Tragédia em Juiz de Fora (MG) reforça necessidade de medidas urgentes de adaptação climática

Alerta grave da Defesa Civil: chuva na noite desta segunda-feira provoca  deslizamentos e deixa vias alagadas em JF; confira as áreas atingidas

A cidade de Juiz de Fora está experimentando os efeitos dramáticos da combinação entre chuvas intensas, relevo acidentado e urbanização segregada. Com incríveis 586 mm de chuva acumulados apenas no mês de fevereiro, valor que é quase a metade da precipitação média anual, apenas na noite de ontem pelo menos 14 pessoas morreram em função da combinação entre alagamentos e desmoronamentos após uma chuva de pelo menos 200 mm. 

A questão é que o cenário que agora assola Juiz de Fora e outras cidades da chamada Zona da Mata mineira não é mais exceção, mas parte de uma tendência que adiciona efeitos dramáticos e mortais a eventos meteorológicos extremos, muito em função da forma pelas quais as cidades brasileiras estão estruturadas.

Adaptação climática é, com certeza, um conceito que a maioria das pessoas não consegue assimilar facilmente, pois até a comunidade científica ainda está engatinhando nas discussões sobre como organizar a sociedade humana para viver sob um regime climático que se caracteriza por situações extremas em curtos períodos de tempo. 

Mas adaptar é preciso, pois, do contrário, cenas que estão se repetindo cada vez com maior frequência, ainda vão custar muitas vidas, especialmente dentro das camadas mais pobres da população que são empurradas para regiões ecologicamente mais sensíveis e desprovidas de infraestrutura urbana.

Enquanto Câmara é palco de disputa farsesca, mudanças climáticas mandam recado

Em um momento em que o plenário da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes é palco de uma disputa com fortes tintas de farsa, a nossa cidade foi palco de mais um evento meteorológico extremo, com pluviômetros indicando que quase 70 milimetros de chuva caíram em menos de uma hora, dando lugar à queda de árvores, alagamentos em áreas de grande circulação e destruição de estruturas físicas.

Como já informei aqui neste espaço, uma tese de dissertação defendida pelo sociólogo André Vasconcellos no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf já mostrou que os grupos que hegemonizam a política campista o fazem a partir de formas tradicionais que ignoram, entre outras coisas, a necessidade de estabelecer políticas públicas voltadas para preparar Campos dos Goytacazes para um processo de adaptação climática que se tornará cada vez mais urgente.

No momento em que se divulga que 2023 foi o ano mais quente desde que foram iniciados registros anuais de temperatura no planeta há 174 anos, uma das certezas é que precisaremos rumar para tornar nossas cidades mais ajustadas a um novo regime climático que será marcado por altas temperaturas, grandes eventos meteorológicos e fortes oscilações na disponibilidade hídrica.

Campos dos Goytacazes é um município onde podemos esperar a manifestação de todos os elementos extremos que caracterizam as mudanças climáticas. No entanto, eu tenho certeza que na LOA de 2024 que motiva a disputa farsesca que ocorre na Câmara de Vereadores não há um mísero centavo para que se inicie o necessário e urgente esforço de adaptação climática que o município precisa iniciar.

Sessão é encerrada na Câmara por motivo de segurança após nova confusão da  LOA Folha1 - Política

Aos que assistem ao espetáculo em meio ao pasmo e à indignação, eu digo que nas próximas eleições municipais há que se cobrar que os passos mais básicos sejam iniciados para iniciar o processo de adaptação climático sejam discutidos.  Sem isso, as batalhas de Pirro que ocorrem entre as forças políticas municipais só servirão para esconder que estamos atrasados em nosso esforço de adaptação climática.  O problema é que com isso, o dia de ontem só será uma mera amostra do que estar por vir.