Fraude não é mais um caso isolado, está se tornando uma indústria global, e já ameaça a ciência legítima

Um estudo da PNAS alerta para redes que produzem pesquisas falsas em larga escala. Essas estruturas operam com financiamento, logística e conexões para se infiltrar em periódicos legítimos, colocando em risco a integridade do conhecimento. O relatório identifica mais de 32.000 artigos suspeitos e um sistema editorial incapaz de detê-los

Stamp out paper mills' — science sleuths on how to fight fake research

( InfoCatólica ) A publicação de pesquisas fraudulentas em escala industrial tornou-se uma ameaça sistêmica à ciência. Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) alerta que redes coordenadas – as chamadas fábricas de papel, intermediários e periódicos comprometidos – estão “fabricando o processo científico”, desde a autoria de manuscritos até a compra de citações. A disseminação desses trabalhos excede a capacidade dos editores de detectá-los e corrigi-los, de acordo com as conclusões da equipe da Universidade Northwestern. 

Os autores documentam que o volume de artigos falsos quase dobrou a cada 1,5 ano entre 2016 e 2020, e que agora existe um banco de dados com mais de 32.700 estudos suspeitos. “A ciência precisa se proteger melhor para preservar sua integridade”, alertou o grupo, comparando o atual esforço de retratação a “esvaziar uma banheira transbordando com uma colher”. Grandes editoras anunciaram milhares de retratações e o fechamento de periódicos após detectarem infiltrações em processos editoriais.

 ( A ) Retratações são cada vez mais publicadas em lotes. O pico de ∼2010 no número de retratações de grandes lotes é quase inteiramente atribuível a uma grande faixa de artigos de anais de conferências retratados pelo IEEE. Pela primeira vez desde esse pico, a maioria das retratações de 2023 foi relatada em lotes maiores que 10 artigos. ( B ) Atividade científica global anual medida por itens rotulados como “artigo de periódico” ou “artigo de anais de conferência” no OpenAlex, como artigos retratados relatados pelo Retraction Watch, como artigos comentados pelo PubPeer e como produtos suspeitos de fábricas de papel. Usamos as tendências lineares observáveis no gráfico log-linear para extrapolar essas observações para o período de 2020 a 2030. O número de produtos suspeitos de fábricas de papel mostra a maior taxa de crescimento, com um tempo de duplicação de 1,5 ano. ( C ) Atividade científica global anual capturada pelo WoS, medida pelo número de periódicos publicando ativamente, o número de periódicos desindexados anualmente pelo WoS, o número de periódicos com retratações, o número de periódicos com comentários no PubPeer e o número de periódicos com produtos suspeitos de fábricas de papel. 

As implicações vão além do mundo acadêmico. A avalanche de artigos de baixa qualidade ou fabricados ameaça alimentar sistemas de inteligência artificial e diretrizes clínicas com evidências falhas, com impacto social e econômico. A imprensa especializada e geral — da Nature ao The Wall Street Journal — também reflete padrões de risco: um pequeno grupo de editores é responsável por uma parcela desproporcional de artigos que são posteriormente retratados.

O fenômeno não é novo, mas se profissionalizou. Relatórios anteriores descreveram empresas “semelhantes a cartéis” que vendem autoria, manipulam imagens e exploram edições especiais com menor controle de qualidade. Autoridades editoriais implantaram sistemas automatizados de triagem e listas de periódicos sequestrados, mas a adaptabilidade das redes fraudulentas mantém sua vantagem.

No curto prazo, a comunidade científica discute o fortalecimento da verificação pré-autor, a transparência nos processos de revisão e as sanções para editores e autores envolvidos. Especialistas defendem a cooperação entre editoras, financiadores e universidades, bem como auditorias tecnológicas da literatura já publicada para evitar a perpetuação de erros.


Fonte: InfoCatolica

Bayer demite 12 mil funcionários em meio a crise com Glifosato

Empresa alemã enfrenta litígios bilionários nos Estados Unidos, queda drástica no valor de mercado e amplia cortes em sua força de trabalho como parte de um plano global de reestruturação anunciado junto ao balanço do segundo trimestre

Novo CEO da Bayer anuncia corte nas posições de gerência para tentar  recuperar empresa

Bayer anuncia demissão de 12 mil funcionários em meio a crise jurídica bilionária nos EUA envolvendo o herbicida Roundup.

Por Alisson Ficher para “Clickpetroleoegas”

A Bayer anunciou na última quarta-feira (06) a demissão de 12 mil funcionários em tempo integral como parte de um amplo plano de reestruturação global.

A medida, confirmada pela agência Reuters, ocorre em meio à pressão financeira e jurídica gerada pelos processos contra o herbicida Roundup, adquirido junto com a Monsanto em 2018 por US$ 63 bilhões.

A aquisição, que visava ampliar a liderança no mercado agroquímico, resultou em um passivo bilionário e na perda de cerca de 80% do valor de mercado da companhia.

A multinacional alemã enfrenta atualmente mais de 67 mil ações judiciais nos Estados Unidos que associam o glifosato, ingrediente ativo do Roundup, a supostos riscos de câncer.

Tribunais norte-americanos têm condenado a empresa a indenizações milionárias e questionado a segurança do produto, apesar de pareceres favoráveis da Agência de Proteção Ambiental (EPA).

Cortes e reorganização administrativa

Segundo a Bayer, os cortes atingem principalmente cargos administrativos e de gestão.

O objetivo é acelerar decisões internas e reduzir custos fixos, estratégia considerada fundamental diante da concorrência de genéricos asiáticos e da queda nos preços do glifosato.

Desde o início do programa de reestruturação, em 2024, cerca de 7 mil postos já haviam sido eliminados.

Ao final de junho de 2025, a empresa contava com aproximadamente 90 mil empregados no mundo.

A companhia ressalta que a reorganização também busca simplificar sua estrutura gerencial, encurtando a cadeia de comando para reagir com mais rapidez às mudanças do mercado e ao andamento dos processos judiciais.

Provisões bilionárias e prejuízos acumulados

O impacto das ações judiciais já custou à Bayer mais de US$ 10 bilhões em indenizações.

Recentemente, a empresa reservou US$ 1,37 bilhão adicionais (cerca de € 1,2 bilhão) para cobrir novas demandas, elevando o montante total destinado a essas provisões para US$ 7,4 bilhões.

Em 2024, a Bayer registrou prejuízo líquido de € 2,55 bilhões.

O desempenho negativo, aliado à deterioração da confiança de investidores, aumentou a pressão sobre o CEO Bill Anderson e sua equipe de gestão.

Estratégias para conter a crise

A companhia avalia duas alternativas para tentar encerrar ou reduzir a enxurrada de processos.

Uma delas é negociar um novo acordo coletivo nos Estados Unidos, com atenção especial aos casos pendentes no estado do Missouri, onde fica a sede da Monsanto.

A outra opção em análise é recorrer ao Chapter 11, mecanismo equivalente à recuperação judicial norte-americana, mas restrito à subsidiária Monsanto.

Essa medida permitiria concentrar as ações em uma única jurisdição e suspender temporariamente novos julgamentos.

Estratégia semelhante foi tentada sem sucesso por empresas como Johnson & Johnson e 3M.

Condenações recentes e riscos futuros

Em janeiro de 2024, um júri da Pensilvânia determinou que a Bayer pagasse US$ 2,25 bilhões a um cliente que alegou ter desenvolvido câncer devido ao uso do Roundup.

O caso reforçou o temor de novas condenações bilionárias e aprofundou a incerteza sobre o futuro da empresa.

O glifosato é amplamente utilizado em lavouras de soja, milho e algodão.

A Bayer defende sua segurança e afirma que pesquisas científicas e avaliações regulatórias comprovam que o herbicida não oferece riscos à saúde humana quando usado corretamente.

Expectativa por decisão da Suprema Corte

Nos próximos meses, a Suprema Corte dos EUA deve decidir se aceitará um novo recurso relacionado ao glifosato.

Paralelamente, a Bayer intensifica sua atuação junto ao Congresso americano para tentar aprovar leis que limitem sua responsabilidade em ações futuras.

Rodrigo Santos, presidente global da divisão agrícola, declarou que a meta é resolver ou estabilizar os litígios em até 18 meses, evitando que o passivo jurídico comprometa a viabilidade do grupo.

O caso Bayer-Monsanto expõe um dilema que vai além do setor agroquímico: até que ponto uma aquisição bilionária pode se transformar em um passivo estratégico irreversível?


Fonte: Clickpetroleoegas

Cartórios do RJ registram 228 mudanças de nome com base na nova lei federal

Após três anos da nova legislação, média é de 76 alterações por ano no estado; na Região dos Lagos, Cabo Frio e Araruama tiveram 2 alterações cada e São Pedro da Aldeia apresentou um registro

Cresce em cartórios a troca de nomes após lei aprovada – Coluna Esplanada

Mais de 200 pessoas no estado do Rio optaram por mudar seu nome diretamente em Cartório de Registro Civil, sem a necessidade de processo judicial. Os dados divulgados pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) apontam um total de 228 alterações de prenome realizadas no período em todo o estado, o que corresponde a uma média de 76mudanças por ano.

A novidade, introduzida pela Lei Federal nº 14.382/22, em julho de 2022, trouxe uma mudança significativa no ordenamento jurídico brasileiro ao permitir que qualquer cidadão maior de 18 anos possa alterar seu nome sem apresentar justificativa ou ingressar com ação na Justiça. Basta comparecer a um Cartório de Registro Civil com os documentos pessoais (RG e CPF), respeitando os critérios legais previstos.

“O número de mudanças de nome mostra que as pessoas têm usado essa nova possibilidade com responsabilidade e consciência, enxergando nos Cartórios uma forma segura, acessível e simples de garantir seu direito à identidade”, afirma Celso Belmiropresidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Rio de Janeiro (Anoreg/RJ). “É uma das medidas mais simbólicas da desjudicialização promovida pelos Cartórios de Registro Civil, que vêm tornando os serviços públicos mais próximos do dia a dia e das necessidades reais da população”, completa.

Entre os municípios fluminenses que mais registraram alterações de nome desde 2022 estão Rio de Janeiro (68), São João de Mariti (25), Resende (15), Petrópolis (12) e Duque de Caxias (12). Na outra ponta, os municípios com menor número de alterações foram São Pedro da Aldeia, Porto Real e Campos de Goytacazes — contabilizando um registro cada. Na Região dos Lagos, Cabo Frio e Araruama tiveram 2 alterações cada e São Pedro da Aldeia apresentou um registro.

Novas regras

A Lei Federal nº 14.382/22 trouxe novas regras que facilitaram as mudanças de sobrenomes, abrindo-se a possibilidade de inclusão de sobrenomes familiares a qualquer tempo, bastando a comprovação do vínculo, assim como a inclusão ou exclusão de sobrenome em razão do casamento ou do divórcio. Da mesma forma, filhos podem acrescentar sobrenomes em virtude da alteração do sobrenome dos pais.

O procedimento é regulamentado nacionalmente, com valores tabelados por lei em cada um dos Estados e, após a mudança, o Cartório comunica automaticamente a alteração aos principais órgãos emissores (como CPF, RG, passaporte e Justiça Eleitoral).

Para realizar o ato diretamente em Cartório de Registro Civil é necessário que o interessado, maior de 18 anos, compareça a unidade com seus documentos pessoais (RG e CPF). Caso a pessoa queira voltar atrás na mudança, deverá entrar com uma ação em juízo.

Nome do recém-nascido

A lei também inovou ao permitir a mudança de nome de recém-nascido em até 15 dias após o registro, no caso de não ter havido consenso entre os pais sobre como a criança vai se chamar. Esta inovação, que também poderá ser realizada diretamente em Cartório de Registro Civil no possibilita a correção de muitos casos em que a mãe está impossibilitada de comparecer ao cartório em razão do parto e o pai ou declarante registra a criança com um nome diferente do combinado.

Para realizar a alteração do nome e do sobrenome do recém-nascido é necessário que os pais estejam em consenso, apresentem a certidão de nascimento do bebê e os documentos pessoais (CPF e RG). Se não houver consenso entre os pais, o caso deverá ser encaminhado pelo Cartório ao juiz competente para a decisão.

 Sobre a ANOREG/RJ:

Fundada em 1996, a Associação de Notários e Registradores do Estado do Rio de Janeiro é uma entidade de classe reconhecida pelos poderes constituídos como legítima representante dos titulares dos serviços notariais e de registro no Estado do Rio de Janeiro, atuando em todas as instâncias e Tribunais. Com sede na capital fluminense, a ANOREG/RJ mantém atuação articulada com outras entidades do segmento, especialmente com os Institutos Membros e Associações representativos das especialidades, promovendo a integração e o fortalecimento da atividade extrajudicial. Sua estrutura é regida pelo Código Civil brasileiro, pelas legislações pertinentes e por seu Estatuto próprio.

A (nada) Santa Aliança em prol do PL do Semiárido é de fazer o Ururau desconfiar

A mídia corporativa local está propalanda a formação de um amplo arco de alianças que se organiza para derrubar o veto presidencial ao chamado PL do Semiárido.  Desde o governador Cláudio Castro, passando por deputados e prefeitos, e incluindo ainda entidades de classe. 

Falando em específico dos prefeitos, se eles se mobilizassem para reconstituir a vegetação da Mata Atlântica e criassem programas para recuperar as matas ciliares, talvez não se tivesse que ficar querendo derrubar vetos presidenciais.

No caso específico de Campos dos Goytacazes, continuo dizendo que é extremamente contraditório propalar que chegamos a uma condição de semiárido e, ao mesmo, se aposte de forma entusiasmada na implantação de grandes áreas de monocultura que são exportadoras de água.

Pelo jeito, toda essa preocupação com a condição climática do Norte/Noroeste Fluminense não passa de uma imensa cortina de fumaça para apropriação de mais recursos públicos para atividades que, para começo de conversa, estão na raiz da escassez hídrica que nos acossa cada vez mais.

Moda descartável – menos é muito mais

Roupas usadas ficam em um aterro sanitário no deserto do Atacama, na América do Sul, onde também acabam roupas usadas da Europa.Foto: dpa/Antonio Cossio

Por Kurt Stenger para o “Neues Deutschland”

É um mercado gigantesco: a receita global da indústria têxtil este ano totalizou US$ 1.676.257.457.732,79. Isso representa quase US$ 1,7 trilhão. Ao mesmo tempo, uma montanha gigantesca e crescente de resíduos é gerada ano após ano, como aponta um estudo do Boston Consulting Group. Considerando as centenas de bilhões de dólares em valor material contidos nele, a consultoria naturalmente considera isso um desperdício e defende o desenvolvimento de uma economia circular na indústria têxtil. Não por acaso, isso lembra os debates atualmente em andamento nas negociações para um acordo da ONU sobre plásticos. As roupas frequentemente contêm todos os tipos de fibras sintéticas que liberam microplásticos e dificultam a reciclagem.

Tudo isso é resultado do fast fashion – a indústria depende das constantes mudanças nas tendências da moda e da pressão do consumidor, resultando em produção barata com condições de trabalho miseráveis , enormes problemas ambientais e emissões de CO2 desnecessariamente altas . A crescente popularidade das roupas vintage é certamente bem-vinda. Mas resolver o gigantesco problema do desperdício também exige diretrizes de produção rigorosas, e não apenas no que diz respeito à reciclabilidade, que, em última análise, é limitada.

A quantidade é o problema central, e é aí que reside o cerne da questão: um sistema econômico voltado para o crescimento rápido, no qual a fast fashion, destrutiva para o meio ambiente e com seu enorme desperdício, é mais lucrativa do que a produção sustentável, tornou-se obsoleto. Em muitas áreas, mas especialmente na indústria do vestuário, o que é alheio ao capitalismo é claramente evidente: menos é, em última análise, muito mais.


Fonte: Neues Deutschland

Superexploração no Brasil: o PL da Devastação e o veto simbólico de Lula

Presidente veta trechos da “lei da devastação”. Congresso ainda pode derrubar os vetos e manter a lei em sua integralidade devastadora 

6.JPG

Protesto pela proteção do clima e pelos direitos das mulheres e dos povos indígenas em Brasília (7 de agosto de 2025)

Por Norbert Suchanek para o “JungeWelt”

Na sexta-feira passada, o presidente brasileiro tomou uma decisão de última hora sobre uma reforma apelidada de “Lei da Devastação” por ativistas das florestas tropicais e do clima. Contrariando as demandas de organizações não governamentais, povos indígenas e cientistas, Luiz Inácio Lula da Silva não rejeitou totalmente a lei aprovada pelo Parlamento e pelo Senado. Ele apenas vetou 63 dos 398 artigos da “Lei da Devastação”, que visa facilitar a concessão de licenças ambientais.

Ao mesmo tempo, ele deu sinal verde para isenções imediatas para fins de avaliações aceleradas de impacto ambiental, ou seja, para a aprovação de projetos de infraestrutura, desenvolvimento e mineração classificados como estratégicos pelo conselho de governo. Isso permitiria que projetos prejudiciais ao clima fossem declarados e implementados mais rapidamente no futuro, seja a exploração de depósitos de petróleo no estuário da Amazônia, a mineração de minérios e minerais estratégicos como nióbio ou urânio, a pavimentação da rodovia federal BR-319 na Amazônia Central ou a construção da ferrovia “Ferrogrão”, que também é contestada por conservacionistas da floresta tropical.

Apesar disso, algumas organizações ambientalistas elogiaram o presidente. “Os vetos de Lula a trechos da Lei da Devastação são fundamentais para corrigir aspectos graves do projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional – e demonstram seu compromisso com a proteção socioambiental”, comentou o Greenpeace Brasil. “Os vetos são a prova do compromisso do governo federal com a sociedade como um todo e com o combate às mudanças climáticas”, disse Alice Dandara de Assis Correia, do Instituto Socioambiental (ISA), avaliando a decisão de Lula. A organização ambientalista SOS Mata Atlântica descreveu seu veto a dispositivos que revogariam a proteção especial da Mata Atlântica como um “marco importante” para a legislação ambiental brasileira e a preservação da Mata Atlântica.

Outros críticos do projeto de lei não veem motivos para comemorar. “O presidente Lula sancionou a chamada Lei da Devastação praticamente sem alterações”, afirma o geógrafo Marcos Pędłowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), no estado do Rio de Janeiro. Dos 63 artigos vetados pelo presidente, ele rejeitou apenas 26 integralmente, enquanto 37 foram rejeitados apenas parcialmente. No entanto, com a assinatura do presidente, o enfraquecimento do processo de licenciamento ambiental no Brasil tornou-se realidade. Pedlowski está convencido de que a nova legislação causará sérios danos ambientais e terá consequências negativas para a população local. O ecólogo Rodolfo Salm, da Universidade Federal do Pará, em Altamira, tem opinião semelhante. Quem comemora os 63 vetos do presidente Lula não entendeu nada, escreve ele na plataforma online X.

Na verdade, os vetos do presidente brasileiro têm pouco mais do que valor simbólico. O projeto agora retorna ao Congresso, dominado pelo lobby do agronegócio e da mineração, que pode derrubar os vetos do líder do Partido dos Trabalhadores e promulgar a “lei da devastação” sem alterações. Deputados do estado do Amazonas já se mobilizam no Congresso Nacional contra os vetos de Lula e exigem a rápida pavimentação da BR-319 sem aprovação ambiental prévia.

Além disso, não se pode deixar de mencionar que mesmo a legislação ambiental existente para a Amazônia não conseguiu impedir projetos de infraestrutura catastróficos. Desde a década de 1990, monoculturas ecológica e socialmente prejudiciais se espalharam por todo o Brasil. A superexploração legal e ilegal nas montanhas brasileiras está aumentando constantemente. Mesmo durante o último mandato de Lula e sua sucessora Dilma Rousseff, as megahidrelétricas de Belo Monte, no rio Xingu, e Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, foram planejadas ou construídas, cujas consequências desastrosas para o meio ambiente natural circundante eram previsíveis.


Fonte: JungeWelt

A violência como déjà vu: a epidemia de violência contra mulheres é sinal de que há algo de muito podre na sociedade brasileira

Elevador é quase um templo': mais um caso de violência contra mulher  reflete machismo da sociedade - Brasil de Fato

Não sou ingênuo a ponto de desconhecer que a violência masculina contra mulheres é uma das marcas da sociedade brasileira desde os seus primórdios coloniais. Aliás, o passado colonial combinado com o longo período de escravidão negra nos tornou uma sociedade que é intrinsicamente mantida por relações de poder que, invariavelmente, desembocam em atos de violência contra os mais fracos.

Mas o último ano, especialmente as últimas semanas, me deixa a impressão clareza que determinadas estruturas de contenção foram rompidas e que agora há uma espécie de epidemia de violência masculina contra as mulheres. É que todo dia temos visto cenas de extrema violência sendo mostradas pela TV nas quais, em sua maioria, homens brancos e de físicos avantajados praticam verdadeiras barbaridades contra suas esposas , noivas e namoradas, mesmo sabendo que estão sendo filmados, até mesmo dentro dos elevadores que existem em seus locais de moradia. 

Os casos de violência são tão extremos e tão parecidos que ficamos com a impressão que se está assistindo a uma repetição quando, na verdade, é um novo incidente.  Uma hora é um empresário, outra hora é um ex-atleta ou um fisiculturista. Do outro lado, estão mulheres com menor porte físico e sem a menor chance de se defender. O resultado são faces destroçadas e cirurgias reconstitutivas sendo realizadas, quando o ato de violência não termina em morte.

A minha suspeita é que vivemos os efeitos de termos permitido a liberação de forças políticas que desprezam o respeito à vida e ao direito de se escolher livremente. Não é à toa que quando se olha o perfil dos agressores nas redes sociais há sempre a forte chance de ser alguém que idolatra a pátria, a família e Deus, não necessariamente nesta ordem.

Assim, em vez de se tratar esses casos como sendo isolados, temos que considerar que todos esses atos de violência fazem parte de um processo político concatenado para os quais precisamos estabelecer respostas coletivas. Do contrário, continuaremos assistindo mais casos deste tipo que estarão alimentando uma ordem social em que agredir e ferir se tornará cada vez mais naturalizado.

O PT Campos, o PL do Semiárido, e a Síndrome da Obra Pronta

O PT de Campos dos Goytacazes desinforma mais uma vez a população, seja por desconhecimento, seja por leviandade

O Norte e Noroeste Fluminense estão se tornando uma região de clima  semiárido? - Lignum Ambiental Jr.

Por Douglas Barreto da Mata

O estudo que permitiu que as duas casas legislativas aprovassem o referido projeto de lei, que passou por diversas comissões, e teve, inclusive, ajuda e participação de parlamentares petistas, foi realizado em universidades respeitadas, com ênfase na UENF, que se insere no contexto ambiental objeto do estudo.  É estranho, mas esse é o PT.  Parlamentares da legenda articulam a aprovação de um projeto de lei que o presidente vetará.

A nota oficial do PT Campos saiu no seu perfil da rede social Instagram.  Sem desconsiderar a proficiência de outros órgãos citados no texto do PT de Campos dos Goytacazes, o fato é que o único argumento que aquelas palavras contestam é o fato da região “ter água”, “tem seca, mas tem água”.

Além do despropósito de ignorar que a classificação de um microclima ou de regime climático de uma região se dê, antes, por índice pluviométrico, cobertura vegetal nativa, capacidade regenerativa de solo e nascentes, etc, e uma série de variáveis não descritas no veto presidencial, a “nota petista” procura culpados, quando deveríamos buscar soluções.

O moderno estudo do clima e ambiente, hoje, entende que não é mais possível estabelecer critérios estáticos, como a SUDENE fazia em 1940, 1950, 1960.  O sul do Brasil hoje tem seca nordestina, neve do Alasca, e chuva amazônica, por exemplo.  Os parâmetros são muito mais fluidos e dramáticos em curtos espaços de tempo.  O “hermetismo” da classificação anterior não atenderá a demanda atual, ao menos, para gente séria.

Todo o planeta é afetado por decisões ruins na sua preservação ambiental, mas isso impedirá que sejam buscadas soluções e mitigação dos problemas?  O mau uso secular da terra pelos nordestinos, a devastação dos biomas do agreste e da caatinga, impediram o presidente Lula de aportar bilhões para desviar o Rio São Francisco para a região?  A oferta de água do Rio desviado mudou a classificação do semiárido nordestino e subtraiu da região os benefícios? Claro que não, e nem é isso que queremos.  Queremos ser tratados da mesma forma, porque não acreditamos que o veto se deu porque o volume de votos daqui não se equipara aos de lá.

O PT de Campos também mente para a população quando fala de crédito e abandono da agricultura familiar.  A cidade de Campos dos Goytacazes auxilia com insumos e recursos técnicos o pequeno agricultor, adquire seus produtos, auxilia na logística e no comércio, e agora vai criar um entreposto regional, uma central de abastecimento, com intuito de agregar valor às atividades rurais.

No que diz respeito ao crédito, a chamada desigualdade já existe, e o PT mente, porque sabe que o grande e médio produtor já acessa ao crédito, inclusive de bancos estatais, enquanto o pequeno é tratado com mais burocracia e com valores de plano safra muito menores pelo governo federal.

A lei do semiárido poderia equilibrar essas diferenças trazendo dinheiro do mercado associado aos recursos estatais.  Enfim, se vai haver, como anunciado, reunião de “reajuste” da lei, por que o veto? Por que não alertaram antes para que fossem feitos os ajustes antes do veto? Parece que o real interesse não é a população, mas sim a “paternidade da obra pronta”.

Parece notícia velha, mas não é: afogada em dívidas, Prumo avalia “reestruturar” um papagaio que não para de crescer

Stuck with debt you can't repay? Here's how debt counsellors can help

No dia 15 de janeiro de 2024 publiquei neste espaço um material em que eu elaborava minhas impressões sobre uma informação publicada pelo jornalista Lauro Jardim na sua coluna do jornal “O Globo” onde ele informava que a Prumo Logística tentava rolar um “papagaio” de cerca de R$ 5,6 bilhões com apenas duas instituições bancárias.

Pois bem, o mesmo Lauro Jardim publicou em sua coluna do dia 10 de agosto (ou seja ontem) que passados quase 19 meses, o tamanho do “papagaio” que está pesando nas mãos da Prumo Logística cresceu para R$ 10 bilhões (o que parece um valor bastante crível e igualmente espantoso), colocando em xeque a capacidade da empresa de continuar gerindo o seu maior bem, o empreendimento conhecido como Porto do Açu.

O que parece ficar claro dessa situação financeiramente complexa é que, como eu sempre digo para quem queira ouvir, o Porto do Açu ainda é mais espuma do que chopp. E, pior, com os níveis de endividamento que resultam de projetos que não se sustentam, a tendência é que a Prumo Logística tenha que ir além da reestruturação da dívida para vender aquela que seria a sua galinha dos ovos de ouro, o Porto do Açu.

É preciso lembrar que a dívida anunciada por Lauro Jardim de R$ 10 bilhões deve estar subestimada, já que existem outros empréstimos vultosos que foram tomados pela Prumo Logística para financiar projetos subsidiários dentro do Porto do Açu cuja rentabilidade depende de cenários não muito claros, tal como a venda de energia elétrica pelas termelétricas já instaladas.

Por outro lado, há que se notar que o cenário geopolítico altamente complexo que foi criado pelo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump e as reverberações que ainda estão ocorrendo na cadeia de comércio global não criam exatamente um cenário promissor para que tem dívidas bilionários como a Prumo Logística.

Tudo isso pode acelerar o processo de “Chinaização”  ou “Chinese takeover” do Porto do Açu. O problema neste caso seria combinar o jogo não com os russos, mas os chineses. De toda forma, aguardemos os próximos capítulos dos infortúnios financeiros da Prumo Logística, pois o drama deve aumentar lá pelas bandas do enclave fundado pelo ex-bilionário Eike Batista.

Finalmente, o que me preocupa mesmo são aquelas centenas de famílias de agricultores que tiveram suas terras tomadas para a instalação de um natimorto distrito industrial na retroárea do Porto do Açu. Do jeito que a coisa vai, a justiça que já tardou ainda demorar muito para ser feita com aquela gente tão sofrida quanto trabalhadora.