Porto do Açu: cenas nada mansas e pouco pacíficas de destruição de agricultura familiar

O vídeo abaixo mostra a destruição de plantios de jiló e maxixe em uma propriedade expropriada que foi alvo de uma postagem no dia de hoje [1] por funcionários vinculados ao Porto do Açu.

Importante notar que esses cultivos gerariam não apenas rendas pelos agricultores que até hoje não foram indenizados pela tomada de sua propriedade pelo (des) governo de Sérgio Cabral, mas também alimentos para regiões muito além de São João da Barra.

Mas nada disso parece importar para quem tem fome por terra e não por comida.


[1] https://blogdopedlowski.com/2018/08/22/porto-do-acu-e-seu-peculiar-exercicio-manso-e-pacifico-da-posse-das-terras-desapropriadas/

ASPRIM divulga primeiro ato político de 2014 em defesa dos direitos dos agricultores do Açu

devolvaApós resistir de forma heróica por quase quatro anos de forma praticamente solitária, os membros da Associação de Produtores Rurais e Imóveis (ASPRIM) dão mostra que continuam dispostos a defender a agricultura familiar no V Distrito de São João da Barra. As lições que a ASPRIM nos traz sobre como criar uma organização democrática e realmente próxima de seus membros deverá ainda render muita pesquisa acadêmica, visto a singularidade dessa organização e dos grandes desafios que teve de enfrentar, praticamente sem nenhum apoio externo.

Mas o importante neste momento é apoiar de forma ativa os esforços continuados da ASPRIM de defender centenas de famílias que tiveram seus direitos básicos violentados por uma ação truculenta do (des) governo do Rio de Janeiro e do grupo econômico liderado pelo ex-bilionário Eike Batista.

Abaixo segue a convocação da ASPRIM. Divulgar e apoiar esta atividade é uma obrigação de todos que se dizem comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa, onde a busca do desenvolvimento econômico não seja desculpa para se passar um cheque em branco para que se cometa violências absurdas contra os agricultores pobres.

ASPRIM convoca ato “POR UM AÇÚ SEM DESAPROPRIAÇÃO COM MAIS RESPEITO E PRODUÇÃO!”

Na plenária da última reunião mensal da ASPRIM, realizada no dia 02 de Fevereiro de 2014, ficou agendado um ATO PÚBLICO em forma de protesto, por todas as irregularidades ocorridas sobre as COMUINIDADES DESAPROPRIADAS, por conta dos atos irresponsáveis e desumanos do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

 No dia 21 de FEVEREIRO DE 2014 às 15:00h, ocorrerá o ato “POR UM AÇÚ SEM DESAPROPRIAÇÃO COM MAIS RESPEITO E PRODUÇÃO!”

O local do ato será ao longo da Campos  x São João da Barra.

 Contamos com o apoio dos colegas de luta, para veicular e disseminar tal encontro, que ocorrerá com todos os avisos as autoridades competentes, estes para dar suporte e segurança na decorrência do mesmo, como é do nosso cotidiano.

Quinto Distrito de São João da Barra, 04 de Fevereiro de 2014.

DIRETORIA DA ASPRIM

Mistérios de Eike Batista e a venda barata da CCX

Antes celebrado como o novo Midas e um gênio empresarial, o ex-bilionário Eike Batista parece seguir o roteiro que todo indivíduo em dificuldades financeiras tende a fazer nos momentos de aflição: vende o que tem por preços abaixo do que gostaria. Aliás, eu gostaria de ter uma cópia daquele outrora celebrado livro (aliás, alguém lembra do título?) em que Eike apresentava seu paradigma de sucesso ao mundo para ver se vender ativos em momento de crise era algo aconselhado por ele.

De toda forma, eu fico pensando naqueles “Eiketes” que no início da crise do Grupo EB(X) diziam aos quatro ventos que não iriam vender suas ações. Será que mantiveram sua palavra ou foi só blefe de puxa-saco deslumbrado?

 

O “mistério” dos US$ 325 mi que a CCX deixou de ganhar na venda de ativos Especula-se que Eike Batista tenha aceitado um valor bem abaixo do previamente acordado para acelerar uma possível OPA de fechamento de capital

Com pressa para concluir operação, Eike Batista estaria interessado em fechar capital da CCX, diz operador (Wilson Dias/Abr)

SÃO PAULO – Em crise, o Grupo X anunciou na véspera um acordo para vender ativos da empresa CCX Carvão (CCX C3 ) na Colômbia para o grupo turco Yildirim por US$ 125 milhões. A operação foi desenhada desde outubro do ano passado, mas a informação de agora veio com um fato diferente de meses atrás: a transação sairá por US$ 325 milhões a menos do que o previsto anteriormente no memorando de entendimento anunciado pela empresa (US$ 450 milhões).

No pregão da última segunda-feira (3), os papéis reagiram a esta desagradável surpresa e caíram 23,21%, a R$ 0,86, com volume financeiro de R$ 25 milhões, cinco vezes maior que a média diária das últimas 21 sessões. Sem dar maiores explicações ao mercado, a empresa de carvão de Eike Batista não comunicou o motivo do valor da venda ter caído tanto. Contudo, o mercado trabalha com a possibilidade de que a venda “barata” dos ativos tenha um objetivo de acelerar um possível fechamento de capital da companhia.

Segundo um operador que pediu para não ser identificado, o fato da CCX ter aceitado um valor menor para a venda dos ativos fez com que o negócio fosse concluído mais
rapidamente. Isso porque o controlador Eike Batista teria pressa para fechar o capital da companhia. “Eike utilizaria o dinheiro da venda dos ativos para recomprar as ações da CCX e fechar seu capital”, disse o operador ao InfoMoney .

CCX despenca 23% após vender ativos por valor 72% abaixo do previsto

O mercado especula que a possível O PA (Oferta Pública de Ações) seria feita pela própria empresa (sem alteração no controle) e sairia por cerca de R$ 285 milhões, descontada uma dívida total de aproximadamente R$ 15 milhões, comentou. Ou seja, a oferta poderia ficar entre R$ 1,65 a R$ 1,67 por ação, contra R$ 0,86 registrados no fechamento da véspera, o que daria um prêmio de 94,19% considerando a faixa superior. Entretanto, de acordo com uma outra fonte do mercado, somente o detalhamento do acordo justificando o racional traria calma ao mercado e ao papel, que sofreu bastante na bolsa.

Considerando a alta do dólar em relação ao real e a estabilidade do preço do carvão no mercado, esse “deal” era para ter melhorado ao longo do tempo, mesmo com algum eventual desconto, e não ter caído a esse preço, explicou. O acordo, no entanto, ainda precisa ser aprovado pelos sócios das empresas e a CCX diz que vai convocar uma assembleia geral extraordinária para submeter o negócio aos acionistas.

Essa possibilidade de OPA pela própria empresa foi levantada depois de terem sido descartados rumores de que o grupo turco faria a oferta pela CCX, comentou o mesmo operador. Uma das hipóteses apontadas pelo mercado era de que a OPA seria feita pela Yildirim, o que caracterizaria uma mudança de controle e, consequentemente, o pagamento de tag along aos acionistas, que no caso da CCX é de 100% aos detentores das ações ordinárias. Ou seja, com a venda dos ativos a um valor menor, a expectativa é que a oferta ficasse também por um preço mais baixo e, consequentemente, poderia ser desfavorável aos acionistas, um dos fatores que motivaram a forte queda dos papéis da companhia na véspera.

Procurado pelo InfoMoney, o departamento de relações com investidores da CCX não foi localizado para prestar esclarecimentos.

A “explicação” da CCX

Em comunicado, a CCX disse apenas que o valor previamente anunciado no memorando de entendimento era sujeito a due diligence operacional, financeiro, tributário e ambiental e considerava parte significativa do pagamento baseado em milestones operacionais das minas (incluindo a obtenção de licenças ambientais faltantes para Papayal, San Juan, Porto e Ferrovia). Já o valor atual considera todos os pagamentos upfront no fechamento da transação, apenas sujeito a assinatura dos contratos definitivos e a transferência dos títulos mineiros à contraparte.

FONTE: http://www.infomoney.com.br/ccx/noticia/3176282/misterio-dos-325-que-ccx-deixou-ganhar-venda-ativos

GLOBO lista todos os projeto sob risco pelo colapso financeiro de Eike Batista

Crise coloca em risco investimentos de Eike para a cidade (do Rio de Janeiro)

Projetos do empresário, que somam R$ 700 milhões, devem ser abandonados 

CÉLIA COSTA 

O Hotel Glória, uma das vitirnes de Eike, está com as obras paradas -Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo

O Hotel Glória, uma das vitirnes de Eike, está com as obras paradas – Fábio Rossi / Agência O Globo

RIO – Parceiro cobiçado pela iniciativa privada e também pelo poder público, o empresário Eike Batista fez com que seus sócios fossem da euforia à decepção em pouco mais de um ano e meio. Com o ocaso do ex-bilionário, agravado com o pedido de recuperação judicial da OGX, projetos na cidade orçados em cerca de R$ 700 milhões estão cercados de dúvidas. O empresário, que sempre declarou seu amor incondicional ao Rio, assinou convênios para importantes empreendimentos, inclusive de apoio à área da segurança, e, com a crise, se desfez deles.

Entre os projetos abandonados estão a revitalização da Marina da Glória e o novo Hotel Glória, além da ajuda financeira às UPPs. O programa de despoluição da Lagoa — parceria entre Cedae, Secretaria municipal de Meio Ambiente e EBX, que reúne todas as empresas de Eike — também foi deixado de lado. A Cedae informou que a sua parte, que incluía a utilização de um robô-espião para monitorar a rede pluvial e a construção do centro de controle operacional de elevatórias no Leblon, foi concluída. Já o convênio com a Secretaria de Meio Ambiente foi rescindido. O órgão não quis comentar o assunto e disse que apenas a EBX poderia se pronunciar sobre o caso. A empresa, por sua vez, informou que, por enquanto, não falaria sobre os projetos abandonados.

O programa das UPPs, um dos mais importantes na área da segurança do Rio, também sofreu um impacto com o ocaso de Eike. Convênios, assinados em 2010, garantiam investimentos de R$ 20 milhões por ano para as ações da Coordenadoria de Polícia Pacificadora. Em agosto deste ano, no entanto, a OGX rescindiu o convênio com a Secretaria de Segurança. Um dos efeitos imediatos foi a paralisação das obras de construção da base da UPP do Batan, em Realengo. O prédio, que ainda está no esqueleto, já começa a enfrentar problemas de deterioração.

Segundo a Secretaria de Segurança, o convênio com a OGX previa investimentos em infraestrutura e logística (sedes, bases comunitárias e equipamentos, entre outros) das UPPs. Ainda de acordo com o órgão, a obra da UPP no Batan será retomada, mas o prazo não foi informado. A secretaria e a RioUrbe estão fazendo um levantamento dos serviços que serão realizados. Em 2014, a ideia é acrescentar os projetos ao planejamento orçamentário do estado.

Considerada um dos programas mais ambiciosos de Eike, a revitalização da Marina da Glória causou polêmica desde o início. Orçado em R$ 200 milhões, o projeto previa integrar ainda mais o local ao Parque do Flamengo, além da construção de lojas e de um centro de eventos. Em junho deste ano, no entanto, o juiz federal Wagner de Almeida Pinto obrigou a empresa a desfazer o alargamento do píer e a remover a cisterna e as estacas fincadas no espelho d’água, liberando o acesso público ao mar. Na decisão, o juiz entendeu que as obras restringem o uso do espaço. De lá para cá, nada foi feito.

Iate Pink Fleet vai virar sucata

Um dos barcos que ficavam ancorados na Marina era o Pink Fleet, que custou US$ 19 milhões (R$ 42,6 milhões) e era um dos símbolos do auge do empresário, que chegou a ser citado como o sétimo homem mais rico do mundo. Para se livrar dos custos de manutenção, estimados em R$ 300 mil mensais, além de outra dívidas, Eike chegou a oferecer o iate à Marinha, que não se interessou. Sem conseguir passar adiante a luxuosa embarcação, o empresário o enviou para o Estaleiro Cassinu, em São Gonçalo, para virar sucata.

O novo Hotel Glória é outro ousado projeto do ex-bilionário. Propriedade da REX, braço imobiliário da EBX, ele agora está sendo negociado com a companhia suíça Acron. Deveria entrar em operação na Copa de 2014. No entanto, a conclusão das obras está prevista apenas para o quarto trimestre de 2015.

Outro projeto que todos temem que seja abandonado é a transformação em hotel do Edifício Hilton Santos, um prédio de 24 andares e 148 apartamentos junto ao Morro da Viúva, no Flamengo. O imóvel, que era propriedade do Clube de Regatas do Flamengo, foi arrendado pela empresa REX em janeiro de 2012. A proposta era fazer, ao custo de R$ 90 milhões, um hotel que estaria em funcionamento até as Olimpíadas de 2016. Hoje, o edifício está vazio. Nas áreas externas, o mato cresce. E nada está definido.

O vice-presidente de Patrimônio do Flamengo, Alexandre Wrobel, disse que está marcada uma reunião com a REX na próxima quarta-feira, para discutir os rumos do projeto. Segundo ele, o clube já recebeu o valor integral pela venda. Na negociação, feita ainda na gestão de Patricia Amorim, ficou acertado ainda que o Flamengo teria abatida uma dívida de aproximadamente R$ 16 milhões em impostos e o direito de utilizar 20 quartos do hotel.

Obras do Porto do Açu em dúvida

Localizada no Norte Fluminense, a cidade de São João da Barra, que tem 35 mil habitantes, vive momentos de incerteza. O secretário de Fazenda do município, Ranulfo Vidigal Ribeiro, recorda os momentos de euforia com o projeto do Superporto do Açu, anunciado em 2006 pela EBX. A decepção, segundo ele, começou em 2010, quando empresas como a siderúrgica chinesa Wisco e outras desistiram do empreendimento. A crise, no entanto, só se tornou realidade em 2011.

— A cidade se preparou para isso e fez investimentos. O porto gerou dez mil empregos. Também gerou renda em vários setores, como a construção civil e o comércio. No entanto, do segundo semestre do ano passado até agora, já perdemos aproximadamente três mil empregos, sendo 1.500 formais — explicou o secretário de Fazenda.

Em 2011, quando o trabalho no porto ainda era intenso, o município chegou a ocupar a 18ª posição no ranking de emprego e renda da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Hoje, está no 34º lugar.

O orçamento do município também foi prejudicado. Segundo Ranulfo Vidigal Ribeiro, a previsão para 2014 era de R$ 411 milhões, mas agora não deve chegar a R$ 360 milhões. De acordo com ele, o momento é de expectativa com o grupo americano EIG Global Energy Partners, que adquiriu o Porto do Açu e prevê que o empreendimento fique pronto em 2015.

— Esperamos que, a partir do primeiro trimestre de 2014, haja um reaquecimento e tenhamos de volta os empregos perdidos. A nova empresa já designou até um gerente — disse o secretário de São João da Barra.

Outras iniciativas do ex-bilionário

Lagoa Rodrigo de Freitas. A parceria do grupo EBX com a Cedae e a Secretaria municipal de Meio Ambiente para despoluir a Lagoa foi abandonada no fim do ano passado. A empresa de Eike investiu R$ 23 milhões dos R$ 30 milhões previstos.

Pink Fleet. A empresa de Eike investiu R$ 35 milhões na reforma do iate, que chegou a fazer passeios e festas pela Baía em 2008. A embarcação está num estaleiro em São Gonçalo para virar sucata.

Terra Encantada. No ano passado, uma das empresas X anunciou que havia comprado o terreno de 700 mil metros quadrados na Barra, onde o parque havia funcionado. O projeto era erguer um bairro planejado. A compra sequer foi concretizada.

Maracanã. O empresário continua com sua pequena fatia de 5% no consórcio.

RJX. O time de vôlei foi criado em 2011 com patrocínio integral do empresário, que agora tem apenas uma parcela.

Hospital Pro Criança. O empresário doou R$ 30 milhões, em 2011, para a conclusão da unidade.

Porto Vida. A REX tem uma participação no projeto do condomínio residencial na Região Portuária, com 1.333 unidades. A prefeitura informou que a obra está no prazo.

NDX Day Hospital. O projeto da unidade de saúde na Barra, que em 2006 estava orçado em R$ 55 milhões, não foi adiante. Hoje, no prédio, funcionam alguns consultórios médicos.

Beaux. A clínica de estética, de Flávia Sampaio, mulher de Eike, fechou no ano passado. O investimento, de R$ 20 milhões, com aparelhagem de ponta, dava prejuízo mensal de R$ 300 mil

FONTE: http://oglobo.globo.com/rio/crise-coloca-em-risco-investimentos-de-eike-para-cidade-10666595#ixzz2jV7rIiIr