Gilberto Gil, Fábio Porchat, Ailton Krenak e Maurício de Sousa participam da Hora do Planeta 2021

Convidados abordarão temas diversos como ativismo digital, saúde, alimentação e consumo sustentável

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Este ano, o tradicional movimento global de apagar as luzes por uma hora no último sábado de março acontece pela segunda vez de forma digital por causa da COVID-19. A segunda edição do Festival Digital Hora do Planeta contará com uma série de lives com artistas e personalidades. A programação segue das 13h às 20h30 no dia 27 de março (sábado), com transmissão ao vivo no ECOA/UOL e redes sociais do WWF-Brasil.

Gilberto Gil, Fábio Porchat e Mauricio de Sousa confirmaram a participação na live “Como usar minha voz pela natureza”, às 18h. Junto com o escritor Ailton Krenak e o DJ Eric Marky Terena, lideranças indígenas, abordarão a relação que têm com o meio ambiente e como é possível usar a expressão artística para trazer consciência.

A programação inclui temas desafiadores como a agenda ambiental nas comunidades tradicionais urbanas e periféricas, e aborda questões cotidianas, como hábitos do dia a dia que podem fazer a diferença no planeta. Temas como alimentação, saúde, consumo e produção sustentável e ativismo digital, contarão com especialistas do WWF-Brasil e referências em suas áreas de atuação, como a microbiologista Natália Pasternak na área da saúde e Fernanda Schimidt, editora do UOL, que falará sobre ativismo digital (ver programação completa abaixo).

Além da maratona digital, outras iniciativas promovidas por organizações que aderiram ao movimento ajudarão a reverberar as mensagens da Hora do Planeta:

– Uma nova edição da revista em quadrinhos do Chico Bento, embaixador do WWF-Brasil, com história sobre a Hora do Planeta já está disponível nas bancas de todo o país; a iniciativa é da Mauricio de Sousa Produções;

– Os Escoteiros do Brasil confirmaram participação em todo o país;
– A Será o Benedito lançou uma campanha em parceria com o WWF-Brasil para a produção de kits sustentáveis, via financiamento coletivo;

– Em vários Estados, monumentos, fachadas, prédios e empresas aderiram ao movimento e em algumas capitais brasileiras haverá projeções sobre o tema.

A Hora do Planeta está aberta para a adesão de pessoas físicas, empresas, prefeituras, associações e organizações neste link .

Programação

13h: Bom para você e para o planeta – o que podemos fazer para uma alimentação mais saudável e sustentável

14h: Saúde – a pandemia mostra que precisamos repensar nossa relação com a natureza

15h: Ativismo digital funciona sim: mude o mundo de onde você está

16h: Produção e Consumo – como nossas escolhas contribuem para um ciclo mais justo

17h: De Rondônia à Rocinha – como mobilizar pessoas para agenda ambiental urbana e tradicional

18h: Como usar minha voz pela natureza

19h: WWF-Brasil responde: tudo que você quer saber sobre questões ambientais, mas não tinha para quem perguntar

20:00 Contagem regressiva com participações especiais

20h30: Hora do Planeta!

 
Sobre a Hora do Planeta

É o principal movimento ambiental global da rede WWF. Nascida em Sydney em 2007, a Hora do Planeta cresceu e se tornou um dos maiores movimentos de base do mundo para o meio ambiente, inspirando indivíduos, comunidades, empresas e organizações em mais de 180 países e territórios a tomar ações ambientais tangíveis por mais de uma década.

Historicamente, a Hora do Planeta se concentrou na crise climática. Mas, recentemente, se esforçou para trazer à tona a questão premente da perda da natureza. O objetivo é criar um movimento imparável para a natureza, como aconteceu quando o mundo se uniu para enfrentar as mudanças climáticas.

Festival AmazôniaS Online será transmitido neste final de semana

Programação especial nos dias 17, 18 e 19 de abril

• Evento terá Ailton Krenak, Sônia Guajajara, Roberta Carvalho, Uýra Sodoma, Tulipa Ruiz e Anelis Assumpção, entre outros artistas e ativistas

O Festival AmazôniaS Online chega neste fim de semana, de 17 a 19 de abril para pensar possibilidades de resistência e de vida em tempos de pandemia. Esse intercâmbio entre ativistas e artistas do Norte do país e de São Paulo trará rodas de conversa, shows e exibição de filmes, com transmissão ao vivo pelas redes sociais.

Com a presença de lideranças indígenas e quilombolas, músicos e cineastas, o evento se inicia na sexta-feira, às 22 horas, em parceria com a Greve Mundial pelo Clima, com a Festa do Clima, uma celebração à vida através da música com o músico produtor Daniel Ganjaman como o DJ da noite.

Festival AmazôniaS – Divulgação

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No sábado, a programação começa Ailton Krenak falando sobre suas ideias para adiar o fim do mundo, às 15h. A programação segue com Tati dos Santos, Nega Lu, Marlena Soares, Áurea Sena e Thalita Silva, mulheres negras e quilombolas da Amazônia que fazem uma roda de conversa às 17h. E o dia termina com um bate papo entre as artistas Uýra Sodoma e Roberta Carvalho comentando os ativismos entre Manaus e São Paulo e as performances no isolamento, às 19

No domingo, dia 19, haverá a exibição dos documentários do cineasta André D’Elia sobre o acampamento Terra Livre, seguido por uma conversa ao vivo entre ele e Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), às 15 horas. Logo após, às 17 horas, Matsipaya Waura Txucarramãe, Kayapó neto do Cacique Raoni, conversa com sua mãe, Kamiha, pajé e grande conhecedora das medicinas tradicionais, e sua irmã Mayalu, que trabalha hoje na Saúde Indígena, sobre os desafios e a resistência indígena em tempos de coronavírus

O evento termina às 19 horas, com um show ao vivo das cantoras Tulipa Ruiz e Anelis Assumpção, mostrando como a arte é também uma ferramenta essencial para lidarmos com esses novos tempos.

O evento é realizado pelo Engajamundo, Escola de Ativismo, Greenpeace, Goethe-Institut e Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo. A edição física do festival, que era prevista para ocorrer de 17 a 21 de abril, segue nos planos, com nova data sendo anunciada o mais breve possível.

Saiba mais pelo perfil @festivalamazonias (Facebook e Instagram).

Greenpeace Brasil
imprensa.br@greenpeace.org

Abertura de terras indígenas para mineração, hidrelétricas e pecuária: receita perfeita para genocídio e devastação ambiental

Yanomami-800x533Terras indígenas que já se encontram sob forte pressão pelo garimpo ilegal de ouro, agora correm o risco de serem abertas para todo tipo de atividade econômica

O presidente Jair Bolsonaro anunciou hoje que enviará ao congresso nacional um projeto de lei para permitir a exploração de terras indígenas por meio de atividades de mineração, construção de hidrelétricas e pecuária. Segundo Bolsonaro afirmou, este projeto tornará realidade um sonho pessoal.  De quebra, o ainda ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni equiparou este projeto de lei a uma espécie de Lei Áurea dos povos indígenas que agora ocorrerá de fato uma suposta “autonomia dos povos indígenas e sua liberdade de escolha”, pois “será possível minerar, gerar energia, transmitir energia, exploração de petróleo e gás e cultivo das terras indígenas”.  O mínimo que posso dizer é que, primeiro, este projeto não tem nada de Lei Áurea, e que o sonho de uns é normalmente o pesadelo de outros.  

Mas que ninguém se engane, este projeto de lei, se aprovado nos termos formulados pelo ministro das Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque, significará o início de um amplo  e generalizado processo de devastação de partes intocadas dos biomas Amazônicas que só estão nessa condição por causa da proteção que lhes é dada pelos povos indígenas que os habitam e neles estabeleceram um complexo equilíbrio ecológico que lhes permitiu manter seus sistemas sociais por milênios.  

E é justamente por causa da proteção que dão aos biomas amazônicos existentes dentro de suas terras que os povos indígenas se encontrarão sob o risco direto de extermínio físico.  O fato é que o risco de genocídio se tornará mais do que uma possibilidade teórica se esse projeto de lei não for derrotado no congresso nacional.

A questão é que, apesar de existirem lideranças indígenas que provavelmente serão cooptadas para abrir seus territórios para todo tipo de empreendimento econômico, a maioria dos povos originários existentes na Amazônia irão resistir, como já resistiram no passado, à devastação de suas terras.  Em meu trabalho de doutorado tive acesso à lideranças indígenas que mostravam completo desdém à sociedade “branca”, apesar de manterem relações econômicas com o meio envolvente. 

Mas pelo menos para as lideranças com quem dialoguei em aldeias e fora delas, não havia interesse em se “civilizar” nos moldes da sociedade branca como dá a entender o presidente Jair Bolsonaro. Aliás, o sentimento era justamente o oposto,  pois o que viam nas cidades era algo que consideravam a antítese do alto grau de civilidade que já haviam estabelecido dentro de suas próprias culturas. Para aquelas lideranças, os brancos sempre vinham acompanhados de doenças e violência, e de destruição ambiental. Como alguns daqueles jovens líderes com quem convivi no início da década de 1990 agora são lideranças maduras e estabelecidas, fico imaginando o que estão pensando da “Lei Áurea” que o governo Bolsonaro quer enfiar-lhes goela abaixo.

O que me preocupa é que não vejo neste congresso, que abriga uma quantidade significativa de latifundiários, madeireiros e empresários da área da mineração,  qualquer chance de brecar esse projeto de lei. Além disso, não há qualquer razão para esperar que os tribunais superiores também ajam para impedir a abertura pretendida pelo governo Bolsonaro. Como já disse Romero Jucá, um antigo agente dos interesses minerários na Amazônia, vai ser com STF, com tudo.

A única expectativa é que os povos indígenas resistam de forma a colocar o governo Bolsonaro na defensiva por causa da pressão externa. E como já disse Aílton Krenak, um dos mais importantes intelectuais indígenas do Brasil, os povos originários já resistem há 500 anos e já estão acostumados a fazer isso.  O problema de todos que quiserem impedir o genocídio e a devastação ambiental que se avizinham será não deixar os povos indígenas resistindo sozinhos.