Casos de intoxicação por metanol acendem alerta para necessidade de investimentos em inteligência e fiscalização

Para o Anffa Sindical, falta de estrutura e de recursos humanos fragiliza o combate a crimes que colocam em risco a saúde da população

Metanol na bebida alcoólica: polícia faz operação em bares - 29/09/2025 -  Equilíbrio e Saúde - Folha

Por Anffa Sindical

Casos recentes de intoxicação por metanol após ingestão de bebidas alcoólicas nos estados de São Paulo e Pernambuco acendem um alerta para a necessidade urgente de investimentos em recursos humanos e estrutura voltados às ações de inteligência no combate a crimes envolvendo produtos de origem animal e vegetal, incluindo bebidas e alimentos, que colocam em risco a saúde da população. Diversas ocorrências foram confirmadas, mais de 15 estão em investigação e cinco pessoas já morreram em decorrência da ingestão da substância altamente tóxica.

Casos de intoxicação acendem um alerta para a necessidade urgente de investimentos voltados às ações de inteligência contra crimes envolvendo alimentos e bebidas (Foto: Reprodução)

As investigações apontam que falsificadores “batizavam” bebidas como gin e vodca de marcas conhecidas com metanol, que posteriormente eram comercializadas e consumidas pelas vítimas. Até o momento, não há informações sobre em qual etapa da produção ou distribuição ocorreu a adulteração, nem quem seriam os responsáveis ou se outros destilados também foram comprometidos.

Até seis horas após a ingestão, a pessoa intoxicada pode apresentar dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa. Até 24 horas após a ingestão, a lista de sintomas inclui visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões e coma. Em casos mais graves, o paciente pode evoluir para cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal, necrose de gânglios, tremor, rigidez, lentidão dos movimentos e chegar ao óbito. Assim, recomenda-se a assistência médica imediata.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) destaca que as bebidas regulares possuem registro e são fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), portanto é imprescindível verificar a procedência dos itens consumidos. Já os casos de intoxicação envolvem produtos irregulares, fruto de práticas criminosas e que, por isso, estão sob investigação policial.

Por conta disso, para o Anffa Sindical, o episódio reforça a importância de ampliar as ferramentas de inteligência no enfrentamento a práticas criminosas que atentam contra a saúde pública e só podem ser combatidas com estrutura e servidores em número adequado. O presidente, Janus Pablo Macedo, destaca a atuação do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteira), conduzido pelos auditores fiscais federais agropecuários que, em articulação com forças policiais, já apreendeu mais de 500 mil litros de bebidas irregulares desde 2020.

“O trabalho de fiscalização é estratégico para impedir a entrada e a circulação de produtos irregulares no País. Os profissionais que atuam no Vigifronteira têm como foco a repressão de ilícitos. Mas o avanço desse tipo de crime só poderá ser combatido com investimentos adequados em inteligência, tecnologia e, principalmente, na recomposição dos nossos quadros de servidores. Sem isso, a saúde pública continuará exposta”, afirma o presidente do Anffa Sindical.

Ele ressalta ainda que os riscos não se limitam às bebidas adulteradas: diferentes modalidades de fraude envolvendo produtos estão presentes em todo o País, o que exige estratégias articuladas de fiscalização e repressão. Nesta lista, incluem-se também alimentos e medicamentos de uso veterinário.

O Anffa Sindical lamenta profundamente as vítimas do episódio em São Paulo e em Pernambuco, defende a continuidade das investigações e cobra punição rigorosa aos responsáveis. O sindicato ainda reforça que somente com ações firmes, articuladas e estruturadas será possível proteger a saúde da população e evitar novas tragédias.

Anffa Sindical manifesta preocupação com flexibilização da fiscalização de alimentos

Entidade reitera importância do rigor das inspeções federais para garantia da qualidade dos produtos de origem animal

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) manifesta preocupação com o anúncio do Governo Federal de permitir, pelo período de um ano, a comercialização nacional de produtos inspecionados exclusivamente pelos municípios por meio do Serviço de Inspeção Municipal (SIM). A entidade reitera a importância do rigor da fiscalização de produtos de origem animal, essencial para garantir sanidade, qualidade e a conformidade com os padrões internacionais de segurança dos alimentos.

A medida do governo contempla um rol limitado de produtos, incluindo leite, mel e ovos, sem abranger a carne, que segue sob inspeção mais rígida. A decisão anunciada nesta quinta-feira (6) faz parte de um pacote para conter a alta dos preços dos alimentos.

“Embora seja importante a iniciativa do governo de buscar ampliar a oferta de produtos a um custo menor para a população, a medida pode fragilizar o controle sanitário, uma vez que os produtos não passarão pelo mesmo nível de inspeção aplicado pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi)”, destacou o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo.

Atualmente, os produtos fiscalizados pelo SIM são destinados ao consumo dentro do próprio município, com exceção das mercadorias que já possuem a habilitação pelo Sisbi (que já podem comercializar em qualquer local dentro do país). Vale destacar que nem todo município possui equipe suficiente para realizar a fiscalização adequada, não por falta de cumprimento da legislação sanitária, mas por falta de equipe. Portanto, transferir essa fiscalização para os municípios sem recursos orçamentários, nem de servidores é irresponsável.

Segundo Macedo, muitos estabelecimentos que operam sob o Serviço de Inspeção Municipal buscam obter a certificação federal e não conseguem, justamente por não atenderem a todos os critérios exigidos pelo Mapa. “A liberação da comercialização de forma nacional não leva a um aumento direto de oferta dos produtos, uma vez que eles já são comercializados de forma local, nos municípios. A estratégia é inócua no sentido econômico, mas aumenta o risco de problemas sanitários de itens que são vendidos nas proximidades. Isto sem contar questões de logística de transporte, armazenamento, temperatura etc”, pontua.

Outro ponto levantado é o fato de que produtos com menor controle tendem a chegar ao consumidor com menor qualidade. “A medida que eventualmente pode reduzir o preço de qualquer alimento não pode ser executada em detrimento da qualidade e sanidade dos produtos e a saúde da população. Não há como precificar a saúde da população”.

O Anffa Sindical permanece atento aos anúncios do governo e às possíveis mudanças no setor. A entidade reforça a necessidade de garantir a qualidade sanitária e a conformidade com os padrões internacionais de segurança dos alimentos, em benefício da saúde da população e da credibilidade do agronegócio brasileiro.

 Atentado a tiros contra alojamento reforça preocupação com a segurançados auditores fiscais federais agropecuários

Mais um caso de violência no Mato Grosso expõe fragilidade dos profissionais da carreira

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O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) registrou mais um triste caso de violência contra profissionais da carreira, na cidade de Alta Floresta, localizada a 790 km de Cuiabá. Criminosos fizeram vários disparos contra o alojamento onde um funcionário do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) e outro do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estavam hospedados. O crime aconteceu na madrugada de quarta-feira (8) e se soma a várias situações de intimidação e assédio, que mostram a fragilidade dos servidores públicos e a necessidade de investimentos do governo federal na melhoria das condições de trabalho e segurança dos auditores agropecuários.

Os profissionais da carreira são responsáveis pela fiscalização e inspeção de produtos de origem animal e vegetal junto ao setor produtivo. Suas atividades são cruciais para garantir a qualidade e a segurança dos alimentos aos consumidores. No entanto, em razão de suas atividades, os servidores têm enfrentado uma série de ameaças e agressões, especialmente aqueles lotados no Serviço de Inspeção Federal (SIF).

Há indícios de que o ataque em Alta Floresta possa ser uma retaliação ao trabalho desenvolvido pelos servidores nas fiscalizações agropecuárias. Agora, o caso será investigado pelas polícias civil e federal.

“Estamos profundamente preocupados com a escalada de violência contra os auditores fiscais federais agropecuários, que desempenham um papel crucial na garantia da segurança dos alimentos e na defesa da saúde pública. Esses profissionais são constantemente expostos a situações de risco enquanto cumprem seu dever de proteger os interesses da sociedade”, destacou presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo.

Denúncia

O caso se soma a diversos outros já encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF) pelo Anffa Sindical. Em julho do ano passado, a entidade protocolou um documento que aponta detalhes sobre ameaças e ataques sofridos pelos auditores, juntamente com boletins de ocorrência e processos administrativos instaurados para reforçar a gravidade do problema. Agora, uma nova representação foi feita pela entidade.

Vale destacar que episódios semelhantes, com indícios de retaliações e até agressões contra fiscais devido ao exercício de suas funções, têm ocorrido com frequência. Exemplo disso, foi o tiroteio ocorrido em Colniza (MT), no dia 6 de dezembro de 2024, onde um sargento da Polícia Militar foi alvejado com 8 tiros, enquanto fazia a segurança de fiscais do Indea que realizavam a apreensão de um caminhão irregular.

“A necessidade de investimentos em segurança e em condições de trabalho adequadas é urgente e inadiável. É inadmissível que servidores públicos, comprometidos com o desenvolvimento do país, continuem sendo alvos de ameaças, intimidações e ataques. Reafirmamos nosso compromisso de lutar pela proteção da carreira e pelo fortalecimento de medidas que garantam a integridade física e emocional dos auditores”, afirmou Macedo.

O Anffa, assim que tomou conhecimento da situação, prontamente se colocou à disposição dos servidores envolvidos, oferecendo todo o apoio necessário. A entidade reafirma seus compromissos em auxiliar os filiados nas providências legais e no que for necessário para garantir a segurança e a integridade dos profissionais.