1ªs Jornadas Internacionais da Escola de Mestrado e Doutoramento da REDE “GLOPORTOS”

The International Network of Atlantic Seaports and Global Interactions (GLOPORTS), rede de investigação internacional, organiza a 1ª Jornada Internacional da sua Escola de Mestrado e Doutoramento, destinada a estudantes de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento, cujo trabalho académico se desenvolva no âmbito dos estudos portuários atlânticos na longa diacronia e das suas interações globais. Aceitamos propostas de comunicação sobre investigação em curso focada nos seguintes eixos temáticos com especial interesse sobre a dimensão histórica:

  1. Efeitos na longa duração da circulação marítima e das trocas através dos espaços portuários: pessoas, bens, tecnologia, conhecimentos, culturas, escravatura, sistemas ambientais, religiões e ideias.
  2. Impacto da geopolítica nas dinâmicas portuárias: efeitos das dinâmicas de longa duração e impacto nas estruturas sociais e económicas. Globalização, mundialização, colonização, descolonização, revoluções, política de blocos, multilateralismo ou recomposição da hierarquia das grandes potências políticas e económicas.
  3. Dinâmicas portuárias e o ambiente. Influência ou impacto das infraestruturas e das atividades portuária no ambiente, bem como na relação porto-cidade.
  4. O papel da agência e as relações sociais nos portos. Este eixo centra-se nas relações sociais de produção nos ambientes portuários, analisando a relação entre a propriedade e o capital e a força de trabalho. Os estudos de género são de particular interesse neste domínio.
  5. Estudo sobre o património marítimo-portuário, gestão do património em espaços aquáticos e da interface, bem como em ambientes portuários urbanos, tendo em conta a dimensão material, monumental e universal, imaterial, viva e comunitária.

A Escola de Mestrado e Doutoramento da REDE GLOPORTOSvisa incentivar e apoiar o processo de elaboração e defesa de teses de mestrado, teses de doutoramento e investigações de pós-doutoramento, a fim de se dar a conhecer e discutir trabalhos em curso sobre estudos portuárias, bem como promover o intercâmbio com especialistas e entre estudantes. Ao mesmo tempo, estes colóquios visam reforçar os percursos académicos individuais em torno de temas afins e consolidar o intercâmbio e o trabalho coletivo neste domínio.

Estas Jornadas destinam-se a estudantes de mestrado, doutoramento e investigadores em pós-doutoramento de diferentes universidades e instituições científicas que trabalhem a história dos portos atlânticos na longa diacronia e as suas interações globais. A sessão terá início com uma conferência de abertura sobre o estado atual dos estudos portuários e novas perspetivas sobre esta área de investigação. Devido ao volume e à natureza das apresentações, a conferência desenvolver-se-á em torno de vários eixos temáticos e em sessões virtuais consecutivas.

Os interessados em participar devem enviar as suas propostas para: atlanticglobalseaports@gmail.com

A participação pode ser creditada em 8 horas letivas de acordo com os critérios de cada universidade.

Serão emitidos certificados a todos os participantes

Calendário

O prazo para a apresentação de propostas de comunicação: terça-feira, 13 de maio de 2025.

A aceitação final será comunicada até terça-feira, 20 de maio de 2025.

A conferência realizar-se-á virtualmente na sexta-feira, 13 de junho de 2025.

Regras de apresentação de propostas de comunicação 

As propostas podem ser apresentadas em qualquer uma das línguas oficiais da REDE GLOPORTS: inglês, espanhol, português e francês. Além disso, devem conter as seguintes informações:

– Título

– Nome completo

– Afiliação institucional

– E-mail

– Breve CV (máx. 50 palavras)

– Resumo (máx. 200 palavras) 

– Seleção do eixo temático da proposta de comunicação de 1 a 5.

Cada apresentação terá uma duração máxima de 15 minutos para permitir o intercâmbio e a discussão.

As apresentações podem ser efetuadas em qualquer uma das línguas oficiais da rede.

O power point deve estar em inglês.

Comitê Organizador e Científico

Daniel Castillo Hidalgo (Universidade de Las Palmas de Gran Canaria)

Gustavo Chalier (Universidade Nacional del Sur)

Miguel Ángel De Marco (CONICET)

Catarina García (FCSH-Universidade NOVA de Lisboa)

Cezar Honorato (Universidade Federal Fluminense)

Michael Limberger (Universidade de Gante)

Jesús Ángel Solórzano Telechea (Universidade de Cantabria)

Estudo reforça papel do “distanciamento social” para refrear contágios de COVID-19 antes da vacina

Usando como modelo a capital de São Paulo e dados entre fevereiro e junho de 2020, pesquisadores avaliam que decreto que restringiu mobilidade teve “papel crucial” para cortar a curva de infecções no período, mas dias quentes prejudicaram prevenção. Experiência ajuda a guiar novas crises sanitárias

Comércio fechado na Rua 25 de Março durante a quarentena na capital paulista, em março de 2020. Foto: Rovena Rosa/ABr 

Por Camille Brop para o “Ciência UFPR”

Uma das cidades mais populosas do mundo com seus mais de 11 milhões de moradores, São Paulo capital teve trânsito de vila do interior em vários dias entre fevereiro e junho de 2020. Em locais de grande circulação, como a Rua 25 de Março e o Viaduto do Chá, só um ou outro pedestre se arriscava a andar pelas ruas e as aglomerações estavam proibidas. Ao longo daquele ano, a cidade teve de se adequar a uma série de decretos governamentais que restringiam a mobilidade devido à ameaça de contágio pela COVID-19.

Mesmo impopular, a redução de mobilidade no período anterior à vacina vem sendo cientificamente ligada a quedas no contágio durante a pandemia. No caso de São Paulo capital, essa conclusão está em um artigo científico publicado na revista Chaos por um grupo de quatro pesquisadores, entre eles dois professores do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

(Clique para ampliar | Baixe em pdf)

Com base na análise de um modelo matemático que reunia dados de mobilidade e meteorológicos — para entender os reflexos dos dois fatores sobre a transmissão de COVID-19 antes da vacina —, o estudo concluiu que o papel do decreto municipal de situação de emergência, de março de 2020, foi “crucial” para diminuir infecções.

Entre as medidas que restringiram a mobilidade, o Decreto Municipal 59.283/2020 inclui fechamento de museus e centros culturais, suspensão gradual das aulas, servidores públicos em teletrabalho ou férias, e impedimento de alvarás para eventos públicos.

Além da redução de mobilidade, outro fator destacado na pesquisa pela correlação com o aumento no número de contágios é os aumentos da temperatura e da pressão máximas. Condições meteorológicas estão relacionadas à mudança no comportamento das pessoas e é nisso que estão as suas consequências sobre a pandemia. Quando faz calor, é mais provável que as pessoas não obedeçam ao “fique em casa”.

“Nosso trabalho conclui, mais uma vez, pelo papel importante do distanciamento social para o enfrentamento da pandemia”, resume Marcus Werner Beims, professor na UFPR, onde lidera grupo de pesquisa sobre caos, desordem e complexidade em sistemas de física.

Ainda segundo Beims, o estudo avança ao mostrar a inter-relação entre três variáveis bastante estudadas na investigação de novos casos — mobilidade e tempo —, mas que geralmente não são associadas ao mesmo tempo.

A medida usada no estudo, a correlação de distância (distance correlation ou DC), permite detectar correlações não-lineares entre séries de tempo diferentes. Ou seja, possibilitou que os pesquisadores verificassem a correlação entre eventos que não ocorreram simultaneamente, no caso, as novas infecções, a redução de mobilidade e as mudanças no tempo, de acordo com as janelas de tempo válidas para cada variável.

A pesquisa também contribui para a prevenção de doenças infecciosas como a COVID-19 ao sugerir que a mudança no comportamento das pessoas para uma postura mais preventiva leva de oito a 17 dias para aparecer nos números de contágio.

Com esse tipo de informação sobre a cidade em mãos, a saúde pública consegue pensar melhor sobre como promover a cooperação coletiva no enfrentamento de patógenos (organismos que causam doenças) que funcionam de forma semelhante ao da COVID-19.

“Para um outro vírus que se comporte como a COVID-19, nossos resultados podem ser levado em consideração, sem dúvida. Basta adequar os parâmetros”, avalia Carlos Fábio de Oliveira Mendes, um dos autores do artigo, que é doutor em Física pela UFPR e hoje é professor na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Papel do tempo na epidemiologia da covid-19 é explicar comportamento social

A pesquisa também ajuda a fortalecer conceitos mais atuais sobre as consequências das condições meteorológicas sobre a pandemia de COVID-19. De acordo com a professora Alice Grimm, coordenadora do Laboratório de Meteorologia (Labmet) da UFPR, esse foi um dos objetos de pesquisa cuja compreensão evoluiu à medida que a ciência caminhou.

“Praticamente todos os trabalhos anteriores que procuraram relacionar características meteorológicas com a disseminação da COVID-19 adotaram a abordagem de determinar quais características favorecem a disseminação do vírus. Tal abordagem levou a muitos trabalhos com resultados discrepantes sobre quais seriam as condições meteorológicas mais favoráveis para a disseminação, porque o vírus sobrevive e se dissemina muito bem em um amplo intervalo de condições ambientais, bastante haver o suficiente contato entre as pessoas e falta de vacinação”, explica.

A abordagem que tem se mostrado mais procedente é a que investiga como o tempo altera as relações entre as pessoas e, assim, contribui ou não para a disseminação do vírus da COVID-19.

“Isso exige que os dados meteorológicos sejam também relacionados com a mobilidade humana, que influi na quantidade de contatos”.

Nesse sentido, o estudo aponta que dias de temperaturas mais altas e de pressão atmosférica elevada — essa última causa a sensação de calor “sufocante”, difícil de respirar — tiveram mobilidade maior em mercados, farmácias e locais de recreação, mesmo com as restrições do governo municipal.

Modelo da capital paulista pode ser adaptado para cidades de mesmo porte

A escolha pela cidade de São Paulo para o estudo tem a ver principalmente com a disponibilidade de dados.

A fonte dos dados meteorológicos foram as estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Mirante de Santana (na região Norte) e a Interlagos (na Sul). Já os dados de mobilidade foram coletados nos relatórios de mobilidade comunitária do Google durante a pandemia (COVID-19 Community Mobility Reports).

“Uma cidade grande e populosa também proporciona dados mais numerosos e, portanto, mais confiáveis de mobilidade humana, indicando tendências de deslocamento ao longo do tempo em diferentes categorias de locais, como varejo e lazer, mercados e farmácias, parques, estações de transporte público, locais de trabalho e áreas residenciais”, explica Alice.

Os cientistas avaliam que as principais considerações da pesquisa podem ser generalizadas para cidades com tamanho e população semelhantes às da capital paulista.

Também é outro estudo que reforça a validade do distanciamento social na prevenção de doenças altamente contagiosas e causadas por vírus que infectam por meio das vias respiratórias, caso da COVID-19. No período sem vacina, a restrição de contato atuou pela contenção.

“Na minha opinião, temos dois motivos que impedem que as pessoas se convençam disso. O primeiro é político, quando acreditam e seguem, de forma irrestrita, um governo que não acredita em ciência. O segundo é a falta de conhecimento aprofundado sobre análise de dados e estatística”, afirma Beims.

➕ Leia detalhes no artigo Temporal relation between human mobility, climate, and COVID-19 disease, publicado no periódico Chaos

Fonte: Ciência UFPR

Entre sapos e escorpiões, assim caminha a sucessão fluminense

Por Douglas Barreto da Mata

O anúncio veiculado pela página Tribuna NF é mais um movimento interessante no cenário estadual fluminense.  Os analistas, militantes, assessores, enfim, toda a fauna política que circula entre o Palácio Tiradentes e o Guanabara, sejam da capital ou do interior sempre tiveram a mesma dúvida:  qual seria o preço, e melhor, quando seria cobrado o preço da intensa e conflituosa relação do Presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (Alerj) e do Governador Cláudio Castro, que hoje é apresentada como uma relação maravilhosa, mas que, como toda relação política, já teve seus momentos de ruptura e ódio recíproco? A resposta parece ter chegado. 

O Governador, ele mesmo com opções políticas restritas às circunstâncias de fim de governo, que, educadamente, chamaremos de melancólicas, sinalizou que está disposto a puxar o pino da granada e abraçar o Presidente da Alerj, Rodrigo Bacelar.  Mesmo que consideremos que nem toda fala corresponde ao ato anunciado por ela, a questão é que a mera exposição de seu conteúdo pode estremecer tudo e todos ao redor.

Explico.  Quando afirma que não renunciará, e não permitirá ao vice que ele assuma, o chefe do executivo estadual pode querer dizer o seguinte, não nessa ordem, e nenhuma hipótese exclui a outra: Vai embaralhar o jogo todo, diminuindo as chances de negociação entre o vice-governador Thiago Pampolha e Rodrigo Bacelar, já que não haverá a cadeira para a cadeia de sucessão.

Esse movimento pode ser dirigido ao principal nome do bolsonarismo no Estado, o primeiro filho, Flávio, que seria instado a prometer a Claúdio Castro uma das vagas para o Senado, e assim “remover” o atual governador, e permitir a retomada das conversas entre Rodrigo Bacelar e Thiago Pampolha.

Atrapalhar qualquer possibilidade de Thiago Pampolha sentar na cadeira, e impedi-lo de descumprir o acordo de renunciar em favor de Rodrigo, o que tornaria Pampolha um nome de chances reais, já que, até aqui, sua candidatura (de Pampolha) não passa de um desejo pessoal do vice-governador, sem qualquer repercussão na corrida real, dada sua baixíssima densidade eleitoral, até aqui.

Sim, pode ser tudo isso, mas…Primeiro é bom dizer em alto e bom som. Com a renúncia de Castro, Bacelar pode ou não suceder Pampolha. Sem isso, nunca o fará.  Pampolha hoje depende muito menos de Castro ou de Bacekar, ou ainda, dos Bolsonaro para se movimentar.

Não, seu principal eixo de interesse parece ser aproximar-se de Eduardo Paes, seja para disputar como vice dele, e neste caso, vencer o argumento de que não preenche o perfil de “ser do interior”, que é o que o prefeito carioca precisa, seja para ser ele o cabeça de chapa, caso Paes seja vice de Lula, como jogou aos ventos o prefeito de Maricá, Washington Quaquá.  

Então, Thiago Pampolha precisa menos das ações do governador que Rodrigo Bacelar, óbvio, ainda mais com o atual estado de aprovação do Governo do Estado. Um parêntese:  note você, leitor, que há uma corrida para ser vice de Paes, e nenhuma comoção para ser vice na chapa do PL/União. Esse sintoma demonstra a dificuldade que terá o “Hub” da direita bolsonarista em atrair prefeitos e forças regionais.

Voltando à estrada principal.  Mas e se Castro tem razão, e Pampolha realmente não se inclinasse a renunciar e deixar o seu candidato (é o que diz Castro) ocupar a cadeira a tempo de reunir a máquina estadual em torno dele (Bacelar)?

Ora, dirão os que ainda acreditam que a travessia do rio pelo sapo com o escorpião de carona será concluída sem problemas, restaria a Bacelar com esmagadora maioria parlamentar, impor um processo de impedimento a Pampolha, tomando-lhe a cadeira, e ao mesmo tempo, imobilizando sua candidatura, assumindo ele o cargo a tempo de ampliar suas chances.

É aí que está o caroço nesse angú. Se Castro parece ter um temperamento mais manso, não podemos duvidar do teor de veneno que carregue em seu ferrão, sendo essa vingança a prova dessa natureza.  Impedindo a vacância de sua cadeira, mantendo-se até o fim do mandato, estaria fadado a um período de ostracismo político, é certo. Mas não permitirá que seu “candidato” Bacelar seja viável, deixando poucas opções para ele, já que Flávio Bolsonaro não parece inclinado a negociar uma das vagas na chapa ao senado.

Melhor dizendo, dada a posição de Castro na preferência e aprovação do eleitor fluminense, digamos que ele não seria o “favorito” dos Bolsonaro para concorrer ao senado, aliás, essa falta de densidade também acomete o Presidente da Alerj.  Talvez essa dupla falta de capital eleitoral seja o reconhecimento pelo eleitor fluminense de que o governador e o Presidente da Alerj sejam “uma coisa só”, imagem que eles se esforçaram em construir, mesmo que só para consumo externo.

Cláudio astro parece saber disso tudo, e joga para a “galera” um “ultimato”, já que sabe que são pequenas as chances de Flávio Bolsonaro lhe ceder o que deseja, o senado.  Assim, pode dizer a todos que se “sacrificou” para impedir a ascensão de Pampolha, que uma vez governador, e candidato de Lula e de Paes, poderia “ganhar” o apoio dos deputados da Alerj.

Pode ir além, e dizer que Pampolha conhece a casa parlamentar estadual, sabe que os deputados tendem a oscilar em fim de ciclos, como o de Castro, e que muita gente ali espera com ansiedade a chance de retaliação ao atual Presidente, pelos vários incidentes que causa com seu estilo. Novamente, e enfim, reafirmo que o deslocamento do governador para essa posição anunciada pode estar impregnado de muitas razões e objetivos.

O objetivo principal?  Executar uma ultra sofisticada retaliação a quem nunca fez questão de esconder de que era o poder de revisão no grupo, às vezes (muitas vezes) sem a menor fidalguia.  Uma coisa é certa, nenhuma das alternativas imaginadas por Cláudio Castro leva em conta o sucesso da candidatura de Rodrigo Bacelar.  Sendo assim, neste caso, até interessa pouco saber quem é o sapo, quem é o escorpião.

Crise Hídrica em Campos e Região: Descontrole no uso da água ameaça população e agricultura

Denúncia aponta abertura indiscriminada de comportas da Lagoa Feia e exploração do Aquífero do Emborê sem fiscalização ambiental eficaz

Crise hídrica ameaça a Baixada Campista | Foto: Portal VIU!.

Por Fonte Exclusiva

A Baixada Campista e os municípios de Quissamã e Carapebus, no Norte Fluminense, estão à beira de uma grave crise hídrica. O alerta vem da ativista Dra. Karoline do Drone, conhecida por suas ações contra a Concessionária Águas do Paraíba e por mobilizações junto a órgãos reguladores em Brasília.

Segundo a denúncia, a abertura descontrolada das comportas da Lagoa Feia – maior lagoa de água doce do estado do Rio de Janeiro – está provocando uma queda drástica no lençol freático, comprometendo o abastecimento humano, a produção agrícola e a biodiversidade local.

Impactos Devastadores

A crise se agrava ainda mais com a exploração excessiva do Aquífero do Emborê, uma reserva subterrânea de água utilizada pela concessionária Águas do Paraíba para abastecer diversas localidades, incluindo Ponta Grossa, Retiro, Olhos D’Água, Correnteza, Tocos, São Martinho e Farol de São Tomé.

O mesmo aquífero também é explorado pelo Porto do Açu, que capta 100% de água desse reservatório para abastecer seu complexo industrial.

VÍDEO (14/09/2024): CLIQUE AQUI E ASSISTA REPORTAGEM

Principais denúncias levantadas por ambientalistas e produtores rurais:

✔️ Morte de animais devido à escassez de água e atolamento em bebedouros secos.
✔️ Grilagem e venda irregular de terras impulsionada pelo rebaixamento da lagoa.
✔️ Risco de esgotamento do Aquífero do Emborê, explorado sem controle ambiental efetivo.
✔️ Desacreditação do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), que deveria fiscalizar, mas já foi alvo de operações policiais por corrupção em outras regiões do estado.
✔️ Canais de irrigação secando, colocando em risco a agricultura local.

Ministério Público entra na investigação

O problema chegou ao conhecimento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que enviou o Ofício nº 039/2024 ao Inea, exigindo explicações sobre a situação.

No documento assinado pelo promotor Marcelo Carvalho Melo, a instituição solicita que o órgão ambiental esclareça quais medidas estão sendo tomadas para evitar o colapso do abastecimento.

Enquanto a resposta do Inea não vem, pequenos produtores rurais, pescadores e moradores da região seguem sem respostas e com o abastecimento ameaçado.

E agora? O que pode acontecer?

Caso nada seja feito, a região pode enfrentar uma seca sem precedentes, levando ao colapso do abastecimento e impactando drasticamente a economia local, que depende da agricultura e da pesca.

A falta de controle no uso dos recursos hídricos pode levar a sanções federais e até a um bloqueio de verbas estaduais destinadas ao setor.

“A comunidade pede urgência na fiscalização e no controle do uso da água, antes que seja tarde demais”, alerta Dra Karoline.


Fonte: Portal Viu!

Aula inagural do Programa de Políticas Sociais terá discussão sobre o papel do Capitalismo no colapso climático, com Eduardo Sá Barreto

Para marcar em grande estilo o início do primeiro semestre letivo de 2025, o Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais trará ao campus Leonel Brizola da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) um dos principais intelectuais brasileiros que discute a relação entre o sistema capitalista e a crise climática em curso, o professor Eduardo Sá Barreto.

Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal Flumiense em Niterói (RJ),  e um intelectual tão inquieto quanto prolífico, Eduardo Sá Barreto é autor de várias outras obras bastante instigantes, incluindo os livros “Ecologia Marxista para pessoas sem tempo” e “O CAPITAL NA ESTUFA: para a crítica da economia das mudanças climáticas“.

A presença de Eduardo Sá Barreto na Uenf será uma excelente oportunidade para se debater a gravidade da crise/colapso climático, bem como da urgência que se desenvolvam saídas para uma crise existencial que ameaça o futuro da Humanidade.

O acesso a essa atividade que ocorrerá no dia 19 de março, a partir das 14:30, na Sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem é gratuito.

Inflação de alimentos no Brasil explicada: mudanças climáticas e hegemonia do agronegócio, juntos e misturados

Eu como milhões de brasileiros ando sentindo com desgosto a disparada nos preços dos alimentos. Mas, ao contrário de muitos, não vou culpar apenas me restringir a culpar este ou aquele governante. Prefiro olhar para questões mais amplas e alarmantes em termos da persistência e até agravamento do problema inflacionário.

Uma primeira questão inescapável é que a produção de alimentos está sentindo os efeitos dos extremos que caracterizam o novo padrão climático.  É uma combinação de muita com pouca chuva (inundação versus seca) e ondas de calor que estão mais fortes e persistentes. Com essa situação climática extrema, não há como evitar a perda de safras ou, pelo menos, a diminuição das safras.  

A questão climática é algo que se torna particularmente urgente, pois afeta a produção de comida e atinge a todos, mas mais fortemente os mais pobres. É que oferta menor em face de demanda persistente tende inevitavelmente sempre a gerar preços mais altos. 

Por outro lado, o Brasil deverá passar a sofrer oscilações para cima nos preços dos alimentos essenciais à maioria dos brasileiros porque simplesmente a área que está sendo plantada com commodities de exportação (i.e., soja, milho, cana, algodão) está engolindo áreas em que se plantava até bem pouco tempo feijão e arroz.  Os dados que mostram isso estão disponíveis para quem quiser ver.

Em outras palavras, o avanço do agronegócio de exportação vem causando uma diminuição considerável na área utilizada para o plantio de alimentos. Os barões do agronegócio brasileiro já fizeram sua opção: eles preferem plantar soja para alimentos vacas e porcos na Europa e na China do que plantar o velho e bom feijão para matar a fome dos brasileiros (por exemplo, entre 1976/77 e 2020/21, a área plantada de feijão  no Brasil diminuiu 35%, de 4,9 para 2,9 milhões de hectares).

Desde os anos 2000, o país vem perdendo área de cultivo de alimentos para a produção de commodities para exportação, sobretudo de soja. Silvio Avila/AFP

Para completar essa hegemonia do agronegócio sobre a produção agrícola brasileira, o Brasil não possui hoje os salvadores de outras épocas, os estoques reguladores. Os estoques reguladores de alimentos foram extintos pelo governo de Jair Bolsonaro, o que praticamente eliminou os estoques públicos. Com isso, o agronegócio ficou com as mãos soltas para vender tudo para o exterior, aliviando-se de pagar impostos graças à Lei Kandir.

Agora em meio às pressões oriundas do agravamento da crise climática que afeta áreas produtoras em todo o mundo, o Brasil não possui os estoques que poderiam ser lançados para baixar os preços, como fez recentemente o Japão no caso do arroz quando usou sua reserva estratégica para controlar a carestia desse item tão essencial na culinária japonesa.

O fato inescapável é que a combinação entre o agravamento da crise climática e a persistência da hegemonia do agronegócio deve manter os preços dos alimentos altos, caso não seja retomada imediatamente a política de se criar estoques reguladores.  Mas é aí que a porca torce o rabo: teráo governo Lula a disposição de enfrentar o poder político dos barões?  Entretanto, se nada for feito, já se sabe que a corrida eleitoral de 2026 será um passeio no parque para a extrema-direita, já que eleições no Brasil continuam a ser fortemente afetadas pela quantidade de comida que se pode colocar no carrinho de supermercado.

Poluição plástica deixa aves marinhas com danos cerebrais semelhantes ao Alzheimer, mostra estudo

Exames de sangue em filhotes migratórios alimentados com plástico pelos pais mostram neurodegeneração, bem como ruptura celular e deterioração do revestimento do estômago

Flesh footed Shearwater chick resting on the beach at Lord Howe Island

Pesquisadores descobriram que filhotes de cagarra-sable de aparência saudável, retratados, estão sofrendo danos cerebrais por ingestão de plástico. Fotografia: Southern Lightscapes Australia/Getty Images

A ingestão de plástico está deixando filhotes de aves marinhas com danos cerebrais “semelhantes à doença de Alzheimer”, de acordo com um novo estudo – aumentando as evidências do impacto devastador da poluição plástica na vida selvagem marinha.

Análises de filhotes de cagarra-negra, uma ave migratória que viaja entre a Ilha Lord Howe, na Austrália, e o Japão, descobriram que resíduos plásticos estão causando danos aos filhotes de aves marinhas que não são visíveis a olho nu, incluindo deterioração do revestimento do estômago, ruptura celular e neurodegeneração.

Dezenas de filhotes – que passam 90 dias em tocas antes de fazer sua primeira jornada – foram examinados por pesquisadores da Universidade da Tasmânia. Muitos foram alimentados por engano com resíduos plásticos por seus pais e acumularam altos níveis de plástico em seus estômagos.

Exames de sangue indicaram que a poluição plástica deixou os  filhotes com sérios problemas de saúde, afetando o estômago, o fígado, os rins e o cérebro, de acordo com o estudo publicado na revista Science Advances.

“A ingestão de plástico por aves marinhas não é nenhuma novidade. Sabemos disso desde a década de 1960, mas muitas pesquisas sobre plástico focam nas aves que estão realmente emaciadas: elas estão morrendo de fome, estão sendo arrastadas para as praias e não estão muito bem. Queríamos entender a condição das aves que consumiram plástico, mas parecem visivelmente saudáveis”, disse Alix de Jersey, uma estudante de doutorado da Faculdade de Medicina da Universidade da Tasmânia, que liderou o estudo.

Esta foto de dezembro de 2016, fornecida pela Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth, mostra uma pardela morta descansando sobre uma mesa ao lado de um canudo de plástico e pedaços de um balão vermelho encontrados dentro dele na Ilha North Stradbroke, na costa de Brisbane, Austrália.

Estudos anteriores mostraram que as cagarras, retratadas, são particularmente suscetíveis à poluição plástica. Fotografia: Denise Hardesty/AP

“[Em exames de sangue], encontramos padrões de proteínas muito semelhantes aos de pessoas com Alzheimer ou Parkinson. É quase equivalente a uma criança pequena com Alzheimer. Essas aves estão realmente sofrendo os impactos do plástico, especialmente na saúde neuronal do cérebro”, disse ela.

As cagarras estão entre as espécies de aves mais afetadas pela poluição plástica. Estudos anteriores encontraram mais de 400 pedaços de plástico em um único filhote de cagarra, com o plástico às vezes respondendo por 5-10% do seu peso corporal total.

Embora os filhotes consigam vomitar parte do plástico antes de migrarem, os pesquisadores disseram que a grande quantidade significava que era improvável que todos os pássaros conseguissem eliminá-lo. Os pássaros jovens que foram examinados no estudo tiveram seus estômagos lavados, o que significa que eles conseguiram começar suas migrações para o Mar do Japão sem nenhum resíduo plástico dentro.

“É quase uma sentença de morte para esses filhotes, o que é lamentável porque eles parecem realmente em forma e saudáveis. Mas sabendo a condição em que seus corpos estão antes de começarem a migração, é bem desafiador imaginar que eles conseguiriam chegar ao outro lado”, disse de Jersey.

Pesquisas anteriores descobriram que menos de 60 multinacionais são responsáveis ​​por mais da metade da poluição plástica do mundo, com seis delas sendo responsáveis ​​por um quarto disso.


Fonte: The Guardian

Estudo da Nature analisa mais de 4.000 espécies e mostra que é preciso grandes áreas de floresta para preservar diversidade

Plantação de cana-de-açúcar localizada na mata atlântica em Alagoas; estudo mostra que grandes extensões de floresta não perturbada são melhores para abrigar a biodiversidade

Florestas grandes e intocadas são melhores para abrigar a biodiversidade do que paisagens fragmentadas, de acordo com um novo estudo publicado na revista Nature.

Há consenso entre ecólogos de que a perda de habitat e a fragmentação das florestas reduzem a biodiversidade nos fragmentos remanescentes. No entanto, há debate sobre a priorização da preservação de muitas áreas pequenas e fragmentadas ou de grandes paisagens contínuas. O estudo liderado pelo ecólogo brasileiro da Thiago Gonçalves-Souza, da Universidade de Michigan, chega a uma conclusão sobre esse debate que já dura décadas.

“Fragmentação é prejudicial. Este artigo mostra claramente que a fragmentação tem efeitos negativos sobre a biodiversidade em diferentes escalas. Isso não significa que não devamos tentar conservar pequenos fragmentos quando possível, mas precisamos tomar decisões sábias sobre conservação”, afirma Gonçalves-Souza.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Michigan, da Universidade Estadual de Michigan e mais dez universidades brasileiras, entre elas Unesp, USP, UFPB e Unicamp. Eles analisaram 4.006 espécies de vertebrados, invertebrados e plantas em 37 locais ao redor do mundo.

O objetivo foi fornecer uma síntese global comparando diferenças de biodiversidade entre paisagens contínuas e fragmentadas. Os pesquisadores descobriram que, em média, as paisagens fragmentadas tinham 13,6% menos espécies na escala do ponto de coleta (chamada pelos autores de “escala da mancha”) e 12,1% menos espécies na região (chamada de escala da paisagem).

Além disso, os resultados sugerem que espécies generalistas —aquelas capazes de sobreviver em diversos ambientes— são as que predominam nas áreas fragmentadas.

Os cientistas investigaram três tipos de diversidade nesses locais: alfa, beta e gama. A diversidade alfa se refere ao número de espécies em um fragmento específico, enquanto a diversidade beta mede a diferença na composição de espécies entre dois locais distintos. Já a diversidade gama avalia a biodiversidade de toda a paisagem.

Gonçalves-Souza usa um exemplo para ilustrar o conceito: ao dirigir por campos agrícolas no Norte do Espírito Santo, pode-se notar pequenos fragmentos de floresta entre as plantações de cana ou pastos com criação de gado. Cada fragmento pode abrigar algumas espécies de aves (diversidade alfa), mas a composição dessas espécies pode variar de um fragmento para outro (diversidade beta). Já a biodiversidade total da paisagem—seja composta por fragmentos ou por uma floresta contínua—representa a diversidade gama da região.

“O cerne do debate é que algumas pessoas argumentam que a fragmentação não é tão ruim porque, ao criar habitats isolados, geramos composições diferentes de espécies, o que pode aumentar a diversidade gama”, explica Gonçalves-Souza. “Por outro lado, argumenta-se que, em áreas contínuas e homogêneas, a composição de espécies é muito semelhante.”

No entanto, pesquisas anteriores não compararam adequadamente paisagens fragmentadas e florestas contínuas, afirmou Gonçalves-Souza. Por exemplo, alguns estudos analisaram apenas um componente da diversidade ou compararam um pequeno número de florestas contínuas com dezenas de fragmentos.

“Nossa pesquisa mostrou que, ao utilizar dados padronizados e controlar a distância entre fragmentos, a fragmentação do habitat tem efeitos negativos sobre a biodiversidade,” diz o coautor Mauricio Vancine, ecólogo e pesquisador de pós-doutorado da Unicamp. “Isso tem implicações teóricas para a Ecologia e, mais importante, reforça que a fragmentação não pode ser vista como benéfica para a conservação das espécies.”

Para corrigir essa limitação, os cientistas levaram em conta as diferenças na amostragem entre diversas paisagens. Eles descobriram que a fragmentação reduz o número de espécies em todos os grupos taxonômicos e que o aumento da diversidade beta nas paisagens fragmentadas não compensa a perda de biodiversidade na escala da paisagem.

Além da biodiversidade, Gonçalves-Souza diz que a fragmentação das paisagens também compromete sua capacidade de armazenar carbono. “Ou seja, a fragmentação não apenas reduz a biodiversidade, diminuindo a diversidade alfa e gama, mas tem implicações para a prestação de serviços ecossistêmicos como o estoque de carbono.”

O pesquisador espera que o estudo ajude a comunidade conservacionista a superar o debate sobre paisagens contínuas versus fragmentadas e focar na restauração de florestas. “Em muitos países, restam poucas florestas grandes e intactas. Portanto, nosso foco deve estar no plantio de novas florestas e na restauração de habitats cada vez mais degradados. A restauração é crucial para o futuro, mais do que debater se é melhor ter uma grande floresta ou vários fragmentos menores.”


Fonte: Agência Bori

Das cinzas de uma candidatura à Fênix?

Por Douglas Barreto da Mata

Até que se prove o contrário, a pré candidatura do Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para o Governo do Estado do Rio de Janeiro tem tantas chances de voo quanto de uma galinha.  O dogma político diz, política é nuvem. Mas há nuvens e nuvens.  Quando avistamos uma Cumulonimbus, não tem jeito, é tempestade na certa.

A dose de certeza sobre o iminente fracasso da pretensão do Presidente da Alerj em comandar o executivo estadual aumentou muito, e isso está nas entrelinhas do que ele diz, nos veículos de comunicação, ou pior, muito mais no que não é dito por ele e pelos analistas.

Ora, o deputado está em campanha desde muito tempo, e não seria errado supor que a campanha à prefeitura de Campos dos Goytacazes, de 2024, tenha sido uma plataforma de exposição da sua pré candidatura, e isso se confirma no acervo do material de propaganda, caso alguém tenha se dado ao trabalho de arquivar.

Talvez essa pré candidatura tenha se desenhado antes, quando o Presidente se elegeu para comandar o parlamento fluminense, ocasião que, dizem as línguas intra palacianas, teria acabado, de fato, o governo Cláudio Castro, tamanhos foram o esforço e energia empreendidos para cumprimento daquela missão. 

Não se sabe ao certo. Sabemos que tanto esforço, tempo e exposição não conferiram ao Presidente da Alerj uma posição confortável na disputa. É a história, estúpido!  Ela (a história) nos conta que só Sérgio Cabral conseguiu migrar de um poder para o outro, mas mesmo assim, essa transferência teve um mandato de senador no meio, ou seja, ninguém, depois da redemocratização, conseguiu sair da presidência da Alerj e virar governador.

Sérgio Cabral Filho ainda se elegeu a bordo do apoio (que depois traiu) de um governo estadual popular e bem avaliado, o de Rosinha (Anthony) Garotinho, eles mesmos legatários de outra façanha: Na era pós-fusão Guanabara e Estado do Rio, nenhuma cidade do interior elegeu governador, salvo Campos dos Goytacazes, que elegeu não só um, mas  um casal de governadores.

É essa memória (recall, para os especialistas) que dá ao filho do casal, e atual prefeito da cidade campista um capital político de resiliência do eleitor que, ao mesmo tempo, lembra do nome Garotinho, mas identifica no prefeito uma atualização/modernização melhorada da marca.

O Prefeito Wladimir Garotinho fez a mágica de ficar com a lembrança e afastar a rejeição. Um dos obstáculos ao Presidente da Alerj repousa aí, e os resultados das eleições municipais na planície goytacá provam isso.  Até para reivindicar uma vaga de vice na chapa desse ou daquele candidato, seja Paes ou o candidato dos Bolsonaro, o Presidente da Alerj vai ter que superar um argumento crucial:  Sua pouca densidade eleitoral em casa e na região. 

Neste pleito, os principais nomes colocados, desde Paes, passando por Washington Reis, Pampolha, ou algum nome do PT, todos necessitam de inserção no interior, atributo que escapa ao Presidente.  Isso reduz as chances, por exemplo, do prefeito de Niterói, de São Gonçalo, Maricá ou Baixada, que, de um jeito ou de outro, são “quase capital”, e já repercutem, para o bem ou para o mal, os humores da política carioca. 

As análises feitas recentemente parecem muito mais com uma tentativa de reposicionamento do Presidente da Alerj para, ao mesmo tempo, reduzir os danos de uma retirada que pareça menos uma derrota, e aproveitar ao máximo o preço simbólico de sua saída, recolocando-o em uma posição relevante, na correspondência da cadeira que hoje ocupa.

TCE?  Deputado federal? Reeleição para deputado estadual?  Senado? Tudo vai depender da expectativa que o Presidente tem em relação a si, sua carreira, e, de forma mais aguda, como vai encarar seus adversários, e neste caso, seu principal rival, o Prefeito de  Campos dos Goytacazes.

Se vai repetir a honrada e respeitosa trajetória de seu pai, que é a referência política declarada dele e dos irmãos, ele pode acabar como o eterno antagonista coadjuvante da família Garotinho, que teve no casal de governadores, até aqui, o ápice de sucesso, enquanto o patriarca da família do Presidente ficou “apenas” na presidência da Câmara local. Caso contrário, se entender que seu caminho, necessariamente, pode ser paralelo ou até associado ao atual prefeito campista, seu caminho pode ser até mais longínquo e bem sucedido.

Explico:  Se as “fofocas” plantadas pelo Prefeito de Maricá têm alguma verdade embutida, e sempre têm, pode ser que a corrida eleitoral fluminense fique quase sem concorrentes.  É certo que os Bolsonaro vão apostar tudo na chapa ao senado.  Aliás, um dos poucos consensos até aqui.

Devem lançar um “poste” para governador, um franco atirador que desgaste os rivais ou rival, marque o campo da direita,vocalizando extremos políticos.  No campo de Paes, a história é outra.  Lula tem que construir um palanque viável e forte, não só que eleja o governador, mas que permita diminuir sua rejeição no Rio de Janeiro, tanto quanto em São Paulo e Minas Gerais.

Esse grande campo de centro vai incorporar todas as forças possíveis e viáveis, reeditando no estado do Rio de Janeiro algo parecido com o acordo com o centrão no Congresso e no governo.  Aliás, esse é o eixo da campanha petista, e todos sabem, a maneira preferida do Presidente Lula operar política.  Com esse viés, diminuem as chances do Presidente da Alerj e de seu padrinho governador de embarcarem nessa canoa.  Principalmente, porque Castro é outro fator adicional de rejeição para quem ele apoiar.

Governo em fim de feira, pouca capacidade de investimento, orçamento comprometido, e o desgaste natural do fim de mandatos.

Mesmo que houvesse um acordo informal que incluísse o governador e o Presidente da Alerj nesse “centrão fluminense”, as fichas dos dois no jogo estariam desvalorizadas.  No entanto, esse movimento é bem remoto, já que os compromissos de ambos com o clã Bolsonaro impõem serem os últimos a abandonar o barco dessa aliança da direita no Rio de Janeiro

Seria muita arrogância prever o futuro ou ensinar a missa ao vigário, porém, na condição de eleitor-observador eu diria que ou o Presidente da Alerj se reinventa ou vai ganhar um bilhete premiado de aposentadoria no TCE.

Microplásticos aumentam a resistência a antibióticos em E. coli, sugere estudo de laboratório

Por Shanon Kelleher para o “The New Lede” 

A mistura de pequenos pedaços de plástico com certas bactérias nocivas pode tornar as bactérias mais difíceis de combater com vários antibióticos comuns, de acordo com um novo estudo que aumenta as preocupações globais sobre a resistência aos antibióticos.

estudo , publicado terça-feira na revista Applied and Environmental Microbiology , descobriu que quando a bactéria Escherichia coli (E. coli) MG1655, uma cepa amplamente utilizada em laboratório, foi cultivada com microplásticos (partículas de plástico com menos de 5 milímetros de tamanho), a bactéria se tornou cinco vezes mais resistente a quatro antibióticos comuns do que quando foi cultivada sem as partículas de plástico.

As descobertas podem ser particularmente relevantes para entender as ligações entre gerenciamento de resíduos e doenças, sugere o estudo. As estações de tratamento de águas residuais municipais contêm microplásticos e antibióticos, tornando-as “pontos quentes” que alimentam a disseminação da resistência aos antibióticos.

“O fato de haver microplásticos ao nosso redor… é uma parte marcante dessa observação”, disse o coautor do estudo e professor da Universidade de Boston, Muhammad Zaman, em um comunicado à imprensa. “Certamente há uma preocupação de que isso possa representar um risco maior em comunidades desfavorecidas, e apenas ressalta a necessidade de mais vigilância e uma visão mais profunda das interações [microplásticas e bacterianas].”

Muitos tipos de bactérias estão se tornando resistentes a antibióticos, em grande parte devido ao uso excessivo . Mais de 2,8 milhões de infecções resistentes a esses medicamentos ocorrem somente nos EUA a cada ano, matando 35.000 pessoas anualmente, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

A resistência em E. coli é uma preocupação porque, embora a bactéria geralmente viva inofensivamente nos intestinos de humanos e animais, algumas cepas podem causar doenças graves. E há vários tipos de bactérias perigosas resistentes a antibióticos, incluindo Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), que frequentemente causa infecções em hospitais, e Clostridium difficile (C.diff), que causa diarreia.

O novo estudo vem na esteira de outro estudo publicado em janeiro na revista Environment International , no qual pesquisadores rotularam o DNA de bactérias no solo com marcadores fluorescentes para rastrear a disseminação de genes de resistência antimicrobiana , descobrindo que os microplásticos no ambiente aumentam a disseminação da resistência em até 200 vezes.

As implicações do novo estudo podem ser importantes, como parte da evidência de uma “forte ligação” entre microplásticos e resistência antimicrobiana, de acordo com Timothy Walsh , cofundador do Instituto Ineos Oxford para Pesquisa Antimicrobiana no Reino Unido e autor do estudo de janeiro.

Walsh disse que o valor das descobertas do novo estudo era limitado, pois a pesquisa foi conduzida em um laboratório, e não em um ambiente do mundo real, e se concentrou em apenas uma cepa de E. coli.

Embora os cientistas não tenham certeza de por que os microplásticos podem dar às bactérias uma vantagem contra os antibióticos, eles acreditam que as partículas funcionam bem como uma superfície para biofilme, um escudo pegajoso que as bactérias formam para se proteger, de acordo com o estudo. Com base em suas observações, os autores do novo estudo concluíram que as células bacterianas que são melhores na formação de biofilmes tendem a crescer em microplásticos, sugerindo que as partículas de plástico podem “levar a infecções recalcitrantes no ambiente e no ambiente de saúde”.

Os microplásticos são parte de uma crise global de poluição plástica, com cerca de 20 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos indo parar no meio ambiente a cada ano, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza.

No final de 2024, delegados de mais de 170 países se reuniram na Coreia do Sul após dois anos de negociações para finalizar um tratado global projetado para abordar a crise mundial de poluição plástica. No entanto, nenhum tratado foi adotado no encerramento da sessão, com planos de se reunir novamente em 2025.

Imagem em destaque por FlyD no Unsplash .)


Fonte: The New Lede