Estudo da Nature analisa mais de 4.000 espécies e mostra que é preciso grandes áreas de floresta para preservar diversidade

Plantação de cana-de-açúcar localizada na mata atlântica em Alagoas; estudo mostra que grandes extensões de floresta não perturbada são melhores para abrigar a biodiversidade

Florestas grandes e intocadas são melhores para abrigar a biodiversidade do que paisagens fragmentadas, de acordo com um novo estudo publicado na revista Nature.

Há consenso entre ecólogos de que a perda de habitat e a fragmentação das florestas reduzem a biodiversidade nos fragmentos remanescentes. No entanto, há debate sobre a priorização da preservação de muitas áreas pequenas e fragmentadas ou de grandes paisagens contínuas. O estudo liderado pelo ecólogo brasileiro da Thiago Gonçalves-Souza, da Universidade de Michigan, chega a uma conclusão sobre esse debate que já dura décadas.

“Fragmentação é prejudicial. Este artigo mostra claramente que a fragmentação tem efeitos negativos sobre a biodiversidade em diferentes escalas. Isso não significa que não devamos tentar conservar pequenos fragmentos quando possível, mas precisamos tomar decisões sábias sobre conservação”, afirma Gonçalves-Souza.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Michigan, da Universidade Estadual de Michigan e mais dez universidades brasileiras, entre elas Unesp, USP, UFPB e Unicamp. Eles analisaram 4.006 espécies de vertebrados, invertebrados e plantas em 37 locais ao redor do mundo.

O objetivo foi fornecer uma síntese global comparando diferenças de biodiversidade entre paisagens contínuas e fragmentadas. Os pesquisadores descobriram que, em média, as paisagens fragmentadas tinham 13,6% menos espécies na escala do ponto de coleta (chamada pelos autores de “escala da mancha”) e 12,1% menos espécies na região (chamada de escala da paisagem).

Além disso, os resultados sugerem que espécies generalistas —aquelas capazes de sobreviver em diversos ambientes— são as que predominam nas áreas fragmentadas.

Os cientistas investigaram três tipos de diversidade nesses locais: alfa, beta e gama. A diversidade alfa se refere ao número de espécies em um fragmento específico, enquanto a diversidade beta mede a diferença na composição de espécies entre dois locais distintos. Já a diversidade gama avalia a biodiversidade de toda a paisagem.

Gonçalves-Souza usa um exemplo para ilustrar o conceito: ao dirigir por campos agrícolas no Norte do Espírito Santo, pode-se notar pequenos fragmentos de floresta entre as plantações de cana ou pastos com criação de gado. Cada fragmento pode abrigar algumas espécies de aves (diversidade alfa), mas a composição dessas espécies pode variar de um fragmento para outro (diversidade beta). Já a biodiversidade total da paisagem—seja composta por fragmentos ou por uma floresta contínua—representa a diversidade gama da região.

“O cerne do debate é que algumas pessoas argumentam que a fragmentação não é tão ruim porque, ao criar habitats isolados, geramos composições diferentes de espécies, o que pode aumentar a diversidade gama”, explica Gonçalves-Souza. “Por outro lado, argumenta-se que, em áreas contínuas e homogêneas, a composição de espécies é muito semelhante.”

No entanto, pesquisas anteriores não compararam adequadamente paisagens fragmentadas e florestas contínuas, afirmou Gonçalves-Souza. Por exemplo, alguns estudos analisaram apenas um componente da diversidade ou compararam um pequeno número de florestas contínuas com dezenas de fragmentos.

“Nossa pesquisa mostrou que, ao utilizar dados padronizados e controlar a distância entre fragmentos, a fragmentação do habitat tem efeitos negativos sobre a biodiversidade,” diz o coautor Mauricio Vancine, ecólogo e pesquisador de pós-doutorado da Unicamp. “Isso tem implicações teóricas para a Ecologia e, mais importante, reforça que a fragmentação não pode ser vista como benéfica para a conservação das espécies.”

Para corrigir essa limitação, os cientistas levaram em conta as diferenças na amostragem entre diversas paisagens. Eles descobriram que a fragmentação reduz o número de espécies em todos os grupos taxonômicos e que o aumento da diversidade beta nas paisagens fragmentadas não compensa a perda de biodiversidade na escala da paisagem.

Além da biodiversidade, Gonçalves-Souza diz que a fragmentação das paisagens também compromete sua capacidade de armazenar carbono. “Ou seja, a fragmentação não apenas reduz a biodiversidade, diminuindo a diversidade alfa e gama, mas tem implicações para a prestação de serviços ecossistêmicos como o estoque de carbono.”

O pesquisador espera que o estudo ajude a comunidade conservacionista a superar o debate sobre paisagens contínuas versus fragmentadas e focar na restauração de florestas. “Em muitos países, restam poucas florestas grandes e intactas. Portanto, nosso foco deve estar no plantio de novas florestas e na restauração de habitats cada vez mais degradados. A restauração é crucial para o futuro, mais do que debater se é melhor ter uma grande floresta ou vários fragmentos menores.”


Fonte: Agência Bori

Das cinzas de uma candidatura à Fênix?

Por Douglas Barreto da Mata

Até que se prove o contrário, a pré candidatura do Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para o Governo do Estado do Rio de Janeiro tem tantas chances de voo quanto de uma galinha.  O dogma político diz, política é nuvem. Mas há nuvens e nuvens.  Quando avistamos uma Cumulonimbus, não tem jeito, é tempestade na certa.

A dose de certeza sobre o iminente fracasso da pretensão do Presidente da Alerj em comandar o executivo estadual aumentou muito, e isso está nas entrelinhas do que ele diz, nos veículos de comunicação, ou pior, muito mais no que não é dito por ele e pelos analistas.

Ora, o deputado está em campanha desde muito tempo, e não seria errado supor que a campanha à prefeitura de Campos dos Goytacazes, de 2024, tenha sido uma plataforma de exposição da sua pré candidatura, e isso se confirma no acervo do material de propaganda, caso alguém tenha se dado ao trabalho de arquivar.

Talvez essa pré candidatura tenha se desenhado antes, quando o Presidente se elegeu para comandar o parlamento fluminense, ocasião que, dizem as línguas intra palacianas, teria acabado, de fato, o governo Cláudio Castro, tamanhos foram o esforço e energia empreendidos para cumprimento daquela missão. 

Não se sabe ao certo. Sabemos que tanto esforço, tempo e exposição não conferiram ao Presidente da Alerj uma posição confortável na disputa. É a história, estúpido!  Ela (a história) nos conta que só Sérgio Cabral conseguiu migrar de um poder para o outro, mas mesmo assim, essa transferência teve um mandato de senador no meio, ou seja, ninguém, depois da redemocratização, conseguiu sair da presidência da Alerj e virar governador.

Sérgio Cabral Filho ainda se elegeu a bordo do apoio (que depois traiu) de um governo estadual popular e bem avaliado, o de Rosinha (Anthony) Garotinho, eles mesmos legatários de outra façanha: Na era pós-fusão Guanabara e Estado do Rio, nenhuma cidade do interior elegeu governador, salvo Campos dos Goytacazes, que elegeu não só um, mas  um casal de governadores.

É essa memória (recall, para os especialistas) que dá ao filho do casal, e atual prefeito da cidade campista um capital político de resiliência do eleitor que, ao mesmo tempo, lembra do nome Garotinho, mas identifica no prefeito uma atualização/modernização melhorada da marca.

O Prefeito Wladimir Garotinho fez a mágica de ficar com a lembrança e afastar a rejeição. Um dos obstáculos ao Presidente da Alerj repousa aí, e os resultados das eleições municipais na planície goytacá provam isso.  Até para reivindicar uma vaga de vice na chapa desse ou daquele candidato, seja Paes ou o candidato dos Bolsonaro, o Presidente da Alerj vai ter que superar um argumento crucial:  Sua pouca densidade eleitoral em casa e na região. 

Neste pleito, os principais nomes colocados, desde Paes, passando por Washington Reis, Pampolha, ou algum nome do PT, todos necessitam de inserção no interior, atributo que escapa ao Presidente.  Isso reduz as chances, por exemplo, do prefeito de Niterói, de São Gonçalo, Maricá ou Baixada, que, de um jeito ou de outro, são “quase capital”, e já repercutem, para o bem ou para o mal, os humores da política carioca. 

As análises feitas recentemente parecem muito mais com uma tentativa de reposicionamento do Presidente da Alerj para, ao mesmo tempo, reduzir os danos de uma retirada que pareça menos uma derrota, e aproveitar ao máximo o preço simbólico de sua saída, recolocando-o em uma posição relevante, na correspondência da cadeira que hoje ocupa.

TCE?  Deputado federal? Reeleição para deputado estadual?  Senado? Tudo vai depender da expectativa que o Presidente tem em relação a si, sua carreira, e, de forma mais aguda, como vai encarar seus adversários, e neste caso, seu principal rival, o Prefeito de  Campos dos Goytacazes.

Se vai repetir a honrada e respeitosa trajetória de seu pai, que é a referência política declarada dele e dos irmãos, ele pode acabar como o eterno antagonista coadjuvante da família Garotinho, que teve no casal de governadores, até aqui, o ápice de sucesso, enquanto o patriarca da família do Presidente ficou “apenas” na presidência da Câmara local. Caso contrário, se entender que seu caminho, necessariamente, pode ser paralelo ou até associado ao atual prefeito campista, seu caminho pode ser até mais longínquo e bem sucedido.

Explico:  Se as “fofocas” plantadas pelo Prefeito de Maricá têm alguma verdade embutida, e sempre têm, pode ser que a corrida eleitoral fluminense fique quase sem concorrentes.  É certo que os Bolsonaro vão apostar tudo na chapa ao senado.  Aliás, um dos poucos consensos até aqui.

Devem lançar um “poste” para governador, um franco atirador que desgaste os rivais ou rival, marque o campo da direita,vocalizando extremos políticos.  No campo de Paes, a história é outra.  Lula tem que construir um palanque viável e forte, não só que eleja o governador, mas que permita diminuir sua rejeição no Rio de Janeiro, tanto quanto em São Paulo e Minas Gerais.

Esse grande campo de centro vai incorporar todas as forças possíveis e viáveis, reeditando no estado do Rio de Janeiro algo parecido com o acordo com o centrão no Congresso e no governo.  Aliás, esse é o eixo da campanha petista, e todos sabem, a maneira preferida do Presidente Lula operar política.  Com esse viés, diminuem as chances do Presidente da Alerj e de seu padrinho governador de embarcarem nessa canoa.  Principalmente, porque Castro é outro fator adicional de rejeição para quem ele apoiar.

Governo em fim de feira, pouca capacidade de investimento, orçamento comprometido, e o desgaste natural do fim de mandatos.

Mesmo que houvesse um acordo informal que incluísse o governador e o Presidente da Alerj nesse “centrão fluminense”, as fichas dos dois no jogo estariam desvalorizadas.  No entanto, esse movimento é bem remoto, já que os compromissos de ambos com o clã Bolsonaro impõem serem os últimos a abandonar o barco dessa aliança da direita no Rio de Janeiro

Seria muita arrogância prever o futuro ou ensinar a missa ao vigário, porém, na condição de eleitor-observador eu diria que ou o Presidente da Alerj se reinventa ou vai ganhar um bilhete premiado de aposentadoria no TCE.

Microplásticos aumentam a resistência a antibióticos em E. coli, sugere estudo de laboratório

Por Shanon Kelleher para o “The New Lede” 

A mistura de pequenos pedaços de plástico com certas bactérias nocivas pode tornar as bactérias mais difíceis de combater com vários antibióticos comuns, de acordo com um novo estudo que aumenta as preocupações globais sobre a resistência aos antibióticos.

estudo , publicado terça-feira na revista Applied and Environmental Microbiology , descobriu que quando a bactéria Escherichia coli (E. coli) MG1655, uma cepa amplamente utilizada em laboratório, foi cultivada com microplásticos (partículas de plástico com menos de 5 milímetros de tamanho), a bactéria se tornou cinco vezes mais resistente a quatro antibióticos comuns do que quando foi cultivada sem as partículas de plástico.

As descobertas podem ser particularmente relevantes para entender as ligações entre gerenciamento de resíduos e doenças, sugere o estudo. As estações de tratamento de águas residuais municipais contêm microplásticos e antibióticos, tornando-as “pontos quentes” que alimentam a disseminação da resistência aos antibióticos.

“O fato de haver microplásticos ao nosso redor… é uma parte marcante dessa observação”, disse o coautor do estudo e professor da Universidade de Boston, Muhammad Zaman, em um comunicado à imprensa. “Certamente há uma preocupação de que isso possa representar um risco maior em comunidades desfavorecidas, e apenas ressalta a necessidade de mais vigilância e uma visão mais profunda das interações [microplásticas e bacterianas].”

Muitos tipos de bactérias estão se tornando resistentes a antibióticos, em grande parte devido ao uso excessivo . Mais de 2,8 milhões de infecções resistentes a esses medicamentos ocorrem somente nos EUA a cada ano, matando 35.000 pessoas anualmente, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

A resistência em E. coli é uma preocupação porque, embora a bactéria geralmente viva inofensivamente nos intestinos de humanos e animais, algumas cepas podem causar doenças graves. E há vários tipos de bactérias perigosas resistentes a antibióticos, incluindo Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), que frequentemente causa infecções em hospitais, e Clostridium difficile (C.diff), que causa diarreia.

O novo estudo vem na esteira de outro estudo publicado em janeiro na revista Environment International , no qual pesquisadores rotularam o DNA de bactérias no solo com marcadores fluorescentes para rastrear a disseminação de genes de resistência antimicrobiana , descobrindo que os microplásticos no ambiente aumentam a disseminação da resistência em até 200 vezes.

As implicações do novo estudo podem ser importantes, como parte da evidência de uma “forte ligação” entre microplásticos e resistência antimicrobiana, de acordo com Timothy Walsh , cofundador do Instituto Ineos Oxford para Pesquisa Antimicrobiana no Reino Unido e autor do estudo de janeiro.

Walsh disse que o valor das descobertas do novo estudo era limitado, pois a pesquisa foi conduzida em um laboratório, e não em um ambiente do mundo real, e se concentrou em apenas uma cepa de E. coli.

Embora os cientistas não tenham certeza de por que os microplásticos podem dar às bactérias uma vantagem contra os antibióticos, eles acreditam que as partículas funcionam bem como uma superfície para biofilme, um escudo pegajoso que as bactérias formam para se proteger, de acordo com o estudo. Com base em suas observações, os autores do novo estudo concluíram que as células bacterianas que são melhores na formação de biofilmes tendem a crescer em microplásticos, sugerindo que as partículas de plástico podem “levar a infecções recalcitrantes no ambiente e no ambiente de saúde”.

Os microplásticos são parte de uma crise global de poluição plástica, com cerca de 20 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos indo parar no meio ambiente a cada ano, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza.

No final de 2024, delegados de mais de 170 países se reuniram na Coreia do Sul após dois anos de negociações para finalizar um tratado global projetado para abordar a crise mundial de poluição plástica. No entanto, nenhum tratado foi adotado no encerramento da sessão, com planos de se reunir novamente em 2025.

Imagem em destaque por FlyD no Unsplash .)


Fonte: The New Lede

Doze estados americanos promulgam leis para proibir corentes de alimentos

Por Carey Gillam para o “The New Lede”

Chame isso de um momento MAHA. Pelo menos uma dúzia de estados dos EUA – do tradicionalmente conservador Oklahoma ao liberal Nova York – estão correndo para aprovar leis que proíbam corantes comumente usados ​​e outros aditivos químicos em alimentos, citando a necessidade de proteger a saúde pública.

Em um dos esforços de maior alcance, a Virgínia Ocidental promoveu na quarta-feira uma proibição abrangente de uma série de corantes alimentares comuns que têm sido associados a problemas de saúde, especialmente em crianças, com apoio esmagador de republicanos e democratas.

A nova lei proíbe a venda de qualquer produto alimentício que contenha certos corantes amarelos, azuis, verdes e vermelhos, frequentemente encontrados em doces, salgadinhos e outros alimentos e bebidas, e vai muito além de qualquer outro estado na eliminação dos produtos químicos das prateleiras das lojas.

A medida da Virgínia Ocidental foi aprovada por ambas as câmaras legislativas e deve receber autorização final na próxima semana para ser encaminhada à mesa do governador para assinatura.  

Defensores da saúde pública vêm fazendo lobby por ações estaduais e federais há anos, apontando para pesquisas que relacionam corantes alimentares e outros aditivos químicos a uma série de riscos à saúde, incluindo problemas neurocomportamentais e cânceres.

Os defensores da indústria alimentícia protestaram contra os esforços para proibir os aditivos, citando o que eles dizem ser uma falta de provas de que os produtos químicos são prejudiciais às pessoas e argumentando que tais leis tornarão os alimentos mais caros.

Mas os apoiadores das medidas dizem que o movimento “Make America Healthy Again (MAHA) associado ao recém-nomeado Secretário de Saúde e Serviços Humanos Robert F. Kennedy Jr. está dando um novo impulso aos esforços. Kennedy há muito tempo alerta sobre aditivos químicos em alimentos e prometeu em sua audiência de confirmação perante o Congresso “examinar os aditivos químicos em nosso suprimento de alimentos”.

“Há muito apoio para essas medidas agora por algumas razões. A mais óbvia é o movimento MAHA”, disse Laura Wakim Chapman, presidente do Comitê de Saúde e Recursos Humanos do Senado da Virgínia Ocidental. “Vídeos virais e conteúdo de mídia social estão informando o público sobre os perigos de aditivos alimentares desnecessários. Sou mãe de dois filhos e me importo profundamente com a saúde deles. Acho que a maioria dos pais se importa.”

Em janeiro, a Food & Drug Administration (FDA) proibiu um corante alimentar – Red Dye No. 3  mas o fez a contragosto, dizendo que a agência foi forçada como “uma questão de lei” a tomar a medida, mas não acredita que o corante represente um risco real à saúde das pessoas. A agência agiu somente após defensores terem peticionado a proibição, citando estudos da indústria que ligavam o Red Dye 3 ao câncer em roedores há mais de 30 anos.

“Acho que muitos veem a proibição tardia do Red 3 pela FDA como mais uma evidência de que a FDA não é muito eficaz em proteger o suprimento de alimentos”, disse Lisa Lefferts, consultora de saúde ambiental que atuou em um conselho consultivo da FDA em 2011. “Os republicanos estão assumindo um papel mais ativo nessa questão do que nunca.”

Na Virgínia, os legisladores aprovaram recentemente um projeto de lei que proíbe sete corantes alimentares em escolas públicas. Com forte apoio bipartidário, a lei agora aguarda a assinatura do governador.

“Os consumidores estão exigindo melhores opções alimentares e questionando por que outros países restringem corantes prejudiciais enquanto os Estados Unidos continuam a permiti-los”, disse Hillary Pugh Kent, uma republicana na legislatura da Virgínia que liderou a aprovação do projeto de lei. 

E Oklahoma, em 3 de março, avançou com sua própria medida semelhante , que proibiria 21 corantes sintéticos e outros aditivos de alimentos distribuídos no estado. A lei proposta daria aos fabricantes até janeiro de 2027 para reformular seus produtos, mas exigiria imediatamente que eles exibissem um rótulo de advertência se seus produtos contivessem qualquer um dos 21 aditivos.

Os legisladores de Nova York também lançaram um esforço para forçar as empresas alimentícias a eliminar corantes sintéticos e aditivos químicos de seus produtos. A lei proposta proibiria sete corantes alimentares de alimentos vendidos ou servidos em escolas públicas e proibiria as vendas estaduais de alimentos com Red Dye 3 e dois outros aditivos alimentares. A lei também exigiria que as empresas alimentícias divulgassem ingredientes alimentares “secretos” ao público que foram permitidos no mercado sob um padrão federal conhecido como “geralmente reconhecido como seguro”, ou GRAS.

A lei de Nova York tem como alvo específico o FDA e as preocupações com a supervisão federal frouxa, afirmando que as empresas alimentícias não podem usar a visão do FDA sobre a segurança dos produtos químicos “como defesa”.     

A Califórnia é amplamente vista como um estado líder no movimento, proibindo seis corantes alimentares de alimentos servidos a crianças em escolas públicas em setembro, bem como proibindo o Red Dye 3 e três outros aditivos químicos de alimentos vendidos em todo o estado em 2023.   

“Acho que RFK (Kennedy) está trazendo à tona preocupações que todos nós temos”, disse Jennifer Pomeranz, professora associada de política e gestão de saúde pública na Universidade de Nova York. “Acho que muitos legisladores viram a inação do FDA, então mais pessoas estão vindo à mesa… cansadas de esperar que o governo federal faça alguma coisa.”

Quando questionada sobre comentários sobre a atividade legislativa, a National Confectioners Association (NCA) disse que as medidas “tornarão os alimentos significativamente mais caros e significativamente menos acessíveis às pessoas nos estados que as aprovarem”. A associação também disse que o FDA deve ser o árbitro final para aditivos alimentares.

“Embora haja um papel para os legisladores estaduais e autoridades de saúde pública desempenharem na conversa em andamento sobre aditivos alimentares, a tomada de decisões deve ser deixada para a FDA”, disse a NCA.


Microplásticos dificultam a fotossíntese das plantas, segundo estudo, ameaçando milhões de pessoas com fome

Pesquisadores dizem que problema pode aumentar o número de pessoas em risco de fome em 400 milhões nas próximas duas décadas

As principais culturas do mundo, como trigo, milho e arroz, estão ameaçadas por partículas disseminadas.

As principais culturas do mundo, como trigo, milho e arroz, estão sob ameaça de partículas penetrantes. Fotografia: jodie777/Getty Images/iStockphoto

Por Damian Carrington para o “The Guardian”

A poluição do planeta por microplásticos está reduzindo significativamente o suprimento de alimentos ao prejudicar a capacidade das plantas de realizar fotossíntese, de acordo com uma nova avaliação.

A análise estima que entre 4% e 14% das principais safras mundiais de trigo, arroz e milho estão sendo perdidas devido às partículas penetrantes. Poderia ficar ainda pior, disseram os cientistas, à medida que mais microplásticos são despejados no meio ambiente.

Cerca de 700 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2022. Os pesquisadores estimaram que a poluição por microplásticos poderia aumentar o número em risco de fome em outros 400 milhões nas próximas duas décadas, chamando isso de um “cenário alarmante” para a segurança alimentar global.

Outros cientistas consideraram a pesquisa útil e oportuna, mas alertaram que esta primeira tentativa de quantificar o impacto dos microplásticos na produção de alimentos precisaria ser confirmada e refinada por mais coleta de dados e pesquisas.

As perdas anuais de colheitas causadas por microplásticos podem ser de uma escala similar àquelas causadas pela crise climática nas últimas décadas, disseram os pesquisadores por trás da nova pesquisa. O mundo já está enfrentando um desafio para produzir alimentos suficientes de forma sustentável, com a população global prevista para aumentar para 10 bilhões por volta de 2058.

Os microplásticos são decompostos a partir de grandes quantidades de resíduos despejados no meio ambiente. Eles impedem as plantas de aproveitar a luz solar para crescer de várias maneiras, desde danificar solos até transportar produtos químicos tóxicos. As partículas se infiltraram em todo o planeta, do cume do Monte Everest aos oceanos mais profundos .

“A humanidade tem se esforçado para aumentar a produção de alimentos para alimentar uma população cada vez maior [mas] esses esforços contínuos agora estão sendo prejudicados pela poluição plástica”, disseram os pesquisadores, liderados pelo Prof. Huan Zhong, da Universidade de Nanquim, na China. “As descobertas ressaltam a urgência [de cortar a poluição] para proteger o suprimento global de alimentos diante da crescente crise do plástico.”

Os corpos das pessoas já estão amplamente contaminados por microplásticos, consumidos por meio de alimentos e água . Eles foram encontrados no sangue , cérebros , leite materno , placentas medula óssea . O impacto na saúde humana é amplamente desconhecido, mas eles foram associados a derrames e ataques cardíacos .

O professor Denis Murphy, da Universidade de South Wales, disse: “Esta análise é valiosa e oportuna para nos lembrar dos perigos potenciais da poluição por microplásticos e da urgência de abordar a questão, [mas] alguns dos principais números exigem mais pesquisas antes que possam ser aceitos como previsões robustas.”

O novo estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences , combinou mais de 3.000 observações do impacto dos microplásticos nas plantas, retiradas de 157 estudos.

Pesquisas anteriores indicaram que os microplásticos podem danificar as plantas de várias maneiras. As partículas poluentes podem bloquear a luz solar que atinge as folhas e danificar os solos dos quais as plantas dependem. Quando absorvidos pelas plantas, os microplásticos podem bloquear os canais de nutrientes e água , induzir moléculas instáveis ​​que prejudicam as células e liberar produtos químicos tóxicos , o que pode reduzir o nível do pigmento fotossintético clorofila.

Os pesquisadores estimaram que os microplásticos reduziram a fotossíntese de plantas terrestres em cerca de 12% e em cerca de 7% em algas marinhas, que estão na base da teia alimentar do oceano. Eles então extrapolaram esses dados para calcular a redução no crescimento de trigo, arroz e milho e na produção de peixes e frutos do mar.

A Ásia foi a mais atingida pelas perdas estimadas de safras, com reduções em todas as três entre 54 milhões e 177 milhões de toneladas por ano, cerca de metade das perdas globais. O trigo na Europa também foi duramente atingido, assim como o milho nos Estados Unidos. Outras regiões, como América do Sul e África, cultivam menos dessas safras, mas têm muito menos dados sobre contaminação por microplásticos.

Nos oceanos, onde os microplásticos podem revestir algas, a perda de peixes e frutos do mar foi estimada entre 1 milhão e 24 milhões de toneladas por ano, cerca de 7% do total e proteína suficiente para alimentar dezenas de milhões de pessoas.

Os cientistas também usaram um segundo método para avaliar o impacto dos microplásticos na produção de alimentos, um modelo de aprendizado de máquina baseado em dados atuais sobre níveis de poluição por microplásticos. Ele produziu resultados semelhantes, eles disseram .

“É importante ressaltar que esses efeitos adversos têm grande probabilidade de se estender da segurança alimentar à saúde planetária”, disseram Zhong e seus colegas. A fotossíntese reduzida devido aos microplásticos também pode estar cortando a quantidade de CO2 que aquece o clima, retirado da atmosfera pelas enormes florações de fitoplâncton nos oceanos da Terra e desequilibrando outros ecossistemas.

O Prof. Richard Lampitt, do National Oceanography Centre do Reino Unido, disse que as conclusões devem ser tratadas com cautela. “Tenho preocupações consideráveis ​​sobre a qualidade dos dados originais usados ​​pelo modelo e isso levou a uma superespeculação sobre os efeitos da contaminação por plástico nos suprimentos de alimentos”, disse ele. Os pesquisadores reconheceram que mais dados eram necessários e disseram que isso produziria estimativas mais precisas.

As nações do mundo não conseguiram chegar a um acordo sobre um tratado da ONU para conter a poluição plástica em dezembro, mas reiniciarão as negociações em agosto. Os cientistas disseram que seu estudo era “importante e oportuno para as negociações em andamento e o desenvolvimento de planos de ação e metas”.

O Prof. Richard Thompson, da Universidade de Plymouth, disse que o novo estudo acrescentou evidências que apontam para a necessidade de ação. “Embora as previsões possam ser refinadas à medida que novos dados se tornem disponíveis, está claro que precisamos começar a buscar soluções. Garantir que o tratado aborde a poluição por microplásticos é de fundamental importância”, disse ele.


Fonte: The Guardian

Conversão de florestas em pastos e cidades afeta o clima na Amazônia

Mudança de uso de solo e seca na Amazônia contribui para mudanças climáticas ameaça segurança alimentar e ecossistema 

Áreas da Floresta Amazônica convertidas em pastos e cidades têm maior amplitude térmica, menor umidade, maior reflexão da luz solar e perda de eficiência na regulação do clima. Essas são algumas das conclusões obtidas pelo estudo “Microclima no Cenário de Floresta, Pastagem e Cidade no Sudoeste da Amazônia”, publicado na “Revista Brasileira de Meteorologia”. O trabalho, realizado em colaboração entre o Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Rondônia (UNIR), indica que é preciso equilibrar os efeitos das atividades humanas para reduzir os impactos negativos dessas transformações. 

Para avaliar se mudanças no uso e na cobertura do solo podem afetar as variáveis micrometeorológicas em florestas, os pesquisadores coletaram dados sobre temperatura, radiação solar, chuva e umidade do ar em três ambientes distintos: florestas, pastagens e cidades. As medições ocorreram em Rondônia, sudoeste da Amazônia, em 2017. Com base nas informações amostrais e em estudos anteriores, a equipe calculou possíveis diferenças nos parâmetros entre os tipos de cobertura e comparou os resultados por meio de análises estatísticas.

Entre os principais resultados, destacam-se a redução da umidade nos ambientes antropizados e uma diferença de 2°C na amplitude térmica diária, ou seja, na diferença entre as temperaturas máximas e mínimas do dia. Pastagens e cidades apresentaram uma variação térmica maior. “O processo de remoção das florestas em Rondônia vem sucedido por pastagens e cidades, que são paisagens homogêneas e modificam toda a dinâmica local; elas acabam contribuindo menos com a evapotranspiração e aquecendo mais, tornando o local mais seco e mais quente”, alerta Bárbara Antonucci, primeira autora do estudo. O conceito de evapotranspiração abrange tanto a evaporação de água do solo e a transpiração das plantas

A conversão de florestas em pastagens e áreas urbanas também elevou a capacidade de reflexão da luz solar, um fenômeno conhecido como albedo. A maior variação foi observada na substituição da floresta pela cidade, resultando em um aumento de 264%. “O albedo indica o quanto de luz é refletida, como em um espelho”, diz a pesquisadora. Ela explica que, nas florestas, a luz solar é absorvida e utilizada, principalmente, em três processos: aquecimento do ar, fotossíntese e evapotranspiração. No entanto, nas áreas urbanas analisadas, apenas uma pequena fração é aproveitada na fotossíntese e o restante se converte em calor. “Vimos que as cidades e pastagens, superfícies com maior albedo, refletem mais luz, acumulam menos energia e tendem a ser mais quentes”, complementa.

Segundo Antonucci, além de alterar o microclima, as mudanças identificadas podem ter impactos importantes na biodiversidade local e nas atividades econômicas que dependem do clima e do solo, por exemplo. “A interrupção dos serviços ecossistêmicos fornecidos pelas florestas, como evapotranspiração, regulação térmica e sombreamento, pode levar ao agravamento de extremos climáticos”, diz a autora. “Ainda, a maior vulnerabilidade dessas áreas pode comprometer a agricultura, tornando as atividades produtivas mais suscetíveis a secas, ondas de calor e mudanças nos regimes de chuvas, o que também afetaria a segurança alimentar e a economia local”, acrescenta.

Para ela, ações de mitigação e preparo são urgentes para lidar com os possíveis impactos da conversão florestal em ambientes antropizados. “Uma medida essencial é a adoção de estratégias para cidades mais resilientes, como a arborização, e o reconhecimento dos serviços ambientais prestados historicamente por populações tradicionais — como ribeirinhos, extrativistas e comunidades indígenas”, sugere Antonucci. 

A autora argumenta que políticas públicas devem priorizar incentivos à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais e defende que é imprescindível conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e os saberes locais. Nesse sentido, a equipe de pesquisadores visa, agora, aprofundar as análises micrometeorológicas da região, identificar padrões e tendências e integrar os estudos com as comunidades locais, visando contribuir para mudanças de paradigmas.

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0102-778640230038


Fonte: Agência Bori

MPF defende destinação de terras da Usina Sapucaia para reforma agrária no Rio de Janeiro

Manifestação foi em processo que suspendeu o leilão judicial da Fazenda Santa Luzia, em Campos dos Goytacazes

O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se favoravelmente para que Fazenda Santa Luzia, pertencente à Usina Sapucaia, em Campos dos Goytacazes (RJ), seja destinada para a reforma agrária. A manifestação foi em processo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que suspendeu, no último dia 26 de fevereiro, o leilão judicial do imóvel para permitir sua transferência à autarquia, conforme previsto na Lei de Execuções Fiscais.

O Incra aguarda a autorização da Justiça para iniciar o procedimento de adjudicação, que consiste na transferência de um bem penhorado para o credor como forma de pagamento de dívida sem a necessidade de leilão. A medida é considerada um mecanismo que acelera o processo de destinação de terras à reforma agrária, garantindo um uso social para a propriedade.

Na manifestação, o MPF argumenta que a transferência do imóvel ao Incra por meio da adjudicação atende tanto à necessidade de quitação da dívida da Usina Sapucaia com a União quanto à promoção da política pública de distribuição de terras.

Programa Terra da Gente

O pedido do Incra está fundamentado na política pública do Programa Terra da Gente, instituído pelo Decreto nº 11.995/2024, que moderniza os mecanismos de aquisição de terras para assentamentos rurais. A legislação vigente e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhecem que a adjudicação é uma alternativa preferencial de pagamento ao credor, sendo mais eficaz que o leilão na destinação social da terra.

De acordo com os procuradores da República Julio Araujo e Malê de Aragão Frazão, que assinam a manifestação, a transferência das terras para o Incra contribuirá para a pacificação social e a efetivação da reforma agrária. “A Fazenda Santa Luzia está localizada em Campos dos Goytacazes, região de alta conflituosidade agrária, e sua adjudicação pode contribuir para a pacificação social e a efetivação da reforma agrária”, diz um dos trechos do documento.

De acordo com os procuradores, a solução é “essencial para o avanço do processo de adjudicação, demonstrando o compromisso do órgão com a proteção de direitos coletivos fundamentais e com a promoção de políticas públicas”, concluem.

Execução Fiscal nº 0000883-88.2008.4.02.5103

Os perigos da retórica petroleira

O artigo abaixo alerta para os riscos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. O texto, publicado na Folha de S.Paulo, foi escrito por Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, e Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. A Gota, como membro da rede do Observatório do Clima, reforça a importância desse alerta

Os perigos da retórica petroleira

Deixar óleo da Foz do Amazonas no subsolo não tornará Brasil importador, mas explorá-lo acelera o fim do mundo

O licenciamento para perfuração de petróleo no chamado Bloco 59, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, vem deixando muita gente nervosa. O Ibama, que já deu 2.000 licenças para poços de petróleo no Brasil desde 2007 sem ouvir reclamações, vem sendo acusado de procrastinar com esta licença por inconfessáveis motivos ideológicos. Os ataques ao órgão ambiental lançam mão da retórica perigosa e desinformativa das empresas de petróleo, sobre a qual cabe alertar o público.

Uma tática comum é a do espantalho, que consiste em caricaturar as posições dos opositores da exploração, pintando-os como radicais irresponsáveis. Um jornal fez isso recentemente, dizendo que “os postos de combustível não fecharão de uma hora para a outra” —como se alguém tivesse feito tal proposta. No entanto, a Agência Internacional de Energia afirma que, se o mundo quiser ter alguma chance de devolver o aquecimento global ao patamar de 1,5ºC no fim do século, o consumo de petróleo deve cair 20% em 2030. Em 2050, esse declínio precisará ser de 75%.

Outra peça do arsenal petroleiro é a alegação de que, sem a abertura de novas fronteiras fósseis como a Margem Equatorial, o Brasil terá de importar petróleo. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, o país já tem contratada para 2030 uma expansão que chega a 5,3 milhões de barris-dia, mais do que o dobro do nosso consumo, que é de 2,3 milhões de barris-dia. Se a preocupação é com a segurança energética do brasileiro, basta exportar menos petróleo.

Isso, claro, assumindo o cenário irreal de que a Petrobras assistirá bovinamente ao declínio da produtividade do pré-sal nos próximos anos sem fazer nada. Obviamente não é o caso: a empresa acabou de anunciar a descoberta de um novo reservatório no campo de Búzios e investe constantemente em novas descobertas e no aumento do fator de recuperação dos reservatórios já existentes. A investidores, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) fala em vários bilhões de barris na região.

Tão grande quanto a capacidade de encontrar novos reservatórios é a habilidade da Petrobras em criar narrativas que justifiquem seus planos de expansão ilimitada de exploração e produção. Tal prática, corriqueira entre as empresas do setor, é conhecida como “paltering”, ou a divulgação seletiva de informações, omitindo verdades inconvenientes. A peça de “paltering” preferida da Petrobras é o “petróleo de baixo carbono”.

Trata-se de uma historinha segundo a qual a produção de cada barril de petróleo por aqui emite 15 kg de CO2 contra mais de 17 kg da média mundial (em alguns países, mais de 50 kg). Infelizmente, o que importa para o clima não é o carbono emitido para extrair um barril, mas o que vai para o ar quando esse óleo é queimado. Cada barril de petróleo emite 420 kg de CO2 na queima; portanto, do ponto de vista da atmosfera, a menor emissão na produção faz muito pouca diferença. O tal óleo “verde” do Brasil não irá, só por força de seu suposto baixo carbono, substituir nenhum óleo “mais sujo” de outros países quando a demanda cair. O fator determinante para o “último homem de pé” a disputar um mercado futuro 75% menor será preço.

Por fim, é uma cilada geográfica dizer, como os defensores da exploração vêm dizendo, que o Bloco 59 fica a 500 km da foz do rio Amazonas e não traz risco em caso de derrame. Foz do Amazonas (em maiúscula) é o nome da bacia sedimentar. O risco direto não é para a foz do Amazonas (em minúscula) propriamente dita, mas para os manguezais do Amapá, a menos de 200 km do local, para o litoral da Guiana Francesa —que não tem exploração de petróleo, mas deverá receber a maior parte do óleo do vizinho em caso de vazamento— e para o grande sistema recifal amazônico, ainda pouco conhecido.

Isso não significa que esse óleo não ameace a floresta amazônica. Como vimos nos incêndios de 2023 e 2024, induzidos pelo aquecimento global mesmo com o desmatamento em queda, sem uma eliminação gradual, justa e equitativa dos combustíveis fósseis nós perderemos a Amazônia para o clima —mesmo que o desmatamento seja zerado.

O Brasil, à frente da COP30, tem uma oportunidade única de pautar essa discussão e negociar um calendário de transição no qual os países desenvolvidos tomem a dianteira, mas o horizonte do fim do petróleo fique claro para todos. Num momento em que os Estados Unidos deixam o esforço multilateral para passar ativamente a sabotá-lo, o mundo conta com a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva nessa negociação —que, ademais, é de interesse do Brasil, como país em desenvolvimento e produtor de óleo que não vai querer ver os prazos da transição sendo decididos à sua revelia.

Alguns, porém, defendem literalmente apagar o fogo com gasolina, furando novos poços em áreas sensíveis como se não houvesse amanhã. Se eles prevalecerem, não haverá mesmo.

Link: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/os-perigos-da-retorica-petroleira.shtml


Fonte: https://umagotanooceano.org/

Pesquisadores espanhóis analisaram 280 amostras de água mineral. Apenas uma das marcas estava livre de microplásticos

Em média, um litro de água engarrafada contém 240.000 fragmentos de plástico detectáveis. Um estudo do CSIC/Espanha analisou 20 marcas e apenas uma estava livre de microplásticos.

Por José Garcia para o Xataka 

Melhor sabor e cheiro, além de motivos de saúde. Essas são as duas principais razões pelas quais as pessoas bebem água engarrafada, de acordo com um estudo da Universidade Autônoma de Barcelona. A Espanha é, de fato, o terceiro país europeu que mais consome água engarrafada (até 107 litros por habitante). Isso colide com uma coisa: a água engarrafada não só é muito mais cara do que a água da torneira , mas agora sabemos que ela também contém micro e nanoplásticos em quantidades muito maiores do que as estimadas.

O estudo original

Pesquisadores da Universidade de Columbia analisaram três marcas populares de água engarrafada nos Estados Unidos (cujos nomes não foram divulgados) em busca de micro e nanoplásticos. Para fazer isso, eles usaram uma nova técnica chamada microscopia de espalhamento Raman estimulada, que envolve sondar amostras com dois lasers simultâneos ajustados para fazer moléculas específicas ressoarem.

Analisando sete plásticos comuns, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo para interpretar os resultados. Segundo Wei Min, coinventor da técnica e coautor do estudo em questão, “uma coisa é detectar e outra é saber o que você está detectando”.

As descobertas

Em média, este estudo descobriu que um litro de água engarrafada contém 240.000 fragmentos de plástico detectáveis ​​– entre dez e 100 vezes mais do que estimativas anteriores. Especificamente, os pesquisadores dizem que encontraram entre 110.000 e 370.000 fragmentos de plástico em cada litro, 90% dos quais eram nanoplásticos. Nesse sentido, é importante lembrar a diferença entre micro e nanoplásticos:

Os plásticos mais comuns

Não é surpresa que um dos plásticos mais comuns tenha sido o tereftalato de polipropileno, mais conhecido como PET. É o material do qual muitas garrafas são feitas. “Ele provavelmente entra na água quando pequenos pedaços se quebram quando a garrafa é espremida ou exposta ao calor”, dizem os pesquisadores, citando outro estudo que sugere que eles também podem ser desalojados ao abrir e fechar a tampa repetidamente.

De costume

E embora o PET seja comum, ele é superado pela poliamida, um tipo de náilon que “provavelmente vem de filtros plásticos usados ​​para purificar água antes do engarrafamento”, diz Beizhan Yan, pesquisador do estudo. Outros plásticos comuns encontrados pelos pesquisadores incluem poliestireno, cloreto de polivinila e polimetilmetacrilato.

E o resto? 

A técnica utilizada contempla os sete plásticos mais comuns, mas existem muitos outros plásticos. De acordo com a Universidade de Columbia , “os sete tipos de plástico que os pesquisadores procuraram representavam apenas cerca de 10% de todas as nanopartículas que encontraram nas amostras; Eles não têm ideia do que é o resto. Se forem todos nanoplásticos, pode ser dezenas de milhões por litro.”

E os vendidos na Espanha?

Foi o que quis descobrir um estudo do CSIC e do Instituto de Saúde Global de Barcelona . Eles desenvolveram uma técnica para quantificar partículas entre 0,7 e 20 micrômetros, bem como os aditivos químicos liberados na água, e para este estudo, analisaram 280 amostras de 20 marcas comerciais de água. Apenas uma das marcas não continha microplásticos, mas todas as 280 amostras continham aditivos plásticos.

Mais especificamente

 O resultado é que, em média, um litro de água contém 359 nanogramas de micro e nanoplásticos, uma quantidade comparável à encontrada na água da torneira em um estudo anterior realizado pelo mesmo grupo. “A principal diferença que encontramos foi o tipo de polímero: na água da torneira encontramos mais polietileno e polipropileno, enquanto na água engarrafada detectamos principalmente polipropileno tereftalato (PET), embora também polietileno”, disse Cristina Villanueva, pesquisadora do ISGlobal e autora do estudo.

Bastante microplástico

Considerando que bebemos dois litros de água por dia, os autores estimam “uma ingestão de 262 microgramas de partículas plásticas por ano”. Em relação aos aditivos, foram detectados 28 aditivos plásticos, principalmente estabilizantes e plastificantes. De acordo com os pesquisadores, “nosso estudo de toxicidade mostrou que três tipos de plastificantes representam um risco maior à saúde humana e, portanto, devem ser considerados nas análises de risco para os consumidores”.


Fonte: Xataka.com

Anffa Sindical manifesta preocupação com flexibilização da fiscalização de alimentos

Entidade reitera importância do rigor das inspeções federais para garantia da qualidade dos produtos de origem animal

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) manifesta preocupação com o anúncio do Governo Federal de permitir, pelo período de um ano, a comercialização nacional de produtos inspecionados exclusivamente pelos municípios por meio do Serviço de Inspeção Municipal (SIM). A entidade reitera a importância do rigor da fiscalização de produtos de origem animal, essencial para garantir sanidade, qualidade e a conformidade com os padrões internacionais de segurança dos alimentos.

A medida do governo contempla um rol limitado de produtos, incluindo leite, mel e ovos, sem abranger a carne, que segue sob inspeção mais rígida. A decisão anunciada nesta quinta-feira (6) faz parte de um pacote para conter a alta dos preços dos alimentos.

“Embora seja importante a iniciativa do governo de buscar ampliar a oferta de produtos a um custo menor para a população, a medida pode fragilizar o controle sanitário, uma vez que os produtos não passarão pelo mesmo nível de inspeção aplicado pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi)”, destacou o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo.

Atualmente, os produtos fiscalizados pelo SIM são destinados ao consumo dentro do próprio município, com exceção das mercadorias que já possuem a habilitação pelo Sisbi (que já podem comercializar em qualquer local dentro do país). Vale destacar que nem todo município possui equipe suficiente para realizar a fiscalização adequada, não por falta de cumprimento da legislação sanitária, mas por falta de equipe. Portanto, transferir essa fiscalização para os municípios sem recursos orçamentários, nem de servidores é irresponsável.

Segundo Macedo, muitos estabelecimentos que operam sob o Serviço de Inspeção Municipal buscam obter a certificação federal e não conseguem, justamente por não atenderem a todos os critérios exigidos pelo Mapa. “A liberação da comercialização de forma nacional não leva a um aumento direto de oferta dos produtos, uma vez que eles já são comercializados de forma local, nos municípios. A estratégia é inócua no sentido econômico, mas aumenta o risco de problemas sanitários de itens que são vendidos nas proximidades. Isto sem contar questões de logística de transporte, armazenamento, temperatura etc”, pontua.

Outro ponto levantado é o fato de que produtos com menor controle tendem a chegar ao consumidor com menor qualidade. “A medida que eventualmente pode reduzir o preço de qualquer alimento não pode ser executada em detrimento da qualidade e sanidade dos produtos e a saúde da população. Não há como precificar a saúde da população”.

O Anffa Sindical permanece atento aos anúncios do governo e às possíveis mudanças no setor. A entidade reforça a necessidade de garantir a qualidade sanitária e a conformidade com os padrões internacionais de segurança dos alimentos, em benefício da saúde da população e da credibilidade do agronegócio brasileiro.