O presente de Donald Trump a Lula só não é maior que as trapalhadas de Rodrigo Bacellar

The Trump Tariffs Are How Everything Works Now | WIRED

Por Douglas Barreto da Mata 

“Não atrapalhe o inimigo enquanto ele comete erros.” O ensinamento é atribuído a Napoleão, mas encaixa direitinho na cena política nacional e local.  A carta-tarifaço de Donald Trump dirigida ao governo brasileiro, que aumenta as tarifas de produtos brasileiros vendidos aos EUA em 50%, justificada pelo “tratamento” dado a Jair Bolsonaro, é tudo o que Lula queria. 

Eu não sei se a ideia foi soprada por Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA há uns meses.  Mas se foi, Lula deveria lhe agradecer, caso seja reeleito em 2026.  O bolsonarismo filial do trumpismo deu um baita tiro no pé, e forneceu o palanque que Lula queria, e mais, arriscou devolver ao petista a narrativa do patriotismo, até aqui hegemonizada pela direita.

Agora os bolsonaristas tentam rebolar para escapar do problema, e até a Rede Globo, que já ensaiava o ritual golpista de sempre, e vinha batendo na iniciativa dos BRICS, ficou sem pai nem mãe.  Por aqui, no Estado do Rio, a piada pronta foi a exoneração do ex secretário de transporte Washington Reis pelo governador em exercício, Rodrigo Bacellar. 

Além de abrir conflito com um poderoso cacique estadual, que está no mesmo campo dele, o deputado-governador ainda passou a vergonha de ouvir Flávio Bolsonaro desagravar Reis, e dizer que vai pedir ao governador Castro para tornar sem efeito o ato do deputado, quando em exercício da governadoria.  Logo depois, o governador Cláudio Castro veio a público dizer que o que foi feito por Rodrigo não será desfeito, mas a mensagem deixa exposta a ferida, em “carne viva”. 

De quebra, Rodrigo Bacellar se tornou notícia, até no Congresso Nacional, pela interrupção de verbas da saúde que remuneram os atendimentos de pacientes de várias cidades pelo município governado por Wladimir Garotinho, seu rival. Quer dizer, mais inábil, impossível. 

Bem, alguns dizem que Rodrigo Bacellar adotou essa postura para implodir, ele mesmo, sua pré candidatura, já que não vê chances de vitória.  Mas será que Trump é um agente petista infiltrado na extrema-direita? Será que Rodrigo Bacellar trabalha para eleger quem ele diz serem seus adversários?  Vá saber…

Tarcísio de Freitas e seu boné vermelho explicitam a encruzilhada do Bolsonarismo pós-tarifaço de Donald Trump

Bolsonaristas conseguiram que Trump impusesse tarifa de 50% contra empresas  brasileiras – Carta Campinas

Tarcísio de Freitas na companhia de seu mentor, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de Donald Trump: em comum o boné “Make America Great Again” (MAGA)

A extrema-direita brasileira está com uma verdadeira batata quente nas mãos.  É que a tentativa de intervenção direta do presidente Donald Trump nas questões internas nacionais via uma taxação de 50% das exportações brasileiras para os EUA atinge um estado governado por uma espécie de costela de Jair Bolsonaro, o ex-capitão do Exército, Tarcísio Gomes de Freitas (visto abaixo portando um boné MAGA).

Governador de SP, Tarcísio de Freitas, portando o boné MAGA no dia da posse de Donald Trump

A questão é que ao ser associado a uma postura pró-estadunidense, justamente em um momento em que o estado de São Paulo é o mais atingido pela sobretaxa exorbitante de Doanld Trump, está deixando Tarcísio de Freitas em uma posição para lá de complicada.  

E o pior ao se ver em dificuldades, em vez de adotar a posição inteligente de ficar calado (ainda que fosse um tanto hipócrita se o fizesse), o governador de São Paulo apareceu com a ideia esdrúxula de sugerir que o Supremo Tribunal Federal permitisse que o ex-presidente Jair Bolsonaro pudesse viajar aos EUA para, pasmemos, reduzir as sobretaxas solicitadas (ou seria imploradas) pelo seu filho Eduardo ao governo Trump.

A verdade é que, como eu já observei aqui, provavelmente sem saber quem estava atingindo na prática, Donald Trump jogou uma imensa boia de salvação para o presidente Lula que se encontrava tal qual um náufrago nadando um águas infestadas por tubarões famintos. Assim, ainda que a reação inicial do presidente Lula tenha sido mais discursiva do que prática, já se sabe que ele saberá aproveitar a situação melindroda em que Donald Trump colocou Tarcísio de Freitas e outros governadores bolsonaristas (o de Santa Catarina, por exemplo) em uma posição para lá de desconfortável não apenas com setores da esquerda, mas também com o empresariado e com o latifúndio agro-exportador.

A campanha eleitoral de 2026, quem diria, já começou, e as coisas estão girando em torno de um boné vermelho que não é o do PT. Mais irônico do que isso não há

Revista AMBIENTES lança nova edição com dossiê sobre “ambientalismo corporativo”

A AMBIENTES: Revista de Geografia e Ecologia Política acaba de lançar sua mais nova edição: Volume 7, Número 1.  Essa edição  traz um Dossiê – Ambientalismos corporativos: Captura, instrumentalização e controle sócio-espacial -, composto por uma apresentação e seis artigos, e que foi organizado pelos pesquisadores Thiago Roniere Rebouças Tavares, Raquel Giffoni Pinto e Maíra Sertã Mansur.

Além disso, fora do dossiê, há mais cinco artigos e contribuições para mais duas seções. A resenha de Pedro César Nogueira Marques, do livro organizado por Flávia Darre Barbosa e Wagner Costa Ribeiro, intitulado Fronteiras e águas transfronteiriças na Bacia do Prata, e o texto da seção DIRETO DA LUTA, Nosso marco é ancestral: Direito à luta territorial e à preservação ambiental no Território Indígena de Taunay/Ipegue, com depoimento bilíngue de Paulo Baltazar (geógrafo, professor e ativista do povo Terena), coletado por Marcos Mondardo.

Quem desejar baixar essa edição da AMBIENTES, basta clicar [Aqui!].

Para as petroleiras tudo, para a ciência nada: perfuração científica da Margem Equatorial é suspensa por falta de financiamento brasileiro

Pesquisa pioneira sobre mudanças climáticas perde apoio essencial para quatro expedições científicas

Um navio grande de casco azul com três plataformas navega em uma paisagem com montanhas ao fundo

Expedição utilizaria o navio Joides Resolution, referência mundial em pesquisas oceânicas – Foto: Divulgação/IODP

Por Jornal da USP

A Margem Equatorial Brasileira é uma região geográfica que vai do extremo norte do Amapá até o litoral do Rio Grande do Norte, abrangendo uma faixa costeira de mais de 2.200 km. Em meio às discussões sobre a exploração petrolífera no local, o projeto de pesquisa oceanográfica Paleoceanography of the Brazilian Equatorial Margin (PBEM-945) foi suspenso indefinidamente por falta da contraparte brasileira no financiamento.

Liderado pelo professor Luigi Jovane, do Instituto Oceanográfico (IO), e aprovado com excelência pelo International Ocean Discovery Program (IODP), o estudo faria parte da primeira expedição 100% brasileira no programa, que conta com participação de cientistas de vários países. “Estas expedições são comparadas a uma viagem à Lua em termos de resultados científicos e tecnológicos”, aponta Jovane.

O IODP é o maior programa internacional de perfuração oceânica, com participação de 25 países. Apresentado em abril de 2019 e aprovado com avaliação “excelente” pelo Scientific Evaluation Panel (SEP), o projeto visa a investigar as mudanças climáticas do Atlântico Equatorial ao longo de 80 milhões de anos, perfurando sedimentos em águas profundas entre as bacias do Ceará e Potiguar.

“Foram apresentadas 15 propostas de perfuração no Atlântico, destas apenas quatro foram aprovadas pelo IODP”, lembra o professor Farid Chemale, coordenador do INCT Atlântico. A expedição utilizaria o navio Joides Resolution, referência mundial em pesquisas oceânicas, com previsão inicial de acontecer entre 2022 e 2024. Segundo ele, “para trazer o navio para o Brasil, o país precisaria desembolsar cerca de US$ 15 milhões para financiar a nossa parte nas quatro expedições”.

Existem apenas dois navios capazes de fazer perfurações científicas em águas profundas. Além do Joides, os chineses também estão construindo um. “Mas ainda está em fase de testes”, diz Chemale, destacando que “se todos os memorandos de entendimento forem assinados com os chineses, se eles aprovarem nossos projetos e tivermos acordo das autoridades brasileiras em tempo recorde, o navio só chegaria ao Brasil em 2027/28.” Isso porque, desde de sua aprovação pelo IODP, as propostas de expedições brasileiras sofreram alguns revezes.

Primeiro, em 2020, o Estado-Maior da Armada da Marinha do Brasil decidiu que não ia liberar perfurações científicas na Margem Equatorial. Depois a Capes decidiu não assinar o acordo com National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos, para manter pesquisadores brasileiros nas expedições internacionais. E agora, mesmo com todos os agentes brasileiros tendo aprovado a perfuração (a Marinha e os Ministérios de Minas e Energia e o do Meio Ambiente), a solicitação da equipe de que recursos dos royalties do petróleo fossem disponibilizados para a pesquisa foi negada.

“Precisamos saber o que tem em termos de biodiversidade, os processos de sedimentação envolvidos na formação da Bacia do Amazonas, como o rio se formou e evoluiu nos últimos milhões de anos antes que a exploração do petróleo na área aconteça”, afirma o professor Jovane, lamentando a decisão. “As expedições que ocorreriam este ano são um marco para a ciências oceânicas brasileiras. A suspensão representa um atraso não apenas para a ciência nacional, mas para o entendimento global do clima tropical.”

A equipe busca alternativas de financiamento junto a agências nacionais e internacionais para reativar o projeto. Enquanto isso, cientistas alertam para o risco de o Brasil perder sua posição em programas de pesquisa de ponta.

*Texto adaptado do Centro Oceanográfico de Registros Estratigráficos (Core) do IO


Fonte: Jornal da USP

Atingidos pelo tsulama da Vale em Brumadinho fazem manifestação em BH nesta 6a. (11/7)

Seis anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, atingidos de diversas regiões da Bacia do Paraopeba voltam a ocupar as ruas de Belo Horizonte em mais uma jornada de mobilização.

A manifestação, organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), acontece nesta sexta-feira, 11 de julho, com concentração às 8h no INCRA (Rua Cambuí, 116 – Bairro Cruzeiro). A mobilização se soma a uma série de mais de 60 atos realizados ao longo dos anos na porta de instituições de justiça.

A principal pauta da manifestação é a defesa da reparação integral. Entre as denúncias levantadas, está o corte de quase R$ 40 milhões na complementação do orçamento destinado às Assessorias Técnicas Independentes (ATIs), que são responsáveis por garantir a participação qualificada das comunidades atingidas na execução de projetos de reparação.

Segundo o MAB, o corte foi feito com base em um estudo da Coordenação Metodológica Finalística (CAMF), que apresenta erros técnicos e foi construído sem diálogo com as comunidades. O movimento reivindica a reversão imediata desse corte, com a utilização de recursos previstos para estruturas de apoio no acordo judicial com a Vale ou outras verbas que não sejam destinadas a reparação dos atingidos e do meio ambiente.

Outra questão central é a forma como as Instituições de Justiça têm lidado com o Anexo I.1, que define recursos destinados às comunidades atingidas. O MAB denuncia a ausência de critérios claros, o desrespeito à vontade popular e a transferência de responsabilidades para os próprios atingidos — muitos dos quais ainda vivem sem indenização, sem renda, sem atendimento em saúde e sem políticas públicas mínimas.

Para o movimento, essa postura aprofunda a revitimização e agrava a morosidade da reparação.

O pagamento do auxílio emergencial também estará no centro das reivindicações. A decisão de primeira instância que determinava que a Vale depositasse o valor para os pagamentos foi suspensa, e agora o movimento cobra do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) uma resposta definitiva. Para centenas de famílias, esse auxílio representa a única forma de complementar a renda para garantir itens básicos, como comida, gás, luz e medicamentos.

“Esse ato do dia 11 de julho é muito importante para nós, atingidos da Bacia do Paraopeba, pois são muitas reivindicações importantes. Uma delas é a questão do novo auxílio, que mexe com nossa questão financeira. Nós, atingidos, estamos com o financeiro muito abalado. Mesmo depois de 6 anos do crime, ainda não conseguimos retomar nossas vidas, nossas atividades e por isso pedimos que a justiça olhe para esse ponto e ajude a garantir a sobrevivência dos atingidos”, afirma Tatiana Rodrigues, atingida da cidade de São Joaquim de Bicas (MG).

Confira abaixo a programação da mobilização:

PROGRAMAÇÃO – Ato dos Atingidos da Bacia do Paraopeba | 11 de julho (sexta-feira)

 Belo Horizonte

8h– Café da manhã no INCRA (entrada pela Rua Cambuí, 116 – Bairro Cruzeiro)

9h– Assembleia dos Atingidos: “Por que lutamos e seguimos resistindo – 6 anos do crime”

10h – Marcha até o TJMG (Av. Afonso Pena, 4001)

10h30 – Reunião com Presidência do TJMG e relatora juíza convocada Maria Dolores; Protocolo da pauta e Ato pelo Auxílio Emergencial na porta do TJMG

12h– Retorno ao INCRA

12h30 – Almoço

13h30 – Marcha até o MPF (Av. Brasil, 1877 – Funcionários)

14h15 – Ato pelo Anexo I.1 sem boicote e reunião com Instituições de Justiça (a confirmar)

16h– Reunião com o juiz Murilo Silvio de Abreu no TJMG (Av. Raja Gabaglia)

18h– Retorno dos atingidos às suas regiões

Risco de câncer dobra para aplicadores de agrotóxicos que usaram carbaril, segundo estudo

Por Brian Bienkowski para o “The New Lede” 

Aplicadores de pesticidas na Carolina do Norte e em Iowa que pulverizaram o inseticida carbaril com frequência durante suas carreiras têm maior risco de desenvolver câncer de estômago, esôfago, língua e próstata, de acordo com uma nova pesquisa liderada pelo Instituto Nacional do Câncer (NCI) dos EUA. 

A pesquisa é a primeira a relacionar o agrotóxico ao câncer de estômago, mas se baseia em muitos estudos anteriores que constataram que o carbaril — frequentemente comercializado sob a marca Sevin — aumenta o risco de vários outros tipos de câncer. O produto químico é usado para matar pulgões e outros insetos em diversas culturas agrícolas, bem como insetos como formigas, pulgas e carrapatos em gramados e jardins domésticos. 

“Esta é a maior e mais abrangente avaliação prospectiva do carbaril e do risco de câncer até o momento”, escreveram os autores.

Os pesquisadores utilizaram dados do Estudo de Saúde Agrícola , financiado pelo governo dos EUA, sobre o uso de agrotóxicos por agricultores e outros aplicadores licenciados em Iowa e Carolina do Norte. Os dados incluem o uso autorrelatado de pesticidas de 1993 a 1997 e de 1999 a 2005.

“Esta é a maior e mais abrangente avaliação prospectiva do risco de carbaril e câncer até o momento.” – Autores do estudo

A autora sênior do estudo, Laura Beane Freeman, pesquisadora sênior do NCI, disse que os pesquisadores não apenas analisaram quantos dias os aplicadores relataram pulverizar o carbaril, mas também fatores que podem afetar a exposição, como quais equipamentos de proteção individual eles usaram ou não e como aplicaram o agrotóxico.

Os pesquisadores também analisaram os registros estaduais de câncer em 2014 para a Carolina do Norte e em 2017 para Iowa. 

Os aplicadores que relataram a maior quantidade de dias aplicando carbaril e exposição intensa tiveram cerca de duas vezes mais chances de desenvolver câncer de estômago em comparação com aqueles que relataram nunca ter aplicado. O grupo com maior exposição também apresentou uma incidência 52% maior de câncer de esôfago e 91% maior de câncer de língua em comparação com aqueles que relataram nunca ter aplicado carbaril, concluiu o estudo. 

O grupo de maior exposição teve uma incidência 56% maior de câncer de próstata para exposições que ocorreram mais de 30 anos antes do câncer ser diagnosticado. 

É “trágico que permitamos que produtos como esse sejam registrados para uso e os mantenhamos no mercado apesar das crescentes evidências de danos à saúde”, disse Alexis Luckey, diretora executiva da Toxic Free NC, que defende a reforma dos pesticidas no estado há quase quatro décadas.

“Aplicadores de pesticidas e trabalhadores rurais nos campos… pagam o preço mais alto neste sistema falho”, disse Luckey.

Agrotóxicos e câncer 

Numerosos estudos associaram o carbaril a vários tipos de câncer. E uma ficha de dados de segurança regulatória de 2021 para o produto químico, fabricado e vendido há anos pela Bayer sob a marca Sevin , alerta que o produto é “suspeito de causar câncer”. 

O novo estudo se soma às crescentes evidências de que muitos produtos químicos agrícolas comumente usados ​​estão deixando as pessoas doentes. Em uma análise nacional realizada no ano passado , pesquisadores descobriram que a exposição a pesticidas pode rivalizar com o tabagismo em termos de risco de câncer. 

“Esses resultados não são surpreendentes”, disse Luckey. 

No mês passado, pesquisadores começaram a conduzir sessões de “escuta” em Iowa como parte de um novo projeto para investigar possíveis causas ambientais para o que alguns chamam de “crise” de câncer no estado, que tem a maior taxa de câncer do país e é apenas um dos dois estados dos EUA onde o câncer está aumentando. 

“Aplicadores de agrotóxicos e trabalhadores rurais nos campos pagam o preço mais alto neste sistema falho.” – Alexis Luckey, Toxic Free NC

Freeman afirmou que mais estudos são necessários para entender melhor como o carbaril pode causar câncer. No entanto, foi demonstrado que o inseticida reage com nitrato e nitritos — ambos os quais as pessoas podem consumir em alimentos e água, especialmente em áreas com forte atividade agrícola — para formar compostos cancerígenos. Alguns estudos sugerem que o carbaril também pode danificar o DNA e os cromossomos, o que pode levar ao câncer.

Brandon Herring, porta-voz do Departamento de Agricultura e Serviços ao Consumidor da Carolina do Norte, disse que a agência não revisou o estudo, mas que ele “serve como um lembrete das diretrizes de segurança estabelecidas, como taxas e métodos de aplicação, que constam no rótulo de cada pesticida. Incentivamos as pessoas a seguirem essas diretrizes”. 

A regulação do carbaril 

Existem 61 agrotóxicos registrados no mercado dos EUA que contêm carbaril, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Embora o inseticida ainda seja amplamente utilizado nos EUA, a Europa proibiu todos os seus usos em 2007 devido a preocupações com o câncer. 

Os pesquisadores do estudo atual estimaram que cerca de 317.000 kg de carbaril são aplicados anualmente em plantações agrícolas nos EUA. Freeman afirmou que cerca de 900.000 kg são aplicados anualmente perto de edifícios, gramados, pastos e estradas. 

Não são apenas os humanos que podem estar em risco: a EPA está mudando os rótulos dos produtos com carbaril depois que o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA descobriu que ele “provavelmente colocaria em risco 78 espécies listadas e modificaria adversamente 14 habitats críticos quando usado conforme registrado atualmente”. 

A nova rotulagem, prevista para ser concluída até o final do ano, foi projetada para reduzir o escoamento e a deriva, e alertará os aplicadores sobre áreas restritas e sensíveis. 

A Drexel Chemical Company e a Tessenderlo Kerley, Inc., duas empresas agrícolas que produzem produtos de carbaril, não retornaram pedidos de comentários sobre o novo estudo.

Foto em destaque: Funcionário do Serviço Florestal dos EUA pulverizando carbaril. (Crédito: USFS ) 


Fonte: The New Lede

Carta de Trump é uma oportunidade para Lula, resta saber se vai ser aproveitada

Trump emite cartas com percentual tarifário a mais seis países | Agência  Brasil

A carta emitida nesta 4a. feira (09/7) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para explicitar pro um lado seu alinhamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro que tenta  fugir de uma prisão quase inevitável e, de outro, para anunciaru uma taxação extra de 50% em produtos brasileiros é uma daquelas oportunidades históricas que se oferecem poucas vezes para quem, como o presidente Lula, está em uma posição pressionada.

É que Trump está oferecendo a Lula a chance de colocar os seus adversários da extrema-direita bolsonarista na condição de serem um tipo de Joaquim Silvério dos Reis (aquele que traiu Tiradentes) do Século XXI, já que um artífices desse ataque à soberania é o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado em auto-exílio, Eduardo Bolsonaro. 

Resta saber se Lula vai aproveitar a ocasiã que lhe é oferecida ou vai optar por uma saída negociada com Trump. Como o Brasil acaba de sediar um reunião dos BRICS, qualquer posição recuada pegará mal dentro do próprio bloco, a começar pela China e pela Rússia. 

Os próximos dias poderão ser decisivos não apenas na relação com o governo de Donald Trump, mas também para decidir os rumos da política brasileira.  Seja qual for a resposta do governo Lula, o que não pode se deixar de dizer é que não é possível conviver tranquilamente com forças políticas que buscam a intervenção direta e explícita de governos estrangeiros para se impor no plano interno.

Alimentos ultraprocessados: muito fáceis de engolir, mas com consequências descomunais

Ativistas querem que alimentos ultraprocessados ​​sejam melhor definidos e regulamentados. Mas será que as evidências apoiam mudanças políticas significativas?

Too easy to swallow | Nature Medicine

Por Carrie Arnold para a “Nature” 

Para muitos defensores da saúde, os alimentos ultraprocessados ​​(AUPs) são o item mais importante em sua mira. Refeições e lanches pré-embalados, eles argumentam, são cheios de açúcar, gordura e sal. Isso, combinado com sua palatabilidade e densidade calórica impossíveis de comer apenas um, está causando um efeito descomunal nas cinturas do mundo — e em sua saúde.

No entanto, quando autoridades americanas se reuniram em outubro de 2024 para discutir futuras atualizações das Diretrizes Dietéticas para Americanos, elas não incluíram recomendações sobre alimentos ultraprocessados. A medida desencadeou uma onda de debates entre cientistas nutricionais e o público em geral.

“Como a maioria das outras pessoas, eu meio que pensava que alimentos ultraprocessados ​​eram sinônimo de junk food. Eu achava que era apenas mais um termo atraente. Mas, nos últimos anos, tem sido cada vez mais comprovado que pode haver algo diferente sobre eles”, diz Sam Dicken, cientista clínico da University College London.

Críticos citam um crescente conjunto de estudos que mostram que o consumo de AUPs está associado a ganho de peso, diabetes, doenças cardiovasculares e outras complicações.

Mas Christopher Gardner, cientista nutricional da Universidade de Stanford, afirma que a questão está longe de ser resolvida. Os cientistas não conseguem chegar a um acordo sobre uma definição formal do que torna um alimento ultraprocessado, nem há mecanismos claros de como esses alimentos criam resultados negativos para a saúde. Gardner também afirma que muitas das preocupações nutricionais sobre os AUPs estão contidas nas diretrizes alimentares existentes, como evitar açúcares adicionados e gorduras saturadas. Talvez o mais importante, no entanto, seja que quase todos os estudos sobre AUPs são de natureza observacional, têm acompanhamento limitado e abrangem apenas um curto período de tempo, o que dificulta o que podemos realmente dizer sobre a salubridade — ou a falta dela — dos AUPs.

Pesquisas estão em andamento para tentar desvendar exatamente como esses alimentos altamente industrializados afetam nossa saúde e para determinar se e como incorporar os resultados em diretrizes alimentares em todo o mundo.

“Como passamos de um país onde a obesidade era rara para onde estamos hoje?”, pergunta Jerold Mande, CEO da Nourish Science. “Há algo em nossa comida que está nos deixando doentes.”

Hora do lanche

Durante grande parte da história da humanidade, a resposta para a pergunta “O que tem para o jantar?” dependia de alimentos que podíamos caçar, cultivar ou coletar. Inicialmente, o desenvolvimento de alimentos preparados e embalados era visto como extremamente benéfico à saúde. Em vez de assar pão em suas cozinhas domésticas pouco higiênicas, as pessoas podiam comprar pães industrializados que duravam mais tempo na prateleira. As empresas podiam fortificar ingredientes comuns, como farinha, leite e sal, com vitaminas e minerais para reduzir deficiências nutricionais. O crescimento de famílias com dupla renda transformou esses alimentos pré-fabricados de opcionais em itens básicos da dieta.

Nos EUA do pós-guerra, cientistas iniciaram investigações mais detalhadas sobre o que o país era e como poderiam melhorar a dieta média americana. A maneira mais fácil de descobrir o que as pessoas comiam era simplesmente perguntar a elas. Com o tempo, pesquisadores criaram enormes “pesquisas de recordação alimentar” que perguntavam às pessoas sobre os tipos de alimentos que consumiam e a quantidade. A estratégia estava longe de ser precisa — as pessoas são notoriamente ruins em lembrar e relatar o quanto comem —, mas continua sendo a única opção para estudar a ingestão alimentar em escala populacional.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA começaram a medir as taxas de obesidade na década de 1960. Na época, 13% dos americanos eram considerados obesos. Mas assim que o CDC começou a medir a obesidade, notou um aumento acentuado no número de indivíduos com índice de massa corporal (IMC) acima de 30. Em 2010, as taxas de obesidade em todo o país triplicaram para 36%, e nenhum estado americano apresentou prevalência de obesidade abaixo de 23,5%. Em 2023, as taxas de obesidade adulta nos EUA ultrapassaram 40%. Países ao redor do mundo também registraram taxas de obesidade em alta, incluindo México (36,1%), Brasil (28,8%), África do Sul (30%), Austrália (31,8%) e Catar (43%).

Tera Fazzino, psicóloga da saúde da Universidade do Kansas, queria entender o que estava impulsionando essa mudança. O cenário alimentar global havia mudado drasticamente no século passado. O aumento dos níveis de renda promoveu o consumo de mais produtos de origem animal, incluindo ovos, queijo, leite e carne. Dietas tradicionais, ricas em nutrientes, normalmente preparadas do zero e em uma cozinha doméstica, foram substituídas por itens prontos para consumo, feitos em fábricas. Alimentos preparados eram frequentemente mais baratos e mais facilmente disponíveis do que frutas, vegetais e outros itens exclusivos de culturas alimentares específicas. Esses itens também eram tipicamente mais ricos em açúcar, sal, carboidratos refinados e gorduras. Os slogans dos salgadinhos frequentemente destacavam sua palatabilidade (“Aposto que você não consegue comer só um!”).

“Todo o foco relacionado aos motivos pelos quais as pessoas comem demais era focado no indivíduo, mas eu estava interessado nesse contexto mais amplo”, diz Fazzino. “Esses alimentos são extremamente gratificantes e também servem como fortes reforçadores. As pessoas podem ficar realmente motivadas a procurá-los e consumi-los em vez de alimentos saudáveis.”

O resultado foi um novo tipo de alimento que ela classifica como “alimentos hiperpalatáveis” 1 . Em muitos aspectos, esses alimentos têm perfis nutricionais semelhantes aos de outros alimentos, mas são fabricados de forma diferente. Eles são projetados para nos fazer comer cada vez mais, mesmo que não estejamos particularmente famintos (Fig. 1).

Fig. 1 | Alimentos hiperpalatáveis. Críticos acusam alimentos ultraprocessados ​​como esses de serem “hiperpalatáveis” e exigem que sejam mais bem regulamentados

“As empresas alimentícias estão, na verdade, projetando produtos para fazer você comer em excesso, mesmo que a obesidade seja nosso principal problema de saúde. Isso é uma falha não apenas das empresas, mas também da FDA (Food and Drug Administration) e do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), cujo trabalho é regular essas empresas”, diz Mande.

Para os cientistas nutricionais, esse foco desafiou décadas de dogmas que analisavam alimentos com base em qualidades específicas, como proteína, gordura, açúcar e teor de sal. No Instituto Nacional de Saúde (NIH), o pesquisador Kevin Hall realizou o primeiro estudo controlado de AUPs, esperando descobrir que eles eram equivalentes a outros alimentos. Na verdade, ele encontrou exatamente o oposto. Dez participantes passaram quatro semanas morando no NIH. Nas primeiras duas semanas, cada um deles seguiu uma dieta totalmente AUP ou uma dieta minimamente processada; Eles então consumiram a outra dieta nas últimas duas semanas. Hall descobriu que, com a dieta UPF, os participantes consumiram 500 kcal a mais por dia e ganharam uma média de 0,9 kg ao longo de duas semanas. Este estudo de 2019 foi um para-raios para os pesquisadores da UPF, pois foi a primeira evidência concreta de que esses alimentos eram de alguma forma diferentes.

Fora do menu

 Nos últimos cinco anos, Fazzino viu a atenção se desviar dos alimentos hiperpalatáveis ​​para os UPFs. Na maioria dos contextos, os UPFs são hiperpalatáveis, e os alimentos hiperpalatáveis ​​são quase inerentemente ultraprocessados. Independentemente da terminologia específica, os pesquisadores têm se esforçado para criar uma definição viável para esses termos que os consumidores e pesquisadores possam entender facilmente.

Atualmente, muitos estudos sobre UPFs usam a estrutura NOVA, desenvolvida em 2016 pelo epidemiologista Carlos Monteiro e colegas3. Em vez de analisar o perfil nutricional específico, a NOVA divide os alimentos em quatro categorias principais: alimentos minimamente processados ​​(como frutas e vegetais frescos, carne e peixe), ingredientes culinários processados ​​(como óleos de sementes, gorduras animais, açúcar e sal), alimentos processados ​​(alimentos enlatados, carnes defumadas e vegetais em conserva) e UPFs (refrigerantes, cereais matinais prontos para consumo e barras energéticas).

Para Mingyang Song, epidemiologista nutricional da Escola de Saúde Pública de Harvard, esse é um grande benefício porque reconhece a importância de como um alimento é feito, algo que pesquisadores não conseguiam fazer anteriormente. Também diferencia os potenciais impactos à saúde do consumo de pão branco fatiado comprado em loja e de um pão integral artesanal.

“O ultraprocessamento não é apenas uma simples modificação do alimento em si. Toda a natureza, a estrutura e até mesmo os perfis químicos do alimento original foram substancialmente modificados”, diz Song. “Comparados aos alimentos processados ​​frescos, os alimentos ultraprocessados ​​têm um perfil nutricional muito diferente. Além do processamento, eles tendem a ser ricos em sal, açúcar, colesterol, gordura saturada e também têm muitos sabores adicionados.”

Os humanos processaram alimentos ao longo da história, diz Song. Moemos grãos para transformá-los em pão e macarrão, fermentamos frutas e vegetais, esterilizamos leite e criamos queijo e iogurte. A maioria de nossas dietas é processada. O que torna os UPFs diferentes é que eles contêm poucos alimentos integrais e são processados ​​em escala industrial. Muitos entrevistados conseguem identificar com precisão salgadinhos e biscoitos como UPFs, mas muitos iogurtes, pães e outros alimentos aparentemente “saudáveis” também são frequentemente ultraprocessados. Ao modificar quimicamente, dar sabor e alterar os alimentos, muda-se a densidade calórica e altera-se a forma como nossos corpos absorvem os nutrientes que eles contêm.

Estudos epidemiológicos mostram ligações entre doenças cardiovasculares e consumo de UPF. Quase duas décadas de acompanhamento pelo Framingham Offspring Study descobriram que cada porção diária de UPFs estava associada a um aumento de 7% no risco de ser diagnosticado com doença cardiovascular4. Outros riscos à saúde associados aos UPFs incluem hipertensão, diabetes, problemas de sono, ansiedade, chiado no peito e demência, entre outros5.

Fig. 2 | Rótulos de advertência. Chile e México introduziram rótulos de advertência claros em alimentos, como estas placas pretas de “pare”. (Tradução: “Rico em calorias, rico em sódio, rico em gorduras saturadas”.) Outros países, como o Reino Unido, utilizam um “sistema de semáforo” para rótulos nutricionais, considerado menos eficaz.

Mecanismo misterioso

A questão para os cientistas é como os AUPs podem causar ou contribuir para esses resultados negativos para a saúde. Estudos em humanos e modelos animais relacionaram o consumo de AUPs a alterações no microbioma intestinal, bem como a outros efeitos colaterais 6 , incluindo a sinalização intestino-cérebro, a qualidade óssea 7 e o controle do açúcar no sangue. Os AUPs também podem alterar as vias oxidativas, inflamatórias e imunológicas 8 . O efeito dessas alterações fisiológicas, no entanto, é insignificante em comparação com as ligações entre AUPs e obesidade.

Muitos estudos sobre AUPs corroboram essa hipótese. Medições da densidade calórica dos alimentos consumidos no estudo histórico de Hall sobre AUPs em 2019 revelaram que os AUPs não-bebidas tinham uma densidade energética de 2,147 kcal g-1 em comparação com alimentos não processados ​​ou minimamente processados, que continham 1,151 kcal g-1 . Sem surpresa, os participantes da dieta UPF consumiram significativamente mais gramas de alimentos e quilocalorias por minuto. Os pesquisadores também descobriram que os participantes apresentavam níveis significativamente mais baixos do peptídeo YY na corrente sanguínea, que está envolvido na supressão do apetite. Essa combinação pode ajudar a diminuir os sinais de saciedade que nos indicam a necessidade de parar de comer.

“A densidade energética dos alimentos ultraprocessados ​​parece ser um dos principais fatores em seus impactos na saúde”, afirma Dicken.

Estudos de longo prazo conduzidos no Brasil constataram que indivíduos no quartil mais alto de consumo de UPF apresentaram um risco 26% a 29% maior de se tornarem obesos após 4 e 9 anos de acompanhamento 9 . Estudos transversais 10 constataram que pessoas que tinham a maior proporção de UPFs em sua dieta tinham 1,31 vez mais chances de apresentar um IMC na faixa de sobrepeso e 1,41 vez mais chances de ter obesidade e apresentar obesidade abdominal (medida pela circunferência da cintura).

Mas a indústria começou a reagir, afirma Niyati Parekh, epidemiologista nutricional da Universidade de Nova York. “Eles influenciam os resultados, pagam por estudos, patrocinam muitos simpósios e conferências”, afirma. Por exemplo, um estudo de 2018 constatou que 13% dos estudos publicados nas 10 principais revistas de pesquisa em nutrição tinham envolvimento da indústria alimentícia 11 . Outro estudo 12 mostrou que os ensaios com patrocínio da indústria alimentícia tinham menor probabilidade de abordar especificamente comportamentos alimentares, em comparação com aqueles sem o apoio da indústria.

“[Os futuros governos] serão tão pressionados pela indústria alimentícia quanto nós fomos, e os povos que nos antecederam, e os povos que os antecederam”, observou Jo Churchill, ex-ministra conservadora da Saúde Pública, em um relatório da Nesta de 2024 13 sobre o combate à obesidade no Reino Unido.

Prova cabal

Para Mande, as evidências já são claras de que o consumo de grandes quantidades de AUPs pode causar sérios problemas de saúde 14 . Assim, ele argumenta que os EUA deveriam se juntar ao Brasil e a Israel na criação de recomendações oficiais que incentivem as pessoas a limitar a quantidade de AUPs que consomem. Em 2014, as diretrizes alimentares do Brasil desaconselharam o consumo de AUPs, uma medida que reduziu pela metade tanto a compra de AUPs quanto as taxas de aumento da obesidade nos anos seguintes. Chile e México introduziram rótulos de advertência com placas de “pare” na frente da embalagem em AUPs com alto teor de açúcar, sódio, gordura saturada e calorias (Fig. 2). Outros países, incluindo o Reino Unido, introduziram impostos sobre o açúcar para tentar reduzir o consumo de AUPs.

“A lei original de 1906 que criou o FDA proíbe qualquer coisa nos alimentos que ‘possa ser prejudicial à saúde’, e esse não é o caso hoje. Isso precisa ser resolvido”, diz Mande. Alguns advogados também especulam que isso poderia expor a indústria alimentícia a processos semelhantes aos enfrentados pela Big Tobacco.

Outros cientistas nutricionais discordam. Gardner afirma que há muitas evidências de que a dieta americana padrão não é saudável e que nosso ambiente alimentar cultural precisa de uma grande reformulação. Sua questão são as contribuições relativas dos AUPs, bem como nossa capacidade científica de definir e quantificar o que, exatamente, é um alimento AUP. Para ele, NOVA é o equivalente a “saberei quando vir”. Isso dificulta a comparação de estudos ao longo do tempo e do espaço.

“Ninguém se confunde com mirtilos e Chicken McNuggets. Eles se confundem com molho de tomate, molho para salada, pão integral e iogurte”, diz Gardner.

Walter Willett, epidemiologista nutricional da Universidade de Harvard, concorda. Cientistas já quantificaram os efeitos negativos à saúde do consumo excessivo de sódio, açúcar e gordura saturada. Dado que a maior parte do impacto do consumo de AUP advém da obesidade e de outras complicações metabólicas conclusivamente ligadas a esses fatores, concentrar-se nos AUP não acrescenta nenhuma proteção extra, afirma ele.

“Acredito que precisamos de uma análise mais profunda e cuidadosa dos aditivos alimentares. O padrão foi estabelecido muito baixo, e as gorduras trans foram uma lição fundamental. Levamos 100 anos para eliminá-las do sistema alimentar”, afirma Willett. “Na verdade, é pior obter a resposta errada do que não ter nenhuma resposta certa.”

O que acontecerá a seguir nos EUA é uma incógnita. Os AUP têm sido alvo do secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que os culpa pela epidemia de doenças crônicas no país. Em depoimento ao Congresso em maio, Kennedy disse que “alimentos ultraprocessados ​​são um genocídio para os índios americanos e temos que acabar com isso”. Mas como o governo federal fará isso não está claro, especialmente após demissões em massa em agências americanas que regulam alimentos, agricultura e saúde. Em abril, o pesquisador do NIH Hall renunciou repentinamente ao cargo, alegando censura de autoridades federais, e é improvável que retorne.

Song afirma que ainda existem muitas questões sem resposta sobre os AUPs que valem a pena serem respondidas, incluindo os mecanismos precisos pelos quais eles prejudicam a saúde, se certos tipos de AUPs são mais prejudiciais do que outros e qual nível de consumo de AUPs é seguro.

“Identificar biomarcadores confiáveis ​​para componentes individuais em alimentos ultraprocessados ​​é provavelmente uma das prioridades mais importantes para a pesquisa”, afirma Song.

Dicken também gostaria de estudos de longo prazo para entender melhor como as pessoas estão consumindo AUPs para determinar com precisão seus impactos na saúde. Seu laboratório está trabalhando em um ensaio clínico randomizado para estudar os AUPs no contexto da dieta geral de uma pessoa, em vez de analisar as qualidades individuais desses alimentos, como sua textura ou composição nutricional específica. As informações não serão tão granulares quanto as obtidas por Hall, mas Dicken afirma que pode acompanhar indivíduos por um período muito mais longo e obter uma melhor compreensão dos efeitos reais dos AUPs.

Com muitos países da América Latina já se posicionando contra os AUPs, autoridades de outros países discordam sobre a necessidade de mais pesquisas antes de tomar decisões políticas. Parekh afirma que a saúde pública se beneficiaria mais com o desenvolvimento de políticas e outras estratégias para melhorar a ingestão nutricional.

“Não acho que precisemos de tantos dados. O que realmente precisamos é de mais políticas para reduzir os alimentos ultraprocessados ​​em nosso sistema alimentar. Não estou dizendo que nos tornaremos caçadores-coletores, mas como é que chegamos tão longe?”, pergunta Parekh.

Referências

1. Fazzino, T. L., Rohde, K. & Sullivan, D. K. Obesity 271761–1768 (2019).

2. Hall, K. D. et al. Cell Metab. 30, 67–77.e3 (2019).

3. Monteiro, C. A. et al. World Nutrition 7, 1–3 (2016).

4. Juul, F., Vaidean, G., Lin, Y., Deierlein, A. & Parekh, N. J. Am. Coll. Cardiol. 77, 1520–31 (2021).

5. Lane, M. M. et al. BMJ 384, e077310 (2024).

6. Brichacek, A. L., Florkowski, M., Abiona, E. & Frank, K. M. Nutrients 16, 1738 (2024).

7. Travinsky-Shmul, T. et al. Foods 10, 3107 (2021).

8. Juul, F., Vaidean, G. & Parekh, N. Adv. Nutrition 121673–1680 (2021).

9. Canhada, S. L. et al. Public Health Nutr. 23, 1076–1086 (2020).

10. Silva, F. M. et al. Public Health Nutr. 21, 2271–2279 (2018).

11. Sacks, G. et al. PLoS ONE 15, e0243144 (2020).

12. Fabbri, A., Chartres, N., Scrinis, G. & Bero, L. A. Public  Health Nutr. 20, 1306–1313 (2017).

13. van Tulleken, D. & Dimbleby, H. Nourishing Britain: a Political Manual for Improving the Nation’s Health (Nesta, 2024).

14. Mendoza, K. & Tobias, D. K. Adv. Nutrition 15100157 (2024).


Fonte: Nature Medicine

PL da Devastação: indústria mineral defende que é preciso seguir destruindo o planeta para salvá-lo

Barragem da Vale em Brumadinho era considerada de “médio porte” poluidor. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil 

Por Maurício Angelo para o Observatório da Mineração

Eu gostaria que o título desse texto fosse qualquer coisa que não a descrição mais adequada ao que a indústria mineral, representada pelo IBRAM, maior e mais representativo grupo do setor, defende.

Porém essa contradição evidente, essa ilusão cínica, esse delírio compartilhado, proferido, despejado, repetido e divulgado incessantemente nos últimos anos é exatamente isso. George Orwell, em “1984”, chama de “duplipensar”. Abre aspas: “ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica”, cravou em sua distopia.

Eu chamo de “negacionismo mineral”, conforme explicado, detalhado e teorizado na minha dissertação de mestrado defendida na Universidade de Brasília.

Esse negacionismo não é igual ao negacionismo climático, escrevi, mas o oposto: se alimenta da crise climática para afirmar a centralidade dos minerais para superarmos a crise e reconhece cientificamente os pressupostos dessa mesma crise climática para se colocar como crucial para a mudança. Ele não nega a concretude e as consequências das mudanças climáticas, mas reafirma essa realidade e essa urgência justamente para colocar os minerais críticos como caminho para resolver o problema. É um negacionismo muito mais sofisticado e inteligente, reconheci.

No caso do apelidado“PL da Devastação”, aquela geringonça em tramitação há décadas no Congresso que sofreu uma metamorfose para cair nas graças dos ruralistas e lobistas de mineradoras, recém endossado com entusiasmo pelo Senado, que tratou – finalmente – de incluir a mineração no conjunto mais destrutivo de regras para o licenciamento que se pode imaginar, esse negacionismo é tão escandaloso quanto o próprio projeto de lei.

O IBRAMdiz nova divulgada recentemente, apoia o PL por “conferir mais agilidade ao processo de licenciamento de empreendimentos importantes para a economia nacional, de modo a destravar um dos grandes gargalos do setor produtivo”. Para o grupo que concentra 90% da produção mineral brasileira, o PL “situa o Brasil no rumo certo para o desenvolvimento e este é uma contribuição inequívoca das duas Casas do Parlamento para o futuro do país e dos brasileiros, com o devido respeito ao meio ambiente, em especial por ser este o ano da COP 30”.

Embora ainda possa sofrer alterações na Câmara, o texto como está hoje é um verdadeiro “libera geral” para a mineração e outros setores: coloca sob responsabilidade das próprias empresas, em muitos casos, o “autolicenciamento”, um dos sonhos do lobby empresarial há muito tempo. Incluindo projetos de “pequeno e médio porte poluidor” – uma abstração que inclui gigantescas operações de mineração e barragens capengascomo era o caso de Brumadinho, que ninguém – literalmente – pode garantir que se sustentam em pé. Ou seja: as próprias empresas vão atestar que “tá tudo bem”, concedendo a licença para elas mesmas.

Ainda: a transição energética e os minerais críticos – um termo surgido no caldeirão da Primeira Guerra Mundial que foi resgatado com nova roupagem para o século XXI, embora represente a mesma coisa – são o argumento preferencial para esse vale tudo mineral, que privilegiará “projetos estratégicos” para a indústria e supostamente para o país.

O IBRAM insinua, nada discretamente, que os US$ 64,8 bilhões de investimentos anunciados pelo setor para os próximos anos – número sem qualquer transparência e aderência ao mundo real – pode “até se multiplicar” se o PL for aprovado.

No fantástico mundo da indústria, a mineração brasileira, após Mariana (2015), Brumadinho (2019) e Braskem em Maceió, para citar apenas três dos maiores desastres provocados pela mineração no mundo, todos concentrados em menos de 10 anos, agora é outra coisa: os R$1,2 trilhão – trilhão – faturados apenas de 2019 para cá foram comprometidos em “transformações estruturais”, mais transparência, segurança e um relacionamento exemplar com as comunidades vulneráveis que deram o azar de serem cercadas pela mineração nas últimas décadas.

Embora não haja qualquer fundamento sério, sistemático e comprovável de que o modelo mineral brasileiro mudou para melhor, e esse é um trabalho que sem dúvida não será feito em poucos anos, a indústria segue vendendo um mundo colorido que contradiz os fatos. Para além dos grandes desastres, que não são pouca coisa, esse Observatório da Mineração é o mais robusto e confiável registro sobre a destruição planejada que a mineração industrial tem provocado no Brasil na última década e como o lobby mineral atua incessantemente para garantir os seus interesses, independente de quem esteja ocupando o cargo máximo do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Porque não importa mesmo.

Dizem que a imprensa é “o quarto poder”. Balela. Quem exerce mesmo esse poder, e exerce com requintes de demonstração diária, inclusive sobre 99% dessa mesma imprensa, é a grande mineração.

Se os combustíveis fósseis teoricamente caíram em desgraça, embora o mundo siga injetando trilhões de dólares em petróleo, gás e carvão, estas empresas – assim como as mineradoras – batem recorde de lucro, tem os políticos do Norte e do Sul Global no bolso e controlam rigorosamente o que interessa nas negociações das COP’s – Belém será apenas mais uma demonstração cabal disso– e em outras instâncias também, a mineração acena para ocupar o lugar que as petroleiras não podem mais, pelo menos oficialmente.

É “indispensável frisar”, diz o IBRAM, que o texto do PL nº 2.159/2021 assegurará ao Brasil  lugar de destaque como “player mundial” em “um cenário net zero e líder da agenda de transição energética, uma vez que o país produz a maioria dos minerais considerados críticos e estratégicos, tanto para alcançarmos uma economia de baixo carbono quanto para reduzir a dependência da importação de fertilizantes”.

A última frase é um aceno ao agronegócio, irmão em armas, em lobby, em infraestrutura, logística, poder, influência e dinheiro, ainda que muito mais pulverizado e “frágil” quando comparado com quem manda no mundo realmente. Afinal, o agronegócio, via fertilizantes, também depende da mineração. Todos nós dependemos. E a mineração, ciente disso, usa muito bem esse argumento para obliterar toda e qualquer crítica, para desprezar quem ousa questionar o modelo espetacular de desenvolvimento pelo qual passamos nos últimos 5 séculos e 25 anos.

Gente muito boa discorda da visão do IBRAM sobre o PL 2159/2021. Mais de 350 organizações movimentos sociais – veja, trezentos e cinquenta – assinaram um manifesto contra o gentilmente apelidado “PL da Devastação” que “estraçalha o licenciamento ambiental no país”, diz, letra por letra, a nota divulgada pelo Observatório do Clima.

“O projeto de lei representa a derrocada de mais de 40 anos de construção da legislação ambiental. Além de ser juridicamente insustentável, compromete fundamentos constitucionais da política ambiental e viola direitos essenciais, como o acesso à saúde e a um meio ambiente ecologicamente equilibrado”, diz o texto.

O cenário atual do licenciamento ambiental no Brasil, no entanto, não é exatamente uma maravilha. A Agência Nacional de Mineração concedeu milhares de “guias de utilização” – algo que deveria ser excepcional – para empresas atuarem, na prática, sem qualquer licenciamento, como revelamos exclusivamente em fevereiro. O libera geral já acontece na prática, sob a mira do Tribunal de Contas da União (TCU).

Além disso, as mineradoras são muito hábeis em “sugerir” alterações em leis, normas, regras, decretos, resoluções, todo tipo de norma infralegal no nível federal, estadual, municipal, em controlar cada aspecto do licenciamento ambiental. Minas Gerais e Pará são exemplos gritantes disso e eu produzi algumas matérias especiais nos últimos anos que mostram exatamente como o lobby mineral manda órgãos públicos ajoelharem e rezarem.

O IBRAM não está sozinho nesta, bom lembrar. O próprio governo Lula III e sua base no Congresso é majoritariamente a favor do PL da Devastação e o Executivo já deu inúmeras demonstrações de que não só não está interessado em travar esse PL como que concorda enormemente com os seus termos gerais.

É o mesmo governo que“converge em 90% dos temas” com a Vale, como dito por um executivo da mineradora recentemente. É o mesmo governo, representado por Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia que recebeu mais de R$ 2 milhões em doações de mineradoras para suas campanhas políticas nos últimos anos, como mostramos aqui ainda em 03 de janeiro de 2023.

É o mesmo Silveira que, entre outras, foi homenageado recentemente pelo mesmo IBRAM que defende o PL da Devastação. É o mesmo MME que discute, em conjunto com a “Frente Parlamentar da Mineração Sustentável” – criada e apoiada pelo IBRAM – qual será a atrasada política brasileira em relação aos tais minerais críticos e estratégicos.

O PL da Devastação, que realmente destrói com o que sobrou do licenciamento ambiental no Brasil – e sobrou pouca coisa – coroa uma década de intenso lobby mineral em diferentes governos, em um Congresso financiado majoritariamente pelas mesmas empresas e empresários que ditam o que querem e o que não querem.

O “presidencialismo de coalizão” já era e o “parlamentarismo”, que volta à baila após anos de fortalecimento de um congresso extremista de direita e inundado por dinheiro empresarial, também não dá conta da realidade: somos um país governado pelo mercado e pelo mercado seguiremos sendo governados, não importa quem seja eleito em 2026.

A aniquilação do licenciamento ambiental é apenas o capítulo mais recente, embora um muito relevante, que a maioria das pessoas não dá a mínima, desse óbvio ululante. Uma previsão sempre segura: vai piorar.


Fonte: Observatório da Mineração

As consequências das inundações no Texas foram agravadas pela negação climática

Autoridades eleitas devem ser responsabilizadas, agora e no futuro, pelas vidas perdidas em desastres causados ​​por condições climáticas cada vez mais extremas 

Ninguém consegue fazer isso sozinho. Fotógrafo: Ronaldo Schemidt/AFP/Getty Images

Por Michael R. Bloomberg para a “Bloomberg”

As evidências científicas são claras de que a frequência cada vez maior de eventos climáticos extremos que estamos vivenciando é impulsionada pelas mudanças climáticas — e que a situação só tende a piorar. Como afirmou o diretor do Centro de Clima Extremo do Texas, da Universidade Texas A&M, as tempestades e inundações no centro do Texas são “exatamente o que o futuro reserva”. E, no entanto, muitos políticos eleitos fingem o contrário.

O último episódio de inundações horríveis não se trata apenas de um desastre natural em um estado. Trata-se também de um fracasso político que vem ocorrendo em estados de todo o país, principalmente em Washington. A recusa em reconhecer que as mudanças climáticas acarretam pena de morte está enviando pessoas inocentes, incluindo muitas crianças, para sepulturas prematuras.

Há quase um ano, o furacão Helene causou inundações devastadoras no oeste da Carolina do Norte, matando mais de 100 pessoas. Poucos meses depois, incêndios florestais na Califórnia mataram 30 pessoas e destruíram milhares de casas e empresas. Este mês, a morte e a destruição causadas pelas mudanças climáticas chegaram ao Texas. Para onde iremos agora? Nenhum lugar é seguro.

Infelizmente, nem todas as vidas podem ser poupadas das mudanças climáticas, mas muitas outras poderiam ser salvas se as autoridades eleitas parassem de fingir que não têm poder para fazer nada a respeito. O fato é: a mudança climática é um problema administrável com soluções práticas. Essas soluções não só salvarão vidas, como também melhorarão nossa saúde, reduzirão nossas contas de energia e criarão mais empregos. Quanto mais essas autoridades fingirem o contrário, mais a população sofrerá e mais pessoas morrerão. E, no entanto, o que os que estão no poder em Washington estão fazendo? Pior do que nada: estão frustrando ativamente os esforços para combater as mudanças climáticas e ajudar as comunidades a lidar com seus danos.

O governo Trump apagou as palavras “mudanças climáticas” — e dados e informações climáticas cruciais — dos sites governamentais, como se o problema pudesse ser resolvido com um desejo. Ele está tentando reverter a obrigação da Agência de Proteção Ambiental (EPA) de combater as mudanças climáticas. E colocou vidas em risco ao cancelar subsídios concedidos a comunidades locais para ajudá-las a se preparar para os efeitos das mudanças climáticas — e ao cortar cargos essenciais no Serviço Nacional de Meteorologia (NHS), que auxiliam as comunidades a se prepararem e responderem a desastres, deixando os escritórios do serviço meteorológico nas áreas próximas às inundações com falta de pessoal.

Na semana passada, o governo chegou a propor a extinção de um escritório de pesquisa que desempenha um papel crucial na previsão de eventos climáticos extremos. E isso não é tudo.

No mesmo dia em que as enchentes no Texas mataram dezenas de pessoas, o presidente assinou um projeto de lei orçamentária que, além de aumentar em US$ 3 trilhões a dívida nacional, prejudicou os esforços do país para promover fontes de energia renováveis. O novo orçamento revoga créditos fiscais para produção de energia limpa, veículos elétricos e manufatura limpa, além de eliminar o Fundo de Redução de Gases de Efeito Estufa, criado pelo Congresso para ajudar a aumentar o investimento do setor privado em energia limpa. Como resultado, muito menos projetos desse tipo serão construídos, eliminando empregos em comunidades por todo o país e elevando os custos de energia.

Tudo isso tornará mais difícil para os EUA reduzirem as emissões de gases de efeito estufa que estão ajudando a sobrecarregar tempestades mortais, ao mesmo tempo em que aumenta o número de vítimas humanas e os custos financeiros de condições climáticas extremas — e torna mais difícil para estados e localidades se recuperarem delas.

Os governos locais e estaduais não têm recursos para se recuperar sozinhos de desastres, e é por isso que o governador do Texas, Greg Abbott, solicitou apoio e assistência financeira à Agência Federal de Gestão de Emergências (FEGA). No entanto, o governo tem se dedicado a desmantelar a agência, que perdeu cerca de 20% de seus funcionários em tempo integral desde o início do ano. Para piorar a situação, o governo propôs a extinção total da FEMA, o que seria um desastre por si só.

Em resumo: o governo federal está tentando se afastar da tarefa de ajudar as comunidades a se prepararem e responderem a desastres climáticos causados ​​pelo clima, justamente quando eles estão se tornando mais mortais e destrutivos. Não vai funcionar. Como as enchentes no Texas demonstram dolorosamente, Washington não pode se esquivar de seu dever de enfrentar as mudanças climáticas. Tentar fazer isso só levará a um número maior de mortos e a um ônus financeiro maior para as comunidades.

Abbott merece crédito por ter defendido a indústria de energia limpa do estado e ajudado a rejeitar diversos projetos de lei que estabeleceriam um limite anti-livre mercado para a produção de energia limpa e sujeitariam projetos de energia eólica e solar a uma burocracia adicional. Precisamos que mais representantes eleitos reconheçam que a mudança climática não deve ser uma questão partidária — e que isso requer a cooperação urgente de membros de ambos os partidos, bem como de ambas as extremidades da Avenida Pensilvânia.

Isso não é apenas a coisa certa a fazer. Cada vez mais, também se tornará essencial para a autossuficiência política — porque, à medida que eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes, os eleitores cada vez mais responsabilizarão os governantes eleitos por suas ações.

Há muito mais que nossos governos podem fazer para nos proteger — e aos nossos filhos e aos seus — dos efeitos cada vez mais graves das mudanças climáticas. Mas, para que isso aconteça, todos nós precisamos fazer com que nossas vozes sejam ouvidas e que nossos votos sejam contabilizados.


Fonte: Bloomberg