Professora da Uenf é suspensa após acusação de colar cartazes nas dependências da reitoria

Por Andes-SN

A professora Luciane Soares da Silva, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), no Rio de Janeiro, denunciou que tem sido alvo de perseguição institucional e política desde julho de 2024. Ela é acusada de afixar cartazes nas dependências da universidade. O caso culminou com a sua suspensão por 30 dias, ao fim de um processo administrativo que, segundo ela, não apresentou provas concretas de qualquer irregularidade.

O episódio teve início no dia 11 de julho de 2024, quando Luciane foi formalmente questionada, por meio da ouvidoria do estado do Rio, sobre o projeto de extensão que coordena, “Web Rádio Maíra”. Na solicitação, foram exigidas informações sobre relatórios de atividades, registros e outros documentos comprobatórios. Em resposta, a professora apresentou a devida prestação de contas sobre as atividades desenvolvidas no âmbito do projeto.

Já no dia 12 de julho de 2024, a docente tomou conhecimento, após a reunião do Conselho Universitário (Consuni), conduzida pela reitora Rosana Rodrigues, da afixação de cartazes nas dependências da reitoria, contendo denúncias de supostos casos de assédio. Na ocasião, a reitora afirmou que as câmeras de segurança teriam registrado imagens que identificariam a autoria da ação. 

Rosana Rodrigues propôs, então, a elaboração de uma moção de repúdio, que foi divulgada no dia 18 de julho pela universidade, com a assinatura da própria reitora, do vice-reitor e de membros do Consuni — ainda que nem todas as conselheiras e todos os conselheiros tenham efetivamente subscrito o documento.

Poucos dias depois, em 15 de julho, o Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado do Centro de Ciências do Homem (Lesce/CCH) – do qual a professora Luciane Silva faz parte – publicou uma nota de repúdio sobre a situação. No documento, o grupo se declarava chocado “pelo fato de uma servidora, segundo consta em comunicações informais, ter sido filmada conduzindo o material que foi afixado em paredes da instituição”. Cobrava também pronta resposta das autoridades universitárias superiores.

De acordo com a nota, os cartazes faziam menção a uma suposta denúncia de assédio envolvendo o coordenador do curso de Ciências Sociais, também integrante do Lesce/CCH. Na época, as denúncias contra o coordenador resultaram na criação de um grupo de mobilização contra o assédio dentro da Uenf, formado por servidoras, estudantes e ativistas.

Informações sensíveis de integrantes desse grupo – como telefone, fotos e a vinculação política de cada – foram utilizadas, posteriormente, como material no processo administrativo instaurado contra Luciane. “Apesar de diretamente envolvidas nos episódios que motivaram a criação do grupo, nenhuma dessas estudantes foi formalmente ouvida durante o meu processo”, relatou Luciane Silva, chamando atenção para o risco de exposição e de perseguições futuras às e aos estudantes.

A acusação contra a docente teve rápida repercussão e, no dia 20 de julho, um jornal local publicou matéria sobre o incidente, aprofundando ainda mais a exposição pública da professora. 

No dia 24 de julho, foi instaurada a primeira sindicância administrativa para apurar o caso. Menos de uma semana depois, em 30 de julho, um servidor da universidade chegou a solicitar a suspensão cautelar da professora. Entre agosto e outubro de 2024, Luciane prestou depoimentos, enquanto a reitoria continuava tratando a situação publicamente, antes mesmo da conclusão do processo. Ao final dessa primeira sindicância, a comissão responsável reconheceu que não havia provas concretas que a responsabilizassem, apenas o que classificou como “fortes indícios”.

Apesar disso, em 2 de dezembro, um novo parecer recomendou a abertura de uma sindicância punitiva. O segundo processo foi instaurado em 24 de abril de 2025, com os mesmos depoentes e sem a apresentação de novas evidências. Mesmo diante da fragilidade dos elementos reunidos, a sindicância resultou na suspensão da professora por 30 dias, como medida disciplinar.

“A suspensão aplicada ao final da segunda sindicância carece de base concreta e configura instrumento de retaliação, não de responsabilização. Reitero que não houve comprovação de minha participação na afixação dos cartazes. Os procedimentos aos quais fui submetida estão profundamente marcados por irregularidades, violação de garantias e uso indevido de mecanismos institucionais para fins de perseguição”, afirmou a docente.

Defesa

Caroline Lima, encarregada de Assuntos Jurídicos do ANDES-SN e integrante da Comissão Nacional de Enfrentamento à Criminalização e Perseguição Política a Docente, explicou que o processo da professora Luciane chegou à Comissão em 2024 e, desde então, o sindicato tem acompanhado de perto todos os desdobramentos, prestando orientações à professora e identificando diversos problemas no andamento do processo disciplinar. “Não há provas concretas. O processo se baseia em indícios frágeis, com falas acusatórias e ataques direcionados à atuação da professora no laboratório, a partir de uma denúncia que, de fato, não apresenta elementos consistentes”, apontou. 

A diretora do Sindicato Nacional destacou ainda que a decisão de punição foi uma surpresa, pois foi tomada com base apenas nesses indícios e após uma nova oitiva marcada por perguntas abusivas e procedimentos administrativos repletos de falhas.

“Para nós, da Comissão, está evidente que se trata de um caso de perseguição política contra a professora Luciane, acompanhado de inúmeras irregularidades processuais”, reforçou. Ela também criticou a exposição pública da docente em veículos de imprensa locais, o que, segundo avalia, teve o claro objetivo de criminalizá-la para além do ambiente universitário.

“Essa decisão representa também um perfil de perseguição política. Vale lembrar que a professora Luciane é ex-presidenta da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf – Seção Sindical do ANDES-SN), o que reforça ainda mais o caráter político dessa punição”, alertou Caroline Lima. 

Segundo Rodrigo Torelly, da Assessoria Jurídica Nacional do ANDES-SN (AJN), o segundo processo de sindicância está marcado por “nulidades que inviabilizaram a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório, para além de demonstrar uma conduta assediadora da Uenf”. Para a AJN, a abertura de uma segunda sindicância desconsiderou o resultado da primeira, que não encontrou provas que responsabilizassem a professora.

Encaminhamentos

Nessa segunda-feira (16), representantes da Comissão Nacional, da Assessoria Jurídica Nacional (AJN) do Sindicato Nacional, da direção da Aduenf SSind., e o advogado da professora Luciane e a própria docente se reuniram para tratar do resultado da sindicância e definiram encaminhamentos para enfrentar o problema de perseguição e punição da servidora. 

Entre as ações deliberadas estão a solicitação de uma reunião com a reitoria para tratar dos equívocos administrativos e cobrar o arquivamento do processo, bem como a suspensão imediata da medida punitiva e, ainda, a elaboração de uma nota de repúdio, que será apresentada para apreciação no 68º Conad. Além disso, ficou definido que será apresentada formalmente à reitoria da Uenf a proposta de Protocolo de Combate aos Assédios e às Diversas Violências, construída pelo ANDES-SN. 

A Aduenf SSind. também dará início a uma campanha local em defesa do protocolo e de prevenção às violências institucionais. A proposta é que a reunião com a reitoria, envolvendo representantes do ANDES-SN e da Aduenf SSind., ocorra entre os dias 30 de junho e 2 de julho.

Em maio, o ANDES-SN havia enviado um e-mail solicitando uma reunião com a reitoria da Uenf para tratar da situação. Em resposta, no dia 11 de junho, a gestão afirmou que a penalidade de suspensão aplicada à professora Luciane decorreu de um processo de sindicância fundamentado em parecer jurídico e relatório da Comissão Especial de Sindicância. 

Segundo a reitoria, o processo respeitou o contraditório e a ampla defesa, e baseou-se em provas como imagens, documentos e depoimentos, que comprovariam a autoria dos fatos imputados à docente. 

Na avaliação de Caroline Lima, o resultado da sindicância não apenas evidencia um processo de perseguição política, como também expõe a falta de capacidade da reitoria em lidar com questões administrativas e enfrentar situações de violência e assédio moral. “Nós, do ANDES-SN, vamos responder à carta enviada pela reitoria, que, inclusive, se colocou à disposição para dialogar conosco. Vamos solicitar uma reunião com a administração central, porque ainda acreditamos que o diálogo e a via administrativa são caminhos possíveis para resolver a situação da professora Luciane, que foi suspensa por 30 dias, sem salário, mesmo sem que o processo tenha apresentado qualquer prova concreta contra ela”, contou. 

A diretora do ANDES-SN também destacou que o caso representa um grave ataque à liberdade de cátedra e que, considerando o perfil da professora Luciane – uma mulher negra, periférica e docente de uma universidade pública do Rio de Janeiro –, o resultado da sindicância pode ser compreendido como um possível caso de racismo institucional. A dirigente reforçou que o ANDES-SN continuará insistindo na via administrativa, cobrando o arquivamento definitivo do processo e a imediata restituição do salário suspenso da professora.

Perseguição política
A ocorrência na Uenf amplia o debate sobre as perseguições políticas dentro das universidades e o uso de medidas administrativas, por parte de reitorias, para lidar com conflitos internos. Diversas ocorrências têm chegado à Comissão Nacional, responsável por acompanhar e denunciar os casos de perseguições, investigações, judicializações e criminalizações de caráter político.

Situações semelhantes ocorreram na Universidade do Distrito Federal (UnDF), na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na Universidade Estadual de Roraima (Uerr) e na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com o caso emblemático da professora Jacyara Paiva.


Fonte: ANDES-SN

Nas próximas eleições do ANDES-SN, a chapa 1 melhor representa o caminho da luta em defesa da educação

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Nos últimos anos as eleições para o ANDES-SN tem se revestido de grande importância, na medida em que o sindicato que representa os interesses dos docentes de ensino superior no Brasil, tanto em nível público como privado, se tornou um dos bastiões do sindicalismo autônomo e comprometido com a luta dos trabalhadores brasileiros.

Este caráter tem se preservado em meio a tentativas de “domesticação” e subordinação do ANDES-SN a uma forma de praticar sindicalismo que só tem causado profundas derrotas ao conjunto da classe trabalhadora brasileira, pois em nome do que seria uma nova forma de agir, abre-se mão do enfrentamento com governos que paulatinamente têm avançado a destruição do ensino público e buscado tornar a educação superior totalmente privada e inacessível aos jovens oriundos da classe trabalhadora.

Na eleição que irão ocorrer entre os dias 03 e 05 de Novembro, o destino do ANDES-SN estará sendo novamente decidido com a participação de duas chapas no pleito, sendo que a necessidade de manter levantada inequivocamente as bandeiras históricas do movimento docente deveria guiar a opção dos eleitores na hora da sua decisão.

Este é um momento decisivo na história do ANDES-SN, e por isso considero que o voto na chapa 1 é a melhor opção para manter o nosso sindicato na defesa intransigente da educação pública brasileira.

Quem desejar ler o manifesto de lançamento da chapa “Unidade para Lutar”, basta clicar [Aqui!].

Manifesto de seções sindicais do Andes – Regional/RJ contra a implementação autoritária e forçada de ensino remoto

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Nós, de Seções Sindicais do ANDES-SN do Estado do Rio de Janeiro, expressamos publicamente nosso repúdio à ação das administrações de instituições federais e estaduais de ensino do estado, em conjunto com a associação “Redetec” e a empresa pública “MultiRio” (ligada à Prefeitura do Rio de Janeiro), de promover um curso de capacitação em ensino remoto para docentes com o seguinte mote: “conheça o programa de capacitação que visa apoiar o Ensino Remoto Emergencial a ser implementado na fase de isolamento social imposto pela COVID-19”.

1. Refutamos a ideia de que a universidade “não está fazendo nada”: é uma visão equivocada e simplista que desconsidera que o trabalho acadêmico-docente compreende o tripé ensino, pesquisa e extensão. No período de isolamento social, estamos realizando, além de tarefas administrativas, as relativas à divulgação científica, desenvolvendo orientações, submetendo projetos, estudando, publicando, fazendo e avaliando relatórios, além de uma série de atividades acadêmicas e extra-acadêmicas;

2. As aulas estão suspensas devido à pandemia, e as universidades seguem os protocolos da OMS e sanitários, medidas necessárias para evitar o contágio e o colapso nos serviços de saúde. Trata-se de um motivo de força maior e seguiremos sem atividades presenciais até que haja condições adequadas de retorno às salas de aula. Não aceitaremos quaisquer medidas que ponham em risco a integridade de nossos(as) trabalhadores(as) e de toda a comunidade acadêmica;

3. Diante das medidas de isolamento social, é preciso que as atividades remotas sejam debatidas e construídas por toda a comunidade acadêmica, com a participação de todos os setores da universidade, respeitando e fortalecendo o sentido da autonomia universitária;

4. Defendemos a autonomia universitária e repudiamos toda e qualquer iniciativa proveniente de instituições exteriores à universidade, sejam elas públicas ou privadas. As universidades dispõem de quadros próprios qualificados para informar o debate sobre ensino remoto e uma comunidade acadêmica capaz de identificar, propor e construir soluções que venham ao encontro de seus interesses;

5. Consideramos inválida qualquer iniciativa de implementação de aulas remotas não pactuadas nos conselhos universitários e instâncias deliberativas das Universidades, IF e CEFET, sem a participação da coletividade dos docentes, discentes e servidores técnicos. Decisões tomadas sem transparência ou respaldo das respectivas comunidades acadêmicas são autocráticas e contrárias ao espírito democrático e inclusivo que deve reger a vida universitária;

6. Quaisquer tentativas de implementar ensino ou aulas remotas desrespeitando as instâncias democráticas das Instituições de Ensino são ilegítimas, autoritárias e serão consideradas por nossas entidades um constrangimento e interpretadas como assédio moral. Tomaremos todas as medidas cabíveis para que os direitos de nossas categorias sejam respeitados.

Assinam esse manifesto:

  • Adcefet
  • Adesfaetec
  • Adopead
  • Aduenf
  • Aduff
  • Adunirio
  • Asduerj

Convocando a solidariedade aos professores das universidades estaduais da Bahia

docentes bahia

ANDES-SN lança campanha de solidariedade a docentes da Ueba

Fundo Nacional Permanente de Solidariedade aos Docentes foi aprovado no 37º Congresso da entidade

O ANDES-SN divulgou, na última sexta-feira (31), uma campanha para ajudar financeiramente os docentes das universidades estaduais da Bahia (Ueba). A categoria, em greve desde abril, teve o salário cortado pelo segundo mês consecutivo. O movimento paredista tem sofrido ataques à carreira e aposentadoria, arrocho salarial e contingenciamento de verbas nas universidades.

 

Docentes das Ueba em greve se manifestam em Salvador

O Fundo Nacional Permanente de Solidariedade aos Docentes será administrado pelas seções sindicais das Instituições Estaduais de Ensino (Iees) e pela diretoria da Regional Nordeste III do ANDES-SN. Uma conta criada irá receber doações de professores, das seções sindicais e outras entidades do movimento sindical e popular. A verba ajudará nas ações políticas das seções sindicais das quatro universidades – Uneb, Uesc, Uefs e Uesb.  Já os recursos serão repassados aos docentes na forma de empréstimos, que deverão ser quitados quando for regularizado o pagamento dos salários.

Caroline Lima, 1º secretaria e coordenadora do Setor das Instituições Estaduais e Municipais de Ensino (Iees/Imes) do ANDES-SN, afirma que o Fundo auxiliará os professores a resistirem até que a pauta de greve seja atendida.

“É importante que o ANDES-SN e as seções sindicais se empenhem nessa arrecadação e garanta minimamente as condições dos professores em sobreviver nesse período de corte nos salários. No caso da  Bahia, o governador Rui Costa [PT] está criminalizando o movimento grevista. Ele deu uma declaração de que não estaria pagando os salários dos professores para não parecer que eles estivessem ‘em férias’”, criticou a docente.

“Esperamos, através do debate de solidariedade de classe, uma contribuição para os professores das estaduais da Bahia que estão sem salários. A tesoureira do Sindicato Nacional, Raquel Dias, estará em Salvador, dando apoio e tirando dúvidas sobre o Fundo”, completou a diretora do ANDES-SN.

Os dados bancários foram divulgados na Circular 215/19 – Conta Corrente: 403727-8, Agência: 3599-8, Banco do Brasil. O CNPJ é: 00676296/0001-65. De acordo com o documento, é fundamental também que, além das doações das seções sindicais, a campanha seja divulgada junto à comunidade acadêmica e aos movimentos sociais, para que todos se envolvam nessa campanha de solidariedade.

Ataques

 

Docentes das quatro universidades estaduais da Bahia estão em greve

Nas quatro universidades estaduais, os direitos trabalhistas são desrespeitados, a exemplo das promoções, progressões e alterações de regime de trabalho. Somando-se a isso, o contingenciamento da verba destinada para investimento e manutenção das universidades estaduais, ano após ano, tem inviabilizando o funcionamento cotidiano das IEES baianas. Uma parcela significativa do recurso previsto no orçamento anual para esta rubrica não tem sido repassado.

Para ela, o fundo é uma conquista do ANDES-SN. “O debate conseguiu avançar e hoje pensamos para além das Estaduais, como também as Federais que também podem passar por isso durante uma greve e ter os salários cortados”, concluiu.

Fundo

Em junho de 2017, o Sindicato Nacional criou um fundo de solidariedade aos docentes das universidades estaduais do Rio de Janeiro devido ao atraso do pagamento de seus salários. No ano seguinte, durante o 37º Congresso do ANDES-SN, em Salvador, os docentes deliberaram pela transformação em um Fundo Nacional Permanente de Solidariedade aos Docentes.

Confira a Circular nº 215/19

Imagens de Fórum das ADs

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A matéria sobre a greve das universidades estaduais da Bahia foi originalmente publicada pelo ANDES-SN [Aqui!].

Notícias da ADUENF dá informe sobre visita de dirigentes do ANDES-sindicato nacional ao campus da UENF

Informe da Diretoria da ADUENF sobre visita de dirigentes do ANDES-SN à UENF e participação em atividade na UERJ

visita andes

A diretoria da ADUENF considera que foi exitosa a vinda da diretoria do ANDES a UENF no dia de ontem (10/05). Em primeiro lugar esta visita serviu para aprofundar o conhecimento do ANDES-SN quanto à gravidade da situação imposta pelo governo do Rio de Janeiro às universidades estaduais, Faetec e Cecierj.  Em segundo lugar, a reunião também possibilitou um debate sobre o cotidiano de vivências no quadro de uma crise que se intensifica a cada dia com o não pagamento de salários.

E por último, a reunião serviu para encaminhar a articulação de uma luta conjunta entre as comunidades universitárias da UENF, UERJ e UEZO para derrotar o projeto de destruição comandado pelo governador Luiz Fernando Pezão contra o ensino superior estadual.

A diretoria da ADUENF aproveita para informar que nesta sexta-feira (12/05) ocorrerá na UERJ Campos Maracanã um painel sobre a crise das Universidades Estaduais. Este painel ocorrerá a partir 14 horas no 1º. Andar, auditório 11.  Para viabilizar a presença da UENF nesta importante atividade de organização da luta contra o projeto de desmanche das universidades estaduais, uma van sairá da sede ADUENF às 7:30.  Em função disso, solicitamos que os interessados entrem em contato com a secretaria da ADUENF para fornecerem seus nomes e dados pessoais.

Unidos somos mais fortes!

DIRETORIA DA ADUENF

Gestão Resistência  & Luta

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/05/informe-da-diretoria-da-aduenf-sobre.html

Greve nas Instituições Federais de Ensino se amplia

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Ato dos estudantes da UFF (Luiz Fernando Nabuco/Aduf SSind)

Ainda na primeira semana, a greve nas Instituições Federais de Ensino (IFE) já se amplia e segue ganhando adesões. No dia 28 de maio, docentes e técnico-administrativos cruzaram os braços para lutar por seus direitos e em defesa da educação pública. Há também greves estudantis na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade Federal Fluminense (UFF) – e as três categorias da comunidade universitária têm demonstrado vontade de construção de uma luta unitária em defesa da educação pública.

Até o momento, são 21 seções sindicais do ANDES-SN em greve. Os técnico-administrativos já pararam em 56, das 64 universidades federais. E a greve da educação federal tem angariado apoio de outras categorias e, até, de reitores. É o caso do reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que divulgou nota no site da instituição, reconhecendo a legitimidade da greve de docentes e servidores locais e reconhecendo “a urgência da defesa da universidade pública, gratuita, democrática, inclusiva e de qualidade”.

Elementos em comum nas reivindicações das três categorias não faltam. É uníssona a crítica à precarização das IFE, que levam à dificuldade de manutenção das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Os cortes orçamentários, que recentemente retiraram mais de R$9 bilhões da educação, também são rechaçados por docentes, estudantes e técnico-administrativos em educação.

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Na UFRJ, mais de mil estudantes participaram da histórica assembleia que deliberou greve. Eles reivindicam melhorias na estrutura da universidade.

O curso de gastronomia, por exemplo, criado em 2008 pelo Reuni, ainda não tem salas de aula e laboratórios, e suas atividades são desenvolvidas dentro da biblioteca. Os estudantes da UFRJ querem também a conclusão das obras da residência estudantil — a reforma do bloco feminino, prevista para dezembro do ano passado, está com novo prazo para outubro deste ano. As unidades isoladas do centro reivindicaram a necessidade imediata de uma alternativa de emergência para a alimentação.

Assim como na UFRJ, na UFF os estudantes entraram em greve. Além da reivindicação nacional estudantil de um repasse de R$ 2,5 bilhões para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), eles exigem o pagamento imediato das bolsas estudantis, a reabertura do bandejão, a suspensão do calendário acadêmico e o respeito e pagamento aos trabalhadores terceirizados da universidade.

Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN, ressalta a necessidade e importância da unidade entre docentes, técnico-administrativos em educação e estudantes na luta. “Estamos vendo o crescimento das lutas das três categorias nas IFE. Estão todos em defesa da educação pública, e é importante que haja a unificação das lutas e a realização de mobilizações conjuntas”, disse o docente.

O presidente do ANDES-SN ainda afirma que é positivo o reconhecimento da legitimidade da greve por parte do reitor da Ufba. “Esperamos que todos os reitores reconheçam a legitimidade da greve. O Ministério da Educação (MEC) não quer negociar conosco, e os reitores devem se posicionar ao lado daqueles que defendem a universidade pública, que são os professores, servidores e estudantes em luta”, afirma Rizzo.

Cresce a mobilização nos locais de trabalho

Na Universidade Federal do Pará (Ufpa), o primeiro dia de greve (28) contou com a mobilização de professores, técnico-administrativos e estudantes. Mais de 90% das salas de aulas amanheceram vazias em Belém. Eles se concentraram em frente à universidade, com faixas e panfletos explicando os motivos do movimento grevista. A greve conta com forte adesão da comunidade acadêmica. No segundo dia de greve, professores da Ufpa caminharam pelas ruas de Belém, em conjunto com diversas categorias de trabalhadores e estudantes, durante o Dia Nacional de Paralisações, 29 de maio.

O primeiro dia de greve dos professores e técnicos administrativos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) também foi marcado por um ato na frente do campus de São Cristóvão. Na quinta-feira, 28, ocorreu ato unificado, professores, técnicos e estudantes, categorias bloquearam o acesso de carros à instituição de ensino e usaram faixas e cartazes para expor suas reivindicações. No dia 29, professores federais participaram 29 do Dia Nacional de Paralisação como forma de expor à população as pautas de reivindicação das categorias. Marcaram presença os docentes do Comando Local de Greve, os estudantes e os servidores.

No centro de Niterói (RJ), no dia 29, houve mobilização conjunta dos docentes, servidores e estudantes da UFF com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), demonstrando unidade entre as categorias ligadas à luta pela educação. Na Universidade Federal Rural do Semi Árido (Ufersa) também houve mobilização que reuniu as três categorias da comunidade acadêmica. Na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), os estudantes têm assembleia marcada para essa segunda-feira (1), e podem somar-se à luta das demais categorias em greve.

Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN, diz que é muito importante que os estudantes das IFE se somem às mobilizações de docentes e servidores em todo o país. “Os estudantes são os usuários do serviço público oferecido pelas IFE e sua manifestação em defesa da educação pública têm sempre um grande peso em nossa luta. Também estamos de olho nos processos de criminalização das lutas estudantis que podem começar a surgir, sempre demonstrando apoio e defendendo os estudantes que lutam por seus direitos”, concluiu Rizzo.

FONTE: http://grevenasfederais.andes.org.br/2015/06/01/greve-nas-instituicoes-federais-de-ensino-se-amplia/#more-173