Acionistas da Biontech são agraciados com dividendos robustos graças às vacinas contra a COVID-19. Trabalhadores são deixados de fora da festa

A fabricante de vacinas Biontech relata lucro recorde. Dividendo especial para especuladores, enquanto que os funcionários da empresa não recebem nada

biontech vacinas»Libere as patentes!« manifestantes de demanda em frente à sede da empresa em Mainz (13 de dezembro de 2021)

Por Sebastian Edinger para o JungeWelt

Graças à pandemia do novo coronavírus, o fundador da Biontech, Ugur Sahin, é agora um dos dez alemães mais ricos, com ativos privados de 13,6 bilhões de dólares. Os números de negócios apresentados nesta quarta-feira (30/03) mostram que a caixa registradora continua tocando, cada vez mais alto. A startup de Mainz conseguiu reportar um lucro líquido de 10,3 bilhões de euros em 2021, com vendas de 19 bilhões. Em 2020, ou seja, no ano financeiro anterior à colocação da vacina contra a COVID-19 no mercado, o lucro ainda estava na faixa de dois dígitos de milhões.

De acordo com Sahin, olhando para trás, 2021 foi “um ano extraordinário em que a Biontech teve um impacto significativo na saúde pública e na economia global com a primeira vacina aprovada baseada em nossa tecnologia de mRNA”. Para “continuar o papel pioneiro na indústria”, ele gostaria de “aproveitar o sucesso de 2021”. Isso deve ter sucesso, porque o futuro também parece róseo para a administração da Biontech e os acionistas da empresa farmacêutica: o enorme lucro em 2021 foi gerado pela venda de um total de 2,6 bilhões de doses da vacina contra a COVID-19. Para 2022, já existem pedidos assinados de 2,4 bilhões de vacinas.

E não vai parar por aí, porque mesmo que a vacina fabricada na Alemanha não tenha conseguido parar a pandemia até agora, o apoio político permanece estável: o ministro da Saúde Karl Lauterbach (SPD) já está promovendo a quarta fase de vacinação, e a vacinação geral também, segundo ela, porque vamos lá, vamos encher ainda mais as carteiras de pedidos da Biontech. A empresa também está atualmente trabalhando em um estudo interno, que provavelmente provará ao público em abril que uma versão de vacina adaptada à variante Omicron é particularmente eficaz e vale a pena comprar. Trata-se de uma nova vacina à base de ômicron que deve ser combinada com a vacina COVID-19 anterior. Segundo o grupo, “possíveis pedidos de aprovação” devem ser apoiados.

Ao mesmo tempo, o governo federal da Alemanha está engajado com paixão e sucesso no cenário internacional contra a liberação de patentes de vacinas. Na África, onde a taxa de vacinação ainda está bem abaixo de  10% em muitos lugares e há, portanto, um mercado gigantesco a ser ocupado, as pessoas terão que ser pacientes até que a Biontech comece a produzir as próprias vacinas na nova fábrica de contêineres autoconstruída em algum momento de 2023 e para o benefício de outros  já que o lucro com a vendas vai aumentar.

Houve mais uma boa notícia para os acionistas da farmacêutica na quarta-feira: na assembleia geral anual, a direção da empresa quer ter um programa de recompra de ações de até 1,5 bilhão de dólares aprovado para os próximos dois anos. Isso elevaria ainda mais o preço dos títulos. Paralelamente, foi dada aos acionistas a perspectiva de um dividendo especial de dois euros por ação em face aos fantásticos números do negócio. As despesas com pesquisa e desenvolvimento também devem aumentar no ano em curso, em 50%, para cerca de 1,5 bilhão de euros.

Entretanto, os empregados da Biontech foram deixados para trás. De acordo com o sindicato da indústria de mineração, química e energia (IG BCE), eles se queixam de estruturas de remuneração não transparentes e altas cargas de trabalho. Não há acordos coletivos de trabalho no grupo de Mainz, e as ofertas de negociações do sindicato foram recusadas por anos pela direção da Biontech.


color compass

Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo JungeWelt [Aqui!].

Minoritários preparam ação contra Eike e membros de Conselho da ex-OGX

Jornal do Brasil

Eike Batista

A Associação de Proteção aos Acionistas Minoritários deve entrar em breve com uma ação para cobrar judicialmente o pagamento da put que havia sido prometida por Eike Batista à OGX Petróleo e Gás, a ex-OGX, em outubro de 2012, quando a situação começava a piorar. Ofício assinado pelo procurador regional da república, Osório Barbosa, reforça que os membros independentes do Conselho de Administração da empresa, Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e Ellen Gracie, haviam sido eleitos por Eike como responsáveis pela cobrança da injeção US$ 1 bilhão na empresa caso esta precisasse de caixa, e que “teriam se tornado também co-autores do crime de manipulação de mercado”.

Valério Valporto, economista e conselheiro da entidade, destaca que se Eike tivesse honrado o compromisso adotado com o put a empresa não entraria em recuperação judicial. Ele acredita que a recuperação é fruto de um golpe. “Pagamos para os novos majoritários, os credores. A empresa foi entregue porque o Eike não fez o pagamento da put. Os minoritários estão pagando a put pelo Eike. Fomos diluídos. Agora, segundo o Ministério Público, Malan, Ellen Gracie e Tourinho são também devedores solidários”.

Os credores da ex-OGX aprovaram, nesta terça-feira (3), o plano de recuperação judicial da empresa. O processo foi pedido pela companhia em outubro do ano passado, na Justiça do Rio, e o plano foi entregue em fevereiro. A proposta era converter toda a dívida, de US$ 5,8 bilhões, em ações. Alguns credores injetariam US$ 215 milhões na companhia. Os credores que participassem da primeira parcela do empréstimo ficariam com 41,97% da empresa e os que entrassem na segunda, com 23,03%. Demais credores, incluído o estaleiro OSX, também controlado por Eike, ficam com 25%. O empresário terá 5,02% e os minoritários, 4,98%.

O ofício da Procuradoria, que pede a adoção das medidas no âmbito do Ministério Público, informa que o Conselho de Administração da OGX, presidido por Eike Batista, e que tinha como membros independentes Pedro Malan, Rodolpho Tourinho e Ellen Gracie, sabia desde meados de 2012 que não havia petróleo comercialmente viável nos prometidos campos de Tubarão Tigre, Gato e Areia e que, em outros casos, a OGX escondia dos investidores o fracasso desde 2010.

Em 24 de setembro de 2012, uma apresentação teria sido feita à direção da OGX, pela empresa de consultoria em Petróleo e Gás, Schlumberger, indicando que mesmo no mais otimista dos cenários os campos de Tubarão Tigre, Gato e Areia, somados, teriam apenas 50 milhões de barris e que seriam completamente inviáveis economicamente. Ainda assim, informa o documento, estes mesmos campos tiveram sua comercialidade declarada em 13 de março de 2013, com um volume provável de 823 milhões de barris. 

“Ao invés de comunicar este fato ao mercado a companhia, liderada pelo seu acionista controlador, Eike Batista, iniciou então uma campanha mentirosa, ‘estelionatária’, a fim de ludibriar investidores de boa fé. Entre os primeiros atos desta campanha está a divulgação ao mercado em 24 de outubro de 2012 (portanto um mês após a apresentação da Schlumberger à direção da empresa) de um fato relevante anunciando compromisso do acionista controlador, Eike Batista, de injetar US$ 1 bilhão na empresa caso esta precisasse de caixa. Esta injeção se faria através da subscrição de ações, ao preço unitário de R$ 6,30 por ação. Para dar credibilidade ao mesmo, Eike elege como responsáveis pela sua cobrança, exclusivamente, os membros independentes do conselho, notadamente Pedro Malan, Ellen Gracie e Rodolpho Tourinho”, diz o ofício.

Ainda segundo o documento, há indícios de que Pedro Malan, Ellen Gracie e Rodolpho Tourinho teriam praticado eventual crime contra o sistema financeiro nacional e deveriam, como membros independentes do conselho, zelar pela máxima transparência dos atos da empresa perante os sócios, especialmente os minoritários. “Em suma, ao não anunciar aos investidores a inexistência do contrato e a resistência de Eike Batista ao assiná-lo, Pedro Malan, Ellen Gracie e Rodolpho Tourinho, teriam se tornado também co-autores do crime de manipulação de mercado, previsto no art. 27-C na lei 6.385/762, uma vez que o anúncio da PUT manipulou as expectativas dos investidores e, consequentemente, o preço bursátil das ações.” 

“Embora os crimes tenham sido praticados por várias pessoas e empresas, eles não teriam obtido êxito sem a complacência comissiva ou omissiva dos então conselheiros da administração da OGX, Pedro Malan, Ellen Gracie e Rodolpho Tourinho. As práticas criminosas adotadas pelo acionista controlador e pela OGX em nada diferiram das de um estelionatário comum, uma vez que houve obtenção de vantagem ilícita, causando prejuízo a outrem, mediante ardil ou fraude, induzindo as vítimas ao erro. Por ocorrer no âmbito do mercado financeiro estes atos se constituem em crimes federais, contra o Sistema Financeiro Nacional, definidos na Lei 7.492/86″, diz ofício assinado por procurador regional da República”, diz o ofício.

FONTE: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2014/06/05/minoritarios-preparam-acao-contra-eike-e-membros-de-conselho-da-ex-ogx/

Eike Batista tomou chá de sumiço e não é citado pela Justiça

Justiça bate na porta de Eike Batista, mas não encontra empresário

Após a segunda tentativa, a oficial devolveu o mandado à Justiça Federal no dia 4 de fevereiro

Sergio Lima: BRASILIA, DF, BRASIL  21-10-2011 18h40: Empresarrio Eike Batista presidente do Grupo EBX, dá entrevista no Palacio do Planalto após encontro com a presidente Rousseff. Eike disse que deve participar em conjunto com a Faxcom, empresa de Taiwan da fabricaçã

 Uma oficial de Justiça foi encarregada de intimar Eike Batista, mas ainda não conseguiu localizar o empresário. Foram duas tentativas frustradas no início do mês

SÃO PAULO – Uma oficial de Justiça foi encarregada de intimar Eike Batista, mas ainda não conseguiu localizar o empresário. Foram duas tentativas frustradas no início do mês.

A oficial afirma que foi no endereço conhecido de Eike, uma casa na Rua Caio de Melo Franco, no bairro de Jardim Botânico, localizado zona sul do Rio de Janeiro. Com a casa fechada, a oficial foi informada por um vigia que o empresário havia se mudado.

Com o novo endereço em mãos – localizado na mesma rua – a oficial descobriu que Eike viajou, sem previsão para retorno. Após a segunda tentativa, a oficial devolveu o mandado à Justiça Federal no dia 4 de fevereiro.

O documento é referente ao primeiro de três processos que acionistas minoritários da OGX Petróleo (OGXP3) ajuizaram no final do ano passado contra Eike Batista. O empresário é fortemente criticado por ter “defendido” seu patrimônio no ano passado em meio à crise do grupo EBX, que teria, inclusive, contado com medidas anti-éticas e até mesmo criminosas.

Minoritário pede delistagem de Novo Mercado

Os acionistas minoritários da OGX empresa de Eike Batista, entraram com um pedido à BM&FBovespa, na quinta passada, solicitando que a empresa saia do Novo Mercado, segmento que tem padrões e regras mais rígidos. O pedido foi encaminhado pelo economista Aurélio Valporto, que lidera o grupo de minoritários, e se for aceito pode fazer com que acione uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) para que Eike recompre a empresa.

Aurélio Valporto acredita que faltou transparência da petroleira e que a empresa já sábia dos graves problemas um ano antes deles serem divulgados. E ficou quieta, enquanto o próprio dono da empresa, vendia ações. “Como a OGX não atende a nenhuma das condições de governança corporativa, entendemos que o único motivo de continuar listada no novo mercado é proteger o Eike”, afirmou Valporto.

Em resposta, a BM&FBovespa disse que seu ombudsman tem um prazo de até 45 dias para responder os minoritários e por enquanto não há nenhum processo instaurado para tirar a empresa de Eike Batista do Novo Mercado. “Para fazer parte dessa listagem, a Bovespa exige a assinatura de um contrato entre as partes e a elaboração de diversos documentos por parte da empresa, em que são exigidas a mais absoluta transparência e probidade de controladores, membros do conselho, diretores, administradores e gerentes, tanto na transmissão de informações quanto na negociação”, destaca o acionista.

Porém, se o pedido for aceito e a empresa sair do Novo Mercado, Eike poderia ser obrigado a fazer uma OPA (oferta pública de ações) e comprar todos os papéis da OGX, já que quando eles adquiriram as ações da empresa elas faziam parte de regras rígidas de governança. “Isto é fator preponderante para que o investidor decida pela compra de ações da empresa, e a própria Bovespa chama a atenção para a apresentação desse mercado: A melhoria da qualidade das informações prestadas pela companhia e a ampliação dos direitos societários reduzem as incertezas no processo de avaliação e de investimento e, consequentemente, o risco, o que dá mais segurança ao investidor”, afirma Aurélio.

O economista ainda destaca que o próprio Eike usava a presença da OGX no Novo Mercado a todo instante para vender a empresa a investidores. “Na verdade, em quase todas as entrevistas, o Sr. Eike Batista não perdia a oportunidade de dizer que as empresas pertenciam ao novo mercado e, por conta disso, tinham aderido ao mais alto grau de governança corporativa e eram auditadas, o que não ocorreu”, afirmou ele.

FONTE: http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/3188892/justica-bate-porta-eike-batista-mas-nao-encontra-empresario

JB: Minoritários da OGX questionam omissão da CVM

Informações otimistas da empresa não foram conferidas

Jornal do Brasil

Os acionistas minoritários da OGX declararam guerra à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por omissão e negligência com relação às informações divulgadas no ano passado pela petrolífera e seu principal acionista, Eike Batista, que camuflaram a verdadeira situação da empresa. A descoberta de grandes reservas de petróleo anunciadas por Eike, afirmam os investidores, serviram apenas para obtenção de lucro na venda de ações e encobriram áreas de exploração totalmente inviáveis ou com reservas bem menores do que as divulgadas.

Segundo o economista Aurélio Valporto, houve fraude nessas divulgações e os acionistas minoritários tiveram perdas acentuadas de seus patrimônios. Muitos, inclusive, afirma Valporto, perderam imóveis e outros bens. “A OGX informou aos acionistas que tinha enormes quantidades de petróleo, já descoberto, quando na verdade a campanha exploratória foi um fracasso completo. Com isso as ações foram mantidas artificialmente elevadas no mercado”, disse ele.

Os processos de nº 0000950-49.2014.4.02.5101 e 0032719-12.2013.4.02.5101, segundo Valporto, correm na 24ª e 30ª Varas Cíveis do Rio de Janeiro, respectivamente e além da CVM incluem ainda Eike Batista, seu pai, Eliezer Batista, além do ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan. Valporto afirma ainda que novas ações de autoria dos minoritários darão entrada na justiça contra ex-diretores da OGX, entre eles, Roberto Monteiro, que foi diretor de relações com os investidores, e o ex-presidente da empresa e diretor de produção, Paulo Mendonça.

Os acionistas minoritários deverão ainda questionar na justiça a atuação de outros conselheiros da OGX, segundo Valporto, entre eles o ex-ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho e a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie. As ações deverão responsabilizar todos os envolvidos pelo o que aconteceu. De acordo com as informações divulgadas pela OGX ao mercado, a empresa possuía reservas de petróleo muito superiores às que realmente existiam.

A verdadeira situação só foi conhecida com as primeiras frustrações de produção e com o abandono de vários campos de petróleo, cuja produção era inviável. As ações da OGX caíram 98,7%, despencando de R$ 23 em outubro de 2010 para menos de R$ 0,30. “Foi uma fraude monumental, escondendo-se dos acionistas minoritários, por um ano, o fato de que não havia petróleo, de modo que os diretores ganharam muito dinheiro fazendo vendas a descoberto de ações da empresa”, disse Valporto.

PERDA DE PATRIMÔNIO

Diante das perspectivas de ganho com ações da OGX, vários acionistas começaram a investir boa parte de seus patrimônios nos papeis da OGX, inclusive estimulados pelo próprio Eike Batista que em várias entrevistas afirmava que a ação da empresa estava barata e teria uma valorização excepcional. Eike disse que as reservas da empresa se constituíam nos melhores campos de exploração do mundo, com valor equivalente a um trilhão de dólares. Esse cenário foi responsável por perda de imóveis, cancelamento de estudos no exterior, queima de poupança, entre várias outras histórias vividas pelos minoritários.

Sem querer se identificar, esses acionistas contam suas histórias e mantém a esperança de um dia recuperar o que perderam. M. teve que vender seu apartamento da Tijuca, no Rio de Janeiro, no ano passado para poder cobrir suas necessidades financeiras. O imóvel, avaliado em R$ 500 mil, cobriu várias despesas, mas obrigou o investidor a morar de favor na casa de parentes. Inicialmente, M. adquiriu ações da OGX dentro de uma carteira diversificada, mas com a perspectiva de ganhos maiores, a partir das declarações de Eike, se sentiu mais confiante em ampliar sua posição nesses papeis e acabou com um enorme prejuízo e perda de patrimônio.

Engenheiro formado, J. vislumbrou a possibilidade de fazer mestrado numa universidade na Inglaterra e investiu suas economias em ações da petrolífera. Tinha a esperança de custear os estudos, nada baratos, com os ganhos das ações. Matriculou-se, fez várias despesas para se manter como estudante e iniciou o curso no começo de 2013, mas antes do ano terminar teve que cancelar tudo pelas perdas que teve com as ações. Perdeu o que investiu e, se puder retomar o curso, terá que começar praticamente do zero porque não conseguiu completar sequer uma etapa que pudesse ter continuidade posteriormente.

A “possível” valorização das ações da OGX também levaram C. a redirecionar praticamente todos os seus investimentos para a compra de ações da petrolífera de Eike. Como vários pequenos investidores, C. não acreditou na queda dos papeis quando começaram a derreter e permaneceu com as ações. Acreditava que poderia recompor suas economias que, na verdade não eram só suas, mas de sua mulher também. A poupança conjunta foi-se embora e agora C. vive dando desculpas para a esposa sobre as aplicações que não existem mais. Ele não revela os valores, mas diz apenas que era parte importante do patrimônio do casal.

De acordo com Aurélio Valporto, no início de 2013, as ações da OGX chegaram a ter o valor equivalente a cerca de duas vezes e meia seu patrimônio líquido numa relação igual a das ações da americana Exxon que é a maior companhia petrolífera do mundo com um valor de mercado que Eike sequer chegou perto com seu império X. “Essa situação demonstrava uma solidez que a empresa não tinha e a CVM em nenhum momento verificou essa situação. Isso é o que estamos questionando nas ações”, afirma Aurélio.

FONTE: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2014/01/24/minoritarios-da-ogx-questionam-omissao-da-cvm/

Problemas judiciais de Eike Batista agora alcançam Pedro Malan

Minoritários da OGX processam ex-ministro Pedro Malan por negligência

RAQUEL LANDIM, DE SÃO PAULO

Eles cobram o ressarcimento dos prejuízos que tiveram com a queda das ações da petroleira, que está em recuperação judicial, e também pedem uma indenização por danos morais.

Se a ação for vitoriosa, os valores serão estipulados pela Justiça. As ações da OGX caíram 98,7%, saindo de R$ 23 em outubro de 2010 para menos de R$ 0,30.

Malan -ministro da Fazenda do governo FHC de 1995 a 2002 e um dos economistas mais conceituados do país por colaborar com o grupo que “domou” a inflação- fez, desde 2008, parte do conselho de administração da OGX como membro independente.

Os minoritários acusam o ex-ministro de “omissão e negligência” por “não se informar, fiscalizar, investigar, se opor ou denunciar as irregularidades cometidas pela empresa”, conforme o processo obtido pela Folha.

A OGX informou ao mercado possuir reservas de petróleo muito superiores às que realmente existiam. Os números reais só vieram à tona com as primeiras frustrações de produção. A empresa foi obrigada a abandonar vários campos de petróleo.

“O nome do Malan tem peso e levou muitos acionistas minoritários a comprar ações da OGX. Quem ia imaginar que uma empresa que tinha ele como conselheiro pudesse mentir?”, disse o advogado Márcio Lobo, do escritório Jorge Lobo Advogados, que representa os minoritários e que também perdeu dinheiro com a OGX.

Procurado pela reportagem, o ex-ministro informou por meio de sua assessoria de imprensa que não tinha “nada a declarar”. Ele hoje é presidente do conselho consultivo internacional do Itaú Unibanco, o maior banco privado do país.

Malan deixou o conselho de administração da OGX de forma abrupta em junho de 2013, quando a crise na empresa já era evidente. Também renunciaram a seus cargos no conselho os ex-ministros Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e Ellen Gracie (Supremo Tribunal Federal).

Nenhum deles explicou publicamente seus motivos.

Adriano Vizoni – 29.abr.2013/Folhapress
O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan em evento em São Paulo em abril do ano passado
O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan em evento em São Paulo em abril do ano passado

PROCESSOS EM SÉRIE

Esse é o segundo processo aberto pelos minoritários da OGX com pedido de indenização. O primeiro foi contra Eike, CVM e Eliezer Batista, pai de Eike e também membro do conselho.

Um grupo de cerca de 30 minoritários tem trabalhado em conjunto e pretende abrir uma série de processos contra vários conselheiros, ex-diretores da OGX, a CVM e a BMF&Bovespa.

“São todos responsáveis pelo o que aconteceu. Foram negligentes”, diz o economista Aurélio Valporto, um dos líderes informais do grupo.

Cada processo é capitaneado por acionistas minoritários diferentes. Na primeira ação, foram quatro pessoas. Nesta, outras sete. Pelo menso mais dois processos devem ser abertos em breve.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/01/1401017-acionistas-minoritarios-da-petroleira-ogx-processam-ex-ministro-pedro-malan-por-negligencia.shtml

Eike Batista: o ano é novo, mas os problemas são velhos

O ano é novo, mas os problemas de Eike Batista são velhos. Ao entregar a ex-OGX para seus credores em troca do perdão de dívidas bilionárias, Eike “só” se esqueceu de combinar o jogo com os acionistas minoritários que agora prometem entrar com mais um processo judicial para defender seus interesses.

O interessante nisso tudo é que apesar de Eike Batista estar demonstrando uma bela capacidade de se livrar dos bilhões de papagaios que acumulou por causa do colapso financeiro do seu Grupo EBX, os acionistas minoritários estão provando ser uma tremenda pulga na cueca, assim por dizer.

E por isso que 2014 está começando com a maior cara de ano velho para Eike.

 

Em disputa 1

Dívida com os credores ou com a empresa?

O grupo de minoritários da OGX que já move uma ação na Justiça contra Eike Batista, seu pai, Eliezer Batista, e a CVM vai entrar, agora, com outro processo, desta vez contra Eike e os credores da petroleira.

Na véspera de Natal, foi anunciado um acordo pelo qual o ex-bilionário entregou a companhia aos credores em troca de novos aportes financeiros e do perdão de uma dívida de 1 bilhão de dólares que tinha com a OGX.

Do outro lado da negociação estavam os fundos americanos Blackrock e Pimco, que também serão alvo da ação dos minoritários. Segundo os minoritários, a dívida de Eike é com a empresa e não com os credores.

Por Lauro Jardim