Luta contra os fabricantes de agrotóxicos sacode o campo nos EUA

A batalha continua contra as proteções legais propostas para proteger os fabricantes de agrotóxicos

Por Carey Gillam para o “The New Lede”

Os esforços das empresas de agrotóxicos para aprovar leis que possam bloquear litígios contra elas estão gerando batalhas em vários estados agrícolas dos EUA e colocando alguns grupos agrícolas uns contra os outros.

Leis foram introduzidas em pelo menos 8 estados até agora e rascunhos estão circulando em mais de 20 estados, apoiados por uma enxurrada de publicidade apoiando as medidas.

A luta é particularmente feroz agora em Iowa, onde os oponentes chamam a lei proposta apoiada por agrotóxicos de “Cancer Gag Act”, devido aos altos níveis de câncer em Iowa que muitos temem estar ligados ao grande uso agrícola de agrotóxicos no estado. Iowa tem a segunda maior taxa de novos casos de câncer nos EUA e a taxa de câncer que mais cresce. 

Os organizadores contra o projeto de lei de Iowa estão planejando um comício no capitólio estadual na segunda-feira, depois que o senado estadual votou em 5 de fevereiro para avançar a medida. O projeto de lei impediria as pessoas de processar os fabricantes de agrotóxicos por não alertá-los sobre os riscos à saúde, desde que os rótulos dos produtos sejam aprovados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA).  

Os oponentes dizem que a legislação impedirá que agricultores e outros usuários de agrotóxicos responsabilizem as empresas na justiça caso seus produtos causem doenças ou ferimentos.

“Estamos muito preocupados. Nossos fazendeiros acham que se tiverem ferimentos ou doenças devido ao uso de um agrotóxico, eles devem ter acesso aos tribunais”, disse Aaron Lehman, um fazendeiro de milho e soja de Iowa que é presidente do Iowa Farmers Union . “Nós simplesmente não achamos que o campo de jogo deva ser inclinado (em favor dos fabricantes de agrotóxicos).”

Mas os defensores da legislação dizem que estão tentando garantir que os agricultores não percam o acesso a herbicidas benéficos, inseticidas e outros produtos químicos que são comumente usados ​​no cultivo de alimentos. Eles sustentam que os advogados de responsabilidade civil exploram e induzem pessoas doentes a entrar com ações judiciais que não são apoiadas por evidências científicas, e tais ações devem ser limitadas.

Vários grandes grupos agrícolas, incluindo a Iowa Farm Bureau Federation, estão apoiando o projeto de lei.

As ações nos estados vêm junto com uma pressão simultânea por mudanças na lei federal que efetivamente protegeriam as empresas de processos movidos por pessoas que alegam ter desenvolvido câncer ou outras doenças devido ao uso de agrotóxicos.

A Bayer, proprietária alemã da antiga Monsanto Co., é a principal arquiteta da estratégia, projetada como um meio de combater milhares de processos movidos por fazendeiros e outros que culpam o uso dos herbicidas Roundup da Monsanto por causar câncer.

O litígio custou até agora à Bayer bilhões de dólares em acordos e vereditos do júri favorecendo os demandantes, e mais casos estão pendentes. A empresa diz que a busca pelas mudanças legislativas é necessária para proteger seus “investimentos importantes” e garantir que os fazendeiros não percam o acesso ao Roundup.

A Bayer diz que se uniu a mais de 360 ​​grupos de produtores e da indústria para impulsionar as mudanças legislativas federais e à coalizão de organizações agrícolas Modern Ag Alliance para lutar pelas mudanças nas leis estaduais que ajudam a proteger os fabricantes de pesticidas de litígios.

A CropLife America, que faz lobby em nome da Bayer e de outros fabricantes de agrotóxicos, afirma que a EPA é a “ agência federal especialista ” encarregada pelo Congresso de avaliar a segurança dos pesticidas. As empresas não têm a opção de adicionar avisos aos seus rótulos se a EPA não tiver considerado tais avisos precisos, de acordo com a CropLife .

Além de Iowa, as medidas estão avançando em outros estados. No Missouri, o antigo estado natal da Monsanto, a proposta de lei de proteção foi aprovada pelo House Agriculture Committee em 4 de fevereiro.

A legislação ainda não foi formalmente introduzida em Idaho, mas um rascunho tem circulado entre os legisladores, disse Jonathan Oppenheimer, diretor de relações governamentais da Idaho Conservation League. A liga e um contingente de outros grupos de oposição realizaram uma coletiva de imprensa na semana passada denunciando os esforços para aprovar o que os grupos chamam de lei de “Imunidade de Empresas Químicas”.

Eles citaram pesquisas que mostram níveis elevados de agrotóxicos em mulheres grávidas que vivem perto de campos agrícolas e um estudo que descobriu que a ocorrência elevada de câncer  está correlacionada à exposição ao uso destes produtos. 

“Há preocupações significativas com o fato de que a EPA não conduz seus próprios estudos de segurança sobre esses produtos antes de serem aprovados”, disse Oppenheimer. “Eles confiam nesses estudos de pesquisa da indústria. E quando você olha para o histórico de aprovação de agrotóxicos, houve vários casos em que os fabricantes sabiam que seus produtos causavam certos danos, mas buscavam limitar a divulgação pública desses estudos. Como resultado, muitos produtos perigosos estão no mercado há anos. Muitas vezes, leva décadas para a EPA retirar a aprovação desses produtos.”

Junto com as ações legislativas estaduais, a EPA abriu no mês passado um período de comentários públicos sobre uma petição apresentada pelos procuradores-gerais de Nebraska, Iowa, Alabama, Arkansas, Geórgia, Indiana, Louisiana, Montana, Dakota do Norte, Carolina do Sul e Dakota do Sul buscando uma emenda à lei federal que tornaria mais difícil para as pessoas processarem os fabricantes de agrotóxicos.

As modificações propostas proibiriam quaisquer requisitos de rotulagem estaduais que fossem “inconsistentes” com as conclusões da EPA sobre a segurança de um agrotóxico.

“Declarações ou conclusões sobre os efeitos do produto na saúde humana, incluindo a probabilidade de causar câncer, defeitos congênitos ou danos reprodutivos, que sejam diferentes das descobertas e conclusões da EPA” seriam consideradas “rotulagem enganosa”, afirma a emenda proposta.

Assim como as leis estaduais propostas, o texto essencialmente impediria ações judiciais contra fabricantes de pesticidas que os acusassem de não alertar o consumidor sobre certos riscos à saúde se a EPA não tivesse exigido que esses riscos fossem explicitados no rótulo do produto.

A EPA está aceitando comentários até 20 de fevereiro.

De volta a Iowa, espera-se que o projeto de lei seja aprovado pelo senado estadual, mas a projeção é de que enfrentará uma batalha difícil na câmara dos deputados.

Apesar de uma “enxurrada” de anúncios online e em jornais por parte dos proponentes do projeto de lei de Iowa, a oposição é forte, disse Andrew Mertens, diretor executivo da Associação de Justiça de Iowa, que se opõe ao projeto de lei.

“ Pesquisas em Iowa indicariam que o público em geral simplesmente não vai cair na mensagem da Bayer”, disse Mertens. “Mas os legisladores podem ser influenciados de maneiras que os eleitores não podem, então a luta está longe de acabar.” 


Fonte: The New Lede

Liberação de agrotóxicos mostra como governo Lula segue ‘refém’ de estrutura colonialista, diz Larissa Bombardi

Em 2024, Brasil liberou 663 agrotóxicos, 19% a mais do que ano anterior, superando marca alcançada por Bolsonaro

Por Lucas Salum para o “Brasil de Fato” 

Ano passado, o Brasil liberou 663 agrotóxicos. Embora a grande maioria se refira a produtos genéricos de outros agrotóxicos que já estavam aprovados no país, o número ligou sinal de alerta para pesquisadores que acreditavam que a atual gestão federal iria mudar a política de uso de venenos nas lavouras.

“A gente tem um governo, que se propõe progressista, refém de uma estrutura colonialista em que os proprietários de terra, ou os representantes dos proprietários de terra, controlam o país”, resume a pós-doutora em geografia humana Larissa Bombardi, em entrevista ao programa Bem Viver desta quinta-feira (6).

Ela é autora do livro Agrotóxicos e Colonialismo Químico que explica como a América Latina compra e consome produtos extremamente nocivos à saúde humana e ao meio ambiente, ao mesmo tempo que esses agrotóxicos são proibidos nos países de origem, principalmente nações da União Europeia.

“No Brasil, dos dez agrotóxicos mais vendidos, cinco são proibidos na União Europeia. E um deles, que se chama atrazina, que  é o quarto no ranking de vendas no Brasil, foi proibido na União Europeia, justamente, porque ele está dentro dessas substâncias consideradas extremamente tóxicas e ele está associado a diversos tipos de câncer, por exemplo, de ovário, próstata, tireóide, estômago, dentre outras.”

Na entrevista, a pesquisadora explica mais sobre a ligação do câncer com agrotóxicos e como se dá essa relação de colonialismo, que, segundo ela, segue se agravando ano após ano.

Confira a entrevista na íntegra 

Estamos na semana em que marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Podemos relacionar o enfrentamento à doença com as políticas de agrotóxicos?

Nossa, é essencial conectar esses pontos. 

Tem uma sigla em inglês, HHP [Highly Hazardous Pesticides], que define os agrotóxicos extremamente perigosos. A maior parte desses agrotóxicos está proibida na União Europeia justamente porque eles causam não só uma intoxicação aguda – aquela situação em que a pessoa teve contato com a substância e passou mal, desmaiou, teve vômitos, dores ou coceiras, algo que é muito instantâneo –, mas também existe outro efeito mais invisível, por assim dizer.

São os efeitos crônicos da exposição agrotóxicos. O que é esse efeito? São doenças crônicas, dentre elas, principalmente, o câncer, que as pessoas desenvolvem em função da exposição cotidiana a essas substâncias. 

No Brasil, dos dez agrotóxicos mais vendidos, cinco são proibidos na União Europeia. E um deles, que se chama atrazina, que é o quarto no ranking de vendas no Brasil, foi proibido na União Europeia, justamente porque ele está dentro dessas substâncias consideradas extremamente tóxicas e ele está associado a diversos tipos de câncer, por exemplo, de ovário, próstata, tireóide, estômago, dentre outras.

Obviamente, que os trabalhadores rurais, os camponeses, a população que vive próximo a áreas com cultivo intensivo, estão mais expostas a essas substâncias, mas eu diria que a população como um todo está, por conta dos alimentos que a gente consome.

Essas substâncias estão presentes na alimentação e na água. Então, o glifosato, por exemplo, que é o agrotóxico mais vendido no Brasil, o mais vendido no mundo, foi considerado potencialmente cancerígeno para seres humanos pela Organização Mundial da Saúde há 10 anos, desde 2015. E, no Brasil, o resíduo dessa substância é 5 mil vezes mais permissivo do que aquele permitido na União Europeia.

Mesmo que a pessoa apenas consuma orgânicos, ela segue exposta aos agrotóxicos, certo?

O monitoramento que acontece no Brasil de resíduos de agrotóxicos é muito incipiente. Por exemplo, quando a gente fala de agrotóxicos nos alimentos, a gente tem essa representação na nossa cabeça de que a gente está falando de alimento fresco, frutas, verduras e legumes.

No entanto, a carne não é monitorada, a alimentação infantil não é monitorada, os ultraprocessados não são monitorados, as bebidas não são monitoradas. 

Então, grande parte da nossa alimentação sequer é monitorada. E houve anos em que sequer a soja, que responde por mais da metade do consumo de agrotóxicos no Brasil, também não foi monitorada. 

Realmente é uma violência invisível. É uma violência invisível no campo quando a gente fala dos conflitos fundiários em que essas substâncias têm sido utilizadas como armas químicas para uma  tentativa de expulsão de indígenas, de camponeses, de quilombolas de suas terras.

E ela é também uma, eu diria, uma violência invisível, na isenção de impostos para agrotóxicos. 

Como a senhora avalia a atuação do governo Lula diante deste cenário?

Eu diria que o governo está tímido. Achei muito importante esse pronunciamento dele com relação à comparação que ele fez Brasil e Alemanha, de que não é possível que o Brasil esteja exposto às substâncias que, por exemplo, a Alemanha não está. 

Mas os dados mostram um caminho diferente do que a gente esperava. Por exemplo, o número de novos agrotóxicos aprovados. Isso me remete ao título do meu livro [Agrotóxicos e Colonialismo Químico]. 

Quando a gente fala de colonialismo, obviamente a gente pensa no colonialismo histórico, no momento em que a Europa avançava sobre as terras da América, em que pilhava essas terras, ou seja, em que se apropriava dos recursos naturais por meio de extrema violência,

[Karl] Marx morou aqui em Bruxelas, onde eu vivo, e escreveu o Manifesto Comunista em 1847, 1848. Ou seja, naquele momento, a Europa já estava discutindo questões de trabalho, relações de trabalho, condição do trabalhador.. E a escravização de pessoas era algo impensável naquele momento histórico. 

No entanto, eram as companhias europeias que comercializavam as pessoas escravizadas, que traziam as pessoas da África para outras partes do mundo na condição de escravos. 

Então, aquilo que ela não tolerava para si, estava no auge mundo afora, patrocinado pela própria Europa.

Guardadas as devidas proporções históricas e geográficas, a gente está diante de uma Europa que não tolera algumas substâncias no seu território, mas que vende essas substâncias para outros países.

Só que o colonialismo não existe sem a colonialidade. Qual que é a parte da colonialidade? A colonialidade é essa maneira, essa forma como nós nos constituímos como nação, em que há uma pequena, minúscula elite, classe social, que controla a propriedade da terra. 

E isso se perpetuou na América Latina e no Brasil ao longo dos séculos. E o que é que a gente tem hoje? A gente tem um governo, que se propõe progressista, refém de uma estrutura colonialista em que os proprietários de terra, ou os representantes dos proprietários de terra, controlam o país.


Fonte: Brasil de Fato

A guerra tarifária de Trump alcançará o Brasil e colocará desafios para o governo Lula e para a extrema-direita

Pressionados por um déficit comercial considerável e pela necessidade de reverter esse quadro desfavorável, o presidente Donald Trump anunciou que vai começar a aumentar as tarifas de importações dos principais parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil.  O tamanho da facada ainda não se sabe, mas isso deverá ser anunciado nos próximos dias.

A opção por aumentar o nível das tarefas cobradas por produtos importados é o tipo “faca de dois gumes”, pois para os EUA só funcionará se os países e blocos visados pela ira tarifária de Trump não tomarem medidas reciprocas. E como a maioria das economias nacionais não vive um grande momento, a simples ideia de que não haverá reciprocidade é pouco crível.

O fato do Brasil estar na mira de Donald Trump gerará consequências inevitáveis para o governo do presidente Lula, já que os EUA são o segundo parceiro comercial do nosso país. Mas há que se lembrar que a balança comercial brasileira, ao contrário do caso chinês, possui um déficit na relação com os EUA. Assim, se Trump exagerar no sal tarifário com o Brasil, Lula terá a possibilidade de exercer uma reciprocidade que poderá doer mais lá do que as tarifas estadunidenses doerão por aqui.

O problema com o governo Lula é se haverá disposição de enfrentar a diplomacia do canhão que Trump ameaça usar contra todos aqueles que contrariarem seus planos de reestabelecer a hegemonia econômica dos EUA, cada vez mais ameaçada pela ascensão chinesa.

Um problema a mais é que Trump espertamente aliviou a mão na hora de assinar as tarifas contra a China, pois o agronegócio dos EUA tem todo interesse em competir com o brasileiro por uma fatia maior das importações chinesas de produtos agrícolas.  Aí talvez a coragem de enfrentar Trump receba algum anabolizante, pois será uma situação do tipo “bola ou bulica”, dada a atual dependência da balança comercial brasileira da exportação de commodities agrícolas e minerais.

A extrema-direita e seus próprios problemas com a diplomacia das tarifas de Trump

Congressistas brasileiros se reuniram em hotel para assistir à cerimônia de posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos | Divulgação - 20.jan.2025

Sem convites para o palco principal da posse de Trump, parlamentares da extrema-direita se reuniram em hotel para assistir à cerimônia de posse do presidente dos Estados Unidos

Se Trump pesar demais a mão contra o Brasil, a situação da extrema-direita brasileira também será de saia justa. É que praticando uma forma curiosa de nacionalismo adesista aos interesses dos EUA- lembremos aqui a ida de vários parlamentares do PL para celebrar a posse de Donald Trump (ainda que tenham ficado em locais de menor importância)-,  a extrema-direita agora terá de assistir ao terror tarifário que atingirá os principais financiadores de suas campanhas políticas. Será interessante ver como os Nikolas e Eduardos da vida vão explicar isso à base ruralista/evangélica que os sustenta. 

Uma das nuances dessa sinuca de bico é o fato de que o preço das commodities continua caindo em combinação com as perdas causadas por eventos climáticos extremos. Assim, sofrer a imposição de taxações salgadas poderá agravar a situação de várias empresas que sustentam o funcionamento do latifúndio agro-exportador que majoritariamente apoia políticos da extrema-direita. 

Assim, fiquemos prontos para ver como vai reagir a extrema-direita, já que não será possível culpar o governo Lula pela perda de competividade nos EUA, com a possibilidade de que ainda se tenha de brigar para manter ou ainda aumentar o acesso ao mercado chinês de commodities. 

Em suma, a extrema-direita tem pela frente um interessante desafio para seu modelo de nacionalismo adesista.

Na “The Lancet”, professor da UFF e do Programa de Políticas Sociais da Uenf alerta sobre ataques aos direitos reprodutivos das mulheres brasileiras

O professor da UFF-Campos e que atua como docente do Programa de Políticas Sociais da Uenf, Carlos Abraão Moura Valpassos é um dos co-signatários de uma correspondência que acaba de ser publicada pela prestigiosa revista científica “The Lancet”, uma das mais importantes do mundo na área de estudos médicos. Essa correspondência alerta para o avanço de propostas de legislação que restringem ainda o direito das mulheres brasileiras a decidirem sobre o seu próprio corpo, incluindo a proibição total do aborto, mesmo em casos de estupro e risco de vida para as mães.

Segundo os pesquisadores, um dos projetos que ilustram esse ataque é o Projeto de Lei 1904/24, que equipara abortos feitos após 22 semanas a homicídio, e que foi apresentado pelo deputado federal Sóstenes Cavalcanti (PL/RJ).   O projeto de Sóstenes Cavalcanti, argumentam os pesquisadores signatários,  é um reflexo da ascensão da extrema direita do Brasil após a eleição presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Além disso, eles argumentam que, mesmo com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, o Projeto de Lei 1904/24 simboliza a relevância contínua da extrema direita brasileira e a história da lei do aborto como um campo de batalha moral fundamental.

Na correspondência é lembrado que apenas em 2023, o Brasil registrou 83.988 ocorrências de estupro, o que equivale a um estupro a cada 6 minutos. Em função de ignorar esse dura realidade  em nome de uma pauta moralista que acaba reforçando o processo de violência contra as mulheres, o projeto de lei 1904/24 foi chamado de projeto de lei do estuprador, já que cria uma situação em que as penas para estupro são menores do que para abortos após 22 semanas devido a gestações resultantes de estupro.

Quem desejar ler, o teor completo da correspondência publicada pela “The Lancet”, basta clicar [Aqui!].

Carros da Tesla de Elon Musk se tornam tóxicos com queda nas vendas na Europa e no Reino Unido

As vendas de veículos elétricos na região estão crescendo, mas não para a Tesla

As vendas da Tesla na Europa saíram do cais e caíram na água. Crédito: HAKON MOSVOLD LARSEN/NTB/AFP via Getty Images

Por Jonathan M. Gitlin para a “ARS Technica” 

Os primeiros dados de vendas de carros para janeiro estão começando a chegar de países do outro lado do oceano, e eles pintam um quadro alarmante para a Tesla. As vendas estão caindo na França, Alemanha e Reino Unido — todos países ricos que são mercados-chave para os veículos elétricos da Tesla. Vindo na esteira de um grande fracasso financeiro , é apenas mais um problema para a montadora.

As vendas da Tesla caíram cerca de 13% em toda a Europa em 2024, mas até agora neste ano, a escala do problema é muito maior. Na França , as vendas de novos Teslas caíram 63%, enquanto as vendas totais de carros no país caíram apenas 6 por cento, com as vendas de carros elétricos caindo apenas 0,5%.

A Alemanha já parecia um terreno perdido para a Tesla — sua queda de 41% em 2024 foi responsável pela maior parte das vendas perdidas da Tesla na Europa. Isso deve tornar a queda de 59% nas vendas da Tesla alemã registrada em janeiro ainda mais dolorosa nas declarações de lucros e perdas.

Do outro lado do Canal, a indústria automobilística britânica acaba de divulgar seus dados de vendas de janeiro. Aqui, as vendas da Tesla caíram menos precipitadamente — apenas 12%. No entanto, as vendas de EVs a bateria foram 35% maiores no Reino Unido em janeiro de 2025 do que em janeiro de 2024. O bolo está crescendo, mas a Tesla está comendo cada vez menos dele.

Na verdade, nenhum Tesla entrou na lista dos 10 mais vendidos do Reino Unido no mês passado, algo que aconteceu regularmente no passado, embora isso possa ser devido ao fato de haver apenas dois modelos à venda na maioria dos mercados.

Grandes declínios também foram registrados na Suécia (44%), Noruega (38%) e Holanda (42%).

A gama limitada e desatualizada de modelos da Tesla é, sem dúvida, um fator que contribui para suas vendas fracas na Europa, e a empresa deve estar esperando que o crossover Model Y recentemente remodelado possa estimular mais tráfego em seus showrooms. Seu investimento no Cybertruck não ajuda em nada na região, pois a picape revestida de aço é muito grande e pesada para uso com uma carteira de motorista normal e não está em conformidade com as regulamentações de legalidade nas estradas.

Mas o comportamento do CEO da Tesla, Elon Musk, também pode ser o culpado por grande parte da aversão da Europa por seus carros. Ultimamente, Musk tem se inserido repetidamente na política europeia para criar atrito e promover suas causas de extrema direita. Na Europa, pelo menos, parece que os compradores de carros podem estar cansados ​​dele.


Fonte: ARS Technica

Superexploração das águas subterrâneas está comprometendo a vazão dos rios no Brasil

Estudo constatou que mais da metade dos rios brasileiros pode sofrer redução no fluxo devido à transferência de água para os aquíferos. O bombeamento para irrigação está entre os principais fatores. Mais de 88% dos poços operam em condições ilegais

Reservatório da represa de Itaparica, no rio São Francisco, fotografado a partir da Estação Espacial Internacional, em 2016 (crédito: Nasa/Wikimedia Commons)

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP

Mais da metade dos rios brasileiros apresenta risco de redução de fluxo devido à percolação da água em direção aos aquíferos subterrâneos. Esta constatação resultou da análise de 17.972 poços em todo o território nacional. Destes, 55,4% apresentaram níveis de água abaixo da superfície dos rios mais próximos. Essa diferença no nível hidráulico cria um gradiente que favorece a percolação da água do rio para o subsolo, podendo transformar rios em perdedores de fluxo de água. O estudo, realizado por pesquisadores do país e do exterior, foi publicado no periódico Nature Communications “Widespread potential for streamflow leakage across Brazil”.

“Devido a condições climáticas e à intensa atividade agrícola, são áreas especialmente críticas a bacia do rio São Francisco e a região do Matopiba [que abrange os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia], ambas muito dependentes de águas subterrâneas para irrigação e abastecimento humano”, diz Paulo Tarso Sanches de Oliveira, segundo autor do estudo, professor de hidrologia e recursos hídricos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP).

No caso da bacia do São Francisco, 61% dos rios analisados mostraram potencial de perda de fluxo de água para o aquífero, resultado atribuído ao uso intensivo de águas subterrâneas principalmente para irrigação. A situação é ainda pior na bacia do rio Verde Grande, um afluente do São Francisco, que se estende pelo norte de Minas Gerais e sudoeste da Bahia. Neste caso, o potencial de perda de fluxo chega a afetar 74% dos rios. “Essas duas bacias são cruciais para a agricultura e geração de energia hidrelétrica no Brasil. O que está acontecendo põe em risco não apenas a sustentabilidade local, mas também a segurança hídrica, alimentar e energética em grande escala”, comenta Oliveira.

Um forte fator de impacto é a perfuração indiscriminada de poços, para irrigação agrícola ou consumo privado. Estudo publicado em 2021 por Ricardo Hirata e colaboradores mostrou que existiam naquela data cerca de 2,5 milhões de poços tubulares no Brasil e que mais de 88% deles eram ilegais, sem licença ou registro para bombeamento. O volume de água bombeada, da ordem de 17,6 bilhões de metros cúbicos por ano, seria suficiente para atender toda a população brasileira, mas era usufruído por menos de 20% da população.

Além de o bombeamento comprometer seriamente a vazão dos rios, afetando a disponibilidade de água para o consumo humano, os ecossistemas aquáticos e a própria paisagem, o uso excessivo de água subterrânea pode causar a subsidência do solo – isto é, o afundamento e até mesmo o colapso da superfície. “Esse cenário já foi observado na Índia e na Califórnia, e o Brasil pode vir a enfrentar problemas semelhantes se não houver planejamento e controle adequados. O alerta é ainda mais relevante diante das projeções que indicam um aumento superior a 50% nas áreas irrigadas no país nos próximos 20 anos, o que pressionará ainda mais os recursos hídricos superficiais e subterrâneos”, sublinha o pesquisador.

Planejamento e controle são indispensáveis, pois, apesar de deter 15% da água doce renovável do mundo, o país já está enfrentando grandes problemas hídricos, que o acirramento da crise climática deverá agravar. “A região do bioma Cerrado, que abriga importantes aquíferos e rios estratégicos, além de ser a principal área de expansão agrícola e responsável por 70% da produção de milho do país, está entre as regiões mais vulneráveis. O equilíbrio entre rios e aquíferos na região pode ser comprometido pelas recentes mudanças no uso e cobertura do solo, impulsionadas pelo avanço da fronteira agrícola e, sobretudo, pela crescente demanda por irrigação”, pontua Oliveira.

Para enfrentar esse cenário, os pesquisadores envolvidos no estudo enfatizam a necessidade de integrar a gestão de águas superficiais e subterrâneas. Ferramentas baseadas em sensoriamento remoto e dados de campo podem ajudar a mapear regiões críticas e a orientar políticas públicas. Além disso, investimentos em monitoramento hidrogeológico são cruciais. “O Brasil tem potencial para ampliar a irrigação de forma sustentável, mas é necessário planejar melhor o uso integrado das águas subterrâneas e superficiais para evitar impactos negativos”, afirma José Gescilam Uchôa, primeiro autor do artigo.

Foi ele o responsável pelo levantamento exaustivo de informações sobre os 17.972 poços investigados. Para esse levantamento, feito durante sua pesquisa de mestrado, Uchôa utilizou a base de dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Agora doutorando na EESC-USP, sob a orientação de Edson Cezar Wendland, que também assina o artigo, Uchôa está pesquisando o impacto do uso e da ocupação do solo, bem como das mudanças climáticas, nos fluxos hidrológicos entre as águas subterrâneas e superficiais em área de afloramento do aquífero Guarani. A investigação é apoiada por bolsa da FAPESP.

Oliveira e Uchôa argumentam que ainda é possível minimizar o problema, mas que medidas efetivas não podem ser postergadas, porque, do jeito que as coisas estão, a depleção do sistema hídrico já está impactando, inclusive, a saúde da população. “Em 2017, foi registrado um aumento significativo nos casos de pressão alta entre os moradores de um pequeno vilarejo no litoral de Alagoas, que consomem água proveniente do rio São Francisco. Posteriormente, constatou-se que o problema estava relacionado à ingestão de uma maior concentração de sal na água, causada pela intrusão de água do mar no rio, em decorrência da redução de sua vazão”, informa Oliveira. O assunto foi objeto de reportagens na mídia.

O estudo em pauta é muito significativo para o Brasil, que pode enfrentar um agravamento do estresse hídrico, com consequências severas para o abastecimento de água, a segurança alimentar e os ecossistemas. Mas seu alcance é ainda maior, pois serve como um chamado global para a revisão de estratégias de manejo hídrico em países tropicais, onde o uso crescente de águas subterrâneas coloca em risco os recursos hídricos superficiais.

O artigo Widespread potential for streamflow leakage across Brazil pode ser acessado em: www.nature.com/articles/s41467-024-54370-3.


Fonte: Agência Fapesp

Interiorização entre o discurso e a prática: o caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf)

Por Carlos Eduardo de Rezende para o Jornal da Ciência da SBPC

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) iniciou suas atividades no atual campus em 16 de agosto de 1993. Contudo, já em novembro de 1992, diversos cursos já estavam sendo ministrados na Fundação Norte Fluminense de Desenvolvimento Regional (FUNDENOR). Tal arranjo decorreu da obrigatoriedade imposta pela Constituição, que determinava o início das atividades da UENF dentro de um período de três anos após sua promulgação da Constituição Estadual, em 1989. Esse marco, portanto, simboliza a fundação da Uenf.

Inicialmente, cogitava-se a possibilidade de transformar algumas faculdades isoladas em uma universidade estadual. No entanto, com a chegada do Prof. Darcy Ribeiro para liderar o projeto, a concepção da Uenf foi radicalmente redefinida. Sob sua visão inovadora, a instituição foi concebida como a “Universidade do Terceiro Milênio”, apresentando características pioneiras, tais como:

  1. A constituição de um corpo docente integralmente composto por doutores em regime de dedicação exclusiva, com um adicional de interiorização, garantindo a base sólida para o desenvolvimento simultâneo da graduação e da pós-graduação. Essa estrutura permitiu que o primeiro curso da universidade fosse reconhecido pela CAPES já em 1996, além de conquistas expressivas em programas de iniciação científica do CNPq.
  2. A implantação de um ciclo básico comum, proporcionando a todos os estudantes uma formação humanística abrangente.
  3. A criação do primeiro curso de Engenharia de Petróleo do país, sob a liderança do saudoso Prof. Carlos Alberto Dias.
  4. Um robusto programa de financiamento estadual para projetos de pesquisa, atraindo lideranças acadêmicas e consolidando áreas estratégicas de conhecimento. Neste período inicial, tivemos presentes na Uenf vários membros da Academia Brasileira de Ciências.
  5. A estrutura acadêmica inovadora, que substituiu departamentos por laboratórios temáticos integradores, evitando a segmentação excessiva do conhecimento nas diferentes áreas do conhecimento.
  6. A participação ativa na implantação das cotas para estudantes de baixa renda e na formação de recursos humanos por meio do Consórcio das Instituições de Ensino Superior para a criação de um programa de ensino a distância no Estado do Rio de Janeiro, que hoje mantém vários polos distribuídos pelo território fluminense.

A UENF também foi idealizada para contar com uma fundação de apoio administrativo, visando garantir a eficiência na gestão institucional. No entanto, com o passar dos anos, a atividade-meio começou a se sobrepor à atividade-fim, comprometendo a funcionalidade do modelo. Como resultado, os servidores dessa fundação foram incorporados ao quadro da universidade e a fundação extinta.

Atualmente, a Uenf possui campi em Campos dos Goytacazes e Macaé, além de presença em 15 municípios por meio do Ensino à Distância. No entanto, enfrentamos um grave déficit de docentes, com apenas 50% do quantitativo planejado originalmente, além de uma crescente dificuldade na reposição de servidores técnicos devido à falta de autonomia financeira. Essa deficiência limita nossa capacidade de expansão, sobrecarrega a equipe administrativa e compromete o planejamento estratégico institucional. 

Muitos profissionais que escolheram a Uenf acreditaram na proposta de interiorização defendida por Darcy Ribeiro, um modelo que visava descentralizar o ensino superior com qualidade. No entanto, trinta e dois anos depois, é evidente que a maioria dos gestores públicos, sejam estaduais ou federais, ainda não compreende a real dimensão da descentralização acadêmica e suas implicações para o desenvolvimento do país. A exceção fica por conta do Estado de São Paulo, cujas universidades estaduais usufruem de autonomia financeira e contam com uma fundação de apoio à pesquisa altamente estruturada e com autonomia financeira instituída legalmente pelo estado garantindo assim a possibilidade de planejamento.

Nesse contexto, é urgente repensarmos o modelo de interiorização adotado nas universidades brasileiras. Criar pequenos campi vinculados a grandes instituições nem sempre é a solução, pois muitas dessas unidades enfrentam sérias dificuldades de infraestrutura e recursos humanos, dependendo permanentemente da instituição sede. No estado do Rio de Janeiro chegamos ao limite de ações que questionam as universidades até ao ponto de extinguir uma Instituição de Ensino Superior (leia Aqui!).

Por fim, é imperativo que a comunidade acadêmica reflita sobre o futuro das universidades e sobre a interiorização do ensino superior de forma estruturada e eficaz. As deliberações tomadas em nossas assembleias e no Congresso Nacional precisam se traduzir em ações concretas. Desde a criação da Uenf, a sensação predominante é de invisibilidade perante o Estado e a União, com sucessivos desafios no reconhecimento e na valorização das atividades acadêmicas desenvolvidas longe dos grandes centros urbanos. É tempo de transformar o discurso em prática e garantir que a interiorização do ensino superior seja uma prioridade real e efetiva.

Sobre o autor:

Carlos Eduardo de Rezende é professor titular da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF/RJ), Pesquisador 1A do CNPq e CNE FAPERJ


Fonte: Jornal da Ciência

Janeiro mais quente já registrado intriga cientistas climáticos

Monitor da UE diz que as temperaturas globais estavam 1,75 °C acima dos níveis pré-industriais, estendendo a série de máximas sem precedentes

Uma enorme pluma de nuvens de tempestade paira sobre uma paisagem árida ao pôr do sol

Nuvens de tempestade fora de época trazidas por La Niña pairam sobre um acampamento no interior do Rainbow Valley, Austrália. Fotografia: Genevieve Vallee/Alamy

Por Agências

Uma série de temperaturas globais recordes continuou, mesmo com o padrão climático La Niña resfriando o Pacífico tropical.

O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus disse que o mês passado foi o janeiro mais quente já registrado, com temperaturas da superfície do ar 1,75 °C acima dos níveis pré-industriais.

O programa de observação da Terra financiado pela União Europeia (UE) destacou condições mais úmidas do que a média no leste da Austrália e condições mais secas do que a média em outras partes do país.

Samantha Burgess, líder estratégica para o clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, disse: “Janeiro de 2025 é outro mês surpreendente, continuando as temperaturas recordes observadas ao longo dos últimos dois anos… O Copernicus continuará monitorando de perto as temperaturas oceânicas e sua influência em nosso clima em evolução ao longo de 2025.” As temperaturas da superfície do mar permaneceram excepcionalmente altas em muitas bacias oceânicas e mares.

Janeiro marcou o 18º mês dos últimos 19 a registrar temperaturas médias globais da superfície acima do nível pré-industrial de 1,5 °C. Sob o acordo climático de Paris , os líderes mundiais disseram que tentariam evitar que as temperaturas globais subissem mais de 1,5 °C – mas o limite foi baseado no aquecimento multidecadal de longo prazo e não nas temperaturas mensais de curto prazo.

Cientistas do clima esperavam que esse período excepcional diminuísse depois que o evento de aquecimento El Niño atingiu o pico em janeiro de 2024 e as condições mudaram para uma fase oposta e mais fria, La Niña.

Mas o calor permaneceu em níveis recordes ou quase recordes, gerando debates sobre quais outros fatores poderiam estar levando-o ao limite superior das expectativas.

Julien Nicolas, um cientista climático da Copernicus, disse à Agence France-Presse: “É isso que torna tudo um pouco surpreendente: não estamos vendo esse efeito de resfriamento, ou pelo menos uma frenagem temporária, na temperatura global que esperávamos ver.”

Espera-se que La Niña seja fraca, e Copérnico disse que as temperaturas predominantes em partes do Oceano Pacífico equatorial sugeriram uma desaceleração ou estagnação do movimento em direção ao fenômeno de resfriamento. Nicolas disse que ele pode desaparecer até março.

No mês passado, Copernicus disse que as temperaturas globais médias entre 2023 e 2024 excederam 1,5C pela primeira vez. Isso não representou uma violação permanente da meta de longo prazo de 1,5C sob o acordo climático de Paris, mas foi um sinal claro de que o limite estava sendo testado.

Cientistas dizem que cada fração de grau de aquecimento acima de 1,5 °C aumenta a intensidade e a frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e secas.

Copernicus disse que o gelo marinho do Ártico atingiu um recorde mensal de baixa em janeiro. A análise dos EUA esta semana mostrou que foi o segundo menor naquele conjunto de dados. No geral, não se espera que 2025 siga 2023 e 2024 nos livros de história: os cientistas preveem que ele será o terceiro ano mais quente até agora.

Copernicus disse que monitoraria de perto as temperaturas dos oceanos em busca de dicas sobre como o clima pode se comportar. Os oceanos são um importante regulador climático e sumidouro de carbono, e águas mais frias podem absorver maiores quantidades de calor da atmosfera, ajudando a diminuir as temperaturas do ar. Eles também armazenam 90% do excesso de calor retido pela liberação de gases de efeito estufa pela humanidade.

Nicolas disse: “Este calor está fadado a ressurgir periodicamente. Acho que essa também é uma das perguntas: é isso que tem acontecido nos últimos dois anos?”

As temperaturas da superfície do mar foram excepcionalmente quentes em 2023 e 2024, e Copernicus disse que as leituras em janeiro foram as segundas mais altas já registradas. “É isso que é um pouco intrigante – por que elas permanecem tão quentes”, disse Nicolas.

Os cientistas são unânimes em afirmar que a queima de combustíveis fósseis causou o aquecimento global a longo prazo e que a variabilidade climática natural também pode influenciar as temperaturas de um ano para o outro.

Mas ciclos naturais de aquecimento, como o El Niño, não conseguiam explicar sozinhos o que havia ocorrido na atmosfera e nos mares, e respostas estavam sendo buscadas em outros lugares.

Uma teoria é que uma mudança global para combustíveis de transporte mais limpos em 2020 acelerou o aquecimento ao reduzir as emissões de enxofre que tornam as nuvens mais parecidas com espelhos e reflexivas da luz solar.

Em dezembro, outro artigo revisado por pares analisou se uma redução em nuvens baixas havia deixado mais calor atingir a superfície da Terra. “Ainda é realmente uma questão de debate”, disse Nicolas.

O monitor da UE usa bilhões de medições de satélites, navios, aeronaves e estações meteorológicas para auxiliar seus cálculos. Seus registros remontam a 1940, mas outras fontes de dados climáticos – como núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais – permitem que os cientistas expandam suas conclusões usando evidências de muito mais tempo no passado.

Cientistas dizem que o período atual provavelmente será o mais quente que o planeta já teve em 125.000 anos.


Fonte: The Guardian

Como a China está retaliando as tarifas dos EUA e que impacto isso terá?

A China anunciou um conjunto de medidas, incluindo tarifas, restrições à exportação e sanções às empresas norte-americanas

Por Jo Siqi para o “Southern China Morning Post”

Poucos minutos depois de os Estados Unidos aumentarem as tarifas sobre todas as importações chinesas em 10%, Pequim anunciou uma série de medidas retaliatórias em uma tentativa de ganhar vantagem em quaisquer negociações comerciais futuras com Washington.

As medidas reveladas na terça-feira incluíram um aumento de 10% a 15% nas tarifas sobre certas importações dos EUA, restrições à exportação de alguns minerais essenciais, a inclusão de duas empresas dos EUA na lista negra do governo chinês e uma investigação antitruste visando a gigante de tecnologia americana Google.

A China também apresentou uma queixa contra as taxas dos EUA à Organização Mundial do Comércio.

Embora as medidas tomadas por Pequim sejam mais comedidas e direcionadas do que as tarifas generalizadas dos EUA sobre produtos chineses, economistas disseram que as ações da China foram cuidadosamente calibradas, já que algumas delas atingirão áreas com as quais o presidente dos EUA, Donald Trump, mais se importa.

“A combinação de tarifas retaliatórias com proibições de exportação, adições à lista de entidades e investigações antitruste sugere uma abordagem mais coordenada e abrangente por parte dos formuladores de políticas em comparação com a guerra comercial entre EUA e China de 2018-19”, disseram economistas do Goldman Sachs em nota na terça-feira.

Quais produtos dos EUA são cobertos pelos aumentos de tarifas de 10% a 15% da China?

De acordo com o anúncio de Pequim, oito produtos importados dos EUA enfrentarão taxas adicionais de 15%, incluindo carvão e gás natural liquefeito (GNL).

Enquanto isso, 72 produtos serão cobertos por um aumento de tarifa de 10%, incluindo petróleo bruto e veículos de alta emissão.

Em 2024, as importações chinesas de produtos abrangidos pelas novas tarifas dos EUA atingiram US$ 13,9 bilhões, o que representou 8,5% de todas as importações chinesas dos EUA naquele ano, de acordo com dados da alfândega chinesa.

A China parece ter como alvo específico produtos de indústrias que Trump prometeu reavivar, como combustíveis fósseis — que Trump impulsionou com seu slogan “drill, baby, drill” — e automóveis, a espinha dorsal do setor manufatureiro dos EUA.

Pequim também impôs tarifas sobre essas categorias de produtos durante sua guerra comercial anterior com Washington, durante o primeiro mandato de Trump.

Como as tarifas afetarão os exportadores dos EUA?

A China é o maior importador de energia do mundo, mas a participação dos EUA nas importações totais da China é relativamente pequena.

Em 2024, apenas 5,4% das importações totais de GNL da China vieram dos EUA, enquanto o país dependia dos EUA para cerca de 2% de suas importações de carvão e petróleo bruto.

A China importou 4,16 milhões de toneladas de GNL dos EUA em 2024, um aumento de 32,8%, ano a ano, com o valor total dessas importações excedendo US$ 2,4 bilhões. Ela também importou US$ 1,8 bilhão de carvão de coque e mais de US$ 6 bilhões de petróleo bruto dos EUA.

Após as novas tarifas entrarem em vigor na segunda-feira, a tarifa geral da China sobre carvão, GNL e petróleo bruto dos EUA aumentará para 43, 40 e 15 por cento, respectivamente.

As exportações de veículos dos EUA para a China têm apresentado tendência de queda nos últimos anos. SUVs de combustão são o produto automotivo americano mais popular coberto pelas últimas tarifas de Pequim – a China importou US$ 2,9 bilhões deles dos EUA em 2024.

Quais são os minerais essenciais abrangidos pelos últimos controles de exportação da China?

Além dos aumentos de tarifas, o Ministério do Comércio da China também impôs controles de exportação sobre cinco minerais essenciais – tungstênio, telúrio, bismuto, molibdênio e índio – bem como certos compostos metálicos baseados neles.

As restrições entraram em vigor imediatamente, aplicando-se às exportações para todos os países – não apenas para os EUA.

Os materiais são amplamente utilizados nos setores de tecnologia e defesa, e a China é o principal produtor global da maioria deles.

Em 2024, a China foi responsável por 83% da produção global de tungstênio, 75% de telúrio, 81% de bismuto, 42% de molibdênio e 70% de índio, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.

Pequim tem alavancado cada vez mais seu domínio de minerais essenciais e suprimentos de terras raras nos últimos meses para combater as restrições dos EUA destinadas a limitar o acesso da China a semicondutores avançados.

Em dezembro, a China proibiu as exportações de gálio, germânio e antimônio para os EUA, o que poderia prejudicar as indústrias de defesa e semicondutores do país.

Quais duas empresas americanas foram adicionadas à Lista de Entidades Não Confiáveis ​​da China e o que isso significa para seus negócios na China?

As duas empresas são o PVH Group – empresa controladora das marcas de roupas Calvin Klein e Tommy Hilfiger – e a empresa de testes genéticos Illumina.

Em uma declaração, o Ministério do Comércio disse que ambas as empresas “violaram os princípios normais de transações de mercado, interromperam transações normais com empresas chinesas, tomaram medidas discriminatórias contra empresas chinesas e prejudicaram seriamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”.

O ministério iniciou uma investigação sobre o PVH Group em setembro, dizendo que a empresa era suspeita de “violar os princípios normais de transação de mercado ao boicotar arbitrariamente o algodão de Xinjiang e outros produtos”.

Em janeiro, anunciou que uma investigação inicial havia concluído que a empresa estava envolvida em “conduta inapropriada” .

A Illumina, sediada em San Diego, é uma empresa líder em sequenciamento genético. Em 2019, ela entrou com ações de violação de patente contra uma unidade dos EUA da empresa chinesa de genômica BGI Group em países como Alemanha e Dinamarca. A BGI respondeu entrando com suas próprias ações de violação de patente contra a Illumina nos EUA.

Em 2022, um júri de Delaware ordenou que a Illumina pagasse mais de US$ 333 milhões à BGI após descobrir que os sistemas de sequenciamento de DNA da Illumina infringiam duas patentes. As duas empresas mais tarde resolveram o caso, com a Illumina concordando em pagar US$ 325 milhões para encerrar o litígio nos EUA.

Em 2024, a Illumina teria feito lobby com legisladores dos EUA para promover um projeto de lei que proibiria agências dos EUA de adquirir “equipamentos ou serviços de biotecnologia” de certas empresas chinesas, incluindo a BGI. Mas o projeto de lei, embora aprovado pela Câmara dos Representantes dos EUA, nunca foi promulgado como lei.

Pequim ainda não especificou quais medidas tomará contra as duas empresas após elas serem adicionadas à Unreliable Entity List – uma lista negra semelhante à US Entity List . Possíveis medidas incluem restrições e proibições em seu comércio com a China e investimentos no país, cancelamentos de autorizações de trabalho para qualquer pessoal na China e multas.

Como a investigação antitruste afetará o Google?

Também na terça-feira, a Administração Estatal de Regulamentação de Mercado da China (SAMR) disse que havia iniciado uma investigação sobre o gigante de buscas dos EUA , sem especificar suas supostas violações.

A maioria dos serviços do Google – incluindo pesquisa, Gmail e Google Maps – não estão disponíveis na China continental, mas a gigante da tecnologia dos EUA manteve uma presença no país. Seu sistema operacional móvel Android é usado por fabricantes de telefones chineses, incluindo a Xiaomi, enquanto as empresas chinesas são grandes compradoras de anúncios no Google e no YouTube.

As investigações antitruste da SAMR normalmente resultam em multa. Em dezembro, ela também lançou uma investigação sobre a gigante de chips dos EUA Nvidia sobre sua aquisição em 2019 da fornecedora israelense de produtos de rede de computadores Mellanox Technologies.


Fonte: Southern Morning China Post

A meta de mudança climática de 2°C está “morta”, diz renomado cientista climático

A meta de mudança climática de 2°C está “morta”, diz renomado cientista climático

A chaminé de um navio emitindo fumaça preta

A análise concluiu que os cortes recentes na poluição do transporte marítimo que bloqueia o sol aumentaram as temperaturas mais do que o esperado. Fotografia: scphoto/Alamy

Por Damian Carrington para o “The Guardian” 

O professor James Hansen diz que o ritmo do aquecimento global foi significativamente subestimado, embora outros cientistas discordem

O ritmo do aquecimento global foi significativamente subestimado, de acordo com o renomado cientista climático Prof. James Hansen , que disse que a meta internacional de 2°C está “morta”.

Uma nova análise feita por Hansen e colegas conclui que tanto o impacto dos recentes cortes na poluição causada pelo sol nos navios, que elevou as temperaturas, quanto a sensibilidade do clima ao aumento das emissões de combustíveis fósseis são maiores do que se pensava.

Os resultados do grupo estão no limite superior das estimativas da ciência climática convencional, mas não podem ser descartados, disseram especialistas independentes. Se estiverem corretos, eles significam que condições climáticas extremas ainda piores virão mais cedo e há um risco maior de passar por pontos de inflexão globais, como o colapso das correntes críticas do oceano Atlântico.

Hansen, da Universidade de Columbia, nos EUA, alertou o público em geral sobre o colapso climático em depoimento que prestou a um comitê do Congresso da ONU em 1988.

“O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPPC) definiu um cenário que dá 50% de chance de manter o aquecimento abaixo de 2C – esse cenário agora é impossível”, ele disse. “A meta de 2C está morta, porque o uso global de energia está aumentando, e continuará aumentando.”

A nova análise disse que o aquecimento global provavelmente atingirá 2°C até 2045, a menos que a geoengenharia solar seja implantada.

As nações do mundo se comprometeram em Paris em 2015 a manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais e a buscar esforços para limitá-lo a 1,5°C. A crise climática já sobrecarregou o clima extremo em todo o mundo com apenas 1,3°C de aquecimento em média nos últimos anos destruindo vidas e meios de subsistência – 2°C seria muito pior.

O professor Jeffrey Sachs, também da Universidade de Columbia, disse: “Um aumento chocante do aquecimento foi exposto, ironicamente, por uma redução de poluentes, mas agora temos uma nova linha de base e trajetória para onde estamos.”

O cientista climático Dr. Zeke Hausfather , que não fez parte do estudo, disse que foi uma contribuição útil. “É importante enfatizar que ambas as questões – [cortes de poluição] e sensibilidade climática – são áreas de profunda incerteza científica”, disse ele.

“Embora Hansen et al estejam no limite superior das estimativas disponíveis, não podemos dizer com certeza que estejam erradas, mas sim que representam algo mais próximo do pior resultado possível.”

No novo estudo, publicado no periódico Environment: Science and Policy for Sustainable Development , a equipe de Hansen disse: “Não ser realista na avaliação climática e não denunciar a ineficácia das políticas atuais para conter o aquecimento global não é útil para os jovens”.

Eles disseram que a análise do IPCC dependia fortemente de modelos de computador e que a abordagem complementar que eles adotaram de fazer mais uso de observações e análogos climáticos do passado distante era necessária.

O mundo viu temperaturas extraordinárias nos últimos dois anos . A causa primária é o aumento implacável nas emissões de CO 2 da queima de combustíveis fósseis. O pico do ciclo climático El Niño em 2024 adicionou um aumento extra de temperatura.

No entanto, esses dois fatores não explicam completamente as temperaturas extremas, ou sua persistência após o fim do El Niño em meados de 2024. Isso deixou cientistas climáticos intrigados se perguntando se havia um novo fator preocupante não contabilizado anteriormente, ou se o calor extra era uma variação natural incomum, mas temporária.

Um foco importante tem sido nas emissões do transporte marítimo. Por décadas, as partículas de sulfato produzidas por navios queimando combustível bloquearam parte da luz solar de atingir a superfície da Terra, suprimindo as temperaturas.

Mas em 2020, novas regulamentações antipoluição entraram em vigor, cortando drasticamente o nível de partículas de aerossol. Isso levou a mais calor do sol atingindo a superfície , o que os cientistas medem como watts por metro quadrado (W/m2).

A estimativa da equipe de Hansen sobre o impacto disso – 0,5 W/m2 – é significativamente maior do que cinco outros estudos recentes, que variaram de 0,07 a 0,15 W/m2, mas explicaria o calor anômalo. A equipe de Hansen usou uma abordagem de cima para baixo, observando a mudança na refletividade sobre partes importantes do oceano e atribuindo isso às reduções nas emissões de transporte. Os outros estudos usaram abordagens de baixo para cima para estimar o aumento do calor.

“Ambas as abordagens são úteis e frequentemente complementares”, disse o Dr. Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa. “Mas acho que, neste caso, a abordagem de Hansen é muito simples e não leva em consideração as mudanças nas emissões chinesas ou a variabilidade interna.”

O novo estudo também argumenta que a sensibilidade climática do planeta ao aumento das emissões de carbono foi subestimada, em parte devido à subestimação do impacto da redução das emissões do transporte marítimo.

A sensibilidade climática é definida pelos cientistas como o aumento de temperatura que resultaria de uma duplicação dos níveis de CO 2 na atmosfera. Novamente, a equipe de Hansen usou um método diferente da maioria dos cientistas e chegou a uma estimativa mais alta.

O IPCC, uma colaboração de cientistas climáticos do mundo, descobriu que os modelos de computador que melhor reproduzem temperaturas passadas têm uma sensibilidade climática de 2,5 °C a 4 °C.

A equipe de Hansen adotou uma abordagem mais simples, calculando o intervalo potencial de aumento de temperatura para uma duplicação de CO 2 e, em seguida, usando dados sobre quanto calor a Terra reteve para estimar a sensibilidade climática mais provável. A estimativa deles é de 4,5 °C. A formação de nuvens , que é afetada pelo aquecimento global e pela poluição por aerossóis, é uma fonte importante das incertezas.

Temperaturas anormalmente altas continuaram em janeiro de 2025 , o que estabeleceu um novo recorde para o mês e confundiu as expectativas de que as temperaturas cairiam com a atual La Niña, a parte mais fria do ciclo El Niño. “Este recorde inesperado pode pressagiar temperaturas mais altas este ano do que muitos de nós pensávamos”, disse Hausfather.

O grupo de Hansen também argumenta que o aquecimento global acelerado que eles preveem aumentará o derretimento do gelo no Ártico.

“Como resultado, o fechamento da Circulação Meridional do Atlântico (Amoc) é provável dentro dos próximos 20-30 anos, a menos que ações sejam tomadas para reduzir o aquecimento global – em contradição com as conclusões do IPCC.

“Se a Amoc for autorizada a fechar, isso causará grandes problemas, incluindo o aumento do nível do mar em vários metros – portanto, descrevemos o fechamento da Amoc como o ‘ponto sem volta’.”

A estimativa central de outro estudo recente sobre o momento do colapso da Amoc foi 2050.

No entanto, Hansen disse que o ponto sem retorno poderia ser evitado, com base na crescente convicção dos jovens de que eles deveriam seguir a ciência. Ele pediu uma taxa de carbono e uma política de dividendos, onde todos os combustíveis fósseis são taxados e a receita retorna ao público.

“O problema básico é que os resíduos de combustíveis fósseis ainda são despejados no ar sem custo algum”, ele disse. Ele também apoiou o rápido desenvolvimento da energia nuclear.

Hansen também apoiou pesquisas sobre o resfriamento da Terra usando técnicas controversas de geoengenharia para bloquear a luz solar, o que ele prefere chamar de “resfriamento global proposital”.

Ele disse: “Não recomendamos a implementação de intervenções climáticas, mas sugerimos que os jovens não sejam impedidos de ter conhecimento do potencial e das limitações do resfriamento global proposital em sua caixa de ferramentas.”

Mudança política é necessária para atingir todas essas medidas, disse Hansen: “Interesses especiais assumiram poder demais em nossos sistemas políticos. Em países democráticos, o poder deve estar com o eleitor, não com as pessoas que têm dinheiro. Isso requer consertar algumas de nossas democracias, incluindo os EUA.”


Fonte: The Guardian