Barratt , Costanza Gambarini e gráficos de dados de Andrew Witherspoon e Aliya Uteuova para o The Guardian
Amazon , Microsoft e Google estão operando data centers que usam grandes quantidades de água em algumas das áreas mais secas do mundo e estão construindo muitos mais, segundo uma investigação da SourceMaterial e do Guardian.
Com Donald Trump prometendo apoiá-los, os três gigantes da tecnologia estão planejando centenas de data centers nos EUA e no mundo todo, com um impacto potencialmente enorme nas populações que já vivem com escassez de água.
“A questão da água se tornará crucial”, disse Lorena Jaume-Palasí, fundadora da Ethical Tech Society. “A resiliência, do ponto de vista dos recursos, será muito difícil para essas comunidades.”
Os esforços da Amazon , a maior varejista on-line do mundo, para mitigar seu uso de água geraram oposição dentro da empresa, descobriu a investigação da SourceMaterial, com um de seus próprios especialistas em sustentabilidade alertando que seus planos “não são éticos”.
Em resposta a perguntas do SourceMaterial e do Guardian, porta-vozes da Amazon e do Google defenderam seus projetos, afirmando que eles sempre levam em consideração a escassez de água. A Microsoft não quis comentar.
Data centers, grandes armazéns que contêm servidores em rede usados para armazenamento e processamento remoto de dados, bem como por empresas de tecnologia da informação para treinar modelos de IA como o ChatGPT , usam água para resfriamento. A análise da SourceMaterial identificou 38 data centers ativos pertencentes às três grandes empresas de tecnologia em partes do mundo que já enfrentam escassez de água, além de outros 24 em desenvolvimento.
A localização dos data centers costuma ser segredo do setor. Mas, usando notícias locais e fontes do setor como Baxtel e Data Center Map, a SourceMaterial compilou um mapa de 632 data centers – ativos ou em desenvolvimento – de propriedade da Amazon, Microsoft e Google .
Isso mostra que os planos dessas empresas envolvem um aumento de 78% no número de data centers que elas possuem no mundo todo, já que a computação em nuvem e a IA causam um aumento na demanda mundial por armazenamento, com construções planejadas na América do Norte, América do Sul, Europa , Ásia, África e Austrália.
Em partes do mundo onde a água é abundante, o alto consumo de água em data centers é menos problemático, mas em 2023 a Microsoft afirmouque 42% de sua água vinha de “áreas com estresse hídrico”, enquanto o Google afirmou que15% de seu consumo de água vinha de áreas com “alta escassez de água”. A Amazon não divulgou um número.
Agora, essas empresas planejam expandir suas atividades em algumas das regiões mais áridas do mundo, segundo a análise do SourceMaterial e do Guardian.
“Não é coincidência que eles estejam construindo em áreas secas”, já que os data centers precisam ser construídos no interior, onde a baixa umidade reduz o risco de corrosão do metal, enquanto a água do mar também causa corrosão se usada para resfriamento, disse Jaume-Palasí.
‘Sua nuvem está secando meu rio’
Os três novos data centers propostos pela Amazon na região de Aragão, no norte da Espanha — cada um próximo a um data center existente da Amazon — estão licenciados para usar cerca de 755.720 metros cúbicos de água por ano, aproximadamente o suficiente para irrigar 233 hectares (576 acres) de milho, uma das principais culturas da região.
Na prática, o uso de água será ainda maior, já que esse valor não leva em conta a água usada para gerar a eletricidade que alimentará as novas instalações, disse Aaron Wemhoff, especialista em eficiência energética da Universidade Villanova, na Pensilvânia.
Entre eles, prevê-se que os novos data centers da Amazon na região de Aragão consumirão mais eletricidade do que toda a região consome atualmente. Em dezembro, a Amazon solicitou ao governo regional permissão para aumentar em 48% o consumo de água em seus três data centers existentes.
Opositores acusaram a empresa de ser antidemocrática ao tentar apressar a aprovação do pedido durante o período de Natal. Mais água é necessária porque “as mudanças climáticas levarão ao aumento das temperaturas globais e à frequência de eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor”, escreveu a Amazon em seu pedido.
“Eles estão usando muita água. Estão usando muita energia”, disse Aurora Gómez, do grupo de campanha Tu Nube Seca Mi Río (em espanhol, “Sua nuvem está secando meu rio”), que pediu uma moratória sobre novos data centers na Espanha devido à escassez de água.
Um data center da Amazon em Stone Ridge, Virgínia. Fotografia: Nathan Howard/Bloomberg via Getty Images
A Espanha temregistradoum número crescente de mortes relacionadas ao calor em eventos climáticos extremos, associados por cientistas à crise climática. No mês passado, o governo de Aragão solicitou ajuda da UE para combater a seca.
O fazendeiro Chechu Sánchez disse que está preocupado que os data centers consumam a água necessária para suas plantações.
“Esses data centers usam água que vem do norte de Aragão, onde eu moro”, disse ele. “Eles consomem água – de onde a tiram? De vocês, é claro.”
Com 75% do país já em risco de desertificação, a combinação da crise climática e da expansão dos data centers está “levando a Espanha à beira do colapso ecológico”, disse Jaume-Palasí.
Questionado sobre a decisão de aprovar mais data centers, um porta-voz do governo aragonês disse que eles não comprometeriam os recursos hídricos da região porque seu impacto é “imperceptível”.
Compensação de água
A Amazon não divulga números totais sobre o consumo de água de seus data centers em todo o mundo. Mas afirma que atingirá o nível de “água positiva” até 2030, compensando seu consumo com o fornecimento de água para comunidades e ecossistemas em áreas de escassez em outros lugares.
A Amazon afirma que atualmente compensa 41% do seu consumo de água em áreas que considera insustentáveis. Mas essa abordagem já gerou polêmica dentro da empresa.
“Levantei a questão em todos os lugares certos de que isso não é ético”, disse Nathan Wangusi, ex-gerente de sustentabilidade hídrica da Amazon. “Eu discordava bastante desse princípio, vindo de uma formação puramente sustentável.”
A Microsoft e o Google também se comprometeram a se tornar “positivos em termos de água” até 2030 por meio da compensação de água, além de encontrar maneiras de usar a água de forma mais eficiente.
A compensação hídrica não funciona da mesma forma que a compensação de carbono, em que uma tonelada de poluentes removidos da atmosfera pode anular uma tonelada emitida em outro lugar, disse Wemhoff, especialista da Universidade Villanova. Melhorar o acesso à água em uma área não ajuda em nada a comunidade que perdeu o acesso a ela em uma área distante.
“O carbono é um problema global – a água é mais localizada”, disse ele.
A Amazon deveria buscar projetos de acessibilidade à água “porque é a coisa certa a fazer”, não para compensar o uso da empresa e fazer alegações de que é “positiva em termos de água”, disse Wangusi.
Em março, a Amazon anunciou que usaria IA para ajudar agricultores em Aragão a usar água de forma mais eficiente.
Mas essa é “uma estratégia deliberada de ofuscação” que desvia a atenção do pedido da empresa para aumentar o consumo de água, disse Gómez, o ativista.
A Amazon disse que sua abordagem não deve ser descrita como compensatória porque os projetos estão em comunidades onde a empresa opera.
“Sabemos que a água é um recurso precioso e estamos comprometidos em fazer a nossa parte para ajudar a resolver esse desafio”, disse Harry Staight, porta-voz da Amazon. “É importante lembrar que muitas de nossas instalações não exigem o uso contínuo de água para resfriar as operações.”
‘Seca extrema’
A Amazon é de longe a maior proprietária de data centers do mundo, graças à sua divisão de nuvem Amazon Web Services, mas o Google e a Microsoft estão se aproximando.
Nos EUA, que ostenta o maior número de data centers do mundo, o Google tem maior probabilidade de construir em áreas áridas, mostram dados da SourceMaterial. A empresa possui sete data centers ativos em regiões dos EUA que enfrentam escassez de água e está construindo mais seis.
Centros de dados em áreas com escassez de água aumentarão em um total de 63%
“Precisamos ser muito, muito cautelosos com o crescimento de grandes consumidores de água”, disse Jenn Duff, vereadora de Mesa, Arizona , um centro de data centers em rápido crescimento. Em janeiro, a Meta, dona do Facebook, WhatsApp e Instagram, inaugurou um data center de US$ 1 bilhão na cidade, e o Google está desenvolvendo mais dois.
O condado vizinho de Maricopa, onde a Microsoft também possui dois data centers ativos, está enfrentando uma “seca extrema”, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Em junho de 2023, autoridades estaduais do Arizona revogaram as licenças de construção de algumas novas casas no local devido à falta de água subterrânea.
A seca não interrompeu os planos do Google para um segundo centro de dados em Mesa, enquanto seu primeiro centro tem uma licença para usar 5,5 milhões de metros cúbicos de água por ano — aproximadamente a mesma quantidade usada por 23.000 cidadãos comunsdo Arizona.
“O aumento da arrecadação tributária e o número relativamente pequeno de empregos valem a pena?”, questionou Kathryn Sorensen, professora da Universidade Estadual do Arizona e ex-diretora do departamento de águas de Mesa. “Cabe às câmaras municipais refletir com muito cuidado e analisar as compensações.”
O Google disse que não usará toda a quantidade de água em sua licença de Mesa, pois planeja usar um sistema de resfriamento de ar.
“Os sistemas de resfriamento são uma decisão hiperlocal, informada por nossa estratégia baseada em dados chamada ‘resfriamento consciente do clima’, que equilibra a disponibilidade de energia livre de carbono e água de origem responsável para minimizar o impacto climático hoje e no futuro”, disse o porta-voz do Google, Chris Mussett.
Portal Estelar
Em janeiro, na Casa Branca, Trump anunciou o “Projeto Stargate”, que ele chamou de “o maior projeto de infraestrutura de IA da história”.
Começando no Texas, a joint venture de US$ 500 bilhões entre a OpenAI, a empresa de software americana Oracle , a SoftBank sediada no Japão e a empresa de investimentos dos Emirados Árabes Unidos MGX financiará data centers nos EUA.
Um dia antes do anúncio do Stargate, data da posse de Trump, a empresa chinesa DeepSeek lançou seu próprio modelo de IA, alegando que ele havia usado muito menos poder de computação — e, portanto, menos água — do que seus rivais ocidentais.
Mais recentemente, a Bloomberg noticiouque a Microsoft está recuando em alguns de seus planos para novos data centers ao redor do mundo. A Microsoft também publicou planos para um data center “sem uso de água”, e o Google afirmou que incorporará resfriamento a ar para reduzir o consumo de água – embora ainda não esteja claro como seus sistemas funcionarão.
“Só acredito quando vejo”, disse Jaume-Palasí. “A maioria dos data centers está migrando do resfriamento a ar para o resfriamento a água porque o resfriamento a líquido é mais eficiente quando se tenta resfriar racks de alta densidade, que são os mais usados para IA.”
E embora o governo Trump tenha prometido acelerar novos projetos de energia para alimentar esses novos data centers, até agora não disse nada sobre a água que eles poderiam consumir.
“Nem pessoas nem dados podem viver sem água”, disse Gómez. “Mas a vida humana é essencial e os dados não.”
O que está em jogo é a saúde dos agricultores, das comunidades que vivem perto de áreas de plantio e todos os consumidores
Por Adão Pretto Filho para o Brasil 247
Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como o maior consumidor mundial de agrotóxicos, um título que nos envergonha e que não podemos mais ignorar. Entre os produtos químicos utilizados de forma intensiva, destaco o herbicida 2,4-D, cujos riscos para a saúde humana e para o meio ambiente são amplamente reconhecidos e comprovados. Esse composto, que já foi parte do famigerado “Agente Laranja” durante a Guerra do Vietnã, tem causado sérios impactos em nosso país, afetando não apenas trabalhadores rurais, mas também a biodiversidade e os ecossistemas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica o 2,4-D como um produto altamente tóxico. Não é difícil entender por que essa substância recebe tal classificação. Dados da própria Anvisa revelam que, entre 2007 e 2015, foram registrados 619 casos de intoxicação pelo herbicida no Brasil. A grande maioria desses casos – cerca de 71% – envolveu homens que trabalham nas zonas rurais, expostos ao 2,4-D durante suas atividades diárias, especialmente nas pulverizações das lavouras.
No entanto, os perigos do 2,4-D não se limitam à intoxicação imediata. Estudos científicos mostram uma ligação clara entre o uso desse herbicida e o aumento de casos de doenças graves e crônicas, como câncer, doença de Parkinson e até distúrbios psicológicos, como a depressão. O impacto desse produto na saúde humana não deve ser subestimado, já que as consequências a longo prazo podem ser devastadoras.
Outro aspecto crucial que não podemos ignorar é o impacto ambiental causado pela deriva do 2,4-D. Quando esse herbicida é pulverizado nas lavouras, ele não permanece limitado à área onde ocorre a aplicação do veneno. A ação do vento pode levá-lo para regiões adjacentes, afetando ecossistemas inteiros e, muitas vezes, chegando até áreas urbanas. O resultado é a contaminação do ar, solo e águas de rios e lagos. Fauna e flora locais são severamente impactadas, com destaque para a morte de animais como frangos e peixes, que são extremamente sensíveis a essas substâncias químicas.
Até mesmo a viticultura, uma atividade agrícola tradicional, que faz com que o sul do Brasil seja reconhecido pela qualidade dos vinhos e espumantes, também sofre com os efeitos devastadores do 2,4-D. O mesmo efeito ocorre em pomares de laranjas e nas plantações de hortifruti. Esse herbicida prejudica a saúde das plantações de uva, comprometendo diretamente a qualidade da produção e, consequentemente, afetando a economia de diversas regiões que dependem dessa atividade. A utilização desenfreada desse produto coloca em risco a sustentabilidade de setores chave da nossa agricultura.
O uso do 2,4-D é autorizado no Brasil, mas é fundamental questionarmos: até quando vamos permitir que produtos tão tóxicos sigam sendo amplamente utilizados? Mais de oitenta agrotóxicos levam o 2,4-D em sua composição. Um absurdo!
O que está em jogo com a utilização deliberada do herbicida 2,4-D é a saúde dos agricultores, das comunidades que vivem perto de áreas de plantio e todos os consumidores que levam à mesa diariamente toneladas de alimentos contaminados por agrotóxicos. As evidências sobre os danos causados pelo uso excessivo de agrotóxicos são claras, e nossa dependência desses produtos coloca em risco tanto a saúde pública quanto o meio ambiente.
Em resposta a essa ameaça crescente, propus, no Rio Grande do Sul, a proibição do uso do 2,4-D, com o objetivo de proteger a saúde pública e o meio ambiente. A medida visa reduzir os riscos associados ao uso desse herbicida e promover alternativas agrícolas mais sustentáveis no estado.
Parreral destruído pela deriva de 2,4-D vindo dos campos de soja no Rio Grande do Sul
É urgente que o debate sobre a liberação e o uso de agrotóxicos seja levado a sério. O Rio Grande do Sul foi devastado em 2024 devido às enchentes. O impacto ambiental de práticas como o abuso de agrotóxicos é gigantesco. Por isso, devemos priorizar políticas públicas que incentivem práticas de agroecologia, a produção sustentável e o uso de alternativas menos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. O Brasil não pode continuar sendo um líder mundial no consumo de agrotóxicos. Para revertermos esse cenário assustador, temos que ser radicais no combate ao uso de veneno em nossas plantações. Não temos mais tempo a perder!
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
A Associação Profissional dos Geólogos do Estado do Rio de Janeiro (APG-RJ), entidade representativa da categoria em território fluminense, vem declarar seu irrestrito apoio à luta dos discentes do curso de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pela melhoria das condições de segurança nos trabalhos de campo, através da renovação da frota de veículos que, hoje, encontra-se em péssimas condições.
Entendemos que os trabalhos de campo constituem fator imprescindível para a boa formação de geólogas e geólogos, sendo inclusive uma característica que confere excelência à graduação em Geologia da UFRJ, que sempre privilegiou essas atividades, representando um diferencial das suas alunas e alunos no mercado de trabalho.
A frota de ônibus e vans utilizada para trabalhos de campo não apenas da Geologia, mas dos cursos de Geografia, Biologia e outros, possui muitos anos de uso, sendo utilizada frequentemente para longas viagens para o Nordeste e Sul do país (inclusive com viagens para fora do território nacional), muitas vezes em rodovias mal conservadas ou de terra, que provocam forte desgaste nos veículos. As condições de manutenção das viaturas estão longe de serem as ideais, sendo comuns quebras dos veículos durantes as viagens, as vezes em locais ermos, colocando em risco discentes, docentes e motoristas.
Entendemos que o sucateamento da frota de veículos está intrinsecamente vinculado ao sucateamento das universidades públicas federais nos últimos anos, que vêm sofrendo constantes cortes de verbas por parte do governo e do Congresso, justificadas pelo “Teto de Gastos” e a “Lei de Responsabilidade Fiscal”. Destacamos aqui a própria infraestrutura da UFRJ, onde é patente a má conservação dos seus prédios (IFCS, CT, Reitoria, Educação Física), o abandono de obras civis (muitos “esqueletos” inacabados na Ilha do Fundão), bem como os incêndios sucessivos ocorridos nos últimos anos (Praia Vermelha, Alojamento Estudantil, 8º andar da Reitoria, Museu Nacional).
A Reitoria, no entanto, deve encontrar o mais rápido possível meios para a renovação da frota de veículos disponíveis para os trabalhos de campo obrigatórios e não-obrigatórios, sem causar prejuízos à formação acadêmica dos discentes, garantindo a segurança destes, dos docentes e dos motoristas.
A APG-RJ parabeniza o Diretório Acadêmico Joel Valença e as/os estudantes de Geologia da UFRJ pela luta no sentido de garantir seu direito de aprender Geologia no campo, fator imprescindível para a sua boa formação acadêmica e profissional.
Os microplásticos invadiram os rios europeus, de acordo com 14 estudos publicados simultaneamente na revista Environmental Science and Pollution Research, divulgados neste domingo (6)
Por RFI
“A poluição está em todos os rios europeus” estudados, diz Jean-François Ghiglione, diretor de pesquisa do CNRS, o centro nacional francês de pesquisa científica, que coordenou os estudos feitos em 2019 em nove grandes rios europeus. A operação envolveu 40 químicos, biólogos e físicos de 19 laboratórios, além de estudantes de doutorado e pós-doutorandos, com o apoio da Tara Ocean Foundation.
Os cientistas percorreram noves rios em diferentes países, como Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Espanha. Entre eles, o Elba, Ebro, Loire, Ródano, Reno, Sena, Tâmisa e o Tibre, onde obtiveram e analisaram amostras em toda a extensão, da foz até o desemboque nas cidades.
“Osmicroplásticos são menores que um grão de arroz”, explica Alexandra Ter Halle, cientista do CNRS em Toulouse, no sul da França, que realizou as análises. As partículas do material, lembra, têm menos de 5 milímetros e as menores são invisíveis a olho nu.
Elas podem ser fibras têxteis sintéticas de lavagem, ou que “voam” dos pneus dos carros ou das tampas de uma garrafa, por exemplo, quando elas são abertas. Segundo os cientistas, a poluição observada equivale, em média, a “três microplásticos por metro cúbico de água” nos rios estudados.
O volume é preocupante, apesar de ser bem inferior aos 40 microplásticos por m³ detectados nos 10 rios mais poluídos do mundo: Rio Amarelo, Yangtzé, Mekong, Ganges, Nilo, Níger, Hindus, Amur, Pearl e Hai He. Eles irrigam os países que produzem mais plástico ou que processam mais resíduos.
Mas, levando em consideração os volumes vendidos, “em Valence e no Ródano, temos um fluxo de 1.000 metros cúbicos por segundo, o que significa que temos 3.000 partículas de plástico a cada segundo”, diz Jean-François Ghiglione. No Sena, em Paris, são 900 por segundo.
Os cientistas detectaram uma “novidade” que os “surpreendeu”, graças a um avanço nos métodos de análise desenvolvidos durante o estudo: “a massa de pequenos microplásticos, aqueles que não podemos ver a olho nu, é maior do que a daqueles que vemos”, observa Ghiglione.
No entanto, “grandes microplásticos flutuam e são retirados da superfície, enquanto os invisíveis se distribuem por todo o volume d’água e são ingeridos por muitos animais e organismos”.
“Poluição difusa”
Um dos estudos identificou uma bactéria virulenta em um microplástico no rio francês Loire, capaz de desencadear infecções em humanos.
Os cientistas também obtiveram outro resultado inesperado: um quarto dos microplásticos descobertos nos rios não são de resíduos, mas de plásticos primários industriais. Esses grânulos, também conhecidos como “lágrimas de sereia”, também são encontrados às vezes em praias infestadas após um acidente marítimo.
Este resultado, obtido na França, foi estabelecido graças a uma operação científica participativa que envolve 350 classes de escolas francesas. Todos os anos, 15 mil alunos coletam amostras nas margens dos rios.
Segundo os cientistas, era inútil estabelecer um ranking dos rios europeus mais poluídos: os números são geralmente “equivalentes” e os dados são insuficientes. O mesmo vale para o impacto das cidades. “O que vemos é poluição difusa e instalada” que “chega de todos os lugares” nos rios, diz o cientista.
“A coalizão científica internacional da qual fazemos parte (como parte das negociações internacionais da ONU sobre a redução da poluição plástica) está pedindo uma grande redução na produção do material, porque sabemos que a produção de plástico está completamente ligada à poluição”, conclui.