Análises da água do Quitingute mostram persistência da falta de oxigênio

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As imagens abaixo mostram visualmente a situação da concentração de oxigênio dissolvido (OD) nas águas do Canal do Quitingute a partir do início das medidas no dia 17 de Novembro até a última coleta realizada pelos pesquisadores do Laboratório de Ciências Ambientais na última segunda-feira (26/11).

E para entender que o problema permanece basta olhar os valores de OD e notar que a situação do Canal Quitingute é ruim em toda a sua extensão, mas atinge níveis de ausência de oxigênio a partir da localidade de Água Preta, se estendendo na malha amostral até Bajuru.

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O que esses resultados, espacializados e distribuídos num período de nove dias, indicam é que o problema de contaminação biológica do Quitingute não é pontual e nem cessou no momento em que o superintendente do INEA indicou que estávamos retornando a uma suposta normalidade.

Agora competiria ao próprio INEA, ou ao Ministério Público, tomaram medidas para identificar os pontos onde a contaminação por material orgânico está ocorrendo e identificar os responsáveis por isso. Afinal de contas, a trilha da anoxia está bem demonstrada pelas análises feitas pelo LCA/UENF.

Carga elevada de coliformes como causa da mortandade de peixes no Canal Quitingute

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Como indicado na segunda-feira (218/11), as amostras coletadas pelo Laboratório de Ciências Ambientais da UENF no Canal de Quitingute foram submetidas à análise para verificação de presença de coliformes, e os números acabam de chegar. Segundo o que foi apurado, as águas coletadas apresentavam valores de 240.000 NMP/100ml para coliformes totais e 25.000 NMP/100 ml para coliformes fecais. Isto significa que a intensa atividade biológica pode ser considerada a causa primária do evento de anoxia que virtualmente dizimou a população de peixes no Canal de Quitingute. Se forem considerados os limites estabelecidos  pela Resolução CONAMA 357/2005 que “dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências”,  as águas do Quitingute se encontravam ainda na segunda-feira em condição proibitiva para quaisquer usos diretos e indiretos, incluindo o uso para consumo humano, irrigação de culturas e fornecimento para animais.

Por outro lado, esses números indicam que o problema que ocorreu, alegadamente por uma manobra operacional realizada pelo INEA, não pode ter dizimado apenas 10 Kg como apareceu citado em diversas reportagens, e que as perdas para os estoques pesqueiros devem ser consideráveis.

Ai resta saber como o INEA e o Comitê de Bacias vão responder às eventuais ações que sejam movidas por quem se sentir prejudicado pela situação que foi estabelecida no Canal de Quitingute.

Finalmente, é importante lembrar que amostras colhidas no dia de ontem nos mesmos pontos do Canal Quitingute indicaram ainda a persistência da ausência quase total de oxigênio, o que aumenta ainda a possibilidade de que os efeitos negativos do episódio continuam sendo assimilados pela fauna e flora daquele ecossistema.