Novo vazamento no mineroduto Minas-Rio volta a atingir Santo Antonio do Grama

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O jornal “O Tempo” publicou uma matéria informando que houve um novo vazamento no mineroduto “Minas-Rio” que atingiu novamente os mananciais hídricos que já tinham sido atingidos anteriormente no município de Santo Antonio do Grama no dia 12 de março [1]. 

Neste novo vazamento, a mineradora Anglo American reconheceu que o problema ocorreu por 45 minutos e lançou no ambiente 453 m3 de minério de ferro.  Esta quantidade serviu para novamente tornar inviável a captação de água para consumo humano.  Há que se lembrar que parte desse material poderá atingir a já combalida bacia hidrográfica do Rio Doce que já foi duramente atingida pelo TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton).

Por último, é preocupante que em pouco mais de duas semanas, o mineroduto Minas-Rio já tenha rompido duas vezes e no mesmo ponto.  Certamente há algo a mais a ser apurado na forma com que a mineradora Anglo American vem operando o maior mineroduto do mundo.  A ver!

Novo vazamento de minério é identificado em Santo Antônio do Grama

Em 12 de março, a mesma falha ocorreu, afetando o córrego. À época, foram despejados 450m³ de minério durante 45 minutos

Da Redação

santo antonio

Pela segunda vez neste mês, houve um rompimento em uma tubulação da mineradora Anglo American, em Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata mineira, causando vazamento de polpa de minério de ferro no Ribeirão Santo Antônio.

Segundo a mineradora, a falha ocorreu por volta das 18h55 desta quinta-feira (29) e durou aproximadamente cinco minutos para ser estancada. Ainda de acordo com a Anglo American, não houve feridos e operações da empresa estão paralisadas.

Em 12 de março, a mesma falha ocorreu, afetando o córrego. À época, foram despejados 450m³ de minério durante 45 minutos, deixando a água marrom e obrigando que a captação e o abastecimento fossem suspensos. As atividades foram retomadas na última terça-feira.

Após o ocorrido, a Justiça da Comarca de Rio Casca determinou o bloqueio de R$ 10 milhões da mineradora. Uma audiência de conciliação está marcada para o dia 20 de abril.

Confira o comunicado da empresa

“A Anglo American informa que, por volta das 18h55 de hoje, foi identificado outro vazamento no mineroduto, próximo à estação de Bombas 2, em Santo Antônio do Grama. O vazamento de polpa de minério de ferro, material não perigoso, durou aproximadamente cinco minutos e já foi estancado. Não houve feridos. As operações da empresa estão paralisadas.

As autoridades e órgãos competentes já foram avisados. A empresa está mobilizando todos os esforços para ação imediata de resposta ao incidente e, tão logo tenha mais informações, divulgará à sociedade”. 

FONTE: https://wordpress.com/post/blogdopedlowski.com/55153


[1] https://blogdopedlowski.com/2018/03/12/mineroduto-minas-rio-rompe-e-contamina-corpos-hidricos-em-santo-antonio-do-grama/

MPMG ajuíza ação contra a Anglo American devido ao rompimento do mineroduto em Santo Antônio do Grama

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou, nesta terça-feira, 13 de março, Ação Civil Pública contra a Anglo American Minério de Ferro Brasil S/A requerendo a adoção de medidas emergenciais pela empresa em virtude do rompimento do mineroduto Minas-Rio no município de Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata mineira. O MPMG pede também o imediato bloqueio de R$ 10 milhões da mineradora. O objetivo é garantir a reparação e indenização dos danos sociais e ambientais causados.

A instituição pede que a empresa adote medidas para cessar, imediatamente, o vazamento de substâncias do mineroduto e a contaminação do meio ambiente. Além disso, quer que a Anglo seja obrigada a, no prazo de 72 horas, realizar a contenção e posterior retirada e destinação ambientalmente adequada dos poluentes. 

A ação requer ainda que a empresa providencie cadastro dos atingidos pela falta de água, fornecendo-lhes água potável até que ocorra a regularização do serviço público de abastecimento.

A mineradora, caso a Justiça julgue procedentes os pedidos do MPMG, deverá ainda custear a realização de Auditoria Ambiental Independente no empreendimento, conforme previsto na Lei Estadual 10.627/1992, com emissão de relatório conclusivo e apresentação, no prazo de 120 dias, de informações sobre níveis de poluição e degradação ambiental provocados pelo rompimento, condições de operação e manutenção dos equipamentos e sistemas de controle da poluição, medidas para reparar o meio ambiente e proteger a saúde humana, entre outras.

O Ministério Público ainda pede que a Justiça, ao julgamento final da ACP, fixe a responsabilidade da Anglo pela reparação integral dos danos ao meio ambiente,  à  saúde e aos consumidores de  serviço de abastecimento de  água,  condenando-a  à  indenização,  inclusive  à  reparação  dos prejuízos para as operações de abastecimento de água da Copasa e custos das medidas emergenciais do Estado, de modo a impedir que esses valores sejam repassados à coletividade.

A ACP foi ajuizada em Rio Casca sob o número 0549.18.000483-6.

Poluição e prejuízos ambientais e sociais

Conforme informações preliminares do Núcleo de Crimes Ambientais (Nucrim) do MPMG, houve o vazamento de 450 m³ de minério durante aproximadamente 45 minutos, seguido de injeção de água disponível na estação para conter o minério dentro do duto. Os efeitos da poluição, segundo o Nucrim, continuam em desenvolvimento.

De acordo com a ação, a equipe do Nucrim  realizou coleta de água no córrego do Santo Antônio, acima e abaixo do ponto de ruptura do duto. A amostra no ponto a montante do local da ruptura (aproximadamente 100 m de distância) revelou 75,1 NTU   (unidade   de   turbidez),   ao   passo   que,   a   jusante   do   local (aproximadamente 100 m de distância), o valor aferido foi de 837 NTU.

Na ação, o MPMG aponta que as alterações adversas das características do meio ambiente decorrentes do rompimento podem, até prova em contrário, prejudicar a saúde, a segurança e o bem-estar da população; criar condições desfavoráveis às atividades sociais e econômicas; afetar desfavoravelmente a biota; afetar as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente.

A ação foi proposta pelos promotores de Justiça Andressa de Oliveira Lanchotti, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente; Leonardo Castro Maia, coordenador regional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente da Bacia do Rio Doce; Giselle Ribeiro de Oliveira, coordenadora estadual das Promotorias de Justiça de Patrimônio Cultural e Turístico; e Thiago Vinicius Teixeira Pereira, promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Rio Casca.

Os promotores de Justiça lembram, inclusive, que a Copasa, responsável pelo abastecimento de água do município, determinou a suspensão da captação de água. “A Copasa ou município de Santo Antônio do Grama não podem arcar com as ações emergenciais e, em especial, com seus custos, já que refletem externalidades negativas das atividades econômicas desenvolvidas pela mineradora”, defendem os integrantes do MPMG.

Conforme os promotores, “a Anglo tem o dever legal de reparar os danos sociais e ambientais porventura causados, adotando imediatamente medidas para cessação da atividade nociva, sem prejuízo de outras obrigações de fazer, de não fazer e de indenizar, independentemente de comprovação de culpa”.

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Fotos: Nucrim/MPMG

FONTE: https://www.mpmg.mp.br/comunicacao/noticias/mpmg-ajuiza-acao-contra-a-anglo-american-devido-ao-rompimento-do-mineroduto-em-santo-antonio-do-grama.htm 

Mineroduto Minas-Rio rompe e contamina corpos hídricos em Santo Antonio do Grama

Já abordei em inúmeras ocasiões o mineroduto Minas-Rio que foi passado pelo Grupo (E)BX para a mineradora Anglo American operar a partir do município de Conceição do Mato Dentro (MG) (ver figura abaixo). 

Pois bem,  o Minas-Rio acaba de causar na manhã desta segunda-feira (12/03) um novo incidente ambiental em território mineiro ao liberar material contaminante em corpos hídricos no município de Santo Antonio do Grama que está localizado a cerca de 320 km do ponto inicial [1

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Confrontada com o que não podia ser negado (como fez inicialmente a norueguesa Norsk Hydro em Barcarena (PA), a mineradora Anglo American logo emitiu uma nota de suas notas lacônicas para afirmar que “houve vazamento de polpa em um dos córregos da região, que consiste em 70% de minério de ferro e 30% de água, sendo classificada pela NBR 10.004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como resíduo não perigoso.”  A Anglo American afirmou ainda em sua nota que “solicitou à Copasa a interrupção do abastecimento de água aos moradores de Santo Antônio do Grama e a empresa está providenciando caminhões pipa para garantir o fornecimento de água para a população afetada e continuará prestando todos os atendimentos que se fizerem necessários“.  

A minha reação à nota da Anglo American é simples: nada como ter uma boa assessoria de comunicação para pintar o vermelho de rosa. É que mesmo os resíduos não sendo “tóxicos”, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) já teve de suspender o abastecimento de água e a Anglo American teve de garantir o fornecimento. Imaginem se fossem, a Anglo American teria que fazer o que? Trazer água da lua?

O mais trágico nisso tudo é que como o Minas-Rio possui mais de 500 km de extensão, o incidente de hoje em Santo Antonio do Grama pode ser apenas um prenúncio de problemas ainda mais graves no futuro.

Ah, sim,  como o Minas-Rio ligada umbilicalmente as minas da Anglo American localizadas em Conceição de Mato ao Porto do Açu em São João da Barra, hoje deve ser dia de nervosismo dentro dos escritórios da Prumo Logística Global. É que não há programa de educação ambiental para inglês ver que consiga esconder um vazamento de rejeitos que deixa sem água um município inteiro.

Por último, há que se lembrar que após o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billinton), o Brasil já foi palco de vários incidentes com mineradoras. Mas nada disso parece importar o governo “de facto” de Michel Temer que continua empenhado em acabar com o licenciamento ambiental brasileiro, justamente para facilitar a abertura de novas áreas para mineração.


 

[1] https://www.defatoonline.com.br/tubulacao-da-anglo-se-rompe-e-despeja-minerio-em-manancial-e-ribeirao-na-zona-da-mata/

The Intercept publica matéria mostrando situação escandalosa envolvendo licenciamento ambiental da Anglo American em Conceição do Mato Dentro

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Publico abaixo a íntegra da impactante reportagem assinada pela jornalista Aline Maciel, do site “The Intercept“, que revela a participação de uma servidora pública da Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais no processo de emissão das licenças ambientais necessárias para a multinacional Anglo american ampliar suas atividades de mineração em Conceição de Mato Dentro (MG), podendo agorar construir uma lagoa de rejeitos maior do que a da Mineradora Samarco que rompeu em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG).

O que a reportagem não fala é da associação direta entre o governo de Fernando Pimentel (PT) com as mineradoras que operam em Minas Gerais como se estivessem ainda no Século XVI.

De toda forma, recomendo a leitura da reportagem, pois a mesma traz elementos para lá de curiosos envolvendo o citado processo de licenciamento. 

Não custar lembrar que o minério que será escavado em Conceição do Mato Dentro será exportado via o mineroduto Minas-Rio e sairá do Brasil via o Porto do Açu que está localizado em São João da Barra (RJ).

SUBSECRETÁRIA AMBIENTAL PEDE LICENÇA E ASSINA COM MINERADORA PARA APROVAR BARRAGEM MAIOR QUE MARIANA

Por Alice Maciel

 

EM MARÇO DE 2015, uma funcionária pública do órgão que fiscaliza barragens em Minas Gerais tirou uma licença de dois anos para “tratar de interesses pessoais”. Vinte dias depois, ela assinou um documento, entregue ao Ibama, como gerente de licenciamento da mineradora Anglo American, no processo de aprovação da ampliação de uma barragem de rejeitos sete vezes maior do que a que rompeu em Mariana e causou o maior desastre ambiental do país. Na última sexta, uma câmara técnica aprovou a licença prévia para que o conglomerado estrangeiro expanda a mina na cidade de Conceição do Mato Dentro.

Contratada pela gigante britânica, Aline Faria Souza Trindade comandou o processo de licenciamento da atual etapa do projeto de minério de ferro Minas-Rio, que tem como um dos principais empreendimentos a megabarragem. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que controla a Fundação Estadual do Meio Ambiente – o órgão que fiscaliza barragens e do qual a funcionária está licenciada sem remuneração –, disse em nota não ver “nenhuma ilegalidade” no trabalho da servidora na iniciativa privada.

Aline pediu licença do emprego público, foi para a mineradora encaminhar a aprovação do projeto e ajudar a redigir documentos, e ainda tem a garantia de voltar ao mesmo emprego público de antes – e encontrar os processos que ela mesma ajudou a escrever, agora do outro lado do balcão. “Nenhuma ilegalidade”, garante a lei.

A servidora concursada é influente na Secretaria de Meio Ambiente de Minas. Ela passou por cargos comissionados importantes: já foi chefe de gabinete; vice-presidente da Fundação da qual se licenciou, de 2012 até dezembro de 2013; e subsecretária de Gestão e Regularização Ambiental Integrada de 2014 até março de 2015.

Na reunião em que foi aprovada a licença prévia para ampliar a barragem, os técnicos que representam o governo defenderam veementemente a obra, apesar de o Ministério Público Estadual, a Procuradoria da República, moradores de Conceição do Mato Dentro e especialistas de três universidades (UFMG, UFJF e UERJ) serem contrários à expansão da mina devido aos impactos sociais e ambientais.

“Interesses particulares”

De acordo com a legislação estadual mineira, o servidor pode licenciar-se em seis situações: para tratar de interesses particulares; para acompanhar cônjuge, também servidor público, que esteja servindo em outro município, estado ou país; licença maternidade ou paternidade; para tratamento de saúde; ou para cuidar de algum familiar com problema de saúde. A legislação não especifica, no entanto, o que configura “interesse particular”.

A licença para ocupar um cargo no setor privado não é ilegal, mas o Código de Ética do Servidor Público faz algumas ressalvas:

“É vedado ao agente público participar de qualquer outra atividade que possa significar conflito de interesse em relação à atividade pública que exerce; utilizar-se de cargo, emprego ou função, de facilidades, amizades, posição e influências para obter favorecimento para si ou para outrem; usar informações privilegiadas obtidas em âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, amigos ou terceiros”.

Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente alegou que não há nenhuma ilegalidade no fato de Aline exercer atividades na iniciativa privada durante o período de licença:

“Aline Faria Souza Trindade é servidora de carreira, com o cargo de analista ambiental da Fundação Estadual do Meio Ambiente. A licença para tratar de interesses pessoais é regida pelos artigos 179 a 184 da Lei Estadual nº 869/1952 e, para sua concessão, o servidor deve ter 2 anos de efetivo exercício e não estar obrigado a indenizar ou devolver valores aos cofres públicos. A referida licença obedeceu a esses critérios”.

Já a Anglo American justificou que a legislação brasileira permite que qualquer funcionário público licenciado exerça atividades de natureza privada, inclusive assalariada.

“Cumprimos rigorosamente as leis vigentes no país”, acrescentou.

Aerial view of damages after a dam burst in the village of Bento Rodrigues, in Mariana, Minas Gerais state, Brazil on November 6, 2015. A dam burst at a mining waste site unleashing a deluge of thick, red toxic mud that smothered a village killing at least 17 people and injuring some 75. The mining company Samarco, which operates the site, is jointly owned by two mining giants, Vale of Brazil and BHP Billiton of Australia. AFP PHOTO /  CHRISTOPHE SIMON        (Photo credit should read CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images)

Cena de destruição após o rompimento de barragem operada pela Samarco em Bento Rodrigues em 2015.  Foto: Christophe Simon/AFP/Getty Images

Antecessor passou pelo governo

Antes de Aline, quem ocupava o cargo de gerente de licenciamento na Anglo American era Daniel Medeiros de Souza. De acordo com o currículo divulgado em uma rede social, Daniel foi assessor jurídico (2004 a 2005), diretor de normas (2009 a 2011) e superintendente de regularização ambiental (2011 a 2012) da Secretaria de Meio Ambiente. Em 2012, entrou para a empresa e passou a ser responsável pelo licenciamento ambiental da mina em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas.

Sob a sua gestão, a Anglo conseguiu a licença de operação da mina, ou seja, a autorização para a mineradora começar a exploração no local.  Diferentemente de Aline, no entanto, Daniel pediu exoneração no Estado para assumir a vaga no setor privado.

O mineroduto da Anglo American que liga o interior de Minas Gerais ao porto do Açu, no Norte do estado do Rio de Janeiro, funciona há três anos e é o maior do mundo. A expectativa da Anglo com a expansão da mina é aumentar ainda mais a capacidade: dos atuais 17 milhões para 26,5 milhões de toneladas por ano. Estão previstos investimentos de R$ 1 bilhão para que a barragem de rejeitos passe  a comportar cerca de 229 milhões de metros cúbicos de água e de restos do processo de mineração. A intenção da Anglo, no entanto, é não parar por aí. A ideia é, numa fase posterior do projeto Minas-Rio, atingir a capacidade máxima da barragem de 370 milhões de metros cúbicos.

A título de comparação, a barragem de Fundão, que rompeu causando o desastre de Mariana em 2015, tinha 55 milhões de metros cúbicos. Ou seja, isso significa que a nova barragem será, no mínimo, quatro vezes maior — podendo chegar a ser até sete vezes maior. Conceição fica a aproximadamente 300 km de Mariana, e o rio Santo Antônio, que nasce no município, é um dos principais a desaguar no rio Doce, que foi imerso pela lama da barragem de rejeitos de Mariana.

Moradores sem fala

Cento e quarenta pessoas acompanharam a reunião da Câmara Técnica de Atividades Minerárias, entre elas funcionários da Anglo American e da empresa responsável pelos relatórios de impacto ambiental, defensores  do conglomerado britânico e alguns moradores atingidos pela obra. Trinta habitantes de Conceição, no entanto, ficaram de fora. Depois de reivindicarem o direito de acompanhar a votação, foram encaminhados a uma sala onde foi transmitida a sessão, mas não tiveram direito à fala.

Apenas a conselheira Maria Teresa Viana de Freitas Corujo, representante do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas, foi contrária à licença para a expansão da mina.

“Essa Câmara técnica é uma máquina de licenciar. O que aconteceu aqui hoje é praxe. Violam normas, entendem normas de formas distintas. É criminosa a violação de direitos”, afirmou.

Além dela, outros 11 conselheiros compõem a Câmara, sendo seis representantes do poder público (servidores de órgãos como o Ibama e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico) e outros cinco da sociedade civil (como o Instituto Brasileiro de Mineração e o Sindicato da Indústria Mineral de Minas Gerais).

“Moramos abaixo de um empreendimento que a gente fica vendo a hora que vai morrer, igual o povo de Mariana morreu.

O promotor da comarca de Conceição do Mato Dentro, Marcelo Mata Machado, ressaltou que existe um histórico muito grande de denúncias contra a Anglo de violações de direitos:

“O impacto nos recursos hídricos, por exemplo, é uma questão bastante séria. Agora com essa nova fase vai haver várias supressões de nascentes, a serra vai ser minerada”.

“Moramos abaixo de um empreendimento que a gente fica vendo a hora que vai morrer, igual o povo de Mariana morreu. Hoje, Conceição não tem vida porque nós não temos nem água para beber. Nós temos a água acima do empreendimento, mas pra baixo nós temos o quê? Lama, carniça. É muito sofrimento. É barulho toda hora, a gente não tem sossego pra dormir”, discursou a moradora de Conceição, Darcília Pires, durante a reunião.

Edrelina de Sena, moradora de Água Quente, na zona rural de Conceição do Mato Dentro, disse que a água contaminada do córrego Passa Sete, onde a barragem foi construída, está matando as criações. “Meu gado, as galinhas estão morrendo”, disse. O Passa Sete deságua no Rio Santo Antônio.

A empresa justificou que está trabalhando na proposição e implementação de soluções de curto e médio prazo para o córrego, que teve um trecho impactado durante a fase de implantação do empreendimento.

“Isso inclui sistemas de abastecimento com poço artesiano, reservatórios e uma rede de distribuição de água para as residências. Quando necessário, como nos períodos de estiagem, a Anglo American complementa o abastecimento com caminhões-pipa”, informou.

Moradores protestam contra construção de barragem em Conceição do Mato Dentro (MG)

Moradores protestam contra construção de barragem em Conceição do Mato Dentro (MG).  Foto: Alice Maciel

Segurando um cartaz em que se lia “Estamos em luta por direito”, o lavrador Lúcio da Silva Pimenta ressaltou que a aprovação da extensão da barragem só irá piorar a situação dos moradores de Conceição do Mato Dentro.

“Essa aprovação de hoje vai continuar o massacre do Estado, do município e das autoridades. Eles ajudam quem eles querem”, lamentou.

Lúcio é um dos cinco moradores incluídos no Programa de Proteção aos Direitos Humanos do governo do Estado por ter recebido ameaças da empresa. Em nota, a Anglo afirmou que não compactua com nenhuma forma de violência ou ameaça, “pois isso não faz parte” dos valores da empresa.

“Você desenha um futuro, e de repente uma empresa passa a controlar sua vida”, afirmou a produtora rural Patrícia Simões. Sua terra fica a menos de 500 metros da barragem de rejeitos. De acordo com ela, a falta de água é o principal impacto da mineração. “Essa aprovação de hoje significa que o Estado continuou refém da empresa. Essa empresa indica a data que quer a licença. Nós estamos vendo todas as estruturas reféns a esse projeto econômico que é degradador de meio ambiente, de comunidades”, alertou.

Durante a reunião, houve também quem defendesse o empreendimento. Estes alegam que a mineradora levou desenvolvimento para Conceição do Mato Dentro. “A gente vê muita crítica em relação à empresa, mas se não fosse essa empresa, meus irmãos não teriam formado, não teriam adquirido conhecimento. A gente estaria arrancando mandioca e batendo enxada até hoje. Como morador, como filho de Conceição, eu torço por esse empreendimento”, disse o estudante André Simões.

Com a aprovação da licença de instalação, a Anglo American já pode iniciar as obras de expansão da mina. Para começar a operar de fato, a empresa ainda vai precisar de outra aprovação do Conselho Municipal de Meio Ambiente.

O promotor Marcelo Mata Machado afirma que o Ministério Público firmou um acordo com a Anglo American para que ela custeie a contratação de uma empresa de auditoria externa e independente para acompanhar os impactos sobre os recursos hídricos e a segurança da barragem de rejeitos. E promete que o MP vai continuar a acompanhar de perto as ações da gigante da mineração na região de Conceição do Mato Dentro:

“O Ministério Público tentou avançar em alguns pontos de irregularidades e que ainda persistem no processo de licenciamento. Conseguimos avançar em alguns pontos, outros não. Com relação aos pontos que nós não conseguimos avançar e que a gente acredita que de alguma forma possuem irregularidades e ilegalidades, o Ministério Público vai tomar as ações e medidas cabíveis”.

Foto em destaque: Cidade de Conceição do Mato Dentro, cujos moradores temem barragem da mineradora britânica Anglo American.

FONTE: https://theintercept.com/2018/02/01/subsecretaria-de-orgao-ambiental-ajuda-mineradora-a-aprovar-barragem-maior-que-mariana/

Rede Igrejas e Mineração lança nota denunciando ameaças a atingidos pela mineradora Anglo American

Agravam as ameaças sofridas por atingidos da Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG)

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NOTA SOBRE AGRAVAMENTO DAS AMEAÇAS SOFRIDAS POR ATINGIDOS DA ANGLO  AMERICAN NA REGIÃO DE CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO 

A Rede Igrejas e Mineração vem manifestar em público sua preocupação com o agravamento dos episódios de agressões e ameaças que vem ocorrendo, na região de Conceição do Mato Dentro (MG), no contexto da votação do licenciamento prévio e de instalação da “Etapa 3” do empreendimento Minas-Rio, da Anglo American. Esta votação está prevista para o próximo dia 22 de Dezembro, em Belo Horizonte. As notícias que nos chegam são preocupantes, com o relato de um caso de agressão física, e outro de vigilância constante (o que constitui ameaça velada), às comunidades atingidas que participam da luta pelo reconhecimento de seus direitos. A quem interessa intimidar e ameaçar?

Entrevistas recentes dos dirigentes da Anglo American, não contribuem para atenuar o clima de insegurança. Ao contrário, afirmações de que, um suposto “atraso”, no processo de licenciamento, irá provocar demissões em massa, só contribuem para aumentar a tensão e insuflar animosidades.  È um direito das comunidades exercer uma participação política responsável, agindo dentro da legalidade, em prol do devido acesso às informações e da representação qualificada.

Lembramos que, segundo o que consta originalmente no próprio processo licenciado, a “Etapa 3” deveria se iniciar apenas em 2024. A “Rede Igrejas e Mineração” informa que permanecerá monitorando a situação em Conceição do Mato Dentro e região, e espera que tanto a Anglo American, quanto os Governos federal, estadual e local, adotem posturas e medidas que garantam os direitos e a integridade das comunidades atingidas, bem como evitem licenciar um projeto que causa danos à saúde humana e à biota local. 

O Parecer Único 1375747/2017, do SISEMA, que foi disponibilizado na reunião, da Câmara Técnica Especializada de Atividades Minerárias – CMI, do Conselho de Política Ambiental de MG, em 11 de dezembro de 2017, destaca: “Não se pode tolerar a extrapolação frequente dos limites legais estabelecidos na legislação vigente, que podem resultar em danos à saúde humana e à biota local”, situação que “tem repercussão na tutela ambiental administrativa, e até mesmo na civil e penal” (página 282). Esse mesmo parecer reconhece, que: “a profunda alteração da qualidade das águas identificadas à jusante da barragem de rejeitos, no curso d’água denominado “Córrego Passa Sete”, que compromete os usos múltiplos do recurso hídrico de comunidades abaixo do barramento.”

É intolerável que as comunidades continuem sofrendo intimidações e ameaças. É imperativo respeitar, sobretudo a vida e o direito daqueles que sofrem as consequências danosas da operação desse megaempreendimento minerário.

20 de dezembro de 2017

“Rede Igrejas e Mineração”

FONTE: http://www.falachico.org/2017/12/agravam-as-ameacas-sofridas-por_20.html

 

O TEMPO mostra terror instalado em Conceição do Mato Dentro após a construção do mineroduto da Anglo American

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Tendo sua construção iniciada pelo ex-bilionário Eike Batista e posteriormente adquirido pela multinacional Anglo American, o mineroduto Minas-Rio é vendido em propaganda como sendo a chance de redenção econômica para os municípios que ficam localizados ao longo dos seus mais de 500 km de extensão, desde o município de Conceição do Mato Dentro (MG) até o Porto do Açu em São João da Barra.

Mas a extensa reportagem assinada pelas jornalistas Ana Paula Pedroza e Queila Ariadne, do jornal mineiro O TEMPO, mostram que as coisas não são tão douradas como a propaganda da Anglo American faz parecer, e o que de fato existe é um ambiente de terror contra os que ousam enfrentar o poderio econômico da multinacional e de todos os que gravitam em torno dos interesses da empresa.

Interessante notar a resposta protocolar que a Anglo American deu às jornalistas se apresentando como signatária do do Pacto Global das Nações Unidas (ONU) desde 2004 e que apoia a implementação dos princípios voluntários de segurança e diretos humanos. Pelo jeito todo este compromisso não chega ao território impacto pelo mineroduto Minas-Rio!

Tensão na área do mineroduto

Projeto Minas-Rio é pano de fundo dos conflitos na cidade, onde cinco pessoas estão sob proteção

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Abalado por ameaças de quem defende a mineração, Elias Souza vive à base de remédios

 

Ciclo de ameaças

“O ciclo de ameaças se intensificou. Não sei quem me ameaça, mas o pano de fundo é a empresa.”
Lúcio Guerra Júnior, 51
Morador da cidade

Refúgio no mato

“Às vezes, quando vejo movimento estranho na estrada, entro para dentro do mato para dormir.”
Lúcio Pimenta, 51
Lavrador

Comitê criado para dialogar com moradores barra quem é contra

No começo deste ano, a Anglo American criou um comitê de convivência para dialogar com a comunidade e esclarecer dúvidas sobre os projetos. Participam representantes da mineradora e dos moradores de Turco, Cabeceira do Turco, Sapo e Beco. Entretanto, lideranças contrárias à forma como a mineradora vem conduzindo as conversas reclamam que não podem participar. “No começo, convidamos todos, mas não quiseram. Agora, eu mesma não deixo eles entrarem, porque senão vão ‘melar’ nossas negociações. Tudo indica que a Anglo vai comprar as terras de quem quiser vender. Eu mesma já vendi (antes) e posso dizer que a empresa não lesa ninguém. Ela paga direitinho”, afirma a coordenadora do comitê, Sandra Celestina Stemler.

Ela destaca que a Anglo deu opção: “Quem quiser sair sai. Quem quiser ficar fica, com garantia de qualidade de vida. Mas 99% querem sair. A empresa está disposta a colaborar”, diz.

FOTO: DOUGLAS MAGNO
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Com medo, Vanessa e Reginaldo tiveram que deixar a casa na roça

MINISTÉRIO PÚBLICO

Desinformação. Para o procurador do Ministério Público Federal Hélder Magno, essa é uma das principais violações de direitos humanos cometidas contra a comunidade.

Investigação. Há inquéritos civis para investigar os supostos crimes nos processos de licenciamento ambiental envolvendo a Anglo.

Cobrança. O MPF solicitou da Anglo, dos órgãos ambientais e dos jornais locais esclarecimentos sobre a falta de transparência na divulgação da audiência pública que aconteceria em 11 de abril.

Sindiextra desconhece conflitos no Estado

Representante das mineradoras no Estado, o Sindicato das Indústrias Extrativas de Minas Gerais (Sindiextra) desconhecia que os conflitos envolvendo as empresas e as comunidades onde elas atuam levaram à inclusão de 11 pessoas em programas oficiais de proteção. Informado pela reportagem, o diretor administrativo da entidade, Cristiano Parreiras, disse que “apoia as ações do Ministério Público e está aberto a ser a interface para buscar soluções para os conflitos”.

De acordo com ele, a maior parte das situações ocorre porque a população desconhece as características da atividade mineradora. Ele garante que as empresas desenvolvem constantes ações para “esclarecer a população em geral, em linguagem acessível, sobre os impactos e os benefícios da atividade”.

“Todas as mineradoras têm processos muito abertos de comunicação, até por conta das exigências legais”, diz. Ele completa que esses processos estão em constante evolução.

FONTE: http://www.otempo.com.br/capa/economia/tensão-na-área-do-mineroduto-1.1495204

Atingidos pelo Projeto Minas Rio sofrem nova truculência da Anglo

Comunidades de Conceição do Mato Dentro (MG), atingidas pelo projeto Minas Rio da Anglo American, realizaram uma manifestação no dia 8 de agosto pedindo um reassentamento coletivo e agora a Anglo tenta criminalizar moradores. As comunidades rurais atingidas já tem seus direitos tolhidos pela Anglo desde o início das obras da mina e mineroduto, que entraram em operação em 2014. Sofrem com assoreamento e contaminação dos cursos d’água, poluição do ar, aumento da violência do município e desde o rompimento da barragem Fundão da empresa Samarco, sofrem com o medo agravado de um rompimento similar à Bento Rodrigues, em Mariana. As comunidades vivem a poucos quilômetros abaixo da barragem. Em caso de rompimento, elas teriam um tempo ainda menor para se salvarem do que teve a comunidade que ficou absolutamente destruída pela barragem Fundão.

A ação do dia 8 de agosto aconteceu de forma pacífica, com o fechamento da rodovia estadual MG-10. Os moradores atingidos não chegaram a entrar em nenhuma área da Anglo. Fizeram um fechamento de via pública, mas a empresa age como se a rodovia fosse sua propriedade. Os atingidos de Conceição do Mato Dentro afirmam: “não queremos ser uma Bento Rodrigues”.

A Anglo respondeu dias depois de uma forma extremamente truculenta: com ações de interdito proibitório contra alguns moradores. Não é a primeira vez que a empresa faz isso. No ano passado comunidades atingidas pelo projeto realizaram fechamento da mesma rodovia, denunciando os impactos do mineroduto, a falta de água potável e a poeira constante e a Anglo novamente entrou com ações contra a comunidade, que não foram levadas adiante pelo juiz da Comarca.

Agora novamente a Anglo tenta outra ação para limitar a manifestação, intimidar e tentar minar a organização dos atingidos. As comunidades sofrem violações de Direitos Humanos há anos pela implementação deste projeto. E quando decidem exercer um direito legítimo de se manifestar, a Anglo tenta criminalizar o que ainda lhes resta: o direito à manifestação, o direito de se indignar contra os abusos e absurdos que a empresa comete e o direito a buscarem um local de moradia seguro.

Eles não decidiram viver abaixo de uma enorme barragem de rejeitos de minério, a Anglo que decidiu construir uma barragem a poucos quilômetros de suas casas e com a total anuência do Estado de Minas Gerais, que garantiu o licenciamento do projeto.

Pelo garantia do reassentamento coletivo das comunidades à jusante da barragem de rejeitos da Anglo!

Pelo direito de se manifestar livremente!

Pelo direito de auto-organização dos atingidos e atingidas!

Por um país soberano e sério! Contra o saque dos nossos minérios!

FONTE: https://www.facebook.com/notes/mam-movimento-pela-soberania-popular-na-minera%C3%A7%C3%A3o/atingidos-pelo-projeto-minas-rio-sofrem-nova-trucul%C3%AAncia-da-anglo/1241387052570526

Moradores bloqueiam estrada para protestar contra a Anglo American em Minas Gerais

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Repetinfo o que fizeram no início de Maio deste ano (Aqui!), moradores atingidos pelas atividades da mineradora Anglo American exigem o reassentamento paralisam a rodovia MG 10 no município de Conceição do Mato Dentro (MG).

Os atingidos pelas atividades da Anglo American consideram como única alternativa viável para aqueles que estão com suas vidas ameaçadas seja pela ausência de água ou pela  área de risco gerado pela barragem de rejeitos da mineradora.

A paralisação da MG 10 ocorre desde 5 horas da manhã desta segunda feira, dia 08 de agosto.

Rede que defende atingidos da Anglo American mostra que moradores de regiões de próximas de barragens de rejeitos da mineradora temem repetição de Mariana

Comunidades rurais não confiam em sistema de alerta de barragem de rejeitos da mineradora Anglo-American

 “Não queremos ser mais uma Bento Rodrigues”   e  “queremos dormir sem precisar sair correndo sem rumo” foi a resposta dos moradores da comunidade e São José do Jassém, município de Alvorada de Minas, à proposta de um sistema de segurança para uma barragem de rejeitos da mineradora Anglo American na reunião ocorrida dia 27 de julho de 2016. O plano visa a instalação de uma sirene e rotas de fuga para facilitar o resgate dos moradores rurais localizados abaixo do empreendimento. O volume desta barragem será de 380 milhões de metros cúbicos, seis vezes maior do que a da Fundão da SAMARCO (Vale, BHP Billiton) no município Mariana, Minas Gerais, que rompeu em novembro de 2015, retirando 19 vidas, deixando centenas famílias desabrigadas e um lastro de destruição ao longo de mais de 600 km no Vale do Rio Doce.

 Um agravante no caso da barragem da Anglo American é o fato que existem, além da Comunidade de Jassém, os povoados Água Quente e Passa Sete, município de Conceição do Mato Dentro,  na área de risco imediato do empreendimento. Desde 2008 , com o início da instalação do empreendimento minerário, estas comunidades sofrem com a degradação e poluição que impossibilitou o consumo da água do Córrego Passa Sete e tornou a comunidade dependente do caminhão pipa. Já em 2014 – antes de finalizado licenciamento ambiental – o vazamento de produtos químicos da barragem de rejeitos provocou a morte de alguns bezerros que tomaram da água contaminada e de todos os peixes do Córrego Passa Sete que atravessa os povoados.

 Na reunião, os moradores também denunciaram outras violações das quais são vítimas nos últimos anos, tais como a intimidação através de seguranças da empresa mineradora que procura criminalizá-los pela retirada de lenha nas imediações do distrito do Jassém e outros usos tradicionais do rio que jamais configuraram uma ameaça ao ecossistema como as atividades devastadoras da mineradora.

Em relação à instalação da sirene pretendida pela Anglo American os representantes da comunidade Jassém criticam a política de informação e a relação com a comunidade adotada pela empresa, já que a mineradora tentou impedir que as outras comunidades supracitadas fossem  convidadas para a reunião ocorrida no dia 27 de julho. Além disso, a comunidade manifestou o seu interesse em conhecer os estudos que indicam o tempo de deslocamento da lama desde a barragem até cada uma das comunidades, em caso de rompimento, dados não informados pela empresa.

A ineficiência da instalação da sirene para garantir a segurança da comunidade que possui distribuição dispersa das moradias e dos estabelecimentos rurais, a presença de escolas, assim como o grande número de idosos e crianças, que, freqüentemente, ficam sozinhas nas suas casas foi apenas um dos argumentos utilizados pela população para repudiar a medida proposta pela mineradora. Indignados, os moradores exclamaram frases como  “sirene não é alternativa de segurança”, “sirene é para bandido” e “não queremos ser tratados como ratos de laboratório”. O único meio para evitar a exposição ao risco de uma catástrofe ainda maior do que em Mariana será o reassentamento da comunidade. Entretanto, esta alternativa foi prontamente rechaçada pela mineradora sob a justificativa vaga de “que esta hipótese não está prevista pela empresa”.

A postura da Anglo American mostra, de acordo com os moradores e seus apoiadores, que as mineradoras ainda não estão dispostas a aprender a lição do desastre tecnológico causado pela SAMARCO, que configura um cenário de crime ambiental e homicídio doloso causado pela negligência calculada na busca de diminuição de custos. Trata-se de uma forma de racismo ambiental em que os lucros dos acionistas valem mais do que as vidas das populações rurais tradicionais. Cabe lembrar que o caso da SAMARCO é apenas o mais grave de uma série de oito rompimentos de barragens em Minas Gerais, causando inúmeros danos ambientais e vítimas fatais.

REAJA- REDE DE ARTICULAÇÃO E JUSTIÇA AMBIENTAL DOS ATINGIDOS PELO PROJETO MINAS-RIO DA ANGLO AMERICAN

 
 

Homa lança relatório sobre o caso do Porto do Açu, em São João da Barra, RJ

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A América Latina passa por um processo de expansão do setor minero-metalúrgico, em especial o Brasil, que ocupou em 2013 o segundo lugar entre os maiores exportadores de minério do mundo. A dependência econômica da região em relação a essa atividade é alarmante e sujeita às vulnerabilidades das altas e baixas cíclicas nos preços das commodities, que geram crises estruturais no setor

O período 2003-2013 representou um megaciclo das commodities, em que as importações globais de minérios foram valorizadas por um aumento de 630% (US$ 38 bilhões para US$ 277 bilhões). Ao longo desses anos, aprofundou-se a dependência econômica do Brasil na exportação, principalmente, de minério de ferro. Há a realização de projetos de larga escala com apoio governamental, em uma tentativa de impulsão da economia

O projeto do minero-porto do Açu se insere nessa lógica, sendo que sua ideia original data de 1999, como uma ambição do governo do Estado do Rio de Janeiro, representado pelo então governador Anthony Garotinho. Este foi sucedido por sua esposa Rosinha Garotinho, que deu continuação ao projeto, o qual sempre foi defendido como de interesse público. Através de reuniões privadas, houve a associação do projeto com Eliezer Batista, que o repassou para seu filho, Eike Batista. A partir daí se desenvolve um complexo sistema de relações empresariais, que dificultam, além do entendimento do caso, a imputação de responsabilidade dos envolvidos.

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FONTE: http://homacdhe.com/index.php/pt/2016/03/10/homa-lanca-relatorio-sobre-o-caso-do-porto-do-acu-em-sao-joao-da-barra-rj/