Bolsa de”reforço escolar” para ex-esposa de Sérgio Cabral mostra que a crise fluminense é altamente seletiva

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Graças a um colega que também é docente na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), fiquei sabendo que a ex-esposa, e primo do senador tucano Aécio Neves, Susana Neves Cabral foi agraciada, em tempo recorde, com a concessão de uma bolsa de “reforço escolar” pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro onde atua como assessora no gabinete da presidência [1]

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Como fiquei curioso com tamanha velocidade e o valor da “bolsa”, resolvi verificar se havia mesmo uma publicação no Diário Oficial da Alerj sobre tal concessão, e eis que a mesma realmente foi realmente publicada no dia de hoje (31/08).

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Em princípio há que se mencionar que Susana Neves Cabral e realizou um pedido a um benefício que parece ter pleno direito enquanto servidora comissionada da Alerj. Entretanto, não só a velocidade da tramitação como o valor do benefício tornam explicito o fato de que a crise que está ocorrendo no Rio de Janeiro possui traços de alta seletividade. E bota seletividade nisso!

Só para que se tenha uma comparação, diversos docentes da Uenf tiveram seu processo de enquadramento funcional concluído ainda em 2016, mas tudo foi paralisado pela Secretaria de Fazenda e Planejamento que exigiu o estabelecimento de critérios mais rigorosos para que os mesmos fazem jus aos ganhos que já provaram ser merecedores. Parece contraditório, mas é só é  tratamento seletivo.


[1] http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/alerj-concede-bolsa-ex-mulher-de-cabral.html

A propina do JBS como ela é, só que na imprensa internacional

Nas primeiras horas desta 5a. feira já se sabe que o fogo iniciado pela revelação das gravações secretas feitas pelo pessoal da JBS Friboi com o presidente “de facto” Michel Temer e o agora o quase ex-senador Aécio Neves (PSDB/MG) (Aqui!) vai arder muito forte nos próximos dias, novamente tenho que recorrer à mídia internacional para ler as coisas como elas realmente são, a começar pelas manchetes (ver reproduções abaixo).

A minha manchete favorita é o do jornal britânico “The Guardian” que tascou o seguinte “Brazil: explosive recordings implicate President Michel Temer in bribery” ou em bom português “Brasil: gravações explosivas implicam presidente Michel Temer em suborno”. 

Desafio a qualquer um dos leitores deste blog a procurarem uma manchete similar na mídia brasileira. Aviso que dificilmente ela será encontrada, pois apesar de todas as evidências e reações populares às revelações das relações nada republicanas entre Michel Temer, Aécio Neves e os donos da JBS Friboi, nada tão enfático foi dito. Poderia se culpar até a questão do estilo de cada idioma, mas o buraco é mais embaixo.

A verdade é que boa parte da mídia corporativa brasileira participou da engenharia que levou Michel Temer, o PSDB e o DEM ao controle do governo federal a partir do impeachment canhestro de Dilma Rousseff. Agora que está evidente que a saída de Rousseff sob a alegação de pedaladas fiscais foi apenas uma desculpa barata, os barões da mídia brasileira estão enredados no mesmo lamaçal do governo que ajudaram a criar. 

Eu que não votei na chapa Dilma/Temer e, tampouco, em Aécio Neves,  vejo que estamos diante de um momento único na história do Brasil.  E penso que a hora é de declarar imediatamente uma greve geral contra todos os retrocessos que estão sendo engendrados pelo governo naufragado de Michel Temer. Se depois ocorrerão eleições diretas para presidente não me parece ser o principal, pois há que se derrotar agora todos os planos anti-populares e anti-nacionais que Michel Temer e sua turma estão tentando colocar goela abaixo da classe trabalhadora brasileira.

E antes que me esqueça: Fora Temer e leva o Pezão junto!

 

JBS joga bomba atômica no governo Temer, e ainda leva Aécio Neves junto

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Michel Temer ao lado de Joesley Batista, um dos donos do Grupo JBS, durante inauguração de fábrica de celulose em Três Lagoas (MS) em 2012.

A situação política brasileira que já andava complicada subiu mais um degrau no sentido do caos no dia de hoje com a delação dos donos do Grupo JBS envolvendo diretamente o presidente “de facto” Michel Temer em uma série de atos nada republicanos.   O furo de reportagem que foi dado inicialmente pelo jornalista Lauro Jardim  (Aqui!), mas está se alastrando como fogo em canavial seco pela mídia nacional, internacional e na blogosfera (Aqui!AquiAqui! e Aqui!).

O teor da delação dos donos do JBS é especialmente danoso para Michel Temer, na medida em que as tratativas envolveram não apenas a passagem de dinheiro quando ele já era presidente, mas também a informação de que após ser informado empresa estava comprando o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha,  Temer sinalizou com a necessidade de que o mesmo fosse mantido calado.

Outro que foi envolvido nas delações da JBS, surpresa das supresas, é o senador tucano Aécio Neves que teria sido gravado requerendo  R$ 2 milhões sob a justificativa de que precisava dos recursos para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

Um detalhe particularmente explosivo é que as entregas feitas pelo Grupo JBS para atender os pedidos de Michel Temer e Aécio Neves teriam seguido orientações da Polícia Federal que não apenas gravou as entregas, mas também utilizou mecanismos de rastreamento das cédulas e das malas em que as mesmas foram carregadas.

Diante de tanto detalhe, não há como esperar que os próximos dias não sejam especialmente atribulados em Brasília e em outras partes do Brasil, começando por Minas Gerais. É que a estas alturas, outros políticos já sabem que também foram gravados pelo pessoal do JBS. Haja rivotril!

Prêmio Isto É e as mostras de amizade explícita entre Sérgio Moro e Aécio Neves

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Foto de Diego Padgurschi

A mídia corporativa e a blogosfera estão hoje mostrando imagens da entrega de prêmios para personalidades que é feita anualmente pela revista IstoÉ (que alguns chamam maldosamente de “QuantoÉ”).  Entre os premiados estava o juiz Sérgio Moro que foi premiado como “Homem da Justiça do Ano” (Aqui!).

Até aí tudo bem, pois Sérgio Moro é uma estrela, especialmente entre aqueles setores que prezam menos a justiça, e mais o justiçamento, o que anda bastante abundante no Brasil nos dias de hoje. Especialmente se o alvo do justiçamento for um político visto como sendo de esquerda ou minimamente comprometido com os setores populares.

Agora, como o respeito à justiça depende em grande medida da expectativa que todos são iguais perante à lei (e por extensão perante aos juízes), o que dizer das imagens abaixo que mostram um congraçamento para lá de animado entre o juiz Sérgio Moro e o senador tucano Aécio Neves? Não custa lembrar que quase todo o Brasil já sabe que Aécio Neves é um dos políticos mais citados por delatores do escândalo da Lava Jato, e ainda continua completamente impune.

Fotos de Diego Padgurschi

Antes que alguém apareça para dizer que essas fotos foram editadas no Photoshop para fazer Sérgio Moto aparecer mal, me desculpem o trocadilho, na fotografia, avise logo que elas estão disponíveis de forma ampla, inclusive em veículos da mídia corporativa.

O que me espanta nesse congraçamento entre Moro e Aécio Neves é o descuido com, pelo menos, a imagem de isonomia no tratamento de acusados. Esse descuido poderá, inclusive, facilitar a vida de personagens que efetivamente praticaram crimes contra o Brasil. É que agora ficará muito mais difícil defender a imparcialidade de Sérgio Moro, já que a amizade dele com Aécio está agora documentada.

Aos que acreditam que Sérgio Moro é o salvador da Pátria, estas imagens certamente não vão abalar muito, pois muitos são eleitores de Aécio Neves. Agora aos que sempre duvidaram da imparcialidade da Lava Jato, essas imagens servirão como uma confirmação do que sempre foi dito. E isto certamente aumentará as clivagens já existentes na sociedade brasileira. Até por causa disso, Sérgio Moro deveria ter sido mais cuidadoso. 

Placar das delações mostra Aécio 8 x Mantega 1. Por que só o ex-ministro foi em cana?

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Tenho amigos que acreditam piamente na imparcialidade dos procuradores da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro. Eu, confesso, nunca me deixei levar por essa euforia punitiva que cerca os torquemadas curitibanos.

É que tendo Sérgio Moro conduzido os casos do Banestado e de uma tal operação “Castelo de Areia” que acabaram anulados pela própria justiça por erros de condução do ilustríssimo magistrado, sempre me reservei ao direito da desconfiança. Deve ser que como paranaense da região dos Campos Gerais, sei bem como funciona a justiça no Paraná.

Agora, vejamos dois casos bastante díspares em termos de delações e os rumos completamente opostos que eles tiveram até o momento.  O primeiro é o do senador e ex-governador tucano Aécio Neves que foi delatado em pelo menos 8 depoimentos.  E o que aconteceu até agora com ele? Absolutamente nada!

Já o ex-ministro Guido Mantega (PT) foi denunciado uma única vez, e logo por Eike Batista! O que aconteceu com ele? Foi indiciado e finalmente preso hoje no momento em que acompanhava uma operação cirúrgica de seu esposa que sofre de câncer.

Ainda que posteriormente Sérgio Moro tenha revogado a prisão temporária de Guido Mantega, a exposição dele e do PT já se deu com evidentes prejuízos pessoais para o ex-ministro e eleitorais para o seu partido.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: não dá para o pessoal da Lava Jato pelo menos tentar disfarçar a parcialidade de suas ações?

Finalmente, quem é que hoje compraria um prego que fosse de Eike Batista? Será que ele como delator é mais confiável do que como empresário? Sei lá, posso ser apenas eu, mas Eike Batista não me parece confiável nem como dedo duro.