A proto candidatura Luciano Huck como expressão do vácuo político brasileiro

Confesso que nos últimos 7 anos pouco vi ou ouvi do apresentador global Luciano Huck depois que optei por não ter a TV Globo como um dos canais a que assisto. Mas lembro bem do início dele em meio a Tiazinhas e Feiticeiras no programa de triste memóriam, o “H” que ao ar nos de 1990 na Band TV, e de como ele tentou usar o seu programa “Caldeirão do Huck” como uma espécie de “match maker” para jovens brasileiras e visitantes estrangeiros durante a última Copa do Mundo no natimorto quadro “Namorada para Gringo” [1].

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Mas também acompanhei as idas e vindas de Luciano Huck com amigos que hoje se encontram totalmente encalacrados em situações complicadas com a justiça, incluindo o ainda senador Aécio Neves e o ainda empresário Joesley Batista. E não esqueçamos também do ex-bilionário Eike Batista.

Aliás, um dos vídeos mais acessados deste blog é um que mostra Luciano Huck fugindo do local onde Aécio Neves acompanhava com quase certeza as apurações das eleições presidenciais de 2014 (ver abaixo).

Nos últimos tempos foi acrescida  a este compêndio de relações problemáticas a informação de que a Body Tech, academia em que tinha como sócio o empresário Alexandre Accioly era uma espécie de ponta para o esquema de propinas do ainda senador Aécio Neves [2].

Aécio Neves e Alexandre Accioly. Foto: Reprodução Rede Social

Por outro lado, não consigo esquecer que Luciano Huck teve uma lei especialmente aprovada para sí pelo hoje aprisionado ex (des) governador Sérgio Cabral para que pudesse manter uma casa em área de proteção ambiental no litoral do município de Angra dos Reis [3]

Mas se Luciano Huck é essa figura com pendores para relações pessoais pouco lustrosas e negócios um tanto obscuros, por que raios ainda se está gastando tempo para discutir uma possível candidatura do dublê de apresentador e empresário à presidência do Brasil? A resposta mais provável se dá pelo fato de que na esterilização do sistema político que a chamada Operação Lava Jato acabou causando, as elites econômicas que apoiaram o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff estejam reconhecendo que o processo também lhes privou de quadros mais preparados. Daí que Luciano Huck acaba aparecendo como uma opção palatável, especialmente para as Organizações Globo.

O problema dessa candidatura nem é tanto a tentativa de vender o velho pelo novo, mas sim o fato de que Luciano Huck é apenas mais um desses que se eleito vai agir para aumentar ainda mais o já profundo fosso social em que está metida a maioria do povo brasileiro.

Enfim, pode-se dizer que com Luciano Huck presidente a imensa maioria pobre do povo brasileiro não precisará mais de intermediários para acabar no caldeirão. Por essa e outras que entendo agora perfeitamente porque o Brasil inspirou a Claude Lévi-Strauss a publicar em 1955 o seminal livro “Tristes trópicos”. 


[1] http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/bombardeado-na-internet-huck-rebate-criticas-a-quadro-de-namoro-3895

[2] http://www.srzd.com/brasil/aecio-50-milhoes-propina-via-bodytech-de-aciolly-e-huck/

[3] ww.estadao.com.br/noticias/geral,decreto-de-cabral-favoreceu-cliente-de-sua-mulher-em-angra,502671

A salvação de Aécio Neves e o silêncio dos paneleiros

A salvação do mandato do senador tucano Aécio Neves (PSDB/MG) por um placar elástico (44 a 26) demonstra mais uma vez que a cassação do mandato presidencial de Dilma Rousseff nunca se deu por causa do combate à corrupção.  É que evidências não faltam para implicar Aécio Neves em todo tipo de estripulias nada republicanas que justificam amplamente a retirada do seu mandato.

Quem ouviu as falas de seus defensores e até de parte dos que votaram pela cassação de seu mandato pode notar que, por detrás dos discursos de defesa da democracia se escondia o mais puro corporativismo, visto que boa parte dos senadores responde a uma série de processos criminais que igualmente justificam a perda do posto que ocupam. 

Esse corporativismo, há que se notar, vai além dos limites do Senado Federal já que expressa a opção das elites brasileiras por legisladores que lhes permitam continuar por cima de uma pirâmide social marcada pela profunda desigualdade social e por práticas que remontam ao período colonial. Exemplo disso foi o abrandamento da definição de trabalho escravo pelo presidente “de facto” Michel Temer que sinaliza a facilitação da ação de patrões que desejem tornar seus empregados em escravos.

Tenho que dizer que nada disso me surpreende. Aliás, ainda fico surpreso com a surpresa de muitos que olham para essa situação toda com sincero pasmo frente à fome por mais medidas de retrocesso social. É que olhando a história brasileira, toda sinalização de modernização da nossa sociedade sempre foi acompanhada de forte reação por parte dos que de fato controlam o estado brasileiro.

Entretanto, não deixa de ser pedagógico notar o silêncio daqueles setores que foram Às ruas para adotar o pato amarelo. Para onde foi toda aquela massa indignada que protestava contra a corrupção e os riscos de bolivarizar o Brasil? Toda aquela gente deve estar agora recolhida em alegria e júbilo por ter servido bem à causa da perpetuação das abjetas condições em que vive a maioria dos brasileiros. 

A questão é que toda essa alegria e júbilo expressa claramente as estruturas que ainda controlam a sociedade brasileira. E quem pensar que tudo isso será alterado por uma forma canhestra de republicanismo, que pense de novo.  Aliás, pensar é pouco, há que se começar a agir e trabalhar pela construção de uma sociedade totalmente diferente. É que dos adoradores do pato amarelo, não há o que se esperar, a não ser a postura de servos obedientes de uma sociedade que teima em continuar sendo colonial. 

Ah, sim, voltando a Aécio Neves, este está transformado numa espécie de fantasma da política brasileira que teimará continuar arrastando suas pesadas correntes pelos corredores do Senado Federal.  É que se há uma coisa que uma sociedade colonial tende a repudiar são aqueles personagens que não se mostram à altura da tarefa de perpetuar suas perversões.

Finalmente, alguém saberia dizer quem é o senador Eduardo Lopes (PRB/RJ) que votou pela absolvição de Aécio Neves? Pelo partido, já se pode inferir que seja bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e suplente de Marcelo Crivela. Mas mais do que isso, alguém saberia alguma coisa? Aliás, pensando bem, precisaria saber algo a mais?

Bolsa de”reforço escolar” para ex-esposa de Sérgio Cabral mostra que a crise fluminense é altamente seletiva

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Graças a um colega que também é docente na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), fiquei sabendo que a ex-esposa, e primo do senador tucano Aécio Neves, Susana Neves Cabral foi agraciada, em tempo recorde, com a concessão de uma bolsa de “reforço escolar” pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro onde atua como assessora no gabinete da presidência [1]

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Como fiquei curioso com tamanha velocidade e o valor da “bolsa”, resolvi verificar se havia mesmo uma publicação no Diário Oficial da Alerj sobre tal concessão, e eis que a mesma realmente foi realmente publicada no dia de hoje (31/08).

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Em princípio há que se mencionar que Susana Neves Cabral e realizou um pedido a um benefício que parece ter pleno direito enquanto servidora comissionada da Alerj. Entretanto, não só a velocidade da tramitação como o valor do benefício tornam explicito o fato de que a crise que está ocorrendo no Rio de Janeiro possui traços de alta seletividade. E bota seletividade nisso!

Só para que se tenha uma comparação, diversos docentes da Uenf tiveram seu processo de enquadramento funcional concluído ainda em 2016, mas tudo foi paralisado pela Secretaria de Fazenda e Planejamento que exigiu o estabelecimento de critérios mais rigorosos para que os mesmos fazem jus aos ganhos que já provaram ser merecedores. Parece contraditório, mas é só é  tratamento seletivo.


[1] http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/alerj-concede-bolsa-ex-mulher-de-cabral.html

A propina do JBS como ela é, só que na imprensa internacional

Nas primeiras horas desta 5a. feira já se sabe que o fogo iniciado pela revelação das gravações secretas feitas pelo pessoal da JBS Friboi com o presidente “de facto” Michel Temer e o agora o quase ex-senador Aécio Neves (PSDB/MG) (Aqui!) vai arder muito forte nos próximos dias, novamente tenho que recorrer à mídia internacional para ler as coisas como elas realmente são, a começar pelas manchetes (ver reproduções abaixo).

A minha manchete favorita é o do jornal britânico “The Guardian” que tascou o seguinte “Brazil: explosive recordings implicate President Michel Temer in bribery” ou em bom português “Brasil: gravações explosivas implicam presidente Michel Temer em suborno”. 

Desafio a qualquer um dos leitores deste blog a procurarem uma manchete similar na mídia brasileira. Aviso que dificilmente ela será encontrada, pois apesar de todas as evidências e reações populares às revelações das relações nada republicanas entre Michel Temer, Aécio Neves e os donos da JBS Friboi, nada tão enfático foi dito. Poderia se culpar até a questão do estilo de cada idioma, mas o buraco é mais embaixo.

A verdade é que boa parte da mídia corporativa brasileira participou da engenharia que levou Michel Temer, o PSDB e o DEM ao controle do governo federal a partir do impeachment canhestro de Dilma Rousseff. Agora que está evidente que a saída de Rousseff sob a alegação de pedaladas fiscais foi apenas uma desculpa barata, os barões da mídia brasileira estão enredados no mesmo lamaçal do governo que ajudaram a criar. 

Eu que não votei na chapa Dilma/Temer e, tampouco, em Aécio Neves,  vejo que estamos diante de um momento único na história do Brasil.  E penso que a hora é de declarar imediatamente uma greve geral contra todos os retrocessos que estão sendo engendrados pelo governo naufragado de Michel Temer. Se depois ocorrerão eleições diretas para presidente não me parece ser o principal, pois há que se derrotar agora todos os planos anti-populares e anti-nacionais que Michel Temer e sua turma estão tentando colocar goela abaixo da classe trabalhadora brasileira.

E antes que me esqueça: Fora Temer e leva o Pezão junto!

 

JBS joga bomba atômica no governo Temer, e ainda leva Aécio Neves junto

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Michel Temer ao lado de Joesley Batista, um dos donos do Grupo JBS, durante inauguração de fábrica de celulose em Três Lagoas (MS) em 2012.

A situação política brasileira que já andava complicada subiu mais um degrau no sentido do caos no dia de hoje com a delação dos donos do Grupo JBS envolvendo diretamente o presidente “de facto” Michel Temer em uma série de atos nada republicanos.   O furo de reportagem que foi dado inicialmente pelo jornalista Lauro Jardim  (Aqui!), mas está se alastrando como fogo em canavial seco pela mídia nacional, internacional e na blogosfera (Aqui!AquiAqui! e Aqui!).

O teor da delação dos donos do JBS é especialmente danoso para Michel Temer, na medida em que as tratativas envolveram não apenas a passagem de dinheiro quando ele já era presidente, mas também a informação de que após ser informado empresa estava comprando o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha,  Temer sinalizou com a necessidade de que o mesmo fosse mantido calado.

Outro que foi envolvido nas delações da JBS, surpresa das supresas, é o senador tucano Aécio Neves que teria sido gravado requerendo  R$ 2 milhões sob a justificativa de que precisava dos recursos para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

Um detalhe particularmente explosivo é que as entregas feitas pelo Grupo JBS para atender os pedidos de Michel Temer e Aécio Neves teriam seguido orientações da Polícia Federal que não apenas gravou as entregas, mas também utilizou mecanismos de rastreamento das cédulas e das malas em que as mesmas foram carregadas.

Diante de tanto detalhe, não há como esperar que os próximos dias não sejam especialmente atribulados em Brasília e em outras partes do Brasil, começando por Minas Gerais. É que a estas alturas, outros políticos já sabem que também foram gravados pelo pessoal do JBS. Haja rivotril!