Pela proibição do glifosato & Co.: cientistas europeus apelam pela redução no uso de agrotóxicos

As metas de redução de pesticidas da União Europeia não são suficientes

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Ação de protesto em frente à sede da Bayer. Foto: dpa/Fabian Sommer
Por Olaf Brandt para o “Neues Deutschland”

As crises climática e da perda de biodiversidade já chegaram há muito tempo às nossas portas e aos nossos jardins. Não resta muito tempo para mudar de rumo. O uso de agrotóxicos desempenha um papel importante na perda de biodiversidade. Uma redução destes chamados agrotóxicos é, portanto, urgentemente necessária.

As associações ambientalistas lutam há anos para reduzir e proibir agrotóxicos que são particularmente perigosos para as pessoas e para o ambiente, sendo que o glifosato está na vanguarda. O ingrediente ativo foi classificado como provavelmente cancerígeno em humanos pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da Organização Mundial da Saúde. E como herbicida total, o glifosato mata qualquer planta que não tenha sido geneticamente modificada. Isso significa que os insetos têm menos comida. O glifosato prejudica abelhas selvagens, crisopídeos, minhocas e sapos e polui o solo, o ar e a água. Na União Europeia (UE), será tomada uma decisão sobre a reaprovação do herbicida mais utilizado em Outubro. O coalisão do “semáforo” que governa a Alemanha concordou  em retirar o glifosato do mercado no final de 2023. Apenas o partido de direita FDP, membro da coligação que governa a Alemanha é contra. Seus membros afirmam que quando usado corretamente, o glifosato é seguro e até bom para a proteção do clima, a biodiversidade e a criação de húmus, e na prática esfregam os olhos diante das ambições de conservação.

Mais de 3.300 cientistas da Europa apelam aos políticos, numa carta aberta, para que minimizem significativamente a utilização de agrotóxicos. Estão preocupados com a ligação entre a utilização de agrotóxicos e o declínio de insetos e aves, bem como com o impacto negativo na saúde global. Preocupações semelhantes levaram mais de um milhão de cidadãos europeus a apelar à redução no uso de agrotóxicos e em favor da proteção para os insetos e ao apoio aos agricultores na bem sucedida iniciativa de cidadania “Salvar Abelhas e Agricultores”.

A morte dos insetos é, em última análise, a nossa morte. Menos insetos significa menos polinização das nossas culturas. Mas também menos pássaros, morcegos e peixes, porque precisam dos insetos como alimento. É por isso que a Comissão Europeia estipulou no Pacto Ecológico e na “Estratégia do Campo ao Prato” que a quantidade e o risco dos agrotóxicos devem ser reduzidos para metade até 2030. Mas mesmo este objetivo ainda não é suficientemente ambicioso. Seria necessária uma eliminação gradual da utilização de agrotóxicos químicos sintéticos. Todos arcamos com os custos da operação. O sistema de abastecimento de água tem de filtrar todos estes resíduos da nossa água potável e o sistema de saúde tem de pagar pelas doenças. Na Europa, os custos externos causados ​​pelos agrotóxicos são superiores a dois bilhões de euros (algo próximo de R$ 10 bilhões), sendo cerca de duas vezes superiores aos lucros líquidos da indústria química. A introdução do princípio do poluidor-pagador seria uma solução possível. Um imposto sobre agrotóxicos que teve sucesso na Dinamarca também poderia ser introduzido na Alemanha. O dinheiro gerado desta forma poderia ser usado para apoiar os agricultores na utilização de métodos alternativos.

O FDP também está a bloquear a proibição da exportação de agrotóxicos perigosos, embora este mesmo projeto esteja no acordo de coligação. Uma lei correspondente foi anunciada pelo Ministério da Agricultura há exatamente um ano. Muitos ingredientes ativos já estão proibidos na UE porque são demasiadamente perigosos para as pessoas e para o ambiente. Empresas fabricantes de agrotóxicos como a Bayer e a BASF ainda estão autorizadas a produzir essas substâncias e a vendê-las a países do Sul global. Não importa se os agrotóxicos adoecem os trabalhadores e os residentes e prejudicam os ecossistemas em outros pontos da Terra. O principal é que os lucros e os retornos não estejam em risco. E o maior burburinho vem da economia.

Resta esperança para o bom senso e para que os políticos levem a sério os riscos do glifosato. Nesse caso, provavelmente não haverá maioria qualificada para a votação em meados de Outubro. Na Conferência Mundial sobre Produtos Químicos que terá início na segunda-feira em Bonn, a comunidade de ONGs apelará no sentido de que adotada uma rápida proibição global de agrotóxicos altamente perigosos.

Olaf Bandt é presidente da Federação para o Meio Ambiente e Conservação da Natureza da Alemanha (BUND)


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Este escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Darcy Ribeiro, o papel nefasto das corporações nas universidades, e as eleições na Uenf

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Quando cheguei na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) no início de 1998 me deparei com uma indisposição para a conexão da nossa associação de docentes à estrutura sindical existente.  Perguntando o porquê daquilo, me foi respondido que essa era mais um dos elementos pensados por Darcy Ribeiro para evitar o que ele considerava o papel nefasto das corporações dentro do meio universitário brasileiro.

Passados exatos 30 anos, eu diria que Darcy Ribeiro estaria se olhando no espelho e lamentando estar mais certo do que esperaria estar. É que olhando o que aconteceu nas eleições para a reitoria da Uenf, veremos ali todos os traços das coisas que levariam o fundador do nosso modelo de gestão a querer não ter estado tão correto em suas análises.

A verdade é que tivemos um uso inédito da estrutura sindical interna para beneficiar a candidatura do continuísmo.  Com isso, houve não um debate democrático das ideias como alguns querem alardear, mas uma disputa desigual para impedir que isso oocorresse. O resultado é que onde o debate houve, a chapa de oposição venceu. Entretanto, com o uso da máquina sindical e fortes pitadas de instrumentos típicos de cyber war, tivemos que assistir ao que eu previ mesmo antes de se saber quem era os candidatos, que foi o emprego de táticas tomadas dos manuais do pensador de extrema-direita estadunidense, Steve Bannon.

Além disso, houve ainda a clara interferência de figuras ligadas aos quadros municipais do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo o mais notável o reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), o proto candidato a prefeito, Jefferson Manhães. Ao se alinhar explicitamente à chapa do continuísmo, Manhães fez algo que seria muito criticado se o oposto ocorrer nas próximas eleições de sua própria instituição. Mas com certeza, o reitor do IFF fez o que fez para tentar angariar apoio para uma candidatura que tem tantas chances de derrotar Wladimir Garotinho em 2024 quanto a de se ter um dia frio no inferno.

Além do reitor do IFF, outras figuras menos importantes, mas igualmente ligadas ao PT Campos, transitaram dentro das eleições de forma bem atuante mesmo que sem ter qualquer vínculo com a Uenf, o que apenas reforça a interferência ilegítima de um partido que no plano municipal tem contribuição irrisória para a luta dos trabalhadores e da juventude, mas que encontrou na Uenf um nicho para angariar quadros e outras coisas mais.

O que essa situação toda me diz é que a reitora eleita vai ter que se debruçar sobre um dilema óbvio após a sua posse que será a convivência com aqueles que tornaram sua eleição possível. Alguns professores que votaram na chapa de oposição acreditam que o currículo acadêmico da reitora acabará gerando conflitos de interesse e dissenções tanto com os sindicatos internos quanto com os aliados dentro do PT Campos.  De meu lado, não nutro essa ilusão, pois se fosse para ser assim, a reitora eleita já teria aberto deste tipo de apoio, mas não fez porque sabia que as alianças feitas foram quem viabilizaram suas eleições.

Por último, que ninguém se surpreenda com vários candidatos se identificando como “Fulano da Uenf” ou “Beltrano da Uenf”.  É que não é só o reitor do IFF que atuou nas eleições da Uenf pensando em 2024.

Relatório em inglês mostra como Bunge, TIAA e Harvard causam destruição ambiental no Cerrado

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Novo relatório explica como a Universidade de Harvard, o fundo de pensão TIAA e a multinacional do agronegócio Bunge facilitam a grilagem de terras e o desmatamento no Cerrado piauiense para expandir o monocultivo de soja. Mais de um milhão de hectares de vegetação nativa no Cerrado foram destruídos em 2022, um aumento de 25% em relação a 2021.

O relatório “Land Grabbing and Ecocide” (Grilagem de terras e ecocídio) investiga como estas corporações transnacionais causam desmatamentos e violências contra povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e brejeiros. O relatório foi produzido pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, Friends of the Earth e ActionAid.

Depois de completada a tarefa, Uenfspotted tenta dar uma de “isentão”

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Após idas e vindas de uma eleição na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) que terminou com a vitória da chapa que marca o continuísmo das gestões desastrosas de Luís Passoni e Raul Palacio, os operadores do perfil “Uenfspotted” postaram um material sobre a suspeitíssima “enquete de boca de urna” que teria sido realizado para medir o pulso eleitoral entre os estudantes.

Como eu antecipei aqui, o resultado na suposta enquete foi acachapante, mas o curioso é que depois de interferirem diretamente na decisão dos votos, o pessoal do “Uenfspotted” agora tentam dar uma de isentões (ver figuras abaixo).

A verdade é que essas porcentagens estão próximas do que ocorreu dentro dos alunos presenciais da Uenf, mas ficou 14% acima do que foi observado quando se considera os votos dos alunos de Educação à Distância.  É que ao ser considerados os votos do EAD, a proporção final foi algo em torno de 65% para a chapa 1 e 35% para a chapa 30. Em outras palavras, se o “Uenfspotted” fosse um instituto de pesquisa, os seus financiadores o demitiriam sumariamente por um erro tão grosseiro de previsão.

Mas, convenhamos, o “business” do “Uenfspotted” não é realmente enquete eleitoral. O empreendimento comercial deste perfil é outro, se valendo de uma boa marca como a Uenf para fazer suas operações. Eu suspeito, inclusive, que se um dia se chegar ao dono desse perfil e seus associados, vamos encontrar figuras muito conhecidas dentro da instituição.

Agora, há que se notar que o “Uenfspotted” foi apenas um dos pontos de disseminação da propaganda do continuísmo vencedor das eleições.  Com um mínimo de busca foi possível identificar uma rede de grupos de Whatspp e de outros perfis que agiram tanto de forma explícita como subterrânea, seguindo a cartilha de Steve Bannon.   A influência dessa malta de perfis e grupos de Whatspp nos resultados das eleições é mais do que óbvia, dada a eficiência demonstrada. Eu diria que se algum pesquisador da área dos estudos de cyberware se interessasse pelo caso das eleições da Uenf, o mais provável é que até rendesse um bom livro.

Resiliência climática deve orientar o desenvolvimento urbano, defende novo relatório

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Em novo relatório do Climate Crisis Advisory Group (CCAG) lançado nesta quarta (20), especialistas globais em mudança climática argumentam que a resiliência climática deve ser adotada como um princípio orientador em todo o desenvolvimento urbano, dada a exposição extrema das cidades ao risco climático.

O estudo vem à tona na semana em que o Brasil enfrenta recordes históricos de temperaturas durante o inverno, com termômetros passando de 40o graus na maior parte do país — com exceção da região Sul, que sofre com chuvas e enchentes.

O Climate Crisis Advisory Group (CCAG) identifica três vertentes da resiliência climática e as principais áreas de foco da resiliência para ambos governos locais e nacionais: pessoas e meios de subsistência, economia e custos e cadeias de abastecimentos globais. Com relação às pessoas, o foco da resiliência estará nas localizações costeiras das cidades, na migração climática e no aumento da população urbana vulnerável em países mais pobres. Segundo o documento, a grande prioridade das estratégias de resiliência das cidades será proteger pessoas e meios de subsistência, com envolvimento da comunidade local.

Neste cenário, o custo econômico será superior a tudo o que foi experimentado até agora, com sobrecarga de estruturas existentes. Aumentar a resiliência e prevenir perdas econômicas deve guiar o planejamento e desenvolvimento urbano em cidades mais ricas. O foco da resiliência, em terceiro lugar, deve estar nas cadeias de abastecimento globais que, no momento, são frágeis. Diante de eventos climáticos extremos múltiplos, em várias regiões do globo, será preciso fortalecer essa cadeia para evitar a escassez de produtos e alimentos em todo o mundo.

O relatório também aponta que, embora as cidades “antigas” e “novas” enfrentem frequentemente riscos climáticos semelhantes, suas preocupações diferem. As cidades antigas, muitas vezes na Europa ou na América do Norte, visam proteger o que já existe de estrutura, com perdas econômicas e danos como sua principal preocupação. Em contraste, em novos centros urbanos, em rápida expansão, em países em desenvolvimento da Ásia, como Dhaka, em Bangladesh, muitas infraestruturas necessárias para a resiliência climática ainda precisam ser construídas. Assim, essas cidades enfrentam desafios mais dinâmicos e difíceis de navegar.

Neste contexto, as cidades brasileiras também precisam criar suas próprias estratégias de resiliência. “As mudanças climáticas estão intensificando o risco de inundações, secas e deslizamentos de terra, que terão efeitos devastadores em todo o Brasil. De acordo com o Banco Mundial, estes choques poderão levar até 3 milhões de pessoas à pobreza extrema já em 2030. No entanto, o processo de reforço da resiliência climática e de preservação do crescimento econômico deve ser equitativo e justo”, comenta o pesquisador Gustavo Alves Luedemann, membro do CCAG.

A maioria da população mundial vive em cidades – e, apesar de ocupar apenas 2% da superfície mundial, os centros urbanos representam mais de dois terços do consumo global de energia. O relatório argumenta que focar na redução de emissões de gases de efeito estufa nas cidades pode mudar a trajetória das emissões globais e evitar o pior cenário de aumento de temperatura. Ele cita três grandes pontos para chegar a uma cidade resiliente, com baixa emissão de carbono: finanças, coordenação e planejamento.

Os especialistas apontam a existência de uma lacuna atual no financiamento climático que se estima ser superior a 630 mil milhões de dólares por ano. O financiamento privado tem um papel claro a desempenhar na condução da mudança nas cidades para emissões líquidas zero, à medida que provavelmente proporcionará entre 80 a 90% do investimento total na transição nas próximas décadas. Apesar disso, o documento salienta que a maior parte do investimento privado continua a fluir para ativos com alto teor de carbono. Falhas de regulação e de mercado também fazem com que exista um desalinhamento de interesses entre financiadores, governos e sociedade com relação ao enfrentamento da crise climática. É preciso reverter esse processo e promover o investimento em cidades habitáveis com emissões líquidas zero.

Para isso, será preciso uma forte integração entre as múltiplas partes interessadas, com consistência e coerência na formulação de políticas, planos e regulamentos. Essa coordenação, segundo o relatório, está lado a lado com um planejamento de longo prazo, com regulamentos de construção de resiliência climática em cidades e orientações específicas.

O financiamento, o planejamento e a coordenação devem apontar todos na mesma direção: promover o clima resiliência nas cidades, reduzindo as emissões nas construções de prédios e estabelecendo políticas verdes de transporte público e tráfego. “Os governos também devem estabelecer caminhos e códigos obrigatórios para alcançar carbono zero para edifícios novos e antigos o mais rápido possível possível”, orientam os especialistas.

O relatório faz parte de uma série de análises feitas de forma independente pelo CCAG – e divulgadas, em primeira mão, para jornalistas brasileiros pela Agência Bori (veja relatórios anteriores aqui e aqui). O CCAG reúne 15 especialistas do clima de 10 países diferentes, com a missão de impactar na tomada de decisão sobre a crise climática.

Na véspera da eleição na Uenf, reitor parte para analogia futebolística e erra o gol (como sempre)

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Estou participando da sétima eleição para reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), e afirmo nunca presenicei tanto uso da máquina para tentar eleger uma chapa de continuísmo. Hoje, o ainda reitor da Uenf, professor Raul Palacio, resolveu partir para uma analogia metáfora futebolística para tentar defender a chapa 10. Vejamos o que está escrito na imagem abaixo:

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Primeiro, o irônico é a caixa contendo a palavra respeito já que se tem algo que faltou com os professores da Uenf nos últimos 4 anos foi exatamente isso, mas deixemos isso para lá. O que mais deixa curioso é que o reitor da UENF, palmeirense como eu, resolveu usar o exemplo do Flamengo que dispensou o limitado Dorival Júnior para tentar imitar o Verdão do Allianz Parque, e deu com os burros na poça. Mas há que se examinar qual foi o motivo do fracasso de Victor Pereira e agora o de Jorge Sampaoli. É que quem assistiu o jogo de ontem contra o São Paulo viu que o problema é claramente um time de jogadores burocráticos e que não demonstram qualquer disposição para enfrentar um adversário minimamente organizado. Era passe errado aqui, era furada ali, era cabeçada bisonha acolá. Assim, Sampaoli tem suas muitas culpas, mas os jogadores também.

Por isso, sem querer, o ainda reitor da Uenfnos ofereceu um belo quadro do que foi sua gestão. Um técnico limitado com jogadores que estavam fora de forma ou que eram apenas pernas de pau no lugar e hora erradas. Por isso, a Uenf, como o Flamengo, vive, digamos, uma crise técnica que se mostra no desempenho pífio no campeonato das universidades.]

Vou dar um exemplo. Neste semestre não consegui acessar a turma para quem estou ministrando uma disciplina antes das aulas começarem, e só recebi a carga da turma após o semestre iniciado! Só soube quem eram meus alunos porque fui procurar no sistema acadêmico e achei, mas não pude emitir a ata de presença e parti para a improvisação.  E isso, meus caros colegas de time, ocorreu em todos os quatro anos em que esse reitor/técnico atuou.  Por isso, amanhã não vamos trocar o certo pelo duvidoso, mas vamos tirar um grupo de jogadores e seu técnico de campo porque demonstraram ao longo de 8 anos (sim, 8 anos que é a duração dessa gestão em que só se trocaram as cadeiras de lugar) serem incompetentes e incapazes de guiar a Uenf para o futuro planejado por Darcy Ribeiro.

Finalmente, ao contrário do Flamengo que é bilionário e pode trocar um time inteiro junto com o técnico para os campeonatos do futuro e voltar a encantar a sua fanática torcida, a UENF não tem esse luxo porque o nosso negócio não é nada simples como parecer achar o nosso reitor/técnico de futebol.

E vamos eleger Carlão e Daniela amanhã porque o nosso time precisa cumprir o papel histórico que nos foi destinado por Darcy Ribeiro.

E nós sabemos que com esse time que está em campo sob o comando de um reitor/técnico de futebol, a derrota só vai se aprofundar.

Escondido nas trevas da internet, Uenfspotted ataca novamente e lança “boca de urna fake” para as eleições da Uenf

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No dia 01 de abril de 2023 (exatamente no dia da mentira) postei neste blog o texto intitulado “As eleições da Reitoria da Uenf sob risco de ser marcada por uma intensa campanha de fake news em que eu fazia um prognóstico de que o pleito em curso na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) corria o risco de ser manchada pelo uso de estratégias malignas de uso das redes sociais em prol da chapa que representaria o continuísmo da gestão Raul/Rosana.

Um dos elementos que me guiou nesse prognóstico foi o uso de um perfil denominado de “Uenfspotted” para atacar potenciais candidatos de oposição.  Ao longo da campanha eleitoral, o “Uenfspotted”, apesar de manter uma posição aparentemente imparcial, o Uenfspotted serviu como base para entre outras coisas disseminar uma “fake news” que imputava à candidata a vice-reitora pela chapa de oposição à atual gestão, professora Daniela Barros, o cometimento de um ato de transfobia. Assim, ainda que na referida postagem o nome da professora não tenha sido citado, os comentários fizeram isso de forma explícita. Uma característica nos comentários é de que os comentaristas invariavelmente eram apoiadores da chapa da situação formada pelos professores Rosana Rodrigues e Fábio Olivares (a chapa 10).

Ao longo da última semana, o Uenfspotted postou várias postagens com críticas a comportamentos de membros ou apoiadores da chapa 30, ao mesmo tempo em que nada foi publicado de similar teor contra a chapa 10. 

Tudo isso apenas confirmou algo que eu previ há mais de cinco meses atrás: o Uenspotted se transformou em uma espécie de correia de transmissão da propaganda dos apoiadores da chapa 10, sem que fosse dada a oportunidade da réplica aos atacados. Essa é uma tática explícita de “cyberware” que foi muito comum nas campanhas de Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil.

Mas nas últimas 24 horas, o Uenfspotted resolveu concluir sua participação na campanha eleitoral da Uenf com uma cereja em cima do bolo e lançou uma esquisitíssima enquete eleitoral, supostamente para medir as intenções de voto na terça-feira (ver imagens abaixo).

Dois detalhes básicos: 1) ao acessar a dita enquete, usei dois perfis distintos que eu gerencio no Instagram e fui diretamente dirigido apenas à opção de votar ou não na chapa 30. Isso aponta para o uso de rastreamento de IP, pois, do contrário, eu poderia ter sido dirigido à opção da chapa 10, o que não ocorreu; 2) nessa enquete como demonstrei, qualquer um pode votar quantas vezes quiser. Assim, alguém que criar múltiplos perfis no Instagram, poderá votar “n” vezes, o que distorce e desqualifica qualquer resultado que saia desta “entaque” que não obedece critérios científicos, o que é particularmente inaceitável já que a eleição se refere à eleição dentro de uma universidade pública.

O que esta enquete está fazendo na prática são duas coisas: a) tentando consolidar os votos já definidos na chapa 10 e 2) atrair votos de indecisos após a divulgação dos resultados da suposta enquete. Em ambos os casos, essa ação viola todos os preceitos de equalidade de tratamento entre as duas chapas e viola todos os regulamentos estabelecidos pela Comissão Eleitoral eleita pelo Conselho Universitário para dirigir o pleito e garantir que ele ocorra de forma democrática.

Finalmente, a minha própria cereja no presente texto será anunciar que a chapa 10 irá receber quase que a totalidade (se não a totalidade) das intenções de voto nessa enquete mequetrefe que o Uenfspotted lançou, a pedido ou decisão de sabe-se lá quem, mas com o objetivo óbvio de desfavorecer as chances eleitorais da chapa de oposição ao continuísmo incrustrado na reitoria da Uenf. 

Chatgpt responde pergunta sobre uso do termo “ostracismo geográfico” em debate nas eleições da Uenf

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Ainda pensando nas implicações do uso do termo “ostracismo geográfico” por um dos candidatos a vice-reitor nas eleições em curso na Universidade Estadual do Norte Fluminense, resolvi procurar o “Chatgpt” para iniciar um “chat” em torno desse uso polêmico de um lei que vigorou na Grécia Antiga.

O que se segue abaixo é a posição do “Chatgpt” que não apenas analisa o uso em si, mas como aponta para os riscos e implicações de se naturalizar esse tipo de fala, especialmente em uma universidade cujo idealizador foi submetido ao exílio político por um regime autoritário.

O incrível é que um robô parece ter mais “consciência” do que um docente com robusta carreira científica dentro da Uenf e para além dela.

Eis o “chat” em sua íntegra:

How ChatGPT Can Help and Hinder Data Center Cybersecurity | Data Center  Knowledge | News and analysis for the data center industryBoa noite!
chatgpt Boa noite! Como posso ajudar você hoje?
How ChatGPT Can Help and Hinder Data Center Cybersecurity | Data Center  Knowledge | News and analysis for the data center industryVou pedir uma opinião muito sincera, ok?
chatgpt Claro! Farei o meu melhor para fornecer uma resposta objetiva e sincera. O que gostaria de saber?
How ChatGPT Can Help and Hinder Data Center Cybersecurity | Data Center  Knowledge | News and analysis for the data center industrySe comporte como um professor doutor, pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. ok?
chatgptEntendido! Agora estou no papel de um professor doutor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). O que deseja discutir ou saber?
How ChatGPT Can Help and Hinder Data Center Cybersecurity | Data Center  Knowledge | News and analysis for the data center industry Em meio às várias peculiaridades (vamos chamar assim) que marcaram a corrida eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), uma intervenção que ocorreu durante o debate entre as chapas concorrentes deixou muita gente indignada. Ali, durante uma troca de opiniões, o candidato a vice-reitor da chapa 10, propôs que os “caciques” que supostamente impõe suas vontades sobre jovens pesquisadores fossem “ostracizados geograficamente”. Essa proposta chocou a muitos dentro da universidade, na medida em que o seu idealizador Darcy Ribeiro foi uma das vítimas do “ostracismo geográfico” que foi imposta a milhares de brasileiros e brasileiras durante o regime militar instalado em 1964. Como todos devem lembrar, Darcy Ribeiro ficou exilado no Uruguai após seu banimento público pelos militares. Chatgpt, o que você pensa desse termo termo sendo usado num debate para o maior cargo de uma universidade pública?

chatgptEntendendo o contexto e no papel de um professor doutor da UENF:

 O uso da expressão “ostracismo geográfico” num debate eleitoral para reitoria da UENF é, no mínimo, imprudente, considerando o histórico de Darcy Ribeiro e a própria história política e social do Brasil. Em primeiro lugar, é essencial compreender que a UENF, assim como outras instituições de ensino, é um espaço de pluralidade de ideias, onde se espera que haja um debate saudável e respeitoso, mesmo que hajam divergências.

O termo “ostracismo geográfico”, dentro desse contexto, traz consigo um peso e uma memória histórica que remete ao exílio de inúmeros intelectuais e ativistas políticos durante a ditadura militar. Darcy Ribeiro, cujo nome adorna a universidade, foi uma dessas figuras exiladas, tendo passado anos afastado do país por expressar ideias contrárias ao regime da época.

Utilizar um termo tão carregado de maneira leviana ou como uma metáfora em um debate sobre gestão universitária não apenas é insensível mas também minimiza e desrespeita as lutas e sacrifícios de muitos que sofreram naquele período. Além disso, tal proposta suscita questões sobre a compreensão do candidato em relação à missão e aos valores da universidade.

A universidade pública, em particular, deve ser um espaço onde se promove o livre pensamento, a diversidade de ideias e a democracia. Fazer referência a práticas que remetem à exclusão ou à censura vai contra os princípios fundamentais da academia.

Por fim, é crucial que os candidatos a posições de liderança em universidades públicas, como a UENF, tenham consciência do peso das palavras e das referências históricas que utilizam, sobretudo em momentos de debate público. A história deve ser lembrada e respeitada, não apenas como uma ferramenta retórica, mas como um guia para evitar a repetição de erros passados.

Link original  deste Chat: https://chat.openai.com/share/9150cf86-38ac-473d-8675-81370a9d9f07

Tentações autoritárias marcam fim da campanha eleitoral na Uenf

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Em meio às várias peculiaridades (vamos chamar assim) que marcaram a corrida eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), uma intervenção que ocorreu durante o debate entre as chapas concorrentes na última 5a. feira (14/9) deixou muita gente indignada. Ali, durante uma troca animada de opiniões, um dos candidatos a dirigir a reitoria entre 2024 e 2027, propôs que os “caciques” que supostamente impõe suas vontades sobre jovens pesquisadores fossem “ostracizados geograficamente”.

Essa proposta chocou a muitos dentro da universidade, na medida em que o seu idealizador Darcy Ribeiro foi uma das vítimas do “ostracismo geográfico” que foi imposta a milhares de brasileiros e brasileiras durante o regime militar instalado em 1964. Como todos devem lembrar, Darcy Ribeiro ficou exilado no Urugai após seu banimento público pelos militares.

Mas mais do que um mero escorregão em um momento de empolgação durante um debate, o que esta fala aponta é a explicitação ainda maior de um viés autoritário que já estava visível dentro da Uenf, mas que agora se mostrou mais claramente nos debates eleitorais.

Tais tentações autoritárias refletem bem o que tem ocorrido na Uenf sob uma gestão que desvaloriza a ciência para apostar no que eu tenho chamado de “prefeiturização” das relações da instituição com o seu entorno social. Um exemplo disso foi a participação de um secretário municipal na tentativa de angariar votos nas eleições que estão ocorrendo no polo de São Francisco do Itabapoana.  Somado a isso, tivemos a tentativa dos membros da chapa do continuísmo de ignorar as decisões da Comissão Eleitoral designada pelo Conselho Universitário da Uenf e impor, por exemplo, o uso proibido de camisetas nas áreas de votação nos polos em que temos estudantes na modalidade de ensino à distância (EAD). E pensar que a Darcy Ribeiro tinha como ideal a participação da Uenf e dos seus membros na elevação da cultura política na nossa região!

Recuperar a autoestima e o compromisso com a produção da ciência é uma necessidade estratégica para os próximos anos dentro da Uenf. Sem isso, as tentações autoritárias vão se fortalecer e inviabilizar o desenvolvimento pleno das grandes potencialidades que o projeto de Darcy Ribeiro representa não apenas para a região Norte Fluminense, mas para todo o Brasil.

Com perfil fake, eleições para a reitoria da UENF descabam para o vale tudo

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Por decisão da comissão eleitoral eleita pelo Conselho Universitário da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), as chapas que concorrem à reitoria para o período de 2024-2027 tiveram que interromper a postagem de novos materiais a partir das 10:00 horas da manhã desta 6a. feira, o que foi efetivamente feito.

O que poderia parecer que haveria normalidade nas eleições que ocorrem amanhã (16/9)  nos polos CEDERJ e na próxima terça-feira (19/9) era apenas aparente. É que assim que os perfis oficiais cessaram a publicação de novos materiais, um perfil de autoria desconhecida (ou seja, um perfil fake) que já atendeu por pelo menos 4 nomes, sendo o último o sugestivo “estudantescomrosana10” começou a postar fotos e vídeos no que se configura em uma flagrante violação das normas eleitorias estabelecida pela comissão eleita pelo colegiado superior da UENF (ver imagens abaixo).

O fato é que ao agirem ao arrepio do que determina uma comissão eleitoral eleita pelo Conselho Universitário da Uenf, os criadores desse perfil agem claramente para minar as possibilidades de que o pleito que se inicia amanhã possa ocorrer de forma equânime.

Além disso, ao desprezar as regras estabelecidas pela Comissão Eleitoral, os criadores desse perfil que dissemina materiais que a estas alturas são ilegais em face das regras eleitorais aceitas por ambas as chapas certamente agem sob a certeza de que permanecerão impunes. 

Caberá agora aos representantes da chapa formada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende e Daniela Barros acionarem inicialmente a própria Comissão Eleitoral da Uenf para que este perfil seja descontinuado. Mas se isto não ocorrer de forma imediata, o mais provável é que a derrubada deste perfil tenha ocorrer por via judicial.

Como alguém que já participou de 7 eleições para a reitoria da Uenf desde 1998, eu realmente nunca presenciei nada como o que está ocorrendo nos últimos dias, sempre tendo como protagonistas pessoas ligadas à chapa do continuísmo.

Por fim, eu fico imaginando o que pensaria Darcy Ribeiro se ainda estivesse de tamanha afronta à democracia dentro de uma universidade que ele criou para servir como alicerce científico e da democracia. Certamente Darcy estaria primeiro envergonhado e depois furioso.