Eu vi o horror e vos acuso!, por Andréa Zhouri

Por CombateRacismoAmbiental

 É meu dever: não quero ser cúmplice. Todas as noites eu veria o espectro do inocente que expia cruelmente torturado, um crime que não cometeu.

Por isso me dirijo a vós gritando a verdade com toda a força da minha rebelião de homem honrado.
Estou convencido de que ignorais o que ocorre. Mas a quem denunciar as infâmias desta turba de malfeitores, de verdadeiros culpados, senão ao primeiro magistrado do país?!
(…) Antes de tudo, a verdade sobre o processo e a condenação de Dreyfus. (…)

(Emile Zola, Eu acuso. O Processo do Capitão Dreyfus, 1898)

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Eu vi o horror. E não foi no século 19, nas trevas do Congo de Joseph Conrad ou na Amazônia selvagem de Roger Casement. Eu vi o horror em pleno século 21, no dia 29 de setembro de 2014, a uma semana das eleições, em um ginásio poliesportivo em Diamantina, Minas Gerais, Brasil.

Num ritual macabro de tortura psicológica e emocional que durou aproximadamente 11 horas, a Unidade Colegiada do Conselho de Política Ambiental de Minas Gerais, a URC-Jequitinhonha, performou um simulacro de democracia para conceder a Licença de Operação para a criminosa empresa mineradora da Africa do Sul, a Angloamerican.

Funcionários técnicos da empresa levaram trabalhadores uniformizados que, constantemente atiçados pelos mesmos, xingavam seus parentes comunitários, lavradores idosos, homens e mulheres que há muito lutam por seus direitos sistematicamente violados pela empresa com a conivência do governo do estado de Minas Gerais: direito à terra e à água, direito de serem vistos e ouvidos como cidadãos da nação brasileira. Eu vi uma empresa sem compostura, sem dignidade, cruel, covarde e cínica. Eu vi governantes mineiros exatamente da mesma forma. Eu vi conselheiros imorais, subservientes, fantoches. Eu vi técnicos incompetentes e irresponsáveis.

O povo sentado nas arquibancadas, longe da mesa decisória, longe dos olhos dos conselheiros, cercados de policiais fortemente armados que guardavam somente um dos lados da arquibancada, aquele onde estava o povo sofrido, “massacrado”, em suas próprias palavras, pelo projeto Minas-Rio.

Eu vi o coronelismo ainda vivo, a herança latifundiária que massacrou índios e escravos no Brasil colônia e continua a fazê-lo até os dias de hoje, sob o pretexto de representarem a modernidade e o desenvolvimento de Minas Gerais. Lavradores e lavradoras, a maioria composta por afro-descendentes, foram chamados de oportunistas e gente de má-fé. Conselheiros, dentre os poucos que se pronunciaram, anunciaram explicitamente que  “não precisavam fazer o correto”. Eu vi o desmanche das instituições construídas arduamente pela sociedade brasileira. Eu vi o mandonismo, a confiança na impunidade.

Eu vi a alegria sádica dos funcionários técnicos da Angloamerican, que como num rinque de box, riam e jogavam palavras de escárnio na cara de homens e mulheres idosas do campo brasileiro que passam por um sofrimento social incalculável. Eu vi como os pobres, negros e rurais são pisados e humilhados. Mas eu vi esse mesmo povo lutar bravamente, gritar por seus direitos, dizer a verdade na cara do poder. Eu vi a união e a força daqueles que nunca desistem.

Por isso eu acuso.

A insensibilidade e a crueldade da gente branca, rica, letrada e desenvolvida, responsável pelo atraso brasileiro.

Gestores públicos sem honra, sem compostura, sem compromisso, sem responsabilidade.

Por isso eu vos acuso! Aécio Neves, Alberto Pinto Coelho e todo o governo de Minas Gerais.

Eu acuso Alceu Torres, Danilo Vieira, Rodrigo (técnico da SUPRAM-Jequitinhonha) de cinismo, incompetência, imoralidade na condução da sessão de tortura moral que foi a reunião da URC Jequitinhonha no dia 29 de setembro.

Eu acuso os conselheiros da URC-Jequitinhonha que votaram a favor desta licença criminosa na pessoa de Andreza Lemos Meira, representante de instituição científica e de pesquisa, de produção de conhecimento e notório saber. Em 11 horas de reunião, após ouvir denúncias seríssimas, pronunciamentos de três professores doutores de uma universidade federal, pronunciamentos de alunos que fazem pesquisas na área do projeto, a conselheira sequer fez uma única pergunta. Atitude incompatível a qualquer cientista ou pesquisador. Acuso-a de ocupar indevidamente uma cadeira do COPAM na condição de pesquisadora, cientista ou pessoa de notório saber. No seu lattes consta apenas graduação em direito obtida ainda em ano recente (2010).

Eu acuso a URC Jequitinhonha e a Anglo American da promoção consciente e planejada do sofrimento social, da inauguração de nova modalidade de sofrimento, o sofrimento científico, e do crime de racismo ambiental.

Andréa Zhouri, cidadã brasileira.

Enviada para Combate Racismo Ambiental por Carlos Alberto Dayrell.

FONTE: http://racismoambiental.net.br/2014/10/eu-vi-o-horror-e-vos-acuso-por-andrea-zhouri-denuncia-forte-e-corajosa-que-precisa-ser-espalhada/

Assim é fácil! PSDB paga R$ 2,5 mi por ações de ‘militância’

‘Cabos’ são usados em atividades de rua e para garantir imagens de TV. Especialistas não veem ilegalidade se todos forem identificados

PSDB paga R$ 2,5 mi por ações de 'militância'

O comitê financeiro da campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB) pagou em agosto cerca de R$ 2,5 milhões à uma empresa de eventos por um serviço descrito como “atividades de militância e mobilização de rua”. 

Com sede no Rio de Janeiro, a Entreter Festas e Eventos “forneceu” para a campanha do tucano 1.112 cabos eleitorais. As candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) não registraram o mesmo serviço em suas prestações de contas com essa descrição. 

Segundo a campanha tucana, as despesas pagas para a Entreter são de serviços de “adesivação de veículos” e o custo total engloba gasto com gasolina, transporte e outros itens, e “não são apenas salários”. Especialistas em legislação eleitoral ouvidos pelo Estado dizem que a contratação de cabos eleitorais não é ilegal, mas as campanhas precisam informar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os dados de cada um dos funcionários. 

“O gasto é lícito desde que a empresa apresente a relação individualizada de todo o pessoal contratado”, afirma o advogado Silvio Salata, membro da comissão nacional de direito eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O comitê do tucano não informou, até as 20 horas de ontem, se indicou os dados de seus cabos eleitorais na prestação de contas que foi enviada. Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, Aécio Neves (PSDB) tem utilizado cabos militantes profissionais para engrossar suas atividades de rua e, ao mesmo tempo, garantir boas imagens para o horário eleitoral gratuito e para os telejornais. 

Corte. Em Minas Gerais, o comitê da dobradinha tucana Pimenta da Veiga (candidato a governador)-Aécio Neves promoveu na semana passada um corte em sua equipe de “cabos eleitorais”. Pelos menos 200 funcionários designados para atividades de rua foram dispensados da campanha. 

A reportagem apurou que o PSDB pagou entre R$ 700 e R$ 1.200 para cada cabo eleitoral atuar em um regime de dedicação exclusiva. 

Despesas

Além dos cabos eleitorais terceirizados, a campanha de Aécio Neves também declarou ter gasto R$ 6.805.902,35 com “serviços prestados por terceiros”, nos últimos dois meses. Esse foi o segundo principal foco de despesas, só perdendo para a produção do programa de TV, que consumiu R$ 6.984.497,52. Outros R$ 69.176 foram gastos com publicidade e telemarketing.

FONTE: http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/eleicoes/story.aspx?cp-documentid=265124027

Aécio diz que escândalo da Petrobras mostra “mensalão 2”. E o “tremsalão” dos tucanos paulistas e a amizade com Sérgio Cabral mostram o que?

O candidato em pleno derretimento, Aécio Neves, foi rápido no gatilho (ou já estaria tudo combinado antes da matéria sair na Veja?) e alcunhou o último escândalo envolvendo petistas e sua governista de “mensalão 2”.  Nada mais natural que um candidato em situação desesperadora até no estado que governou por duas vezes tente aproveitar uma deixa maravilhosa como a fornecida pela revista da família Civitta.

Agora, no melhor estilo do “roto falando do esfarrapado”, Aécio esqueceu do escândalo do metrô paulistano que deixa qualquer escândalo petista rubro de inveja, e dos seus aeroportos particulares espalhados pelas fazendas da família em Minas Gerais, e que foram construídas com o dinheiro do sofrido contribuinte mineiro. 

O que Aécio Neves talvez ainda tenha de explicar é como está apoiando pessoas que podem aparecer nas listas de nomes desse escândalo ligados ao PP,  partido que comanda atualmente o governo mineiro e que indicou o vice na chapa tucana encabeçada por Pimenta da Veiga!

E mais, o site “Pautando Minas” já produziu uma matéria onde informa que  “fontes do Palácio Tiradentes afirmaram, sob a condição do anonimato, que a primeira reação de Aécio, seguindo orientações da irmã Andrea Neves, foi tentar circunscrever as denúncias ao PT. O tucano publicou um vídeo em sua página no Facebook, no qual se diz “perplexo” e acusa o partido de patrocinar um “assalto às nossas empresas públicas”. A decisão, no entanto, teria desagradado o próprio PP e também o PMDB do Rio de Janeiro, partido do ex-governador Sério Cabral, de quem Aécio Neves também é amigo pessoal, e que tentava colocar de pé no estado a chapa Aezão (mistura de Aécio Neves e Pezão, candidato peemedebista ao governo fluminense)” (Aqui!).

 

Marina Silva e a Modernização Ecológica: uma mescla de OGMs, REDDs, banqueiros, latifundiários e outros quetais

Marina Silva virou a Geni da vez nas mãos de neopetistas e velhos tucanos, após tomar o lugar que era de direito seu na atual disputa presidencial. A verdade é que Eduardo Campos (tal como o é Aécio Neves) era, usando uma metáfora futebolística, o jogador reserva que, sabe-se lá porque, foi escalado no lugar do craque do time.  Mas a morte de Campos, acabou retificando esse desvirtuamento, e agora Marina causa o embaralho esperado, num jogo que se avizinhava chocho e modorrento.  Mas exatamente por ser o craque do time, Marina agora está sendo tratado a cotoveladas e bicões por todo mundo. O negócio é tão duro que até Reinaldo Azevedo anda dando uns carrinhos na direção da ex-seringueira.

Mas qual é o motivo de tanta irritação? Qual é mesmo a guinada política que Marina Silva nos oferece? Se alguém olhar toda a sua gestão de ministra de Meio de Ambiente do governo Lula ( e olha que ela foi ministra durante todo o primeiro mandato e metade do segundo), Marina simbolizou a adoção dos princípios da Modernização Ecológica cujo efeito final foi iniciar um profundo processo de desregulação ambiental que tornou o Brasil o que é hoje, um pasto onde as grandes corporações poluidoras pisoteiam a gosto. E isto tudo em nome de quê? Da criação de um modelo de crescimento econômico, onde as questões ambientais seriam mantidas essencialmente como externalidades, e eventualmente corrigíveis por mecanismos tecnológicos!  E se ela optou por sair, essa decisão não foi por um cansaço com o desmonte do sistema de proteção ambiental em que teve papel central, mas mais provavelmente por questiúnculas internas de qualquer governo.

Assim, não me surpreende que Marina Silva ande abraçando o uso de organismos geneticamente manipulados (os transgênicos) ou que defenda a adoção de mecanismos de mercado como o REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), ou mesmo o tal projeto de autonomia do Banco Central. Isso tudo faz parte de uma cartilha de preservação da forma específica com que o Capitalismo se estabeleceu no Brasil. Diante disso, até a amizade dela com a herdeira do Banco Itaí não me causa surpresa.  Afinal de contas, Marina Silva é muito coerente e está bastante antenada com os limites do atual modelo neopetista-tucano.

Agora, esperando ter deixado claro o meu entendimento do que Marina Silva realmente representa, creio que é preciso deixar claro que para mim suas propostas não representam nenhuma ruptura com o modelo estabelecido para gerir a economia brasileira desde que Fernando Collor entrou e saiu de forma meteórica da presidência da república. Não é à toa que Marina está cada vez mais cercada de banqueiros e latifundiários que, de fato, dirigirão a sua campanha presidencial.

O importante para mim é o que os partidos de esquerda vão fazer para capitalizar toda a confusão e desarranjo que a candidatura de Marina Silva está causando. Após cometerem o erro de não chegar a uma candidatura única das esquerdas, espero que pelo menos o PSOL, o PCB e o PSTU saibam ocupar um terreno comum para denunciar as candidaturas situacionistas. Com isso, talvez tenhamos uma chance mínima de aproveitar a ocasião das eleições para debater a resistência política para o que virá depois das eleições, seja qual for o candidato que as elites elejam. Afinal, a única coisa certa é que o futuro idealizado pelas forças políticas dominantes vão continuar nos empurrando o mesmo modelo degradador do ponto de vista ambiental e social. Simples assim.

Bacanal à moda da casa

Aécio amarra aliança do PSDB e DEM com Pezão em troca de apoio de Cabral e do PMDB no Rio

Por Pedro Porfírio

Foi a surpresa menos surpreendente desta novela rocambolesca que se desenrola como pano de fundo desse porre que nos enche de bola quase o dia todo. Era um capítulo já escrito de que só não sabia o Carlos Lupi (ou sabia?) e os apegados aos penduricalhos do governo estadual do PDT, partido que emprestará a legenda de Leonel de Moura Brizola à aliança mais cristalizada da direita no Estado do Rio, capaz de receber as bênçãos, os afagos e a ajuda do Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino e da burguesia picareta, a mesma que ia investir na Copa do Mundo e deixou as despesas penduradas em nossa conta.

Sérgio Cabral Filho, o campeão absoluto de rejeição, precisava de uma saída honrosa pra entregar a toalha e recolher-se a uma fortaleza eletrificada, onde se refugiaram seus “compadres” Eike Batista e Fernando Cavendish. 

Cabral já saiu do governo no início do ano por que não conseguia mais botar o pé na rua. E queria tirar o seu Pezão mandado da sarjeta do ostracismo.

Até acreditou na memória fraca da plebe ignara, mas depois viu que ele fez tantas poucas e boas que não havia uma criança que não  quisesse vê-lo pelas costas. Principalmente aqueles, como o adolescente de Manguinhos, a quem destratou e humilhou, ma frente do Lula, como se tivesse o rei na barriga.

Precisava também tirar a máscara sobre seu retorno ao ninho tucano depois da morte de Marcello Alencar, de quem se serviu do bom e do melhor, e depois traiu, no final do seu governo, quando viu que não ia ter nenhum dividendo com a privatização da CEDAE, que acabou abortada, como também abortou a privatização do Maracanã naquela época.

Não o move nessa manobra de formal adesão ao “Aezão”, nada senão o olho gordo. Existe é uma baita articulação sistêmica, digamos assim, para evitar que Dilma Rousseff faça um segundo governo, agora mais calejada, já sabendo que tem bala na agulha para avançar. A turma da pesada, sejam as empresas sugadoras das tetas públicas, sejam os políticos padrão Eduardo Cunha, que existem aos borbotões, faz qualquer maracutaia para derrotar à teimosa que, explicitamente, deu um chega pra lá nos malfeitos dos próprios correligionários e aliados.

Cabralzinho ficou órfão de pai e mãe com a debacle dos dois empresários “irmãozinhos” e isso teve implicações também com suas conexões junto aos salões da corte, onde meia dúzia de empreiteiros têm acesso instantâneo aos palácios e singram em águas mansas e próprias para a pesca.

Há uma insatisfação explícita da quadrilha que privatizou o Erário diante das exigências saneadoras da Dilma.  Ela não pode ouvir falar em obras superfaturadas ou tráfico de influência que, comprovadas, manda investigar, doa em quem doer, para o desespero dos autores das emendas parlamentares e dos governadores que fazem a festa com tais subterfúgios legislativos. Não era assim que a banda tocava antes. E se continuar por mais um governo, os paraísos fiscais vão começar a se queixar da falta de freguês.

Mas no Estado do Rio o PSDB ficou mau das pernas desde quando Marcello Alencar perdeu a mobilidade e foi transformado numa figura decorativa de um partido em que ele era o único elo com a alma fluminense. O tucanato aqui se reduz a exatos dois gatos pingados, que ainda tiveram a insanidade de inviabilizar a carreira de uma vereadora guerreira, mas de opinião própria, que se decepcionou e voltou para casa.

Já o DEM (nome envergonhado do PFL) também lambeu com a dissidência puxada por Eduardo Paes, aquele cujas mãos seriam alvejadas se você disparasse sobre a virilha do Cesar Maia. O atual prefeito, reconheçamos, é carne de pescoço, obstinado e tem jogo de cintura desde que não tenha de ceder mais da conta, da sua conta, é claro. De mal com o Cesar, seu pai político, tratou de arrebanhar a própria grei e não precisou ir muito longe: quando o ex-todo poderoso  caiu do cavalo e o antigo pupilo se fez homem, correu todo mundo para o seu sovaco, até os que jejuavam pela saúde do ex-chefe.

A cata de intermediário a qualquer preço

O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro colégio eleitoral do país, com 12 milhões de eleitores. Em 2010, Serra já havia levado uma surra, ficando em terceiro, atrás de Marina. E daí para cá, o tucanato evaporou-se de vez: até o Zito, o ex-rei da Baixada, também perdeu a majestade.

A coisa ficou tão sinistra que o PSDB fez sábado sua convenção e decidiu não decidir nada.  Não tinha mesmo o que decidir por suas próprias pernas.

Foi então que Aécio mexeu seus pauzinhos e chamou Cabral, Picciani e Cesar Maia ao seu apartamento de Copacabana.  Sim, o mineiro pode não ter eleitores aqui, mas patrimônio imobiliário, isso ele esbanja. 

Numa manhã dominical em que a brisa fria soprava do mar, o tucano não precisou de  muita lábia para trazer Cesar Maia para o seu ninho, abrindo uma saída honrosa para o pré-derrotado Sérgio Cabral e, mais uma vez, mandando para escanteio o senador Francisco Dorneles,  que vem a ser sobrinho de Tancredo e, reconheçamos, foi um parlamentar competente, principalmente na luta pelos royalties do petróleo.  Na véspera dos 80 anos, que fará em janeiro, ele está surpreendendo os amigos por aceitar tudo calado, mas enfim, como disse o Eduardo Paes, essa reunião que selou a nova aliança, com os encômios  e as pepitas da direita mais rancorosa, não há quem escape a um bacanal, principalmente se isso tem cheiro de poder.

O resultado desse capítulo, em resumo, é que está formada a cadeia de direita mais explícita desses anos abomináveis e agora Dilma não tem mais por que ficar fazendo que acredita na lábia do Pezão. Se até o Eduardo Paes vai ter que distribuir santinhos do Cesar Maia, seu odiado ex-amor, não há como ficar fazendo de conta que não sabe de nada.

Essa leniência com maquinações sórdidas pode parecer covardia. E, para terminar por hoje, é preciso desmascarar de vez duas obras de ficção: o excesso do tempo de tv e o palanque local.  Numa campanha em que se disputa a Presidência da República, tudo o mais gira em torno. São os candidatos locais que precisam dos sorrisos dos presidenciáveis. Além disso, tevê demais enche o saco do telespectador – todo mundo sabe disso. É assim tão nociva como tevê de menos, que não dá tempo para dar o recado.

PS – Em 2012, Cesar Maia lançou o filho Rodrigo candidato a prefeito do Rio em aliança com Garotinho, que indicou a filha como vice, só para bater em Eduardo Paes. Este foi reeleito no primeiro turno com 2.097.733 (64,60%) dos votos. Já o filho de Cesar Maia teve 95.328 votos (2,94%).

FONTE: http://www.blogdoporfirio.com/2014/06/bacanal-moda-da-casa.html

Mídia Ninja: A Polícia Política de Aécio Neves e Pezão  

A advogada ativista Eloisa Samy, que esteve durante 12 horas nas dependências policiais, teve retido, durante todo o dia, seus equipamentos eletrônicos, além de máscaras de proteção e inclusive objetos de uso pessoal e esportivo. Eloisa relatou à Mídia NINJA que foi acordada em sua residência às 6 horas da manhã por três policias civis e uma delegada de apoio da Corregedoria de Polícia Civil. A diligência incluía ainda um agente gravando com celular toda a ação.

O mandado de busca e apreensão era destinado ao menor de idade que Eloisa tem sob sua guarda legal. Anexo à sua residência, funciona o seu escritório de advocacia, cujos equipamentos foram todos apreendidos, apesar da exigência legal de que ações contra estes profissionais sejam obrigatoriamente acompanhadas pela CDAP – Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas da OAB. Em função desta ilegalidade e pela garantia do sigilo profissional dos clientes da advogada, cujas informações estavam em seus equipamentos e graças à atuação da CDAP-OAD foi declarada a nulidade das apreensões, os equipamentos foram restituídos à Eloisa. Entretanto, todo os equipamentos apreendidos na execução dos outros mandados segue em poder das autoridades policiais.

NOS PORÕES DO SIGILO

Segundo Eloisa, os mandados apresentavam como SIGILOSOS tanto o nome dos acusados quando as denúncias que lhes eram feitas. “A gente não sabia o que estava sendo investigado, quem ou por quê”, diz a advogada. Segundo Eloisa todos foram conduzidos coercitivamente na condição de testemunhas, e assim foram tomados os depoimentos que, segundo ela, traziam perguntas ao redor de CRIMES DE OPINIÃO e da participação na ORGANIZAÇÃO de manifestações públicas.

No fim do dia, a BBC Brasil revelou que teve acesso a um mandato de busca e apreensão e também a um processo movido pelo Senador Aécio Neves. Os mandados foram emitidos após o pedido de investigação feito pelo próprio senador e teriam sido cumpridos todos já nesta quarta, três dias antes da Convenção Nacional do PSDB, quando a candidatura do senador à Presidência da República deve ser oficialmente lançada. A equipe do senador, em nota, confirmou à BBC Brasil o “pedido de investigação dos crimes praticados contra o senador Aécio Neves por quadrilhas virtuais”. Aécio nega, no entanto, que tenha solicitado a “invasão” das residências.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) informou apenas que “recebeu representação do senador Aécio Neves e está realizando diligências, que incluem o cumprimento de mandados de busca e apreensão.” O MP fluminense afirma ainda ter decretado sigilo “porque as diligências estão em andamento”. O sigilo nas investigações e o obscurantismo da intimidação aos acusados de ‘delitos de opinião’ nos lembram ainda ações efetuadas em Minas Gerais, contra jornalistas e críticos de Aécio.

Segundo a BBC, o texto do processo, assinado pelo promotor de justiça Luís Otávio Figueira Lopes, pede investigação de supostos crimes contra a honra do senador “através da colocação de comentários de leitores em sites de notícias”. Ainda de acordo com o processo, os autores dos supostos comentários teriam a intenção de “alterar os resultados dos mecanismos de buscas na internet (por exemplo, o site Google), fazendo com que tais páginas – ainda que substancialmente irrelevantes – alcancem destaque nos resultados das pesquisas eletrônicas”.

NÃO TEM ARREGO

Ao que tudo indica, dos dezessete mandados seis teriam relação com a denúncia de Aécio Neves e os outros onze são política preventiva de intimidação à ativistas e críticos do governo Cabral. Há também vingança contra aqueles que prestaram assistência aos detidos nas prisões ilegais em massa efetuadas no Rio de Janeiro, e veem enfrentando as arbitrariedade e os ataques ao Estado de Direito promovidos pelo próprio poder público. Como é o caso da advogada ativista Eloisa Samy que nos garante presença no ato convocado para às 10 horas, amanhã, na Candelária. “Estarei nas ruas, não tem arrego”, diz Eloisa.

O pacto que une o Senador Aécio Neves ao governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, já mostra sua cara nas vésperas da Copa. O Aezão da censura e da intimidação é também certeza de criminalização dos movimentos sociais e da instauração de uma caça às bruxas para o que consideram ‘delitos de opinião’. O cardápio inclui intimidação dos críticos, conivência da Justiça e todo obscurantismo kafkiano que mora sob o rótulo deste tipo de ‘sigilo’ dos bastidores da máfia que une políticos e empresários.

FONTE: https://ninja.oximity.com/article/A-Pol%C3%ADcia-Pol%C3%ADtica-de-A-1

Viomundo: Polícia faz busca e apreensão em casa de jornalista carioca, que diz: “Nunca falei nada do Aécio” nas redes sociais

por Luiz Carlos Azenha

A casa completamente revirada. Apreendidos um computador, dois HDs externos, pen drives, um iphone sem uso, chips de computador, CDs de fotos e um roteador.

A jornalista Rebeca Mafra, do Rio de Janeiro, que trabalha no Canal Brasil, concorda que viveu um dia “bizarro”.

Era por volta do meio dia quando ela recebeu uma ligação do prédio onde mora com a informação de que policiais estavam presentes com um mandado de busca e apreensão e arrombariam a porta.

Como trabalha na Barra da Tijuca e mora no centro, Rebeca pediu a uma amiga que tem a chave que abrisse a porta.

Os policiais reviraram tudo.

Só mais tarde ela soube qual era a acusação: ela teria de alguma forma participado de um grupo organizado para difamar o senador Aécio Neves nas redes sociais.

O problema é que, segunda ela, “nunca falei nada do Aécio” nas redes sociais.

Rebeca não se define como uma internauta muito ativa. Admite que não pretende votar em Aécio, mas diz que o que mais faz é postar fotos no Instagram. Olha o meu Facebook, sugeriu.

De fato, uma rápida navegada pelo perfil da jornalista demonstra que ela em geral reproduz posts de outras pessoas, não relacionados a política.

O mais recente é um vídeo do gato de uma amiga que fica agitado quando tem fome.

No Facebook, segunda ela, o máximo que faz é dar algumas curtidas.

Porém, documentos aos quais o Viomundo teve acesso demonstram que Rebeca e outras quatro pessoas estão sob investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro a pedido do senador Aécio Neves.

Na decisão em que atendeu ao pedido do Ministério Público para expedir os mandados de busca e apreensão, o juiz descreveu uma suposta quadrilha muito sofisticada:

Segundo narra o órgão ministerial, o procedimento investigatório foi iniciado a partir de notitia criminis encaminhada pelo Exmo. Senador Aécio Neves, na qual noticia a prática reiterada de crimes contra a sua honra através da colocação de comentários de leitores em sites de noticia, muitos dos quais não guardam qualquer pertinência com as notícias comentadas. Afirma o Parquet que há indícios de que tais comentários são lançados de forma orquestrada, por pessoas associadas para, mais do que potencialmente  afetar a reputação do senador, associar, em escala estatisticamente relevante, seu nome aos termos constantes dos comentários. Assim agindo, possuem os autores o intento de alterar os resultados dos mecanismos de busca na internet, como o Google, por exemplo, fazendo com que tais páginas — ainda que substancialmente irrelevantes — alcancem destaque nos resultados das pesquisas.

A Folha deu a notícia com grande escândalo.

Porém, para pelo menos uma das pessoas acusadas, a jornalista Rebeca Mafra, é tudo novidade.

“Que maluquice”, comentou Rebeca quando informada de que é acusada de atuar numa espécie de “quadrilha virtual”, já que ela não conhece nenhum dos outros quatro acusados.

“Bizarro”, eu disse à entrevistada por telefone. Ela concordou: “Bizarro”.

Rebeca ainda não deu depoimento à polícia carioca.

[Post alterado para acréscimo de informações]

Leia também:

Mídia Ninja denuncia “prisão preventiva” de ativistas no Rio

FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/policia-faz-busca-e-apreensao-em-casa-de-jornalista-carioca-que-diz-nunca-falei-nada-do-aecio-nas-redes-sociais.html