Ao arrepio da lei, Anglo American quer ampliar mega barragem do projeto Minas Rio em Conceição do Mato Dentro (MG)

A partir da página do “Instituto Cordilheira” na rede social Instagram fiquei sabendo de uma grave risco que paira sobre o antes aprazível e bucólico município de Conceição do Mato Dentro (MG) que teve sua realidade completamente alterada pela presença da mineradora sul africana Anglo American que ali se instalou para implantar o mega empreendimento de minério de ferro conhecido como “Minas Rio”.  

Além de todos os problemas sociais criados pela chegada da Anglo American, a região hoje convive com os efeitos da poluição ambiental que é potencializada pela presença de uma barragem gigantesca de rejeitos de mineração que pode estocar até 167 milhões de metros cúbicos de material tóxico. O problema é que agora a Anglo American quer aumentar a capacidade da barragem para inacreditáveis 254 milhões de metros cúbicos. À guisa de comparação, o valor pretendido deixará a barragem mais do que 4 vezes maior do que a barragem da mineradora Samarco que rompeu em Mariana e 11 vezes maior do que a barragem da Vale que rompeu em Brumadinho.

E é preciso notar que a Anglo American pretende essa expansão ao arrepio da lei, visto que em 2019 a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou a Lei Mar de Lama Nunca Mais, como ficou conhecida a Lei Estadual 23.291/2019, que foi uma resposta exatamento ao rompimento das barragens em Mariana e Brumadinho. É importante notar que o texto final aprovado pela ALMG proibiu o alteamento de novas barragens em determinadas situações e deu prazos para a descaracterização de estruturas similares à que se rompeu em Brumadinho. 

Mas a despeito do que diz a lei,  a Anglo American quer impor, com a ajuda do governo Zema, a ampliação da barragem, o que, se concretizado, irá aumentar ainda mais os riscos de outro tsulama de proporções épicas, ameaçando comunidades do entorno imediato de forma mais direta, mas gerando riscos para regiões mais distantes, visto a capacidade dos rios carregaram rejeitos como foi o caso do Rio Doce que até hoje despeja resíduos da barragem do Fundão no oceano Atlântico.

Nunca é demais dizer que com a ameaça de desregulamentação completa do licenciamento ambiental que se encontra em curso no Senado Federal, a chance de que mais barragens como essa sejam implantadas em Minas Gerais irá crescer exponencialmente. 

Grupo de Trabalho ECOlutas da Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental lança alerta sobre os efeitos do PL da “Devastação Ambiental”

Rede de Pesquisadores em Geografia Ambiental

Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental

Grupo de Trabalho ECOlutas

Mais uma boiada que passa: A sabotagem do licenciamento ambiental no Brasil!

Em junho de 2021, o Grupo de Trabalho ECOlutas, da Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental/RPG-(S)A, emitiu uma nota técnica intitulada Lei Geral do Licenciamento ou… “Lei Geral do Facilitamento”? Essa nota alertava para os muitos perigos contidos na proposta legislativa referente ao Projeto de Lei no 37.290, de 2004, baseado em um substitutivo apresentado pelo deputado federal Kim Kataguiri. Conhecido por Lei Geral do Licenciamento, o PL foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 13 de maio de 2021 e, posteriormente, enviado para apreciação pelo Senado Federal.

Agora, decorridos cinco anos desde a aprovação pela Câmara dos Deputados, em que pé estamos?

O Senado Federal está em vias de ratificar a aprovação do PL no. 7.290, que ali tramita como o PL nº 2.159/2021. Em função da gravidade do que está sendo gestado na câmara alta do Congresso brasileiro, somos mais uma vez forçados a nos pronunciar no sentido alertar para as graves consequências que isto terá para os esforços de proteção de ecossistemas e para o bem-estar da população brasileira, especialmente daqueles segmentos cuja reprodução social está diretamente relacionada à existência de territórios que serão alvos prioritários de projetos econômicos com alto poder de destruição.

Bom, do que se trata, enfim? O PL no 2.159/2021 pretende “simplificar” e “flexibilizar” o processo de licenciamento ambiental. “Simplificar” e “flexibilizar” são palavras que soam como algo positivo; mas, no presente caso, não há nada de positivo. O PL tende a facilitar a aprovação de projetos em áreas indígenas e de conservação, além de isentar de licenciamento vários empreendimentos (como rodovias), afrouxando incrivelmente as normas de proteção ambiental. Ele não representa nenhum esforço de aprimoramento do processo de licenciamento ambiental existente no Brasil, mas sua liquidação de fato. Na prática, o que está em tramitação no Senado Federal significa a remoção em larga escala dos dispositivos legais vigentes para a emissão de licenças ambientais, e sua substituição por um mecanismo de “autolicenciamento” por meio do qual as empresas poderão emitir licenças ambientais sem que seja necessário sequer a realização de estudos técnicos que avaliem o potencial poluidor de seus empreendimentos.

Mas o problema não está restrito ao autolicenciamento. Há o fato grotesco de o projeto permitir que sejam dispensados do licenciamento ambiental empreendimentos de saneamento básico, manutenção em estradas e portos, distribuição de energia elétrica, atividades agropecuárias – à exceção da pecuária intensiva de médio e grande porte –, obras de instalação de redes de água e esgoto, obras de baixo e médio risco ambiental, inclusive mineração, e obras consideradas de “porte insignificante” pelo órgão licenciador.

Um aspecto que consideramos particularmente grave se refere à abertura de atividades de mineração em terras indígenas e unidades de conservação. Na forma em que está tramitando, o PL 2.159/2021 visa “simplificar” o processo de licenciamento para facilitar a aprovação de projetos nesses territórios ecológica e socialmente tão sensíveis.

Como seria de se esperar, o PL no 2.159/2021 vem recebendo o apoio explicito de mineradoras e de grandes latifundiários que estão interessados na fragilização do processo licenciamento ambiental, para continuar impondo a realização de suas atividades poluidoras e degradadoras do meio ambiente.

Nós consideramos que a eventual aprovação do PL é muito nefasta para os esforços de proteção e conservação ambiental, cuja necessidade fica explicita a cada dia em função da agudização da crise climática. As propostas contidas no PL no 2.159/2021 se chocam totalmente com o que o processo de adaptação climática exige. Nesse sentido, é preciso lembrar que os sucessivos desastres climáticos que destruíram partes significativas do estado do Rio Grande do Sul foram agravados por um processo similar de desregulamentação do processo de licenciamento que foi realizado no plano estadual. Isso demonstra que os políticos nada aprenderam com o que aconteceu no Rio Grande do Sul em 2023 e 2024.

Os políticos tampouco parecem ter tirado qualquer lição dos graves incidentes socioambientais que foram criados pelo rompimento das barragens de rejeitos em Mariana (MG) e Brumadinho (MG), quando centenas de vidas foram perdidas e um vasto processo de contaminação foi lançado sobre as bacias dos rios Doce e Paraopeba, cujos efeitos deverão durar por décadas e até centenas de anos.

O mais grave é que este processo de ataque frontal ao licenciamento ambiental se dá no mesmo ano em que o Brasil sediará a trigésima edição da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (a COP30), a qual ocorrerá na cidade de Belém entre os dias 10 e 21 de novembro deste ano. Uma consequência óbvia da aprovação do PL no 2.159/2021 será o avanço da destruição dos ecossistemas amazônicos, seja na forma de grandes projetos de infraestrutura como portos, ferrovias e rodovias, mas na ampliação dos investimentos em grandes projetos de mineração e de produção agropecuária. De forma objetiva, ao tramitar o PL no 2.159/2021 no mesmo período em que se prepara a realização da COP30 em solo amazônico, o que o Senado Federal deixa claro é que encontrar saídas duradouras para a crise climática não é algo que se considere importante.

Em função do que está em risco caso o PL no 2.159/2021 seja aprovado pelo Senado Federal e levado à sanção pelo presidente Lula, o GT ECOlutas vem a público para convocar a sociedade civil organizada, movimentos sociais do campo e da cidade, e a comunidade científica para lutar contra sua aprovação. As consequências da banalização do processo de licenciamento ambiental são graves demais para serem ignoradas.

20 de maio de 2025.

geografia_socio_ambiental@lists.riseup.net

Um epitáfio para Roberto Kant de Lima

Morre Roberto Kant de Lima, professor da UFF e referência em segurança pública no Brasil

Roberto Kant de Lima, antropólogo e professor da UFF em Niterói

Soube hoje do falecimento do professor titular da Universidade Federal Fluminense, Roberto Kant de Lima, o que sem dúvida foi uma notícia triste para quem o conheceu. Tive a oportunidade de uma convivência mais próxima com o professor Kant quando ele esteve envolvimento no esforço de consolidação do Centro de Ciências do Homem (CCH) da Universidade Estadual do Norte Fluminense, a convite do professora Lana Lage da Gama Lima no final dos anos de 1990.

Com o professor Kant aprendi que se pode ser academicamente rigoroso sem se perder o bom humor e o senso crítico frente às muitas idiossincrasias que marcam a vida universitária. Assim que nos conhecemos ele generosamente me presenteou com sua obraA Antropologia da acadêmia: quando os índios somos nós”, uma espécie de autobiografia onde se utilizou da sua experiência como estudante de doutorado na Universidade de Harvard para refletir sobre as dinâmicas e relações de poder presentes no ambiente acadêmico, mostrando como as hierarquias e disputas simbólicas moldam as práticas e os discursos dentro da universidade.  Nesse trabalho, que ele mesmo considerava desprentesioso, considero que o professor Kant nos ofereceu uma essencial para compreender as complexidades e contradições inerentes ao mundo acadêmico.

Apesar da temporada do professor Kant ter sido relativamente curta no CCH, guardei e cito sempre um bordão jocoso pelo qual ele demonstrava sua incredulidade sobre certas posições e declarações que claramente afrontavam a lógica. Nessas ocasiões, o professor Kant soltava um “eu estou confusa”, que era normalmente seguido de alguma observação mais direta sobre o que o interlocutor acabava de dizer. Com Kant de Lima, não havia muita paciência para aquilo que afrontava a sua inteligência.

Mas eu nunca confundi a irreverência e o aparente desprezo pelos ritos com falta de substância ou de profundidade, ou menos ainda de despreparo. A trajetória acadêmica pretérito e posterior ao CCH demonstra que ele deu o melhor de si na labuta acadêmica, algo que todos deveriam almejar, mas nem todos conseguem fazer.

Lembro que em nosso último encontro presencial que ocorreu em uma madrugada friorenta rodoviária de Caxambu (MG) onde esperavamos a partida  do ônibus de retorno ao Rio de Janeiro após participarmos de uma das reuniões anuais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), ele mais uma vez foi extremamente gentil comigo, e me desejou sorte na continuidade do processo de construção do CCH, da qual ele, mesmo à distância, continou contribuindo para consolidar.

Com certeza, a perda física de Robert Kant de Lima será mais sentida pelos seus familiares e companheiros de construção da UFF. Mas esta perda afeta para além da família e dos colegas da UFF, pois, sua contribuição e influência intelectual foram muito mais além, deixando suas marcas até aqui na Uenf.

Observatório dos Agrotóxicos: em um só ato, governo Lula libera mais 74 agrotóxicos e acelera chuva de venenos

Com a publicação nesta 3a feira do Ato nº 17, de 16 de  maio de 2025, o governo Lula liberou mais 74 agrotóxicos em um mercado já repleto de venenos agrícolas.  Com isso, apenas no mês de maio já foram adicionados 94 agrotóxicos, muitos deles velhos conhecidos dos estudos de impactos sobre a saúde humana como o Glifosato, o 2,4-D e o Dicamba. É verdade que nesse ato em específico também foram liberados vários agrotóxicos biológicos, mas este fato não altera qualitativamente o balanço das liberações que continua sendo caracterizada pela liberação de substâncias altamente tóxicas para o ambiente e a saúde humana.

Com essa opção pelo veneno agrícola e os investimentos bilionários na produção de commodities de exportação, enquanto deixa dormente qualquer programa sério de reforma agrária, o governo presidido pelo presidente Lula rasga mais um dos seus compromissos de campanha que era o de iniciar um processo de transição para um modelo agrícola de base ecológica. 

É até provável que na próxima campanha eleitoral,  Lula retorne com suas promessas em prol da transição ecológica e da diminuição da dependência de agrotóxicos da agricultura brasileira. Ele fará isso não porque tenha um compromisso real com essa transição, mas porque a maioria dos brasileiros deseja. Esse desejo coletivo decorre do conhecimento já existente das consequências alarmantes da transformação do Brasil em uma zona de sacrifício ambiental onde são despejados venenos agrícolas banidos em outras partes do mundo, a começar pela Europa de estão vindo parte significativa dos produtos liberados pelo governo Lula.

O que precisa ficar claro com essa opção pelo veneno do governo Lula é que, mais do que nunca, a luta por um modelo agroecológico tem que se tornar uma das principais bandeiras de luta dos que lutam por uma sociedade mais justa no Brasil.  É que a continuidade do modelo agro-exportador, ancorado em agrotóxicos altamente tóxicos, significa adoecimento e morte para a maioria dos brasileiros. 

Aumento do nível do mar causará ‘migração catastrófica’ para fora das áreas costeiras, alertam cientistas

A elevação dos oceanos forçará milhões de pessoas a se afastarem das costas, mesmo que o aumento da temperatura global permaneça abaixo de 1,5 °C, segundo análise

uma camada de gelo derretida

A perda de gelo das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida quadruplicou desde a década de 1990. Fotografia: Bernhard Staehli/Shutterstock

Por Damian Carrington para o “The Guardian”

A elevação do nível do mar se tornará incontrolável com apenas 1,5°C de aquecimento global e levará a uma “migração interior catastrófica”, alertaram os cientistas responsáveis ​​por um novo estudo. Esse cenário pode se concretizar mesmo que o nível médio de aquecimento da última década, de 1,2°C, continue no futuro.

A perda de gelo das gigantescas camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida quadruplicou desde a década de 1990 devido à crise climática e agora é o principal fator responsável pela elevação do nível do mar.

A meta internacional de manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C já está quase fora de alcance . Mas a nova análise constatou que, mesmo que as emissões de combustíveis fósseis fossem rapidamente reduzidas para alcançá-la, o nível do mar subiria 1 cm por ano até o final do século, mais rápido do que a velocidade com que as nações conseguiriam construir defesas costeiras.

O mundo caminha para um aquecimento global de 2,5°C a 2,9°C, o que quase certamente ultrapassaria os pontos de ruptura para o colapso das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida Ocidental. O derretimento dessas camadas de gelo levaria a uma elevação “realmente terrível” de 12 metros no nível do mar.

Hoje, cerca de 230 milhões de pessoas vivem 1 metro acima do nível atual do mar, e 1 bilhão vive 10 metros acima do nível do mar. Mesmo uma elevação de apenas 20 cm no nível do mar até 2050 resultaria em danos globais por inundações de pelo menos US$ 1 trilhão por ano para as 136 maiores cidades costeiras do mundo, além de enormes impactos na vida e nos meios de subsistência das pessoas.

No entanto, os cientistas enfatizaram que cada fração de grau de aquecimento global evitada pela ação climática ainda importa, porque retarda a elevação do nível do mar e dá mais tempo para se preparar, reduzindo o sofrimento humano.

A elevação do nível do mar é o maior impacto de longo prazo da crise climática, e pesquisas recentes têm demonstrado que ela está ocorrendo muito mais rápido do que o estimado anteriormente. O limite de 1,5°C era visto como uma forma de evitar as piores consequências do aquecimento global, mas novas pesquisas mostram que esse não é o caso da elevação do nível do mar.

Os pesquisadores disseram que a temperatura “limite de segurança” para camadas de gelo era difícil de estimar, mas provavelmente seria de 1°C ou menos. Uma elevação do nível do mar de pelo menos 1 a 2 metros era agora inevitável, disseram os cientistas. No Reino Unido, apenas 1 metro de elevação do nível do mar faria com que grandes partes dos Fens e Humberside ficassem abaixo do nível do mar.

“O que queremos dizer com limite seguro é aquele que permite algum nível de adaptação, em vez de migração interior catastrófica e migração forçada, e o limite seguro é de aproximadamente 1 cm por ano de elevação do nível do mar”, disse o professor Jonathan Bamber, da Universidade de Bristol, no Reino Unido. “Se chegarmos a esse ponto, qualquer tipo de adaptação se tornará extremamente desafiador, e veremos uma migração terrestre massiva em escalas nunca vistas na civilização moderna.” Países em desenvolvimento como Bangladesh se sairiam muito pior do que países ricos com experiência em conter ondas, como a Holanda, disse ele.

O professor Chris Stokes, da Universidade de Durham, principal autor do estudo, afirmou: “Estamos começando a ver alguns dos piores cenários se concretizarem quase à nossa frente. Com o aquecimento atual de 1,2°C, a elevação do nível do mar está acelerando a taxas que, se continuarem, se tornarão quase incontroláveis ​​antes do final deste século, [ou seja] durante o tempo de vida dos nossos jovens.”

A temperatura média global atingiu 1,5°C pela primeira vez em 2024. Mas a meta internacional é medida como a média de 20 anos, então não é considerada quebrada ainda.

O novo estudo, publicado na revista Communications Earth and Environment , combinou dados de estudos de períodos quentes de até 3 milhões de anos atrás; observações de derretimento de gelo e elevação do nível do mar nas últimas décadas; e modelos climáticos. Concluiu: “A perda contínua de massa das camadas de gelo representa uma ameaça existencial para as populações costeiras do mundo.”

A professora Andrea Dutton, da Universidade de Wisconsin-Madison, que fez parte da equipe do estudo, disse: “Evidências recuperadas de períodos quentes passados ​​sugerem que vários metros de elevação do nível do mar — ou mais — podem ser esperados quando a temperatura média global atingir 1,5°C ou mais.”

No final da última era glacial, há cerca de 15.000 anos, o nível do mar subia 10 vezes mais rápido do que hoje, impulsionado por reações autorreforçadas que podem ter sido desencadeadas por apenas um pequeno aumento na temperatura. A última vez que os níveis de CO2 na atmosfera foram tão altos quanto hoje, há cerca de 3 milhões de anos, a elevação do nível do mar foi de 10 a 20 metros.

Mesmo que a humanidade consiga trazer o planeta de volta à temperatura pré-industrial removendo o CO₂ da atmosfera, ainda levará centenas a milhares de anos para que as camadas de gelo se recuperem, disseram os pesquisadores. Isso significa que a terra perdida devido à elevação do nível do mar permanecerá perdida por muito tempo, talvez até que a Terra entre na próxima era glacial.

Belize mudou sua capital para o interior em 1970 após um furacão devastador, mas sua maior cidade ainda está na costa e será inundada com apenas 1 metro de elevação do nível do mar, disse Carlos Fuller, negociador climático de longa data de Belize: “Descobertas como essas apenas aumentam a necessidade de permanecer dentro do limite de 1,5°C do acordo de Paris, ou o mais próximo possível, para que possamos retornar a temperaturas mais baixas e proteger nossas cidades costeiras.”


Fonte: The Guardian

Cientistas alertam que abelhas enfrentam novas ameaças de guerras, iluminação pública e microplásticos

Relatório da Universidade de Reading diz que conflitos, incluindo a guerra na Ucrânia, estão entre as 12 ameaças mais urgentes aos polinizadores

uma abelha em uma flor vermelha

Descobriu-se que antibióticos afetam o comportamento dos polinizadores, incluindo a redução de suas visitas às flores

Por Helena Horton para o “The Guardian”

Relatório da Universidade de Reading diz que conflitos, incluindo a guerra na Ucrânia, estão entre as 12 ameaças mais urgentes aos polinizadores

Zonas de guerra, microplásticos e iluminação pública estão entre as ameaças emergentes à população de abelhas , de acordo com cientistas.

Especialistas em abelhas elaboraram uma lista das 12 ameaças mais urgentes aos polinizadores na próxima década, publicada em um relatório, Ameaças emergentes e oportunidades para a conservação de polinizadores globais, pela Universidade de Reading.

O aumento de guerras e conflitos em todo o mundo está prejudicando as abelhas, alertam os cientistas. Isso inclui a guerra na Ucrânia , que forçou os países a cultivar menos tipos de culturas, deixando os polinizadores sem alimentos diversos durante toda a temporada.

Os pesquisadores descobriram que partículas de microplástico estavam contaminando colmeias em toda a Europa. Testes em 315 colônias de abelhas revelaram a presença de materiais sintéticos, como plástico PET, na maioria das colmeias. A luz artificial de postes de iluminação pública reduziu em 62% a visitação de polinizadores noturnos às flores, e a poluição do ar afetou sua sobrevivência, reprodução e crescimento.

Antibióticos, usados ​​na agricultura, chegaram às colmeias e ao mel. Descobriu-se também que afetam o comportamento dos polinizadores, incluindo a redução de sua procura por alimento e visitas às flores. “Coquetéis” de pesticidas também desempenham um papel significativo e emergente; embora alguns pesticidas sejam agora regulamentados para serem mantidos abaixo dos limites “seguros” para abelhas e outros animais selvagens, pesquisas descobriram que eles podem interagir com outros produtos químicos e causar efeitos perigosos.

O Prof. Simon Potts, da Universidade de Reading, principal autor do relatório, afirmou: “Identificar novas ameaças e encontrar maneiras de proteger os polinizadores precocemente é fundamental para evitar novos declínios significativos. Não se trata apenas de uma questão de conservação. Os polinizadores são essenciais para nossos sistemas alimentares, resiliência climática e segurança econômica. Proteger os polinizadores significa proteger a nós mesmos.”

Os autores pediram uma série de medidas para proteger as abelhas, incluindo leis mais rígidas que limitem a poluição por antibióticos que prejudica a saúde das abelhas, a transição para veículos elétricos para reduzir a poluição do ar que afeta os polinizadores, a criação de habitats ricos em flores dentro de parques solares e o cultivo de culturas com pólen e néctar aprimorados para melhor nutrição dos polinizadores.

A coautora do relatório, Dra. Deepa Senapathi, também da Universidade de Reading, acrescentou: “Será necessário um esforço de todos para enfrentar essas ameaças. Precisamos manter, gerenciar e melhorar nossos habitats naturais para criar espaços seguros para os polinizadores. Ações individuais, como fornecer alimento e áreas de nidificação em nossos próprios quintais, podem ajudar muito. Mas mudanças políticas e ações individuais devem funcionar em conjunto para que tudo, desde jardins e fazendas a espaços públicos e paisagens mais amplas, possa se tornar habitats favoráveis ​​aos polinizadores.”


Fonte: The Guardian

Nota de repúdio à Sigma Lithium por tentar censurar a imprensa e impedir a divulgação de resultados de pesquisa

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e as Sociedades Científicas abaixo assinadas, vem a público manifestar preocupação e repúdio quanto à tentativa da empresa Sigma Lithium S.A. de impedir a divulgação das análises realizadas por pesquisadores de núcleos de pesquisa consolidados, no Brasil e no exterior, sobre os impactos ecológicos e sociais de suas atividades. A tentativa de censura foi dirigida ao portal Observatório da Mineração por meio de notificação extrajudicial tendo como objeto a “Nota técnica sobre os estudos ambientais para a ampliação do projeto Grota do Cirilo – pegmatito Xuxa Sigma Lithium S. A.” que seria divulgada por aquele veículo da imprensa independente.

A Nota Técnica dos pesquisadores reunidos no projeto acadêmico internacional LIQUIT – Local, Indigenous, Quilombola and Traditional Communities and the construction of the Lithium Valley; in Minas Gerais, Brazil: Empowering silenced voices in the energy transition – foi apresentada à Diretoria de Gestão Regional (DGR) da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) em Minas Gerais, no âmbito do processo de licenciamento ambiental do projeto de mineração, conforme previsto em legislação (DN COPAM 225/2018). No LIQUIT participam cientistas e estudantes vinculados ao Grupo de Estudos em Temas Ambientais da UFMG (GESTA/UFMG), ao Núcleo Interdisciplinar de Investigação Socioambiental da Universidade Estadual de Montes Claros-MG (NIISA/Unimontes), ao Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri – UFVJM e à London South Bank University (LSBU).

O projeto de pesquisa acadêmica visa à investigação dos impactos sociais e ambientais da exploração de lítio no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, o que implica a produção de conhecimento e a sua ampla divulgação. Neste sentido, pesquisadores e pesquisadoras analisaram os estudos de impacto ambiental apresentados pela empresa Sigma Lithium, depoimentos obtidos em duas audiências públicas sobre o projeto de mineração, documentos apresentados pelo Ministério Público de Minas Gerais, além de realização de trabalho de campo e consultas a fontes diversas. Foram identificadas inúmeras inconsistências, contradições e incoerências nos estudos de impacto ambiental apresentados pela mineradora, inclusive em relação à legislação vigente, sinalizando a necessidade de esclarecimentos no âmbito dos procedimentos formais do processo de licenciamento ambiental.

A Nota Técnica foi divulgada também ao público por meio de informações à imprensa, nas quais os coordenadores dos grupos de pesquisa, bem como cientistas colaboradores, se manifestaram. Como é habitual, a mineradora poderia ter se pronunciado sobre os pontos abordados na Nota Técnica e, se necessário, com base em argumentos técnicos, apresentado seu contraponto, inclusive nos mesmos veículos de comunicação que publicaram a Nota do LIQUIT.

No entanto, a empresa não respondeu ao Observatório de Mineração, que pretendia divulgar o material elaborado pelos pesquisadores de forma equilibrada, dando voz a todas as partes envolvidas, optando por intimidá-lo por meio de notificação extrajudicial com a ameaça de medidas legais caso a nota técnica do LIQUIT fosse divulgada. Vale destacar que o Observatório da Mineração não mantém qualquer vínculo financeiro ou de outra natureza com os grupos de pesquisa mencionados.

Vemos essas tentativas de censura e intimidação com grande preocupação. Neste sentido, expressamos nossa indignação por tais práticas eticamente inaceitáveis, cujo objetivo é silenciar trabalhos acadêmicos críticos.

Brasília, 19 de maio de 2025.

Associação Brasileira de Antropologia (ABA)

Assinam a Nota

Assoc. Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação (Compós)

Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)

Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM)

Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBENBIO)

Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ)

Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC)

Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)

Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar)

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)

Associação Brasileira de Professores de Italiano (ABPI)

Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)

Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)

Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB)

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB)

Associação Nacional de História (ANPUH)

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP)

Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ANCIB)

Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião

(Anptecre)

Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom)

Fórum de Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes

(FCHSSALLA)

Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT)

A ciência dos EUA sobreviverá ao Trump 2.0?

O presidente Donald Trump e seu governo destruíram agências científicas, encerraram programas de pesquisa e cancelaram bilhões de dólares em bolsas para universidades. Quais são os impactos a longo prazo para os Estados Unidos e o mundo?

Texto cinza sobre fundo escuro listando os títulos de diversas bolsas de pesquisa. Algumas frases são destacadas em vermelho, branco e azul, como prevenção de pandemias, saúde pública e ciclones tropicais. A palavra "cancelado" é sobreposta em grandes letras pretas.

Uma seleção de bolsas de pesquisa que foram canceladas pelo governo Trump. Fontes: Bolsas da NASA: Casey Dreier ( go.nature.com/44TVTKA ); Bolsas do NIH/NSF: Noam Ross e Scott Delaney ( go.nature.com/3GQDENL e go.nature.com/42RKBYD )

Por  Jeff Tollefson , Dan Garisto &  Heidi Ledford para a Nature

Em apenas três meses de seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, desestabilizou oito décadas de apoio governamental à ciência. Seu governo demitiu milhares de cientistas, paralisando grande parte da pesquisa do país e interrompendo muitos ensaios clínicos. Ameaçou cortar bilhões em financiamento de universidades de pesquisa americanas e cancelou mais de 1.000 bolsas em áreas como mudanças climáticas, câncer, doença de Alzheimer e prevenção do HIV.

O desmantelamento de instituições científicas e de grande parte do ecossistema de pesquisa levou um número crescente de pessoas, dentro e fora da área de pesquisa, a se perguntarem como a ciência sobreviverá a Trump. Em março, cerca de 1.900 membros das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA, que representam os principais cientistas do país, publicaram uma carta aberta, declarando: “Estamos enviando este SOS para soar um alerta claro: o empreendimento científico do país está sendo dizimado.”

Em uma pesquisa com leitores da Nature realizada em abril, 94% dos quase 1.600 entrevistados disseram estar preocupados com o futuro da ciência no país. E a mesma proporção afirmou que as políticas científicas do governo Trump terão efeitos negativos no mundo. Embora a pesquisa não tenha incluído uma amostra estatisticamente representativa, ela apresenta uma visão das preocupações de uma ampla gama de pesquisadores (veja “Efeitos Trump”).

Efeitos de Trump: Resultados de uma pesquisa da Nature na qual os leitores foram questionados sobre suas opiniões sobre as políticas científicas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump. A grande maioria expressou preocupação com os impactos na ciência dos EUA, em suas carreiras e no mundo.

Fonte: Análise de dados da pesquisa da Nature , abril de 2025

Especialistas em política científica alertam que os danos causados ​​pelo governo Trump podem atrasar os Estados Unidos por décadas. “Muitos dos impactos danosos serão extremamente difíceis de reverter e levarão muito tempo para se recuperar”, afirma John Holdren, consultor científico do ex-presidente dos EUA Barack Obama, que agora é especialista em política científica na Harvard Kennedy School, em Cambridge, Massachusetts.

Planos presidenciais

Os Estados Unidos se tornaram a principal superpotência científica após a Segunda Guerra Mundial, por meio de investimentos federais sustentados em pesquisa e desenvolvimento. Isso levou a inovações e tecnologias essenciais à vida moderna, como a internet, o mecanismo de busca do Google, o GPS e a ressonância magnética (RM). Em 2024, o governo federal investiu cerca de US$ 200 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, com cerca de metade destinada a projetos relacionados à defesa.

Antes de sua posse, Trump disse que seu governo iria “liberar avanços científicos, garantir o domínio tecnológico dos Estados Unidos e inaugurar uma Era de Ouro da Inovação Americana!” Seu Departamento de Eficiência Governamental, liderado pelo bilionário Elon Musk , justificou seus cortes generalizados de verbas e demissões em massa em agências como o NIH como esforços para erradicar o desperdício, a fraude e o abuso, embora não tenha apresentado evidências disso.

Muitas das ações do governo refletem sugestões feitas no Projeto 2025 , um projeto para uma segunda presidência de Trump desenvolvido pelo think tank conservador Heritage Foundation, em Washington, D.C. Um de seus quatro objetivos centrais é “desmantelar o estado administrativo”, que inclui milhares de funcionários de agências como o NIH, a National Science Foundation (NSF) e a Agência de Proteção Ambiental. Os autores do Projeto 2025 acusam esses funcionários federais de desperdício, corrupção e “propaganda consciente” — linguagem que o governo Trump tem usado para explicar suas ações.

Uma longa fila de funcionários do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) do lado de fora do prédio depois que o governo Trump demitiu funcionários.

Funcionários formaram fila em frente ao departamento de saúde dos EUA enquanto este começava a cortar milhares de empregos. Crédito: Kevin Lamarque/Reuters

Alguns conservadores há muito questionam o valor dos investimentos federais em pesquisa fundamental, e essas visões ganharam força entre alguns industriais de tecnologia moderna, afirma William Press, cientista da computação da Universidade do Texas em Austin. A ideia de que o setor privado pode compensar a falta de recursos ganhou força à medida que o governo Trump trabalha para reduzir os investimentos públicos em ciência. Press considera isso um experimento arriscado. “Haverá muitos atropelamentos.”

Um porta-voz do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca disse à Nature que o presidente “delineou as prioridades científicas e tecnológicas do governo para garantir que o domínio americano continue na próxima geração”.

Mas dezenas de cientistas entrevistados pela Nature desde a posse de Trump afirmam que as ações do governo estão desmantelando a ciência americana em vez de aprimorá-la. “Não é que não haja coisas que se possa fazer para melhorar o financiamento da ciência”, diz Pamela Herd, socióloga da Universidade de Michigan em Ann Arbor, que estuda políticas de saúde e burocracia. O que o governo Trump está fazendo corre o risco de matar “a galinha dos ovos de ouro” que é a ciência americana, diz Herd.

Em algumas agências, a intenção parece ser “cortar até que não consigam mais cumprir sua missão”, diz Rachel Cleetus, pesquisadora de políticas climáticas da Union of Concerned Scientists em Cambridge, Massachusetts. Ela aponta para as demissões no Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), que prejudicaram suas operações e capacidades de previsão. Se o NWS não pudesse funcionar, seria mais fácil dissolver a agência por completo, o que abriria caminho para que serviços meteorológicos privados assumissem seu lugar, diz Cleetus. “Eles querem privatizar muitos desses bens públicos essenciais.”

Mas é improvável que pesquisas fundamentais massivas e dispendiosas sejam substituídas, alertam especialistas em políticas públicas. “Ninguém tem a capacidade do governo federal”, diz Herd. “Você está produzindo pesquisas, mas também está treinando a próxima geração de cientistas. A indústria privada não pode fazer isso.”

Em particular, o governo fornece fundos cruciais para pesquisas fundamentais que visam construir conhecimento, mas não são necessariamente conduzidas com uma aplicação prática em mente (veja “Gastos em inovação”). Essas pesquisas podem levar anos ou até décadas para semeadura de uma nova tecnologia, e muitos estudos de ciência fundamental jamais chegarão a esse ponto, afirma Ufuk Akcigit, economista da Universidade de Chicago, em Illinois. Isso torna arriscado para as empresas investirem em um estágio tão inicial. Em vez disso, elas frequentemente esperam até que a aplicação de uma descoberta se torne clara para então financiar os estágios finais de desenvolvimento, afirma ele.

Gastos com inovação: gráfico de linhas mostrando o apoio do governo federal dos EUA à pesquisa fundamental de 1952 a 2022. Os gastos aumentaram substancialmente durante décadas, mas permaneceram praticamente estáveis ​​desde 2020, quando ajustados pela inflação.

Fonte: Centro Nacional de Estatísticas de Ciência e Engenharia ( https://go.nature.com/4JTAN8F )

Estripando a ciência federal

Uma das ações mais claras e imediatas que o governo Trump tomou para remodelar a ciência foi cortar a vasta rede de cientistas e especialistas que trabalham para o governo federal. Em 2020, cerca de 280.000 cientistas e engenheiros faziam parte da força de trabalho federal de 2 milhões de pessoas que agora está sendo reduzida. Nos primeiros três meses, o governo Trump cortou milhares de empregos em agências científicas como o NIH, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional e o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, embora seja difícil calcular os números exatos porque os departamentos não os divulgaram.

Por conta própria, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que inclui o NIH, o CDC e a FDA, anunciou que demitiria cerca de 10.000 funcionários. Muitos dos que foram demitidos de agências científicas são pesquisadores ou funcionários que apoiam a pesquisa. Nas discussões sobre o orçamento de 2026, o presidente e o Congresso prometeram fazer cortes ainda maiores na força de trabalho federal.

Cientistas do governo estão acostumados com oscilações orçamentárias e esforços de redução de pessoal, mas acadêmicos dizem que o grau de hostilidade e a escala dos potenciais cortes de força de trabalho tornam este momento diferente.

Pesquisadores entrevistados pela Nature afirmam que treinar uma nova geração de recrutas leva tempo, em parte devido às realidades institucionais únicas inerentes à função de cientista governamental: os pesquisadores precisam entender os procedimentos governamentais, bem como o contexto administrativo e estatutário do seu trabalho. “A destruição é tão generalizada e severa que simplesmente não será possível voltar ao que era antes”, afirma Blake Emerson, pesquisador de direito administrativo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

“O que as pessoas precisam entender sobre o longo prazo é que, quando você demite pessoas e desmantela projetos, não é possível recriar tudo isso no momento em que se tem uma nova administração”, diz Holdren. “Você perdeu o ímpeto. Perdeu o conhecimento, e reconstruí-lo pode levar anos ou décadas.”

Ataques a universidades

Universidades em todo o país estão cambaleando enquanto enfrentam uma enxurrada de medidas agressivas do governo, incluindo investigações federais, ameaças de cortes massivos de verbas, cancelamento de bolsas de pesquisa, ordens para eliminar iniciativas de diversidade e prisões de alguns estudantes e acadêmicos estrangeiros. Embora o governo não tenha divulgado informações completas sobre o encerramento de bolsas, pesquisadores já contabilizaram mais de 1.000 até agora, apenas no NIH na NSF e na NASA .

Em risco com todas essas mudanças, afirmam os pesquisadores, não está apenas uma geração de cientistas, mas o futuro da parceria de décadas entre o governo e o ensino superior, que foi concebida para promover a ciência e fomentar a inovação para o bem público. Em 2023, as universidades americanas gastaram cerca de US$ 109 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, com quase US$ 60 bilhões vindos do governo federal.

Um dos maiores testes ocorrerá nos próximos meses, quando o Congresso analisar a proposta do governo Trump para o orçamento de 2026, que certamente exigirá cortes sem precedentes nos investimentos em ciência e inovação federais. Durante o primeiro governo Trump, os republicanos se uniram aos democratas na defesa contra cortes em larga escala na ciência, mas a atual maioria republicana até agora se alinhou às políticas e prioridades de Trump.

“A ideia de que o setor privado intervirá magicamente para substituir o financiamento governamental para a ciência demonstrou ser completa e empiricamente equivocada”, afirma Robert Atkinson, economista e presidente da Information Technology and Innovation Foundation, um think tank de política científica em Washington, D.C. Atkinson afirma que o objetivo final do governo Trump parece ser uma instituição científica federal 30% a 40% menor do que a atual, “e para eles simplesmente não importa quais sejam os efeitos disso sobre a ciência, a inovação, a competitividade e o crescimento econômico”.

Ainda não está claro qual será o tamanho do orçamento federal para ciência em 2026, mas as universidades de pesquisa também podem sofrer bastante em outras frentes, afirma Tobin Smith, vice-presidente de política científica e assuntos globais da Associação de Universidades Americanas (AAU), que representa dezenas das principais instituições de ensino superior do país e tem sede em Washington, D.C. Smith aponta para uma série de mudanças propostas no financiamento que reduziriam substancialmente a capacidade das universidades de realizar pesquisas, como reduções nos custos indiretos cobertos pelo governo para que as universidades possam implementar bolsas federais concedidas a pesquisadores acadêmicos.

Ao mesmo tempo, diz Smith, o governo Trump adotou a visão de que o financiamento federal para universidades é um privilégio que deve ser estendido somente se as instituições aderirem a certas demandas políticas. Ele cancelou ou suspendeu bilhões de dólares em bolsas e contratos para universidades, incluindo Harvard, Columbia , Princeton, Cornell, a Universidade da Pensilvânia e outras, devido a questões políticas, como protestos estudantis e atletas transgêneros. Pelo menos uma instituição agora reagiu: os líderes da Universidade de Harvard anunciaram em 14 de abril que não atenderiam às demandas do governo Trump, que horas depois disse que congelaria US$ 2,2 bilhões em bolsas para Harvard. A universidade está atualmente processando o governo Trump.

Tudo isso representa uma ameaça sem precedentes às universidades e seus resultados financeiros, afirmam muitos líderes de pesquisa. “A retirada de financiamento para pesquisa por motivos alheios à pesquisa estabelece um precedente perigoso e contraproducente”, afirmou o conselho da AAU em um comunicado no final de março.


Fonte: Nature

Exposição química por ingestão de alimentos ultraprocessados ​​pode contribuir para problemas graves de saúde, mostra estudo

peter-secan-kKXBw9Exn30-unsplash

Por Shannon Kelleher para o “The New Lede” 

Produtos químicos sintéticos tóxicos que migram para alimentos ultraprocessados ​​a partir de embalagens, equipamentos de processamento e outras fontes podem explicar por que esses alimentos são tão ruins para nossa saúde, de acordo com um novo artigo de revisão.

Além do baixo valor nutricional dos alimentos, esses produtos químicos representam uma explicação “pouco apreciada e pouco estudada” para a ligação entre alimentos ultraprocessados ​​e problemas de saúde como obesidade e outras doenças crônicas, concluem os autores no artigo, publicado na última sexta-feira no periódico Nature Medicine .

“Quanto mais (ultra)processado for um alimento, maior será, em geral, sua carga de produtos químicos sintéticos”, escreveram os autores.

Alimentos ultraprocessados, como doces, cachorros-quentes e sopas prontas, são produzidos industrialmente e contêm muitos ingredientes adicionados que não são encontrados em cozinhas domésticas, como estabilizantes, corantes e aromatizantes. 

De acordo com o artigo, milhares de substâncias nocivas, incluindo bisfenóis (como o BPA), ftalatos, microplásticos (pequenas partículas de plástico) e substâncias perfluoroalquílicas e polifluoroalquílicas (PFAS), podem contaminar alimentos produzidos industrialmente durante a produção, bem como a partir dos recipientes onde os alimentos são armazenados e durante o aquecimento antes do consumo. Pesquisas emergentes sugerem que até mesmo o “uso normal e pretendido” de materiais plásticos que entram em contato com os alimentos ao longo de sua jornada até nossos pratos pode contaminar esses produtos, escreveram os autores.

Pesquisas mostram cada vez mais que alguns dos mesmos produtos químicos sintéticos encontrados em alimentos ultraprocessados, bem como na água potável e outras fontes, são predominantes em nossos corpos. Cerca de 98% da população dos EUA tem PFAS no sangue , enquanto microplásticos e partículas plásticas ainda menores (nanoplásticos) se acumulam em “praticamente todas as partes do seu corpo… nenhum órgão é poupado, na verdade”, disse o Dr. Sanjay Rajagopalan, diretor do Instituto de Pesquisa Cardiovascular da Case Western Reserve University, durante um webinar em 15 de maio organizado pelo grupo Beyond Plastics. Partículas plásticas foram encontradas em tudo, desde a placenta até o cérebro , pulmões e coração, disse ele.  

Em um estudo de 2024 , Rajagopalan e colegas descobriram uma ligação entre microplásticos nas artérias e riscos de ataques cardíacos e derrames.

“As partículas pareciam bem desagradáveis”, disse ele. “Eram partículas irregulares com bordas afiadas, muito semelhantes ao colesterol.”

Estudos estimam que o custo econômico de doenças atribuídas à exposição a produtos químicos relacionados ao plástico nos EUA foi de cerca de US$ 249 bilhões em 2018. Os custos estimados com saúde naquele ano relacionados apenas ao ácido perfluorooctanoico (PFOA), um tipo de PFAS classificado como cancerígeno por um grupo internacional de pesquisa do câncer, foram de pelo menos US$ 5,5 bilhões.

“Deficiências na avaliação, gestão e fiscalização de riscos químicos” são uma das razões para a prevalência de doenças crônicas relacionadas à exposição a produtos químicos sintéticos, escreveram os autores da nova revisão.

Embora possa haver até 100.000 produtos químicos sintéticos que podem migrar para os alimentos a partir de embalagens, recipientes de armazenamento e equipamentos de processamento, a maioria dessas substâncias permanece desconhecida, de acordo com a revisão.

Estudos para avaliar a segurança dos produtos químicos conhecidos pelos cientistas geralmente envolvem experimentos com animais que testam a exposição a altas doses. No entanto, a exposição a doses muito baixas de algumas substâncias que contaminam alimentos, como desreguladores endócrinos, como BPA e ftalatos, pode levar à obesidade e ao diabetes. E embora os produtos químicos sejam geralmente estudados individualmente para avaliar sua segurança, no mundo real as pessoas são expostas a misturas de produtos químicos, que podem ter diferentes efeitos na saúde.

“As abordagens atuais para testar materiais em contato com alimentos estão desatualizadas e precisam ser atualizadas urgentemente”, disse Jane Muncke, diretora administrativa e diretora científica do Food Packaging Forum em Zurique, Suíça, uma das autoras do artigo de revisão.

 “Reduções na quantidade e nos tipos de aditivos alimentares diretos são necessárias, assim como a forma como os produtos químicos e materiais de contato com alimentos são regulamentados”, acrescentou. “Uma revisão pós-comercialização dos produtos químicos de contato com alimentos, com foco na remoção das substâncias mais perigosas conhecidas por causar danos à saúde humana… é um bom primeiro passo.”

(Imagem em destaque de Peter Secan no Unsplash .)


Fonte: The New Lede

Cláudio Castro promove reedição milionária da”Farra dos Guadarnapos” em Nova York e ganha placa de lembrança

C'est fini': Da 'farra dos guardanapos', só um fora - Jornal O Globo

A Farra dos Guardanapos  que aconteceu em setembro de 2009 marcou o início do fim de Sérgio Cabral

O início da queda do ex- (des) governador Sérgio Cabral foi a realização da chamada “Farra dos  Guardanapos” em Paris. A revelação daquela farra nababesca na qual Cabral e seus amigos escancararam o seu desprezo pela coisa pública deu início a uma série de acontecimentos que resultaram na desgraça política, não apenas de Sérgio Cabral, mas também do seu sucesso, Luiz Fernando Pezão.

Em uma demonstração de que a história acontece primeiro como tragédia e se repete como farsa, 15 anos depois da versão original da Farra dos Guardanapos, o governador Cláudio Castro usou R$ 1.800.000,00 para co-financiar um evento obscuro chamado “Dialogos Esfera- New York”, realizado na última segunda-feira (12/05), e  que contou com a presença de vários governadores de direita, além do próprio governador fluminense (ver imagem abaixo).

Há que se notar ainda que Cláudio Castro foi um dos homenageados do evento, com direito a placa comemorativa e tudo mais (ver imagem abaixo). Também depois de arcar com parte dos gastos da festança, nada mais justo do que um placa.

Em Nova Iorque, governador Helder Barbalho é homenageado pelo Grupo Esfera  por sua gestão e defesa do meio ambiente | Agência Pará

O interessante é que o “evento” ocorreu no luxuoso restaurante Fasano na cidade de Nova York, estabelecimento em que só a nata da sociedade pode comparecer para sorver bebidas e ingerir canapés. No entanto, Castro não precisou se preocupar com isso, pois a sua participação foi bancada com recursos do tesouro estadual do Rio de Janeiro (ver imagens abaixo).

Enquanto isso, os servidores públicos estaduais continuam com seus salários congelados e sendo corroídos pela inflação. E quando se tenta abrir negociações com o governador Cláudio Castro, a resposta rápida é que mesmo a reposição das perdas é vedada pelo regime de recuperação fiscal. Como se vê, por esse caso que mais parece um repetição farsesca da Farra dos Guadarnapos, a aplicação das restrições do regime de recuperação fiscal é seletiva, muito seletiva.