Cai Vélez, entra Weintraub no MEC: os donos de corporações de ensino privado têm milhões de razões para celebrar

Sergio Zacchi / Valor

Novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, é um dos autores da proposta da reforma da Previdência e já ocupava o cargo de secretário-executivo da Casa Civil.

A queda antecipada do ministro da Educação Ricardo Vélez Rodriguez finalmente ocorreu nesta segunda-feira (08/04) colocando fim a uma gestão desastrosa que durou menos de 100 dias. Para o seu lugar, o presidente Jair Bolsonaro indicou o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Abraham Weintraub (ver imagem do tweet abaixo).

weintraub

Um primeiro detalhe sobre o professor Abraham Weintraub é que, ao contrário do informado pelo presidente Bolsonaro, a titulação máxima alcançada por ele, segundo a última atualização realizada em 07/03/2017, foi a de Mestre e, Administração  pela  Fundação Getúlio Vargas, sob o sugestivo título de “The Performance of Open -end Brazilian Fixed Income Mutual Funds for Retail Clients“, que parece estar mais relacionada à operações no sistema de fundos mútuos do que com os bancos de escola. Aliás, há que se notar que os 4 artigos científicos do constam do CV Lattes estão na área previdenciária.

 

Segundo o que já apurei no blog do Esmael, Abraham Weintraub atuou no mercado financeiro por mais de 20 anos, e na iniciativa privada trabalhou no Banco Votorantim por 18 anos, onde foi economista-chefe e diretor,  tendo ainda sido sócio na Quest Investimentos.

Ao que parece, da alegada refrega entre seguidores de Olavo de Carvalho e a ala militar, Jair Bolsonaro optou por uma decisão Salomônica que deverá desagradar a ambos os lados, nomeando um especialista ligado mais ao rentismo do que à Educação. Com isso, os donos das corporações de ensino como a Estácio de Sá, Kroton e Unip devem estar radiantes. Já os professores e estudantes da rede pública, estes terão certamente muito pouco a celebrar.

Há ainda que se mencionar que Abraham Weintraub já estava no governo, Bolsonaro, ocupando o cargo de secretário-executivo da Casa Civil.  Ele e o irmão, Arthur, fizeram parte da equipe de transição, e são autores de uma proposta de reforma da Previdência que prevê o regime de capitalização. 

Mais informações sobre o agora ministro Abraham Wintraub no elucidativo vídeo que segue logo abaixo, e foi produzido pelo filósofo Paulo Ghiraldelli Júnior, professor aposentado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e atualmente  pesquisador do Centro de Estudos em Filosofia Americana (CEFA).


P.S.- Verifiquei posteriormente à postagem inicial que o ministro Abraham Weintraub é ligado ao menos em tese ao ideário de Olavo de Carvalho. Isso deverá deixar apenas a ala militar mais em desagrado com a condição reinante do Ministério da Educação (MEC). Vale conferir o que virá pela frente, pois o MEC já se tornou o pomo da discórdia dentro e fora do governo Bolsonaro. Fato esse, aliás, mais do que previsível.