Leilão do Juízo Final fracassa e atrai interessados para apenas 34 das 172 áreas ofertadas

Em certame da ANP neste 17/6 foram arrematados 19 dos 47 blocos na Foz do Rio Amazonas, 11 na Bacia de Santos, 3 na de Pelotas e 1 em Pareci. Áreas próximas a Fernando de Noronha não tiveram procura

Manifestação contra o leilão reuniu indígenas, ambientalistas e trabalhadores no Rio. Foto: Instituto Arayara

Cida de Oliveira

O leilão do governo brasileiro que pretendia entregar 172 áreas para exploração de petróleo e gás nesta terça-feira (17) acabou relativamente frustrado. Embora dirigentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) tenham avaliado como “extremamente positivo”, o certame conseguiu entregar apenas 34 do total de blocos ofertados. A princípio, o objetivo era conceder os 332 blocos disponíveis. Mas só os 172 receberam propostas ou garantias de oferta e por isso foram incluídos no certame.

Os maiores compradores foram a Petrobras, ExxonMobil, Chevron e CNPC arremataram 19 dos 47 blocos ofertados na Bacia da Foz do Amazonas, com valor total de R$ 844 milhões. O evento do governo brasileiro, realizado a cinco meses do início da conferência do clima da ONU em Belém (COP30), leiloou também 11 blocos na bacia de Santos (SP), 3 na de Pelotas (RS) e uma na de Parecis, que fica em terra, em região se estende pelos estados de Rondônia ao Mato Grosso. E só não entregou blocos na bacia Potiguar, no litoral dos estados do Rio Grande do Norte e Ceará, porque não apareceram interessados.  

O certame foi realizado em hotel na Barra da Tijuca, no Rio, sob protestos de ambientalistas, lideranças sindicais e indígenas dos povos Manoki e Paresi (MT), Kariri (PB), Tupi Guarani e Guarani Mbya (SP), Pankararé (BA) e Karao Jaguaribara (CE). Com faixas contra o chamado “Leilão do Juízo Final”, o grupo numeroso protestou contra a exploração de petróleo em territórios indígenas, sem a devida consulta livre, prévia e informada, conforme assegurado na convenção internacional 169, da OIT, assinada pelo Brasil.

Além dos movimentos, foram desprezados também os argumentos do Ministério Público Federal (MPF) no Pará, que pediu a suspensão do leilão ou a exclusão dos blocos da Foz do Amazonas. E ainda os alertas e apelos de entidades socioambientalistas do Brasil e do Exterior.

Foz do Amazonas

A área que atraiu mais interesse é a bacia da Foz do Rio Amazonas, na região amazônica, onde estão 230 territórios tradicionais e 28% de todas as terras indígenas do país, já sob pressão da cadeia do petróleo. Não à toa foi alvo de disputa inclusive no centro do governo. De um lado, o presidente Lula, que defendeu abertamente, em diversos eventos, a exploração principalmente nessas áreas em busca de desenvolvimento local e mais empregos. E de outro, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que defendeu que a decisão de exploração da foz do Amazonas cabe ao Ibama, órgão vinculado à pasta que comanda. Ela acabou voto vencido em meio à grande pressão pela abertura de poços de petróleo na região, que atende também a interesses políticos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Para o MPF, entre outros problemas estão a falta de estudos ambientais necessários e de consulta prévia a comunidades locais, comuns também aos povos indígenas com territórios na região abarcada pela bacia de Perecis, que teve um bloco arrematado.

Os argumentos do MPF inclui ainda a fragilidade da base legal referente ao aval governamental. Isso porque uma manifestação conjunta assinada pelos ministérios do Meio Ambiente e das Minas e Energia sobre o tema expiram nesta quarta-feira (18). Este aspecto, aliás, é questionado também pelo Instituto Arayara, que ingressou com cinco ações civis em quatro estados contra o leilão, além de outras ações junto às comunidades atingidas.

Respiro para Fernando de Noronha e Atol das Rocas

A ANP conseguiu conceder 11 blocos da bacia de Santos (SP) e 3 de Pelotas (RS). E a exemplo do leilão de outubro de 2021, fracassou novamente ao não conseguir interessados em arrematar os da bacia Potiguar, no litoral entre os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Com isso, o arquipélago de Fernando de Noronha (PE) e o Atol das Rocas (RN), com suas riquezas de biodiversidade e importância ambiental reconhecidas internacionalmente, se livraram mais uma vez da ameaça e seguem protegidos dos impactos inerentes à atividade petrolífera.

O Leilão do Juízo Final ficou marcado também como um evento de implicações apocalípticas, sobretudo para as ambições do governo brasileiro de se consolidar como exemplo socioambiental para o planeta. E a busca pelo aumento da produção de petróleo expõe as contradições de um país que recentemente criou planos e legislações climáticas ambiciosas, visando afastar o Brasil dos combustíveis fósseis.

Além disso, coloca em xeque sua credibilidade internacional, como lembrou o Instituto Arayara. “A ausência de consulta às comunidades e o avanço sobre áreas sensíveis abrem caminho para judicialização e protestos globais”, afirmou a organização em diagnóstico do risco socioambiental desse 5º Ciclo da Oferta Permanente da ANP. O documento, que conta com a participação de observatórios do setor de petróleo e gás, destaca a sobreposição de muitos blocos a áreas de altíssima sensibilidade ambiental e sociocultural, o que acende um alerta entre cientistas, ambientalistas e comunidades tradicionais.

Contra o Acordo de Paris

Já a organização WWF e o Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD) lembraram que essas novas licenças de exploração petrolífera, na prática, contrariam o Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário. O tratado estabelece metas globais para a redução das emissões de gases do efeito estufa e para limitar o aquecimento global a patamar abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais. Isso para conseguir limitar o aumento a 1.5°C. 

Riscos e desastres ambientais são inerentes à extração petrolífera. Foto: Wikimedia Commons

Os riscos de vazamento e derramamento de petróleo devido à extração e o transporte ao longo da costa brasileira são questões também apontadas pelas organizações. Em especial na região da Foz do Rio Amazonas, onde estão ecossistemas marinhos ricos e vulneráveis, há graves impactos socioeconômicos às comunidades locais. Para completar, segundo as entidades, que revisaram pesquisas científicas sobre o tema, faltam no país ações de monitoramento e rastreamento de derramamento de óleo ao longo da costa. E as medidas nesse sentido, quando são tomadas, têm sido ineficazes nas áreas afetadas.

Além disso, as organizações chamam atenção para o aspecto econômico: a maioria dessas novas reservas deverá levar mais de uma década para entrar em operação comercial. Ou seja, começará a produzir após o pico da demanda por petróleo e gás, previsto para os próximos quatro anos, antes que comecem a decolar as políticas climáticas acordadas na COP28, sediada em Dubai, em 2023. Na ocasião os governos concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável. E de dobrar a eficiência energética até 2030, para além da transição dos combustíveis fósseis nos sistemas de energia. A China, por exemplo, maior importadora de petróleo do mundo, já atingiu platô na demanda por combustíveis derivados do petróleo.

Prejuízos a curto prazo

As entidades estimam que, em meio a essa dinâmica, a produção desses novos poços terá início tarde demais, muito provavelmente ficando encalhado. E as operadoras, que não deverão conseguir recuperar seu investimento, buscarão atenuar suas perdas caso os preços de mercado permanecerem acima de seus custos operacionais por barril de petróleo extraído. “Portanto, uma primeira medida racional para o governo seria suspender todas as novas licenças de exploração”, defendem a WWF e outras organizações em documento publicado na última semana.

Outra preocupação das organizações no campo econômico, com impactos sociais, é que a Petrobras planeja investir US$ 97 bilhões em petróleo e gás entre este ano e 2029. A justificativa é que “o setor de petróleo e gás é crucial para uma transição energética justa, inclusiva e equilibrada e para a segurança energética do país”. “O valor é seis vezes maior que seus gastos com descarbonização e diversificação de seus negócios. Isso vai na contramão do que espera a sociedade sobre a empresa brasileira”.

Aliás, conforme pesquisas de opinião, os brasileiros em geral defendem que a gigante brasileira tenha papel de liderança na transição para a energia renovável. Ou seja, de deixar para trás a produção de combustíveis fósseis causadores do aquecimento global e, por tabela, das mudanças climáticas. No entanto, para as organizações, a empresa está atrasada em relação àquelas com melhor desempenho climático no setor de petróleo e gás. “O governo brasileiro pode traçar um caminho mais seguro restringindo a expansão do petróleo e do gás, redefinindo o mandato da Petrobras e transferindo os fluxos financeiros do petróleo e do gás para a energia limpa”, defendem.

Por isso, as entidades recomendam que o governo brasileiro tome medidas para prevenir prejuízos decorrentes do encalhe. É o caso de brecar a emissão de licenças de exploração de combustíveis fósseis, além de eliminar gradualmente as licenças de desenvolvimento, “começando com os ativos com maior probabilidade de se tornarem encalhados sob vias de baixo carbono”. E que incentive a Petrobras a transferir os fluxos financeiros do petróleo e gás para a energia limpa. Que impeça novos campos com exploração em andamento, o que pode evitar perdas entre US$ 12 e 35 bilhões em ativos encalhados para a Petrobras, isso dependendo da velocidade da transição energética. Além disso, que crie condições para diferentes tecnologias e empresas de energia por meio da reforma dos subsídios aos combustíveis fósseis e das regulamentações de sustentabilidade das instituições financeiras. 

Leia também: cresce resistência à extração de petróleo junto a áreas protegidas

 

Os meninos do Brasil: Leonid Schneider apresenta ao mundo dois hiperprolíficos produtores de lixo científico “made in Brazil”

“Sempre podemos cometer erros em nossas publicações, mas nunca agir de forma intencional. Quanto aos trabalhos do Prof. Eder, eu o conheço bem e não acredito que ele tenha algo errado.” – Glaydson S. Dos Reis

Boys from Brazil – For Better Science

Por Leonid Schneider para “For Better Science

O  brasileiro ativo participante da indústria de artigos científicos Eder Lima conseguiu instalar seu pupilo Glaydson Simões Dos Reis primeiro na Universidade Sueca de Ciências Agrícolas (SLU) em Umea, e depois na Universidade Åbo Akademi em Turku, Finlândia.

Tudo correu bem, vários professores suecos e finlandeses se juntaram a Dos Reis em sua produção de papermills, mas então relatei as evidências do PubPeer à SLU e ao Conselho Nacional Sueco de Avaliação de Má Conduta em Pesquisa (NPOF). Dos Reis está em apuros agora, seus coautores escandinavos não são mais seus amigos.

Dos Reis chegou à SLU como pós-doutorado em 2020, após se formar com doutorado em química da poluição ambiental sob a supervisão de Lima na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil, em 2016, e permaneceu por alguns anos como pós-doutorado de Lima (CV aqui ). Esse relacionamento levou a um recorde no PubPeer de 27 artigos para a jovem estrela da ciência. Durante seu doutorado, Dos Reis trabalhou por um ano na Alemanha, no departamento de Kuresch Rezwan na Universidade de Bremen. Exceto por um artigo de confiabilidade questionável (Dos Reis et al 2016 ), Rezwan foi inteligente (ou sortudo) o suficiente para não colocar seu nome em nenhuma outra das invenções de Dos Reis com Lima. Mas os suecos e finlandeses decidiram não olhar para um artigo de presente nos números.

(LinkedIn )

O histórico de Lima no PubPeer é enorme: mais de 70 invenções de fábricas de papel foram sinalizadas por fraude flagrante, excesso de autocitações ou manipulação de revisão por pares. Ele foi visto publicando com os piores fabricantes de papel, mas, por outro lado, está sendo visto junto com Lima, o que é um grande sinal de alerta.

Aqui está um artigo típico de Lima, em um periódico do MDPI:

Mohamed Abatal, MT Olguin, Ioannis Anastopoulos, Dimitrios A. Giannakoudakis, Eder Claudio Lima, Joel Vargas, Claudia Aguilar Comparação da remoção de metais pesados ​​de solução aquosa porrevestimentos de folhas e sementes de Moringa oleifera (2021) doi: 10.3390/coatings11050508 

Aneurus inconstans : “Figura 2, muitas semelhanças entre os padrões de XRD. As regiões mostradas abaixo (ampliar) esclarecem o que quero dizer. Isso é impossível.”

O estimado acadêmico brasileiro Professor Lima respondeu muito respeitosamente no PubPeer:

Parece que o #3 está com inveja do nosso artigo. Os experimentos foram refeitos e uma nova figura foi enviada ao periódico. Que tal você, #3, me enviar alguns dos seus melhores artigos? Certamente encontrarei algum erro. Talvez algum erro grave se você trabalhar com adsorção. É um desafio .

Uma correção foi publicada pelo MDPI em agosto de 2024 e simplesmente removeu toda a Figura 2:

A análise de XRD não é necessária, pois não afeta o escopo principal e as conclusões experimentais referentes ao desempenho de remediação dos materiais derivados de biomassa estudados. As conclusões científicas permanecem inalteradas.

Seções de texto e algumas referências também foram removidas.

Aqui está Lima com seus amigos fabricantes de papel Navid Rabiee , Pooyan Makvandi , Mohammad Reza Saeb , Ali Zarrabi , Milad Ashrafizadeh e o fraudador americano demitido Thomas Webster , no livro “Ciência ambiental e pesquisa sobre poluição” da Springer Nature . O texto não tinha aprovação ética para experimentos com animais ou (mais provavelmente) era completamente inventado:

Soheil Sojdeh, Ali Banitalebi Dehkordi, Alireza Badiei, Ali Zarrabi, Pooyan Makvandi, Milad Ashrafizadeh, Mohammad Reza Saeb, Eder C. Lima, Mohammad Rabiee, Mohsen Asadnia, Thomas J. Webster, Navid Rabiee Nanoesferas de carbono dopadas com N como sondas fluorescentes seletivas para detecção de mercúrio em meios aquosos contaminados: química, sondagem de fluorescência, padronização de linhagem celular e interação com tecido hepático Environmental science and pollution research international (2023) doi: 10.1007/s11356-022-25068-0 

Alexander Magazinov : “Os autores poderiam, por favor, abordar a aparente inconsistência? Nenhum camundongo é mencionado nos métodos.”

Em 6 de maio de 2025, o periódico corrigiu isso com uma Correção : onde os autores forneceram dois códigos de aprovação ética do Irã: IR.SBMU.RETECH.REC.1400.652 e IR.SBMU.RETECH.REC.1400.907. Os quais são, obviamente, falsos. O primeiro código já apareceu em um artigo anterior de Rabiee ( Bagherazadeh et al. 2022 ), onde foi usado para realizar experimentos… em linhagens celulares:

A análise in vitro foi realizada com base na declaração ética (IR.SBMU.RETECH.REC.1400.652) e aprovada pelo comitê de ética biomédica da Universidade de Ciências Médicas Shahid Beheshti, em Teerã, Irã. Duas linhagens celulares diferentes foram utilizadas: HT-29 (ATCC HTB-38) e HEK-293 (ATCC CRL-1721) (preparadas a partir do banco de células do Instituto Pasture, em Teerã, Irã).

A outra aprovação ética também foi emitida para experimentos de cultura de células e para uma pessoa que nem sequer é coautora:

“ 9- O projeto do Dr. Sayed Javad Sayed Tabaei intitulado “Design, síntese e caracterização de um nanocompósito biodegradável à base de UiO-66 e MXene revestido com extrato de alecrim como um nanocarreador de biomoléculas com capacidade de entrar nas células” foi proposto e aprovado. ” Fonte

Alexander Magazinov encontrou essas aprovações éticas e confirmou que as propostas foram emitidas para cientistas não relacionados, experimentos não relacionados e até mesmo por uma universidade iraniana não relacionada:

Fonte: ethics.research.ac.ir

A editora Springer Nature e o editor-chefe daquele periódico desastroso, Philippe Garrigues , não pareceram incomodados com essa evidência de fraude ética massiva e não responderam ao meu e-mail.

Aqui está Lima novamente com Rabiee, Makvandi e Rajender S. Varma , que foi expulso da República Tcheca por ser um fraudador de fábrica de papel. É uma orgia de autocitação para Rabiee:

Moein Safarkhani, Bahareh Farasati Far, Eder C. Lima, Shima Jafarzadeh, Pooyan Makvandi, Rajender S. Varma, YunSuk Huh, Majid Ebrahimi Warkiani, Navid Rabiee Integração de MXene e Microfluídica: Uma Perspectiva ACS Biomaterials Science & Engineering (2024) doi: 10.1021/acsbiomateriais.3c01361 

Neodiprion demoides : “Não está claro por que as declarações genéricas abaixo foram apoiadas exclusivamente por autocitações do último autor, um certo N Rabiee.

Além disso, não está claro quais informações relevantes algumas dessas passagens trazem para a discussão, por exemplo, o que as nanopartículas de prata e ouro têm a ver com a integração de MXenes e microfluídica.”

Este artigo de Lima com Rabiee, Ashrafizadeh, Zarrabi e Saeb apresenta todos os tipos de fraude: criação de citações, imagens copiadas e coladas e espectros desenhados à mão. Parece que Saeb, que trabalha na Polônia (primeiro no Politécnico de Gdansk, agora na vizinha Universidade Médica de Gdansk), convidou um colega chamado Jozef Haponiuk para se juntar a ele. O editor era Jörg Rinklebe , amigo de Lima (que foi completamente branqueado na Alemanha, leia os Shorts de junho de 2024 ).

Sepideh Ahmadi, Vahid Jajarmi, Milad Ashrafizadeh, Ali Zarrabi, Józef T. Haponiuk, Mohammad Reza Saeb, Eder C. Lima, Mohammad Rabiee, Navid Rabiee Missão impossível para a internalização celular: quando a aliança da porfirina com o UiO-66-NH2 MOF dá uma carona às linhagens celulares Journal of Hazardous Materials (2022) doi: 10.1016/j.jhazmat.2022.129259 

Alexander Magazinov : “Este é um produto da agricultura de citação, seu principal beneficiário é um certo N Rabiee.”
Simnia avena : “ Fig. 5. […] A primeira e a última fileiras dessas imagens se sobrepõem fortemente.”
Olearia ramulosa : “a queda na intensidade entre 17 e 18 graus também é inesperada e parece não física:”

Lima com Saeb e Rabiee, enquanto Rinklebe atuou como editor:

Navid Rabiee, Yousef Fatahi, Mohsen Asadnia, Hossein Daneshgar, Mahsa Kiani, Amir Mohammad Ghadiri, Monireh Atarod, Amin Hamed Mashhadzadeh, Omid Akhavan, Mojtaba Bagherzadeh, Eder C. Lima, Mohammad Reza Saeb Nanomembranas verdes porosas semelhantes a benzamida para cátions perigosos detecção, separação e ajuste de concentração Journal of Hazardous Materials (2022) doi: 10.1016/j.jhazmat.2021.127130 

Elisabeth Bik : “Preocupação com a Figura 10

Caixas vermelhas: Os painéis f) (pH 7,4) e i (pH 8,6) se sobrepõem, mas representam amostras preparadas com pHs diferentes.

Caixas ciano: Os painéis a) e b) mostram a mesma foto”

Saeb aparecerá novamente em uma Coda no final.

Voltemos ao incrível aluno de Lima, Dos Reis. Quando relatei este caso à SLU, Dos Reis me disse que Lima era seu “coorientador de doutorado” e começou a defendê-lo:

“ Sempre podemos cometer erros em nossas publicações, mas nunca agir intencionalmente.
Em relação aos trabalhos do Prof. Eder, eu o conheço bem e não acredito que ele tenha algo errado (nesta pesquisa).
 ”

Seguido pela:

Devo dizer que ele sempre agiu de forma justa ao contribuir com meus artigos. Mas, devido à grande quantidade de questões que você levantou, posso considerar a colaboração com eles em meus trabalhos futuros

Em janeiro de 2025, no Shorts , relatei a primeira retratação de Lima. Foi um artigo conjunto de Dos Reis e Lima, editorialmente coordenado por Guilherme Dotto , professor de química da Universidade Federal de Santa Maria, no Brasil, colaborador próximo de Lima:

Caroline Saucier, P. Karthickeyan, V. Ranjithkumar, Eder C. Lima, Glaydson S. Dos Reis, Irineu AS De Brum Remoção eficiente de amoxicilina e paracetamol de soluções aquosas usando carvão ativado magnético Ciência ambiental e pesquisa sobre poluição (2017) doi10.1007/s11356-016-8304-7 

Fig. 1, Desmococcus antarctica :; “Os padrões são quase idênticos (apenas a parte na caixa azul é diferente e há uma pequena diferença entre 220 e 311 no padrão (pequeno padrão de pico b, que eu acho que é o ‘222’ que foi colocado incorretamente na figura, seta verde). Além disso, alguns dos picos têm números incorretos.”

Havia outras questões, incluindo um conflito de interesses – a colaboração anterior do editor (Dotto) com Lima. A retratação foi feita em 17 de janeiro de 2025, com Lima e Dos Reis discordando dela:

O Editor-Chefe e a Editora retiraram este artigo. As seguintes preocupações com a publicação foram levantadas em relação à Figura 1 e à Figura S3, especificamente:

  • Na Figura 1, os padrões XRD (b) MAC-1 e (c) MAC-2 parecem ser quase idênticos e alguns dos picos parecem ter números incorretos
  • A Figura S3 parece conter inconsistências, incluindo o sinal sendo deslocado horizontalmente entre (d) e (e), e os sinais em (b) e (c) parecendo ser inconsistentes com a rotulagem no eixo x.

Os autores não conseguiram fornecer dados brutos originais verificáveis ​​para abordar essas preocupações.

Além disso, investigações posteriores da Editora identificaram preocupações relacionadas ao comprometimento da revisão por pares e do tratamento editorial, além de padrões anormais de citação.

Dotto e Lima publicam juntos ou editam as invenções da fábrica de papel um do outro. No mesmo periódico Environmental Science and Pollution Research , do qual Dotto é membro do conselho editorial , você pode encontrar muitos exemplos, como Wamba et al. 2017 , editado por Dotto e escrito por Lima e dos Reis. Ou este, de Lima, Dotto e Dos Reis:

Andressa Cristiana Fröhlich, Glaydson Simoes Dos Reis, Flávio André Pavan, Éder Cláudio Lima, Edson Luiz Foletto, Guilherme Luiz Dotto Melhoria das características do carvão ativado por sonicação e sua aplicação na adsorção de contaminantes farmacêuticos Ciência ambiental e pesquisa sobre poluição (2018) doi: 10.1007/s11356-018-2525-x 

Thallarcha lechrioleuca : “Fig.1 Dois padrões de XRD idênticos para amostras diferentes.”

Este artigo não foi retirado, provavelmente porque o Professor Lima forneceu uma explicação acadêmica no PubPeer:

“ 1 e #2 estão tentando denegrir outros pesquisadores, talvez por serem pesquisadores fracos e espalhados na Comunidade Científica. […] . Recomendo fortemente que #1 e #2 retornem às suas aulas de graduação e estudem mais Física e Análise Instrumental, pois foram aprovados sem aprender o mínimo de conceitos para fazer uma pesquisa.”

O editor do periódico, Professor Dotto, acrescentou:

“ Prof. Éder, obrigado pelo seu valioso esclarecimento. Lamento que o senhor tenha perdido tempo com essas pobres pessoas .”

O debate no PubPeer continuou na mesma linha. A propósito, aqui está um artigo de Dotto sobre ossos de frango incinerados. Foi publicado no mesmo periódico, do qual ele, é claro, permanece editor até hoje:

Letícia Nascimento Côrtes, Susanne Pedroso Druzian, Angélica Fátima Mantelli Streit, Tito Roberto Sant’anna Cadaval Junior, Gabriela Carvalho Collazzo, Guilherme Luiz Dotto Preparação de materiais carbonáceos a partir da pirólise de ossos de galinha e sua aplicação para adsorção de fucsina Ciência ambiental e pesquisa sobre poluição (2019) doi: 10.1007/s11356-018-3679-2 

Tetraphleps parallelus : “Padrões XRD anormais”

Lima também trabalha em estreita colaboração com um certo acadêmico britânico chamado Farooq Sher, da Universidade Nottingham Trent, que não é apenas um fabricante de papel, mas também dono de uma empresa de fraudes. Leia sobre Sher no final deste artigo:

Aqui está um artigo típico de Lima e Sher:

Saba Sehar, Farooq Sher, Shengfu Zhang, Ushna Khalid, Jasmina Sulejmanović, Eder C. Lima Estudo termodinâmico e cinético de nanocompósitos de óxido de grafeno-CuO sintetizados: um caminho a seguir para potenciais aditivos e fotocatalíticos de combustível Journal of Molecular Liquids (2020) doi: 10.1016/j.molliq.2020.113494

Thallarcha lechrioleuca : “Figura 2 a Alguns fragmentos repetidos em padrão de raios X. A seta vermelha também mostra uma pequena região com padrões repetidos. As setas azuis mostram algumas quebras, como se algo tivesse sido copiado e colado.”

Normalmente, Sher responde no PubPeer com sua mensagem padrão:

“ Os dados que apoiam as descobertas deste estudo estão disponíveis com o autor correspondente, Dr. F. Sher, e-mail: Farooq.Sher@ntu.ac.uk, mediante solicitação razoável de editores ou indivíduos, por favor. ”

Desta vez, porém, este texto exato foi postado pela coautora Jasmina Sulejmanović , da Universidade de Sarajevo, Bósnia.

Aqui, Sonny e Cher, ahhh perdão, Lima e Sher, foram acompanhados pelo fraudador paquistanês de fábrica de papel, residente no México, Hafiz Iqbal (que teve grande destaque no artigo acima). O último autor, Mirza Nuhanovic, também é da Universidade de Sarajevo:

Hamad Sadiq, Farooq Sher, Saba Sehar, Eder C. Lima, Shengfu Zhang, Hafiz MN Iqbal, Fatima Zafar, Mirza Nuhanović Síntese verde de nanopartículas de ZnO a partir do extrato das folhas de Syzygium Cumini com aplicações robustas de fotocatálise Journal of Molecular Liquids (2021) doi: 10.1016/j.molliq.2021.116567 

Fig 2 de Thallarcha lechrioleuca e Apodemus agrarius
Simnia avena : “Há algo errado com o eixo x deste EDX: […] Não entendo como os ticks e os números estão relacionados. […] Os picos também não seguem os valores de energia esperados.”

Mas esses espectros falsos de XRD eram pelo menos baseados em algo que já foi espectro real em algum lugar. Estes, de Lima e Sher, foram desenhados à mão por um idiota bêbado:

Usama A. Al-Rawi, Farooq Sher, Abu Hazafa, Tahir Rasheed, Nawar K. Al-Shara, Eder C. Lima, Jabir Shanshool Atividade catalítica de zeólitas carregadas com Pt para hidroisomerização de n -hexano usando CO2 supercrítico Pesquisa em Química Industrial e de Engenharia (2020) doi: 10.1021/acs.iecr.0c05184 

Simnia avena : “ Figura 3. […] Esta figura tem várias características não físicas, como dados FTIR subindo e descendo no número de comprimento de onda (eixo x), o que definitivamente não é algo que pode acontecer “normalmente”.
“Figura 4 […] Parece que foi editado: por que há retângulos brancos aparecendo na parte inferior?”

Aqui está outro artigo conjunto de Lima e Sher, novamente com espectros ridiculamente desenhados à mão:

Ushna Khalid, Farooq Sher, Saima Noreen, Eder C. Lima, Tahir Rasheed, Saba Sehar, Roua Amami Efeitos comparativos de fertilizantes convencionais e nano-habilitados em atributos morfológicos e fisiológicos de plantas de Caesalpinia bonducella Jornal da Sociedade Saudita de Ciências Agrícolas (2022) doi: 10.1016/j.jssas.2021.06.011 

Simnia avena : “Algumas partes dos espectros FTIR parecem ter características não físicas: elas têm comprimentos de onda não monotônicos.”

Mas continuo divagando, queremos falar sobre Dos Reis e seus artigos suecos. Agora, vejam esta paródia de citação de Dos Reis, Lima e Sher, cujos coautores incluem a esposa de Lima (e doutoranda!), Diana Ramos Lima , e a chefe de Dos Reis na SLU, Sylvia Larsson , que estudou , fez doutorado e continuou na SLU para se tornar professora titular em 2020, mas apresentou seu pedido de demissão pouco antes de proferir sua palestra inaugural (adiada pela pandemia) em maio de 2022, e saiu em setembro de 2022 (informações atualizadas):

Mariene R. Cunha, Eder C. Lima, Diana R. Lima, Raphaelle S. Da Silva, Pascal S. Thue, Moaaz K. Seliem, Farooq Sher, Glaydson S. Dos Reis, Sylvia H. Larsson Remoção de captopril farmacêutico de águas residuais da indústria farmacêutica sintética: uso de carvão ativado derivado de Butia catarinensis Journal of Environmental Chemical Engineering (2020) doi: 10.1016/j.jece.2020.104506 

Simnia avena : “Interessante proporção de autocitação:” (por Eder Lima)

Não foi o único artigo ruim em que Dos Reis se juntou a Lima e Sher, veja também Lima et al 2022 ou Teixeira et al 2022 , este último incluiu Rabiee.

Uma orgia de autocitação semelhante à de Lima foi detectada por Alexander Magazinov em Dos Santos Feitoza et al., 2022 , cujos coautores, além de Dos Reis e Lima, são Rabiee e Rinklebe. Lima respondeu no PubPeer com:

“Recomendo que o Dr. Alexander Magazinov se preocupe com a qualidade da informação e não apenas com o número de citações; seria mais lucrativo para a comunidade científica.”

Seguido por isto:

Lima: “Recomendo aos “pesquisadores” invejosos que, se quiserem discutir comigo, escrevam diretamente para o meu e-mail. Não fiquem escondidos atrás da tela do computador.”

Como você certamente já entendeu, esses homens da ciência administram um círculo de revisão por pares, onde lidam e revisam editorialmente os artigos uns dos outros. Por exemplo, Thue et al. 2020 (por dos Reis e Sr. e Sra. Lima) foi editado por Rinklebe. Essa sabotagem editorial de Rinklebe e Lima, na verdade até mesmo o artigo acima, foi discutida neste artigo:

Agora, dois artigos publicados em paralelo por Dos Reis, Lima, Dotto e um certo papeleiro saudita Muhammad Naushad , da Universidade Rei Saud, que tem mais de 80 artigos totalmente falsos no PubPeer (mais sobre ele no segundo Coda).

  • Beatris L. Mello, Pascal S. Thue, Pâmela Vianini Da Silva, Fernando M. Machado, Mu. Naushad, Lotfi Sellaoui, Michael Badawi, Glaydson S. Dos Reis, Guilherme L. Dotto, Eder C. Lima Enxertia de 3-trimetoxisililpropil)dietilenotriamina em celulose microcristalina para adsorção de corantes: Estudos experimentais e de modelagem Reactive and Functional Polymers (2024) doi: 10.1016/j.reactfunctpolym.2024.105836 
  • Pascal S. Thue, Alfred GN Wamba, Beatris L. Mello, Fernando M. Machado, Karoline F. Petroman, Willian Cézar Nadaleti, Robson Andreazza, Glaydson S. Dos Reis, Mohamed Abatal, Eder C. Lima Carbono composto magnético de celulose microcristalina para combater a contaminação por paracetamol: cinética, transferência de massa, equilíbrio e estudos termodinâmicoPolymers (2024) doi: 10.3390/polym16243538 
Thallarcha lechrioleuca : “XRD inesperadamente semelhante para dois materiais diferentes em 2 artigos”
Thallarcha lechrioleuca : “As imagens SEM para esses dois artigos (ambos de 2024) foram registradas 14 anos antes, em 2010 e no mesmo dia, 10 de dezembro.”

Este é o mais antigo no PubPeer para Dos Reis. Aqui ele está com Lima, Dotto e Naushad, e eles convidaram o pesquisador da SLU chamado Alejandro Grimm para participar:

Roberta A. Teixeira, Pascal S. Thue, Éder C. Lima, Alejandro Grimm, Mu. Naushad, Guilherme L. Dotto, Glaydson S. Dos Reis Adsorção de Omeprazol em Adsorventes de Base Biológica Dopados com Si/Mg: Estudos Cinéticos, de Equilíbrio e Termodinâmicos Molecules (2023) doi: 10.3390/molecules28124591 

Alexander Magazinov : “ A morfologia da superfície dos adsorventes foi examinada por microscopia eletrônica de varredura (MEV) ( 55-VP, Supra, Zeiss, Jena, Alemanha ), usando uma voltagem de aceleração de 20 kV .” . Exceto na realidade, o dispositivo era VEGA 3 (TESCAN, República Tcheca) usado a 10 kV . Na verdade, o instrumento está localizado na UNIVASF, que é a Universidade Federal do Vale do São Francisco . Nenhum dos autores é afiliado a essa instituição.

Aqui está Grimm e outros pesquisadores da SLU com Dos Reis, Lima, Dotto e Naushad, em uma edição especial do MDPI editada pelo próprio Dos Reis. Não é à toa que passou pela revisão por pares:

Simon Ekman, Glaydson Simões Dos Reis, Ewen Laisné, Julie Thivet, Alejandro Grimm, Eder Claudio Lima, Mu. Naushad, Guilherme Luiz Dotto Síntese, Caracterização e Propriedades de Adsorção de Biochar Nanoporoso Dopado com Nitrogênio: Remoção Eficiente de Corante Laranja 16 Reativo e Efluentes Coloridos Nanomateriais (2023) doi: 10.3390/nano13142045

Thallarcha lechrioleuca : “Fig. 3 A deconvolução do nada é chamada de “análise XPS”. Os autores se esqueceram de incluir seus espectros neste gráfico.”

Essas figuras bizarras de deconvolução sem espectros seriam comparáveis ​​a um desenho animado feito à mão de um dinossauro recém-descoberto, sem quaisquer dados originais de fósseis reais. E passam pela revisão por pares em um periódico de paleopatologia.

O que nos leva a um conjunto de dois artigos, que não podem ser atribuídos a Lima. Novamente, temos números cientificamente analfabetos e sem sentido, sem espectros e/ou mesmo envelope de picos, mas com alguma deconvolução do nada:

  • Ravi Moreno Araujo Pinheiro Lima, Glaydson Simões Dos Reis, Mikael Thyrel, Jose Jarib Alcaraz-Espinoza, Sylvia H. Larsson, Helinando Pequeno De Oliveira Síntese fácil de biocarvões porosos derivados de biomassa sustentável como materiais de eletrodo promissores para aplicações de supercapacitores de alto desempenho Nanomateriais (2022) doi: 10.3390/nano12050866 
  • Glaydson Simões Dos Reis, Chandrasekar Mayandi Subramaniyam, Angélica Duarte Cárdenas, Sylvia H. Larsson, Mikael Thyrel, Ulla Lassi, Flaviano García-Alvarado ntese fácil de biocarvões ativados sustentáveis ​​com diferentes estruturas de poros como ânodos eficientes sem carbono aditivo para baterias de íons de lítio e sódio ACS Omega (2022) doi: 10.1021/acsomega.2c06054 
Thallarcha lechrioleuca : “Deconvolução inesperadamente semelhante sem envelope e espectros originais foi publicada pelo mesmo grupo em artigos para materiais diferentes.”

Os coautores acima são os superiores de Dos Reis na SLU: a já mencionada Sylvia Larsson e seu chefe de departamento, Mikael Thyrel . Além de Ulla Lassi , professora da Universidade de Oulu, na Finlândia. Todos, presumivelmente, especialistas altamente qualificados que jamais deveriam ter concordado em publicar tal absurdo, se é que leram seus próprios artigos. Se viram aquelas desconvoluções engraçadas e aprovaram, ou se aprovaram sem olhar: de qualquer forma, esse comportamento sinaliza grave incompetência profissional e pode até sugerir má conduta em pesquisa.

Acontece que o artigo acima de Pinheiro-Lima et al 2022 compartilha dados com este, de Dos Reis, Lima, Dotto, Larsson e Thyrel:

Glaydson Simões Dos Reis, Sylvia H. Larsson, Mikael Thyrel, Tung Ngoc Pham, Eder Claudio Lima, Helinando Pequeno De Oliveira, Guilherme L. Dotto Preparação e Aplicação de Adsorventes de Carbono de Origem Biológica Eficientes Preparados a Partir de Resíduos de Casca de Abeto para Remoção Eficiente de Corantes e Cores Reativas de Revestimentos de Efluentes Sintéticos (2021) doi: 10.3390/coatings11070772 

Thallarcha lechrioleuca : “Dois artigos mostrando as mesmas imagens de MEV para materiais semelhantes, mas não idênticos. Os procedimentos de síntese e as principais propriedades dos materiais são diferentes.”

Mais um absurdo desvendado por Dos Reis, Lima e Dotto, que por algum motivo foi considerado por dois professores da SLU, Larsson e Thyrel, além do pesquisador francês do Institut de Recherches de Chimie Paris, Frederic Rousseau , como uma ciência perfeitamente boa, digna de seus nomes serem colocados nela:

Marine Guy, Manon Mathieu, Ioannis P Anastopoulos, María G Martínez, Frédéric Rousseau, Guilherme L Dotto, Helinando P De Oliveira, Eder C Lima, Mikael Thyrel, Sylvia H Larsson, Glaydson S Dos Reis Otimização de parâmetros de processo, caracterização e aplicação de biochars grafíticos de casca de abeto da Noruega ativados por KOH para adsorção eficiente de corantes azo Molecules (2022) doi: 10.3390/molecules27020456 

Thallarcha lechrioleuca : “Espectros XPS sem nenhum espectro. Apenas componentes de deconvolução estão presentes nestes painéis.”

Obviamente, os acadêmicos da SLU ficaram felizes em receber autorias de presente, mas agora a empolgação esfriou, com a minha notificação de suspeita de má conduta em pesquisa contra todos os autores afiliados à Suécia. Dos Reis tentou se salvar da ira deles:

Dr. Thyrel e o Dr. Grimm não têm nada a ver com essas questões. Foi minha intenção colaborar com esses professores, e eu mesmo não tinha a mínima ideia sobre essas questões relacionadas. Portanto, o Dr. Thyrel e o Dr. Grimm não tinham conhecimento dessas atividades de fabricação de papel .

Denunciei Larsson depois, talvez seja por isso que Dos Reis não a defendeu.

Caso você ache que esta história escandinava precisava de um italiano, aqui está um: Francesco Gentili , um pesquisador de Umea retratado nesta história da SLU de 2024. Neste artigo, Larsson e Grimm também estão a bordo, seu editor-chefe era o papeleiro tcheco Jiri Jaromir Klemeš (que morreu em janeiro de 2023, mas continuou a trabalhar com papel após sua morte ):

María González-Hourcade, Glaydson Simões Dos Reis, Alejandro Grimm, Van Minh Dinh, Eder Claudio Lima, Sylvia H. Larsson, Francesco G. Gentili Biomassa de microalgas como precursor sustentável para produzir biochar dopado com nitrogênio para remoção eficiente de poluentes emergentes de meios aquosos Journal of Cleaner Production (2022) doi: 10.1016/j.jclepro.2022.131280 

Thallarcha lechrioleuca : “Deconvolução de espectros ausentes”.

Lassi teve o azar de se juntar como último autor em mais um artigo ruim de Dos Reis e Lima. Os dois publicaram os mesmos espectros em paralelo, a segunda vez sem Lassi, mas com Dotto e outros brasileiros. Grimm e Naushad, no entanto, estão em ambas as versões:

  • Glaydson S. Dos Reis, Julie Thivet, Ewen Laisné, Varsha Srivastava, Alejandro Grimm, Eder C. Lima, Davide Bergna, Tao Hu, Mu. Naushad, Ulla Lassi Síntese de novo biochar mesoporoso dopado com selênio com remoções de diclofenaco de sódio de alto desempenho e corante laranja 16 reativo Chemical Engineering Science (2023) doi: 10.1016/j.ces.2023.119129 
  • Raphael F. Pinheiro, Alejandro Grimm, Marcos LS Oliveira, Julien Vieillard, Luis FO Silva, Irineu AS De Brum, Éder C. Lima, Mu. Naushad, Lotfi Sellaoui, Guilherme L. Dotto, Glaydson S. Dos Reis Comportamento adsortivo dos elementos de terras raras Ce e La em carvão ativado derivado de vagem de soja: Aplicação em soluções sintéticas, lixiviado real e insights mecanísticos por modelagem física estatística Chemical Engineering Journal (2023) doi: 10.1016/j.cej.2023.144484 
Thallarcha lechrioleuca : “Padrões de XRD inesperadamente semelhantes publicados em 2 artigos para diferentes tipos de carbono”

Lassi me contou que começou a trabalhar com Dos Reis por meio de seu colega Tao Hu , que é professor associado em Oulu.

Nesse sentido, vejam a tremenda merda de Dos Reis, Lima, Dotto e Naushad em que nossos heróis nórdicos Lassi, Hu, Grimm, Gentili e Thyrel se meteram. E não apenas eles, mas vários outros acadêmicos escandinavos, na verdade, mais três professores suecos: Mahiar Hamedi , da KTH, Emma Björk, da Universidade de Linköping, e Jyri-Pekka Mikkola . Este último é professor não apenas na Universidade de Umeå, na Suécia, mas também na Universidade Åbo Akademi, na Finlândia. E vocês se surpreenderiam ao saber que Dos Reis agora trabalha no departamento de Mikkola lá?

  • Glaydson S Dos Reis, Alejandro Grimm, Denise Alves Fungaro, Tao Hu, Irineu AS De Brum, Eder C Lima, Mu Naushad, Guilherme L Dotto, Ulla Lassi Síntese de carbono biobaseado dopado com enxofre mesoporoso sustentável com desempenho superior na remoção de diclofenaco de sódio: cinética, equilíbrio, termodinâmica e mecanismo Environmental Research (2024) doi: 10.1016/j.envres.2024.118595 
  • Ewen Laisné, Julie Thivet, Gopinathan Manavalan, Shaikshavali Petnikota, Jyri-Pekka Mikkola, Mikael Thyrel, Tao Hu, Eder Claudio Lima, Mu. Naushad, Ulla Lassi, Glaydson Simões Dos Reis Projeto Box-Behnken para otimização da síntese de materiais mesoporosos à base de carbono dopados com enxofre a partir de resíduos de bétula: candidatos promissores para aplicações ambientais e de armazenamento de energia Colloids and Surfaces A (2024) doi: 10.1016/j.colsurfa.2024.133899 
  • Glaydson S. Dos Reis, Sarah Conrad, Eder C. Lima, Mu. Naushad, Gopinathan Manavalan, Francesco G. Gentili, Guilherme Luiz Dotto, Alejandro Grimm Síntese de carbono altamente poroso dopado com enxofre e lignina-sulfonato para adsorção eficiente de diclofenaco de sódio e nanomateriais de efluentes sintéticos (2024) doi: 10.3390/nano14161374 
  • Glaydson Simões Dos Reis, Artem Iakunkov, Jyoti Shakya, Dhirendra Sahoo, Alejandro Grimm, Helinando Pequeno De Oliveira, Jyri-Pekka Mikkola, Emma M. Björk, Mahiar Max Hamedi Carbono nanoestruturado dopado com enxofre de biomassa e sua automontagem camada por camada para eletrodos supercapacitores de alto desempenho ACS Sustainable Resource Management (2025) doi: 10.1021/acssusresmgt.4c00258 
Thallarcha lechrioleuca : “Espectros XPS inesperadamente semelhantes em 4 artigos sobre materiais diferentes.”
Thallarcha lechrioleuca : “As mesmas imagens SEM publicadas em 3 artigos sobre materiais ligeiramente diferentes.”

É claro que faz todo o sentido que Thyrel e Lassi se tenham nomeado investigadores do caso da fábrica de papel Dos Reis. Thyrel escreveu-me:

Prezado Leonid,
Obrigado por nos alertar sobre esta situação grave.
Levamos a sério a suspeita de má conduta em pesquisa e comportamento fraudulento na SLU.
Eu, juntamente com a Profa. Ulla Lassi (cc) da Universidade de Oulu, iniciaremos uma investigação completa sobre este assunto. A Profa. Lassi é uma colaboradora de confiança nossa na pesquisa de materiais de carbono em um projeto em andamento na UE. Nenhum de nós tinha conhecimento de quaisquer métodos de trabalho fraudulentos que Glaydson pudesse ter utilizado. Em vez disso, podemos ter confiado demais nele.
Glaydson deixou a SLU e a Suécia em novembro de 2024 para trabalhar na Academia Åbo, na Finlândia.

Lassi respondeu a Thyrell e a mim (destaca o dela):

Sou totalmente contra qualquer má conduta em pesquisa e, como membro-chave do Conselho de Pesquisa da Finlândia, devo me esforçar para abordar isso com nosso comitê de ética. O Dr. Glaydson é atualmente financiado pelo Conselho de Pesquisa da Finlândia.
Antes disso, precisamos de uma investigação aprofundada sobre o ocorrido. Entrarei em contato com o Dr. Glaydson pessoalmente e pedirei que ele explique essas publicações e os dados originais. Como podemos discutir com ele desde já? Caso contrário, recomendarei uma reunião conjunta com ele para que todos nós possamos explicar ao mesmo tempo. Nossa unidade de pesquisa mediu XRD e XPS em duas primeiras publicações (não em todas), e temos esses dados originais de pesquisa. Se isso também for usado em outras publicações, é antiético.
Mais uma vez, obrigado por nos informar.

Lassi então marcou uma reunião com Dos Reis para 16 de junho de 2025, exigindo que ele apresentasse os dados originais dos artigos criticados, e acrescentou: “ Sou totalmente contra qualquer má conduta em pesquisas e tenho tolerância zero com isso ” .

Não somos todos nós?

Da esquerda para a direita: Dos Reis, Gentili, Lima, Larsson, Grimm. Foto original: B. Kalla/ Universidade de Tecnologia de Lulea , M. Pettersson/ SLU , Lima no LInkedIn

Tentei várias vezes que Thyrell, Lassi e Larsson me explicassem por que aprovaram aquelas figuras insanas de deconvolução sem espectros reais. Eles se recusaram a discutir o assunto, e Larsson, de qualquer forma, nunca respondeu aos meus e-mails. Atualização : Fui informado de que:

“ Sylvia Larsson se demitiu da SLU em 2022 e desde então não trabalha mais no meio acadêmico ”.  

O consultor jurídico da SLU, Sebastian Bromander, me informou em 16 de junho de 2025:

diretoria interna da SLU contatou o Npof a respeito das informações fornecidas por você, e um caso formal foi aberto, 3.2-25/0076. Nosso objetivo é ser o mais transparente e cooperativo possível com o Npof para garantir uma investigação completa .

O vice-reitor de pesquisa da Universidade Abo Akademi, Reko Leino, também me agradeceu pela informação e anunciou que “ analisará e investigará este assunto ”.


Fonte: For Better Science

União Europeia estuda retirar aprovação do glifosato devido a novo estudo chocante sobre câncer

Por Sustainable Pulse

Um porta-voz da Comissão Europeia confirmou que o executivo da União Europeia (UE) declarou que a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) serão formalmente encarregadas de avaliar se as descobertas revisadas por pares de um novo estudo internacional mostrando que o glifosato causa seis dos tipos mais comuns de câncer afetam a atual avaliação de risco do glifosato.

“Se a ECHA ou a EFSA confirmarem que o glifosato não atende mais aos critérios de aprovação ou que as condições de aprovação devem ser alteradas, a Comissão agirá imediatamente para alterar ou retirar a aprovação”, declarou o porta-voz da  Comissão Europeia na sexta-feira.

Enquanto isso, a organização de agricultores holandeses LTO solicitou uma avaliação rápida do novo estudo internacional. Se as conclusões forem confirmadas, a LTO afirmou que a aprovação do produto “deve ser retirada imediatamente”,  segundo a Trouw, citando a organização. O glifosato é amplamente utilizado por agricultores holandeses tanto na indústria alimentícia quanto na de flores.

A LTO afirmou ser essencial que os órgãos de segurança nacionais e europeus, incluindo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e o Conselho Holandês para a Autorização de Produtos Fitofarmacêuticos e Biocidas (CTGB), avaliem o estudo “como prioridade máxima”. O CTGB afirma que examinará os resultados e a metodologia do estudo e reportará suas conclusões ao Ministério da Agricultura dentro de algumas semanas.

O estudo abrangente de carcinogenicidade, que causou essa reação da Comissão Europeia e de grupos agrícolas em toda a UE, envolveu cientistas da Europa e dos EUA e descobriu que baixas doses do controverso herbicida causam vários tipos de câncer em ratos.

Neste estudo de longo prazo,  publicado na revista de alto impacto Environmental Health, o glifosato isoladamente e duas formulações comerciais à base de glifosato, Roundup BioFlow (MON 52276), usado na UE, e Ranger Pro (EPA 524-517), usado nos EUA, foram administrados a ratos via água potável, desde a vida pré-natal, nas doses de 0,5, 5 e 50 mg/kg de peso corporal/dia, durante 2 anos. Essas doses são atualmente consideradas seguras pelas agências reguladoras e correspondem à Ingestão Diária Aceitável (IDA) da UE e ao Nível de Efeito Adverso Não Observado (NOAEL) da UE para o glifosato.

Em todos os três grupos de tratamento, foram observadas incidências aumentadas de tumores benignos e malignos em múltiplos sítios anatômicos em comparação aos controles. Esses tumores surgiram em tecidos hemolinforreticulares (leucemia), pele, fígado, tireoide, sistema nervoso, ovário, glândula mamária, glândulas suprarrenais, rim, bexiga urinária, osso, pâncreas endócrino, útero e baço (hemangiossarcoma). Incidências aumentadas ocorreram em ambos os sexos. A maioria desses tumores envolveu tumores raros em ratos Sprague Dawley (incidência de base < 1%), com 40% das mortes por leucemia nos grupos tratados ocorrendo no início da vida, e um aumento nas mortes precoces também foi observado para outros tumores sólidos.

“Observamos início precoce e mortalidade precoce em diversos tipos de cânceres malignos raros, incluindo leucemia e tumores de fígado, ovário e sistema nervoso. Notavelmente, aproximadamente metade das mortes por leucemia observadas nos grupos de tratamento com glifosato e GBHs ocorreram em menos de um ano de idade, comparável à idade em humanos com menos de 35-40 anos. Em contraste, nenhum caso de leucemia foi observado no primeiro ano de idade em mais de 1.600 controles históricos do Sprague Dawley em estudos de carcinogenicidade conduzidos pelo Instituto Ramazzini e pelo Programa Nacional de Toxicologia (NTP)”, afirmou o Dr. Daniele Mandrioli, Diretor do Centro de Pesquisa em Câncer Cesare Maltoni do Instituto Ramazzini e Pesquisador Principal do estudo.

O Estudo Global multi-institucional sobre Glifosato está sendo liderado pelo Centro de Pesquisa do Câncer Cesare Maltoni do Instituto Ramazzini, na Itália, e envolve cientistas do Boston College, da George Mason University, do King’s College London, da Icahn School of Medicine no Mount Sinai, do Centro Científico de Mônaco, da Universidade de Bolonha, do Instituto de Biologia Agrícola e Biotecnologia do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, do Instituto Nacional de Saúde da Itália e do Comitê Nacional de Segurança Alimentar do Ministério da Saúde da Itália.

O Centro de Pesquisa do Câncer Cesare Maltoni do Instituto Ramazzini, com mais de 200 compostos estudados em mais de 50 anos, é o maior programa de bioensaios da UE: cloreto de vinila, amianto, benzeno e radiofrequências estão entre os agentes cancerígenos investigados em seu laboratório. Mais recentemente, o Centro de Pesquisa do Câncer Cesare Maltoni do Instituto Ramazzini também  publicou  um relatório revisado por pares em colaboração com o Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental dos EUA (NIEHS) sobre os efeitos toxicológicos da nicotina.

Esses novos resultados fornecem evidências robustas que corroboram a conclusão da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), de 2015, de que há “evidências suficientes da carcinogenicidade do glifosato em animais experimentais”. Além disso, os dados do estudo são consistentes com as evidências epidemiológicas sobre a carcinogenicidade do glifosato e de herbicidas à base de glifosato.

“Nossas descobertas reforçam a classificação do glifosato pelo IARC como um provável carcinógeno humano e são consistentes com estudos experimentais em animais, bem como avaliações correlacionais e de peso de evidência em humanos que relataram associações entre a exposição ao glifosato e certos tipos de câncer, particularmente malignidades hematológicas”, disse a Dra. Melissa Perry, coautora do estudo e epidemiologista ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade George Mason.

O Estudo Global do Glifosato é o estudo toxicológico mais abrangente já realizado sobre glifosato e herbicidas à base de glifosato. Seu objetivo é fornecer dados vitais para órgãos reguladores governamentais, formuladores de políticas e o público em geral. O estudo examina os impactos do glifosato e dos herbicidas à base de glifosato na carcinogenicidade, toxicidade neurodesenvolvimental, efeitos multigeracionais, toxicidade orgânica, desregulação endócrina e toxicidade no desenvolvimento pré-natal.

Este estudo robusto, baseado em um protocolo que abrange o desenvolvimento pré e pós-natal, atende à necessidade de evidências científicas sólidas sobre a toxicologia do glifosato. Os resultados destacam o potencial tumorigênico do glifosato e de produtos à base de glifosato em doses consideradas “seguras”. Essas novas evidências precisam ser cuidadosamente analisadas pelas autoridades regulatórias em todo o mundo, acrescentou o Dr. Alberto Mantovani, coautor do estudo e membro do Comitê Nacional de Segurança Alimentar da Itália (CNSA).

As descobertas do GGS sobre a toxicidade do glifosato para o microbioma, que foram revisadas por pares e  publicadas  no final de 2022 e apresentadas ao Parlamento Europeu em 2023, também mostraram efeitos adversos em doses atualmente consideradas seguras na UE (0,5 mg/kg pc/dia, equivalente à Ingestão Diária Aceitável da UE).

O GGS também  publicou anteriormente  um estudo piloto que demonstrou toxicidade endócrina e reprodutiva em ratos com doses de glifosato atualmente consideradas seguras pelas agências reguladoras dos EUA (1,75 mg/kg de peso corporal/dia). Essas descobertas foram  posteriormente confirmadas  em uma população humana de mães e recém-nascidos expostos ao glifosato durante a gestação.

O próximo passo no GGS será o braço de neurotoxicidade, que é vital para entender qualquer papel que o glifosato e os herbicidas à base de glifosato possam desempenhar no aumento de doenças e distúrbios neurológicos.

“Os resultados deste estudo cuidadosamente conduzido, e especialmente a observação de que a exposição pré-natal de ratos bebês ao glifosato durante a gravidez aumenta a incidência e a mortalidade por leucemia precoce, são um poderoso lembrete da grande vulnerabilidade de bebês humanos a produtos químicos tóxicos e um forte motivo para eliminar o glifosato da produção de alimentos consumidos por mulheres grávidas e seus filhos”, concluiu o Dr. Philip Landrigan, coautor do estudo e diretor do Programa de Saúde Pública Global e Bem Comum do Boston College.


Fonte: Sustainable Pulse

A crise dos oceanos exige um novo tipo de ciência

A comunidade científica global deve fazer sua voz ser ouvida e moldar respostas à crise dos oceanos, escrevem cientistas do Grupo de Especialistas Oceânicos do Conselho Internacional de Ciências

Um mergulhador examinando a vida submarina. Os oceanos do mundo estão sofrendo com a sobrepesca, o aquecimento global, a poluição, a acidificação, a desoxigenação e eventos climáticos extremos — tudo acontecendo ao mesmo tempo e, muitas vezes, interagindo. Imagem de Franziska Stier do Pixabay

Um mergulhador examinando a vida submarina. Os oceanos do mundo estão sofrendo com a sobrepesca, o aquecimento global, a poluição, a acidificação, a desoxigenação e eventos climáticos extremos — tudo acontecendo ao mesmo tempo e, muitas vezes, interagindo. Copyright: Franziska Stier , Pixabay

Por SciDev.Net 

O oceano é uma fonte de vida e resiliência — para pessoas e culturas, para meios de subsistência, para estabilidade climática.

Mas está sob crescente estresse devido à pesca excessiva, ao aquecimento global, à poluição, à acidificação, à desoxigenação e a eventos climáticos extremos — tudo acontecendo ao mesmo tempo e, muitas vezes, interagindo.

O oceano está caminhando em direção a mudanças catastróficas com efeitos cada vez mais imprevisíveis e repentinos.

Como cientistas oceânicos, documentamos essas mudanças em detalhes e temos soado o alarme há décadas — mas ainda há falta de ações políticas significativas.

Para ajudar a diminuir a lacuna entre o que a humanidade precisa fazer e o que estamos fazendo, precisamos repensar nosso papel como cientistas — não apenas para contribuir com conhecimento e ideias, mas como participantes ativos da mudança. Isso exigirá mudanças estruturais em como trabalhamos, como somos financiados e treinados, e como medimos o sucesso.

Alianças oceânicas

Devemos ir além da informação política e ajudar ativamente a moldar as respostas aos problemas complexos que o oceano enfrenta.

Os cientistas oceânicos devem construir alianças mais fortes com a sociedade civil, o governo e as comunidades indígenas e locais — envolvendo mais pessoas desde o início para obter soluções mais eficazes e equitativas.

Temos visto muitos exemplos expressivos desse tipo de trabalho. Em Belize, cientistas oceânicos trabalharam com pescadores, guias turísticos e o governo para construir um projeto de restauração de corais com algumas das maiores taxas de sobrevivência a longo prazo já documentadas na região.

No Norte e Oeste da África, a pesca ilegal e não regulamentada ameaça os ecossistemas marinhos e a estabilidade econômica. Nesse contexto, o projeto de Gestão de Áreas Marinhas e Costeiras no Norte e Oeste da África está equipando instituições regionais com ferramentas geoespaciais e treinamento para ajudá-las a enfrentar essas ameaças.

Essas colaborações exigem trabalho e financiamento extras. Mas a experiência mostra que vale a pena, tanto pela qualidade da pesquisa quanto pelo impacto prático.

Chamando a atenção

Esses projetos demonstram o valor do engajamento precoce com formuladores de políticas e o governo. Podemos fazer nosso trabalho, produzir pesquisas rigorosas e publicar artigos, mas os riscos são altos demais para parar por aí.

A ciência deve permanecer independente, livre para criticar políticas e governança. Mas podemos manter nossa integridade e, ao mesmo tempo, comunicar e estruturar nosso trabalho de forma que os formuladores de políticas ouçam e ajam, envolvendo-os e outros atores relevantes.

Devemos ser específicos sobre quem queremos chamar a atenção. O que os motiva e como podemos nos envolver? Mesmo o engajamento de curto prazo pode moldar políticas e financiamento.

Também observamos muitos benefícios de um engajamento comunitário mais amplo. Envolver pessoas comuns no processo fortalece a confiança na ciência, algo tão importante em tempos de desinformação climática e ambiental persistente.

Incentivar os cidadãos a participar e a informar sobre a ciência relevante para eles pode aprimorar nossa pesquisa e tornar as políticas resultantes mais eficazes e equitativas. O envolvimento deles também leva as pessoas a pressionar por mais ações.

Tornando-o pessoal

Parte do desafio que enfrentamos é a vastidão do oceano e a escala das ameaças que ele enfrenta. Precisamos tornar a ciência pessoal e conectar as pessoas aos problemas e soluções, mostrando que, embora esses sistemas sejam complexos, eles não são ilimitados.

Podemos começar explicando a importância do oceano não apenas em termos ambientais, mas também para a vida das pessoas, empregos, saúde e segurança alimentar. A colaboração interdisciplinar com sociólogos do clima, cientistas comportamentais e educadores pode melhorar a compreensão de opiniões e narrativas que motivam a ação — ou a inação — e como podemos nos comunicar de forma mais eficaz.

Isso é muito — e é importante que não coloquemos toda a responsabilidade em cientistas individuais. Muitos estão apenas tentando sobreviver no sistema — e nos encontramos agora em um momento excepcionalmente desafiador para a ciência.

Podemos começar a melhorar isso analisando como definimos e reconhecemos o impacto. E se avaliássemos o trabalho não apenas pelos artigos publicados, mas também em termos de tomadores de decisão ou comunidades engajadas? Mudar as métricas de sucesso poderia expandir o tipo de pesquisa que escolhemos — e podemos — priorizar.

Também precisamos pensar em como o financiamento é alocado e enfatizar a colaboração interdisciplinar que nos permite trazer mais perspectivas e experiências, em vez de esperar que cada cientista equilibre cada vez mais tarefas que exigem habilidades diversas.

E, claro, governos e instituições precisam fornecer mais apoio — dinheiro e apoio — para ajudar a tornar esse envolvimento mais profundo possível.

Estamos atravessando um período notável de crises ambientais, sociais e geopolíticas interligadas. A ciência oceânica pode ser parte da solução — não apenas para os enormes desafios ambientais que enfrentamos, mas também fomentando a colaboração que pode contribuir para a compreensão, a solidariedade global e a diplomacia.

À medida que a ciência e sua infraestrutura de apoio são cada vez mais marginalizadas, desfinanciadas ou politizadas, é essencial defender nosso papel no centro de uma governança justa, inclusiva e voltada para o futuro.

Muito se pede aos cientistas oceânicos, à medida que a área se envolve com questões sociais e ambientais urgentes. Às vezes, pode parecer que nossos alertas não são ouvidos. Mas não podemos parar de tentar. O futuro do oceano e das sociedades que ele sustenta depende disso.

Este artigo foi escrito por cientistas interdisciplinares convocados pelo Conselho Internacional de Ciências: Lynne Shannon; Peter Haugan; Kwame Adu Agyekum; Maritza Cárdenas Calle; Valérie Masson-Delmotte; Michelle Mycoo; Ilka Peeken; Fangli Qiao; Awnesh Singh; Sabrina Speich; Rashid Sumaila; Mia Strand.


Fonte: SciDev.Net.

Campos dos Goytacazes tem seu próprio Odorico Paraguaçu?

“Há mais coisas entre o céu e a terra que os aviões de carreira”, dizia o Barão de Itararé. No caso de Campos dos Goytacazes, teremos o helicóptero do  governo do estado do Rio de Janeiro, que trará Sua Excelência, o Governador, em exercício, o deputado Rodrigo Bacellar, em visita oficial à sua cidade natal.

Virá Sua Excelência para resolver o problema da Estrada dos Ceramistas, com seu conhecido temperamento, dando comandos inequívocos para colocar o pessoal para trabalhar e dar um fim na bagunça instaurada pela procastinação pura e simples em uma obra tão importante? Ou será que o Excelentíssimo Governador pró-tempore finalmente se reunirá com o Prefeito Wladimir Garotinho e seus auxiliares da área da Saúde, e dirá a eles em voz firme: Vou liberar a verba da saúde que Cláudio Castro bloqueou.

O Excelentíssimo governador em exercício já deve saber, claro, mas não custa lembrar, porque a conta é simples: o governo do estado não está pagando o cofinanciamento de saúde a que Campos dos Goytacazes tem direito por ser um polo regional de saúde.   Evidentemente que, atendendo a pacientes de várias cidades do entorno, todos enviados por órgãos estaduais, não tem como dar conta de tudo sozinho.  O pior é que ao longo do tempo, o cano dado pelo estado não para de crescer. Em 2021 pagaram R$200 milhões, em 2022 pagaram R$140 milhões, em 2023 pagaram 90 milhões, em 2024 o governo do estado só R$ 20 milhões e em 2025 pagaram um tremendo zero, até agora.

A partir de fontes bem informadas, me foi dito que alguns gaiatos na “Rua do Homem Pé” já lançaram o versinho: “Campos dos Goytacazes tem um amigo da onça, o nome dele é Rodrigo”. E nós sabemos que daquela parte do centro histórico de Campos partem coisas que depois que grudam são difíceis de soltar.

A julgar pela viagem de helicóptero, parece que Sua Excelência pretende passar por cima dos problemas do caminho e se esconder lá em uma inauguração de uma casinha de Bombeiros, lá no Farol de São Tomé, onde só a claque de apoio vai ser instada a estar.

E que não se reclame se os mesmos gaiatos da “Rua do Homem Pé” resolverem dizer que todo mundo tem seu dia de Odorico Paraguaçu.

Instituto Escolhas publica relatório devastador sobre a (in) sustentabilidade da produção de soja no Brasil

O prometido e antecipado relatório técnico produzido pelo Instituto Escolhas sobre a (in) sustentabilidade da principal commodity de exportação produzida no Brasil, a soja, acaba de ser publicado e traz dados alarmantes sobre a forte dependência em relação ao uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos.

Os dados baseados principalmente em estatísticas oficiais são quase tão devastadores para a soja, como a soja é para as florestas e ecossistemas hídricas nacionais. O que o estudo do Instituto Escolhas revela é que o aumento exponencial do uso de agrotóxicos no Brasil está diretamente ancorado na expansão dos monocultivos de soja.

E, pior, o estudo mostra que apesar do aumento exponencial no uso de agrotóxicos, o retorno em termos de produção vem caindo ao longo do tempo, o que faz com que o custo proporcional dos venenos agrícolas represente atualmente uma parte substancial do custo associado ao plantio de soja.

O relatório tem o sugestivo título de “Brasil como líder mundial em produção de soja: até quando e a que custo?”,  e sua leitura deixará claro aos leitores que essa é uma liderança é uma espécie de tigre de papel, mas que traz custos econômicos, sociais e ambientais altíssimos.

O Instituto Escolha está distribuindo o relatório na forma completa, mas também está publicando um sumário com as informações mais significativas.  Em qualquer um dos formatos, essa é uma leitura obrigatória para quem deseja entender melhor o peso significativo da soja no uso exponencial de agrotóxicos no campo brasileiro.

MPF aponta omissão da União na reestruturação do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos no RJ

Após ação do MPF e da DPU, a União realizou chamamento para escolha de entidade gestora, mas o edital fracassou e nada foi feito até o momento


Programa de proteção a defensores de direitos humanos chega ao fim do  governo Bolsonaro enfraquecido, diz pesquisa

O Ministério Público Federal (MPF) reiterou o pedido para que a Justiça Federal determine a efetiva reestruturação do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas no estado do Rio de Janeiro (PEPDDH/RJ). A manifestação foi encaminhada após o fracasso do edital de chamamento público para escolha da entidade gestora do programa, que teve como resultado apenas uma proposta considerada inviável por descumprir requisitos técnicos fundamentais. O edital foi lançado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) após ação civil pública proposta pelo MPF e pela Defensoria Pública da União (DPU).

Na manifestação, enviada à 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro, o procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Julio Araujo, descreve a persistente omissão do poder público e alerta para os graves riscos enfrentados por pessoas ameaçadas no estado. “Lamentavelmente, assiste-se, no Rio de Janeiro, a um descaso que transborda em risco à integridade física e psicológica de indígenas, quilombolas, líderes políticos, ativistas e jornalistas que atuam na defesa dos direitos humanos”, afirmou.

Com a ausência de entidade gestora contratada e sem uma estrutura estável, o programa permanece sob administração provisória da União. Após lançar o edital de chamamento, a União considerou que já tinha atendido à demanda e pediu à Justiça que encerrasse a ação proposta pelo MPF.

No entanto, o MPF destaca que não se trata apenas da publicação de edital, mas da real garantia de funcionamento pleno do PEPDDH/RJ, com orçamento adequado, equipe técnica capacitada, mecanismos ágeis de acolhimento e medidas de proteção efetivas. Na ação, foi solicitado que seja determinada à União a realização de planejamento de longo prazo para o programa, com previsão de alocação de recursos pelos próximos dez anos.

Atuação do MPF

Desde 2022, o MPF acompanha e fiscaliza a execução do PEPDDH/RJ, que atualmente é o maior do país, com cerca de 80 casos ativos. O programa tem enfrentado obstáculos estruturais e administrativos graves, com impacto direto sobre a segurança e a dignidade dos defensores atendidos.

A crise se agravou após o fim do convênio entre a União e o estado do Rio de Janeiro, no final de 2023, e o encerramento do contrato com a entidade executora, em abril de 2024. Sem entidade para realizar a gestão, o programa passou a ser conduzido de forma emergencial pela esfera federal, com equipe reduzida e orçamento limitado — cenário classificado pelo MPF como insustentável e violador de direitos fundamentais.

Em 2023 e 2024, o MPF enviou diversas recomendações ao MDHC e à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH), solicitando transparência no processo de seleção da nova entidade gestora, maior participação social e cronograma de implementação com previsão de recursos. Após alertas sobre a tentativa irregular de contratar uma organização por carta-convite, o MPF recomendou a suspensão do procedimento — o que foi acatado.

O MPF e a DPU promoveram, em julho de 2024, uma audiência pública decisiva, reunindo lideranças indígenas, quilombolas, parlamentares e representantes do governo federal. Durante o evento, foram apresentados relatos comoventes sobre o abandono institucional e a escalada de ameaças.

A audiência culminou com o compromisso público do MDHC de lançar um novo edital em agosto de 2024, com orçamento ampliado para R$ 9,5 milhões por três anos e contratação de 35 profissionais distribuídos em três polos de atendimento (capital, Baixada/Niterói e interior). Contudo, o prazo não foi cumprido e o edital, lançado em 2025, foi considerado falho, resultando em sua invalidação.

Ação 

Diante da persistente omissão administrativa, o MPF ajuizou ação civil pública em parceria com a DPU, solicitando medidas urgentes para a reestruturação do programa. Além de requerer a publicação do edital e a seleção da entidade em até seis meses, o MPF também recorreu de sentença que isentava a União e o estado de responsabilidade na garantia de medidas de segurança — como escolta — para defensores ameaçados.. Em suas manifestações, a instituição cita precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecem a possibilidade de atuação judicial quando o Estado compromete direitos fundamentais pela omissão.

Ação Civil Pública n.º 5087567-72.2024.4.02.5101


Fonte:  Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Rio de Janeiro

Brasil, um líder climático? Não desse jeito

Por Patricia Rodriguez  e Jan Morrill para “Earthworks”

Em menos de seis meses, a cidade amazônica de Belém, no Brasil, sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) de 2025. Durante a preparação, o Brasil tentou se posicionar como líder em clima e sustentabilidade, prometendo priorizar o combate às mudanças climáticas e se oferecendo para sediar a COP 30. No entanto, rachaduras nessa narrativa estão se manifestando à medida que o país toma medidas para reverter as proteções ambientais para projetos de mineração, petróleo e gás, aprova projetos para se posicionar como um grande produtor de petróleo e gás e pressiona pelo aumento da mineração na Amazônia e em outras regiões. 

Em 22 de maio, o Senado brasileiro aprovou um projeto de lei que a Ministra do Meio Ambiente, Mariana Silva, chamou de “golpe mortal ” nas regulamentações ambientais fundamentais em vigor desde 1981. A proposta permite que as empresas autodeclarem informações para renovação de licenças ambientais e flexibiliza os requisitos para projetos, como minas, para considerar impactos em reservatórios de água, desmatamento e comunidades locais , entre outras mudanças altamente criticadas. 

A indignação da sociedade civil tem sido inequívoca . Se aprovada, esta legislação prejudicará comunidades, povos indígenas e outras populações tradicionais, além do meio ambiente. O Instituto Social Ambiental do Brasil estimou que cerca de 40% dos territórios indígenas poderiam ser afetados. O projeto de lei agora seguirá para a Câmara dos Deputados, onde deverá ser aprovado, e depois para a sanção do presidente Lula da Silva. 

Um boom na produção de petróleo e gás offshore

Em 19 de maio de 2025, o presidente do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Rodrigo Agostinho, aprovou a perfuração de um poço exploratório no Bloco 59, na Margem Equatorial, um campo de petróleo offshore na foz do Amazonas. A licença foi aprovada após a Petrobras, empresa nacional de petróleo, ter submetido seu plano mais recente ao IBAMA, que havia negado cinco pedidos anteriores, em grande parte devido à dúvida sobre a capacidade da Petrobras de responder a acidentes. As preocupações giram em torno dos riscos elevados em casos de vazamentos na foz do Rio Amazonas, uma área de enorme biodiversidade marinha e fortes correntes de difícil acesso por barcos de resgate. 

Nos meses que antecederam a decisão do IBAMA, 29 técnicos do IBAMA consideraram o plano inadequado para lidar com as inúmeras preocupações. O Bloco 59 é o projeto de pré-perfuração mais avançado em uma área que inclui outros cinco blocos em sua vizinhança imediata. (Um bloco, ou “bloco” em português e espanhol, é o termo usado pelos governos para uma área geográfica autorizada para atividades de petróleo e gás). Há outros 47 perto da foz do Rio Amazonas que a Petrobras planeja leiloar em junho. Desde a década de 2000, o Brasil tem aumentado a extração de petróleo e gás do pré-sal na Bacia de Campos e Santos ao longo de sua costa sudeste. Esse método envolve perfuração profunda subaquática e através de sedimentos e, em seguida, uma espessa camada de sal. 

Nos últimos anos, a Petrobras e outras multinacionais de petróleo têm buscado licenças de exploração e produção na Margem Equatorial offshore (seguindo os passos dos antigos projetos de extração offshore da Guiana). De acordo com o estudo Monitor Oceano de 2024 , do Instituto Internacional Arayara, 47% de uma lista abrangente de blocos nacionais de produção e exploração estão localizados em áreas onde a perfuração é altamente ou muito altamente incompatível com a biodiversidade marinha e costeira e, portanto, são regiões recomendadas para fortes medidas de conservação, mitigação e adaptação. Na região norte (Amazônia), as análises estatísticas do estudo são alarmantes: 86% dos blocos petrolíferos são muito altamente incompatíveis e 16% são altamente incompatíveis com a biodiversidade no oceano.

Subsidiar combustíveis fósseis, não energia verde

O governo argumenta que a receita da produção de combustíveis fósseis ajudará a financiar a transição verde. Mas, de acordo com o estudo de 2024 do INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos) , que monitora os subsídios federais ao setor energético, em 2023 o governo concedeu quase 82% dos subsídios (~US$ 14,5 bilhões) à indústria de petróleo e gás, já que os subsídios aos setores de energia renovável aumentaram apenas 3,6% em relação ao ano anterior. Isso representa quase cinco vezes mais subsídios aos combustíveis fósseis do que às energias renováveis.

O Brasil está entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo, e o petróleo é atualmente a principal exportação do país, superando produtos do agronegócio e da mineração. O aumento da produção fóssil, resultante da exploração atual e futura, destina-se aos mercados de exportação da Europa, EUA e Ásia, bem como da América Latina.

Em um momento em que a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a demanda por petróleo atingirá o pico antes de 2030 , a crescente dependência do Brasil dessa commodity, justamente em meio a uma grave crise climática nacional e global, torna-se motivo de grande preocupação para muitos. Segundo Suely Araujo , Coordenadora de Políticas Públicas da ONG Observatório do Clima e ex-presidente do IBAMA, “a produção no Bloco 59 levará pelo menos dez anos, e consequentemente os royalties também. O Brasil tem capacidade para atender à sua demanda interna sem maior exploração e extração de petróleo. É necessário que os brasileiros debatam o futuro da produção de petróleo na região”.

Longe da Margem Equatorial, moradores preocupados de comunidades do Norte do Rio, como Macaé, vêm sofrendo os duros impactos de ser, há muito tempo, a capital do petróleo do Brasil, com a expansão de usinas termelétricas a gás e um centro de processamento de gás alimentado pela produção offshore das Bacias de Campos e Santos. Como explica Thiérs Wilberger , diretor executivo do Instituto-Escola Tiê-Sangue, “A degradação ambiental e os impactos na saúde humana são consequências dessas atividades que não podem ser ignoradas… são exemplos de como decisões políticas e econômicas podem condenar ecossistemas inteiros e comunidades vulneráveis ​​em nome de um modelo de desenvolvimento que se provou destrutivo.”

Projetos de mineração se expandem 

Em fevereiro de 2024, o Ministro de Minas e Energia declarou que “não há transição energética sem mineração”. No entanto, a mineração e o processamento de minerais representam 17% das emissões globais de gases de efeito estufa , e os projetos de mineração ameaçam comunidades e ecossistemas frágeis em todo o mundo e no Brasil. 

O Brasil está avançando com novos projetos de mineração para certos metais usados ​​em tecnologias de transição energética, tecnologia militar e muito mais. Um relatório constatou que a exploração de minerais de transição no Brasil aumentou 39% na última década, em comparação com 9,3% de crescimento da exploração do setor como um todo. O Instituto Humanitas Unisinos relatou que existem 800 empresas de mineração de minerais de transição explorando somente na Amazônia. 

No Vale do Jequitinhonha, no centro do Brasil, rebatizado de “Vale do Lítio” por políticos e mineradoras, comunidades indígenas e afrodescendentes se opõem a uma onda de novos projetos de lítio, alguns dos quais já iniciaram suas operações sem o seu Consentimento Livre, Prévio e Informado . No estado do Pará, cuja capital, Belém, sediará a próxima COP, a licença da gigante mineradora brasileira Vale para a mina de níquel Onça Puma foi suspensa por violações ambientais pela quarta vez em abril de 2024. Líderes indígenas da tribo Xikrin do Cateté denunciaram a poluição da mina, que afeta sua capacidade de manter o estilo de vida tradicional. 

Estas não são queixas isoladas. Um relatório de 2025 mostrou uma série de violações contínuas de direitos humanos e trabalhistas, bem como danos ambientais causados ​​pelas operações significativas da Vale no estado de Minas Gerais. Outras empresas, como a Anglo American e a Belo Sun, também estão impulsionando grandes projetos de mineração na Amazônia.  

A nova legislação aprovada pelo Senado brasileiro abre mais territórios indígenas para novas atividades de mineração e enfraquece a supervisão de projetos de mineração nas fases de licenciamento e operação.   

O caminho para a COP

Precisamos urgentemente de uma transição rápida para uma economia 100% baseada em energia renovável, que não dependa mais de combustíveis fósseis. Esta é uma oportunidade única em uma geração para mudar a forma como o mundo é abastecido e abandonar a extração suja. Como anfitrião desta histórica COP 30, o Brasil tem o potencial de ser um líder global. No entanto, o Brasil não pode liderar o mundo para um futuro mais limpo e saudável flexibilizando as regulamentações ambientais, promovendo a expansão da produção de combustíveis fósseis e permitindo projetos de mineração que violam a soberania indígena e destroem sumidouros de carbono como a Amazônia. 


Fonte: Earthworks

Brasil leiloará direitos de exploração de petróleo meses antes de sediar a COP30

A venda de uma área de 56.000 milhas quadradas deve prosseguir apesar da oposição de grupos indígenas e ambientais

Uma plataforma de petróleo na Baía de Guanabara, estado do Rio de Janeiro

Uma plataforma de petróleo na Baía de Guanabara, estado do Rio de Janeiro. A maioria das concessões é para áreas offshore, mas algumas são para a bacia amazônica. Fotografia: Bloomberg/Getty Images

Por Constance Melleret para o “The Guardian”

O governo brasileiro está se preparando para realizar um leilão de exploração de petróleo meses antes de sediar a cúpula climática da ONU, Cop30, apesar da oposição de ativistas ambientais e comunidades indígenas preocupadas com os impactos ambientais e climáticos dos planos.

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) do Brasil vai leiloar os direitos de exploração de 172 blocos de petróleo e gás, abrangendo 146.000 km² (56.000 milhas quadradas), uma área mais que o dobro do tamanho da Escócia, a maior parte dela offshore.

O “leilão do juízo final”, como os ativistas o chamaram, inclui 47 blocos na bacia amazônica, em uma área sensível perto da foz do rio que as empresas de combustíveis fósseis consideram uma nova fronteira petrolífera promissora .

O leilão é fundamental para os planos do Brasil de se tornar o quarto maior produtor de petróleo do mundo, uma ambição apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que argumenta que a receita do petróleo trará desenvolvimento econômico e financiará a transição energética.

Mas uma ampla gama de grupos, incluindo ambientalistas, promotores federais e até mesmo sindicatos de trabalhadores do petróleo , estão pressionando para que a rodada de licitações seja cancelada, citando estudos de avaliação ambiental inadequados, a violação dos direitos indígenas e a incompatibilidade do aumento da produção de petróleo com os compromissos climáticos do Brasil.

A Agência Internacional de Energia diz que o desenvolvimento de novos campos de petróleo e gás é incompatível com os esforços globais para atingir emissões líquidas zero até 2050.

O Instituto ClimaInfo do Brasil calculou que a queima de petróleo e gás de todos os 172 blocos em oferta, caso avancem para a fase de produção, pode levar à liberação de mais de 11 bilhões de toneladas de CO2 equivalente — o equivalente a mais de seis anos de emissões do poluente setor agropecuário do país, ou 5% das emissões que a humanidade ainda pode produzir para manter o aquecimento global dentro de 1,5°C.

Somente as áreas da bacia amazônica poderiam liberar 4,7 bilhões de toneladas de CO2 equivalente .

“Este leilão está representando ameaças realmente sérias e graves para a biodiversidade, as comunidades e o clima”, disse Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora executiva do Instituto Internacional Arayara, uma organização da sociedade civil que entrou com cinco ações judiciais contra o leilão da próxima semana.

Muitos dos blocos de exploração de petróleo em oferta possuem estudos de avaliação ambiental desatualizados ou próximos do vencimento. Alguns se sobrepõem a territórios indígenas ou áreas de conservação, incluindo reservas marinhas ao redor da paradisíaca ilha de Fernando de Noronha. Arayara também argumenta que a ANP não avaliou de forma transparente a real extensão das emissões de gases de efeito estufa da exploração e da possível produção futura de petróleo e gás nessas áreas.

A Bacia Amazônica está no centro do debate sobre o futuro da exploração de petróleo no Brasil. A Petrobras, estatal petrolífera, passou anos tentando obter uma licença ambiental para perfurar ali, e Lula pressionou o Ibama para que a licença fosse concedida.

As áreas que seriam afetadas pela perfuração offshore e atividades relacionadas em terra incluem recifes de corais sensíveis e comunidades indígenas que dizem não ter sido devidamente consultadas.

“Nós, indígenas, estamos sendo arrasados ​​por esse processo, não estamos sendo vistos nem ouvidos”, disse Edmilson Oliveira, coordenador de um grupo de lideranças indígenas que se opõem publicamente às atividades de exploração na costa norte do Brasil.

Lucas Louback, gerente de campanha e advocacy da Nossas, uma das organizações que exigem o cancelamento do leilão, disse: “Milhares de pessoas já estão dizendo não à exploração de petróleo na Amazônia e o governo brasileiro precisa ouvir. A poucos meses da COP30 , continuar apostando no petróleo é uma contradição gritante.”

“A Amazônia está perigosamente perto de um ponto de inflexão, e apegar-se a esse modelo empurra o Brasil e o mundo para mais perto do colapso climático.”


Fonte: The Guardian

No Caminho para a COP30: Brasil pretende liberar exploração maciça de novas reservas de petróleo e gás

Por Arayara e Urgewald

Na quinta-feira, 12 de junho, às 15h (horário da Europa Central – CEST), a Urgewald realizou uma  uma coletiva de imprensa online com  Nicole Figueiredo Oliveira, diretora  executiva do Instituto Internacional Arayara (Brasil) que apresentou dados sobre a dimensão e os possíveis impactos desses projetos extrativistas, especialmente no contexto do Brasil como país anfitrião da COP30.  Já Heffa Schuecking, diretora da Urgewald (Alemanha) trouxe detalhes sobre as empresas de petróleo e gás envolvidas em projetos fósseis semelhantes em toda a região amazônica.

É importante notar que faltando apenas cinco meses para o início da Cúpula do Clima da ONU em Belém, o governo brasileiro planeja abrir 145.597 km² – uma área maior que a Nicarágua – para a exploração de novas reservas de petróleo e gás.

Em um leilão marcado para 17 de junho de 2025, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) oferecerá os direitos de exploração de 172 novos blocos de petróleo e gás aos maiores lances. A ONG brasileira Arayara já entrou com diversas ações judiciais para tentar barrar o leilão.

“Desde a década de 1990, o Brasil teve um aumento de 460% em desastres climáticos induzidos, como enchentes severas, tempestades e secas. Como signatário do Acordo de Paris de 2015 e país anfitrião da COP30, o governo brasileiro precisa finalmente admitir o óbvio: não podemos resolver a crise climática sem encerrar a expansão dos combustíveis fósseis”, afirma Nicole Figueiredo Oliveira, diretora executiva da ARAYARA.

Contexto

Dos 172 blocos colocados em leilão, 47 estão localizados na foz da Bacia Amazônica — uma região altamente sensível, com grande riqueza de espécies marinhas e recifes de corais únicos que se estendem por mais de 200 km a partir da costa. A produção de petróleo e gás nesse habitat frágil contraria os esforços de conservação do próprio governo brasileiro e compromete centenas de projetos financiados pelo Fundo Amazônia, que conta com quase um bilhão de dólares em apoio internacional.

Outras áreas marinhas importantes também estão em risco: 76% dos blocos de exploração sobrepõem-se a “Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade Marinha e Costeira”, reconhecidas pelas autoridades ambientais brasileiras. Esses planos colocam em risco os meios de subsistência de pelo menos 546 mil pescadores e pescadoras. Muitos dos blocos em terra também devem causar sérios impactos sobre territórios indígenas ou Áreas Prioritárias para a Conservação do Bioma Amazônico.

Segundo Oliveira, o leilão da maioria desses blocos está juridicamente fragilizado. Para começar, ele ignora os estudos de impacto ambiental cumulativos exigidos, baseando-se, em vez disso, em uma “Manifestação Conjunta” emitida pelos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente. No entanto, a Manifestação Conjunta que ampara 117 dos 172 blocos propostos expira em 18 de junho — um dia após o leilão e muito antes da assinatura dos contratos de exploração — o que fere a norma legal aplicável. O leilão também viola o direito das comunidades indígenas afetadas ao consentimento livre, prévio e informado, além de diversas regulamentações ambientais brasileiras.

Em ações anteriores, a ARAYARA já conseguiu barrar a emissão de licenças para determinados projetos de petróleo e gás.


Fonte: Arayara