Quem tem medo do Petrolão? Mais fácil perguntar quem não tem

Enquanto muitos cidadãos, alguns até honestos, ficam esperneando nas ruas e pedindo o impeachment de Dilma Rousseff por causa do chamado escândalo do Petrolão que, aliás, deveria ser chamado de “estripulias das grandes construtoras”,  os principais líderes do PSDB agora adotaram um tom estranhamento conciliador.

Eu até estranharia se não tivesse acessado a figura que vai abaixo e que mostrar algo bastante interessante: seis das nove empreiteiras citadas no caso do Petrolão financiaram a campanha do candidato Aécio Neves! Em outras palavras, os grandes doadores da campanha de Aécio Neves estão agora enrascados com a justiça.

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Por essas e outras é que eu quero ver até onde vai a apuração desse escândalo. É que seria uma verdadeira revolução nos modos e costumes da política nacional se todos os culpados, e não apenas os petistas, fossem parar nas barras dos tribunais.  Mais fácil é tudo terminar em pizza! A ver!

Uma canção para os eleitores derrotados de Aécio Neves que querem abandonar o Brasil

Depois de ler uma série de declarações preconceituosas de eleitores desiludidos de Aécio Neves que querem ir embora do Brasil por causa da ditadura comunista do PT (essa é uma piada bacana!), resolvi dedicar uma canção para que eles se sintam mais reconfortados em seu dia de pós-derrota. E se gostarem, pode levar colocar num pen drive e ir ouvindo até onde quer que seja que eles decidam levar suas existências rasas.

 

Povo do Tucanistão vai votar com sede

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Uma das manobras mais astutas dessa campanha eleitoral foi a ocultação de que os tucanos colocaram São Paulo numa situação de risco hídrico.  Com isso o membro favorito da Opus Dei se reelegeu com tranquilidade.

Agora que a verdade se mostrou impiedosa e a falta de água atinge milhões de paulistas o custo eleitoral poderá cair no colo de Aecio Neves.

Já para Geraldo Alckmin,  o problema vai ficar muito difícil na próxima segunda feira.  Ganhe quem ganhar a presidência.

Rasgando a fantasia meritocrática de Aécio Neves

Muito além do mito

por Wagner Xavier, Belo Horizonte

Aécio Cunha Neves nasceu em 10 de março de  1960, em Belo Horizonte,  filho de Aécio Ferreira da Cunha (1927 – 2010, Teófilo Otoni), e Inês Maria Neves da Cunha (1939, filha de Tancredo Neves). O Pai de Aécio foi deputado durante os anos de 1954 a 1987. Em 1954, ele foi eleito parlamentar com os votos do Vale do Mucuri, apesar do seu pouco conhecimento da região, mudou-se para lá somente três anos antes da eleição. Filho do também político Tristão da Cunha – deputado estadual (PRM) e Deputado Federal, o avô do senador Aécio e um dos assinantes do Manifesto dos Mineiros.

Em 1972, aos 12 anos, ele se mudou para o Rio de Janeiro – Avenida Vieira Souto – um amplo apartamento, no seio da burguesia carioca. Mesmo morando no Rio, com 17 anos de idade, ocupou o cargo de Secretário de Gabinete Parlamentar em Brasilia até 1981. Em 1982 volta para BH, para ser secretário particular do seu avô Tancredo Neves – PMDB, que em 1983 assume o governo de Minas Gerais. Após a morte do avô, Aécio Neves e eleito deputado federal em 1986, com 236.019 votos, pelo PMDB –  seu pai, Aécio Cunha, era candidato a vice na outra chapa. Em 1990, já no PSDB, é reeleito, com somente 42.412 votos – 17.9% dos votos que teve quatro anos antes.

Sua primeira grande derrota aconteceu em 1992, como candidato a prefeito de BH. Nessa eleição, triunfou Patrus Ananias, e Aécio ficou em terceiro lugar. Em 1994, Aécio se elege Deputado Federal com uma boa votação, passando de 42 mil votos para 105.385. Foi reeleito 4 anos depois com 185.050.

Aécio Cunha Neves unifica duas vertentes da política mineira, no entanto, gosta de falar de uma somente, a do lado materno – mesmo assim reescrevendo-a, ao seu estilo de censor. Nessa bibliografia aparece um Tancredo de Almeida Neves (1910), político de São João Del Rei, que foi Ministro da Justiça (1953) de Getúlio Vargas e foi Diretor do Banco de Credito de Minas Gerais e do Banco do Brasil. Tancredo casa-se com Risoleta Guimarães Tolentino Neves (1917), nascida em Cláudio – Oeste de Minas Gerais. Risoleta morreu em 2003 no Rio de Janeiro. Em 1939 nasceu Inês Maria Tolentino Neves que com 17 anos (1958), casa-se com Aécio Ferreira da Cunha, com quem tem três filhos – Andrea Neves da Cunha (1959); Aécio Neves da Cunha (1960) e Ângela Neves da Cunha (1962). Em 1984, Inês tem o segundo casamento com o Banqueiro Gilberto de Andrade Faria, que foi Presidente do Banco da Lavoura e do Banco Bandeirante.

Os Cunha/Neves tem outro ramo familiar que pouco aparece – Aécio Ferreira da Cunha, 1927, filho de Tristão Ferreira da Cunha. Há quem diga que esse é o lado familiar que Aécio Cunha Neves tenta deletar da sua história. Tristão Cunha, político conservador de família tradicional de Teófilo Otoni, assina em 1937 o Manifesto dos Mineiros – contra Getúlio Vargas. A cronologia política mostra que Tristão foi Secretário da Educação e Saúde (1945) e no ano seguinte foi eleito deputado federal, até 1962. Seu filho Aécio Ferreira da Cunha é eleito deputado Estadual em 1954 e 1958. Tristão Cunha e seu filho “Aécio pai” apoiam o golpe militar. Tristão Cunha ocupa o cargo de presidente do CADE, até falecer. Na eleição de 1962, o pai do senador mineiro e presidenciável tucano, Aécio Cunha, recebe dinheiro do IBAD e ONGs ligadas aos EUA para ajudar a preparar o golpe militar. Aécio Cunha -pai -, é eleito deputado federal de 1962 a 1986, pela ARENA, PDS e PFL, (foi presidente Estadual da ARENA) e em 1986 foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Itamar Franco, que perdeu a eleição para Newton Cardoso e Júnia Marise. O pai de Aécio faleceu em 2010.

Aécio fica até os 22 anos no Rio, morando na Av. Vieira Souto, onde desfruta da boa vida da elite carioca. Nesse período, de costas para os conflitos que aconteciam durante a ditadura, o jovem Aécinho curte a vida de bom surfista e das boas baladas na noite carioca. Em 1982, com a eleição de seu avô materno, Tancredo Neves, Aécio volta para a terra natal (Belo Horizonte), onde conclui seus estudos no curso de economia, na PUC do bairro Dom Cabral. Aqui cabe explicar que nos seus anos estudantis, ele não participa do Movimento Estudantil. No mesmo ano, Aecinho, como é chamado pela família, ocupa o cargo de secretário particular do avô, Tancredo Neves, até a morte em 21 de abril de 1985. Com o falecimento do avô, ele é nomeado por José Sarney para dirigir a Caixa Econômica Federal – (nossa que família que gosta de um cargo num Banco Público).

De diretor do banco estatal, Aécio é eleito deputado federal em 1986 com 236.019 votos, a maior votação de Minas. Especialistas políticos desse período são unanimes em avaliar que nesse pleito, Aécio estava na chapa vitoriosa de Newton Cardoso/Júnia e que o segundo colocado da chapa concorrente estava seu próprio pai, do PFL, como vice de Itamar (PL). Uma super estratégia, já que Aécinho mantinha assim os pés nas duas chapas.

No senado, Aécio Cunha Neves, se especializou em denunciar o “carginhos dos companheiros do PT” mais eleito senador por Minas Gerais, arrumou um cargo de Vice-Presidente da COPASA para o seu Primeiro Suplente – Elmiro Nascimento Democrata(ex-PFL) -fazendeiro e ex-prefeito de Patos de Minas- e ainda para o seu Segundo Suplente – Tilden Santiago – um cargo de Diretor da COPASA.

A família Cunha Neves, adora um cargo público, principalmente se for de um Banco Estatal ou empresas de energia elétrica.

 

Nome Cargo Estatal Período
Tancredo Neves Diretor Banco do Brasil JK
Tancredo Neves Presidente Banco Crédito de MG Clóvis Salgado
Tristão Cunha Presidente CADE Ditadura Militar
Aécio Ferreira Cunha Presidente do Conselho de Administração BNDES Itamar
Aécio Ferreira Cunha Conselheiro Furmas Itamar
Aécio Ferreira Cunha Conselheiro CEMIG Até falecimento.
Aécio Neves Diretor Caixa Econômica Federal Governo Sarney

são anos de aparelhismo.  Aécio tenta criar, com auxilio de muitos, uma imagem positiva de grande estrategista, mais quando não tem a irmã perto, fala coisa que não devia. Como diz o Ciro Gomes, “Aécio não lê e não formula”  mais Aécio já tirou esta frase da globosfera assim como tirou o resultado da sua derrota na eleição na Prefeitura de BH. 

FONTE:  Notícias Brasil de Fato

Marina e Aécio: apoio a tucano será o beijo da morte na “Nova Política”

Não sou daqueles que demonizam Marina Silva. Afinal, para mim ela é apenas mais uma daquelas figuras que tendo uma trajetória de luta em algum momento do percurso decidem passar para o lado do sistema.   Assim, se olharmos suas práticas e costumes desde os tempos em que ocupou o posto de ministra do Meio Ambiente, o que veremos é uma mistura de personalismo e uma opção por fazer política como se não existissem contradições de classe num país tão marcado por profundas diferenças de distribuição da riqueza.

Mais recentemente Marina Silva aprofundou essa fórmula de fazer política e cunhou até o rótulo da “Nova Política” em contraposição sabe-se lá a que, pois a única menção explícita era uma suposta negação a “tudo que está ai”. Contraditoriamente, esta forma despolitizadora do debate a colocou no campo do que há de mais velho na política brasileira, com reminiscências no moralismo da União Democrática Nacional (UDN) de Carlos Lacerda, ainda que revestida com o verniz do ambientalismo e uso das noções de sociedade em rede.

O interessante é que agora que foi novamente derrotada na corrida presidencial, Marina Silva está tentada a apoiar Aécio Neves, o que implicará em um abraço do que há de mais perverso na política brasileira, visto não apenas as práticas que emanam dos anos de governo mineiro com a construção de aeroportos particulares com dinheiro público, mas também pelo receituário profundamente anti-popular que o neto de Tancredo aplicou em Minas Gerais.

Agora, se esse apoio for confirmado, o que estaremos presenciando é o beijo da morte na “Nova Política” de Marina. Simples assim!