Braullio Fontes do DCE/UENF faz balanço da greve e convoca assembleia estudantil

No retorno às aulas na UENF na manhã desta segunda-feira, estive com o diretor geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Apolônio de Carvalho que representa os estudantes da UENF. Ele aproveitou para fazer uma avaliação do movimento de greve dos estudantes, as questões que foram pautadas e as respostas que foram dadas pela reitoria da UENF e pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro.  Braullio também aproveitou para convocar uma assembléia estudantil para a próxima 4a. feira (25/06).

Abaixo vai o depoimento dado pelo diretor geral do DCE/UENF

Mensagem que enviei aos deputados estaduais na ALERJ

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Senhor deputado

Sou professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense há 16 anos e fui atraído para o interior do Rio de Janeiro por uma proposta político-pedagógica idealizada por Darcy Ribeiro que já deu muitos frutos desde que aqui cheguei.
Lamentavelmente esse alto desempenho da UENF não foi acompanhado pela recomposição salarial sequer ao nível das perdas salariais, e eu que cheguei aqui com o melhor salário pago por uma universidade brasileira, amargo uma perda inflacionária de mais 90% no meu salário base.
Pior sorte têm meus colegas que estão chegando hoje na UENF, pois seu salário base para professor doutor trabalhando em regime de Dedicação Exclusiva é o pior do Brasil.
Em função dessa deterioração salarial, a UENF está ameaçada de não poder continuar cumprindo o seu papel estratégico idealizado para alavancar o desenvolvimento econômico e humano das regiões norte e noroeste fluminense.
Por outro lado, a proposta enviada pelo governador Luiz Fernando Pezão para recompor os salários de professores e servidores técnico-administrativos ficou muito aquém do mínimo necessário, pois não apenas manteve nossos salários com perdas inflacionárias acumuladas, mas como no caso dos professores nos alijou da remuneração de 65% pelo cumprimento do regime de Dedicação Exclusiva que foi garantida aos nossos colegas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Em face do exposto, venha solicitar que vossa excelência apoie as negociações entabuladas pela Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (ADUENF) para melhorar o projeto de lei 3050/2014.  A ADUENF é a única entidade que possui legitimidade para tratar dos interesses dos professores da UENF!
Sendo o que se apresenta, despeço-me.

De forma tardia e parcial, reitoria da UENF tenta interferir na negociação dentro da ALERJ

Sou testemunha de que nos últimos três anos apenas os sindicatos da UENF, principalmente a ADUENF, trabalharam dentro da ALERJ para melhorar a grave situação salarial dos servidores da universidade. A reitoria, por sua parte, ficou sempre em tratativas infrutíferas com o Sr. Sérgio Ruy, secretário estadual de Planejamento e Gestão, que em diferentes momentos deixou os gestores da UENF falando sozinhos.

Não é que hoje fui surpreendido com uma nota pendurada na página oficial da instituição (Aqui!) também apresentou duas emendas ao projeto de lei 3050/3014 que majora os vencimentos dos servidores e professores da UENF. E o pior que ao intervir tardiamente, a reitoria ainda atua para excluir uma categoria de técnicos (os de nível superior) de eventuais acréscimos à proposta enviada pelo (des) governo Pezão, e deixa de apresentar decisões aprovadas pelo Conselho Universitário (CONSUNI) referentes aos salários dos professores! 

E é importante notar que em ambos os casos, a reitoria não reuniu o CONSUNI para avaliar a oportunidade e correção das emendas que estão propondo, as quais desconhecem as emendas que já foram encaminhadas pela ADUENF, e que poderão implicar num conflito que prejudicará ainda mais os professores.

Finalmente, um detalhe curioso no informe da reitoria é que as tratativas feitas na semana passada na ALERJ foram feitas pelo chefe de gabinete e pelo secretário-geral da reitoria. Ai a questão que se coloca num momento tão crucial para o futuro da UENF: onde andam e que fazem nesses dias turbulentos o reitor, o vice-reitor e os quatro pró-reitores? Tomaram doril?

O dia 18 de Junho chegou e mostrou o valor da carta do (des) secretário de C&T do RJ aos professores da UENF

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No dia de 03 de junho de 2014 os professores foram atingidos pelo desrespeitoso ofício SECT/GAB/62/2014 onde o (des) secretário Alexandre Vieira (mostrado acima), entre ameaças e desrespeitos, informou que entre os dias 11 e 18 de junho seriam enviadas mensagens para a ALERJ, condicionando o envio da nossa à saída de greve até o dia 06; de junho.

Pois bem, veio a assembleia dos professores do dia 09 de junho e já sabemos o que aconteceu nela. Pois bem, o dia 18 de junho chegou, e ficou claro que a palavra e a assinatura do secretário Alexandre Vieira tem o mesmo valor, qual seja, ZERO!

E aí fico imaginando como ficam aqueles que dentro da UENF, incluindo o reitor Silvério Freitas, se colocaram em marcha para acabar com a greve dos professores, sem que houvesse qualquer garantia fosse dada por parte do (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão que as demandas que originaram um movimento justo e legítimo seriam finalmente atendidas?

Mas ainda bem que a ADUENF possui uma direção autônoma e que não se curva à primeira cartinha ameaçadora de algum (des) secretário de terceiro escalão de um (des) governo em fim de festa.

E a luta continua! Viva a ADUENF!

E-mails escancaram o despropósito da reitoria da UENF de retomar aulas no dia 11/06

Após a assembléia dos professores suspender a greve iniciada no dia 12/03, os estudantes da UENF receberam  esta tarde dois e-mails da direção da universidade e estão “exaltando” o conteúdo dos mesmos nas redes sociais. É que segundo uma estudante, primeiro ela recebeu um e-mail informando que as aulas retornariam dia 11, e menos de 1h depois recebeu outro informando os dias de pontos facultativos ( dias 12 , 17 , 18 , 19, 20, 23 e 25 de junho de 2014, e durante todo o dia 04 de julho). Seria cômico, se não fosse trágico!
 
Mas amanhã (10/06), a reunião da Câmara de Graduação, que é colegiado que legisla sobre o calendário acadêmico da UENF, vai se reunir e deverá impedir este contra-senso. A ver!

Reitoria da UENF manda tropa de choque, mas só consegue suspender greve dos professores

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A reitoria da UENF que se mostrou incompetente para resolver os problemas salariais que estão na raiz da greve que os professores iniciaram em 12 de março, hoje enviou sua tropa de choque (inclusive o ex-reitor Almy Junior) para acabar com a greve dos professores, mas o máximo que conseguiu foi a sua suspensão. A assembléia aprovou uma proposta que aponta para  fato de que mobilização vai continuar e duas assembleias já foram marcas para os dias 17 e 24 de junho. O objetivo dessas assembleias será avaliar a situação e conferir se o (des) governador Pezão fez valer (ou não) o voto de confiança que pediu à ADUENF em sua visita ao campus Leonel Brizola na última 6a. feira (06/06).

Mas quem esteve na assembleia pode ver de perto a truculência dos aliados da reitoria (muitos deles ocupando cargos executivos dentro da administração da UENF) e que quiseram, mas não conseguiram, cassar a palavra dos professores, numa ação que é inédita nos 20 anos de história da ADUENF. O interessante é que a simples menção do direito dos estudantes de terem direito a um novo calendário que permita seu retorno correto para o campus foi fortemente contestado pelo grupo ligado à reitoria, sob o argumento de que os estudantes é que devem cuidar dos seus interesses. Felizmente, a maioria dos presentes rejeitou esta postura e foi aprovado o envio de uma carta ao reitor da UENF, Prof. Silvério de Paiva Freitas, para que seja dado um tratamento razoável à formulação de um calendário que permita um retorno organizado e em tempo hábil ao campus, especialmente para os estudantes que vivem em outras regiões do Brasil.

O que ficou patente na assembleia de hoje por parte dos apoiadores da reitoria foi a total inconformidade com o direito da liberdade de expressão e do amplo debate. Este tipo de postura que atenta diretamente contra o espírito universitário explica bem como é que a UENF chegou ao pântano institucional em que se encontra neste momento. 

Felizmente o atual movimento de greve mostrou que a maioria da comunidade universitária da UENF se cansou desse modelo de direção e que, de agora em diante, nada mais vai ser como antes. E no que depender de mim, a UENF apenas começou um novo capítulo de sua história onde os ideais de Darcy Ribeiro não serão mais sufocados. E a luta continua! Simples assim.

O que Pezão não viu por ter se trancado na visita à UENF

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Eu ainda continuo achando no mínimo peculiar a decisão do (des) governador Luiz Fernando Pezão de ir na UENF e passar quase duas horas trancado a sete chaves, enquanto a comunidade se manifestava de forma pacífica e democrática no pátio externo. E olha que na saída não houve qualquer tumulto ou desrespeito, apesar da visita de Pezão ter trazido nada de concreto quanto à resolução dos graves problemas que afetam hoje o corpo de servidores da UENF, um dos mais qualificados do Brasil.

Abaixo um momento especial do ato cívico que foi realizado por professores, servidores e estudantes. Pior para Pezão que perdeu uma excelente oportunidade de se mostrar com um governante que entende a importância da UENF para o Rio de Janeiro. Depois que não reclame se no período das eleições for apresentada uma alta fatura política por causa de tanto descaso e desrespeito.

(Des) governador Pezão desconhece a matemática financeira do seu (des) governo?

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Em sua visita à UENF, o (des) governador do Rio de Janeiro teria proferido segundo a Assessoria de Comunicação da reitoria a seguinte pérola em respostas às demandas salariais dos sindicatos de professores e servidres: “As demandas de vocês são super justas, mas tenho algumas limitações. Não posso, por exemplo, fugir da Lei de Responsabilidade Fiscal. Também tenho que analisar os impactos. É necessário fazer tudo com os pés no chão, para que lá na frente não seja difícil manter” (Aqui!).

Ah, mas por favor! Será que o (des) governador Pezão realmente desconhece os dados que são mostrados na figura abaixo?

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 É que depois de quase oito anos de (des) governo de PMDB, o Rio de Janeiro é hoje o estado brasileiro que menos gasta com os salários de seus servidores com um total de 29,5% quando a Lei de Responsabilidade Fiscal permite até 47%? 

Se Pezão desconhece isso, é grave. Se conhece e usa um argumento falso para finalizar a greve dos professores, ai o negócio passa para outro campo que nem merece adjetivação. Mas como está escrito numa faixa da ADUENF: Pezão, chega de enrolação!

(Des) governador Pezão visita UENF, mas se esconde da comunidade universitária

A aguardada visita do (des) governador Luiz Fernando Pezão acabou ocorrendo, mas daria na mesma se não tivesse. É que ao invés de se reunir publicamente com as centenas de pessoas que estavam no campus Leonel Brizola para ouvir dele as propostas que serão apresentadas para resolver os graves problemas salariais que afligem professores e servidores técnicos, Pezão usou parte do seu tempo para desqualificar as negociações que deverão ocorrer na Assembléia Legislativa quando finalmente forem enviadas as mensagens para as categorias de servidores que receberam algum tipo de benefício.

Essas posições foram apresentadas à portas fechadas com representantes das diferentes categorias que foram a comunidade da UENF, enquanto do lado de fora professores, servidores e estudantes aguardavam as boas notícias que, ao final, acabaram não saindo.

O interessante é que quando se apresenta para inaugurações e outros tipos de ações de autopromoção, Pezão não escolhe ficar trancado a quatro chaves. Mas o mais lamentável é que tendo a oportunidade de ter uma conversa franca e aberta, utilizando o centro de convenções da UENF, Pezão acabou recebendo as lideranças sindicais num prédio que, ironicamente, possui apenas uma porta de entrada e saída.

Mas uma coisa é certa: Pezão perdeu uma excelente oportunidade para melhorar um pouco a péssima imagem que seu (des) governo tem dentro da UENF neste momento. 

Abaixo algumas cenas das manifestações que ocorreram hoje no campus da UENF.

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