Minas-Rio, nas duas pontas do mineroduto quem sofre e perde são os pobres

A matéria abaixo é do jornal O TEMPO  e é assinada pela jornalista Juliana Baeta e trata de de algo que foi praticado ao cansaço no V Distrito de São João da Barra: a remoção de pessoas pobres de terras que ocupavam por sua vida inteira para entregá-las, neste caso, à Anglo American. O exame do conteúdo da matéria mostra ainda a existência de negócios mal explicados e à ação da justiça para beneficiar a empresa bilionária  e não a camponesa idosa.

Agora uma coisa que a matéria aponta e que deverá acender mais luzes vermelhas entre os donos do Porto do Açu, qual seja a notícia de a Anglo American agora reconhece publicamente que o sistema Minas-Rio não é sua prioridade.  Em outras palavras, que a Anglo American pode se livrar do abacaxi representado pelas minas de Conceição de Mato Dentro a qualquer momento.

A pergunta que fica para as duas pontas do mineroduto da Anglo American é a seguinte: por que então expulsar camponeses pobres de suas terras e colocá-los ao final da sua vida em condição de completa humilhação e desrespeito? A resposta pode ser muito simples… “AS TERRAS”!

 

Anglo American despeja idosa para não ‘atrapalhar’ expansão de mina

Ação envolveu 20 PMs para retirar a mulher de 85 anos de casa e aconteceu um dia depois de a mineradora afirmar que o Minas-Rio não é sua prioridade

expropriação

Natalina Pelo menos 20 policiais militares realizaram a ação de reintegração de posse na propriedade de Natalina nesta quarta-feira Natalina Natalina, de 85 anos, que nasceu e morou em Conceição do Mato Dentro durante toda a sua vida, foi retirada de sua casa pela PM nesta quarta-feira Natalina Antes do despejo, Natalina recebe apoio de outros moradores da região e dos advogados populares

JULIANA BAETA

Cerca de 20 policiais militares estiveram em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, nesta quarta-feira (9) para despejar uma idosa de 85 anos de sua casa em uma ação ajuizada pela mineradora britânica Anglo American. A propriedade dela fica na área onde será feita a expansão da mina do projeto Minas-Rio e está no meio de uma negociação confusa entre a mineradora e familiares da idosa.

Natalina Ferreira da Silva, que nasceu e viveu na cidade até então, foi retirada de sua propriedade junto a seus dois filhos que têm deficiência mental. Um deles precisou ser medicado às pressas durante a ação. Por ter mal de Parkinson, ele teve uma crise de tremedeira após ficar nervoso com a situação.

A idosa, que também sofre de problemas cardíacos e outros males causados pela idade avançada, está se sentindo muito mal e é acompanhado de perto por advogados que se uniram para tratar da questão. Como a mineradora também não liberou o dinheiro depositado para que ela possa adquirir uma nova moradia, Natalina terá que ir para a casa de um familiar em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, junto aos filhos. Se não fosse isso, ela ficaria na rua.

Negociação

O advogado Élcio Pacheco, que acompanha o caso, explica que em 2011, um sobrinho distante de Natalina firmou um contrato que ele classifica como arbitrário com funcionários da Anglo para vender a propriedade. “Quando estourou a onda de mineração na região e muitas pessoas ouviram dizer que estavam sendo pagas boas quantias de indenização, muitos picaretas vieram atrás de dinheiro. Um deles é este parente de dona Natalina, que nunca havia sequer vindo à região antes disso”, conta.

Conforme Pacheco, o sobrinho assinou um contrato representando a família junto a funcionários da Anglo que estavam na região. Desde então, ele está desaparecido. A ação foi suspensa pelos advogados em 2012. “Mas agora, três anos depois, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu reverter essa decisão e confirmou o despejo”, explica.

Com a “venda” das terras por um familiar não registrado, a família de Natalina amarga um prejuízo de mais de R$ 5 milhões. Um inquérito policial será aberto para que o parente desaparecido seja investigado. “O que aconteceu foi um festival de nulidade. Esse parente se juntou a funcionários da Anglo para dar um golpe na família. A empresa deveria, no mínimo, ser obrigada a reassentar a família, mas nem isso eles estão fazendo”, diz ainda o advogado. Como a liminar referente a reintegração de posse é provisória, os advogados entrarão com recursos para tentar reverter a decisão.

Esta não é a primeira vez que a empresa tenta despejar Natalina de sua propriedade. Os advogados populares do Coletivo Margarida Alves, que também acompanham os conflitos relacionados a ações de despejo na região, lembram que há anos Natalina e a família sofrem pressão por parte da Anglo American para deixar o imóvel.
Segundo o coletivo de advogados, a mineradora chegou a afirmar que liberaria o dinheiro depositado judicialmente se a família desistisse de todas as ações ajuizadas contra a empresa.

Resposta

A Anglo American informou que “a reintegração na posse do imóvel da Anglo American Minério de Ferro Brasil, até então ocupado pelo núcleo familiar” de Natalina foi feita por dois oficiais de Justiça acompanhados pela Polícia Militar “e se deu de forma pacífica e respeitosa”.

A empresa ainda afirma que o contrato de venda e compra do imóvel foi assinado em 2011 e que desde então a mineradora “tentou, por diversas vezes, negociar com a Sra. Natalina, filhos, filhas, genros, noras e procurador para que a propriedade fosse desocupada de forma voluntária”.

Segundo a Anglo American, houve o pagamento de “um valor considerável” no ato da assinatura do contrato, mas a assessoria não soube informar para quem este valor teria sido pago. Além disso, a empresa informa que o restante do valor “deverá ser depositado em juízo devidamente corrigido e disponível ao núcleo familiar assim que eles cumprirem com o contratado com a Anglo American”.

Projeto

O Minas-Rio é um complexo minerário composto por mina, em Conceição do Mato Dentro, minerotudo e porto, em São João da Barra (RJ). O mineroduto é o maior do mundo, com 537 quilômetros de extensão ligando as duas pontas do projeto. A ação de despejo da idosa aconteceu um dia depois que o executivo-chefe da mineradora, Mark Cutifani afirmou que “o custoso projeto Minas-Rio”, de US$ 8,8 bilhões, não é a prioridade número um para a companhia. No ano passado, o especial “Um mineroduto que passou em minha vida” publicado por O TEMPO e O Tempo Online, mostrou o rastro de destruição deixado pelo Projeto Minas-Rio nas 32 cidades por onde passa.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/anglo-american-despeja-idosa-para-n%C3%A3o-atrapalhar-expans%C3%A3o-de-mina-1.1187463

Depois de Mariana o medo se espalha. Barragem da Anglo American em Conceição do Mato Dentro causa alarme

Comunidade rural não dorme com medo de barragem ceder 

Suspeitas de trincas em estrutura e questionamento do MPMG reforçam temor

CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO/ Por JOÃO RENATO FARIA,  ENVIADO ESPECIAL

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Quando a dona de casa Marlene Carvalho, 59, passa as mãos calejadas pelo rosto, fica evidente que ela está cansada. Desde o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas, no último dia 5, ela não consegue dormir direito. O medo é que a tragédia que devastou o distrito de Bento Rodrigues se repita na sua casa, que fica na comunidade de Água Quente, em Conceição do Mato Dentro. Apesar de estar oficialmente na região do Alto Jequitinhonha, a cidade fica a 167 km da capital. O imóvel simples será um dos primeiros a serem atingidos pela onda de rejeitos caso a barragem construída há cerca de dois anos, como parte da operação Minas-Rio, da mineradora Anglo American, ceda. Todo o vilarejo seria soterrado em nove minutos.

“Aqui, acabou o sossego. Como é que dorme sabendo que pode acontecer uma coisa dessas?”, questiona Marlene. A preocupação é compartilhada pelas 46 famílias que moram no lugarejo, atingido duramente pela instalação da indústria de extração de minério de ferro. Em pé de guerra com o empreendimento desde o início da operação, os moradores desconfiam do estado da barragem. Problemas como licenciamentos ambientais concedidos de forma acelerada e o descumprimento de condicionantes estabelecidas em contrato também são alvos de questionamentos do Ministério Público de Minas Gerais.

“Pessoas que trabalham lá dentro nos disseram que ela tinha pelo menos três trincas grandes”, diz o lavrador José Helvécio Cesário, 57, marido de Marlene. Ele visitou Bento Rodrigues após a tragédia. “Eu já tinha medo, mas fiz questão de ir ver de perto o que pode acontecer com a gente. Foi muito triste ver aquela devastação”.

Moradora de Água Quente desde que nasceu, Maria das Graças Reis, 67, reclama da falta de um sistema de alerta com sirenes. “Não instalaram nada, porque falam que não precisa preocupar, que é tudo seguro. Mas não é o que falavam em Mariana? A verdade é que, se essa barragem estourar, a lama vai levar a gente embora, não dá nem tempo de correr”, lamenta.

Proprietário de uma fazenda que também seria atingida por um eventual rompimento, o comerciante Lúcio Guerra Júnior, 49, diz que o Plano de Ação Emergencial (PAE) da Anglo American detalha que, como está localizada em um vale, com pouquíssimos obstáculos no caminho, a comunidade seria engolida em nove minutos. Água Quente está a 3 km do dique da represa.

Relembre

Mineroduto. Em 2014, um caderno especial de O TEMPO mostrou as dificuldades da comunidade de Água Quente com a instalação do mineroduto que liga a mina ao porto de São João da Barra (RJ).

Atividade trouxe problemas

Não é só o risco de um rompimento que provoca temores nos moradores de Água Quente. Problemas típicos de cidade grande, como acidentes de trânsito e violência, têm tirado o sossego do lugarejo.

“Aqui nunca tinha tido crime. Mas no começo do ano me assaltaram, levando R$ 500 em dinheiro e uma moto que eu tinha. Isso é gente que veio para cá por causa da mina”, diz o lavrador José Lúcio Reis, 47. Ele também se acidentou duas vezes com os veículos da Anglo American.

“Em um deles, eu fui atropelado e quebrei a clavícula. Fiquei três meses parado, disseram que iriam me ajudar, mas nem aqui para ver como eu estava vieram”, conta Reis, que não registrou boletim de ocorrência do acidente.

Mineradora nega risco de rompimento

A mineradora Anglo American, responsável pela construção da barragem, negou em nota que a construção ofereça qualquer risco e garantiu que não existem trincas que ameacem a integridade da estrutura de contenção de rejeitos do Sistema Minas-Rio.

“Ela foi projetada, construída e é operada em conformidade com rigorosos critérios e requisitos de segurança, e conta com atestado de declaração de estabilidade emitido por empresa especializada”, afirma.

Ainda segundo a empresa, a barragem passa por fiscalizações anuais de técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), sendo que a última foi realizada no dia 31 de julho deste ano. Além disso, a Anglo American garante ter equipes de prontidão na área da mina para atendimentos de emergência. 

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/comunidade-rural-n%C3%A3o-dorme-com-medo-de-barragem-ceder-1.1181178

Rede que defende atingidos pelo mineroduto Minas-Rio denuncia ações da Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG)

ANGLO AMERICAN, EM CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO, É SINÔNIMO DE DESRESPEITO E VULNERALIZAÇÃO DE PESSOAS

ATINGIDOS

Voltamos a público para alertar a população de Conceição do Mato Dentro que a prática de fragmentação de comunidades, com frequência utilizada pela mineradora Anglo American, está atingindo agora o meio urbano. O argumento principal continua sendo a ameaça de desemprego. Os fatos nos levam a crer que se busca obter a desestabilização política e social como tática para se obter a liberação de anuências em desconformidade com as leis municipais e os protocolos /acordos assumidos anteriormente.

A estratégia da fragmentação de conterrâneos e da transformação deles, pela perda da identidade que os unia e a adoção da lógica da empresa (de romper os laços de reconhecimento entre partes valorizadas de uma mesma comunidade), conseguiu cindir a cidade, transformar cidadãos, famílias, diferentes grupos sociais, em sujeitos antagônicos e, algumas vezes, adversários desafiados à revanche.

No ardor de legitimar suas aberrações, a Anglo ameaça desempregar e rescindir contratos de aluguel /prestação de serviços. Atira todos ao caos e, de forma antiética e estúpida, ameaça atirar-nos no fratricídio.

O projeto Minas-Rio é pau que nasceu torto. Foi elaborado a toque de caixa pela MMX, com tecnologias ultrapassadas e com o discurso de baixo custo logístico em razão da utilização do mineroduto que não considerou as consequências e impactos ambientais sistêmicos. Chegou a Conceição de forma disfarçada enquanto fazenda de criação de cavalos de raça. Comprou terras com valores díspares e vendia a ideia de negócio sustentável do ponto de vista social e ambiental.

À medida que obtinha licenças, facilitadas pelo governo estadual e uma sucessão de prefeitos, a Anglo American foi assumindo seu caráter coronelista, a ponto de tripudiar de autoridades, particularmente daquelas mais complacentes, que acreditavam ou passavam a ideia de terem boa fé em quem, os fatos vêm demonstrando, não é merecedor de tanta consideração.

Parece patente agora que a Anglo American quer passar seu negócio pra frente, da mesma forma que Eike Batista o fez em 2008, ajustando as tratativas e licenças ambientais, antes de vender o projeto Minas-Rio, e dar início ao seu depois frustrado enriquecimento. A Anglo American quer porque quer obter a anuência (sem que tenha sido feito Estudo de Impacto Ambiental) da Etapa 3 do empreendimento quando ainda não licenciado a Etapa 2. A pretensão de ocupação do território pela empresa parece algo tão desordenado quanto a reprodução de células cancerígenas.

Qual a justificativa para um empreendimento exigir duas (02) novas licenças de acréscimo de áreas antes mesmo de completar um ano de licença de operação de uma área que, segundo estudos da própria empresa seria equivalente a 05 anos de exploração?

Agora, o aviso de férias coletivas de 200 empregados da empresa mineradora, mesmo que tenha sido garantido a eles os direitos assegurados pela legislação trabalhista, passou a ser utilizado como ameaça e justificativa para transpor o controle de legalidade e o esvaziamento de valores de solidariedade a tantos outros trabalhadores rurais que tiveram seus empregos e produção ameaçados pelos impactos causados pela mesma empresa. São os Antônios, Zés, Marias, Ritas, Anas, Raimundos, Pedros, Bentos e tantos outros que tiveram e continuam tendo suas vidas, destinos e produção inviabilizada por tantos anos e sem quaisquer garantias, nem mesmo de que a lei seria cumprida.

Lamentamos que o mesmo clamor social não tenha ocorrido em novembro de 2013 quando 172 trabalhadores foram resgatados em obras da Anglo American, em condições análogas à de escravo, incluindo 100 haitianos e 72 nordestinos. Tampouco os conceicionenses manifestaram-se diante da reincidência do flagrante em maio de 2014, com mais 185 trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravo pela fiscalização do Ministério do Trabalho e pelo Ministério Público do Trabalho. http://reporterbrasil.org.br/2014/05/fiscalizacao-volta-a-flagrar-escravidao-em-megaobra-da-anglo-american/

E o muitos continuam assistindo da janela, sem estranhar o massacre de conterrâneos, considerando normal este processo de dominação econômica, jurídica, política, social, territorial. Alguém se pergunta o que está por trás das férias coletivas da Anglo… Da interrupção de compromissos…

-A inviabilidade da produção em razão da escassez de água que levou o interrupção na captação do Rio do Peixe para uso no mineroduto?

– A redução de gastos já anunciada publicamente desde julho/2015 para viabilizar maior lucratividade?
– O plano de fragmentação maciça da comunidade para deixar novamente acéfala uma cidade?
– Dividir cidadãos e transformar a cidade em uma arena de gladiadores?
– Chantagear para superar limitações legais?
– Responsabilizar os atingidos e os técnicos encarregados do controle de legalidade a responsabilidade da redução dos 53.000 postos de trabalhos em todo o mundo já anunciada pela empresa desde julho de 2015. http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/mineradora-anglo-american-ira-demitir-53-000-em-todo-o-mundo

A Anglo que pretende encurralar a administração pública municipal e os órgãos licenciadores é a mesma que recusou-se a participar de audiência pública do Sapo no dia 02 de julho de 2015, ocasião em que teria obrigação de informar aos cidadãos e interessados o projeto de expansão da Mina do Sapo (Etapa 2).

É também a mesma que recusou-se a participar da reunião convocada pelos secretários estaduais, membros da comunidade e da Mesa Estadual de Diálogo e Negociação Permanente sobre Ocupações Urbanas e no Campo no dia 26/05/2015 em Conceição do Mato Dentro .

É a mesma que continua se recusando a cumprir as condicionantes, compromissos públicos e obrigações legais assumidas.

Não iremos nos calar diante de tantas irregularidades. Somos todos conceicionenses.

REAJA – REDE DE ARTICULAÇÃO E JUSTIÇA AMBIENTAL DOS ATINGIDOS PELO PROJETO MINAS-RIO

FONTE: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/noticias/anglo-american-em-conceicao-do-mato-dentro-e-sinonimo-de-desrespeito-e-vulneralizacao-de-pessoas/

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Violência e humilhação no despejo de integrantes da família Pimenta na zona rural de Conceição do Mato Dentro

No dia 14 de abril de 2015 ocorreu a ação de despejo ilegítima de integrantes da família Pimenta em favor da mineradora Anglo American, com mais de 50 policiais do Estado de Minas Gerais portando vários armamentos, e com o apoio de funcionários da empresa Anglo American. Os familiares possuem registro da propriedade do imóvel, que é um terreno de herança(1 )das famílias Pimenta e Balbino, com oito núcleos familiares de herdeiros, sendo que o inventário está em processo de conclusão. Os Pimenta constituem uma parentela antiga em Conceição do Mato Dentro, de pelo menos quatro gerações, cuja origem remonta à escrava – ou filha de escravos – Bernardina Pimenta. A família Balbino também é muito antiga na região. A mineradora negociou a posse da área com apenas um núcleo familiar, desconsiderando todos os outros núcleos familiares de herdeiros.

No momento do despejo, cerca de dez familiares estavam morando efetivamente no local, sendo que outros parentes e herdeiros os visitavam constantemente, ficando por alguns dias. Entre os moradores estava uma idosa de 76 anos. A empresa mineradora os vigiava permanentemente, 24 horas por dia, através de seguranças privados que ficavam de vigília, com binóculo, nas imediações do terreno, controlando as ações dos familiares e coagindo-os. No dia da ação de despejo, foi uma caminhonete da mineradora que fechou a estrada que dava acesso ao terreno, não permitindo a passagem de outros moradores da região que queriam ajudar as famílias.

A ação de despejo foi feita com inúmeros policiais, ostensivamente armados, contra pessoas que são vítimas de uma estratégia recorrente adotada pela mineradora: o desconhecimento da condição dos herdeiros, tanto os presentes como os ausentes, de terras mantidas em comum. A empresa procura apenas alguns herdeiros, separadamente, com propostas de negociação, submetendo-os a várias formas de pressão, desconsiderando o princípio da herança familiar e da conjugação de direitos baseados no parentesco. Os integrantes das famílias que foram vítimas do despejo denunciam que a escritura para adquirir a posse do terreno foi feita pela empresa em um cartório do distrito de Piedade do Paraopeba, no município de Brumadinho, longe de Conceição do Mato Dentro, eles só vieram a ter conhecimento das negociações após estas terem sido finalizadas. Outro terreno da família Pimenta, denominado Água Santa, já havia sido apropriado pela mineradora através das mesmas estratégias, e encontra-se atualmente em disputa judicial. No terreno de herança das famílias Pimenta e Balbino havia nove casas, com horta, quintal e plantações. Todas foram destruídas. Durante a ação, não havia ambulância, só mesmo policiais, oficiais de justiça e funcionários da empresa – que, segundo os relatos, ficavam só rindo e batendo papo. Apenas depois que os oficiais e policiais foram embora é que a ambulância chegou. Um dos moradores idosos passou mal, devido à pressão para que retirassem todas as coisas das casas, “se não as máquinas passariam por cima com o que estivesse dentro”. Assim que acabavam de tirar as coisas de uma casa, já a derrubavam, com uma máquina da própria empresa. Só puderam comer ao final do dia. Nas palavras de um herdeiro, “foi tortura mesmo”, as máquinas estavam quase jogando as casas em cima dos familiares de tanta violência e pressa.

Processos de negociação de terrenos familiares extremamente conflituosos, violentos e desagregadores, provocados pelo assédio da mineradora sobre os grupos de herdeiros, já são denunciados desde pelo menos 2008 na região do empreendimento em Conceição do Mato Dentro. A aquisição de terras de herdeiros de comunidades tradicionais rurais na região continua intensamente. Para este ano, a empresa Anglo American já deu inícioàs etapas “Otimização da Mina do Sapo” e “Extensão da Mina do Sapo”.

1 Terra de herdeiros: figura que, no mundo agrário brasileiro, com frequência abrange sistemas de uso ou posse comum da terra.

anglo1 anglo2 anglo3 anglo4 anglo5FONTE: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/noticias/violencia-e-humilhacao-no-despejo-de-integrantes-da-familia-pimenta-na-zona-rural-de-conceicao-do-mato-dentro/ 

 

Anglo American e o mundo-cão da mineração

atingidos

Por Júlio César de Castro

Quando o povo desta terra – salve, salve Brasil! – reverencia o heroico Tiradentes por destemidamente enfrentar a Coroa Portuguesa, ante a exploração à larga da riqueza do solo brasileiro, para saciar a voracidade do poder econômico da Inglaterra, ainda hoje assistimos à classe de vassalos políticos e mercadores de toga conluiar-se com as transnacionais. Mesmo que isto implique “passar o trator” sobre direitos legais, sobre terras e casas de camponeses, desarranjar o ecossistema e aniquilar com famílias de trabalhadores. E, para tal intento atroz, utilizam-se de todo meio vil de intimidação, calhamaço de liminares de remoção forçada e da truculência do braço armado do Estado para impor as “ordens” e barbaridades do grande capital.

 Não bastassem as denúncias de órgãos de defesa do Meio Ambiente e de Direitos Humanos, e da mídia independente (o jornal A Nova Democracia teceu matérias contundentes às aberrações do mineroduto em terras brasileiras) alertando sobre graves danos de impacto socioambiental e do sofrimento com clamor de vítimas, a Anglo American Minério de Ferro do Brasil S/A (ex-Anglo Ferrous Minas-Rio Mineração S/A), cooptando governantes e secretários do Estado, inclusive peemes de alta patente, contratando advogados de luxo, e “agradando” magistrados a fazerem vista grossa à legislação e ouvido de mercador às escancaradas declarações de abusos, cometidos em todo o processo de instalação e operação da mina de minério de ferro, a empresa arrombou o direito constitucional, “comprou” licença ambiental e impôs na marra toda a estrutura de linha de transmissão de energia, barragens e estradas, desalojou numerosas famílias e instalou o mineroduto com 525 km de extensão, da região mineira de Conceição do Mato Dentro até o Porto de Açu, no Rio de Janeiro.

Na arrogante determinação de a Anglo American reeditar o processo colonial de economia predatória, aqui acobertada pela Companhia de Desenvolvimento CODEMIG e pela Polícia Militar mineira (até a construção / reforma da unidade da PM em Conceição do Mato Dentro foi “concedida” pela mineradora), a empresa adquiriu suas terras de modo tenebroso, com todo vício de fraudes processuais e crimes de estelionato contra famílias desassistidas, que há centenas de anos, geração a geração, estavam morando e trabalhando com dignidade por lá.

Assim, além de omitir-se de responsabilidades, agir com má-intenção em explorar o produto mineral do solo expropriado, por intermediação de vigaristas profissionais do ramo fundiário, matreiramente a Anglo American desvaloriza a pequena propriedade dos trabalhadores e arrota desalojá-los de suas terras com sucessivas liminares de emissão de posse e “ordens de despejo”, sem levar em consideração nem a vulnerabilidade social de idosos e doentes no processo de desapropriação e reassentamento.

Assim, quando a “crise” descortina o quadro da dura realidade brasileira, o que era vendido como mera “marolinha” pelo sarcasmo lulista e maquiado por inserções publicitárias, agora, passado o engodo das eleições, estão às claras os números econômicos avultados no país. E, como sempre, esse gerenciamento oficial de subservientes ao capitalismo impõe ao povo arcar com a conta dos desmandos e corrupção impunes em todas as esferas de governos.

Ou seja, para manter a “boa relação política” com lobbies no Congresso Nacional e o acúmulo de capital, ocultaram os números econômicos, promoveram a Economia de ficção, represaram índices de inflação, seguraram as tarifas de energia elétrica e de água encanada para as empresas, isentaram muitas delas de impostos, financiaram e refinanciaram com recursos do BNDES obras e serviços públicos superfaturados, e legalizaram indistinta, irresponsável e inconsequentemente a famigerada terceirização da mão-de-obra a todos os setores de atividade profissional, com precarização e concentração da renda.

Além do mais, ainda estão subtraindo direitos trabalhistas e previdenciários, com a conivência das centrais pelegas, cobrando mais sacrifício da população trabalhadora com aumento do custo de alimentação, tarifas e impostos. Essas são as elites, manifestadas na mídia de troca-textos vendida, que defendem “os ajustes” nas contas do governo, com redução de recursos da Educação, Saúde, Previdência etc.

Assim, analisemos a enormidade de volumes que a Anglo American consumiu e vem consumindo de energia elétrica e de água (criminosamente retirada do solo, o que extingue nascentes afora) para a operação do seu mineroduto. Os saques infrenes da riqueza de minério de ferro em Minas Gerais, para aplacar a ganância do capital transnacional. As aberrações cometidas contra o bem público e contra a vida em comunidades.

Tudo isto sob aplausos intensos de claques e oportunistas, salamaleques e solenidades à “chave-de-ouro” em palácios de “Excelências”, configurando ostentoso crime de lesa-pátria. E, à luz da triste história de invasão e exploração nesta Terra Adorada, a Anglo American é mais uma Predadora S/A, e com os infames argumentos oficiais de “equilíbrio da balança comercial”. Enquanto as famílias de trabalhadores sofrem com as atrocidades dessas empresas.

Um caso emblemático, dentre tantos outros vividos por famílias de camponeses de Minas, é o drama da lavradora aposentada Natalina Ferreira da Silva, de 83 anos de idade, cardíaca gravemente adoentada, e seus filhos deficientes – conforme relatórios médicos –, moradora de Serra da Ferrugem, na zona rural de Conceição do Mato Dento, jogada ao deus-dará e à vulnerabilidade do núcleo familiar, isolada em área de risco, ultrajada por processo de despejo, desde o ano de 2012, quando a Anglo American ajuizou ação de reintegração de posse, com base em contrato de compra e venda repleto de vícios. Muito embora o advogado da família dela tenha requerido na Justiça a anulação contratual, devido à obrigação, não cumprida, de a empresa reassentá-la em outra fazenda na mesma região, e em face de condicionantes determinadas pela SUPRAM.

Contestada a ação de reintegração e despejo em juízo, com as plausíveis justificativas, a dona Natalina conseguiu suspender a decisão da Justiça inquisitória. Mas a Anglo American, no rompante do poder econômico, interpôs recurso no TJMG pela manutenção de execução da ordem de despejo. E, após três anos, esse Tribunal de Justiça de Minas Gerais concedeu para a mineradora o recurso, atropelando a primeira instância, que ainda não decidiu pela ação. Com isto, a fim de questionar e suspender a tendenciosa ordem do TJMG, a família prejudicada entrou com outro recurso; ainda em curso de decisão.

Como convém, estaremos atentos ao desenrolar e desfecho de mais esse caso, denunciando as mutretas e o favoritismo, entre a Anglo American e o Estado. Estaremos firmes na defesa dos direitos conquistados na luta pelo conjunto dos cidadãos trabalhadores.

Este é o retrato de um Brasil injusto, socialmente excludente, tratado com descaso, desmandos, servilismo político-partidário e “desvio de recursos” (leia-se roubo do patrimônio público), em escusas transações, sob a gerência da canalha do velho Estado e da máfia empresarial.

Júlio Cesar de Castro presta assessoria técnica em Construção Civil.

FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10769:submmanchete150515&catid=71:social&Itemid=180

Porto do Açu e o efeito encantador de um colete sobre os políticos sanjoanenses

políticos

Ao longo dos últimos anos tenho visto uma sucessão de políticos do município de São João da Barra adentrando o canteiro de obras do Porto do Açu, onde são devidamente paramentados com vistosos coletes esverdeados. É que o basta para que declarações para lá de otimistas sejam emitidas, normalmente ao arrepio das evidências empíricas. Esse parece também ser o caso do jovem deputado estadual Bruno Dauaire (PR) como mostra a matéria abaixo publicada no jornal “O DIÁRIO”.

Uma das atribuídas ao deputado Dauaire é a seguinte:

” O porto está funcionando, operando a todo vapor, mas é preciso que se estabeleça uma correlação de forças com a população local, inclusive ajudando a qualificar a mão de obra.

Se o deputado estivesse lendo, por exemplo, o blog do professor Roberto Moraes saberia que não apenas o porto não está “funcionando a todo vapor” (Aqui!), mas como uma das suas principais âncoras que é o minério de ferro está afundada em problemas, com a possibilidade crescente de que a gigante sul africana Anglo American caia fora do empreendimento para minimizar suas perdas bilionárias com um negócio que começou mal, continuou pior, e hoje parece atingir a camada pré-sal das notícias ruins .

Enquanto isso, as mazelas sociais e ambientais causadas pela implantação do Porto do Açu continuam se avolumando, sem que haja qualquer visita de deputados aos locais que tiveram suas águas salinizadas ou aos agricultores que tiveram suas terras desapropriadas e que até hoje seguem sem as devidas reparações conforme o estabelecido pelo Artigo 265 da Constituição fluminense. Eu diria que as mazelas, essa sim, estão crescendo a todo vapor. E só não vê, quem não visita.  Aliás, para mediar conflitos há que se ver todos os lados, e começar pelo empreendedor é um começo, como diriam os jovens, sinistro! Simples assim!

Bruno Dauaire visita Porto do Açu

Portal OZK
Clique na foto para ampliá-la
Bruno Dauaire acompanhou o embarque de minério no Porto

O deputado estadual Bruno Dauaire (PR), presidente da comissão especial criada na Alerj para mediar os conflitos do Porto do Açu, visitou o empreendimento na última segunda-feira e presenciou o embarque de minério de ferro para a Ásia.

Ele foi recebido por diretores da Prumo e questionou a empresa sobre projetos para absorção de mão de obra local, incentivo ao comércio do município e valorização das vocações tradicionais, como a agricultura. As solicitações vão ser encaminhadas por ofício pela comissão

– Apesar do cenário nacional e regional de crise econômica, a impressão passada pelos diretores e técnicos da Prumo é que o porto é uma alternativa ao momento de dificuldade. O porto está funcionando, operando a todo vapor, mas é preciso que se estabeleça uma correlação de forças com a população local, inclusive ajudando a qualificar a mão de obra. Esta é a grande preocupação da comissão – disse Bruno. O deputado ouviu dos diretores da empresa que foi formado um comitê para cadastro dos fornecedores locais e quer acompanhar todo o processo, que visa valorizar as empresas locais

– É uma boa notícia que haja essa preocupação da Prumo com São João da Barra e região Mas vamos acompanhar. Precisamos da participação dos empresários, do parlamento e do governo local e da população – destacou Bruno Dauaire.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/bruno-dauaire-visita-porto-do-acu-21203.html

Neco: prefeito de São João da Barra ou do Porto do Açu?

neco prumo

A imagem acima que mostra o prefeito de São João da Barra, o Sr. José Amaro Martins de Souz (Neco), em uniforme completo da Prumo Logística e segurando o minério de ferro da Anglo American no interior do Porto do Açu é uma daquelas que levantam mais perguntas do que oferecem respostas.

Inicialmente  (seja lá por qual gênio da propaganda for) a imagem seria, em tese, destinada a expressar uma saudação de Neco aos trabalhadores sanjoanenses pelo dia do trabalhador.  Até ai tudo bem porque é realmente importante reconhecer a importância dos trabalhadores no processo de desenvolvimento econômico.

Mas por que usar o uniforme da Prumo Logística, o Porto do Açu e a área de depósito de minério de ferro como background da mensagem? Essa combinação é estranha, mesmo porquê o Porto do Açu tem se caracterizado por ser um palco de greves e mobilizações dos trabalhadores que têm constantemente revelado um cenário de desrespeito a direitos básicos por parte das empresas que ali operam.

Além disso, Neco deveria ser informado que trabalhador sanjoanense empregado no Porto do Açu que é bom, nada ou quase nada. Segundo é que a verdadeira âncora econômica do município ainda é a agricultura, a qual praticamente dizimada (mas que resiste graças à teimosia dos agricultores familiares) pelo megaempreendimento iniciado por Eike Batista e hoje controlado por um fundo de investimento privado sediado na capital dos EUA!

Finalmente, alguma alma amiga deveria lembrar a Neco que ele é prefeito de São João da Barra e não do Porto do Açu. Aliás, pela imagem até parece que Neco é funcionário da Prumo Logística Global e não o chefe do executivo municipal. 

Aliás, é quase certo que seus adversários políticos explorem muito bem as contradições nessa imagem nas eleições de 2016. A ver!

Enquanto isso no Açu: No porto falta minério, na praia, areia!

O professor Roberto Moraes informou ontem em seu blog que o embarque de minério de ferro está temporariamente suspenso no Porto do Açu por um motivo bem prosaico e esquisito: a Anglo American estaria realizando um processo de manutenção no recém-inaugurado mineroduto Minas-Rio (Aqui!)!

Pois bem, hoje estive na Praia do Açu para participar da etapa inicial de uma dissertação de mestrado que estou orientando no Programa de Ecologia e Recursos Naturais (PGERN) e pude notar que ali está também faltando algo, mas não é minério de ferro.  E novamente o que falta seria prosaico em outras etapas, pois o elemento ausente é areia! Como resultado, ao caminhar pela porção central daquela praia, pude notar os testemunhos de mais intrusão de água do mar.

Entretanto, ao contrário do Porto do Açu deverá voltar a funcionar assim que a Anglo American encerrar a “manutenção” do mineroduto, a Praia do Açu continua sem perspectivas de qualquer medida efetiva para conter o avanço do mar. Aliás, na sequência abaixo dá para notar que os montes de areia que foram colocados como medida paliativa contra o avanço do mar já foram quase todos consumidos. 

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A queda no apetite chinês por minério de ferro indica que a crise da economia brasileira vai piorar

CHINA

Não estivessem a economia brasileira vivendo um péssimo momento, eu diria que a notícia abaixo, publicada pela revista “The Economist“, revela que o pior ainda está para chegar. E mais do que isso, que o cavalo vem a galope da China. É que trocando em miúdos o que a matéria diz é que o consumo de aço deverá começar a cair, tanto no quesito da produção como do consumo. Essa é uma péssima notícia para o Brasil, pois muitos dos projetos de infraestrutura construídos na última década (o Porto do Açu incluso) estavam direcionados a aplacar o apetite chinês por minério de ferro e outras commodities. 

Agora, o que o “The Economist” é que a festa do ferro pode acabar em breve, o que já está causando sérios problemas financeiros em empresas mineradoras que apostaram no “boom” chinês, a começar pela empresa australiana Fortscue que está tentando, sem sucesso até agora, alavancar cerca de US$ 2,5 bilhões para continuar suas operações que vem enfrentando demoras e cancelamentos num projeto justamente voltado para atender o mercado chinês.

E o que o esfriamento do apetite por minério de ferro dos chineses implica não apenas para o Brasil, mas particularmente para o Rio de Janeiro? Em rápidas palavras: mais problemas.

Também não custa lembrar que a Anglo American, principal parceira da Prumo Logística no Porto do Açu, já vem sendo sangrada em bilhões de dólares, mesmo antes deste cenário regressivo que está vindo da China.  Assim, se a Anglo American não conseguir se ajustar a esse cenário depressivo, é bem provável que se livrar do mineroduto Minas-Rio e de suas minas em Conceição do Mato Dentro se torne uma opção real. A ver!

China’s steel production and consumption may soon start falling

FOR three decades China has been a steelman’s paradise. Years of double-digit economic growth and relentless urbanisation gave the country an increasing appetite for the alloy. Steel went into everything, from buildings and infrastructure to cars and appliances. Consumption in China has risen at an average rate of 15% a year since the turn of the century, and at 689m tonnes last year it made up almost half of the world’s total usage.

Alas, the ferrous fiesta may soon fade. China’s annual growth rate has slowed from double-digit figures to around 7%. The massive investments in infrastructure that the government unleashed as a stimulus response to the global financial crisis are subsiding. Property markets around the country are cooling fast, leaving developers with a nasty debt hangover.

For the handful of big firms that produce most of the world’s iron ore, the raw material for steel, such arguments are hard to swallow. BHP Billiton, an Australian miner, insists that Chinese demand will keep growing robustly for years. Sam Walsh of Rio Tinto, a British colossus, has predicted that steel production in China will keep rising and eventually reach 1 billion tonnes a year (compared with about 823m tonnes last year). But such notions may prove to be wishful thinking. By one estimate, these and other mining firms have together splashed out $120 billion since 2011 on new iron-ore deposits.

In a sign of how China’s cooling demand for steel is affecting ore miners, last month Fortescue, an Australian company, was forced to call off a $2.5 billion bond issue, having days earlier tried to raise the same amount through the loans market. CITIC, China’s largest state-run conglomerate, recently announced that its net profits fell by nearly 18% last year thanks in part to the troubled iron and steel markets. It was forced to take an impairment charge of $2.5 billion on a massive iron-ore project in Australia that has run into delays and cost overruns.

Aside from the risk of undermining the rationale for investments such as these, what are the potential knock-on effects of China hitting peak steel? Trade wars, for a start. Unable to peddle all of their output at home, Chinese steel producers have been exporting increasing quantities—to the consternation of producers elsewhere, who accuse them of dumping. MEPS, a consulting firm, estimates that China exported more than 90m tonnes of steel last year, which is greater than the entire output of America’s steel industry and was a rise of over 50% on the previous year. Exports are continuing to surge this year.

Western steelmakers are pressing their politicians to protect them against the wave of cheap Chinese imports. On March 25th the European Union said it would impose anti-dumping duties of up to 25.2% on various stainless-steel products from China, as well as from Taiwan, after European steelmaking’s trade body, Eurofer, accused mills in both countries of unfair dumping. The next day, the bosses of America’s steel companies went to Capitol Hill to press their congressmen to take similar action. Unless China finds ways to moderate its exports (the recent elimination of an export-tax rebate on certain steel alloys may help, for example), these grumbles may end up at the World Trade Organisation.

The bigger impact, though, could be in China itself. Its steel industry is highly fragmented, woefully inefficient and burdened with excess capacity. The central government has tried to force the many state-supported firms to consolidate, but recalcitrant provincial officials keen on preserving local jobs have scuppered such efforts. There are reports that the industry ministry is preparing a fresh push to restructure Chinese steelmaking by making it easier for troubled mills to go bust.

A sign of the central government’s desire for a shakeout is its recent decision to end a long-standing ban on foreign investors owning majority stakes in local steel firms. In the current climate, however, it seems unlikely there will be any great rush by foreigners to buy them. Even though senior industry figures such as Mr Zhang are acknowledging that the good times are over, it may yet be some time before economic logic prevails in the Chinese steel business.

FONTE: http://www.economist.com/news/business/21647617-chinas-steel-production-and-consumption-may-soon-start-falling-twin-peaks?fsrc=scn/tw/te/pe/ed/twinpeaks